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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 41

  Às onze e meia da noite Padilha estava parada na varanda do terreiro enquanto as outras entidades davam consulta ao som dos pontos puxados pelos ogãs – pessoas designadas por cantarem os pontos tocando os atabaques.
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  - Destranca o portão para mim que tem gente na calçada. – pediu para uma das consulentes quem secava o rosto após diálogo com um Exú cuja especialidade era trabalhar em prol de dependentes químicos objetivando tirá-los dos vícios.
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  A obedecendo, não demorou três segundos para dois homens entrarem – e a risada dela ao vê-los os atingiu causando arrepios.
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  Ao contrário de Sebastian, Damon não sabia que sua presença era exigida depois do show. Logo, em virtude do despreparo, usava tênis, short lilás e uma camiseta rosa. Pela troca de roupa rápida, não pôde retirar a maquiagem com precisão. Havia resquícios de lápis preto, delineador e sombra. Também continuava com as longas unhas postiças.
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  - Por que não me avisou com antecedência? – reclamando, amarrava o casaco emprestado pelo outro na cintura na tentativa de esconder um pouco mais das coxas em respeito pelo ambiente – Não sabia que viríamos a um templo religioso.
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  Padilha estava satisfeita por encontrá-los juntos, se divertindo com a expressão zangada do rapaz.
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  Piscou em agradecimento pela figura de Exú Caveira logo atrás deles quem os influenciou lembrando Sebastian do compromisso avisado pela irmã na semana anterior e lhe soprando para chamar o mais novo.
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  Retirou o cigarro da boca e abraçou o moreno, quem parou em sua frente para cumprimentá-la.
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  - Boa noite, moça. – sussurrou a soltando – Esse aqui é o Damon.
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  - Oi. – acabrunhado por nunca ter estado num terreiro e nem saber como deveria se portar, não conhecia a maneira correta se dirigir a ela.
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  A via pela primeira vez naquela encarnação. Achou o largo sorriso afável, quase como se já o conhecesse.
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  Para quebrar o silêncio, decidiu ser mais prudente se desculpar pela vestimenta.
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  - Eu não sabia que viria para cá. Fui avisado de última hora. Do contrário, escolheria roupas mais adequadas. – disse a última palavra entredentes lançando um olhar incisivo para o amado em soslaio.
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  - Continuam formosos juntos. – comentou como se soubesse de um segredo indecifrável dos dois – Não se preocupe, moço. – se dirigiu ao mais novo – No seu caso eu relevo. – colocou o punho na cintura o fitando em satisfação – Afinal, é muito bom finalmente se vestir de acordo como sempre desejou sem precisar se esconder, não é?
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  Damon não compreendeu como palavras tão carinhosas e simples atingiram o âmago, trazendo sensação aconchegante ao coração.
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  Quieta e com o insistente sorriso amigável, ato raro para ela por causa do forte temperamento, o avaliou de cima abaixo.
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  - Seu brilho é formoso por demais, filho. É por isso que o traste implica tanto contigo.
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  Simultaneamente ao lampejo de incômodo nos globos do outro por detestar a ideia de alguém o incomodar, lágrimas embaçaram a visão do rapaz, quem não as permitiu transbordar.
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  - Deixa ele apagar a sua luz, não, e nem lhe dê o gosto de ver as suas lágrimas. Sua luz é bonita demais para ser apagada por um traste como aquele.
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  Pelo rapaz se emocionar no acolhimento cheio de amorosidade, o abraçou por longos minutos em ato atípico de si, já que não era conhecida por ser carinhosa.
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  - Vai. – se separou acariciando o rosto avermelhado pelo pranto – Vai porque há alguém que ficará contente por te ver de novo e preciso conversar com esse daqui. – apontou para o moreno com o queixo.
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  Assim que o rapaz se distanciou secando a epiderme, falou para Sebastian sem o tom afável de antes:
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  - Gostou do resultado de teimar comigo e não seguir os meus conselhos?
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  - Padilha... – choramingou já imaginando o esporro.
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  Impaciente, deu um trago no cigarro.
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  - Me acompanha porque a conversa será longa.
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  Se acomodaram numa parte concretada mais alta em meio às folhagens das árvores e das diversas outras plantas.
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  - Não falei que era para ficar longe daquele filho da puta? – apanhou o isqueiro e a caixinha de cigarros entre os seios.
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  - Ele não era tão ruim. – encolheu os ombros.
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  - Ah, não! – o fulminou com o olhar acendendo o cigarro – Só te manipulou, o fez sentir vergonha de si, quase destruiu o seu amor-próprio, o fez duvidar da sua capacidade como homem e trabalhador, te humilhava constantemente, te desmerecia e o insultava todos os dias e ainda tramava pelas suas costas para te prejudicar.
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  - O Patrick nunca tramou pelas minhas costas.
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  - Você é quem acha. – replicou em ironia – De qualquer forma, já estamos cuidando para você descobrir tudo.
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  - Ele me ajudava.
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  Choramingo era um hábito conhecido por ela quando dava esporro no consulente – e sempre com razão.
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  - Te aprisionava para te ver cada vez mais preso a ele. Isso nada tem a ver com cuidado ou amor, não. Frases como “você não é um ator medíocre. Só não é bom.”, “quem mais além de mim estaria com um homem quem nem consegue se sustentar sozinho” e “preto, pobre, medíocre e feio desse jeito. Por isso ninguém gosta de você e nem te contrata” são frases de quem merece estar ao seu lado, por acaso?
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  Se encolhia pelo peso de cada sentença, as lembranças ressurgindo cheias de constrangimento, dor e os mais diversos sentimentos experimentados quando se é vítima de relacionamento abusivo com uma pessoa com traços de Transtorno de Personalidade Narcisista – sem empatia, desrespeito sistemático para quem o cerca, manipulador, praticante exímio de gaslighting, imaturo emocionalmente por não se responsabilizar pela própria vida, já que culpabiliza a todos, altamente habilidoso em mascarar quem é para quem não mora consigo aparentando ser ótima pessoa ao invés do ser deplorável quem é, dentre outros traços.
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  - Não.
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  - Então deve achar que eu venho aqui e te acompanho sem motivo, né? Eu aviso, eu aconselho e eu ajudo. Agora, de nada adianta se você não me der ouvidos e preferir fazer as coisas da sua cabeça. Agora está aí, fodido e incapaz de estar ao lado do par de calça quem ama simplesmente por não se achar merecedor de ter alguém tão bom como ele ao seu lado e pela porra de medo de sofrer. Como se acovardou assim, porra?
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  O nó na garganta surgiu pelas palavras serem verídicas e as lembranças amargas.
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  Quando conheceu Patrick, Padilha lhe alertou sobre a importância de se afastar do loiro pelo caráter vil – embora, na presença do moreno, demonstrasse ser digno e de coração bondoso.
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  E foi justamente por não lhe dar ouvidos que passou pela pior fase de sua vida – insustentável instabilidade financeira lhe obrigando a sair fugido do apartamento onde pagava o aluguel para morar com Patrick, quem o sustentou por anos graças a ser filho, sobrinho e primo de políticos cuja família há gerações era envolvida na política.
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  - E nem pense em não estar com o moço quem ama. – prosseguiu soltando a fumaça pelas narinas – Conheço vocês dois há muito tempo, então não negue o sentimento que carrega aqui por ele. – bateu três vezes do lado esquerdo da caixa torácica masculina – Você gosta dele tanto quanto ele gosta de você.
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  - Mas a minha família...
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  Impaciente, apanhou a saia do longo vestido e usou o tecido para lhe bater nos braços e nas pernas.
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  - Calma aí, moça. – reclamou se encolhendo pelo tecido atingir o rosto.
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  - Pena que eu não tenho meu cutelo aqui. – resmungou sentindo súbita falta do objeto muito bem utilizado no século XVII nas ocasiões mais diversas para além da culinária – Antes bastava passar carregando o cutelo para você ouvir a voz da sensatez e tocar músicas mais felizes naquele maldito piano ao invés de se arriscar dele atingi-lo. Se eu não tinha paciência em vida, menos ainda depois de morta.
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  - Piano? – a fisionomia era confusa por não compreender sobre o cenário relatado pela Pomba-Gira.
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  - Eu te acompanho e te conheço há muito mais tempo que possa imaginar. Por isso me irrito contigo pela teimosia em não assumir quem é e por me desobedecer. Se não fossem pelos dois fatores, estaria bem-sucedido e consolidado na carreira não é de hoje, isso sem mencionar como estaria feliz com aquele moço. Se não fosse pela esposa do seu tio e pela interferência do traste, você estaria muito melhor.
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  - Mas eu sou bem resolvido. Sobre o Patrick, a gente trabalha junto agora. É impossível mantê-lo longe de mim. – ponderou.
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  - Se fosse tão bem resolvido assim por gostar só de perna de calça ao invés de perna de saia assim como teima em falar pelos quatro cantos, não precisaria se autoafirmar falando toda hora que gosta de homens e de mulheres.
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  - É importante para minha permanência no trabalho e para ser chamado para novas oportunidades.
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  - Não mente para mim porque te conheço muito bem. – vociferou balançando o dedo em riste na direção dele – Essa história de você gostar de mulheres não é nova, não. Você morre de medo da sua família não te aceitar por causa das merdas ditas pela sua tia podre quando você era criança. Se é frustrante para você carregar esses bloqueios o impedindo de viver, imagina para mim, que converso contigo e teima em não me dar ouvidos?!
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  A entidade retirou um anel do dedo anelar e lhe entregou.
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  - Use este anel. Vai te ajudar a descobrir todas as tramoias feitas pelo desgraçado pelas suas costas e como ele trata o seu eterno pequeno. Agora, abra os ouvidos e escute com atenção. A sua mãe não se importa se você gosta de perna de calça ou perna de saia. O mais importante é o caráter da pessoa com quem você está. Faça jus ao que carrega entre as pernas e conte para a sua família aquilo o que eles já sabem desde antes de atingir os quinze anos.
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  Pela ferida da infância ainda ser profunda, lágrimas banharam os olhos enquanto segurava o anel.
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  - Eu não quero decepcionar a minha mãe. – abaixando a cabeça, fungou transmitindo ar indefeso.
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  E realmente se sentia indefeso – e as memórias cheias de preconceito surgindo na mente eram sinais claros da fragilidade emocional.
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  - Ah, moço... – afagou o rosto masculino o fitando – Só porque o burro do seu tio se casou com quem não presta, não significa que você tenha de carregar o peso das maldades da desgraçada no seu coração. – o puxou para si, quem a abraçou em pratos – Confia em mim?
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  Assentiu incapaz de pronunciar nenhuma palavra coerente.
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  - Então pensa nessa conversa e deixa esses problemas comigo. A gente os resolve para você e colocamos tudo no devido lugar. Basta você querer.
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  - Eu quero. – pensou sem conseguir falar.
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  - Então assim será. – lhe assegurou.
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  Durante o diálogo de Sebastian e Padilha, Damon se aventurou entre as demais pessoas batendo palmas. Gostou das letras dos pontos, lutando contra a crescente vontade de dançar.
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  A Cigana de longo vestido amarelo e manga canoa se aproximou do ruivo assim que o avistou.
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  - Boa noite, menino. – parou na frente dele em ar saudoso e com um sorriso tão largo quanto ao de Padilha.
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  - Oi, tia.
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  Mais tarde se questionaria o motivo de referir-se a ela daquela forma se não costumava chamar ninguém assim.
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  Alegre pelo reencontro, segurou a mão dele gentilmente, a ergueu e o impulsionou até o rapaz girar devagar.
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  - Meu menino está formoso por demais. – em alegre riso e as írises brilhantes pela imagem esplendorosa em vestimenta da qual ele sempre quis se vestir, abriu os braços para abraçá-lo – Como é bom te ver, moço. – o apertou contra si lhe transmitindo calor materno – Por que está derramando lágrimas por gente que quer te ver cair, hein?
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  - Como você sabe disso?
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  Em estrondosa gargalhada contagiante, a Cigana se afastou e embalou a doce face nas palmas.
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  - A gente sabe de muita coisa, da mesma forma como sei que ama o perna de calça quem o trouxe para cá desde o momento em que o viu e que sonha com ele desde antes de conhecê-lo nessa vida.
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  - Mas eu... Eu nunca contei sobre ser o Sebastian o homem com quem sonho desde criança. – balbuciou taciturno.
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  - São memórias. O menino bonito não se lembra de mim, mas eu lembro muito bem do menino bonito. E se pensar bem, vai descobrir rapidinho quem sou. Agora, vamos, porque de nada serve prosearmos sobre suas outras vidas. – o levou para o interior do terreiro, onde teriam mais privacidade pela gira acontecer do lado de fora – Por que permite os seus inimigos o verem chorar?
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  - Ah... – desviou o olhar engolindo em seco sem esperar pelo questionamento direto – Não dá para evitar. O Patrick me causa angústia. E sempre me maltrata ou é grosso comigo quando estamos sozinhos.
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  - O desgraçado só faz isso porque sabe que aquele ali te ama. – apontou em direção a Sebastian e Padilha com o queixo, onde podiam ser vistos metros a distância em conversa longa pela porta aberta.
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  - O Sebastian não me ama. – a voz saiu estrangulada, se criticando pelas lágrimas rolarem novamente – Ele gosta da minha companhia, temos química, mas... Não chega ao ponto de amar.
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  - Ah, ama, sim. Ama desde quando cuidei de você quando era bebê em terras longínquas.
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  - Então por que insiste em não tomar nenhuma atitude realmente significativa? Estou farto dessa situação. – tampou a boca para abafar os soluços – E ainda tem o ex dele... Não dá para simplesmente ignorar a história deles. Eu cheguei agora. O Sebastian morou com ele por anos.
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  - O Sebastian não faz ideia das circunstâncias que o levaram a tomar uma atitude tão insensata. Além disso, o moço quem você ama carrega profundos bloqueios. Ele não está contigo por falta de amor, mas sim porque perdeu quase completamente o amor por si mesmo. Só quando você apareceu na vida dele que voltou a ser quem era aos poucos.
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  O puxou para abraço afável sem se importar com as lágrimas molharem o ombro desnudo. O aguardou paciente se acalmar para prosseguir mudando de assunto em tom onde evidenciava o orgulho pelo rapaz.
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  - Soube que cantou muito bem hoje. Dançou, sorriu, brincou e estava feliz exercendo o seu trabalho. Parabéns.
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  Dissipando a tristeza, o enaltecimento lhe banhou o coração positivamente.
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  - Obrigado.
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  - E tudo isso na presença de quem não quer ver o seu sucesso. Sabe qual a melhor forma de lidar com quem não gosta de você?
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  - Não.
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  - Exatamente da mesma forma como se portou no seu trabalho há menos de duas horas. Mostre que a pessoa é insignificante e que os esforços dela para te abalar são risórios. A vontade é sempre te desestruturar. Não permita isso. Sorria e gargalhe. É isso o que incomoda quem não gosta de você. O seu sucesso. A sua alegria. O seu brilho interno. E se alguém precisa te diminuir para se sentir superior, é sinal de que não tem nenhuma dessas coisas. Certo?
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  - Certo.
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  - Combinado?
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  - Combinado.
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  - Agora, vem. Aproveite um pouco lá fora na companhia do perna de calça quem te ama. Aos poucos as coisas vão se ajeitar e isso não demora.
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  Faltando trinta minutos para o amanhecer, Padilha, Exú Caveira fumando charuto e a menina segurando o seu ursinho de pelúcia estavam no quintal de Augusta onde vários trabalhos espirituais estavam dispostos.
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  A única quem destoava do ambiente obscuro pela precária luminosidade do céu sem estrelas e deletério em virtude da energia densa era a pequena, quem trajava o típico vestidinho amarelo que ia até um pouco abaixo dos joelhos acentuando a inocência.
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  - São aqueles dois lá. – apontou a menina para os que estavam nas extremidades.
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  - A amarração sei desfazer, mas o outro contra o menino não faço ideia. – contou a mulher – Por isso te chamei.
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  - Um momento, moça.
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  O encapuzado caminhou até o outro lado de onde exalava o fedor característico do objetivo.
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  Caveira não foi chamado sem motivos.
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  Na encarnação anterior a de quando recebeu o nome de Zidler, foi profundo conhecedor e estudante assíduo da misteriosa arte de trabalhos envolvendo a espiritualidade. As habilidades eram surpreendentes pela facilidade em manipular energias por ser médium magnetizador.
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  Logo, ninguém melhor que ele pelo vasto conhecimento para quebrar a demanda.
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  - Bastante tempo não vejo isso. – surpreso, se abaixou para melhor análise – Há quanto tempo esse trabalho está atuando?
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  - Acho que há uns dois dias. – a criança contou.
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  - Ótimo. – se levantou – Então ainda não teve tempo para surtir efeito. Traz para mim o homem quem mencionou.
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  A menina retornou após dez minutos segurando a mão do infeliz cuja aparência era ainda mais apática em comparação a quando ela foi para lá junto a Patrick.
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  - Tinha ninguém menos ruim para você fazer trato, não, porra? – ralhou Caveira retirando o charuto da boca.
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  - Ah... Eu achava que conseguiria proteção para minha família quando morri. – a careta de arrependimento seria cômica se não fosse trágica – Fiz muita besteira em vida, aí não conquistei amigos quando estava vivo, né?
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  - Quando a gente terminar aqui, explique no caminho o seu caso e o caso dos seus familiares. – Padilha pediu cruzando os braços – A partir daí veremos como podemos atuar.
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  Augusta acordou pouco antes do Sol nascer pelo estrondoso som da explosão.
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  Indo verificar o motivo do barulho, se alarmou pelo cheio de fumaça.
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  Encontrou os dois trabalhos completamente destruídos e incinerados.
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