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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 31

  Damon e Akil estavam certos.
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  A notícia do relacionamento foi como uma avalanche nas redes sociais.
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  As visualizações no perfil aumentaram drasticamente. Sebastian atingiu um milhão de seguidores em questão de semanas por seguir o roteiro criado pelo amigo para atingir o objetivo de ter a maior quantidade de pessoas o acompanhando. Fechou parcerias, compareceu a inúmeros eventos para os quais foi convidado, foi chamado para podcasts, assistiu aos desfiles na Sapucaí, no camarote, como convidado, além de desfilar em uma escola de samba. Iniciava os ensaios de uma nova peça como um dos personagens principais e finalizava a direção de outra.
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  Graças à interferência da dupla, aprendeu a importância de se manter na mídia. Postava sobre as conquistas, fazia publis, de vez em quando abria lives junto a outras celebridades e usava as festas a seu favor para ser convidado para projetos que estavam sendo elaborados.
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  Em todo e qualquer evento promovido por marcas ou emissoras, comparecia junto a Damon — e aquilo não era um fardo para nenhum dos dois. Desfrutavam de bons momentos em que se divertiam e dançavam sem precisarem se esforçar na dissimulação, porque, naturalmente, tinham química e já vinham se tratando com mais proximidade física e carinho.
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  Não foi difícil convencer o público sobre a união.
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  Quando se encontravam, os dois costumavam gravar stories espontâneos, os quais geravam ótimos resultados.
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  Certo final de manhã, como faltavam poucos minutos para irem à festa de aniversário de Simon, o casal abriu uma live para conversar sobre novos projetos com os fãs.
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  Sentados no sofá, com Sebastian segurando a câmera, Damon leu:
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  — Cadê o selinho de vocês? — fingiu falso ultraje para responder em tom humorado. — Mas vocês gostam de uma putaria, viu? Isso é coisa que se peça para um casal comprometido?
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  — Damon?
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  — Sim? — automaticamente virou a cabeça para o lado por ser chamado.
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  Em ação rápida, o moreno deixou um selinho nos lábios carnudos.
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  — Satisfeitos? — indagou, olhando para a câmera e rindo dos diversos comentários positivos.
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  Para disfarçar o acanhamento, a satisfação e o assombro, o rapaz deitou a testa no largo ombro desnudo graças à regata preta dele — até porque a posição, aliada ao posicionamento estratégico da mão na bochecha, impedia que o mais velho visse o sorriso doce e o quanto gostou do gesto.
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  Com toda essa movimentação inicial, cuja duração foi de cinco meses, as pessoas na internet lançaram inúmeras perguntas em massa sobre a continuação da série, já que o final ficou em aberto e porque Damon e Sebastian eram a sensação do momento.
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  Quando Sebastian recebeu a notícia de que estava na escalação de uma novela e existia a possibilidade de ser escolhido para um filme, contou para Damon, num sábado, em seu apartamento, após o rapaz sair do banho usando um short justo e uma regata cinza transparente de fino tecido brilhoso.
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  Fingiu não perceber como o outro o analisou de cima abaixo em expressão intensa.
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  — Parabéns, seu lindo! — repousou as digitais na cintura alheia, beijando o braço musculoso. — Fico feliz por você. — prolongou o toque propositalmente antes de se afastar e ir para a mochila preta no sofá.
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  — Está lindo, pequeno.
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  Ambos se surpreenderam com o elogio.
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  Sentando-se e colocando a roupa suja dobrada na mochila, lançou um beijinho no ar para o homem à sua frente, que o observava com admiração.
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  — Obrigado.
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  — Vai para onde?
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  — Fiquei de encontrar um amigo. — apanhava o estojo onde guardava a maquiagem e deu início ao processo de se maquiar.
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  — Amigo?
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  Caso não estivesse focado no espelho apoiado no colo para avaliar o reflexo, notaria o tom enciumado.
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  — É. — passava rímel nos cílios para aumentar o volume. — Ficamos de sair hoje.
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  — Para onde pretendem ir? — virou-se de costas para que a expressão carrancuda não fosse detectada.
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  — A princípio, a um barzinho na orla de Copacabana. O bom é que ele tem carro, então pode me dar uma carona para minha casa ou me levar para a casa dele. Disse que precisava de companhia hoje, então estarei disponível enquanto ele quiser.
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  As frases serviram para potencializar o incômodo de Sebastian. Não suportava a ideia de Damon ter algum interesse sexual ou amoroso. Logo, por mais que se esforçasse para a racionalidade sobrepujar as emoções, foi impossível não sentir ciúmes.
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  Caminhou em direção à janela e se curvou sobre ela, com os braços apoiados no parapeito, analisando a paisagem — como se fosse capaz disso após tamanha irritação.
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  — Vai dormir na casa dele?
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  Assombrado pelo tom ciumento, Damon ergueu a cabeça para encará-lo, segurando o brilho rosado nos dedos. Crispou os lábios por encontrá-lo com o corpo retesado na janela à sua frente.
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  — É. Por quê? Posso, não? — adorou provocá-lo.
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  — Se você acha prudente... — travou o maxilar.
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  — Bom, meu querido, teoricamente sou um homem jovem, solteiro, livre, leve, solto e sem impedimentos. Não sou compromissado com ninguém, então hoje escolho aproveitar minha solteirice em ótima companhia.
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  Se divertiu ao ver como o moreno parecia cada vez mais ultrajado com as palavras, mesmo de costas para si, como se a mera possibilidade de se envolver com outra pessoa fosse um insulto à existência do mais velho.
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  Juntou seus pertences em silêncio pesado — e não se importou com aquilo. Em seguida, chamou o Uber, colocou um minúsculo par de brincos, pulseiras prateadas e saiu faltando dois minutos para o motorista chegar.
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  — Me deseja sorte, querido. Até porque não é todo dia que saio com um ativo bem-dotado, não. — bateu a porta, enxergando de relance a fisionomia endurecida.
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  Sebastian costumava ser uma pessoa sensata. Em outros tempos, por mais emburrado que ficasse com as palavras, jamais iria interferir nas escolhas amorosas de alguém — mesmo se houvesse interesse de sua parte. Hoje? A história não era a mesma, simplesmente porque a pessoa em questão era Damon Smith.
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  — Só por cima do meu cadáver! — esbravejou três segundos depois.
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  Correu para se arrumar, e bastaram quinze minutos para estar pronto.
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  Calçando os tênis pretos, ligava para Akil com o celular repousado no sofá, no viva-voz.
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  — Amigo? Está de bobeira esta noite?
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  No carro com o amigo, Sebastian dirigia ao volante, impaciente.
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  — Cara, por que está nessa sangria desatada? — questionava Akil ao seu lado.
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  — É simples. O Damon foi a um encontro. — o desgosto era evidente na voz. — Existe a possibilidade de ele acabar transando hoje.
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  — Sorte a dele. E qual o problema nisso? Ou melhor, onde você se encaixa nessa história? Não é ele quem vai terminar esta noite gozando em vez de você?
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  — E ainda pergunta? Não quero correr o risco de o nosso acordo ser prejudicado por causa de matérias sensacionalistas ou fotos vazadas, não. Principalmente agora que as coisas estão melhorando para mim.
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  Foi a única desculpa plausível para explicar suas ações.
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  O outro o encarou desconfiado.
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  — Amigo, eu te conheço há anos. Tem certeza de que é só isso?
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  — É claro. O que mais seria?
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  — Ah, não sei. — de forma despretensiosa, prosseguiu: — Você tende a ser possessivo quando gosta de alguém.
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  — E o que tem isso?
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  — Eu nunca o vi assim com o seu ex, mas sim com outros dois caras por quem se apaixonou no passado. E, é claro, com o Damon, desde quando se conheceram; importante frisar esse detalhe. E não foi uma única vez, não. No dia da festa de estreia da novela isso ficou nítido pela sua cara de cu.
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  — Eu não fiz nada demais.
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  — Diz isso porque não se lembra direito por causa da bebida. Já estava vendo a hora de afastá-lo do Rafael quando os dois dançaram juntos. Vem cá, aproveitando o assunto... Vai admitir quando que gosta do garoto?
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  — Eu nunca...
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  — Mente para qualquer pessoa que não te conheça há mais de vinte anos. Saquei na hora quando os vi juntos pela primeira vez. Ou, mais especificamente, na noite da festa de estreia da novela. Acho que mais ninguém além de mim sabe que se beijaram horrores e foram embora juntos. A sorte é que não sou um escroto de merda e não comentei com mais ninguém.
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  O veículo foi tomado por dez segundos completos de silêncio enquanto Sebastian se repreendia mentalmente por tê-lo chamado para acompanhá-lo naquela festa.
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  — Não sei se daria certo. — dizia em voz baixa, sem desviar o olhar da estrada. — Não quero decepcioná-lo.
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  — Você só vai decepcioná-lo se não tentar nada. — cantarolou.
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  — Ele merece alguém mais bem estabilizado na vida.
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  — Você já está se estabilizando e não tem mais como inventar desculpas esfarrapadas. — voltou a cantarolar.
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  — Akil! — o repreendeu.
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  — Responde rápido. Ama ou não o Damon?
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  Pararam em um sinal vermelho.
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  — O Damon é muito bem resolvido consigo. Não se encaixaria na minha família. — havia um tom de melancolia na voz.
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  — Talvez ele possa te ajudar nisso. A se aceitar completamente para que a opinião deles não influencie tanto no rumo da sua vida, assim como acontece desde quando te conheci. E outra: ele seria muito bem aceito pelos seus pais. Nem pense em achar que aquele povo da igreja com quem seus tios cometeram o desprazer de se casar são familiares seus. Povo escroto da porra.
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  — Eu me aceito, amigo.
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  — Então por que, caralhos, sempre apresentou seus namorados como amigos? E por que ninguém sabe que você morou com um ex? Palavras não me interessam. Atitudes e comportamentos, sim.
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  — Eu quero conviver com meus familiares sem conflitos. É crime isso? — a alteração no tom de voz denunciava seu aborrecimento.
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  — Nenhum. Mas fica a pergunta: o que ganha se escondendo e lhes passando a imagem de celibatário? Deve ser cansativo inventar tantas mentiras sobre a sua vida amorosa. Um puta desperdício de energia.
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  Impaciente, puxou o ar em um suspiro prolongado. Sem dúvida, chamar Akil não foi uma boa ideia.
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  — Eu não vou ter essa conversa contigo pela milésima vez. — voltou a dirigir.
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  — Teimoso de uma figa. Afinal de contas, para onde estamos indo?
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  — A algum barzinho na orla de Copacabana. Se encontrarmos alguém, fala que foi ideia sua essa saída, inclusive a escolha do lugar.
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  — Esse alguém se chama...
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  — Se chama "seja um bom amigo e me apoie nessa merda, por favor".
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  Akil o conhecia bem. Havia algo não comunicado pelo outro. Se sua intuição estivesse correta, se esforçaria para, no mínimo, se divertir com a futura situação constrangedora que viria a seguir.
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  Damon se compadecia do estado do amigo — e se esforçava para não bater nele com o guardanapo.
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  Quando aceitou sair com Gustavo, sabia que, certamente, refrearia a vontade de dizer "eu te avisei" ao longo do diálogo.
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  Na madrugada anterior, recebeu uma mensagem de áudio perguntando se poderiam sair, já que o pobre coitado descobriu a primeira das cinco traições do agora ex-namorado.
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  Estava desolado pelo término — e o ruivo só faltava comemorar porque via como o dito-cujo não era confiável em nada, nem mesmo em um relacionamento.
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  Xingavam tanto o maldito que inflava no cantor a vontade de bater em Andrey Matheus Carvalho da Silva — e, sim, pronunciou vezes o suficiente o nome completo do ex que Damon não o esqueceria facilmente.
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  Enquanto ria de uma piada contada por Gustavo, inclinou brevemente a cabeça para o lado. Avistou uma dupla que buscava se esconder em uma mesa mais distante e na diagonal deles, arregalou as pálpebras e, agora, ria de nervoso, tamanho o assombro.
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  Sebastian e Akil estavam acomodados à mesa. O moreno tentava se esconder encolhendo o corpo ao máximo. Estrategicamente, tampou a face com o cardápio. Akil bebericava cerveja na garrafa de vidro, direto do gargalo.
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  Aproveitou os minutos seguintes para observar os próximos movimentos.
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  Sem dúvida, o ator estava aborrecido e não gostaria de ser notado. Era conhecido também pelo tom de voz mais alto, então só o fato de Damon não ouvi-lo mostrava a existência de algo fora do comum.
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  Não sabia como a dupla foi parar ali, mas de uma coisa estava certo: não foi mera coincidência. Do contrário, não teria motivos para se esconder daquele jeito nem para agir de maneira tão singular.
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  Abriu um sorriso diabólico, bem similar ao de sua infância antes de aprontar uma terrível travessura.
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  — Gato, deixa eu te falar. — interrompeu-o subitamente. — Eu gostaria de saber se você poderia me ajudar em uma coisa e lidarmos com isso de uma maneira bem menos melancólica.
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  — Ajudar em quê?
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  — Lembra do Sebastian? Já comentei sobre ele contigo.
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  — Aquele de quem saiu a notícia de que vocês estavam namorando? Achei estranho você concordar com essa história. Não é do seu feitio expor a vida pessoal assim.
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  — Pois é, mas é tudo de fachada.
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  — Sabia que tinha coisa errada nessa história!
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  — O foda é que tem um cara que fica num chove-não-molha desgraçado comigo. Não transo há mais de um ano por causa dele, acredita? E é justamente ele.
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  — Que merda, mano. — levou algumas batatas fritas à boca. — Ele gosta de você?
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  — Não sei exatamente. Bom, não vira de costas, mas está sentado com um amigo bem na nossa diagonal.
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  — Como é? — quase engasgou com a notícia.
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  — Sim.
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  — Ele sabia onde você estaria?
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  — Comentei por alto que eu viria te encontrar em um barzinho na orla. Não especifiquei nada. E talvez eu tenha dado a entender, sem querer, que poderíamos passar a noite juntos.
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  — Está ficando cada vez mais engraçada a história. — havia um toque de interesse na voz macia. — Deixa eu adivinhar. Quer que a gente aja como se eu fosse te foder durante a madrugada só para atiçar o boy.
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  — Sim. — tampou os lábios com a mão por sentir um pingo de vergonha. — Meu Deus, nem acredito que estou te pedindo para fazer isso. Desculpa.
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  Num meio sorriso carregado de malícia, Gustavo estendeu a destra até apanhar a dele.
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  Em toque delicado, as descansou sobre a mesa enquanto afagava a do ruivo com o polegar, num gesto íntimo.
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  — Meu bem, não se desculpe. Você não está fazendo mal a ninguém. É hoje que esse boy vai sentir medo de perdê-lo, caso realmente tenha sentimentos. — para enfatizar a frase, acariciou o maxilar marcado com as costas dos dedos da outra mão. — Inclusive, vai ser até bom para eu me distrair.
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  Akil não acreditou quando Sebastian passou mais de meia hora entrando em cada barzinho da orla e saindo logo em seguida, exalando ar de frustração após vistoriar o ambiente.
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  Era nítido o quanto procurava uma pessoa específica ao percorrer os lugares com os olhos antes de sair para adentrar no próximo. Por fim, no barzinho localizado quase na outra ponta da praia, finalmente encontrou quem tanto buscava.
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  — Deixa eu ver se eu entendi. — depois de compreender a situação pela figura de cabelos ruivos se destacar entre os fregueses, a informação demorava a ser processada pelo cérebro. — Você me carregou até aqui só porque o Damon marcou um encontro e quer ser um belo de um empata-foda?
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  — Eu não vim aqui por esse motivo. — colocou o cardápio à sua frente, apoiado aberto sobre a mesa.
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  — Então por qual?
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  — Vim porque aprecio a culinária.
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  — E é por isso que está se escondendo por detrás desse cardápio para o Damon não te ver? Isso é meio patético, com todo o respeito.
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  Definitivamente, a dignidade de Sebastian o abandonou. Nem ele acreditava que fosse capaz de se prestar a um papel como aquele. Mal respirava direito para evitar ocupar mais espaço.
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  — Não estou me escondendo. — rebateu entre dentes.
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  — Então não teria problema se... — apanhou o cardápio em um leve movimento ágil. — ...eu escolhesse um lanche para mim, né?
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  — Akil! — o repreendeu.
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  — Ora, se você não está se escondendo do Damon, que está poucos metros ao lado da gente, vai ser bem compreensivo comigo, porque seu amigo está faminto. — convicto, lançou-lhe um meio sorriso divertido, cruzando as pernas.
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  Durante a hora seguinte, Sebastian rezava para não ser visto pelo rapaz. Mantinha a cabeça baixa ou a virava na direção oposta durante a conversa trivial.
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  Tivera o desprazer de observar como o encontro do cantor se encaminhava bem.
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  Trocavam carícias, risinhos e não era incomum entrelaçarem as mãos. Mãos essas que deveriam estar entrelaçadas às suas. Risos esses que deveriam ser direcionados para si. Toques esses que lhe pertenciam. Não era o desconhecido quem sabia como diverti-lo, acariciá-lo como merecia ou admirá-lo.
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  A cada minuto, sua expressão endurecia mais à medida que a dupla mostrava se entender. Cruzou as mãos sobre a mesa com tanta força, a ponto de os nós dos dedos embranquecerem.
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  — Você é meu, Damon. Só meu.
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  Nunca antes dissera tais palavras para Damon. Entretanto, junto com a frase, não veio a lembrança de séculos passados, mas sim o sentimento de posse e ciúme.
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  O ciúme o corroía sem motivo plausível para tanta intensidade. Cada poro de seu corpo o impulsionava a interromper o encontro e retirá-lo dali. Controlava-se ao máximo para não ultrapassar os limites da racionalidade. O ruivo não era seu. Não estavam em um relacionamento de verdade e nem deviam explicações um ao outro. Não havia por que sentir o corpo esquentar de tamanha profundidade do ciúme.
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  Eram pessoas livres para se relacionarem com quem quisessem.
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  Certo?
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  — Amigo, seja sincero. Está com ciúme, né?
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  O colega o sobressaltou com a pergunta.
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  — Não. — pestanejou antes de encará-lo.
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  — Não adianta negar. Sei a verdade. — falou em voz baixa. As feições mudaram devagar, tornando-se compreensivas. — Não precisa fingir comigo.
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  Demorou quase sessenta segundos completos para receber uma réplica.
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  — Eu não consigo evitar. — engoliu em seco.
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  De tão baixa, a revelação, o outro mal pôde ouvi-la claramente.
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  — Eu não sei o que fazer. — pela primeira vez contava dos seus sentimentos para alguém. — Eu não deveria sentir nada porque trabalhamos juntos. Não gosto da ideia de me envolver assim com colega de trabalho. Pode resultar em muita merda, mas... foi inevitável. Tentei me manter longe quando as gravações começaram. Não adiantou. Me vi convivendo cada vez mais com ele até as melhores partes do meu dia serem aquelas em que estávamos juntos de alguma maneira.
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  — Bom, o mais importante você já fez. Admitiu gostar dele. Agora há outro detalhe. Por que não se dão uma chance? — pôs uma porção de linguiça na boca.
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  — Eu não...
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  — Ok, vou reformular. — o interrompeu. — Se você não tivesse morado com uma pessoa duvidosa, de quem seus amigos sequer gostam até hoje, daria uma chance para o garoto?
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  — Muito provavelmente.
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  — Hum... — fitou-o calado por alguns instantes antes de se levantar.
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  — Para onde vai?
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  — Fazer o que você não tem coragem.
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  Desesperado, murmurou o nome do amigo diversas vezes. Ansioso, viu-o se dirigir até a mesa da dupla e trocar algumas palavras antes de apontar para ele. Três pares de olhos se voltaram para o ator. A dupla acenou para o homem quase empalidecido. Não lhe restou outra alternativa além de retribuir o cumprimento.
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  Achou que nada poderia piorar até o melhor amigo retornar dizendo:
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  — Bora, porque o Gustavo deu a ideia de nos juntarmos a eles.
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  — Está brincando, né? — sentiu o coração palpitar mais rápido.
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  — Não. Vamos logo.
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  No caminho, murmurou entre dentes:
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  — Eu vou te matar.
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  — Se for amanhã, depois do samba, está ótimo. Antes, não. — não podia soar mais cínico.
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  Sebastian não disfarçou o sorriso amarelo ao se acomodar ao lado de Damon, com Akil à sua frente.
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  — Eu não esperava encontrá-los aqui. — o ruivo tomava uma caipirinha.
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  — Foi ideia do Sebastian. — entregou Akil, divertindo-se.
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  — Depois da sua indicação. — respondeu de imediato.
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  Por debaixo da mesa, imaginou ter chutado Akil, mas errou o alvo.
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  — Ai! — reclamou Gustavo pelo impacto na perna.
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  — O que foi? — o mais novo do quarteto indagou, assustado.
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  O homem de íris verdes, que Sebastian acharia bonitas caso não fizessem Damon sorrir tanto antes de se sentar à mesa, lançou um olhar desconfiado para Sebastian.
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  — Nada. — acariciava a região com certa raiva contida. — Então... — voltou a segurar a mão de Damon sobre a mesa. — De onde vocês se conhecem?
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  A dupla de amigos notou como a pálpebra direita do moreno tremeu ligeiramente ao demorar o olhar um pouco mais nas mãos unidas.
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  — A gente trabalha junto. — replicou Sebastian, encarando com desprezo a demonstração de carinho.
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  — E eu sou o amigo de infância deste daqui. — apontou para o artista. — Nos conhecemos há mais de vinte anos.
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  — Acho admirável amizades tão longas. — comentou Damon. — É difícil de se ver. Nós dois temos também uma amizade bem bonita assim, né? É questão de tempo de nos tornarmos ainda mais próximos. — acariciou o rosto de Gustavo.
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  — Bem, eu acharia maravilhoso. Desde que...
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  Para seu pesadelo, Sebastian o viu se levantar e parar ao lado do outro, onde se inclinou para sussurrar em seu ouvido. As palavras ficariam a cargo de sua imaginação fértil, porém foram impactantes o suficiente para lhe arrancar risadas, tampando a boca com a mão, enquanto o outro lhe dava um beijo no pescoço.
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  Apanhou o celular do bolso para se distrair em vez de acompanhar a cena.
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  Seu semblante transmitia uma frieza inegável.
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  — Vocês combinam, sabiam? — Akil o provocou.
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  — Nem fodendo. — soltou num riso de escárnio.
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  Por estranhar o súbito silêncio de quase dez segundos, ergueu a cabeça para se deparar com os três o encarando. Akil segurava o riso, Gustavo parecia se divertir com o comentário e Damon estava intrigado.
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  — Que foi?
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  — Sebastian, não se preocupa. — Akil comentou. — Ninguém vai tirar o Diogo do Gabriel, não. — referiu-se aos nomes dos personagens deles, que formaram par romântico na série.
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  Durante a hora seguinte, continuaram conversando daquela maneira: Damon e Gustavo adorando ver as reações de ciúme do moreno, Akil aproveitando o contexto incomum para fazer piadas e Sebastian tentando disfarçar o ciúme sem conseguir.
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  Na calçada, Akil e Gustavo aguardavam o Uber porque descobriram morar um perto do outro.
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  — Tchau, amigo. — o abraçou.
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  — Foi ótimo te ver, Akil. — falou Damon.
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  — Digo o mesmo. É claro que a gente apareceria aqui coincidentemente. O Sebastian jamais me ligaria sob o pretexto de bebermos para te procurar. Menos ainda ficaria te caçando em cada barzinho da orla até te achar durante meia hora. A gente se vê por aí.
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  A mão do moreno coçou para lhe desferir um tapa na nuca.
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  Quando viu o carro se afastando, Damon indagou, cruzando os braços:
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  — Agora que estamos sozinhos, pode, por favor, me explicar por que, caralhos, veio para cá?
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  — Ideia do Akil. Foi uma puta coincidência.
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  — Ok.
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  Virou de costas sem pronunciar mais nada. Deu cinco passos, afastando-se, antes de ser agarrado pelo pulso.
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  — Ei. Para onde vai?
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  — Para casa. — encarou o ator com um movimento de cabeça. — Eu não vou ter essa conversa contigo se for para você me contar mentiras.
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  Apesar da nova tentativa de seguir seu caminho, foi impedido pelo outro, cujo aperto aumentou minimamente para impedi-lo de ir embora.
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  — Tudo bem. Não foi coincidência. — admitiu contra a própria vontade para não deixar algo mal resolvido entre eles.
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  O ruivo se posicionou de frente para ele. Embora não fosse mais necessário segurá-lo, Sebastian se recusou a soltá-lo porque...
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  — Fiquei preocupado contigo. Não queria interferir. Apenas me certificar de que estava bem.
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  Era o mais próximo da verdade que poderia confessar.
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  — E, para isso, precisou passar o tempo todo com aquela cara de cu na presença do Gustavo?
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  — Eu não gostei dele.
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  — Você só não gostou porque existia a possibilidade de eu terminar transando esta noite. — convencido, ergueu a sobrancelha, desafiando-o a negar. — Vai ser empata-foda assim lá na casa do caralho.
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  O soltou pelo susto da frase. Não esperava Damon ser tão direto.
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  — Damon... Escuta, está uma noite linda. Por que a gente não aproveita para andar pela praia um pouco? Nós dois somos da madrugada, então duvido que você esteja cansado.
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  Para não o confrontar em total desvantagem pela atitude impulsiva, beirando a infantilidade, optou por propor passarem um tempo juntos. Afinal, já estavam ali e não era de sua vontade deixar um desagradável mal-entendido entre eles — apesar de essa ser a situação por não ser franco sobre seus sentimentos.
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  Damon aceitou após avaliar o pedido por prolongados segundos, fazendo um discreto aceno positivo com a cabeça, movido pela curiosidade.
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  Em silêncio, foram até a areia, onde caminharam por vários minutos ouvindo o som do mar. Descalços, carregavam os respectivos tênis em uma das mãos, mas, eventualmente, após as mãos livres roçarem tantas vezes uma na outra, as entrelaçaram por iniciativa de Sebastian.
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  Depois, acomodaram-se na areia áspera, lado a lado.
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  O moreno retirou o celular do bolso dianteiro da calça para tirar uma foto das mãos entrelaçadas.
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  — É para postar nos stories. — explicou o mais velho, mexendo na tela para publicar a imagem no Instagram.
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  Na realidade, o impulso não era o engajamento, mas sim ter aquela fotografia salva na galeria. Combinavam tanto...
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  — É. Os fãs vão gostar. — comentou Damon em tom impassível.
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  Apesar de movimentar a rede social, não deixou de manter contato físico com o rapaz.
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  Deitou-se na areia e, ao vê-lo ainda sentado, deu um leve puxão em sua blusa, apenas o suficiente para demonstrar o pedido silencioso, que foi prontamente atendido. Insatisfeito com os poucos centímetros que ainda os separavam, puxou-o pela fina cintura até acomodá-lo sobre o próprio peito. Mais tranquilo, Sebastian se arriscou a acariciar-lhe os cabelos.
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  Damon não o fitava. Permanecia refletindo sobre os acontecimentos daquela noite. A falta de contato visual incomodava Sebastian. O toque de Damon, especificamente, sempre lhe trazia conforto e tranquilidade. Era agradável, assim como desde o primeiro dia em que o conheceu. Não era indiferente como o de...
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  Não. Não pensaria nele. Aquele relacionamento lhe deixara cicatrizes profundas, sobre as quais ainda não conseguia conversar com ninguém.
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  Com Damon, os toques eram certos. Quase como se a última peça de um complexo quebra-cabeça finalmente encontrasse o seu lugar.
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  Por diversas vezes ao longo do ano anterior, inconscientemente, ambos buscavam essa troca sensorial. Era comum suas peles se tocarem, Damon usar seu ombro ou seu braço como travesseiro num encaixe perfeito e Sebastian abraçá-lo por mais tempo do que fazia com qualquer outra pessoa.
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  Além disso, fosse no camarim ou nos sets de gravação, era frequente permanecerem lado a lado durante os intervalos, descansando naquela proximidade que surgia de forma tão natural.
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  - Por que está tão calado, pequeno?
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  - Estou pensando.
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  - Quer compartilhar comigo seus pensamentos?
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  Passou tanto tempo sem responder que até se assustou por ouvir as palavras.
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  - Estou muito afim de alguém, mas não sei se sou correspondido.
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  - Então o cara é um imbecil porque é impossível não se encantar por você, amo, quero dizer, Damon.
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  O mais novo sentiu o coração acelerar por quase ser chamado de amor. Mordeu o lábio inferior frustrado por Sebastian sempre se esquivar dele.
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  - Burro, imbecil e um covarde de merda. – se exasperou bufando.
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  - Precisa xingar tanto o pobre coitado? – questionou rindo, embora soubesse que o rapaz se referia ao moreno.
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  - Preciso porque a gente fica num chove não molha desgraçado e nada acontece. Já estou começando a achar que é melhor eu partir para outra. Não adianta ter esperanças por algo que não vai acontecer.
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  Agradeceu por Damon não ver seu rosto. Sentiu quando a expressão facial mudou aos poucos até ser tomado pelo pesar por compreender o quão decepcionante era o cenário. Respirou fundo para controlar as emoções.
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  — Talvez... — sussurrou hesitante contra a testa alva. — Talvez ele precise resolver assuntos pendentes primeiro antes de buscar estabilidade contigo. Provavelmente não esteja agindo assim por mal. Apenas... — engoliu em seco na tentativa vã de manter a voz mais firme, em vez de embargada como estava. — Talvez apenas tenha uma família complicada ou não seja tão bem resolvido consigo como aparenta. Ou talvez tenha medo de você ser destratado pelos familiares religiosos ou que as coisas mudem.
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  Não esperava ouvir aquela confissão. Definitivamente, havia muito conteúdo complicado por trás do tom desolado.
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  Ao encará-lo, Damon viu, pela primeira vez, como Sebastian estava sensibilizado. Havia dor oriunda de sentimentos reprimidos. As palavras, embora ditas serenamente, eram expressas em sua totalidade pelos olhos marejados, pela face ruborizada, pela respiração pesada e pelo discreto tremor das mãos. Seu corpo comunicava as marcas de viver em um seio familiar onde acreditava não ser realmente aceito.
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  — Acha sensato, da minha parte, aguardar mais um pouco em vez de desistir de quem gosto?
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  — Acho. — fungou. — Acho porque eu... E-eu...
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  Queria ter dito que o amava. Deveria ter se declarado. Mas não foi capaz de pronunciar as palavras porque sabia que, a partir do momento em que as dissesse, não haveria volta. As coisas tomariam um novo rumo e, para isso, era necessário não existir mais nenhuma pendência para impedi-lo de se entregar por completo.
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  Abaixou as pálpebras quando sentiu as pontas dos dedos de Damon secarem uma lágrima solitária. Ao erguê-las, encontrou o olhar curioso do outro. Havia certa expectativa por, finalmente, estarem dialogando sobre o assunto, mesmo que indiretamente.
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  — Espero que resolva logo o que precisa, porque não verei a minha vida passar à minha frente à espera de alguém, independentemente do quanto o ame.
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  Um nó se formou na garganta de Sebastian, dificultando a passagem do ar, porque sabia da sinceridade do homem em seus braços.
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  Sem pensar, foi levado pela atmosfera que os cercava, agora intensificada pelo diálogo.
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  Beijou a bochecha de Damon antes de pressioná-lo mais contra si, causando uma sensação aconchegante. Encostou a testa na dele até as respirações se normalizarem. Ambos permaneceram de olhos fechados, acariciando um ao outro.
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  — Me espera, pequeno. — pediu, com os lábios quase se tocando. — Por favor.
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  Numa época não tão distante, já haviam se deitado sozinhos sob uma noite estrelada como aquela. Não havia sido numa praia ou numa cachoeira, mas sim na grama de uma planície, longe da fazenda da família Smith. Longe de olhares julgadores e curiosos. Longe das interferências do dono da fazenda, que pagava uma miséria para Sebastian trabalhar como peão. Ali, nus, podiam dar vazão aos seus verdadeiros sentimentos enquanto Damon lhe ensinava a sentir prazer por nunca antes ter se deitado com um homem — muito menos se apaixonado por um. Podiam gemer, arfar, rir e se acariciar livremente durante três anos antes de fugirem para outro estado, onde viveram em paz por mais cinco anos.
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  Foi graças àqueles inúmeros encontros noturnos que ambos se sentiam tão familiarizados naquele cenário.
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  Eram observados, ao longe, por duas figuras femininas: uma trajando vestes amarelas do povo cigano e outra usando um vestido vermelho. As duas nunca os deixavam sozinhos. Quando não estavam encarnadas ao lado deles, espiritualmente agiam para proporcionar maneiras de as almas gêmeas se reencontrarem. A influência das mulheres também se estendia a Michael e Celie. No plano espiritual, acompanhavam os casais, ajudando-os e protegendo-os como podiam. Foi graças a elas, como guias e protetoras, que as duas almas voltaram a se reencontrar naquela encarnação.
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  Infelizmente, nos séculos anteriores, por mais que se empenhassem, dificilmente aquele romance poderia acontecer. A sociedade era retrógrada demais. Religiosa demais. Inflexível demais. Não abria espaço para que quem desafiasse as normas pudesse ser feliz ao lado de quem amava.
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  – Já falei com a menina. – com o punho esquerdo na cintura, levava o cigarro para os lábios para dar um trago – Ela vai levá-los para a gira. Os dois.
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  – Será que o Sebastian vai? – a Cigana cruzou os braços – Desde quando se envolveu com aquela praga do perna de calça não aparece mais.
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  – Ah, ele vai aparecer! – Maria Padilha não podia soar mais irritada, soltando a fumaça pelas narinas – Nem que seja se arrastando, ele vai. Falei para não dar ouvidos ao filho da puta. Agora está lá, todo fodido, sem um pingo de amor-próprio e sem confiar em si. Por isso, até agora, não está com quem ama. – rugiu enfurecida – Se acha insuficiente.
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  Enérgica desde o século XVII, Padilha transmitia a pouca paciência na entonação e nas feições.
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  – Falta de aviso não foi.
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  – Pois é.
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  – Agora vai ser ruim porque o outro não vai sossegar até encontrá-lo. E isso não demora.
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  – E eu não sei? Te garanto. Quando a praga voltar — e eu falo "quando" porque ele vai voltar, e não demora — quem vai resolver esse assunto sou eu. Faço questão.
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  A gargalhada de Maria Padilha ecoou pela noite, a energia emanando até alcançar Damon e Sebastian.
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  Pensaram que o arrepio era em virtude do vento frio, ao invés da promessa velada de que faria tudo ao seu alcance para impedi-los de se separarem com a presença do ex de Sebastian.
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  Pensaram que o arrepio era em virtude do vento frio ao invés da promessa velada de que faria tudo ao seu alcance para impedi-los de se separarem com a presença do ex de Sebastian.
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  Afinal, a sociedade havia evoluído – embora houvesse movimentação política e religiosa para voltar a marginalizar minorias. Havia meios de, enfim, se casarem e saírem publicamente como um casal sem precisarem fingir que eram amigos – assim como aconteceu tantas vezes na última encarnação deles, quando Sebastian trabalhava como peão na fazenda de Paul Smith, pai de Damon, no Rio de Janeiro.
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  Desde que Sebastian colaborasse, é claro.
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  Não demorou para a segunda temporada da série ser confirmada em virtude, também, da popularidade dos atores e da movimentação realizada pelos fãs nas redes sociais pedindo pela continuação – em grande parte para verem os personagens Diogo e Gabriel interagindo como um casal em cena e por curiosidade sobre como foi o passado deles e o que aconteceu depois de engatarem o namoro.
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  Logo, como a comoção era movida pelo relacionamento de Sebastian e Damon, cujos frutos ambos estavam colhendo por alavancarem as respectivas carreiras, isso atingiu a plataforma responsável pela exibição da série, onde inúmeros pedidos eram digitados todos os dias para o retorno da produção – inclusive para os fãs acompanharem o casal nos bastidores.
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  No dia da leitura do roteiro, os profissionais estavam reunidos na sala de leitura – desde o roteirista até os diretores, preparadores de elenco e os atores.
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  Passaram-se duas semanas desde o episódio da praia, e o casal foi recebido com comemorações pela equipe.
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  Afinal, a energia ao redor deles e a química natural colaboravam para agirem como se estivessem juntos genuinamente – e não foi difícil para quem trabalhava com eles acreditar na notícia pela vivência com a dupla nas gravações.
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  A reunião estava ótima. O clima era agradável, se divertiam e adoraram se reencontrar com os outros profissionais.
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  — Gente, tenho uma dúvida. – sentado ao lado de Sebastian numa das inúmeras cadeiras dispostas na longa mesa cheia de papéis e canetas para as anotações, Damon ergueu o braço com as folhas grampeadas do roteiro à sua frente – Esse Omar vai ser o rival do meu personagem, o Gabriel?
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  — Exato. Vai disputar o personagem do Sebastian com o seu. – replicou o roteirista.
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  Com ligeiro incômodo surgindo, torceu o nariz por não aprovar a ideia de Sebastian contracenar cenas românticas com mais alguém além dele – e se criticou pelo inevitável ciúme bobo, já que trabalhavam com atuação.
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  Notando o desconforto, o outro se inclinou para sussurrar com os lábios rentes à orelha.
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  — Preocupa, não, bebê, porque ninguém vai me tirar de você.
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  Recuou satisfeito por vê-lo rir, com a derme tomando a coloração rosada – e o momento durou exatos dois segundos de tranquilidade.
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  A porta da sala abriu e um loiro de porte galã entrou esbaforido em busca de um lugar para se acomodar, em sorriso simpático.
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  – Boa tarde, gente! Mil perdões pelo atraso. – transitava em expressão aturdida por várias cabeças se virarem para ele – Peguei um engarrafamento horrível e ainda me perdi pelos corredores. É a primeira vez que venho para cá e demorou para eu encontrar essa sala.
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  Damon não gostou de como as feições de Sebastian se endureceram em surpresa negativa e nem de como a voz desconhecida soou aos ouvidos. O terceiro sinal de como a presença alheia era indesejada foi o aperto na boca do estômago em prelúdio de como algo no ambiente era perigoso, obrigando-o a se atentar melhor às pessoas ao redor para não correr riscos de ser pego desprevenido perante o invisível perigo iminente.
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  Desviando o olhar para a direção do som, se encolheu pela visão do homem, que, já acomodado, deu um único aceno de cabeça para o moreno, que retribuiu o gesto.
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  Antes de retornar a atenção para a leitura, o ruivo notou como o loiro de fios lisos em coloração similar à palha lhe lançou um olhar de desprezo, como se fosse insignificante.
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  Apesar da conhecida sensação de se sentir diminuído se apossar dele, lhe trazendo insegurança, não se afetou. Pelo contrário. Ergueu o queixo em fisionomia impassível, soltando o ar pelas narinas, de alguma maneira tomando mais espaço na cadeira – e, de fato, a impressão não era errada por estar acompanhado espiritualmente graças às duas figuras femininas acompanharem a cena atrás de si.
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  Damon manteria a guarda alta.
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  Aceitando o desafio velado, o loiro repuxou o canto do lábio superior com os dentes trincados para se concentrar na fala do roteirista.
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  Os minutos seguintes foram igualmente repulsivos para Damon.
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  Após a chegada do último integrante do grupo, o ambiente pesou – e Damon não foi o único que percebeu. A atmosfera outrora leve se transformou aos poucos, se tornando nociva, cuja percepção era detectada no âmbito energético. Os componentes dali que usufruíam de maior sensibilidade mediúnica sentiram a mudança sem compreenderem o motivo para ela – e dois agradeceram intimamente por ser o dia de irem aos seus templos religiosos, onde a impressão negativa seria retirada.
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  Simultaneamente, o desconhecido deixava claro como lançava olhares para Sebastian enquanto os demais se concentravam na discussão. O interesse no moreno era nítido, cuja atenção estava voltada para o diálogo sobre o roteiro, ao contrário de Damon, que foi incapaz de se concentrar desde a chegada do novo componente.
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  Por mais que demonstrasse a aproximação dos dois através de toques carinhosos e atos os quais eram bem recebidos pelo ator graças ao nível de afeto e confiança recíprocos, o loiro insistia em encará-lo ocasionalmente com desejo – mesmo que Damon repousasse a cabeça no ombro largo com a outra palma no peitoral, como se mostrasse que Sebastian pertencia a ele, enquanto o mais velho dava beijinhos ternos nas ondas macias no intervalo de alguns minutos, alheio àquela disputa velada.
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  Ao término da reunião, juntaram os pertences para ir.
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  – Sebastian! Quanto tempo!
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  Detestou a imagem abrupta do loiro abraçando o mais velho – e como a troca afetiva foi bem recebida.
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  De imediato, o ruivo se levantou e se posicionou com a mão na cintura ao lado do moreno em expressão neutra onde havia um toque de malícia capaz de assimilar como a índole do elemento não era das melhores.
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  – Tem quanto tempo isso? Quatro, cinco anos? – se separou mantendo certa proximidade excessiva.
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  – Já tem uns anos.
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  Damon refreou o sorriso em aprovação por Sebastian dar um passo para trás, se afastando.
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  – Você está muito bem. Fiquei bem surpreso em ver as suas fotos circulando nas redes sociais. Todo mundo tem um momento de sorte na vida, né?
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  O menor desaprovou absolutamente tudo contido naquele comentário e as consequências dele – a pontada de zombaria na voz, o desmerecimento da conquista profissional do moreno, como o ator murchou perante a mensagem nas entrelinhas e a sombra de algo similar à introspecção perpassar o semblante do ator.
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  – Até porque ele nunca precisou pagar para garantir o lugar na escalação, não é mesmo? – foi impossível não se intrometer na conversa para defendê-lo sem esconder o ar de contrariedade com um toque de deboche – Ele está aqui por merecimento, ao contrário de alguns.
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  Corriam rumores de que quem foi escalado para interpretar o Omar garantiu o papel porque pagou um valor considerável para o diretor do núcleo principal – e Damon só acreditou no boato porque, no mês anterior, viu postagens do homem em viagem internacional com a família, sabendo que ele não tinha condições financeiras para arcar com as despesas.
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  O vislumbre de irritação nos olhos azuis foi quase imperceptível. Inclinou a cabeça em movimento mínimo, percorrendo cada centímetro da face alva.
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  – E você é?
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  – Damon. – entrelaçou os dedos nos do outro, erguendo as mãos unidas para serem visualizadas – Namorado, inclusive.
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  – Ah, então as notícias são verdadeiras? Pensei que era jogo de marketing.
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  – Pois saiba que estamos juntos. – até ele se surpreendeu com o quão verdadeiro soou contando a mentira – E muito bem.
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  – Bom, desejo tudo de melhor para vocês. Formam um belo casal.
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  Para se despedir, afagou o rosto do moreno, causando embrulho no estômago do rapaz pela ação claramente íntima – só não foi pior pelo mais velho se retesar, como se o organismo negasse o gesto.
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  Por estarem sozinhos após a retirada do outro, Sebastian deitou a testa no ombro de Damon em busca de acolhimento.
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  O reencontro com o homem o afetou por aflorar antigos sentimentos conflituosos e obrigá-lo a confrontar algumas sombras as quais pensou terem desaparecido de sua vida no momento em que cortou antigos laços.
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  Ledo engano.
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  Para evitar serem vistos pelos funcionários transitando no corredor, Damon foi fechar a porta. Em seguida, o puxou pela mão até encostá-lo na parede com ambas as destras repousadas no peitoral sem tirá-las dali.
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  – Está tudo bem?
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  – Sim. – encaixou as palmas na fina cintura por debaixo da blusa, pois o contato corporal sempre lhe causava efeitos positivos – É só um pouco de dor de cabeça. – mentiu em fisionomia cansada.
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  – Pois não parece. Soa mais como uma desculpa esfarrapada para não me contar a verdade.
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  Soltou uma risadinha nasalada, circulando a cintura e o puxando para si até os quadris colarem.
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  Dialogavam em voz baixa, a proximidade trazendo o refúgio necessário naquele momento para Sebastian graças ao abalo emocional e às írises escuras transmitindo doçura.
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  – Sabe, eu costumava ser mais convincente para mentir.
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  – Isso foi antes de me conhecer. Quem é aquele cara? Não me causou boa impressão.
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  – Patrick. Em resumo, é meu ex, e moramos juntos por um tempo.
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  O sabor amargo invadiu a boca pela notícia, assimilando como a intuição acerca do homem foi certeira.
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  A transformação sutil demorou instantes, durante os quais o mais novo transpareceu como a notícia o perturbou.
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  – Você... – pigarreou pela voz sair trêmula – Você ainda sente...
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  – Não. – o rosto torceu em contrariedade numa careta – Sequer me imagino voltando para ele.
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  O alívio partiu de ambos – Damon por assimilar a verdade e Sebastian por notar a angústia desaparecer da fisionomia angelical.
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  O beijo na testa recebido foi o que faltava para Damon se tranquilizar por completo. A ação foi demorada, enquanto Sebastian acariciava a lombar com os dedos e o outro deslizava as palmas pelo peitoral, subindo-as até enterrar as falanges nos cachinhos. A harmonia entre eles se fazia cada vez mais presente, os carinhos delicados aquecendo os corações de ambos.
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  – Então por qual motivo ficou tão abalado? – questionou acariciando a barba rala com o polegar após percorrer o pescoço largo e pousar as costas dos dedos na bochecha.
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  – Pequeno... – franzindo o cenho, quebrou o contato visual, fixando o olhar acima da cabeleira ruiva – Eu não gosto de falar disso. Prefiro deixar para trás.
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  – De nada adianta ignorar se isso ainda ressoa no presente e interfere na sua vida.
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  Se manteve em silêncio, angustiado, para digerir o peso da constatação óbvia.
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  De fato, ainda o afetava. Carregava as consequências da relação no âmago, e a incapacidade de comentar sobre ela em virtude da vergonha e da maneira como Patrick foi capaz de subjugá-lo acentuava a baixa autoestima – e era por essa razão que se via desmerecedor de entrar num relacionamento, de fato, com Damon.
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  Bastou um simples comentário tendencioso para fazê-lo duvidar de si.
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  A ideia de contracenar e conviver no trabalho com a presença frequente do ex o incomodava.
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  O ruivo não arrancaria nenhuma informação caso o pressionasse, então se contentou em deixá-lo reflexivo com a ponderação.
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  – Certo. – deitou a lateral do rosto no abdômen, o abraçando igualmente – Se precisar conversar ou simplesmente se distrair, me envia mensagem. Não gosto de te ver amuadinho assim.
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  Quando chegou onde morava na companhia de Damon, imaginou passar o restante da tarde se distraindo, assistindo filmes para melhorar o ânimo.
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  Não estava nos planos voltar acompanhado para o apartamento, mas, após comentar que não queria ficar sozinho naquele dia e pelo mais novo vê-lo cabisbaixo, cancelou o compromisso para passar a tarde ao seu lado.
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  Não imaginava a visita inesperada que invadiu o apartamento horas antes.
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  Sabia quem estava ali pela música alta vinda do celular. Em seguida, se sobressaltou junto a Damon em reação ao estridente grito feminino.
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  A morena de longos cabelos negros lisos saiu correndo da cozinha com um enorme sorriso por vê-lo. Se jogou nos largos braços fortes, resultado de anos de academia, quase lhe tirando completamente o ar dos pulmões.
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  – Olha quem voltou do Japão, maninho! – lhe encheu de beijinhos carinhosos pelo rosto – Voltei há duas semanas, e essa é a primeira vez que consigo te ver.
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  Se soltando dele, se dirigiu ao rapaz, que acompanhava a cena com ar de riso.
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  – E você deve ser Damon, certo? Finalmente estamos nos conhecendo! Você é gato, menino. Gostei! Meu irmão sempre teve bom gosto. É claro, exceto um ou outro filho da puta. Sou Biancca, Bia para os mais íntimos. Pode me chamar assim, se quiser. São namorados, ora. Nada mais justo que me chamar de Bia. – deu um tchauzinho sorridente.
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  – É marketing. – replicou o ruivo em sorriso amarelo, indo colocar a mochila preta no sofá – Não estamos realmente juntos.
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  Por estar de costas, o ruivo não viu o olhar irônico lançado para o irmão.
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  – Por que não combinou comigo antes de chegar do nada? – questionou o mais velho para desviar do assunto sobre o relacionamento falso.
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  – Porque voltei do Japão há dias e nada de você me falar quando eu poderia aparecer. – replicou com tom agudo – O jeito foi surgir aqui sem te avisar. Isso lá é jeito de recepcionar a boa irmã que passou um ano inteiro em intercâmbio longe da família e do único irmão das entranhas de nossa santa mãe?
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  O drama foi digno de cenas das novelas mexicanas e arrancou gargalhadas sinceras de Damon. De imediato gostou da mulher de 23 anos.
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  Sebastian se distraiu na companhia de Damon e da irmã, que contou fofocas de pessoas cuja existência os homens nem conheciam.
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  – Gente, lá é silencioso demais. – contava durante a preparação do cachorro-quente na cozinha – Não se ouve nada. Já estava me dando agonia. Não sabem como agradeci quando cheguei aqui. Só nesta rua tem um bar tocando música, na esquina um terreiro onde daqui dá para escutar o atabaque, carro passando na rua, buzina e cachorro latindo. Lá até os cachorros são silenciosos, carai! Aí não dá.
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  Perto do pôr do sol, aproveitou a rápida retirada do ruivo para o banheiro e avisou o irmão, sentado no sofá.
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  – Escuta. Padilha quer conversar contigo, viu? – mastigava a pipoca doce na tigela posicionada no colo – Se eu fosse você, iria. Aconteceu alguma coisa de diferente contigo?
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  – Patrick foi escalado para a série onde trabalho junto com Damon. – cruzou as pernas no sofá e apanhou um punhado de pipoca – E vai contracenar comigo. Ou melhor, irá disputar o meu personagem com o de Damon, romanticamente falando.
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  – Puta que pariu. Está explicado. Não deixa de ir à próxima gira.
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  Maria Padilha atravessava a rua fumando o típico cigarro.
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  O vento balançava o vestido vermelho, cujo corpete do mesmo tom, de manga justa, lhe tampava os ombros. Descalça, a presença magnética repelia todo e qualquer espírito perverso que continuava nas trevas por escolha própria, ao invés de reconhecer as respectivas faltas, se arrepender, se voltar para o bem, arcar com as responsabilidades e sofrer as penitências pelas faltas cometidas.
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  Ao seu lado, Zidler, hoje na figura de Exu Caveira usando uma capa preta para lhe esconder a identidade, a guiava em direção onde Patrick estava.
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  Por Zidler fazer dinheiro submetendo mulheres à prostituição como meio de sobrevivência e as mantendo prisioneiras de si sob o pretexto do pagamento da dívida, enquanto ele enriquecia e elas se entregavam ao vício e à amargura, carregava o remorso por prejudicá-las em prol de sua ganância e impulsos egoístas. Logo, a despeito de não ser necessariamente perverso, tinha plena consciência do quanto desgraçou a vida das prostitutas no Moulin Rouge no passar dos anos – algumas, inclusive, se matando por não suportarem aquela vida ou se transformarem em moribundas por recorrerem aos vícios para aguentar se entregarem aos clientes que as enxergavam apenas como objetos para se satisfazerem.
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  Como forma de usar o seu erro para ajudar quem prejudicou no passado, deu início ao processo de acompanhá-las e socorrê-las quando necessário, seja no pós-vida ou durante as encarnações – inclusive por aliviar a culpa de prejudicá-las em demasia.
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  Dentre essas pessoas, estavam Damon, Dean, Marie e Simon.
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  A imagem escolhida para se apresentar não era das mais agradáveis.
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  A decisão de trajar longa capa larga de mangas e capuz não foi sem significado. Por passar inúmeros anos da última encarnação imerso na ganância em contato direto com as energias deletérias do bordel – deletérias não porque era simplesmente um lugar procurado pelos frequentadores para obterem prazer fácil ou pela boemia, mas sim por tirarem vantagem de mulheres que não tinham outra opção de se sustentarem pelo rigoroso sistema do patriarcado, então castigavam os corpos e desenvolviam doenças em troca de dinheiro através dos abundantes clientes repugnantes – eram lembretes diários do guia que se tornou hoje: um ser de passado sombrio, mas que, graças ao arrependimento e às aprendizagens por viver à margem da sociedade, poderia usar das habilidades para proteger quem precisava quando estivesse em desvantagem devido às circunstâncias da vida, inclusive circunstâncias sociais e econômicas.
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  – Ele mudou alguma coisa? – a mulher indagou, soltando a fumaça pelas narinas.
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  – Quase nada. – resmungou puxando o capuz para tampar completamente o rosto – É incapaz de fazer amigos ou interesses amorosos felizes. Ele gosta de subjugar as pessoas, exercendo poder sobre elas.
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  – Continua sendo estuprador?
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  – Não. O prazer dele é ver a vítima dependente dele e enredá-la para manipulá-la até apagar totalmente o amor-próprio. E quase atingiu o objetivo com um dos seus protegidos, Padilha, por quem o maldito sempre nutriu forte obsessão.
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  – É por isso que vim para cá. O desgraçado não vai atrapalhar mais a vida dos meus meninos nem os separar.
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  Demorou quinze minutos para chegarem a um ambiente sombrio repleto de lama cinza no chão.
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  O cenário foi criado pelos sentimentos e pensamentos macabros e maléficos dos habitantes dali. Gritos de agonia eram escutados ao longe, imprecações eram gemidas e a atmosfera indigesta, de aparência fétida, era repleta de seres humanoides ou animalescos pelo perispírito maleável se modificar graças ao poder mental das criaturas dispostas ali. Almas agoniadas de criminosos se arrastavam em busca de água ou alimentos, alguns usando a lama espessa para reduzir o impacto da fome e da sede. Choros de pessoas perversas, que eram assombradas pelas vítimas, ecoavam, e animais ou insetos percorriam a paisagem, já acostumados com a presença humana, sem se importarem em subir nelas, lhes causando agoniante sensação.
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  No caminho, Exu Caveira cantava até encontrarem o alvo – o homem que gostava de ir para lá a fim de saciar os desejos indigestos com quem estivesse disponível.
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“É melhor um tapa na cada do que uma frase maldita
Suas palavras reabriram minhas feridas
Palavras duras, magoou meu coração
Agora não adianta implorar o meu perdão

No primeiro dia você há de me pagar
No segundo dia eu vou mandar preparar
Uma cova funda com madeira de caixão
Para o terceiro dia eu pedir licença ao cão

No quarto dia um feitiço eu vou jogar
Uma mandinga velha para poder lhe derrubar
No quinto dia é noite de luar
Vou pedir para o coveiro para vir lhe enterrar

No sexto dia eu andava na calunga
Quando eu olhei pro lado, avistei a sua tumba
No sétimo dia, de joelho a gargalhar
Bem que eu te avisei, moço, tu ia me pagar”

  O encontraram dando o último beijo numa mulher de aparência cadavérica, que se recolheu agachada no buraco escuro na parede de pedras cortantes.
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  No corpo físico era hábil em transparecer simpatia pelo belo porte e o natural carisma. Entretanto, a capacidade não se estendia para quando o espírito se desconectava durante o sono, se mostrando como realmente era – alma vil cujo gosto por prejudicar as pessoas perturbava a mente e danificava significativamente o perispírito, de tal forma que, a longo prazo, atingiria a carne.
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  Os olhos esbranquiçados eram desfocados, opacos e embebidos pela sua energia densa. Cambaleava, se obrigando, através da própria moral, a frequentar e permanecer em lugares como aquele, de maneira a se autoflagelar pelos crimes cometidos, os quais não foram reparados por falta de interesse e também porque era atraído pelo conteúdo das emoções se harmonizar com a podridão daquelas zonas, em demonstração clara do quão indigna e impura era a sua conduta.
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  – Moço. – segurou o cigarro entre o dedo indicador e o anelar, o fitando com superioridade – Vim lhe dar um recado. E, se eu estivesse no seu lugar, daria ouvidos.
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  Patrick se virou para a origem da voz autoritária sem muito controle corporal. A lama estava espalhada pelo corpo junto à gosma transparente que deixava a pele visível em aspecto grudento.
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  Deu dois passos lentos até parar em frente à mulher e ao homem encapuzado.
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  – Só vou dizer uma vez, então guarde bem o recado. – apontou as falanges na direção dele – Não interfira na vida dos meus meninos. Se fizer qualquer coisa contra eles, saiba que vai arcar com as consequências dos seus atos, cavando a própria cova.
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  O sorriso doentio surgiu, revelando os dentes brancos e mostrando larvas se rastejando por debaixo das gengivas, também fruto das vis criações mentais.
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  – E quem é você para me exigir alguma coisa?
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  O vislumbre de entendimento perpassou as írises da mulher enquanto Exu Caveira soltava uma rouca gargalhada.
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  Ao contrário do sorriso ameaçador de Patrick, o que desenhou os lábios femininos carregava o misto de compreensão e frieza, o tornando bem mais perigoso comparado ao do outro.
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  – Está tão obcecado nos seus desejos que nem reconhece as pessoas com quem já andou pela Terra.
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  Apanhando um punhado de tecido do vestido vermelho, Padilha posicionou o punho fechado na cintura e jogou a cabeça para trás, rindo audivelmente pela percepção.
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  A estrondosa gargalhada dela rompeu a noite, afastando e assustando os mais diversos espíritos doentios dos arredores – e Patrick foi atingido pelo magnetismo dela ao cair e se rastejar para trás sem conseguir fugir do impacto sonoro reproduzido por ela.
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  Se voltando para ele, avisou antes de se retirar na companhia de Exu Caveira.
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  – Você ainda vai me proporcionar muito divertimento.
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