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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 29

  Os cinco anos seguintes foram os mais esplendorosos da vida de Damon.
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  Nunca mais retornou ao Moulin Rouge e a vida se estabilizou.
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  No período diurno concentrava a atenção no teatro e estudava com afinco as falas e se aprimorava para desenvolver melhor a capacidade de interpretação objetivando se adequar ao perfil de personalidade dos papéis. Graças a isso evoluiu bastante na atuação e pôde explorar outros personagens mais complexos – evolução essa que seria bem aproveitada no século XXI, onde reencontraria Sebastian e trabalhariam juntos na série.
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  Por vezes, no final das apresentações, saía em companhia de Michael, quem estava visivelmente cabisbaixo pelo casamento da amada com Anthony.
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  Para o infortúnio do loiro, seguiram viagem como planejado e quase não se reencontrariam ao longo dos anos. Costumavam trocar cartas com frequência para matar a saudade e contarem o andamento das respectivas vidas – entretanto, pela distância, elas demoravam para chegar. Em consequência, inúmeras foram as vezes em que o rapaz cogitava dela não sentir nada por si – até, é claro, a chegada de uma nova mensagem de Celie onde admitia como sentia saudades de Michael e que, embora fosse bem tratada pelo marido e nada lhe faltasse, era impossível não pensar no antigo amante todos os dias.
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  Os amigos não o deixaram sozinho quando foi morar na sua própria residência.
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  Era comum aparecerem sempre, felizes com a mudança da realidade do ruivo, quem estava radiante naquele período.
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  Se despediam na calçada, onde o mais novo os observava até as silhuetas desaparecerem junto ao pôr do Sol.
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  - Agora, sim, estou te conhecendo. – disse Marie certa tarde o abraçando antes de ir para o Moulin Rouge na companhia dos outros dois.
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  Como alguns homens que passavam conheciam a cortesã, soltavam piadinhas ou comentários maliciosos os quais eram ignorados.
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  Qualquer pessoa diria que ela não se importaria com o assédio se a postura feminina não demonstrasse o contrário – corpo retesado e encolhido, braços cruzados, olhar duro e compostura de quem buscava se proteger.
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  - Como assim?
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  - É a primeira vez que o vejo verdadeiramente feliz. – em frente ao rapaz, acariciou a bochecha alheia – Agora, sim, tenho o deslumbre de quem era antes de chegar no cabaré. E sinceramente? Você merece essa felicidade.
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  Havia certo tom de desesperança facilmente detectável por detrás das palavras.
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  - Vocês também, minha amiga.
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  Nenhum som feminino foi emitido porque outro homem passou por ela e ousou tocar em seu quadril discretamente.
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  A amargura foi tão rápida na expressão que Damon duvidou de sua capacidade visual.
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  - Perdi as esperanças há bastante tempo, ruivinho. – forçou o sorriso para atenuar o incômodo pelos assédios – Não posso me desvincular dessa vida. E é por isso que me alegro com a sua conquista. Ao contrário de mim, conseguiu se afastar com o auxílio do Sebastian. Ele te ama muito. Nos vemos em outra oportunidade.
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  Bia era um episódio à parte.
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  Além de visitá-lo, o chamava igualmente para a sua casa – e adorava presenteá-lo nas datas comemorativas, inclusive o aniversário cuja celebração parou de ocorrer quando chegou ao Moulin Rouge.
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  Nessas ocasiões reunia o casal e os amigos de Damon para um festejo simplista repleto dos mais diversos alimentos, risos, conversas e fofocas sobre os últimos escândalos da alta sociedade.
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  As noites eram sempre destinadas aos encontros com o amante. Uma vez por semana chegava com novas flores amarelas para colocá-las no jarro da sala de estar, além de comprar sobremesas na padaria para agradá-lo.
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  Se acostumou com o fato de Sebastian estar dividido entre os deveres e responsabilidades para com a família, então se contentava de somente se reunirem no período noturno.
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  Afinal, o romance não poderia ser público. A escuridão era a madrinha daquele enlace, os protegendo de todo e qualquer ataque proveniente do preconceito caso alguém os descobrisse – e chegaria o dia quando, graças a evolução da sociedade e das leis, fosse possível estarem num relacionamento publicamente e constituírem família.
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  Se amaram intensamente em inúmeras noites por horas. Agora, Damon não sentia dor emocional e nem física. Se entregava para o amado sem empecilhos – e nunca em seus sonhos imaginou de desfrutar tamanhas sensações pujantes.
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  Infelizmente, aquele período não permitiria as respectivas almas gêmeas alcançarem a felicidade e nem desfrutarem dela por muito tempo.
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  Duas mortes alteraram o curso dos eventos, ambas pelo mesmo motivo cuja palavra surgiria em 1971 para definir as motivações para os crimes cometidos.
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  Homofobia.
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  A primeira foi de Sebastian, assassinado após ser visto por um vizinho do rapaz beijando o amante instantes antes de bater a porta da sala.
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  Mesmo sem a sua presença física, organizou previamente todos os trâmites para Damon não se prejudicar caso, por qualquer motivo, não pudessem estar juntos.
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  Seguindo as indicações do advogado particular, separou um valor o qual seria entregue mensalmente para Damon de maneira a suprir toda e qualquer necessidade – além de ser a garantia extra de jamais existir a mera possibilidade de recorrer a prostituição para se manter. Além disso, pagou a dívida de Marie, Dean e Simon de modo a se mudarem para a casa de Damon e morarem na mesma casa.
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  Assim como Sebastian imaginava, os amigos não permitiram o ruivo se entregar ao sofrimento. Arranjavam maneiras de distraí-lo, saíam e dificilmente o deixavam sozinho – e não eram os únicos.
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  Mesmo enlutada, Bia o recebia em sua casa regularmente e também frequentava o lar barulhento e hospitaleiro do rapaz – foi assim que ele se aproximou de Grace.
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  Pela falta do pai, a mulher se fez mais presente ainda na vida da sobrinha. Lhe contava histórias sobre o irmão, os ensinamentos e mantinha a memória de Sebastian viva no coração da pequena. Assim, desenvolveram belo laço inseparável. A menina se encontrava com ela durante o crescimento – e em várias visitas se deparou com a figura de Damon ao longo dos anos, outra pessoa com quem, curiosamente, criou uma relação harmônica apesar da diferença de idade e das realidades opostas.
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  Em certa tarde de verão, influenciada na espiritualidade pelo pai, quem passou a protegê-los no outro plano, comprou algumas sobremesas de doce de leite para Damon, quem se recordou saudoso do amado.
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  Aos 19 anos, quando faltava uma semana para o casamento de Grace, ela pediu após o aceno de cabeça sutil da tia quando estavam na sala privada da mais velha.
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  - Damon, eu gostaria de lhe fazer uma proposta bastante especial. – com os olhos brilhantes, deixou a xícara de chá na mesa em frente.
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  - Agora fiquei curioso. – engoliu o biscoito de chocolate.
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  - Bom... – trocou um olhar ansioso com Bia, quem sorriu em aprovação pela iniciativa – A minha tia comentou que você e meu pai eram grandes amigos apesar de pertencerem a classes sociais opostas. Eu não tenho vínculo com os meus irmãos pela diferença de idade e porque eles moram fora por tantos anos, então, considerando que você e meu pai eram amigos, gostaria de saber se aceitaria me levar ao altar no dia do meu casamento. Assim como você, os seus amigos estariam convidados. Me sinto muito confortável com vocês quando nos encontramos aqui na casa da minha tia ou quando vamos ao teatro, então é fora de cogitação não os imaginar participando desse momento tão esplêndido para mim. Aliás, seus nomes já estão na lista do casamento. Bastava as confirmações.
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  Jamais negaria tal pedido – e precisou controlar as lágrimas até o dia do matrimônio e durante a caminhada com ela ao altar até entregar a moça para o noivo.
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  Da mesma forma, nunca imaginaria que, ao contrário do que todos esperavam, Grace viu de relance a imagem de um moreno cacheado, quem sorria assistindo ao casamento em paterna expressão orgulhosa. Não veria como, se aproximando ao final da cerimônia, lhe daria um beijo na bochecha e sussurraria que a ama – gesto replicado quando se dirigisse a Damon, dessa vez beijando os cabelos ruivos e tocando a ponta do nariz com o indicador em seguida.
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  Ambos sentiram profunda emoção pela energia emanada de Sebastian, mas não detectariam a origem da impressão.
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  Claro, a união matrimonial apenas aconteceu em virtude da minuciosa pesquisa feita por Damon, os amigos e Bia. O quinteto se juntou para buscar informações sobre qualquer conduta ou comportamento indevido do par romântico – Bia através da alta sociedade e os outros por meio de alguns contatos da época de quando atuavam no Moulin Rouge, mais especificamente Zidler, quem, para a surpresa de todos, se alegrou pelo novo rumo tomado pelo filho de sua amiga.
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  A segunda morte foi a de Michael.
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  Caminhava pela rua de noite retornando para casa. Graças a um grupo de homens que identificaram os traços femininos nele, o encurralaram num beco, abusaram dele e o assassinaram a facadas porque, para o grupo, a biologia era mais significativa em comparação à vida de quem saía dos moldes sociais. Logo, a punição veio por meio do estupro coletivo e do assassinato.
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  Foi encontrado pelos trabalhadores do teatro, os responsáveis por limparem o corpo e arcar com os custos do enterro para lhe dar um sepultamento digno com o nome masculino escrito na lápide.
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  Quem avisou a Celie sobre a morte foi Damon – e demorou quase três horas em busca das cartas enviadas na casa de Michael a procura do endereço dela.
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  Haviam se passado dez anos desde a morte da dupla.
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  Naquela tarde fria de inverno, deixava um buquê de rosas amarelas no túmulo de Sebastian.
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  - Oi, meu querido. Espero que você receba as flores onde quer que esteja. Escolhi as mais perfumadas para você. Sabia que você já é vovô? Sua neta é muito lindinha.
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  Não compareceu ao enterro de seu Duque.
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  Nem no pós-morte poderia se arriscar a levantar suspeitas. Como maneira de se redimir, ia aos sábados no cemitério e lhe deixava um buquê de rosas amarelas em homenagem ao homem por quem se apaixonou e como maneira de deixar vivo o amor vivenciado entre eles cujos únicos conhecedores eram Bia, Akil, Ralph, Marie, Dean e Simon.
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  Ao contrário dos dias anteriores, algo lhe chamou a atenção.
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  De longe avistou um familiar rosto feminino o qual demorou alguns instantes para descobrir quem era.
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  A mulher de vestido rosa em tom pastel carregava nas mãos várias cartas as quais leu incessantes vezes ao ponto de memorizá-las. Estava acompanhada por outra em trajes bem mais simples – e certamente era a empregada.
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  Se aproximou delas. O semblante da de cabelos negros era carregado de pesar e confusão, como se não soubesse para onde ir.
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  - Com licença. Posso ajudá-las?
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  Se viraram, se deparando com o ruivo.
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  - Eu me lembro de você. – Zuri falou em voz nostálgica – Trabalhou no teatro junto a Michael, certo? Era ator.
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  - Sou eu, sim. – cruzou os braços para diminuir o frio.
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  - Eu gostaria de saber onde fica o túmulo de Michael. – os olhos marejaram na menção do falecido.
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  - Você é a morena misteriosa. Eu era o único quem sabia de você. Na época o encorajei a conversar contigo. À propósito, sou Damon.
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  - Foi você quem contou sobre a morte dele, né?
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  Graças a frase de Zuri, secou uma lágrima da face, os cabelos esvoaçando junto às vestes pelo vento gelado.
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  - Sim. Eu posso levá-las para o túmulo dele. É logo ali na frente. – apontou para um ponto específico abaixo de uma árvore.
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  - Obrigada. Eu não tive oportunidade de me despedir. – disfarçou o soluço com tosse.
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  Acompanhou elas até o lugar, onde, assim como com Sebastian, deixava flores regularmente – dessa vez de cores brancas.
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  - Como... Como ele...
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  - Não. Não faça isso consigo. – retorquiu Damon gentilmente em frente ao túmulo posicionado ao lado dela – Se eu não lhe dei detalhes sobre o acontecimento era porque sabia o quanto ficaria afetada, querida. Eu sinto muito.
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  - Eu falei isso para ela diversas vezes, mas não quis me escutar. – explicou a empregada – Não adianta remexer o passado assim. Não precisamos saber sempre o antecedente da notícia para evitarmos sofrimentos desnecessários.
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  - Eu sei, Zuri, mas é que... – uma lágrima solitária escorreu pela face mais madura – Não é justo.
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  - Eu sei. – por compartilharem a mesma dor, a voz de Damon falhou enquanto secava a lágrima dela com o polegar – Entendo muito bem a sua dor.
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  Pelo tom taciturno e pela fisionomia carregar antigo martírio similar ao seu, detectou que havia muito mais além daquelas palavras.
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  - Perdeu alguém também? – Celie indagou dando a mão para a confidente em busca de apoio na amizade.
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  - Infelizmente.
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  - Era importante?
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  - Tão importante quanto o Michael era para você. – disse com a voz falha a fitando entristecido.
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  - Sinto muito. Não queria...
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  - Tudo bem. O que planeja com essas cartas?
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  - Estava pensando em enterrá-las aqui, mas... Não. São muito valiosas para mim. Não quero me desfazer delas. Foram escritas por Michael com tanto carinho... Vou guardá-las em honra a memória dele.
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  - Decisão sábia. Lembranças são poderosas demais. Às vezes é mais fácil seguirmos em frente quando carregamos em nossa posse algo de valioso porque... Bem, eles queriam nos ver bem. Isso nos traz força.
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  Inconscientemente, apertou o agasalho em si. Por consequência, sentiu o colar de diamantes, o primeiro presente entregue pelo amado, ser pressionado contra o peito.
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  Costumava usar os presentes do Duque todos os dias, mesmo que fosse somente em casa – e usava as roupas da época para escondê-los das vistas das pessoas.
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Rio de Janeiro, 2024

  As gravações da série haviam finalizado e não pôde ter uma estreia mais bem sucedida.
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  Do dia para a noite os nomes de Sebastian Malonga e Damon Smith eram comentados frequentemente nas redes sociais, o número de seguidores dos artistas subiu drasticamente e foram convidados para várias entrevistas e programas de televisão – principalmente Damon e Sebastian pelos personagens se tornarem tão populares.
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  O trato deles continuava naquele limbo onde ambos se amavam, mas nenhum tinha coragem de se declarar em virtude da dificuldade do mais velho em admitir os sentimentos até para si.
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  A ideia de algo acontecer com o mais novo enquanto estivessem juntos o aterrorizava. Não compreendia a origem do pavor e nem como a união seria capaz de feri-lo. Entretanto, a sensação não o abandonava devido ao registro espiritual do sofrimento das encarnações anteriores.
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  Portanto, independente do quanto negassem serem um casal, o comportamento quando estavam juntos era o total oposto – se tocavam, a proximidade corporal era superior comparada com as outras pessoas, sorriam um para o outro, Damon parecia tímido na presença de Sebastian ao ponto de enrubescer e o outro adorava beijá-lo na bochecha ou mordiscar o ombro nessas ocasiões.
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  Indiretamente, graças a forte química e ao comportamento natural entre eles, especulações eram cada vez mais levantadas se o romance fictício havia ultrapassado a tela e atingido os atores.
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  E a culpa nem era da mídia ou do público. Ambos preservavam as vidas particulares e os familiares, porém era inevitável não buscarem pelos respectivos registros carinhosos os quais se tornaram habituais.
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  Em comemoração ao sucesso, Damon se juntaria aos demais numa saída para um bar de karaokê em Copacabana.
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  Avaliava sua imagem perante o espelho aprovando a combinação de roupas – cropped preto larguinho sem mangas, short jeans colado, tênis branco de cano alto. Colocou alguns acessórios como brincos pequenos, duas pulseiras azuis no pulso esquerdo e um colar cujo pingente era o das Relíquias da Morte de Harry Potter. O gloss claro realçava o tom rosado dos lábios e a junção do rímel com o delineado de gatinho lhe dava ar de inocência ressaltando os traços mais delicados.
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  Apesar de gostar da composição, sentia que faltava algo – e sabia bem o que era. Apenas não apanhou a peça pela dúvida se seria prudente andar sábado de noite no Rio de Janeiro usando a jóia.
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  Ao contrário de situações anteriores, foi muito difícil não ceder à tentação. Percorria o apartamento em busca dos últimos pertences antes de sair – identidade, gloss, dinheiro, cartão, cartão do plano de saúde e as chaves – e era como se o dedo anelar se evidenciasse a cada segundo, suplicando para ele apanhar o anel.
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  - Primo, use. Vai lhe trazer sorte.
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  Por fim, se recordando das palavras de Zuri durante a conversa telefônica daquela tarde, foi pegá-lo.
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  A peça ornou com perfeição nos dedos brancos cujas unhas foram pintadas de preto, pensou analisando as costas das destras antes de chamar o Uber.
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  Sebastian não tardou em se sentar ao lado de Damon na reunião.
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  Após rápida troca de olhares com Akil, seu amigo convidado para participar do encontro, foi para o lugar dele com a desculpa de que a cadeira onde estava deixou a lombar dolorida – é claro, ninguém mais além de Raph e Akil sabiam que a coluna dele estava em impecável estado, então Ralph, de tranças, crispou os lábios para não mostrar como prendia o riso.
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  A noite foi esplendorosa. Lancharam diversos petiscos, beberam em conversas divertidas e se alternavam para cantar no karaokê.
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  Por fim, a pedido de Marie, foi cantar Foi no Mês de Dezembro.
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  - Prima, essa música sempre mexe comigo. – se queixou a seguindo. O abraçando por trás, o impulsionava a caminhar pelos corpos estarem conectados.
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  De fato, tanto a melodia quanto a letra o sensibilizavam por se harmonizar com várias cenas de seus sonhos onde estava na companhia de Sebastian antes mesmo de conhecê-lo naquela encarnação. Em consequência, por compreender espiritualmente a profundidade dos versos, era impossível não se emocionar – inclusive pela saudade de uma figura a qual só conheceu no ano anterior.
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  - Mas fica linda na sua voz. – incentivou a ruiva selecionando a música.
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  Por via das dúvidas, puxou uma cadeira e se sentou de costas para o público, de maneira a não ser visto caso se emocionasse.
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  Ao detectar uma figura se aproximar, Marie foi até o amigo em expressão de contentamento em contagiante empolgação – e foi por isso que o ruivo imaginou que talvez o ator se direcionasse para ele.
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  O abraçou pela última vez murmurando:
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  - Cante para ele. Melhor que ninguém irá ouvi-lo.
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  Embora o odor de perfume feminino predominasse no ar subitamente, não compreenderam o motivo para as palavras dela e nem como se arrepiaram com a mensagem.
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  Antes de começar a cantar, o moreno se apoiou numa pilastra metros a frente de Damon para observá-lo num ponto específico onde não saísse de seu campo de visão.
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  Jamais admitiria que a escolha da camisa branca social de manga curta foi porque, há alguns meses, o rapaz comentou como a peça caía bem em si.
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  Não era comum se vestir de maneira a agradar a pessoa por quem estivesse interessado. Seu estilo característico e a identidade sobrepujavam qualquer mera estima por alguém, seja de teor amoroso ou sexual. Entretanto, ao contrário de sua postura no passado, desenvolveu certa inclinação para roupas como aquela graças ao elogio espontâneo o qual ocorreu durante as gravações.
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  Por fechar os olhos ao levar o microfone na boca, o rapaz não viu como a expressão de Sebastian se transformou a medida em que cantava.
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  Não se recordava de onde, mas reconhecia aquela voz melodiosa de algum lugar. Era a primeira vez que ouvia o cantor porque não teve a oportunidade de prestigiá-lo nos shows noturnos graças ao conflito de agendas. Portanto, horas mais tarde, se esforçou para lembrar em qual lugar o escutou cantando. O empenho seria em vão porque as valiosas memórias estavam em área inacessível da mente cujo alcance aconteceria somente quando saísse do corpo ao entrar no mundo espiritual.
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  Por sua vez, Damon estava cada vez mais emocionado. As marcas de expressão se evidenciavam em plena entrega artística. Como segurava o microfone com a destra esquerda, deixou a direita livre para gesticular.
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  De imediato, o anel de rubi impactou o mais velho. O coração apertou numa saudade indescritível, envolvido em cada nota pujante que atingia o íntimo. Suspirou pesadamente tamanho o abalo inesperado, a sombra de confusão e encantamento surgindo nos traços.
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  As palmas coçaram como se desejassem tocar uma pessoa querida. Por mais que as esfregasse, a sensação não dissiparia até, instante depois, encaixá-las no quadril do ruivo.
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  Entrementes a energia ao redor deles, dois irmãos numa mesa ao longe se deslocavam – ou melhor, em meio a risadas descontraídas, o homem arrastava a mulher de longos cabelos negros lisos para se juntar ao ruivo justamente porque a área estava mais vazia e ninguém transitava na região.
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  - Tony, eu não acredito que você vai me obrigar a dançar aqui. – vermelha, ela reclamava bem-humorada.
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  - Vou, sim, senhora! Você ganhou o DRT hoje e nada melhor que comemorar essa conquista que dançando!
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  Ao longe, como se captasse inconscientemente a presença de uma desconhecida no ambiente, o rapaz loiro se levantou da mesa onde os atores estavam e, embevecido, acompanhou a bela moça dançar em esvoaçante vestido branco.
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  Da mesma forma como Sebastian não tirava os olhos de Damon, Michael não desviou os olhos da morena, alheio a qualquer acontecimento ao redor, assim como ela não havia notado como era assistida em adorável fascínio – até então.
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  Os casais estavam presos a potente cena perante suas respectivas almas gêmeas, as energias colidindo e se misturando às figuras as quais voltaram a se reencontrar após tentativas fracassadas por interferência de terceiros ou por impedimentos preconceituosos de épocas quando as uniões românticas não seriam permitidas por não se enquadrarem naquilo que a sociedade acreditava como ser a conduta correta, causando sofrimento inenarrável para as quatro personalidades distintas cuja harmonia junto aos seus pares era surpreendente sempre.
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  Se aproximando do final, o rapaz ergueu as pálpebras e encontrou os olhos do moreno quem estava igualmente abalado.
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  Nas írises deles havia a faísca de reconhecimento espiritual registrada nos recônditos da mente.
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  Nas do mais novo passou na tela mental a imagem de quando Satine viu o Duque pela primeira vez na plateia, o flash da memória lhe causando uma sutil dor de cabeça pelo surgimento da reminiscência naquelas condições. Em consequência, mesmo sentado, breve tonteira o assolou e se concentrou na música para não errar a letra.
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  - E a canção de alguém. Foi no mês de dezembro.
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  Enquanto todos aplaudiam a bailarina, quem saiu da pose em perfeito attitude derrière na meia ponta com o braço em V, ela se curvou sorridente em agradecimento – e por um milésimo de segundo o olhar cruzou com o de Michael, lhe despertando peculiar curiosidade acerca do rapaz de globos perspicazes.
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  Sebastian não resistiu a vontade de se aproximar.
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  Usou da última frase para se achegar nele sem quebrar o contato visual, aflito para sentir a textura da derme macia em contato com a sua.
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  Parando na frente dele, o moreno deslizou o polegar na pele alva limpando os resquícios das lágrimas.
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  - Foi mal. Essa música mexe comigo desde a infância. – envergonhado, descansou o microfone no colo.
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  - Você é meigo. – sem resistir, deixou um beijo casto na testa enterrando os dedos nas ondas ruivas – Não há por que se constranger. Aliás, não foi o único. – murmurou com os lábios contra a testa incapaz de se afastar.
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  Envoltos naquela energia poderosa, se perderam nos olhos um do outro por alguns instantes até o mais velho deslizar as palmas pelo braço alheio. A ação acelerou os batimentos de ambos, mas não comentariam nada a respeito.
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  Entrelaçando as pontas das falanges, ergueu a destra direita a deixando na altura do peitoral do outro.
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  - Bonito anel.
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  - Minha prima me deu de presente antes das gravações da série junto com outras peças. Estou usando pela primeira vez hoje.
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  - Use as joias. Elas combinam contigo.
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  A despeito de joias não serem mencionadas durante o diálogo, Sebastian sabia que se referia a um conjunto de belas joias antigas.
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  - Vou usar, sim. – abriu um sorrisinho tímido.
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  Como as mãos não se desconectaram, o agradável calor lhes invadiu o âmago, ansiosos para permanecerem juntos nas próximas horas.
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  Lutando contra os bloqueios desenvolvidos na infância e ao medo irracional de perdê-lo, encarou o chão com leve vinco entre as sobrancelhas e incerto se seria prudente dar prosseguimento ao convite.
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  - Pequeno, eu já vou para casa e... – o fitou distinguindo como havia positiva expectativa na fisionomia doce – Quer me acompanhar?
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  - Tudo bem.
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  Pagaram suas partes na conta se despedindo de todos e no trajeto até o carro satisfez a vontade de encaixar as digitais na cintura fina do homem quem amava desde o século XVII.
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  Em simultâneo a retirada deles, Michael tomava coragem de ir até a bailarina, quem estava numa mesa com um grupo de pessoas com boa aparência. Aproveitou quando ela foi até o buffet na companhia de outros dois para alcançá-la enquanto, distraída, analisava os petiscos segurando o prato branco.
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  - Oi.
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  O coração disparou ao vê-la tão perto e pensou que certamente era a mulher mais linda quem já viu.
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  - Licença. Sou Michael. Só queria que soubesse como estava linda dançando. Estava pensando se gostaria de se juntar a mim...
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  - Minha linda, essas são as últimas bolinhas de queijo. Pode ficar com as minhas. – o mais velho do grupo os interrompeu parando ao lado dela sem nem perceber a presença do rapaz.
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  Apesar de algo corriqueiro, a intromissão fez Michael murchar pelo costume de sempre ter alguém para interrompê-lo ou invalidado por ser um homem trans.
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  Isso era comum. Infelizmente, não era sinônimo de contentamento – e ainda apresentava dificuldade de lidar com a situação, mesmo sob acompanhamento psicológico.
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  - Talvez você seja comprometida e eu esteja atrapalhando, então... – deu de ombros forçando um sorrisinho para disfarçar a decepção – Pelo menos tentei, né?
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  Nunca se abismou tanto quanto naquele momento quando a moça o impediu de se afastar segurando a sua mão.
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  - Espera. Me avisa qual é a sua mesa para eu ir junto. Só vou pegar umas coisinhas aqui para me juntar a vocês.
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  - É sério? – o rosto se iluminou pela surpresa.
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  - Claro. Sou Celie, inclusive. Ele é meu irmão, Anthony. – apontou para o outro quem despejava bolinhas de queijo no prato dela.
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  - E aí? – o irmão lhe deu um aceno de cabeça em gesto educado e respeitoso.
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  Os irmãos pensaram que o sorriso alheio era de educação ao invés de alívio.
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  - Sou Michael. É ótimo conhecê-los.
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  No apartamento de Sebastian não houve nada além de abraços, carinhos e contato corporal pelo mais velho não se sentir preparado para lidar com investidas mais ousadas simplesmente porque...
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  E se Damon mudasse consigo como aconteceu da última vez que namorou?
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  A admiração verbalizada era realmente verdadeira?
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  O afeto era saudável ou vinha acompanhado de críticas, julgamentos, zombaria e desprezo ao longo do tempo?
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  A insegurança permeava cada momento de sua vida embora fosse ótimo em escondê-la.
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  Sentado no sofá com bermuda puída cinza a qual costumava usar para dormir, acariciava a cabeleira ruiva do rapaz com a cabeça deitada nas coxas grossas trajando a samba canção preta emprestada.
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  Assistiam filmes tecendo comentários sobre a narrativa, fazendo piadinhas e trocando carinhos sem se afastarem pela necessidade da companhia de suas respectivas almas gêmeas.
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  - Para quem se recusa a trazer qualquer um para casa assim como comentou há um tempo, você está sendo até bem displicente comigo e abrindo exceções por volta e meia me trazer aqui. – comentou o mais novo beliscando o ombro moreno de leve.
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  - Você não é qualquer um.
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  Tanto as palavras quanto a veracidade e o afeto contido nelas o obrigaram a encarar o ator, quem o fitava em terna certeza da revelação.
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  - Nunca foi qualquer um para mim, bebê. – tocou a ponta do nariz arrebitado com o indicador em gesto característico deles desde o século XVII.
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