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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 24

  A partir do dia seguinte, usufruiriam de intimidade como Damon jamais imaginou – e não era somente a destinada para acontecer na cama.
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  Mantendo o combinado, deixava sempre o quarto trancado como medida de segurança – independentemente de estar no espaço ou não.
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  Quando Sebastian entrava nos seus aposentos particulares carregando a própria chave no bolso da calça sempre que saía de casa para ir ao Moulin Rouge, puxava Satine para si a beijando ávido, saudoso do gosto e da textura magnífica daqueles lábios. Não demoravam para se despir, necessitados da união maravilhosa que os rodeava a cada vez. Não se importavam se a maquiagem borraria ou marcariam os respectivos corpos com os toques cheios de possessividade e ansiedade para sentirem o amor atingir os corações cujo clamor pelo alívio transcendia o plano físico, se perdendo nas profundidades dos olhos um do outro ao gozarem trêmulos e suados em orgasmos indescritíveis.
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  Era a junção de duas almas apaixonadas num contexto onde ainda não era possível mostrar o amor e a paixão a luz do dia. A noite se tornou a melhor aliada do casal. Os escondia da hipócrita sociedade inflexível de pensamentos e ideias retrógrados, lhes proporcionando total liberdade para se amarem sem pudores e sendo a verdadeira conhecedora da relação.
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  Sebastian era ensandecido por demonstrar para Damon e Satine o quanto os amava. Os toques eram carregados de sentimentos não expressos verbalmente tornando a experiência intensa ao percorrer a derme alva explorando cada vão, a textura macia e as protuberâncias discretas dos músculos firmes em amáveis carícias.
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  - Eu te amo. A sua existência é importante para esse mundo e indispensável para mim. A sua vida é valiosa para mim. É a pessoa mais encantadora quem já conheci.
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  As frases eram dispostas por meio dos beijos, dos carinhos, das expressões faciais e do esforço em agradá-los na cama, orgulhoso e satisfeito por encontrarem o alívio em suas mãos, em sua boca ou ao penetrá-los.
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  Damon e Satine veneravam o corpo do Duque. O manuseavam com maestria, fascinados em lhe dar prazer simplesmente por amarem esse homem tão insistente, atencioso, paciente e gentil quem não deixou de visitá-los uma única noite – mesmo resistentes em contar como o amava, o mostrava a cada segundo quando estavam naquele espaço cuja finalidade não era somente voltada para o descanso, mas também para se amarem sem interrupções no lugar que se transformou no recôndito particular dos apaixonados amantes ardentes.
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  Independentemente de como Satine ou Damon se vestiam, os pegavam no colo os mantendo seguros em seus braços fortes até alcançar a cama, onde os deitavam com zelo. Se estivesse transvestido, tirava o vestido sem rapidez para não correr o risco de danificá-lo – e a cantora agradecia pelo gesto atencioso.
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  Não era sempre que os enlaces aconteciam – e isso não era uma questão negativa para o Duque.
  Às vezes estavam cansados ou algo abalava Damon – ou melhor, Damon se sentia culpado por se vender mais cedo para outro Lorde. Se sentia barato, sujo e indigno da companhia do moreno, se culpabilizando pela própria incompetência de se sustentar sem precisar recorrer a prostituição para atingir o mínimo de dignidade.
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  Como era transparente até demais sobre suas emoções, não obstante da tentativa de ocultá-las ou disfarçar o estado de espírito, o outro detectava o abalo emocional.
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  - Qual o problema, meu pequeno? – angustiado, embalava a face chorosa de Damon nas palmas – Conversa comigo. Não vai para onde eu não possa encontrá-lo. Eu fiz alguma coisa? Alguém te machucou?
  Inúmeras foram ocorrências onde o encontrou cabisbaixo – e, dependendo de como foi o tempo com outro homem no período diurno, contendo o choro.
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  - Nada. – sentado no colo alheio, foi impossível impedir as lágrimas rolarem pela pele por enxergar tamanha preocupação no semblante aflito a centímetros do seu – Só não quero conversar sobre isso. Por favor. Não dá. – soluçou tampando a boca com a mão e encolhendo os ombros – Não me obrigue, meu amor. – completou quase inaudível devido a intensidade da catarse.
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  Por fim, sem uma alternativa, o acolhia lhe dando todo o carinho capaz de distribuir em afagos e beijos meigos.
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  - Eu vou cuidar sempre de você, meu amor. – o assegurava em murmúrios roucos – Eu prometo, comigo estará sempre seguro.
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  Permaneciam naquela posição por quanto tempo fosse necessário o ruivo chorar – Damon deitado sobre si e o Duque o consolando até adormecer carregando profunda culpa pelo dinheiro guardado no armário que resultava em seu sofrimento.
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  Quem não aprovou a ideia de manter sempre o cômodo trancado foram os amigos por perderem o livre acesso para transitarem lá como de costume. Não era por mal. O quarteto tinha a permissão de entrarem ou saírem dos quartos uns dos outros pela confiança oriunda dos anos de amizade. A oscilação comportamental foi intrigante. Logo, o obrigaram a contar a verdade acerca da mudança repentina após várias reclamações incessantes ao longo dos dias. Ao escutarem o relato, concordaram e lhe deram razão – além de impedirem Dean de ir atrás de Patrick pelas ruas, é claro, quem se enraiveceu pelo ato criminoso contra a amiga.
  - É hoje que o bastardo paga! – esbravejou pisando firme no assoalho – Vou pegar a minha arma!
  - Calma, calma!
  - Mata, não!
  O desespero dos demais não era infundado porque realmente escondia uma arma embaixo da cama e corria um boato de que chegou ao cabaré fugido pelo assassinato de um primo com quem já tinha uma rixa e o humilhou por descobrir do romance com outro homem há anos.
  O único arrependimento foi não poder comparecer ao enterro o esbravejando pelo caminho dizendo que nem a alegria de enterrá-lo o defunto lhe deixava desfrutar.
  Simon o impediu de se retirar lhe agarrando por trás, Damon trancou a porta e Marie apanhou a chave para escondê-la entre os seios – enxergando como era útil para evitar uma tragédia naquele momento.
  Tragédia ou fortuna – depende do ponto de vista.
  - Amigo, espera porque há rumores de que o ruivinho aqui já foi vingado. – avisou a mulher na frente da porta por precaução e os braços pressionados contra os seios para o impedir de alcançar a chave caso a alcançasse.
  - Oi?!
  Três cabeças se viraram na direção dela em expressões faciais distintas.
  - Meu último cliente contou que Patrick foi misteriosamente encontrado num beco quase morto. – contou com euforia denunciando como aprovava o ato – Ninguém viu nada e ninguém sabe o porquê.
  - Zidler. – explicou Simon sem confiar nas próximas ações do outro, então não o soltava – Becos são a marca registrada dele para o acerto de contas ou vingança.
  - Quando finalmente estava se recuperando, o flagraram apanhando nos fundos do Moulin Rouge. – prosseguiu, dessa vez fitando Damon em írises perspicazes.
  - Aí não é Zidler, não. – afetado, Dean pôs as mãos na cintura visivelmente pensativo – Ele nunca permite acertos de contas ou violências aqui. Resolve assuntos pendentes fora do perímetro do cabaré para não sujar a imagem daqui.
  Como o sentiu mais relaxado, Simon o largou ajeitando as mangas da camisa.
  - Nunca descobriram o mandante e nem o motivo, mas... – Marie se aproximou do ruivo, quem esboçava um sorrisinho tímido – Acho que podemos imaginar quem está por detrás disso.
  - Sebastian. – proferiu ruborizado.
  Damon nunca pensou que acharia um ato violento estranhamente romântico na mesma proporção.

  Sebastian passou a comparecer no teatro com mais frequência para admirar Damon nos palcos e prestigiá-lo na outra profissão. Costumava se posicionar na primeira fileira bem no centro para não o perder de vista e se alegrar em identificar nele a franca alegria discreta sem sair do personagem ou errar as falas ao se deparar com o amante ali.
  Assim como esperava, os globos castanhos buscavam os seus na plateia e brilhavam ao encontrá-lo quando entrava em cena.
  Tudo acontecia em perfeita discrição no decorrer dos meses até Bia decidir acompanhá-lo – para o seu terror.
  O motivo era simples: a irmã era astuta demais e o conhecia bem até demais – terrível combinação quando se esforça para esconder seus sentimentos.
  E é claro que não demorou vinte minutos para a mulher descobrir que, certamente, o ator ruivo era o homem por debaixo das roupas femininas de Satine.
  O irmão sentiu calafrios a observando medir o rapaz de cima abaixo, como se o comparasse com a beldade quem viu cantar no Moulin Rouge. Detectou a faísca de vitória na face esperta ao balançar a cabeça em afirmativa com um meio sorriso desenhando os lábios enquanto lançava olhares alternados entre os dois – e que os céus o ajudassem a impedindo de cometer algum ato inescrupuloso.
  Para ela, as reações dele eram óbvias, ao contrário das outras pessoas pela sutileza e por desvendar facilmente a linguagem corporal do mais velho – as írises dilatadas, a centelha de admiração no semblante, os dedos se esfregando como se desejasse tocar em alguém específico pela delicadeza dos movimentos e o minúsculo sorrisinho espontâneo de canto de boca quando o outro surgia no palco.
  - Você tem duas opções. – comentou ela baixinho ao fim da peça enquanto todos iam embora – Ou mantém a sua dignidade e me apresenta como sua irmã para o menino ou eu o chamo para tomar chá conosco no meu restaurante preferido ou na minha casa na sua companhia.
  - Quê? – a frase o empalideceu a fitando em assombro.
  - Agradeça porque ainda te dei opções. Será qual delas?
  As sobrancelhas arqueadas, o queixo empinado e o biquinho decidido não deram espaço para recusas.
  Junto ao irmão, se esgueiraram pelo espaço perguntando onde poderiam encontrar o rapaz até chegarem no camarim de Damon, onde o viram tomando água se abanando devido ao calo.
  Como não esperava pela visita – menos ainda pelos visitantes – quase caiu da cadeira ao vê-los atravessar a porta e fechá-la.
  - Olá, querido! – afável como era somente com quem lhe despertava amorosidade, lhe deu um abraço desajeitado pela posição desfavorável para contatos corporais como aqueles – Como é bom finalmente conhecê-lo! – beijou o topo das ondas macias antes de se afastar e se colocar ao lado do irmão.
  - Finalmente?!
  Estranhando a frase, se pôs de pé em expressão perplexa e confusa buscando a resposta para o surgimento da dupla ali na expressão do Duque.
  - Esta é a minha irmã. – a fisionomia mostrava como se desculpava sem necessariamente usar a linguagem verbal – É bastante decidida e insistente para não dizer teimosa. – baixou as pálpebras implorando internamente para ela mudar os planos.
  - Biancca, mas não se preocupe em chamar em Bia. – em enorme sorriso, estendeu a mão para o rapaz.
  - É a pessoa mais insana quem já conheci na minha vida, mas eu juro que tem bom coração. – tanto o teor da frase quanto o tom próximo a um gemido melancólico despertou em Damon a vontade de rir. Sem tecer comentários, beijou a destra por cima da luva branca de renda.
  - Se não fosse por mim, sua vida não seria tão emocionante. – ralhou lhe dando um peteleco no ombro.
  - Não precisava de emoção extra, não. – piscando, gesticulava em tom humorado com uma pontada de ironia – Os poucos fios grisalhos no meu cabelo são frutos dessas suas emoções impostas a mim contra a minha vontade.
  Antes de Bia refutar, Damon gargalhou se divertindo com o diálogo e em como os dois eram opostos. A interação trazia humor natural pelo contraste das personalidades – uma ponderada e outra ousada.
  - Você tem senso de humor. – o comentário feminino era carregado de aprovação – Bom sinal. – completou gostando dele sem medir esforços.
  - Olhem, me desculpe me intrometer, mas acho justo saber por que vieram até aqui. Sou Damon, inclusive.
  - É bonito, sua voz é macia, aparenta ser gentil e certamente meu irmão não o visita sem motivos. Gostei de você, Damon. Inclusive, sei sobre vocês e não é motivos para se preocupar ou assustar. – avisou instantaneamente porque o rapaz precisou se apoiar no recosto da cadeira para se manter de pé devido aos joelhos falharem na função de sustentá-lo em virtude das palavras dela – Sempre soube que meu irmão não gosta de mulheres e o apoiei nisso. Com isso em mente, gostaria de lhe propor algo.
  - O quê?
  - Vim convidá-lo para tomar um chá conosco na minha casa. Almejo conhecê-lo melhor e nos aproximarmos. Afinal, quero saber quem é esse encantador rapaz por debaixo das roupas femininas daquela cantora estupenda de linda quem vi se apresentando no Moulin Rouge.
  Eram informações demais para digerir.
  Como ela queria conhecê-lo? Chamá-lo para um chá em sua casa sabendo da diferença social, como era marginalizado e que era o amante do irmão quem constituiu família com alguém da mesma posição hierárquica na sociedade? E como, infernos, sabia sobre Satine e que se apresentava no Moulin Rouge?!
  Cada pergunta era mais absurda comparada a anterior.
  Trêmulo, suando e pálido, falou:
  - Eu preciso de ajuda para me sentar. Foram informações demais em menos de dez segundos para eu lidar.
  - Ai, meu Deus!
  Sebastian o alcançou antes dele cair no chão. O colocou na cadeira em gesto cuidadoso enquanto a irmã retirava as luvas e as usava para abaná-lo.
  - Você é direta demais, Bia. – reclamou se ajoelhando de frente a ele sem se constranger em demonstrar carinho para com o ruivo na presença dela.
  - Poderia ter me contado que o Damon é delicado, poxa. – o assoprava sem se importar em usar a barra do vestido para secar as gotículas de suor na testa alva – Eu teria preparado um discurso mais calmo para conversarmos. Inclusive, aceita o meu convite, querido?
  - Pro chá? – a olhou de soslaio.
  - Sim.
  Buscou qualquer vestígio de aviso na face de Sebastian para evitar o convite. Para a sua perplexidade, o moreno assentiu.
  - Estamos seguros com ela, bebê. – como se fosse para demonstrar a afirmativa, deu um selinho o segurando pelo rosto – Minha irmã não é má pessoa. Só não tem muito juízo.
  - Isso eu percebi.
  Ela apenas não lhe deu um peteleco na orelha pela súbita indisposição alheia.

  Três dias depois Damon escondia as destras no bolso da calça para não mostrá-las trêmulas enquanto falava seu nome para o empregado, quem de imediato o pediu para entrar e o anunciou para a dupla conversando confortáveis no sofá.
  Levando em consideração o vocabulário dela e a espontaneidade, não se surpreendeu por encontrar Bia deitada no móvel com a cabeça nas pernas do irmão.
  - Damon! – o semblante foi tomado de alegria ao vê-lo em suas roupas mais pobres ao lado do trabalhador cujo uniforme era impecável e de qualidade superior em comparação da sua.
  Correu para o rapaz lhe abraçando enquanto o irmão se levantava em meio sorriso afável.
  - Não imagina como me alegro por aceitar o meu convite. – se separou rapidamente – Pode trazer o chá da tarde, por favor? – se dirigiu ao outro, quem se retirou após o aceno de cabeça – Vem, entra. – o guiou para o interior.
  Notando a insegurança em dúvida se era prudente se acomodar junto ao amante, Bia comentou.
  - Sinta-se à vontade para sentar-se onde quiser, querido. Vou ficar na minha cadeira preferida.
  A frase não passava de uma desculpa para permiti-los aproveitarem a companhia juntos – e soube disfarçar bastante ao longo das horas o quão desconfortável estava na poltrona por achá-la dura para si desde quando efetuou a compra.
  O irmão lhe lançou um sorriso de agradecimento ao esticar a mão na direção do ruivo, quem a segurou. Franzindo o cenho por notar a pele fria pelo nervosismo, o puxou para se acomodar ao seu lado.
  O fato de haver um espaço de distanciamento entre eles lhe chamou a atenção.
  - Oi. – em gesto de apreensão, esfregava as pontas dos dedos para dissipar a ansiedade.
  Sebastian controlou a vontade de tocá-lo com amorosidade como desejava.
  Não foi sem motivo que o Duque escolheu aquele ponto específico da sala particular da irmã. Lhe proporcionava visão ampla do corredor para não correr o risco de serem vistos.
  Antes de Bia começar a falar, o mordomo chegou trazendo uma série de alimentos de aparência deliciosa – bolinhos, biscoitos e diversos outros doces da pâtisserie, padaria francesa cujo público-alvo era a alta sociedade.
  - Espero que seja do seu gosto. – começou a mulher enquanto o outro organizava da melhor maneira os alimentos – Têm três sabores de chá diferentes, creme, açúcar, mel, água e suco. Não conheço exatamente o seu paladar, então me guiei pela intuição. Prefere vinho? Se quiser posso apanhar.
  - Não, obrigado. – como não era tão bem tratado pelos desconhecidos, principalmente aqueles cuja posição social era acima da sua, parecia menor do que realmente era por se encolher devido ao esplendor do ambiente e a como cada mísero canto sinalizava a sua inferioridade no mundo do Duque – Para mim está tudo ótimo.
  Sem dúvida o irmão comentou sobre sua sobremesa favorita porque haviam várias guloseimas desse sabor.
  O mirou cheio de ternura com um suspiro prolongado de agradecimento. Em réplica, aproveitou como o mordomo estava posicionado de costas para si e arrastou rapidamente as digitais pelo sofá até afagar com o polegar a pele fina do pulso, já que as mãos estavam posicionadas ao lado dos quadris.
  Sem pronunciar nenhuma palavra, o empregado deu as costas e saiu. Como a irmã tomava o mesmo caminho logo atrás, ousou envolver a fina cintura com o braço e o puxou para si beijando a têmpora em seguida.
  - Está tudo bem quando estivermos aqui, pequeno. – murmurou em tom o qual Damon era o único capaz de escutar por sentir como enrijeceu os músculos.
  - Fique à vontade, Damon. – fechou a porta retornando para a poltrona – Enquanto esta porta estiver trancada, ninguém tem a permissão de entrar aqui. Todos os meus empregados sem exceção sabem disso, então não se preocupe com demonstrações de afeto entre vocês. Ninguém os flagrará aqui.
  A tarde foi gloriosa.
  Bia era divertida, carismática e naturalmente engraçada. Enxergava a forma como o rosto do irmão iluminou desde a chegada do convidado, quem demorou um pouco para se tranquilizar. Durante a análise compreendeu como o sentimento era recíproco, principalmente pelos discretos toques costumeiros, como se buscassem pelos registros sensoriais um do outro – dedos entrelaçados, palmas unidas, ombros e bochecha afagados.
  O bom-humor da mulher o conquistou – e foi a chave para se acalmar sem perceber. Quanto mais sereno, mais esquecia o abismo colossal entre eles devido a exercerem desiguais papéis sociais pelas classes serem distintas – e a dona da casa não se importava com o mero detalhe, na opinião do ruivo, destoante dos demais da sociedade onde pertencia.
  Bia aprovou a sintonia entre eles tanto quanto Sebastian gostou de vê-la interagindo com o mais novo, quem, agora, repousava a têmpora no braço musculoso. Por sua vez, Sebastian acariciava o pequeno joelho com o polegar.
  Faltando uma hora para anoitecer, precisou ir embora devido ao horário no Moulin Rouge.
  - Foi ótimo, querido. – lhe abraçou em despedida dentro da sala ainda fechada – Espero novas oportunidades para recebê-lo.
  - Obrigado.
  Enquanto se dirigia a porta a qual não seria aberta antes da despedida dos amantes, Sebastian o abraçou por trás mordiscando o pescoço e circulando o peitoral com o os braços o pressionando contra si em gesto caloroso. Em ação automática o mais novo descansou as digitais nos músculos do outro. O rapaz sorria, bastante enrubescido pelo tratamento amoroso na presença da outra – estava acostumado aos habituais carinhos, não deles acontecerem com outra pessoa no ambiente.
  - Te vejo mais tarde, bebê? – murmurou com a voz grave contra a pele convidativa.
  - Sempre. – dessa vez foi o ruivo quem ousou lhe dar um selinho estalado em expressão adorável cuja percepção foi captada e aprovada pela mulher.
  Só quando Damon virou a esquina carregando alguns aperitivos oferecidos dentro de uma sacola, Sebastian disse para a irmã no degrau debaixo, ambos parados na entrada da casa:
  - Nunca pensei passar por essa situação.
  - Qual?
  - Você querer conhecer o meu amante. – se curvou para sussurrar a frase na orelha feminina.
  - Ele não é um amante insignificante. É o homem por quem se apaixonou. – contou no mesmo tom de voz.
  Para facilitar a comunicação, se espremeu no mesmo degrau dela.
  - E o sentimento é recíproco. – prosseguiu a irmã.
  - O que achou dele?
  - Encantador. É irrevogável que sofreu muito num passado talvez até recente, se a minha dedução estiver certa.
  - Como assim?
  - Agiu de maneira acuada, como se esperasse passar por constrangimentos, humilhações e maus-tratos ou como se não se sentisse digno ou pertencente a sua vida. – cruzou os braços reflexiva – Se deixar ele os segredos para si.
  - Eu tento conversar com ele sobre isso, mas nunca consigo. O Damon não se abre por completo comigo. É frustrante porque quero ajudá-lo e teima em se esquivar.
  Bia agradeceu mentalmente de o irmão encarar o horizonte. Do contrário, vislumbraria a faísca de compreensão mais ampla da situação – e ela dava razão a Damon de se recusar em contar tudo sobre si.
  - Irmão... – apoiou o cotovelo direito sobre o braço esquerdo, as pontas dos dedos repousadas no queixo – Ninguém chega num cabaré porque está bem. Ninguém gosta de contar sobre suas desgraças e sofrimentos particulares. Apesar de discordar tanto quanto você dessa resistência dele em não lhe contar sobre o passado, há um ponto positivo nisso.
  Decidiu focar o assunto em outro tópico igualmente relevante – com a diferença que, dessa vez, traria segurança para Sebastian ao invés de dúvidas.
  E aquela conversa junto às percepções de Bia seriam cruciais num futuro próximo. Disso ela tinha certeza.
  - Qual?
  - Ele não está interessado no seu dinheiro. – o fitou com seriedade – Qualquer pessoa na posição de Damon não hesitaria em lhe extorquir. Não é o caso.

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