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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 27

  Damon o encontrou distraído observando o céu de braços cruzados.
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  Para lhe chamar a atenção deslocou a cadeira onde costumava sentar-se para se montar, a ergueu alguns centímetros e bateu a madeira forte no chão em sua frente produzindo audível baque.
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  Não se assustou. Apenas respirou fundo como se o ar fosse encorajá-lo a seguir adiante com o confronto indesejado e desconfortável para ambas as partes. Virou a cabeça em direção ao som. O semblante do rapaz era igualmente duro.
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  Damon torcia para aquilo não demorar. Estava sensível demais, emocionalmente instável demais para lidar com o diálogo por muito tempo. Não queria manifestar o quanto o outro o afetou com o desaparecimento e a postura ultrajante desde quando o encontrou na rua pela última vez – e era óbvio que choraria caso o diálogo passasse de mais de três minutos porque cada poro corporal o implorava escolher pela fuga como forma de autoproteção.
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  - Já estou aqui. – não tiraria o obstáculo entre eles, então apoiou o quadril na espelheira atrás de si – O que tanto quer comigo?
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  - Quero te parabenizar.
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  - Por qual motivo?
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  - Raras foram as vezes quando fui enganado, em especial por tanto tempo. É um feito digno de parabenização. – apesar do falso tom de admiração, a máscara da frieza começava a cair.
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  Era inegável que Damon notaria como a insensibilidade nada mais passava de uma maneira de ocultar os verdadeiros sentimentos.
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  Quanto mais tempo passassem naquela discussão, mais evidente seria como ambos estavam abalados, magoados e tristes pelos episódios os quais os levaram a terem posturas tão avessas um com o outro ao ponto de quererem ferir quem amavam em virtude da falta de comunicação e de segredos de Damon ainda não revelados.
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  Eles não eram assim. Todavia, as circunstâncias os forçavam a se tratarem com ofensas para manterem-se no controle de suas emoções.
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  - E quando te enganei? Refresca minha memória porque não lembro de nada disso.
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  E realmente não o enganava.
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  Quem foi manipulado foi Damon, as reações de Sebastian repetindo em sua mente em confirmação a como o homem não se importava consigo – assim como foi comprovado no último embate entre eles na rua mal iluminada.
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  - Me refiro a cada vez que riu pelas minhas costas. Diverti bastante você e seus amigos. – foi impossível esconder o repúdio pela crença.
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  - Nada disso. Me esforcei para Dean e Simon não baterem em você desde o nosso último encontro na rua. À propósito... Sou tão desprezível assim como mencionou ainda pouco? Porque não foi o que pareceu a cada noite que passou comigo na cama.
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  A frase o impactou. Sensibilizado, inclusive pelo embargo alheio na voz como se lutasse contra o sofrimento para ser compreendido, pestanejou dando os primeiros sinais de como não seria capaz de demonstrar frieza, asco, desprezo ou raiva por mais tempo.
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  Para dominar os impulsos, pressionou por instantes o topo do nariz com o indicador e o polegar.
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  - De fato, gostei mais do que possa imaginar das noites ao seu lado. – projetou o queixo para frente, os vincos nasais surgindo durante a fala – Se a sua índole não fosse tão baixa, seria a melhor pessoa quem já conheci na vida. – rebateu em volume firme, a voz saindo engasgada – Tudo tem um custo nesse mundo e já paguei o meu valor.
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  Não explicaria que se referia a como o belo amor desenvolvido por Damon se transformou em algo tão pesado de carregar.
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  - E o que a minha índole tem a ver com esse assunto?
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  - Não seja cínico! Sei muito bem como continuou se vendendo. Me fala, Damon. Se divertiu às minhas custas? Quantas foram as vezes que riu pelas minhas costas depois de escutar as minhas declarações de como me importo contigo? Afinal, servi pelo menos para isso. Ser o seu motivo particular de piada com seus queridos amiguinhos, não é?
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  O queixo caiu pela revelação, a cor fugindo do rosto angelical.
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  - Quem... Quem te contou... – balbuciou em expressão lívida, o coração batendo acelerado contra o peito e precisando se apoiar na cadeira em sua frente para manter o equilíbrio pelo choque.
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  - Ninguém me contou. Eu descobri sozinho. O vi inclinado nessa mesa com o cliente atrás de você. Por que, Damon? Por que mentiu para mim?
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  - Eu não menti para você.
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  - Ah, não?! Na primeira vez em que vim para cá, você mesmo disse que o seu trabalho não se estendia para a cama e não atendia os clientes.
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  - Satine era intocável por medida de segurança. Eu, não. Essa regra não era imposta a mim.
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  - Claro! Óbvio que vou acreditar nas suas palavras depois de vê-la entrar aqui agarrada naquele velho! Como se fosse viável eu acreditar nas palavras de uma prostituta barata.
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  Suportaria bastante coisa, menos aquilo.
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  Irado, Damon quebrou a distância com o rosto rubro e o esbofeteou com as costas da mão.
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  Ao contrário do esperado, Sebastian sustentou o contato visual mesmo durante o tapa sem esboçar nenhuma reação.
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  - Escute aqui, seu maldito desgraçado. – ergueu o indicador em riste sem temer por nenhum tipo de retaliação por parte do outro. Sabia que não corria risco de passar por agressões físicas e nem sexuais na presença dele – Eu exijo respeito da sua parte. Meu caráter não se resume ao miserável fato de morar aqui. Parei no Moulin Rouge contra a minha vontade. Nunca quis sequer pôr os meus pés num lugar como esse.
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  - Por que então, Damon? – afastou o dedo de si empurrando a mão pequena sem exagerar na força para não causar danos – Por que veio para cá?
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  - Fui vendido pelo bastardo quem dizia me amar, da mesma forma como você vem dissimulando esse tempo todo antes de sumir e me tratar como se eu fosse lixo! – gritou a plenos pulmões, o martírio do estorvo expresso pela primeira vez para o moreno.
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  O peso das palavras obrigou o Duque a recuar. Deu três cambaleantes passos para trás como se a armadura construída ao seu redor para se defender dos sentimentos por Damon tivesse finalmente caído e partido em inúmeros pedaços impossíveis de reparar.
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  - Vendido? – repetiu a palavra buscando na fisionomia algum sinal de mentira para a dura realidade.
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  - Sim. Vendido. Por uma pessoa bem parecida contigo porque fingiu gostar de mim para tirar vantagem.
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  A lembrança do passado era dolorosa por carregar diversos registros traumáticos – a morte dos pais, as promessas vãs, a mudança repentina de vida, o processo de adaptação na nova profissão, as vezes em que Satine foi vítima de violência ao descobrirem o seu sexo...
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  - Ninguém chega num lugar desse porque quer. – as lágrimas molhavam a derme avermelhada e martirizada – Chega por sobrevivência, já que não há outra opção.
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  Damon detestava quando as reminiscências o atingiam por sempre lhe deixar no mesmo estado deplorável. Chorava copiosamente por contactar os fantasmas os quais buscava manter longe de si pelo simples fato de não servir de nada se lembrar da época quando a sua vida era alegre, significativa e repleta de perspectivas positivas sobre o futuro.
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  Hoje? Era uma casca vazia. Não restou nada – nem orgulho pessoal – e até a capacidade de sonhar com dias melhores lhe foi roubado ao ser deixado no cabaré ainda virgem pela pouca idade.
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  Era torturante se recordar do tempo cujo retorno seria impossível.
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  Assimilando a profundidade do abalo após a fala enigmática, franziu o cenho pela demonstração genuína da perturbação – ombros caídos, postura fechada lhe dando ar de submissão, cabeça ligeiramente baixa, gestos apaziguadores na tentativa de se acalmar e trazer acalento, olhar amargurado e soluços.
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  O rapaz experimentava insuportável agonia.
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  Até ali conseguiu sustentar o conflito porque o menor não tinha chegado ainda ao ponto de chorar. Todavia, como desabava em desespero aflitivo em sua frente, era incapaz de se manter indiferente perante ele pela dor dele o consumir na mesma proporção – independentemente do quão ferido Sebastian estivesse.
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  Movido pela incapacidade de se manter neutro ou indiferente pela vulnerável figura em sua frente, ousou diminuir a distância até sobrar centímetros os separando. Ensaiou tocá-lo para confortá-lo, mas o ruivo se desvencilhou antes de ser alcançado.
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  - Já fez o suficiente. – cada letra era composta por agonia em tom entrecortado – A última pessoa quem preciso é você.
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  - Errado. – ignorando a resistência, embalou as laterais da face molhada para se mirarem – Algo me diz que sou justamente a pessoa quem você mais precisa ao seu lado agora, pequeno.
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  - Me solta! – rugiu o empurrando com violência atípica para longe de si – Já me machucou com insultos e indiferença o suficiente. Estou farto da sua mudança de comportamento comigo. Afinal de contas, não passo de uma prostitutazinha barata, não é? A noite já está paga, então pode ir embora daqui e nunca mais apareça na minha frente.
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  Ali enxergou o que o antigo amante se esforçava com afinco para esconder – o terrível sofrimento que o consumiu por anos e só diminuiu quando o Duque surgiu em sua vida.
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  Em silêncio e estagnado no lugar, o acompanhou pelo olhar até se sentar no sofá. Juntou as pernas se encolhendo no espaço onde planejava permanecer até o pranto cessar.
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  - Por que ainda está aqui? – envergonhado pelo homem presenciar como desmoronava, repetiu a tentativa de expulsá-lo – Vai embora. Não quero que me veja assim. Sai logo!
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  Damon não tinha energia para usar força física até o Duque passar pela porta, então restou torcer para a solicitação ser acatada – e isso não aconteceria.
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  - Eu não vou sair até me explicar como chegou no Moulin Rouge.
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  Desviando o olhar pela incapacidade de digerir como era encarado com compadecimento e algo cuja ousadia e o senso de preservação não o permitia cogitar, tampou a boca para silenciar os soluços simultaneamente ao abaixar da cabeça e ao contundente fechar de olhos.
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  Sebastian não suportava vê-lo daquela forma onde a fragilidade sobrepujava sua identidade doce, então aproveitou a falta de contato visual para se achegar a fim de não ser impedido ou do outro se afastar de si. Parando na frente do ruivo, se agachou para fitá-lo sem obstáculos devido a típica diferença de altura. Gentilmente segurou os pulsos e os abaixou constatando como não havia resistência por parte da figura lastimosa – e nos minutos seguintes manteria o contato corporal.
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  - O que aconteceu contigo, hein? Conta para mim, pequeno.
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  - E do que adianta eu contar se você já tem uma concepção completamente distorcida sobre mim? – rebateu em um fio de voz.
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  - Adianta porque vou te compreender melhor. Não vou insultá-lo e nem o atacar. Juro pela vida dos meus filhos. Se quiser, depois saio por essa porta e nunca mais procuro por você. Só quero saber sobre o seu passado. Conversa comigo.
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  Graças ao clamor cheio de sinceridade, se encolheu mais ainda, desamparado e se sentindo constrangido por todas as feridas emocionais estarem expostas para o outro de maneira tão visceral.
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  Não percebeu como as digitais deslizaram em busca das do mais novo e nem como passou a acariciar a ponta dos dedos alheios. O rapaz não resistiu em observar o movimento – e se criticou por lhe trazer acalento se a razão do colapso emocional foi impulsionada pelas ações de Sebastian.
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  Se não fosse pela postura carinhosa, não contaria nada.
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  - Eu não sou da cidade. – começou baixinho, lutando para soar compreensível em meio a catarse intensa – Morava no interior com os meus pais. Éramos pobres. Nunca faltava nada em casa, mas também nunca sobrava. Pouco antes da minha mãe adoecer, conheci o Vito. Ele era muito amoroso e vivia viajando de trem porque trabalhava na cidade. Começamos a nos envolver e não demorou para me apaixonar pela primeira vez. Infelizmente, minha mãe adoeceu depois de pegar uma chuva muito forte no inverno. Não tínhamos recursos, então deve ter passado pro meu pai e evoluiu para pneumonia. Acabei enterrando os dois em poucos meses. O Vito vivia me chamando para acompanhá-lo nas viagens e tentarmos uma vida aqui por haver maiores possibilidades de ganharmos dinheiro. Como fiquei sozinho sem a minha família, achei que seria uma boa ideia acompanhá-lo. – o sorriso era amargurado – A pior decisão da minha vida. Ele me deixou no escritório de Zidler e saiu pelos fundos. Minutos mais tarde descobri que me vendeu para cá pela minha ingenuidade, juventude, beleza e, segundo Zidler, represento uma peça rara com os meus atributos por não gostar de mulheres. Desde então moro e trabalho aqui.
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  Por sustentar o contato visual, acompanhou a transformação na fisionomia de Sebastian. Era claro como ficou chocado e desnorteado pelo relato.
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  - Como... – o Duque engoliu em seco – Como Satine surgiu?
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  - Sorte. O mundo é pequeno demais. Zidler era amigo de infância dos meus pais. Quando minha mãe engravidou, Zidler decidiu tentar a vida na cidade. Foi o tempo de se organizar, juntar as economias, me conhecer recém-nascido e viajar. Sou extremamente parecido com ela, então logo me reconheceu. Conversou comigo no particular e combinou que eu não precisava me vender noite pós noite ao contrário das outras cortesãs se, em troca, eu trouxesse mais clientes. Apresentei a minha habilidade para cantar, Marie me ajudou com as roupas e a maquiagem. Voalá. Passei a me apresentar como Satine. – fez uma pausa ligeira e desviou o olhar para prosseguir diminuindo o volume – Eu tinha quinze anos na época. A única coisa que eu tinha feito até então era beijar os lábios de Vito. Não foram misericordiosos comigo nem quando me tiravam sangue. Eu não sabia nada e nem como funcionava. Minha vida se baseava em trabalhar para ajudar meus pais em casa. Não sobrava tempo direito para viver e minhas amizades se baseavam na indústria onde eu trabalhava. Havia só uma empresa têxtil onde eu morava, logo não podia perder a oportunidade de emprego e tinha de mostrar serviço para não ser despedido. Não havia tempo para desenvolver amizades para elas me ajudarem a ser mais malicioso com as pessoas ou com qualquer tipo de proposta de emprego. – a forma como se justificava fazia Sebastian fechar as pálpebras pesaroso – Só aceitei a aproximação de Dean porque demonstrou pena quando eu não conseguia sentar-se depois e caminhava devagar por causa da dor. Foi o Dean quem me instruiu sobre como eu precisava ser preparado antes de entrarem em mim.
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  A migração do campo para a cidade era em consequência da Revolução Industrial, então era comum camponeses irem para as grandes cidades em busca de melhores oportunidades e ofertas de trabalho – mesmo que o valor da mão-de-obra fosse baixíssimo.
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  - Então por que o vi atendendo naquele dia?
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  - Zidler não opera esse lugar sozinho. Trabalha junto a Joseph Oller. Não é tão indulgente quanto o amigo dos meus pais. Graças a fofoca das prostitutas por não tardarem a descobrir que eu não trabalhava, ameaçou me tirar daqui se eu não levasse dinheiro para quitar a minha dívida. A única maneira de conseguir era me vendendo.
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  - Qual dívida?
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  - Os vestidos que uso são caros. Meus calçados são caros. Minhas bijuterias custam valor. Não chega a ser tão alto em comparação às outras pessoas porque, de vez em quando, Marie confecciona minhas roupas, assim como as dela e as dos nossos amigos. Mesmo assim é impossível efetuar o pagamento. Se eu for embora serei assassinado, assim como já vi acontecendo com três meninas. Não correrei o risco. Não trabalho sempre. Só algumas vezes ao longo da semana. Sou sozinho no mundo. Não tenho outro lugar para morar além desse. Preciso de dinheiro para qualquer emergência além de quitar a dívida com Joseph e me recuso a aceitar os poucos trocados dos meus amigos. Os homens me procuram no período diurno em busca de se satisfazerem. Nunca pensam em mim. Não passo de um corpo bonito com um buraco. Só um se preocupou com o meu prazer e me mostrou como pode ser gostoso quando faço amor. O único quem me fez amor comigo ao invés de me usar e demonstrou verdadeiro interesse por mim foi você, mas duvido que continue na minha vida depois dos últimos acontecimentos. Quem ficaria?
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  No decorrer do discurso observou as carícias das destras alheias com as suas. Os toques sutis o tranquilizavam ao ponto de a voz sair compreensível, mas não menos estrangulada. Não era corajoso o suficiente para observar as írises escuras do moreno. Temia detectar repúdio ou repulsa total – e não era mirado assim.
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  - Eu fico.
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  Graças a frase o encarou assombrado com os olhos lacrimejantes.
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  - Não mente para mim. – clamou se derramando em grossas lágrimas – Não continue me enganando. Eu não mereço isso.
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  Movido pelas emoções, Sebastian o pegou no colo. Coube perfeitamente no espaço. O levou para a cama e o deitou com gentileza antes de se acomodar deitado ao seu lado. Necessitado do acalento o qual jamais seria negado pelo outro, se sentou no colo alheio e se aconchegou no peitoral largo. Sentiu as mãos ásperas percorrendo as costas trazendo a sensação de conforto tão necessária naquelas circunstâncias.
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  Permaneceram calados desse jeito por razões diferentes – Damon para se recuperar e Sebastian para digerir o terrível relato e concluir como foi covarde ao ferir ainda mais a pessoa quem amava antes de tomar conhecimento completo da situação justamente na fase em que ele redescobria a felicidade e havia decidido, por vontade própria, vivenciar a experiência do amor carnal e, consequentemente, descobrir o quão prazeroso poderia ser ao contrário da dor infligida até então.
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  Sebastian não conseguiria se perdoar pelo hediondo erro.
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  Aos poucos relaxou através do afeto assimilado em cada mísero gesto do moreno, quem resvalava as falanges pelas costas e espalhava beijinhos pela testa ou simplesmente roçava os lábios pela região para confortá-lo.
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  - Eu posso resolver esse assunto para você e te tirar daqui. – contou em murmúrio carregado de ar, o hálito quente colidindo contra a pele alva.
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  O risinho recebido perante a proposta era carregado de escárnio.
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  - Dúvida, pequeno?
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  - Você só seria tão imprudente se me amasse e não é o caso.
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  Pela posição desfavorável para analisar a feição, não detectou como o desafio foi aceito sem tecer mais comentários.
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  - Se você tivesse uma casa sua, como seria? – enterrou os dedos nas ondas macias em agradável cafuné onde o ouviu soltar um gemido em agradecimento pelo cuidado de lhe proporcionar acalento em momento tão delicado apesar das mágoas e das desavenças nos últimos meses.
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  Antes de responder, se arrastou até enterrar a face no vão entre o pescoço e o ombro em encaixe caloroso.
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  - Eu queria que fosse bonita e tão acolhedora quanto estar assim contigo. – a meiga voz saiu abafada e novamente não viu o sorriso afável do mais velho ao ouvir a frase – Não precisa ser grande. A imagino arejada graças a corrente de ar, com espaço para transitar e uma sala onde eu pudesse receber meus amigos de vez em quando, inclusive a Bia.
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  - Ela não perderia uma única oportunidade de te visitar. – beijou castamente o ombro abrindo as pernas para abrigá-lo melhor e apoiando os pés descalços no colchão.
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  - Meu quarto teria uma cama para abrigar a mim e ao homem quem amo onde eu poderia passar horas o ouvindo me chamar pelos meus apelidos favoritos, como bebê, amor ou meu pequeno. Teria uma espelheira bem bonita por ser prática e trazer elegância pro ambiente. O sofá seria grande o suficiente para gente se abrigar. Em algum lugar teria um jarro com água onde eu sempre colocaria buquês de flores amarelas para trazer mais alegria. Dispensaria empregados pois gostaria de cuidar e organizar a nossa casa porque seria onde moraríamos.
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  Sebastian o escutou guardando as mínimas informações até Damon adormecer em seus braços.
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  Naquela noite específica não adormeceu. Refletiu sobre o relato e o impacto que tais acontecimentos inesperados trariam para alguém tão doce e amoroso como o rapaz, quem dormia ao seu lado.
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  Ao contrário do esperado, apesar de agir de maneira injusta por não saber a verdade de seu passado, mesmo inconsciente o ruivo o buscava ao menor sinal de movimento do outro. Se aninhava nele buscando pelo contato valioso e para sentir o calor emanado pelo corpo.
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  - Me perdoe, meu amor. – murmurou com o mais novo ressonando baixinho em seu peitoral, o pequeno braço circulando a lateral do tronco onde o puxava para si caso se afastasse – Eu vou te tirar desse lugar. Prometo.
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  Damon acordou sozinho na cama pouco antes do início da tarde devido à exaustão emocional da madrugada.
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  Pensou que não veria Sebastian novamente, mas, ao subir no palco do teatro, se deparou com ele sentado no lugar costumeiro para assisti-lo – adorou identificar como foi fitado com admiração, embora houvesse irrevogável arrependimento e melancolia nos globos.
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  De noite, não demorou nem cinco minutos para Satine chegar ao quarto. Bateram na porta.
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  - Quem é? – sentada no colchão, gritou tirando os saltos.
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  Arfou em alívio por se livrar do aperto desconfortável.
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  - Sou eu.
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  Seria impossível não reconhecer a voz de Sebastian.
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  Ao abrir a porta, o homem entrou de cabeça baixa após ela lhe dar espaço para passar.
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  - Não imaginei te ver de novo assim tão cedo. – a fechou lentamente para tomar tempo de se recompor pelo reencontro – Por que não trouxe a sua chave?
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  - Na verdade eu trouxe, sim. – com as mãos nas costas se viraram para ela, quem estava encostada de braços cruzados na madeira.
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  - Então por que não entrou? – franziu o cenho encolhendo os ombros.
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  - Eu não sabia se aceitaria a minha visita.
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  Sebastian inseguro era uma peculiar novidade.
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  - Você não perdeu a minha permissão de entrar e sair do meu quarto livremente e nem de vir me procurar.
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  A esperança das coisas serem como antes das desavenças perpassou no semblante moreno, quem pestanejou em respiração entrecortada.
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  Por sua vez, a cantora não esperava falar aquelas palavras e se julgou pelo seu nível de sinceridade.
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  Satine não estava arisca ou raivosa. Apenas demonstrava certo nível de sensibilidade incomum pelo embate da noite anterior. Queria voltar a tocá-lo ao invés de continuar naquele abismo estranho entre eles por efeito da discussão e de se machucarem, mas se recusava a tomar a iniciativa depois dos últimos meses.
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  O moreno limpou a garganta mudando de assunto.
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  - Trouxe o presente para você, bebê. Vem cá.
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  A vendo se aproximar, mostrou o que escondia nas costas – uma fina caixa preta de veludo. Ao abri-la, o queixo da artista caiu em virtude da riqueza do colar prata cravejado de brilhantes diamantes com desenho em V.
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  Pelo ar faltar nela, o Duque aproveitou para prosseguir.
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  - Tomei a liberdade de comprar esta peça após minuciosa pesquisa sobre qual colar combinaria mais contigo. É sua. Vamos. Deixe-me colocá-lo em você.
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  Calada, ergueu o vestido para caminhar até parar de frente ao espelho, onde, pelo reflexo, o observou deixar a caixa de veludo em cima da cama e se posicionar atrás de si com o colar aberto nas mãos. Para ajudá-lo, juntou os cabelos com uma mão e os levantou. Assim, a jóia foi posta nela em ato delicado, as digitais resvalando pela pele alva causando arrepios discretos. Ao alcançar o pescoço, fechou os olhos por instantes para aproveitar o toque em puro deleite.
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  Sentia tanta saudade do seu Duque...
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  Com o coração acelerado, soltou as madeixas em busca do olhar do moreno no espelho, quem repousou as palmas nos quadris. A pressão tênue mostrava como ainda a queria para si. Entretanto, assim como antes, a decisão foi entregue novamente a ela – e o outro torcia para aceitar as visitas regulares e reatar o que vinham construindo.
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  - Presumo que após a minha conduta indecorosa não me quer na sua vida e não tiro a sua razão. Só me deixe ajudá-la em memória do que vivemos.
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  Por encostar a cabeça no peitoral firme, Sebastian considerou o ato como permissão para intensificar o carinho. Portanto, colou o corpo nela lhe transmitindo calor agradável e enlaçou a cintura a abraçando.
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  - Foi muito bonito. – murmurou saudosa, as lágrimas se formando.
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  - Foi, sim, minha pequena. Talvez não fiquemos mais juntos, mas isso não quer dizer que eu não possa continuar cuidando de você. – levou os lábios até a têmpora, onde deixou beijo casto – Não está mais desamparada. Não precisa se submeter a prostituição nunca mais. Eu cuidarei de você. Sempre.
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  Resistindo a tentação de passar mais uma noite ali, a soltou devagar e tocou a ponta do nariz alvo com o indicador em despedida – pelo menos era o plano.
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  Ates de chegar na porta, sua mão foi segurada pela dela o impedindo de se retirar.
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  - Nós dois nos machucamos o suficiente. – argumentou a loira em tom terno e compreensivo – Não há necessidade de continuarmos nos infligindo dor por teimarmos com essa distância.
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  Quando se virou, notou como não era o único quem lutava contra as lágrimas.
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  - Me perdoa. Eu deveria ter imaginado que acontecia algo de grave contigo. – engoliu em seco.
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  - E eu deveria ter contado. – deu mais um passo para os troncos se tocarem e circulou o pescoço com os braços torneados e a face a cinco centímetros de distância de propósito.
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  Automaticamente envolveu a fina cintura nas destras ásperas em toque característico e conhecido por ambos.
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  - Bebê, se eu...
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  - Chega de suposições tolas.
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  O beijou ávida por vários minutos. Transmitiam sofreguidão, amor, saudade, paixão, perdão e compreensão, agora que a situação estava esclarecida. Derramavam lágrimas deixando a mágoa se esvair como lembrança de um episódio sombrio na relação deles. Gemiam e soluçavam contra as bocas sem se desconectarem ansiosos por aquela união desde o afastamento decidida de maneira impensada por Sebastian por não saber de todas as informações necessárias acerca do intuito de atender ao cliente.
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  Quando se deu por satisfeita, e foi delicioso o quanto isso demorou, o soltou abruptamente para abraçá-lo, quem se aninhou no pescoço alheio. Intensificou o aperto por sentir o cheiro do perfume feminino o qual costumava usar.
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  - Fica aqui, meu amor. Só porque nos machucamos dessa vez não significa que eu não o queira na minha vida. – Satine rogou – Por favor.
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  O soluço masculino veio perante a frase por não esperar a súplica por parte dela.
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  - Me perdoe, minha pequena. Sinto muito pelo que aconteceu. Eu te amo.
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