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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Epílogo

  Damon e Sebastian não podiam ser mais harmoniosos como pares.
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  Logo após se assumirem, contaram a notícia para as respectivas famílias – e as reações dos primos do ruivo e de Bia foram exatamente as mesmas.
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  - Finalmente, hein?! Já estava passando da hora desse casal acontecer.
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  Três meses depois marcaram uma reunião para as famílias se conhecerem na casa dos pais do moreno – e dentre os Malonga estavam somente aqueles que aceitavam Sebastian como homem gay.
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  O dia foi extremamente proveitoso e agradável. Meggie e Diara se gostaram de imediato, Marie, Dean, Simon e Bia logo se juntaram com Akil e Ralph em diálogo divertido em comemoração pelo, Paul e Akin dialogaram em simpatia por compartilharem os mesmos gostos em relação a esportes, Arthur apareceu de unhas pintadas de rosa sem medo de revelar seus trejeitos e as misturas dos paladares foi formidável. Diara preparou algumas refeições típicas de seu país do continente Africano e os Smiths levaram pratos como salpicão e carne à milanesa, além do pavê de chocolate preparado por Simon e do pavê de abacaxi feito por Marie.
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  Pelo rosto doce da esposa de Paul Smith parecer familiar, Diara se encaminhou para o quarto no final da tarde em busca de uma antiga foto guardada no fundo do armário.
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  - Meggie, pode me responder uma coisa? – se sentando ao lado dela no sofá da sala, lhe entregou a fotografia – Isso lhe é familiar? – apesar de morar no Brasil há anos, ainda carregava o sotaque da região onde nasceu e viveu antes de migrar para o Rio de Janeiro.
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  - Claro. – avaliava a imagem desbotada segurada nas extremidades pelos dedos, a recordação surgindo na mente – Fomos para uma cachoeira anos atrás e... – o assombro lhe tomou a face – Ué! – a encarou abismada, verificando como Diara era a mulher posicionada ao seu lado na foto, agora mais velha.
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  - Acho que a gente já se conhecia antes, minha amiga. – lançou um sorriso amigável cuja retribuição foi imediata, inclusive pela amizade cujo início se deu na última encarnação.
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  Enquanto ambas chamavam os outros para se reunirem e verem a foto, logo em frente, Diara detectou Mary, agora na figura de Maria Padilha.
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  Observava o reencontro do grupo em sorriso satisfeito por assimilar os resultados positivos do próprio trabalho em conjunto de Cigana, Exú Caveira e da Criança afim de lhes proporcionar a felicidade até então impossível de ser alcançada por causa da predominância do conservadorismo da época e da interferência de terceiros.
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  Quando o casal de aproximou de mãos entrelaçadas com o rapaz mordiscando o musculoso braço em brincadeira, o sorriso aumentou ainda mais.
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  Encontrando uma brecha mínima entre as pessoas amontoadas, fitou Diara em olhar afável.
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  - Eu te disse que o seu filho ainda seria muito feliz ao lado do meu menino, não disse? – foi a frase lançada antes de caminhar em direção à porta, saindo da casa soltando uma gargalhada.
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  Demorou quatro anos para Damon aceitar a proposta de morar com Sebastian após recusar o pedido três vezes por medo de ser precipitado.
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  Por fim, foi tomado pela sensatez por passarem tempo demais um na casa do outro. Em consequência os respectivos pertences jamais eram encontrados nos apartamentos corretos – e nem se lembravam como foram parar ali.
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  A situação se tornou crítica em agitada noite porque uma determinada lace de Satine e o par de coturnos favoritos para fazer shows estavam guardados no quarto de Sebastian, obrigando a drag a atrasar a apresentação quase uma hora e Sebastian dirigir para seu próprio apartamento para buscar os itens imprescindíveis para compor o look dela – e nem fazia ideia de onde eles estavam.
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  As carreiras estavam ótimas.
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  Sebastian era escalado para filmes, novelas e séries – sem mencionar as peças, agora muito bem aceitas nos teatros. Damon ascendia na carreira de cantor, aumentando o número de shows e contratando novos profissionais para trabalharem com sua equipe. Costumava também participar de filmes ou novelas, mas seu foco principal eram os palcos – tanto nas peças teatrais quanto na sua persona artística, Satine.
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  Nas premiações ou em algum evento onde ia montada, a drag costumava usar as joias presenteadas por Sebastian quando ainda eram Duque Malonga e Satine, a cantora do Moulin Rouge magnética, belíssima e cheia de misteriosos segredos.
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  Levou meses para o ruivo notar a profundidade das sequelas deixadas por Patrick em função do tratamento abusivo e até violento para com o ex.
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  Inicialmente pensou que o mais velho era sempre extremamente educado, falava baixo, se mantinha ocupado com alguma tarefa doméstica e buscava não o incomodar apenas para agradá-lo. Depois descobriu a motivação para o a cordialidade excessiva.
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  Medo.
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  Temia dele se transformar, assim como aconteceu com o loiro no passado.
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  Certa tarde, enquanto faziam compras no mercado, percebeu como o moreno estava ansioso. Abria a boca para falar algo, mas, antes da voz sair, desistia desviando o olhar em misto de conformidade e conflito interno.
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  - Amor, até eu já estou ficando ansioso por te ver agoniado assim. – o ruivo caminhava ao lado dele empurrando o carrinho com alguns legumes e frutas – Qual é o problema?
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  - Não, nada. – balançou a cabeça em movimento ligeiro sem encará-lo – Besteira.
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  O vinco na testa, o maxilar trincado e os músculos retesados sinalizavam o oposto.
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  - Não é besteira se você fica angustiado.
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  Engolindo em seco, o rapaz compreendeu como não era o lugar para aquela conversa devido a apreensão do outro, quem nem conseguia mirá-lo cuja sombra de apreensão perpassava nos traços.
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  De noite, já deitados na cama e com o ruivo no colo alheio, lhe indagou enquanto acariciava a bochecha do moreno.
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  - Amor... Será que agora me contaria o que rolou hoje no mercado?
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  Pelo costume adquirido de dormirem sem roupas, nem sempre havia o ar envolvente da volúpia. Eram apenas duas pessoas partilhando de intimidade na totalidade da palavra, sem restrições ou máscaras sociais – e completamente à vontade na presença um do outro.
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  - Águas passadas. – as digitais repousadas nas coxas torneadas afagavam a região onde apreciava a textura.
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  - Águas passadas que reverberam no presente não são tão passadas assim, não, hein?
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  Aquele era o efeito de Damon sobre si – mesmo perante um assunto sério e difícil de se abordar pelo desconforto de enfrentar traumas, trazia leveza pelo senso de humor, pela docilidade e pela gentileza naturais e espontâneas.
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  - Quando morava com o Patrick, eu nunca podia fazer algumas coisas ou ser eu mesmo. – revelou em volume baixo.
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  Proferindo as palavras de maneira arrastada, as lembranças infelizes vinham à tona contra a sua vontade trazendo à tona parte do conteúdo emocional da época.
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  Não era preciso mencionar como aquilo o afetava. Transmitia as emoções na fisionomia cada vez mais angustiada ao longo do diálogo.
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  - Por exemplo? – o avaliava com atenção pendendo a cabeça para o lado.
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  - Coisas bobas. – pelo embargo na voz, era visível que não eram tão bobas assim – Eu sempre gostei de geleia de mocotó. Traz sabor de infância para mim. – deu um sorrisinho melancólico sem mostrar os dentes – Nas raras vezes quando pedi alguma nas idas ao mercado, era infernal. Dizia que não tinha dinheiro para comprar, que eu estava morando de favor por ser medíocre na minha profissão, que não era para eu pedir nada porque ele já estava fazendo demais para mim e que eu deveria ser agradecido a ele por impedir de eu morar na rua como indigente. Não podia gastar menos de seis reais, mas comprava caixas e mais caixas de cerveja para ir a churrascos organizados pelos amigos.
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  - Por isso também que você ficou angustiado quando peguei a sua caneca?
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  Semanas atrás havia ido à cozinha para tomar água. Ao escolher uma das canecas de Sebastian com a imagem das Relíquias da Morte a caminho da geladeira o moreno entrou.
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  Pelo mais novo estar de costas, não viu como paralisou.
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  - Você não vai quebrar a minha caneca personalizada, não, né, bebê? – graças ao talento como ator, conseguiu esconder o horror através de um comentário irônico cruzando os braços.
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  - Claro que não, amor. Estou morrendo de sede.
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  Naquele diálogo compreendeu o motivo para aquela indagação.
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  - É. – assentiu envergonhado – Dentre os meus pertences havia uma coleção de canecas de Harry Potter de imagens diferentes porque sou fã. Quando ele estava zangado comigo, costumava quebrá-las na minha frente como punição. E... – engoliu em seco reunindo forças para prosseguir, expressando a amargura na fisionomia – Eu também gosto de planta. Mexer com terra e planta me tranquiliza. Na casa dele tinha um espaço para mim onde eu tinha colocado as do meu antigo apartamento. Não entendi quando elas começaram a morrer do nada se eram bem cuidadas por mim. Só compreendi por que senti o cheiro de cloro na terra.
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  - O filho da puta jogava cloro nas suas plantas? – questionou incrédulo pelo ataque indireto.
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  - Jogava. – o nó na garganta começou a se formar lhe causando incômodo.
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  - Ele te machucou muito, né?
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  Uma lágrima solitária desceu em réplica.
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  - Aquela caneca era a única que restou da coleção. Agora que estou redescobrindo como é morar com quem amo. Eu consigo brincar contigo sem ser recriminado ou criticado. Eu posso te abraçar sem ser rejeitado. Se eu não estiver muito bem, você vem me abraçar e ficar comigo ao invés de me ignorar ou debochar de mim. Agora estou experimentando a vivência de como é morar com um marido. – ergueu a mão para mostrar a aliança simbólica do relacionamento embora ainda não tivessem casados no papel antes de pousá-la na coxa – As brigas são normais. As reclamações são se colocou o lixo para fora ou não ou se deixou a pasta de dente destampada. A gente se prioriza. Me trata como igual. A gente se respeita na mesma medida. Não existe desnível na nossa relação. Você ri comigo ao invés de rir de mim. Contigo estou vivendo o que eu imaginava que um casamento seria e vendo como é possível ser feliz morando com alguém sem aquele peso, aquela coisa densa por me tratar mal e me enxergar com inferioridade.
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  O discurso era impregnado de lamento. As reminiscências o abalavam, mas não esboçava nenhum receio em compartilhá-las e se expor de maneira tão crua porque Damon sempre o acolheu. Não havia críticas, julgamentos ou condenações. Os sentimentos eram validados, assim como reconhecidos ao invés de ignorados, ironizados ou menosprezados.
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  Quando, de fato, a conduta era errada, resolviam na base do diálogo sem se alterarem – e não estava acostumado àquilo, então, a despeito de conhecê-lo, os resquícios da experiência passada o alertavam sobre a possibilidade de mudança por parte do ruivo, embora, conscientemente, soubesse que ele não era abusivo como Patrick.
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  O desprezo pelo homem intensificou mais ruivo porque, pior do que lhe ferirem, era machucarem quem amava – e Sebastian estava no topo da lista.
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  Para lhe transmitir acalento, deu vagarosos beijinhos meigos pelo rosto e se deitou nele o abraçando para lhe transmitir acalento após o contato com aquela ferida emocional. Assim como suspeitava, o contato corporal era primordial pela forma como os braços circularam as costas nuas o apertando contra si.
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  - Eu não sou ele, amor. – murmurou contra a orelha – Você está seguro comigo. Sempre. Eu te amo.
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   Ao longo do relacionamento, indiretamente, sem sequer notar, Damon lhe mostrava como era, sim, possível voltar a ser quem era vivendo na companhia de outra pessoa.
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  Determinadas reações pela fragilidade emocional ainda eram presentes como hesitar em fazer alguma piada simples ou calcular os movimentos para não sofrer repreendas, mas diminuíram no passar do tempo pelo comportamento saudável, amoroso e respeitoso do rapaz para consigo. Lhe era permitido rir alto, descansar acomodado no sofá assistindo filme ou série ou abraçar livremente o homem quem amava, inclusive em público. Dividiam os boletos e as tarefas domésticas, preparavam as refeições um pro outro e era comum o ruivo chegar com geleia de mocotó, armazenando a guloseima na geladeira para estarem na temperatura da preferência do outro para o consumo.
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  Quando Sebastian voltou a colecionar suas canecas, o aguardou viajar para fora do Estado numa das apresentações da peça para, com a ajuda dos primos, construir cinco prateleiras na parede da sala, onde as colocou ali como surpresa.
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  O radiante sorriso em agradecimento do ator ao vê-las dispostas na prateleira no retorno pro apartamento ficaria registrado na memória do mais novo.
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  Como havia uma área na parte externa do apartamento de onde se via o céu e era usado para lavar e estender roupa, Sebastian a separou também para colocar plantas – algumas entregues pelo rapaz de presente.
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  As atitudes e o comportamento saudável do cantor o ajudavam a curar aquela parte dentro de si que pensava não haver recuperação, o ensinando novamente a ser quem era e a permitir a sua identidade aflorar. Saía do casulo do medo que se enfiou como senso de sobrevivência.
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  De acordo com os incentivos naturais mostrados pelo rapaz por ser um homem saudável dentro de um relacionamento e no trato com o ser humano num geral, passou a deixar a sua identidade pessoal aflorar. Se permitiu rir da sua forma característica, a não pedir permissão para coisas bobas como se poderia ou não gastar dois reais à mais numa compra ou se podia sair para visitar os pais e, caso estivesse passando mal, Damon o socorria ao invés de brigar ou humilhá-lo.
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  Quem o cercava deduzia acerca da influência do ruivo em relação a melhora emocional do moreno externalizada até na feição mais leve, no riso fácil e em como parecia estar com mais vida por voltar a ter seu brilho interno – motivo extra para gostarem ainda mais do rapaz.
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  O apartamento também tomou a traços da identidade do mais novo. Havia flores amarelas num jarro na sala, presentes entregues pelos fãs em prateleiras no quarto e na sala, um guarda-roupa para Satine e, de noite, quando a temperatura estava agradável, iam para a sacada onde, deitados na espreguiçadeira, passavam incontáveis minutos se abraçando apenas aproveitando da companhia um do outro.
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  Michael, desde o início do relacionamento com Celie, vivia os melhores anos de sua vida.
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  Graças a família da sua alma-gêmea, experimentou agora o que nunca teve contato de verdade: uma família para contar sem restrições.
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  Os familiares de Celie, por não serem tradicionais cuja característica era terem a mente aberta sem preconceitos, o aceitaram sem nem hesitar – teoricamente o que deveria ser considerado como o padrão normal e comum por não haver distinção entre pessoas cis e trans.
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  Logo, estranhou o tratamento positivo e por não escutar frases homofóbicas ou transfóbicas mascaradas de piada.
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  O tratavam pelo gênero masculino, o inseriam nas conversas e os homens se aproximaram o tratando como um igual.
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  Quando chegou em casa, desabou de chorar sensibilizado pelo respeito no cordial tratamento natural.
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  Graças ao registro espiritual das duas últimas encarnações, o casal se aproximou de Sebastian e Damon sem esforços por, finalmente, os casais se unirem para viverem a oportunidade do casamento permitido pela lei – inclusive, somente um deles adotando uma criança.
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  Uma das características de Damon mais apreciadas por Sebastian era a forma como adorava provocá-lo quando precisava viajar por causa do trabalho.
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  Naquele mês especificamente recebeu vídeos e fotos sensuais do marido, quem, pelo conhecimento sobre fotografia, se fotografava para incitá-lo e enviava áudios com voz manhosa, sabendo como seria o efeito nele.
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  Nas imagens brincava com a iluminação, os trajes íntimos de Satine ou toalhas. Deixava parte da bunda à mostra sem se mostrar totalmente ou, gravas ao jogo de luzes ou a falta de iluminação, deixava claro como estava sem roupas, apenas a silhueta nua em evidência – o que deixava Sebastian ensandecido para a viagem de retorno com o pau latejando entre as pernas e desesperado pela presença do marido.
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  Nunca ficou tão revoltado por demorar exatos trinta dias para retornar depois de rodar alguns Estados para estrear a peça nova.
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  Como Damon havia realizado um show na madrugada, quando Sebastian chegou do voo de São Paulo, o encontrou adormecido meio-dia.
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  Entrou no quarto em silêncio para não despertá-lo. Deixou a mala de rodinha ao lado do guarda-roupa e foi para a cama, onde se sentou o observando deitado de lado.
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  Não demorou dez segundos pro alarme do celular tocar.
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  Havia calculado mais ou menos o horário de chegada do marido, então deixou o despertador programado – e de nada serviu os esforços do outro para desligá-lo.
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  - Oi, amor. – sonolento, se arrastou para deitar a cabeça nas coxas escondidas pela calça jeans – A viagem foi boa?
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  O sorriso débil foi em virtude do perfume amadeirado, a presença de Sebastian e do afago nas ondas ruivas.
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  - Ótima. – se curvou para beijar a têmpora, se mantendo na posição por alguns instantes – Só faltou você lá comigo. – roçou os lábios na região em carícia meiga – Como foi o show ontem?
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  - Maravilhoso. Coloquei a lace ruiva. – enterrou o rosto no abdômen, saudoso pelo contato corporal.
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  - Eu sei. A Bia abriu a live ontem para eu assistir. Estava gata e muito gostosa.
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  - Ela me falou. – tampou a boca para bocejar se espreguiçando – Vou tomar banho. Já volto.
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  Na cozinha, abria a geladeira minutos depois vendo como havia uma refratária com um salpicão intacto guardado e um pavê de chocolate – ambos os alimentos estavam dentre os preferidos do mais velho.
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  Mais tarde descobriria como o rapaz os preparou de madrugada ao chegar em casa como um mimo, mesmo cansado pelo show.
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  Fechando a geladeira, se direcionou para onde foi chamado, se deparando com a imagem descalça de Damon de costas para si completamente sem roupas.
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  - Amor, ficou bom em mim?
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  A visão dele com o plug anal de pedrinha escarlate foi o suficiente para endurecê-lo, quebrar a distância com as írises ardentes, beijá-lo sôfrego, pegá-lo no colo e se encaminhar para o sofá.
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  - Você gosta de me provocar, não é? – com o rapaz acomodado no colo, avançava no pescoço lambendo a região com o cheiro do sabonete a perfumando.
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  Rebolando sedutoramente nele, sussurrou mordiscando o lóbulo e enterrando os dedos nos cachinhos crespos os puxando de leve. Mordiscou de leve por ouvir o som do grunhido rouco.
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  - Provocar? Eu? – em timbre manhoso, se afastou o suficiente para encará-lo em expressão de falsa inocência, adorando como os globos escureceram pelo desejo – Acha, mesmo, que eu teria a coragem de seduzir meu marido numa viagem de trinta dias longe de mim? – finalizou projetando o lábio inferir para frente em um biquinho – Enviar fotos sensuais seria maldade sem a minha presença para fazê-lo gozar.
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  - Safadinho. – deu um tapa forte na bunda se deliciando por, finalmente, tocá-lo como tanto queria – Eu tenho é certeza. – sôfrego, retirou a regata branca e passaram a se acariciar sem o obstáculo das roupas – E adoro isso em você.
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  Jamais se cansavam um do outro.
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  Desde o início do relacionamento se amaram em cada cômodo, muitos dos móveis usados para apoiá-los nos enlaces.
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  Na bancada da cozinha certa vez o posicionou de pernas abertas para estimular a próstata com o dedo anelar e penetrá-lo em seguida enquanto era agarrado.
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  Na parede, o invadindo por trás em profundas estocadas. Agarrava o pau, o masturbando no mesmo ritmo.
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  Na cadeira Sebastian já havia se curvado, incapaz de abafar os audíveis gemidos pelas invasões incessantes de Damon em si.
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  No tapete da sala se deliciou com Satine, com o batom borrado, quicando no membro duro.
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  Agora, já completamente desnudos, ajoelhado no piso frio, lambia a entrada do ruivo, igualmente ajoelhado no sofá com o tronco curvado no assento.
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  - Está piscando, é, amor? – introduziu a ponta da língua nele, o agudo gritinho o arrepiando.
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  - Eu preciso de você, meu querido. – se agarrava ao estofado imobilizado de prazer.
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  - Pede. Adoro te ouvir implorar. – mordiscou a bunda empinada saboreando a textura.
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  - Me fode, amor. Te quero dentro de mim.
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  Foi questão de minutos para gozarem juntos com Damon quicando em si em meio a beijos, abraços e provocações – principalmente depois de Sebastian prendê-lo contra si e castigar a entrada com o pau até o alívio os tranquilizar.
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  Assim como acontecia após o retorno de longa viagem, passaram o dia juntos aproveitando das respectivas companhias.
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  Cancelavam os compromissos e organizavam a casa previamente porque sabiam como passariam o restante do dia após longos períodos separados em virtude do trabalho – juntos e dentro de casa para terem a devida privacidade para se amarem quantas vezes quisessem.
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  A vida de Patrick se tornou um verdadeiro inferno após o encerramento das gravações da segunda temporada da série onde foi escalado para contracenar com o ex.
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  As consequências dos trabalhos espirituais contratados por Augusta passaram a interferir na sua vida de maneira preocupante, lhe desestabilizando completamente e conhecendo o lado obscuro de se mexer com o livre-arbítrio de alguém ou prejudicá-la.
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  Perdeu oportunidades de emprego, foi abrigado por um primo pela incapacidade de arcar com os próprios gastos e a beleza e a simpatia de outrora responsáveis por lhe abrir portas em diversas áreas desapareceram, deixando a derme macilenta, os dentes amarelados, as írises sem brilho, os cabelos opacos e ralos.
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  Através do corpo físico se mostrava como realmente era – ser humano cuja perversidade ainda o assolava, completamente individualista e incapacitado de sentir remorso ou sequer empatia.
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  Por fim, embriagado, perambulava na rua perto de casa em certa madrugada quando uma bala perdida lhe atingiu a cabeça, o matando instantaneamente.
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  Quando retornou à consciência, já em espírito, atordoado, se encontrava num cemitério onde Augusta geralmente deixava alguns trabalhos específicos os quais surtiram afeito para o loiro. Era assombrado por espíritos maléficos que o escravizariam e subjugariam sem a menor empatia – da mesma forma como ele submeteu homens, mulheres e crianças ao longo das encarnações sem nenhum remorso e arrependimento, mesmo já desencarnado.
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  Dias depois, durante uma das visitas nas zonas malditas em busca de almas realmente arrependidas que imploravam por ajuda, Exú Caveira caminhava com sua típica capa lhe cobrindo o corpo e ocultando sua identidade.
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  Carregava a alma de um antigo conhecido, quem levou inúmeros anos para se arrepender.
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  - Quem é você? – Joseph, seu amigo com quem abriu Moulin Rouge, mesmo exausto e tonto, tentava enxergar por debaixo da capa – Reconheci a sua voz, só não lembro de onde.
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  - Descanse, meu amigo. – embora fosse impossível do outro enxergar, detectou o sorriso na voz – As respostas chegarão no momento certo.
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  Ignorou os gritos de agonia de um grupo em particular, passando sem sequer hesitar em seguir em frente em seu caminho.
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  - Aquele loiro lá está precisando de ajuda. – avisou Joseph apontando debilmente para Patrick, embaixo de dezenas de almas.
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   - Não. – havia respeito na fala – Patrick está arcando com as consequências dos próprios atos. É diferente.
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  Na caminhada, cantou um ponto que, independente da distância, seria escutada por Patrick.
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Ele me jurou de morte
De me matar pela Quimbanda
Esquecendo que sou protegido
De Pombo-Gira e de Malandra

Arriou padê malfeito
E acendeu vela preta
Para Egum vim me pegar
Mas pegou foi sua cabeça

Não adianta implorar
Agora pelo perdão
Você que preste conta
Com Exú, meu guardião

  Patrick nunca mais iria interferir na vida de Damon e de Sebastian por estar ocupado demais nas próximas encarnações reparando seus danos através do sofrimento e da dor por escolha unicamente dele.
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  Ao contrário de Exú Caveira, a Cigana estava em lugar bem mais agradável e iluminado.
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  Novamente foi em busca da menina, quem brincava no amplo campo ensolarado em conjunto com as outras crianças.
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  - Tenho uma surpresa para você. – sentada no chão, acariciava os cabelos infantis com a pequena na sua frente.
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  - Ah, não, tia. – emburrada, cruzou os braços com um bico irritado se formando – Quero, não.
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  - Como não se nem sabe o que é? – foi impossível não achar graça da imagem.
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  - Sempre que me fala isso é para eu reencarnar, mas nunca junto com quem gosto. Por causa daquele tio feio fiquei sem meus papais e teve vez que nem um dos meus papais pôde ficar comigo porque já tinham morrido por causa dele.
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  - Dessa vez as coisas serão diferentes. – a assegurou em tom afável.
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  - Pode mentir para criancinha, não, tia.
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  - Vem comigo, então. Você vai gostar da proposta.
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  Apesar do bico, a curiosidade era maior, então segurou a mão que lhe foi oferecida e a acompanhou.
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  Em questão de minutos a de vestes amarelas típicas de povo cigano a levou para o apartamento.
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  O casal recebia grupos de amigos e os familiares em comemoração pelo aniversário de Damon.
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  Graças ao rapaz contar no passado sobre como queria a casa onde fosse morar, o registro estava escondido nos recônditos da mente do moreno. Assim que recebeu o valor pelo trabalho na primeira temporada da série, alugou um apartamento conforme as características estipuladas pelo ruivo quando estavam deitados na cama dele no Moulin Rouge, em preparação inconsciente para morarem juntos.
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  - Por que estamos aqui, tia? – ainda de mãos dadas, a criança olhou confusa para a Cigana.
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  - Para você conhecer os seus pais. – apontou para a dupla abraçada que batia fotos atrás do bolo de aniversário.
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  Desde a última visita onde a criança descobriu de quem seria filha, os visitava com certa frequência e aparecia nos sonhos do casal.
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  Numa das vezes assustou Damon, porque, deitado na cama, ao abrir os olhos, se deparou com a face sorridente dela segurando o ursinho de pelúcia.
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  - Oi, papai!
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  Raras foram as vezes que soltou um berro como aquele de susto.
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  Meses após o ocorrido que Damon podia se assegurar que não era um sonho e Padilha não lhe deu certeza embora carregasse sorrisinho travesso nos lábios como se soubesse de uma informação relevante para o casal, Zuri se descobriu em apuros.
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  Há meses quando abria o Baralho Cigano surgia a mesma mensagem – uma criança rondando-a e visitando dois homens próximos que eram almas-gêmeas e ela já conhecia a identidade deles.
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  Estava prestes a se mudar para o Canadá devido a uma excelente proposta de emprego na empresa onde trabalhava – e não iria desperdiçá-la.
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  Passou o último ano se organizando para a mudança.
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  Só havia um único detalhe.
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  Não imaginava de ter uma gravidez silenciosa e descobri-la através do trabalho de parto faltando cinco meses para a viagem.
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  Como estava na casa de Meggie, ninguém entendeu como, ao entrar do banheiro sentindo terrível cólica para tomar banho, nasceria uma adorável bebê.
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  O acontecimento alterou completamente o destino da família.
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  Foi levada às pressas para o hospital, onde a trataram e verificarem a saúde de ambas. Por estar tudo dentro dos conformes sem nenhuma complicação, retornaram para casa.
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  De madrugada o casal estava reunido a ela no quarto, com a bebê adormecida nos braços de Sebastian.
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  Apesar de não estar acostumado a interagir com crianças, achava a sensação de acomodar um bebê no colo muito familiar, assim como o rostinho arredondado profundamente adormecido.
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  - Gente, eu não posso desistir dessa oportunidade. – desolada, chorava silenciosamente para não acordar os demais sentada na cama – Já está tudo pronto. Meu sonho sempre foi viver no exterior, não ser mãe. – dizia baixinho para a conversa não atravessar as paredes – Nunca quis ter filhos. Acho maldade deixá-la na adoção. Sabe-se lá, Deus, quanto tempo demorará para ser adotada. Eu não...
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  - Entrega ela para gente.
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  Dois pares de olhos se voltaram para Sebastian, o responsável por proferir as palavras.
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  - A gente adota a bebê. – prosseguiu encarando o marido na ponta da cama, quem assentiu em feição tranquila concordando com a ideia – Podemos criá-la. Temos estabilidade financeira, tempo, um apartamento adequado, rede de apoio, espaço... Seria perfeito.
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  - Podem cuidar dela, então? – fungou em alívio – Irão registrá-la como filha de vocês.
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  - Sim. – replicou Damon com os olhos brilhando – A gente já tinha comentado sobre crianças, mas acho que as coisas acontecem como devem ser. – deu de ombros se encaminhando para se colocar ao lado do moreno e tocar o nariz dele com o indicador, reproduzindo em seguida o mesmo gesto com a bebê.
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  Zuri nunca quis ser mãe. Sua vontade era ser livre, aproveitar a vida sem amarras e, talvez, num relacionamento com quem desejasse o mesmo.
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  Apesar da gravidez indesejada, era a oportunidade da qual ela concordou antes de reencarnar. Através da gravidez, se redimiria finalmente por ser uma das responsáveis pelo assassinato de Damon, Sebastian, Bia e Dean no século XVII.
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  - Essa menina é formosa por demais. – a Cigana, ao lado de Padilha, a tomava nos braços dentro do terreiro onde o som do atabaque era mais abafado com as írises alegres cheia de admiração.
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  - Cuidado para não a derrubar, moça. – seis meses após registrá-las com os seus sobrenomes, Damon ainda digeria a responsabilidade e a alegria inenarráveis de ser pai – É muito frágil.
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  - Igualzinha a você quando era desse tamanho, moço. – replicou a de vestido vermelho fitando o ruivo – Vai ser muito meiga e delicada.
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  - E eu lá esqueci de como se segura bebê? Tive muita prática com o moço quem acompanho por criá-lo certa vez. – a Cigana mirava seu menino em ar maternal enquanto a pequena segurava o tecido do vestido em exploração sensorial.
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  - Já escolheram o nome dela? – Padilha virou a cabeça para soltar a fumaça pelas narinas sem correr o risco de a pequena inalá-la, apagando o cigarro na mão em seguida.
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  - Ainda não. – respondeu o moreno – Não conseguimos decidir. Parece que nenhum dos que temos em mente é adequado. Simplesmente não combina com ela.
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  - Por que não a chamam de Grace? – sugeriu a de vestes amarelas após trocar um olhar cúmplice e travesso com a outra – É um belo nome.
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  O sorrisinho da pequena serviu para confirmar qual seria o seu nome – e quem era o espírito da pequena quem os acompanhava e ajudou a afastar Patrick com a ajuda de Maria Padilha, Cigana e Exú Caveira, abrindo os caminhos para eles se reencontrarem e se relacionarem tranquilamente.
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  Aquela seria a primeira oportunidade de Grace de crescer ao lado dos dois pais, assim como sempre desejou.
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