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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 43

  O retorno de Patrick às gravações foi carregado de surpresas.
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  Para seu infortúnio, viu Sebastian e Damon mais unidos do que nunca.
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  Após a ida ao terreiro e de passarem pela consulta das respectivas entidades as quais os acompanhavam e com quem construíram laços no decorrer dos séculos, aquilo serviu para se harmonizarem mais. O moreno ainda não havia alcançado o patamar de propor um relacionamento verdadeiro para Damon – pelo menos não antes de filmarem a última cena da segunda temporada da série – e não significava que não planejava.
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  Apenas aguardava o momento certo – e seria depois de saírem do estúdio.
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  Indignado, enviou mensagem para Augusta pelos maus resultados do dinheiro investido nos trabalhos espirituais. Quase jogou o celular contra a parede ao visualizar as duas fotos enviadas por ela da amarração e do trabalho de destruição completamente arruinados e a xingou por ouvir o áudio onde simplesmente lhe lembrou o aviso sobre o fracasso dos objetivos quando foi contratar os serviços dela novamente.
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  Concomitantemente, se tornou bastante árduo manter a máscara de simpatia. Dava respostas ríspidas sem necessidade, era grosseiro no tom de voz e o humor era ácido naquele período.
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  Em contrapartida, Michael, a despeito da evidente evolução no passar das encarnações, preservou algumas características. Dentre elas, a mais interessante era a inclinação para a vingança.
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  Nas raras vezes em que se vingava, era de maneira a ninguém descobrir sobre suas intenções. Nunca chegou a prejudicar ninguém realmente. Somente se esforçava para descobrir alguma conduta indevida ou situação onde a pessoa agiu errado – sendo desleal, criminosa, desonesta – e deixava a informação chegar aos ouvidos de quem a cercava – e dava o troco quando era vítima de transfobia.
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  Foi o que aconteceu com Patrick por insistir em se referir a ele pelo feminino no decorrer da semana.
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  – O que você sabe sobre o Sebastian, Mike?
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  Na tarde específica, Celie se acomodou de bruços, nua, ao lado do rapaz igualmente desnudo e sem o lençol para cobrir o sexo.
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  Passaram o feriado na casa de Michael em plena comunhão amorosa, ambas as almas gêmeas saudosas uma do corpo da outra.
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  – Não muito. – resvalava os dedos pelas costas em aconchegante carícia – Não somos tão próximos, mas também não nos tratamos com indiferença. Posso afirmar é que ele e o Patrick são ex. Não faço ideia dos detalhes.
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  – É porque o meu tio queria saber se ele é um homem maleável e toma decisões baseado na emoção ou na lógica.
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  Como se a frase em si não fosse peculiar, a ironia a permeou.
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  – Por qual motivo? – franziu o cenho em curiosidade.
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  – Bom... – retirou alguns fios da cabeleira negra do rosto, se ajeitando no travesseiro – Meu tio é dono do teatro onde uma academia de dança onde dou aulas se apresenta. O caráter não é dos melhores, então acabou fazendo uma pequena merda ao longo dos anos. Agora quer se redimir pelo dano causado ao ator.
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  – Qual dano? – achou graça pela forma como Celie não dava uma resposta direta, então soltou uma risadinha anasalada.
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  – Ele foi subornado para não deixar o Sebastian se apresentar com as peças dele por causa de Patrick, além de receber um valor extra de propina.
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  – Jura? – Michael abriu um sorriso diabólico, com as írises brilhando.
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  – Sim. Eu já desconfiava porque gastou fortunas em passeios internacionais não planejados. Tudo bem, ele sempre foi bom de vida, mas não ao ponto de se dar ao luxo de viajar para o Canadá, para a Turquia e para o Japão no mesmo ano. Enfim. O meu tio não aprovou muito a ideia, mas também não daria para recusar pelo cara ser metido com política. Aí já viu a merda, né? Não se arriscaria em desaparecer em circunstâncias misteriosas e nem se prejudicar.
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  – Gostei de saber disso. – encaixou a unha do polegar entre os dois dentes superiores da frente.
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  Era a hora propícia para deixar a história chegar aos ouvidos corretos.
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  No dia seguinte, quinta-feira, as cenas em questão eram externas. O Sol estava forte. Os atores e os membros da produção se hidratavam por pegarem copos de plástico lacrados com água gelada e alguns usavam leques para se abanar na cidade cenográfica.
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  Michael aproveitou o intervalo entre as filmagens posteriores de Sebastian e Damon para se aproximar do mais velho, lhe entregando dois copos.
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  O anel entregue por Maria Padilha estava no bolso por não caber em nenhum dedo. Por mantê-lo sempre perto de si, a energia concentrada no objeto, aos poucos, absorvia a energia negativa ainda presente graças aos trabalhos feitos por Patrick interferindo na sua vida – em consequência, clareava a mente para ajudá-lo a enxergar melhor as situações obscuras do seu passado.
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  – Está quente demais hoje. Toma. – os estendeu para o homem caracterizado pelo personagem – Vai te ajudar a se refrescar.
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  – Obrigado. – tirou o lacre do primeiro para tomar em longas goladas o líquido transparente.
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  – Deixa eu te perguntar. – despretensiosamente encostou o ombro na porta do carro dirigido pelo personagem do outro – Se você ou o Damon conhecerem algum ator cujas peças foram recusadas nos últimos anos por causa do namorado da época, avisa para mim ou para Celie. O tio dela está com a consciência pesada.
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  – Como é? – abriu o outro para beber.
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  O roqueiro comemorou internamente o questionamento incisivo e a faísca de compreensão pelas informações coincidirem muito com a realidade do moreno.
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  – É. Não sei todos os detalhes, mas há uns anos o coitado foi impedido de se apresentar nos teatros por interferência do namorado.
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  – Como o namorado interferia?
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  – Segundo fontes bem confiáveis, vulgo o responsável por um dos teatros da região, a família do cara é envolvida com política. Aí era fácil subornar e ameaçar, né?
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  As coincidências em relação à sua vida eram inúmeras para simplesmente ignorá-las.
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  Por anos se indagou pelo motivo das apresentações serem recusadas. Se culpabilizou, achou que estava em fase de declínio da carreira na qual se esforçou tanto, que não tinha talento e que cada palavra proferida por Patrick sobre si era verdadeira, chegando ao ponto de acreditar nelas – inclusive presumir que não havia mais espaço para si naquele meio artístico cuja paixão era visível para quem quer que convivesse consigo.
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  Se tivesse recorrido à ajuda familiar ao invés da de Patrick, certamente estaria em melhores condições e não passaria por um terrível relacionamento abusivo onde era constantemente humilhado, insultado e diminuído, cujas sequelas eram ainda presentes nos anos seguintes, e nem seria incapaz de pagar o aluguel e vivenciar a sua pior fase de instabilidade financeira.
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  – Ah... – tentando esconder a irritação, quebrou o contato visual em fisionomia dura, coçando o queixo – Aviso, sim. Vou perguntar para o Damon sobre o assunto. Obrigado por me contar isso, viu? Nos vemos mais tarde.
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  Aquela foi a forma de Michael quitar a dívida oriunda da primeira encarnação daquele grupo, onde, como Kassandra, movida pelo sofrimento, pela amargura e pela raiva de uma sociedade onde não lhe era nem permitida a existência, foi responsável por colaborar com a emboscada cujo resultado seria o assassinato de Damon, Sebastian, Dean e Bia nas terras sulistas do século XVII, no período de escravidão.
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  Por dormir pouco devido à correria da criação do primeiro álbum, Damon foi para o camarim vazio descansar.
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  Como a inconsciência começava a lhe assolar, não ouviu quando a porta foi batida e nem identificou de imediato quem o segurou pelas roupas antes de jogá-lo enfurecido contra a parede.
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  – Estou te avisando só uma vez, garoto. – enraivecido, Patrick agarrava o figurino quase o rasgando com a face vermelha de fúria a centímetros de distância – Fique longe de quem é meu.
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  Embora fosse um homem atraente e de beleza padrão, naquele momento se transformou, a essência malévola interferindo nos traços outrora belos e os deixando tenebrosos pela maldade transparecer através dos poros.
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  – Está maluco, seu escroto de merda? – igualmente tomado pela raiva, o empurrou ouvindo o som do tecido da gola da blusa romper – De quem você está falando?
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  – Não se faça de sonso porque sabe bem quem é. – de punho fechado, socou o peitoral alheio com força suficiente para lhe causar desconforto e produzir um som oco – Fique longe de Sebastian ou...
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  – Ou o quê? – impaciente, se distanciou da parede branca colocando as mãos nos quadris – Vai tentar conquistá-lo novamente para continuar insultando-o? Maltratá-lo? Planeja continuar me hostilizando? Quer saber? Estou pouco me fodendo para você. Só nunca mais na porra da sua vida encoste nele e nem em mim. Quem você acha que é?
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  – Sou o cara que lhe deu abrigo por ser um atorzinho medíocre. – gritou a plenos pulmões, gesticulando e espirrando gotículas de saliva.
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  Quebrou a distância em três passos, o acurralando contra a parede pela diferença de estatura.
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  Apesar da agressividade alheia, Damon não se amedrontou. Pelo contrário. O enfrentou de queixo erguido, preparado para toda e qualquer eventualidade – e ali, naquele cômodo, não estavam sozinhos.
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  Patrick o agarrou pela garganta em movimento ágil, apertando a região devagar. Aos poucos, a passagem de ar foi cortada, obrigando a vítima a agarrá-lo pelos pulsos em tentativas infrutíferas de afastá-lo de si. A pele mudou de cor, passando gradativamente do vermelho para o roxo à medida em que o aperto se intensificava. Produzia grunhidos lutando para respirar, os olhos injetados pelo terror e lacrimejando em desespero de não ser soltado.
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  – E nenhum viadinho de merda vai tirá-lo de mim, garoto. – o empurrou contra a parede.
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  Pela falta de oxigenação, o corpo deu os primeiros indícios de que a inconsciência o assolaria – perda dos movimentos e da força, pálpebras se fechando e cabeça inerte pendendo para o lado.
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  Não imaginou que Sebastian invadiria o camarim e, por ver a cena terrível, lhe daria a maior surra da vida após se certificar de que Damon estava bem na medida do possível apesar do recente atentado.
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  No chão, o rapaz agradecia pela livre passagem de ar se recuperando com um acesso rouco de tosse, a derme retornando para a coloração natural. Ouvia o som dos impactos dos socos ao longe, assim como de gemidos dolorosos e de objetos caindo no chão e alguns se estilhaçando.
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  O trio não estava sozinho.
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  Invisíveis, Padilha, a Cigana e Caveira acompanhavam a situação – e, de certa forma, pelo ódio de como Patrick agrediu o mais novo, influenciavam indiretamente Sebastian, cujos golpes eram impetuosos e certeiros.
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  – Isso aí, tio grandão! Dá nele, sim!
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  Se viraram de costas em direção à voz infantil sem acreditarem ouvir os incentivos alegres.
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  – Que está fazendo aqui, menina? – poucas foram as vezes em que Padilha aparentaria tamanho assombro.
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  – Eu não ia perder isso, não, tia. – aplaudia a surra em comemoração – Se eu ficava sem minha família completa quando voltava, era por causa desse tio mal.
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  – Vamos, pequena. – a Cigana a pegou no colo contra a vontade da criança – Não é para crianças verem isso.
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  – É, sim, porque na hora de não me deixar ficar com todos que amo o tio feio soube direitinho fazer. – agarrada ao ursinho de pelúcia, fez um enorme bico zangado – E nem nunca se arrependeu.
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  – Não tiro a razão dela. – Padilha se viu obrigada a responder enquanto Caveira soltava um risinho rouco pela imagem destoante da menina naquele cenário.
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  O ator estava ensandecido por razões compreensíveis.
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  Se dava conta de como cada comportamento do loiro colaborou para adoecê-lo e prejudicá-lo. Compreendeu como agia de modo a isolá-lo dos familiares e amigos enquanto estavam juntos usando da instabilidade financeira e das dívidas do outro como manobra para evitar que ele se encontrasse com a rede de apoio naquele período cuja necessidade era vital para o seu bem-estar. Compreendeu como o manipulava usando de falsa proteção para não acompanhá-lo nos encontros familiares e recorria a chantagens para fazê-lo permanecer dentro de casa longe do contato humano.
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  Identificou como as críticas carregadas de escárnio e grosseria serviram para desestimulá-lo a levar suas peças para os teatros por fazê-lo crer, devido aos avisos sistemáticos, que não era bom em sua profissão, o obrigando a duvidar do seu talento e quase desistir da carreira.
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  Descobriu quantas e quantas oportunidades de ser minimamente feliz foram retiradas de si graças à interferência do homem – chegando ao ponto de ter uma visão distorcida sobre si e dos seus gostos pessoais que o identificavam numa multidão, como a sua identidade visual e os hobbies, como dançar numa festa, cuidar de algumas plantas ou colecionar livros, o obrigando a vender todos contra a sua vontade.
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  O afastava de sua essência enquanto o culpabilizava por responsabilidades que sequer eram do moreno. Em consequência, o enfraquecia emocionalmente e o fragilizava psicologicamente.
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  E quando flagrou o ruivo quase inconsciente pelo enforcamento...
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  Foi a gota d'água para revidar.
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  Lidaria sem dificuldades com a percepção de viver um relacionamento abusivo. Agora, ninguém nunca seria violento com o rapaz sem arcar com as consequências disso.
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  Sebastian só parou de bater em Patrick quando sentiu o nariz quebrar em virtude do soco e do sangue espirrar, manchando as vestes.
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  O estado do homem era deplorável.
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  Havia lesões roxas pela face, cujos hematomas demorariam a desaparecer, o nariz sangrava, ambos os olhos inchariam e em casa descobriria a perda dos dois dentes superiores frontais. Como se não bastasse, no figurino havia respingos de sangue cujas manchas seriam difíceis de sair.
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  Demorou para Damon se recuperar e finalmente conseguir enxergá-los. Detectou Sebastian curvado na direção do outro, quem, de bruços, tentava se pôr de pé com o corpo dolorido pelos fortes golpes.
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  – Escuta aqui, seu filho da puta. – o agarrou pelos cabelos loiros, o obrigando a erguer a cabeça – Nunca mais na porra da sua vida miserável encoste no Damon. Ele é meu. E eu juro pela minha família. Acabarei com a vida de qualquer um que seja burro o suficiente para agredi-lo. Entendeu?
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  A voz era cortante, em frio tom ameaçador.
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  Embora o cenário fosse violento, em sua opinião, achou a frase insuportavelmente galanteadora – de noite o mais novo refletiria sobre a sua concepção destoante de amor romântico perante a aprovação pela inquestionável ameaça.
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  – Claro. – retrucou Patrick a contragosto.
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  – Me responde uma única coisa. Por que subornou os donos dos teatros para não aceitarem as minhas peças?
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  – Eu nunca...
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  – Eu sei de tudo, filho da puta! – o calou berrando – Não negue. Pela primeira vez seja verdadeiro. – rugiu em tom autoritário.
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  Durante o momento de silêncio enquanto ponderava se o ex merecia a réplica, Damon se aproximou o tocando no braço para tranquilizá-lo e transmitir segurança – principalmente graças àquela revelação estarrecedora.
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  Se dando por vencido, soltou um riso de escárnio pela imagem do casal junto.
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  – Porque é um imbecil que nunca cogitou a possibilidade de eu estar por detrás disso. Não era tão difícil de descobrir. Até para isso você foi medíocre.
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  – Maldito filho da puta. – rugiu, o socando na boca pela última vez antes de se distanciar com o queixo erguido, as narinas infladas e lhe mirando com desprezo.
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  – Calma. – o ruivo se posicionou em sua frente quebrando o contato visual com o ex. Embalando a face nas palmas, avisou em murmúrios meigos – Está tudo bem. Acabou. Já acabou, amor.
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  Abalado com a real dimensão acerca dos atos de Patrick, os olhos de Sebastian lacrimejaram.
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  Sem dúvida as coisas teriam sido mais fáceis caso, no passado, tivesse dado ouvidos à Padilha. Não cometeria o terrível erro de se envolver com o ex, quem atrapalhou a sua jornada. A saúde mental também não seria abalada, visto que, na época, apresentava sintomas de depressão oriundos de todo o contexto e das circunstâncias nas quais se encontrava cada vez mais enredado pelo homem, sendo subjugado diariamente e diminuído, pondo em prova até a sua capacidade artística, duvidando do talento construído arduamente ao longo dos anos e distorcendo a visão sobre si.
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  O maior arrependimento era, de fato, a assimilação de como jogou fora o período da sua vida cujo retorno seria impossível de recuperar. Quando escolheu Patrick anos atrás, não imaginava como aumentava a distância entre ele e Damon antes sequer de conhecê-lo pelas feridas emocionais oriundas do relacionamento abusivo onde foi verdadeiro prisioneiro do homem, postergando cada vez mais a união deles.
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  Por um triz renunciou à melhor pessoa que conheceu por baixa autoestima, por se ver como não merecedor de um relacionamento saudável, pela falta de amor-próprio e pela falta de confiança em si.
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  Afinal, é o que acontece quando há instabilidade emocional, sua autoestima está baixa, desenvolve certo nível de aversão a si e se tem visão negativa sobre si como resultado de um relacionamento abusivo: perde oportunidades maravilhosas ao lado de quem realmente se ama e se tranca por medo de novos ataques.
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  E quase perdeu a oportunidade de alcançar o objetivo de séculos atrás – uma vida plena ao lado do homem por quem se apaixonou no século XVII.
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  Eram camadas demais para processar, insights demais para digerir sem se sensibilizar.
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  Se inquirindo sobre o motivo de cogitar por tanto tempo se o melhor seria desistir de Damon desde quando o conheceu, o puxou para si e deixou um beijo casto na testa alva.
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  – Vai amanhã para a confraternização do pessoal, não. – pediu encostando a testa onde havia beijado – Fica comigo.
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