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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 26

  Damon passava por uma das piores fases da vida.
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  Graças ao último encontro com Sebastian durante a madrugada, aceitou que o Duque jamais o amou e o manipulou por meio da sedução para se divertir às suas custas sem imaginar que não era o único quem sofria com a quebra de comunicação e a ruptura da relação.
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  Quantos foram os momentos em que podia jurar que sentiu ser amado por Sebastian? Vários – e as demonstrações de afeto alheias eram para além dos beijos e das carícias ousadas.
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  Mostrava quando lhe trazia a sobremesa do sabor favorito aos sábados religiosamente, mesmo em pedidos tímidos para não o fazer com medo de se apegar ao Duque mais ainda pelo zelo apresentado. Mostrava no teatro quando ia para vê-lo – mesmo se já tinha assistido a mesma peça mais de quinze vezes e reagia o fitando com encantamento do mesmo jeito. Mostrava quando passava a noite em sua companhia, mesmo sem realizarem outras atividades além de conversar – e o interesse do moreno por si era inegável, principalmente graças aos burburinhos das outras prostitutas pelo moreno parecer entediado antes de Satine subir no palco. Mostrava quando se encontravam na casa de Bia, o recebendo afável e lhe entregando carinhos na companhia da irmã de Sebastian – desde que a porta estivesse fechada para os empregados não os flagrarem juntos. Mostrava pelo tom de voz macio, pelo brilho especial nas írises ao admirá-lo em ambas as versões, nas palavras doces e em cada beijo apaixonado. Mostrava quando se interessava pelo seu dia, perguntando se ocorreu tudo bem e lhe dando espaço para elaborar caso algo ruim tivesse acontecido. Mostrava quando, por vezes, a cantora lhe contava sobre as picuinhas, fofocas e problemas oriundos da inveja pelas outras cortesãs não desfrutarem das mesmas regalias – e era aconselhada sobre a melhor forma de lidar com a situação. Mostrava quando o acolhia em seus braços em diversas ocasiões enquanto chorava copiosamente pela culpa de se deitar com outros homens no período diurno.
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  Ao longo dos anos desde a chegada ao Moulin Rouge aprendeu como os toques e os enlaces meramente carnais divergiam de quando existia sentimento. A sua identidade era ignorada. Não importava se gostava, se era dolorido ou se a velocidade era rápida demais. Se resumia a um convidativo pedaço de carne com dois buracos para servir a quem o procurasse em busca de seus serviços.
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  Era usado em troca de dinheiro ao invés de amado.
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  O uso envolve a satisfação de uma das partes.
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  No amor há pilares – respeito, cuidado, fidelidade e afeto.
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  Ser usado não é sinônimo de ser amado.
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  Infelizmente, era atuante do baixo meretrício e não passaria disso – inclusive porque a conduta de Sebastian serviu para a confirmação de não haver esperança de sair daquele maldito lugar.
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  Aceitando a dura realidade, passou a trabalhar mais regularmente. Resignou-se a subir para o quarto com todo e qualquer cliente que procurasse pelos seus serviços, independentemente da idade ou do nível social. O importante era quanto o outro estava disposto a pagar – e por ser um dos únicos gays dali o valor costumava ser alto, inclusive pela sua beleza e sua juventude.
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  Seu prazer, se era bem tratado, se havia gentileza, como se sentia... Nenhum desses aspectos sobrepujava ao crédito do capital ganho em detrimento de sua essência, a ferindo pelo autoflagelo como punição inconsciente por se enganar novamente a respeito da índole da pessoa por quem se encantou e realmente acreditar que alguém o amava naquele mundo onde homens como ele jamais seriam respeitados ou benquistos pela sociedade preconceituosa – sociedade essa cujos vários homens o buscavam durante o dia para satisfazerem seus desejos e, perante as pessoas, defendiam a moral e os bons costumes cujas regras nem eles seguiam por contratar os serviços de quem se vendia.
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  Os amigos buscavam ajudá-lo – e não poderiam estar mais frustrados por não obterem êxito.
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  - Damon, pelo amor de Deus! – arrumando a cama, Marie reclamava o vendo levantar as calças e tampando as marcas vermelhas dos fortes tapas recebidos na bunda – Isso é prejudicial para você!
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  - Pelas minhas contas esse é o quinto quem sai daqui e ainda nem é meio-dia. – confirmou Simon em tom de desaprovação pelo comportamento e jogando a camisa branca no ar para o ruivo pegá-la.
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  - Querem que eu não trabalhe? É isso? – rebateu ajeitando a gola e começando a abotoar a peça debaixo para cima.
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  - Queremos apenas que entre juízo na sua cabeça. – Dean estalou os dedos em som alto para o rapaz mirá-lo em olhar irritadiço – Você pode ser pago para entregar prazer, sim, inclusive porque está sofrendo pelo desaparecimento de Sebastian, e nem pense em me contradizer no óbvio, mas não significa que precise machucar o seu corpo no processo.
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  - Não vale a pena, amigo. – a mulher beijou o ombro baixo enquanto Damon fechava as calças.
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  Definitivamente, deveria ter resolvido sozinho o assunto do sangramento em virtude da leve fissura ao invés de pedir ajuda para eles.
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  Pelo menos não sentia mais dor e nem continuava sangrando – como se aquilo fosse comparado ao martírio sentido por Sebastian partir o seu coração.
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  Na mesma proporção, Sebastian estava longe de viver seus melhores dias.
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  Sofria de insônia, não se alimentava bem, escuras olheiras surgiram e, visivelmente abatido, guardava a dor para si – exceto quando estava na companhia da irmã cujas visitas aumentaram em assombrosa frequência.
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  Grace, mesmo em sua consciência infantil, buscava animá-lo.
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  Buscava presenteá-lo com seus doces preferidos e desenhos criados. O afeito seria bem mais potencializado se, nos traços, não existisse a presença do ruivo e se ela não dissesse ao lhe entregar as balas:
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  - É para você e pro tio baixinho, papai.
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  Em busca de evitar os amantes se encontrarem, Bia, no dia seguinte a descoberta do irmão sobre como Damon se prostituía, enviou um mensageiro de confiança ao teatro e, após procurar o ator com o nome e as características citadas pela mulher, entregou o bilhete ao rapaz onde dizia que, por enquanto, ela o aconselhava a cancelar as visitas nas sextas-feiras.
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  Ultimamente preferia a companhia da filha – quem o distraía e lhe alegrava apesar das adversidades – e de Bia – quem, ao contrário de Grace, o colocava como responsável pelas próprias ações cinco minutos depois de começar a se lamuriar ou a beber.
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  - Por que é tão difícil me escutar? – em compreensível tom grosseiro, tirava a terceira taça de vinho das mãos masculinas ingerindo o líquido adocicado pedindo paciência mentalmente – Se quer resolver o Diabo desse assunto pendente, vá conversar com o Damon! – a colocou na mesa de cabeceira ao lado se esforçando em não exercer força extra para não quebrá-la.
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  - E quantas mais vezes precisarei responder que isso vai acontecer quando o inferno gelar?
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  Descalços no amplo quarto dela, estavam acomodados na macia cama de casal.
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  Para controlar o temperamento, a mulher tomou longo gole direto do gargalo da garrafa de vinho.
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  - Você só vai descobrir o que aconteceu se praticarem uma forma de comunicação muito comum e aceita pela sociedade cujos resultados são dignos de pararem eventos quase irreversíveis como o andamento de uma guerra. Sabe o que é?
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  - Provavelmente seria aguardar o momento propício para enriquecer por meio de dissimulação enganando tolos apaixonados.
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  Impaciente, terminou de beber o vinho rolando os olhos desprezando a frase e repousou a garrafa no chão para apanhar o travesseiro e bater nele.
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  - Conversar, inferno! – gritou enquanto o golpeava incessantemente – Nunca ouviu sobre essa capacidade humana, não? – o atingiu pela última vez antes de largar o travesseiro entre as pernas cruzadas – Você vai lá, dialoga com a pessoa em questão, ouve os argumentos dela, pondera com o seu ponto de vista, provavelmente descobre coisas que você não sabia até então e resolvem as questões se baseando, muitas vezes, naquilo que a outra parte não tem coragem de contar. É simples!
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  - E o que o Damon não teria coragem de me contar?
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  - E eu lá sei?! Não é para mim que tem de perguntar, não. Me chamo Damon Smith, tenho cabelo ruivo, sou homem e branca, por acaso?
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  Demorou para a irmã, Akil e Ralph convencê-lo a procurar pelo antigo amante – não comentou nada sobre a decisão para o trio e nem mencionou que estava farto de lidar com a ressaca por tomar tanto vinho.
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  Invadiu o Moulin Rouge discretamente durante a apresentação de Satine. Para não ser identificado, passou ligeiro e de cabeça baixa atravessando, os cantos escuros resistindo a tentação de fitá-la e se obrigando a sentir repulsa pela voz melodiosa – como se isso fosse sequer possível.
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  Aguardou sentado em seu típico lugar, o sofá localizado no canto do cômodo. Levou cerca de trinta minutos para a artista chegar – e não estava desacompanhada.
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  Detestou a visão dela entrando aos risos e recebendo um íntimo abraço por trás de um homem beirando aos sessenta anos cujos fios grisalhos e a pele macilenta lhe davam o aspecto de envelhecimento precoce.
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  Se não fosse o suficiente, mordiscava a pele alva do pescoço da cantora lhe despertando risinhos – foi impossível não notar como os sons eram diferentes comparados aos reproduzidos quando estava com o Duque e a curiosidade pela razão disso despertou nele.
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  Se impeliu de recordar do último encontro com Damon naquele quarto para apagar qualquer vestígio de esperança sobre voltarem a ter contato como antes.
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  - Odeio estragar os planos de vocês, mas já havia combinado previamente que a noite dela seria em minha companhia. – avisou com frieza em expressão impassível.
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  A fala os sobressaltou e se viraram para ele, encontrando o Duque com os músculos retesados e o maxilar travado.
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  Inúmeras foram as emoções perpassadas na fisionomia de Satine além da perplexidade – desde amargura até cólera.
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  Não ignorou como se apoiou sutilmente na parede e nem em como crispou os lábios ao vê-lo depois do último encontro ao acaso.
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  Em contrapartida, Sebastian engoliu em seco mantendo a máscara de indiferença para esconder o próprio calvário.
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  - E me recuso alterar o trato. – o Duque pressionou lançando um olhar gélido para o mais velho, em alerta silencioso para se retirar sem levantar questionamentos ou suposições vãs.
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  - Verdade, querido. – como se para provocá-lo, enterrou as falanges nos cabelos escassos e lhe deu um selinho rápido – Esqueci disso.
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  Não concordava com a intromissão, mas, nas atuais circunstâncias, era bem-vinda e poderia usá-la a seu favor. Como as semanas eram bem atarefadas, estava dolorida devido ao trabalho movimentado – e a ideia de recusar aquele cliente era aprazível demais para dispensá-la.
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  - Posso aguardá-la terminar com ele. Fico do lado de fora.
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  Se Satine soubesse como Sebastian era possessivo e ciumento com quem ele considerava pertencer a ele, jamais permitiria o outro de repousar as mãos no quadril e puxá-la para si encaixando o pau duro perfeitamente nela e soltando um arfar pela onda repentina de excitação.
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  Para não permitir o antigo amante identificar a repulsa, ficou de frente para o cliente enlaçando os braços no pescoço em ar sedutor.
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  Por estar de costas para Sebastian não viu como a expressão se tornou assassina e nem como se agarrou ao braço do sofá na tentativa de se conter, a palma coçando para apanhar a arma a qual carregava consigo no período noturno por medida de segurança – e estava carregada e guardada na gaveta da mesa de cabeceira, onde a colocou ao chegar ali.
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  - Ela é minha até amanhecer. – esbravejou com as narinas dilatadas e os olhos injetados – São tantos os clientes que esqueceu do combinado comigo.
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  O comentário saiu ácido – e a cantora não deixaria aquilo passar impune.
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  - É verdade. Sou bastante disputada e meus serviços são muito bem pagos. Só é uma pena alguns Duques não saberem me satisfazer de verdade.
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  Na hipótese de ser esbofeteado por ela, obviamente doeria bem menos pela indireta ferir seu orgulho e sentir-se insignificante pela primeira vez na vida.
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  Se o pobre coitado tivesse juízo e fitasse por um ínfimo instante a face do moreno ao invés de focar na beleza magnética de Satine, teria saído ao invés de deslizar as digitais até agarrar a bunda por cima do vestido.
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  Foi quando Sebastian chegou ao limite.
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  Repudiava a violência. Havia casos em que eram, sim, necessários de se usar força bruta.
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  Impaciente, a ignorou porque demandaria tempo – e não estava disposto a se atentar a qualquer outro elemento além do alvo.
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  Violento, avançou contra o cliente. O agarrou pela cara lapela com tamanho impulso que escutou o som do tecido descosturando e o arrastou até a janela aberta, sem se importar se derrubava objetos pelo caminho. Subjugando-o, o empurrou em direção ao assoalho para se ajoelhar e, se posicionando atrás dele, impulsionou a cabeça para baixo o forçando a encarar os vários metros de distância que separava o aposento particular do chão na rua.
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  A altura era assustadora. Ao menor deslize não sobreviveria jamais – e o vento frio nos fios ralos era o lembrete disso.
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  - Se até a moça recusa a sua companhia para desfrutar da minha, certamente têm motivos plausíveis para isso. – a voz rouca beirava a crueldade – E eu vou explicar quais são. Meu temperamento é infernal e odeio que me contradigam. Entretanto, como é um dos meus, vou lhe fazer uma proposta irrecusável. Ou vai embora ou o jogarei daqui. A minha arma está guardada, porém não quero sujar com o seu sangue o quarto onde passarei o restante das horas até o amanhecer. Qual a sua escolha?
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  Não pretendia empurrar ninguém. Não concordava com assassinatos e não era assassino. Todavia, se precisava blefar numa demonstração talvez realista demais sobre como estava disposto a tirar a vida de alguém para ficar sozinho com Satine, o faria da maneira mais convincente possível.
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  A cantora se chocou ao ponto de paralisar, acompanhando a cena de queixo caído.
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  Sem alternativa e focado em permanecer vivo, foi embora em total estado de terror assim que foi largado.
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  - Qual o problema, seu desgraçado!? Ele iria me pagar bem! – Sebastian não merecia a sua cordialidade, então não seria gentil em nenhum momento.
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  - Não se preocupe. – se encaminhando para o sofá, apanhou o grosso bolo de dinheiro no bolso dianteiro da calça – Não vim despreparado. – jogou o maço enrolado com elástico para ela, quem o apanhou no ar – O valor cobre a sua noite?
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  Não se aproximaria dela nem para entregar o dinheiro de tão machucado emocionalmente.
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  - Não é o suficiente, mas abro uma exceção em nome dos velhos tempos contigo. – embora fosse muito acima, não perderia a oportunidade de esnobá-lo.
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  Sabia soar cínica quando necessário.
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  - Não esperava menos vindo de você, pequena. – o sorriso era irônico.
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  Convencida, rebateu lhe lançando um beijo no ar.
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  - E o que exatamente quer de mim? – atravessou o quarto para chegar no armário – Cansou da sua esposinha? – no caminho apanhava os pertences espalhados pelo chão e os dispunha no local correto.
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  - Cansei foi da sua manipulação.
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  Apesar do tom rude, não demonstrou abalo.
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  - Meu trabalho envolve ilusões, manipulações e mentiras. – o encarou de soslaio erguendo as notas na altura do peito e as balançando num movimento discreto de pulso – O avisei desde o princípio. Você quem decidiu se envolver nisso. Afinal de contas, não passo de uma cortesã barata, não é?
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  A conversa serviu apenas para trocarem farpas e se machucarem – e claramente não funcionaria dialogar com Satine.
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  Ela era a armadura de Damon. Ela o fortalecia e o ajudava a suportar as maiores vicissitudes da vida.
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  Desde antes daquele reencontro era visível como a persona artística funcionava como o seu alicerce pelas personalidades serem opostas.
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  Talvez se o alcançasse...
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  - Isso é verdade. A prostituta mais linda, desprezível e barata quem tive o desprazer de conhecer.
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  Não se orgulhou da escolha de palavras, de como o tom foi carregado de desprezo e nem em como demonstrou asco – tudo propositalmente. Em compensação, não havia outra maneira de penetrar na fortaleza que era Satine para atingir Damon – e o esforço doloroso atingiu o objetivo.
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  A faísca de desgraça perpassou o semblante outrora orgulhoso e confiante – e foi ali que fisgou Damon.
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  - Porém, não é com Satine com quem vim conversar. – em ar vitorioso, empurrou o interior da bochecha com a ponta da língua – É com Damon.
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  - Com ele é mais caro. – a voz saiu ligeiramente entrecortada. Graças a fragilidade, para o mais velho não analisar o semblante, lhe deu as costas para guardar o capital – E duvido que...
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  - Hey.
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  Direcionou o tronco na direção do moreno. Em reflexo ágil apanhou segundo maço gordo de dinheiro lançado pelo Duque.
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  - Assim como eu disse, vim preparado. É o suficiente?
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  Se o expulsasse, demonstraria sua fraqueza – e isso não permitiria.
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  - Já volto.
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