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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 38

  Sebastian experimentava vários processos inéditos ao longo de suas interações com Damon. Por ter tido uma criação mais rústica e machista, não sabia ao certo como demonstrar carinho embora apreciasse os gestos. Foram anos reprimindo esse seu lado. Não era exatamente bruto. A gentileza era uma de suas características mais marcantes, porém o toque físico, não. Inconscientemente, seu pequeno foi o responsável por lhe mostrar a importância de cada afago, de como um abraço tornava qualquer fardo mais fácil de ser carregado, que um selinho inesperado o fazia sorrir e como gostava de ser acariciado.
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  Foi o rapaz também quem elogiava sua aparência. Sequer se recordava qual foi a última vez que ouviu uma frase como “está lindo” de dona Diara. A mulher o amava muito, era um fato. Pela época marcada pela gritante desigualdade social e pobreza, precisou se endurecer emocionalmente para lidar com a dura realidade. Portanto, deixou o afeto em segundo plano – inclusive na criação dos filhos.
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  Uma vez, acomodados no sofá de Sebastian no início da madrugada de domingo, o notou incomodado pelo semblante mais introspectivo. Deitado sobre ele, afagou o couro cabeludo até lhe contar o problema.
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  Haviam retornado de uma festividade da fazenda a qual aconteceu no período do dia. Os empregados puderam ir, mas, como não poderia bailar com Sebastian, dançou com a irmã. O peão, trajando suas melhores vestes, o observava discretamente desejando estar no lugar de Bianca. Se posicionou durante a conversa com os amigos de modo ao outro não sair de seu campo de visão.
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  - É que eu queria poder segurar sua mão em público, sairmos ou dançarmos juntos sem corrermos nenhum risco. Não era para nos escondermos só porque nos amamos.
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  - Era comigo com quem queria dançar na sua casa, né?
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  Assentiu com um biquinho.
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  Recebeu um toque na ponta do nariz com o indicador e um selinho antes de sentir a falta do corpo sobre si pelo outro se levantar. O segurou pela mão o impedindo de se afastar.
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  - Fica aqui comigo. – pediu numa súplica.
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  - Vou fazer melhor. – se inclinou para beijar a testa.
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  Descalço e apenas de calça, foi até a vitrola onde colocou um disco para tocar. Uma lenta música romântica preencheu o ambiente. Voltou para Damon exalando amorosidade, quem havia se sentado trajando a boxer preta. Parou em sua frente e estendeu a mão.
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  - Me concede a honra.
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  Foi incapaz de falar. Sorrindo na tentativa de conter as lágrimas que se formaram, repousou a mão na dele. Em seguida, foi conduzido até o centro da sala onde a cintura foi enlaçada pelas palmas ásperas. Descansou as suas nos ombros desnudos. Dançaram algumas músicas românticas como aquela em sua bolha particular onde nada os preocupava ou abalava. Apenas o momento importava. O som predominante era o baixo instrumental e a melodiosa voz do cantor. Trocavam beijos, carícias ou simplesmente se observavam amorosamente.
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  - Te amo. – mexeu os lábios sem a voz sair.
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  - Te amo. – o imitou para, logo depois, enterrar os dedos nos cachinhos e o puxar para um beijo meigo.
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  Depois daquela noite, quando houvesse festas durante a noite, iam para longe das pessoas discretamente. Se encontravam na árvore onde continuava visível o S + D, marca entalhada por Sebastian aos 15 anos de idade. Ali ainda podiam ouvir as músicas ocultos pela escuridão e pelas copas da grande árvore. Era o local ideal e especial para dançarem como os dois homens apaixonados que eram.
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  Quatro anos mais tarde Damon preparava um bolo em seu apartamento onde passou a morar com Sebastian. Comemorariam quatro anos desde a sua chegada lá e, em comemoração, gostavam de fazer algo intimista. No apartamento ao lado do deles, Kassandra e Celie também comemoravam – e os gemidos eram provas disso.
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  Durante o período final na fazenda, os dois casais não aguentavam mais se manterem escondidos a todo instante. Aquilo os sufocava, trazia angústia e lágrimas. Numa tarde nublada Kassandra aproveitou para ir conversar com Sebastian enquanto caminhavam pelos campos. Damon havia saído com os pais e o irmão, então poderia expor seu plano.
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  - Eu já conversei com a Celie. – comentou encarando o horizonte – Ela concordou comigo. Mas... Para dar certo vocês precisariam colaborar. Imagino que estejam tão fartos quanto nós.
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  - Qual a garantia?
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  - A prima da Celie desocupou um apartamento em São Paulo. No andar só tem esse apartamento e mais um outro também vazio. Por enquanto não há nenhum inquilino. Seria perfeito porque não correríamos riscos por ser no último andar de um prédio numa região onde predominantemente há lojas pequenas de, no máximo, dois andares. Estaríamos no sexto.
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  - Não dou garantias porque não sei se ele aceitaria se afastar da família de novo, mas... Ainda hoje conversaremos sobre isso.
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  A tentação de aceitar era enorme porque queria, pelo menos, um espaço onde pudesse relaxar na companhia de Damon. Na fazenda a preocupação de serem pegos era constante. No início não era tão incômodo, mas após anos naquele processo... Se tornou desgastante a sensação de perigo sem poderem baixar a guarda.
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  Somente Ralph, Akil e Bianca sabiam o endereço do casal, assim como os detalhes do plano.
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  - Amigo, queremos que você seja feliz. – disse Ralph na despedida.
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  - Nos conte sobre como estão as coisas. – Akil o abraçou – Só porque estamos distantes não significa que não torceremos por vocês. – se separou sorrindo.
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  - A gente não teve uma sorte assim, porém... – Ralph, o mais sensível do trio, secava os olhos – É bom ver quando alguém como nós consegue uma realização. Dá esperança.
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  Sebastian se casou no papel com Celie e Damon com Kassandra. Nas respectivas alianças estavam o nome dos cônjuges reais no interior, então não havia vestígios.
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  Não demoraram para encontrarem empregos.
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  Em seis meses Damon começou a dar aulas de inglês para empresários e pessoas que faziam negócios no exterior. Era sempre bem recebido e, pela facilidade de comunicação, educação e simpatia, era indicado no boca a boca, então não lhe faltava trabalho. Sebastian foi contratado numa das lojas próximas como vendedor de móveis. Kassandra e Celie se tornaram secretárias de escritórios diferentes. Durante o tempo em que não entrava dinheiro, se mantinham com o valor dado por Paul quando Sebastian lhe deu os nomes dos peões que importunaram o filho caçula.
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  Eram modestos no estilo de vida. Não levavam os novos colegas paulistas em casa e dificilmente saíam com os seus respectivos cônjuges como casal – eram três vezes por mês, no máximo. Porém, dentro dos apartamentos, podiam ser quem realmente eram. O ruivo não controlava tanto o tom de voz, Kassandra poderia se vestir de maneira mais masculina, Celie poderia apreciar sua esposa sem maquiagens e de calça moletom – como era de acordo com a essência de Kassandra, sua aparência mudava dentro de casa, então, naturalmente, sentia-se mais feliz consigo – e Sebastian trazia, de vez em quando, algum presente para o marido, como um buquê de flores ou um gloss. Descobriu que ele gostava dos lábios num tom natural por notar como maquiagens chamavam sua atenção, portanto encontrou o que era no tom do dele.
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  Era comum os casais se juntarem em uma das casas para almoço de domingo. Assim como Celie e Kassandra, se organizavam com antecedência para a preparação de pratos diferentes ou sobremesas deliciosas – essas ficavam a encargo de Damon. Costumavam passar a tarde em conjunto por serem as únicas pessoas com quem podiam contar verdadeiramente naquele contexto. Em consequência, fortaleceram laços de amizade nas reuniões em que havia espaço para risos, trocas de afeto com seus respectivos cônjuges e apetitosas refeições.
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  Os dias apenas começaram a ter mais agitação quando, ao acaso, Damon encontrou Dean na rua. Contendo os berros, segurou a mão do rapaz o conduzindo até a outra calçada. Entraram na loja de roupas onde a dona era Marie, quem terminava de atender uma cliente. Ao ver a dupla, agradeceu a jovem estar indo embora. Assim que passou pela porta, colocou a placa de “FECHADO” gritando por Bia, quem veio dos fundos da loja carregando Simon consigo. Por fim, os quatro comemoraram antes de irem todos para o apartamento do casal.
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  Foi uma surpresa para Sebastian se deparar com o novo quinteto agitado e barulhento entrando pela sua porta. Não esperava topar com Dean tão inesperadamente.
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  Não fugiu da percepção do ruivo como Sebastian se recusou a sair de seu lado, usando o seu corpo como bloqueio para Dean não alcançar seu pequeno. Era possessivo, sim, com Damon, e meio ciumento também, entretanto nunca ultrapassou os limites e nem o prejudicou.
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  Em contrapartida, notando o incômodo, o mais novo não levantou reclamações na estadia dos amigos e nem depois. Não havia necessidade de conflitos pelo comportamento exemplar dele e nem pela demonstração de receio perante a figura que foi primordial para a descoberta de Damon como gay. Apenas o abraçava pela cintura, entrelaçava as mãos nas suas ou tinha outros gestos de afeto para lhe transmitir a segurança devida. Quase riu de como o ex peão relaxou aos poucos perante os carinhos trocados – sem se afastar, é claro.
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  - Que menino ciumento. – o encurralando contra a parede da sala, ronronou o abraçando assim que os amigos foram embora – É só você quem amo, meu amor. – desabotoava os botões da camisa do vendedor para beijar o peitoral desnudo.
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  Ergueu a cabeça repousando o indicador sob o queixo até se fitarem.
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  - Fala isso de novo para mim.
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  - Eu te adoro. – murmurou contra a pele morena.
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  - Só adora?! Assim, não. – fingiu ultraje – Eu me recuso a ouvir só isso hoje.
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  Sem cerimônia, se inclinou para erguê-lo por detrás das coxas. Como não esperava, o mais novo soltou um gritinho e enlaçou as pernas automaticamente no quadril largo.
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  Levou um Damon risonho para o quarto, o deitando na cama.
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  - Quer dizer então que só me adora, é? – falou entredentes fazendo cosquinhas nele, quem se contorcia gargalhando.
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  - Ué, não serve, não? – encolhido, se esforçou para dizer com o rosto ruborizado.
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  - Claro que não.
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  Puxou Sebastian pela gola da camisa para beijá-lo. Finalizou com um selinho demorado.
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  - Eu te amo, querido. Meu amor da minha vida. – deu um beijinho na ponta do nariz – Satisfeito?
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  - Ainda não.
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  Tirou rapidamente a blusa de Damon para ouvi-lo gemer em resposta por lamber o mamilo rosado.
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  Agora, na noite quando iam comemorar o quarto ano desde a mudança, o apartamento cheirava a bolo de chocolate pronto, o preferido de Sebastian.
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  A campainha tocou quando finalizou o brigadeiro de panela. Imaginando ser Kassandra ou Celie pelos sons das duas transando ter cessado, correu para abrir a porta.
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  Deveria ter averiguado pelo olho mágico. Seria o mais prudente. Entretanto, tivera mais um dia comum em sua tranquila vida desde a chegada ao apartamento junto ao marido. Não havia por que ter dúvidas ou medos. No máximo recebia visitas do quarteto que combinavam tudo com antecedência.
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  Congelou ao abrir a porta.
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  Meggie, sua mãe, estava parada séria em sua frente com uma pequena bolsa no pulso.
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  Não a via desde a saída da fazenda e nem visitava a família. Se comunicava por cartas, portanto o aparecimento inesperado da genitora lhe gerou uma série de emoções – o terror predominava.
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  O avaliou de cima abaixo estranhando as vestes do filho – short jeans que originalmente era uma calça antes de Damon cortá-la, blusa curta e chinelos.
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  Dentro de casa se vestia como realmente desejava, então não era visto de calças ou peças consideradas exatamente masculinas.
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  - É assim que recebe a sua mãe depois de todo esse tempo?
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  A voz fria o tirou do estado catatônico.
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  Trêmulo, a abraçou antes de permitir a entrada.
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  - Aqui é um lugar bem agradável. – comentou percorrendo o ambiente com o olhar.
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  - É, sim. – como as pernas estavam bambas, suspeitava não ser capaz de se manter de pé – Tive sorte por encontrar esse apartamento. – a acompanhava se apoiando nos móveis ou nas paredes por precaução.
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  - Hum... E por qual motivo, mesmo, você mentiu sobre o seu paradeiro? Havia nos dito que estava no Rio de Janeiro e... Nossa, São Paulo é meio distante, não acha?
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  Engoliu em seco porque a ironia acusatória não era comum de ser usada pela genitora. Era desnecessário replicar.
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  - Não me serve nem uma água? – se virou para ele numa expressão impassível – Pelo que me lembro, meu filho é mais cortês. Ou falhei em sua criação?
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  Interpretou a frase erroneamente, a náusea lhe apossando.
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  - Desculpa. Vem comigo.
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  A levou para a cozinha respirando fundo para controlar a ânsia sentindo fraqueza.
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  Atenta como era, observou todos os pontos do apartamento. A cama de casal do quarto aberto e os chinelos os quais definitivamente não eram do tamanho dos calçados do filho denunciaram que o rapaz não morava sozinho.
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  O rapaz mal conseguiu despejar água no copo de vidro de tão trêmulo.
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  - Casou? – era impossível não ver a aliança dourada.
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  O questionamento o fez esconder a mão na outra num ato de desespero. Mordiscando o lábio se encaminhou para o quarto na tentativa de ocultar o anel das vistas da idosa. Não confirmou e nem negou porque não queria renegar Sebastian e nem piorar a situação delicada.
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  Ao passar por ela, Meggie o agarrou pelo pulso, o puxando até a destra pairar em sua frente. Averiguou a aliança dourada por alguns segundos num pesado silêncio.
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  - Com quem se casou?
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  Sequer teve tempo de abrir a boca.
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  - Cheguei, amor. Trouxe um presente para você.
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  A voz de Sebastian reverberou pelo ambiente junto ao som de um molho de chaves trancando a porta da sala. A Damon restou somente fechar os olhos. O aspecto cinza denunciava o seu estado emocional fragilizado.
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  - Quando passei pela floricultura acabei...
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  O ex peão paralisou com a imagem. A senhora Smith estava parada na cozinha com o filho, quem parecia prestes a desmaiar. A mulher de imediato ligou os pontos ao ver a aliança no dedo do filho de sua amiga e o buquê de rosas amarelas nas mãos grandes.
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  Mais tarde, quando avaliassem a situação antes de dormir, perceberiam que Meggie dava sinais claros de que não agredia o filho para machucá-lo ou humilhá-lo ao bater nele com a pequena bolsa. Afinal, havia cadeiras e vários outros objetos cuja utilização seria mais satisfatória se fosse o seu real objetivo. Sem alternativa, Damon correu para a sala para se proteger. Sebastian tentou impedi-la depois de colocar as flores intactas na mesa da cozinha, mas também recebeu bolsadas no rosto.
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  Quando deu por si, a mulher irada foi para a sala em direção ao marido encolhido no sofá quem chorava copiosamente.
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  - Menino danado! – murmurava ao apanhar uma almofada redonda para golpeá-lo incessantemente – Você foi embora por causa disso?! É por isso que nunca me deu notícias, menino ingrato!?
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  - Meggie, espera!
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  Sebastian a afastou de Damon. De fato, a ira era capaz de deixar o ser humano mais forte. Jamais imaginou a tamanha dificuldade de puxar uma senhora com a metade de seu tamanho do alvo. Se descabelava, rugia e, sabe-se Deus como, retirou um dos tamancos para bater nas coxas escondidas pelas calças reclamando para soltá-la.
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  Ofegante, suando, com a face ruborizada pelo esforço e a perna dolorida por causa das tamancadas, se colocou na frente dele usando o corpanzil como escudo.
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  - Não continua fazendo isso, tia Meggie. Por favor, para.
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  - Paro o cacete! – havia lágrimas nos olhos que lutava para não as deixar escorrer – Esse garoto desaparece, minto pro pai dele pela primeira vez em mais de trinta anos de casamento para encontrá-lo e quer que eu pare de bater no meu filho por abandonar a mãe dele? Paro porra nenhuma! – avançou tentando alcançá-lo e brigando com Sebastian para sair de sua frente.
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  De fato, estava irada porque só xingava quando estava a ponto de bater em alguém.
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  O marido notou que havia algo de errado ali graças a frase proferida por ela – talvez uma falha na comunicação.
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  - Meggie, se acalma! – sentiu os dedos de Damon envolverem na cintura e encostar a cabeça na lombar. Soluçava incapaz de se conter – Eu te ajudo a conversarem, mas precisa parar de bater nele.
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  Desistiu de prosseguir com as agressões as quais nunca iriam machucá-lo realmente.
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  - Pequeno, vem. Levanta.
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  O rapaz se pôs de pé fungando. Desolado, o abraçou de lado e escondeu a face no braço musculoso por não querer se deparar com o olhar acusatório da mãe – é claro, se fosse acusatório.
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  - Por que está chorando, bebê? – secava o rosto molhado com os polegares.
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  - Eu não quero ser rejeitado pela minha mãe. – a voz era tão embargada que os dois mal compreenderam.
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  - Onde eu estou te rejeitando?! – se não presasse tanto pelo bem-estar do filho e se aquela conversa não fosse tão delicada ao ponto de expô-los caso alguém ouvisse, certamente estaria gritando.
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  Calçava o tamanco sem quebrar o contato visual.
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  - Porque não me aceita como sou. – escondeu de novo o rosto no braço do moreno quem puxou o corpo pequeno contra o seu – Pela sua reação é óbvio que não concorda que eu seja diferente dos outros homens e nunca me casaria com uma mulher para agradar as pessoas. Do contrário não teria me batido.
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  - Meu filho, pelo amor de Deus! – passou as mãos pelos cabelos sem crer na capacidade auditiva – Eu sempre desconfiei que você gosta de homens. Desde a infância seu comportamento era mais delicado. Não me interessa se gosta de homem, mulher ou de quem sequer sabe se é homem ou mulher ou de quem é homem e mulher! Isso nunca foi pauta para mim. Você saiu do meu ventre, garoto teimoso!
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  - Por que está tão zangada assim? – até Sebastian se surpreendeu com a resposta enquanto consolava o outro, então a voz saiu estridente.
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  - Eu não acredito que vou precisar responder uma pergunta tão idiota! – deu uma risada sem humor – Por que estou puta, Sebastian?! Vou contar! Eu não pari o Damon para não confiar em mim e nem passar a maior parte da vida dele afastado de mim! Droga, ele é meu filho! Meu caçula. Tenho o direito de saber como ele está, de ouvir a voz dele, de estar na presença dele e de escutá-lo gargalhando. Eu te amo, seu desnaturado. Esqueceu que tem uma mãe que te ama, por acaso?! – gesticulava usando todo o corpo e movimentos faciais para se expressar ainda agarrada a almofada.
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  Repetia sistematicamente a palavra filho como gesto inconsciente de se autoafirmar mãe dele.
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  - Então quer dizer... – finalmente teve coragem de encará-la – Está tudo bem se eu...
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  - É claro. Eu prezo é pela sua felicidade, meu menino. – agora, era a idosa quem chorava.
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  - Mãe.
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  Foi até ela, quem o acolheu num abraço maternal.
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  - Não volte a sumir assim. – deu uma palmada na bunda marcada pelo short depois de deixar a almofada macia cair – Me deixe, pelo menos, visitá-los. Sinto saudade.
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  - Está bem.
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  Fitou Sebastian emocionada.
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  - É bom pro meu menino? Ama ele? Cuida dele?
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  - Sim. Mil vezes, sim.
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  Se separou do filho repetindo as mesmas perguntas para se assegurar que a resposta era verdadeira.
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  - Sim. A gente se ama muito. – estendeu a mão para o outro, quem se aproximou para segurá-la – Eu não poderia ter um marido melhor.
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  Não havia o menor sinal de mentira nas feições do caçula.
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  - Não me surpreende. São amigos desde quando eram bebês. – confessou sorrindo – Nunca vi pessoas tão ligadas quanto vocês. A Diara sabe?
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  - Não. Ninguém da minha família. – se tranquilizou por Damon se acalmar voltando ao aspecto normal de sua pele ao invés da tonalidade cinzenta.
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  - Eu vou mentir para duas pessoas da minha inteira confiança por sabe-se lá quanto tempo. Deus vai me perdoar porque é por uma excelente causa. Anda, menino! Vem aqui!
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  Puxou Sebastian pela camisa preta para um abraço apertado.
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  - Bem-vindo a família. Não sei se meu marido seria tão prudente, mas tem a minha benção.
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  Se afastou beijando as costas da mão do homem quem segurou no colo quando Diara deu à luz.
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  - Só me tirem uma dúvida. De quem foi a ideia de se mudarem para cá e me impedir de ter contato com o Damon?
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  O clima amenizara tanto que sequer notaram a malícia nela.
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  - Teoricamente foi minha...
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  Demoraram mais dez minutos para acalmá-la.
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  Correu atrás do homem batendo nele com almofadas ou a bolsa de pequeno porte. O mais novo tentava conter a mãe gargalhando da cena inusitada. Ora, não era sempre que um adulto musculoso de um metro e oitenta fugia das bolsadas e golpes de uma senhora de um metro e cinquenta e cinco aos 68 anos de idade. Desviou de ser atingido três vezes por uma das pantufas de Damon e, mais tarde, retiraria uma almofada caída no vaso sanitário.
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  - Se não tivesse desviado, meu caro genro, não teria o trabalho de lavar isso.
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  Minutos mais tarde jantariam os três numa conversa leve onde Meggie colhia informações sobre como estava a vida do filho e decomo a relação dos dois se iniciou.
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  - Mãe, eu não tive opção. – comiam de sobremesa o bolo de chocolate já com a calda – Eu nunca tive a oportunidade de ser exatamente como sou. Ficar fingindo e me anulando era um pesadelo. Seja sincera. Acha, mesmo, que eu poderia ficar assim por lá?
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  De pernas cruzadas e as vestes distintas, de fato, a pergunta era retórica.
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  - Ainda tem a questão dos peões. – completou Sebastian cortando mais um pedaço de bolo para si – Ficou ótimo, bebê. Obrigado. – beijou o topo da cabeça adorando o sorrisinho tímido do marido antes de prosseguir – Quando o pequeno voltou para fazenda faziam comentários sobre ele.
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  - Eu não sabia de nada disso. – murmurou Meggie.
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  - Foi. Ouvi umas coisas bem ruins, mãe. Aí surgiu a chance de virmos para cá e aproveitamos. Estamos distantes das nossas famílias, sim, mas... – tomou um gole de água – Tudo tem um preço. Até para felicidade. E estamos felizes por aqui.
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  Ela estava bastante sensível, então enxugou as lágrimas com os dedos.
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  - É difícil para mim como mãe que esteja distante e que não tenhamos conversado sobre esses assuntos antes, mas compreendo a necessidade dessa decisão e da sua postura mais reservada. E... Nossa, eu não poderia estar mais orgulhosa dos dois. Só me deixem visitá-los. Amo demais o meu filho para não voltar a vê-lo.
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  A mulher passou sete dias com o casal. Se hospedou no único hotel localizado pela região, então chegava rapidamente ao apartamento. Como também sabia sobre a farsa dos casamentos, os ajudava quando perguntavam sobre a esposa de Damon. Quando se deparou com Celie e Kassandra, fez questão de falar com elas – e a loira precisou da ajuda de Celie para se manter de pé após os amigos contarem que Meggie descobriu tudo.
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  Apesar de desconfiadas, não fez nenhuma distinção. No primeiro almoço juntos, levou uma das sobremesas favoritas de Celie – e agradeceu a boa memória por escutar o comentário da mulher comentando sobre como apreciava pudim de leite. Na primeira oportunidade, saiu com elas, o filho e o genro para conhecer a cidade – e ficou claro de qual lado da família Damon herdou a doçura.
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  Era bem persuasiva e dissimulada quando queria – e esse era um dos casos. Contou ao marido que iria ajudar a irmã adoentada no Rio de Janeiro. A deixou de sobreaviso primeiro antes de se encaminhar para São Paulo, então não haveria problemas.
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  Depois desse dia, a cada seis meses iria para terras paulistas. Como Bianca havia se casado e também morava por lá, usava como desculpa dizendo que veria a filha – só não mencionava nada acerca do outro para protegê-lo.
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  Se Paul soubesse a desgraça que suas ações causariam, nem em última hipótese contrataria os serviços de Patrick três anos depois da esposa descobrir o endereço do filho. Foi a ruína de Damon e a família jamais se recuperaria.
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  Não concordava com a decisão do caçula de se mudar para o Rio de Janeiro, assim como mentiu para não descobrirem a sua localização exata afim de não dar explicações desnecessárias acerca sua vida pessoal. Por amá-lo e em consequência de seu temperamento mais inflexível, desrespeitou a escolha. Agiu por debaixo dos panos sem comunicar nada a ninguém, nem mesmo sua esposa.
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  O peão sempre nutriu um amor doentio por Sebastian. Era obsessivo, pesado e ciumento. Além disso, invejava Damon imensamente por ser tão próximo do moreno – suspeitava que a relação ultrapassava as linhas da amizade, mas não tinha provas concretas. Não era a pessoa adequada para ser enviada em busca de Damon naquelas circunstâncias.
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  Durante a investigação em São Paulo porque não obteve nenhuma informação no Rio de Janeiro de seu alvo, concluiu que estavam juntos após descobrir os casamentos com Kassandra e Celie. Seu desejo de vingança era tamanho que atrapalhava seu raciocínio.
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  Da pior forma aprenderia que não se toma decisão importante no calor do momento.
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  Às cinco e meia da manhã, encapuzado, encurralou Sebastian num beco carregando uma arma no cós da calça. Sua ideia era asfixiá-lo até desmaiar pela privação de oxigênio, mas, para o seu infortúnio, o homem era bem mais forte e estava acompanhado de Kassandra, quem interferiu para salvá-lo. Apanhou a pistola na tentativa de contê-los pelo medo. Antes não o tivesse feito.
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  Ela disparou no coração atravessando o peito de Sebastian e a cabeça de Kassandra. Caíram no chão cuspindo sangue e morrendo em questão de segundos.
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  Num ato de loucura devido ao choque, pensou não haver vingança melhor além de Damon viver sem a presença do marido. Caminhou por cinco quadras antes de, num beco, pressionar o cano na têmpora e atirar se matando por não suportar a ideia de carregar dois assassinatos pesando na consciência.
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  Damon e Celie encontraram o corpo quente de Sebastian e Kassandra em questão de minutos porque estavam preocupados pelo som dos tiros.
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  Os respectivos gritos de desespero enquanto se debruçavam nos corpos inertes seriam impossíveis de ser esquecidos pelos moradores.
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  Apesar da agonia dilacerante, Celie se obrigou a se arrastar para Damon a alguns centímetros de distância.
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  - Amigo, solta ele. – tentava tirá-lo de cima do moreno cujo sangue escorria pelo ferimento da bala.
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  - Não! Não. Eu não posso.
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  Apesar do martírio, se obrigava a ser a figura racional entre eles – não porque o queria, mas sim por questão de sobrevivência.
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  - Me escuta. – o agarrou pelos ombros pálida e trêmula – Não podem descobrir sobre a gente. Não podem nos ver chorando pelas pessoas quem amamos. Vá. Vai até a Kassandra. Depois choramos pelos nossos mortos. – a dor refletia na voz entrecortada em peculiar tom grave.
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  Assim as pessoas os encontraram – Damon debruçado no corpo de Kassandra e Celie sobre o corpo de Sebastian.
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  Jamais se recuperariam.
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  Damon adoeceu de pneumonia no ano seguinte em virtude de a imunidade baixar drasticamente por causa de depressão e Celie perdeu a vontade de viver. Apenas aguardou a morte buscá-la como afável amiga para tirá-la daquela realidade assombrosa.
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Rio de Janeiro, 2025
  O primeiro dia de gravação da segunda temporada da série foi numa fazenda para explicar o passado dos personagens de Sebastian e Damon – e o cenário os sensibilizou.
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  Se remeteram a última encarnação quando Sebastian e Kassandra foram assassinados.
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  A única maneira de se tranquilizarem foi indo sob uma árvore localizada ao longe. Não havia construções ali. Se via somente a vegetação. Damon se sentou naquele ponto para controlar as emoções afloradas sem explicação aparente. Por mexer com essas lembranças, era necessário tomar um remédio para enxaqueca por elas borbulharem no subconsciente. Não vinham como imagens ou sons. Surgiam em forma de emoções e sensações corpóreas, demorando para o sofrimento sem causa aparente diminuir até desaparecer.
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  No caso do mais velho havia o atuante da morte ter sido consequência do tiro. Sentia pontadas na área cuja bala atravessou no peito até a finalização das gravações, principalmente quando estava estirado no chão. Se não fosse pelos exercícios de atuação, teria chorado junto a Damon, quem, seguindo o roteiro da cena, derramava abundantes lágrimas sem dificuldade por elas serem reais, durante a cena.
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  Nos últimos minutos de gravação com os demais do elenco, Sebastian, carregando vestígios discretos da maquiagem, o encontrou recostado no tronco encarando o horizonte no final da tarde.
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  - Sabia que estaria aqui.
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  A voz o fez se virar e não reclamou de se deslocar para abrir espaço. Arrastou o corpo para frente porque Sebastian se acomodaria atrás de si com os joelhos encolhidos e os pés fincados no chão. Abriria as pernas para recebê-lo, quem se recostou nele.
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  Mantiveram-se em silêncio se recuperando do abalo emocional. Aproveitaram a companhia de um do outro enquanto o mais velho afagava a pele do peitoral carinhosamente e roçava os lábios nas ondas ruivas sentindo o cheiro característico dele.
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  Quando começou o crepúsculo, o céu tomando a coloração laranja, questionou antes de se levantarem:
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  - Vai lá para casa hoje, pequeno? Não quero ficar sozinho hoje.
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  - Tudo bem.
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  Antes de irem embora, o mais velho tocou na árvore sentindo uma marca anormal nela. Não enxergava corretamente pela madeira estar ali há anos, mas seus instintos insistiam em inspecioná-la porque havia algo de importante escondido nela.
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  - Que foi? – o mais novo parou notando a expressão intrigada.
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  - Calma aí.
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  Por ainda estarem vestidos com as roupas dos personagens, retirou do bolso da calça uma faquinha. A passou na marca, revelando o S + D gravado.
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  - O que é isso? – se aproximou olhando atentamente.
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  - Não sei. Já estava aí. – percorreu o + com o dedo, sendo tomado por forte emoção pela simbologia contida nos traços apesar de não decifrar qual era – Eu só deixei mais evidente.
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  Sebastian notou o pranto quando as lágrimas escorreram. Damon o abraçou sem questionar nada. Era incompreensível a razão do porquê também estava tão mexido. Ambos precisavam daquele abraço onde choraram sensibilizados pelo significado oculto da entalhadura. Colaram os corpos até o pranto cessar por completo.
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  Sebastian deslizou a mão pelo braço desnudo até segurar a mão do ruivo. Sorriu perante a imagem da união sem imaginar quantas e quantas vezes beijou aquela pequena destra ao longo dos séculos. Os lábios coçaram para sentir a textura dela e não refreou o impulso de beijá-la.
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  O rapaz acariciou a barba rala por longos segundos querendo dizê-lo o quanto era bonito antes de começarem a caminhar de volta para as instalações.
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  - Será que eram um casal? – Damon fungou, ambos caminhando lado a lado.
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  - Espero que sim. E, caso não tenham ficado juntos, ao menos seria justo se tivessem uma nova oportunidade.
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  Andaram assim dialogando sobre o tema.
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  Durante a noite, no apartamento de Sebastian, virariam a madrugada conversando, comendo e assistindo filmes sem se afastarem – isso quando não se beijavam nos braços ou nos ombros ou se abraçavam. Estavam tão próximos que Damon repousava a cabeça no ombro do moreno ou entrelaçava as mãos novamente.
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