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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 17

  Inglaterra, Século XVIII

  A estadia no interior com sua família e seus amigos era para ser revigorante após o período tão conturbado graças ao maldito homem de um metro de sessenta quem se perguntava se, algum dia, o reencontraria – mais especificamente ao acaso. Suspeitava de que o rapaz preferia se deparar com Lúcifer cercado pelo fogo do inferno do que com o antigo amante.
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  Pensava em se divertir num piquenique ao ar livre onde poderia usar da companhia de seus amigos como a desculpa perfeita para se livrar da companhia de sua esposa. Durante a noite talvez saísse acompanhado por Akil e Ralph para um bordel onde nenhum dos três desfrutaria dos encantos femininos. Ao invés disso, aproveitariam para conversar junto a outros homens como eles – e, se tivessem sorte, subornariam uma das mulheres para ocupar o quarto a bel-prazer junto de uma figura masculina.
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  Isso, é claro, para os demais. Para Sebastian, não.
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  Sebastian praticamente entrou em rigoroso celibato. Segundo os amigos, já poderia passar pelo processo de se enclausurar numa igreja para se voltar ao sacerdócio.
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  - Dormir com sua esposa não conta, amigo. Prazer de verdade você não sente há quatro anos. – costumavam reclamar.
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  Era o homem esperado pela sociedade.
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  Lorde Malonga vinha de uma linhagem antiga de família rica onde não havia escândalos há gerações. Bem, isso seria ótimo na teoria. Na prática, não, porque ele era a personificação do escândalo em si. Era um homem homoafetivo numa época onde sequer havia a palavra exata para designar pessoas como o trio de amigos os quais conviviam desde a infância pelas famílias serem amigas.
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  Sua conduta não era imprópria ou questionável. Pelo contrário. Se dava ao luxo de dar vazão aos seus reais desejos de maneira discreta, longe dos olhares curiosos e comentários ácidos das pessoas de sua estirpe – ou melhor, da sociedade inglesa. Não se envolvia emocionalmente. Eram encontros carnais, sem se permitir enredar pelo amor porque simplesmente o seu grupo social não permitiria. Seria excomungado caso os burburinhos começassem a sujar a imagem a qual tanto custou para deixar intacta. Isso respingaria em suas irmãs que, provavelmente, não conseguiriam maridos. Então, não, estava fora de questão se apaixonar.
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  Prosseguia dentro de seus parâmetros até se deparar com o Duque Smith. Percebeu a importância de se manter o mais longe possível quando se pegou o admirando descansando ao seu lado na casa do anfitrião, onde aprendera a percorrer sem ser notado com o auxílio de Bianca, irmã do rapaz quem sabia da paixão dos dois. Era ela a responsável por ser o intermédio na troca de bilhetes e escoltar Sebastian, quem sempre usava uma capa preta com capuz para esconder a identidade, até o quarto do irmão. Às quatro horas da manhã em ponto o Lorde ia embora – quando isso não acontecia, a mulher tinha a permissão de invadir os aposentos de olhos fechados para carregá-lo para fora.
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  - Fui casada por quinze anos antes do meu marido morrer. – contou quando foi questionada pelo irmão mais novo o motivo de suas atitudes – Nos amávamos demais. E é isso que vejo em vocês. Independentemente do que nos ensinam como o correto a seguir, têm o direito de sentirem e viverem tudo o que senti e vivi ao lado do meu marido antes da pneumonia o matar.
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  Quando decidiu se casar por pressão da mãe, a notícia fora estarrecedora para Damon. Era mais novo, cheio de alegria, vivacidade, gentileza e carregava um sorriso radiante, além da sensibilidade a qual não podia demonstrar por não ser o esperado dos homens da época. Sebastian não se surpreendeu quando, dois dias depois, Bianca lhe contou num baile que o irmão não compareceria porque caíra doente.
  A ideia de Sebastian casar destruiu seu coração. Se trancou no quarto chorando baixinho por horas. Permitia a entrada somente da viúva, a única quem aceitava vê-lo num estado tão delicado por não haver críticas, apontamentos ou julgamentos por parte dela. Apenas o acolheu desejando que o sofrimento passasse o mais rápido possível.
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  Sebastian tentou por uma semana visitá-lo sem sucesso. Saía frustrado da casa pelos mordomos sempre chegarem com respostas negativas, mesmo quando Bianca não estava presente. Escreveu vários bilhetes os quais não foram lidos por Damon rasgá-los assim que eram entregues pela mulher.
  - Mana, por favor. – pediu para ela encolhido no sofá dos seus aposentos – Conversei com o Simon, Dean, Marie e a Bia. Vou passar um tempo em Londres na companhia deles para me distrair. Não posso estar aqui quando o casamento acontecer. Por favor, eu imploro. – segurou as mãos dela – Não conte nada pro Sebastian. Não quero correr o risco dele tentar me impedir ou de vir me interpelar.
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  E assim fora feito.
  Foi embora enquanto o amante visitava de maneira protocolar a noiva. Apenas a irmã e os pais sabiam da viagem. Os genitores não compreenderam o motivo de decidir uma viagem tão repentina e nem o motivo de ocultar a informação, mas, pelo rapaz não estar emocionalmente bem, concordaram em não revelar os planos. Talvez os novos ares fossem lhe restaurar o espírito ao invés de se trancafiar dentro de casa.
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  Logo, podem imaginar por quanto tempo o moreno passou indagando Bianca sobre o paradeiro de Damon.
  - Pode me perguntar mil vezes que irei repetir mil vezes. – avisou na festa de casamento – Eu não sei.
  - Me recuso a acreditar nas suas palavras. Você sabia tudo sobre o seu irmão. Não é possível não saber para onde ele foi. – usava do sorriso social para esconder a contrariedade.
  - Eu já falei. – o encarou séria antes de se afastar – Eu não sei.
  Passou quatro intermináveis anos sem tomar o conhecimento da localização do mais novo. Não deixou de amá-lo – e se amaldiçoava por nunca ter verbalizado seus reais sentimentos para o homem. Lidou calado com a saudade, o amor incontestável, a tristeza de não compartilhar mais de sua companhia e o remorso de se calar ao invés de aproveitar as inúmeras oportunidades no passado para revelar seu profundo amor ardente. Em consequência se tornou mais introspectivo, voltando sua atenção para o trabalho na tentativa de ocupar a mente com números ao invés das lembranças as quais teimavam em passar cheias de informações sensoriais sem sua permissão.
  Logo, era de se imaginar que, quando o viu adentrando as portas da mansão em Derbyshire na companhia de Simon, um rapaz conhecido por Kassandra, esposa do Lorde Malonga, e mais um trio, as pernas falhariam em sua função de mantê-lo de pé. Por sorte estava na companhia de Akil, quem o escoltou até a biblioteca. Não precisaria inventar desculpas para explicar o súbito mal-estar porque não estavam no campo de visão dos convidados, então não viram a presença dos amigos e nem questionaram o motivo do moreno empalidecer abruptamente.
  Quando, descansando na biblioteca como para se preparar para conviver com diversas pessoas no restante do mês, Ralph se deparou com a figura trêmula de Sebastian, de imediato levantou do sofá abrindo espaço para o pobre coitado se deitar enquanto os dois se abanavam e Akil lhe contava o motivo dele ficar naquele estado deplorável.
  - Descubram o que está acontecendo. – pediu num fio de voz assim que a cor da face normalizou.
  Antes do jantar, lhe avisaram que Kassandra é prima distante de Simon, quem teve o disparate de perguntar se poderia levar seus amigos. Sem a mulher saber, acabou desestabilizando o marido completamente por não estar preparado para o reencontro de maneira tão repentina – menos preparado ainda para conviver com Damon durante praticamente um mês na mesma mansão.
  Soltou uma risada nervosa com a notícia.
  Naquela encarnação, Kassandra foi impedida de conhecer Celie como forma inconsciente de autopunição em virtude da sua vida anterior e se casou com Sebastian. Em consequência, se conformava em viver de acordo com o exigido pela sociedade – não significava que gozava de felicidade e nem que era feliz.
  Por continuar não se reconhecendo ao se olhar no espelho, não estar junto a sua alma gêmea e a culpa pelos erros passados, vivia de maneira apática por estar distante de sua real essência.
  Como esperava, o ruivo se manteve o mais longe de si possível, principalmente quando a anfitriã estava presente. Ia para o quarto, saía na companhia dos amigos para os jardins ou simplesmente ia para outro ponto do espaço, de costas para o casal responsável pela residência esplendorosa.
  Sebastian tentou se aproximar diversas vezes, mas desconfiava que os amigos de Damon soubessem da história entre eles. Quando o viam indo em direção ao alvo, de imediato chamavam sua atenção e o retiravam dali.
  Bianca, coitada, estava a ponto de fugir do moreno.
  O homem sempre ia até ela lhe entregando bilhetes furtivos para servir como intermédio para a comunicação dos antigos amantes.
  - Não. – dessa vez leu o bilhete com letra trêmula antes de rasgá-lo quando estava na cama na companhia da irmã – É melhor deixar isso no passado. Não há motivos para nos falarmos. Ele é insignificante para mim agora.
  Era isso o que esperava demonstrar, mas logo a irmã, os amigos e o outro descobriram que não era assim.
  Em uma das salas da mansão, costumava se acomodar com os amigos e a irmã quando o mais velho estava presente. Geralmente olhava para frente, dificilmente dirigindo o olhar para os outros. Se sentava sempre no mesmo ponto. No sétimo dia, Lorde Malonga descobriu que, de onde se posicionava, era capaz de ver o reflexo de um espelho na parede em frente – justamente o ponto onde o Sebastian costumava se posicionar para as conversas sociais. De lá observava os movimentos de Lorde Malonga sem ser descoberto.
  Na segunda semana, meia-noite, estava no escritório localizado no segundo andar refletindo sobre a situação. O fogo na lareira era a única evidência de sua presença. Fora essa a expectativa quando se dirigiu para lá. Não realizou seus planos de maneira plena.
  Sentado na poltrona encarando a paisagem, avistou uma movimentação inesperada do lado de fora. Intrigado, foi até a janela dando-se conta de que não era o único quem escolhera a solidão da noite para pensar.
  Damon caminhava desolado pela propriedade. Naquela parte da residência não havia perigo de ser descoberto porque os quartos se localizavam na parte detrás da mansão. Os ombros caídos mostravam que não estava tão bem como costumava aparentar. Sentou na grama em choro silencioso por minutos a fio. Tampou a boca com a mão para abafar qualquer vestígio de som.
  A imagem o afetou mais do que imaginava. Ora, a quem queria enganar? Destruiu seu coração por saber que era o responsável pela ruína a qual se encontravam. Sempre que tocava a esposa – cujo reencontro com Celie não foi possível naquela vida pela participação dos assassinatos na encarnação anterior – pensava em Damon. Cada toque, cada beijo, cada abraço, cada troca de palavras, cada riso... Tudo servia para enfatizar que não era ela a pessoa certa para si. Se esforçava para ser o melhor dos maridos – e Kassandra não tinha razões para reclamar. Abdicara de sua felicidade em prol da família e para não serem excomungados pela sociedade. Carregava o peso de sua decisão dia pós dia, mas, ali, pela primeira vez teve a real dimensão de sua escolha. A percepção foi tão intensa que teve dificuldade para respirar graças ao nó na garganta.
  Por fim, o viu secar o rosto antes de retornar a passos ligeiros.
  Os quartos ficavam no terceiro andar, então, obrigatoriamente, precisaria passar pelo escritório.
  Portanto, o Lorde se apressou até a porta a destrancando. Aguardou até ouvir os passos.
  Damon demorou para compreender o que acontecia.
  Num momento estava se dirigindo para seus aposentos. No seguinte fora puxado pelo braço para o interior de um lugar onde, depois, descobriria ser um escritório. Viu uma figura masculina sem distingui-la antes dela avançar nele num beijo desesperado o empurrando até as costas chocarem na porta de madeira e pressionar o corpo do menor contra o seu. Reconheceu o beijo de Sebastian sem sequer ser necessário ver seu rosto. Era quente, macio, firme, úmido e cheio de desejo. Se encaixava no seu em perfeição.
  Era impossível não identificar aquele aperto, aquele cheiro, aquela pele, aqueles lábios, aquela respiração, aquele toque... Aquele beijo.
  Assim como antes, imediatamente os corpos responderam. O volume nas calças se tornou desconfortável enquanto as línguas se acariciavam e exploravam o corpo com as mãos. Retiraram as roupas sem cerimônia, se separando apenas para se encararem ofegantes num abraço saudoso, onde aproveitaram para percorrer os pontos de prazer já conhecidos um pelo outro com a língua e as mãos.
  Ainda contra a porta, pressionou os lábios contra o ombro desnudo do moreno enquanto o lóbulo da orelha era castigado com a habilidosa língua. Se contorcia sob as palmas grandes pressionadas em seu tronco, as quais de vez em quando apertava a bunda. Quando Sebastian imprensou o quadril contra o seu de maneira a gerar uma deliciosa fricção devido ao contato inevitável dos membros, cravou as unhas na pele escura.
  Arfou quando o Lorde percorreu o tronco com a boca espalhando prazerosos beijos deixando um rastro úmido de fogo. Se atentou primeiro em cada um dos mamilos rosados deslizando a ponta da língua pelo pequeno pedaço da carne. O rapaz o agarrava pelos cabelos mordendo o lábio inferior num lembrete doloroso para não gritar.
  Judiou dele o fazendo gemer baixinho em frustração por apenas mordiscar ou tocar levemente as áreas internas das coxas e da parte ao redor do pau antes de abocanhá-lo. Não havia espaço para nada além da urgência, então foi implacável. A cabeça ia e vinha do jeitinho como sabia que o outro gostava. Alternou com a destra quando sugava as bolas uma por uma numa carícia macia.
  Ao ver o abdômen se contraindo em espasmos o encarou porque sabia que estava prestes a gozar. Mesmo após quatro anos, ainda sabia identificar quando o ápice do ruivo chegaria. Precisou apenas mais cinco movimentos antes do sabor salgado o invadir em jatos quentes apertando a pequena mão na sua.
  Se levantou para voltar a beijá-lo.
  Damon o empurrou sem desconectar o ósculo sôfrego para irem para a mesa. O maior o acompanhou, ambos com passos vacilantes, pisando nas vestes espalhadas pelo chão. Não abandonava a carne alva, deixando marcas rosadas por onde a percorria. Com certa brusquidão, o virou de costas para si. O rapaz apoiou-se na mesa deixando alguns papéis caírem no chão. De olhos fechados, o entreouviu descer a ponta da língua vagarosamente pelas costas até alcançar um ponto escondido.
  Precisou deitar o tronco na mesa fria para aproveitar das sensações. Ofegante, a pele estava arrepiada pela impetuosidade do outro, quem mal lhe dava oportunidade para recuperar o fôlego desde que o puxara para o escritório sem aviso.
  Quanto tempo ficou naquela posição? Cinco minutos? Vinte? Não fazia ideia – e também não importava. Ambos estavam quentes, desejosos, saudosos, dando vasão a sentimentos reprimidos há anos demais. Era uma necessidade física e emocional se amarem novamente, estarem juntos novamente na atmosfera pertencente somente a eles.
  Sebastian se esforçou para abrir a gaveta de onde retirou um recipiente de vidro onde guardava o óleo de côco. Aprendera no passado a usá-lo quando estivesse com o Duque, então tratou de, com a tampa de conta gotas, derramar nele e em si.
  Quando o membro roçou em sua entrada, se virou.
  - Não, de costas, não. – segurou a barba de do Lorde num gesto familiar, a voz rouca de volúpia – Quero olhar para você quando estiver dentro de mim.
  O apanhou no colo o agarrando pela bunda. Automaticamente enrolou as penas na cintura. O moreno foi até o sofá, onde se sentou. Damon, se posicionando, pôs os joelhos no estofado macio antes de, numa lentidão quase dolorosa para ambos, deslizar até cada centímetro do seu interior ser preenchido por completo. Mal piscou para observar como a íris castanhas de Sebastian escureceram e suas reações faciais. Durante o processo a expressão se intensificou, separando os lábios, semicerrando os olhos, o queixo caindo, o aperto na carne do ruivo aumentando.
  Começou a se movimentar ainda o fitando e se apoiando nele.
  Inferno, como sentiram saudade daquela união para além do prazer. Nos braços um do outro estavam em casa, plenos, sem amarras e nem medos. Eram só eles, duas almas apaixonadas as quais ansiavam ficar juntas.
  Damon adorou vê-lo jogar cabeça para trás se recostando no móvel quando rebolou em seu colo. O abraçou lhes proporcionando todo o prazer que foram incapazes de usufruir por quatro anos longe um do outro. Como não podiam emitir som para não serem descobertos, se limitavam em arfar ou gemer baixinho, principalmente a partir do momento em que o mais novo se moveu com maior precisão nas estocadas, já trêmulo.
  - Saudade de você, meu amor. – o ruivo sussurrou numa voz carregada de ar – Meu. Só meu.
  - Eu também, meu pequeno. – mordiscou o pescoço lhe arrancando mais tremores – Não sabe a falta que me fez, bebê.
  Se afastou o suficiente para se encararem com as testas encostadas. Nas faces transmitiam os fortes sentimentos os quais não foram expressos no passado – pelo menos, até então.
  Damon não estava preparado para o que viria a seguir.
  - Eu te amo, Damon. – revelou pressionando os dedos na derme – Eu te amo demais. – soluçou lutando contra as lágrimas – Fiquei com medo de você nunca saber, mas eu te amo, meu pequeno.
  Sebastian não era o único chorando pela declaração. O outro apenas notou que as próprias lágrimas transbordaram quando as sentiu descer pelas bochechas abrindo um pequeno sorriso.
  - Eu também te amo, amor. – resfolegou emocionado, incapaz de conter a emoção – Te amo. – o abraçou sem deixar de mover os quadris em momento algum durante o diálogo – Te amo. Te amo, meu amor. Te amo.
  Bastou mais algumas estocadas para gozarem juntos num orgasmo intensificado pela entrega absoluta do casal. Permaneceram longos minutos naquela posição, abraçados com o Duque espalhando beijinhos pelo pescoço largo de seu Lorde. Sebastian afagava as costas em gestos sutis. O conforto do contato físico, a abundante química, a entrega total e os carinhos trocados eram sinais claros que a conexão entre o casal não vacilou em momento algum. Se amaram como costumavam se amar no passado. Foi forte, intenso e sem restrições.
  Estavam carentes demais um do outro para serem sensatos e irem para seus respectivos aposentos. Portanto, quando o organismo acalmou e sentiram o frio da noite em contato com a pele desnuda, o maior o levou até se deitarem perto da lareira para se esquentarem. Damon se acomodou sobre o amante, desfrutando ao máximo do momento num silêncio aconchegante. Não conversaram. Palavras não eram necessárias. Apenas se observavam trocando afagos meigos, beijos e sorrisos bobos característicos de duas pessoas apaixonadas.
  Os astros estavam a favor deles porque o tempo demorou para passar. Bastante.
  - Posso encontrar contigo amanhã aqui de novo? – já vestido, Damon ousou questionar quando caminhavam em direção a porta de mãos dadas.
  Sebastian o puxou para um último beijo perante o tom temeroso o segurando no rosto.
  - Deve. – murmurou contra os lábios finalizando com um selinho onde ambos sorriam.
  Quando saíram do escritório pensaram estar perto de amanhecer quando, na verdade, ainda iam dar duas da manhã.
  Para a desgraça dos dois, Patrick chegaria naquela tarde. Ao se deparar com Sebastian, despertaria uma antiga obsessão a qual seria a responsável por uma série de eventos futuros cujas consequências gravíssimas seria a morte de duas figuras apaixonadas, o sofrimento das famílias e as suspeitas sobre si compartilhadas por Dean, Marie, Simon, Bianca, Ralph, Bia e Akil.
  Infelizmente, nenhum deles conseguiria que a justiça fosse devidamente feita porque Patrick tinha vários amigos importantes na área legislativa.
  Entretanto, não sairia ileso perante as leis do Universo.
  Perderia sua fortuna nos jogos por sua impulsividade, perambulando pelas ruas sem um teto para onde ir, assombrado pelo crime o qual fora o mandante. Sujara as mãos de sangue pela primeira vez – naquela vida. Pagou um preço alto demais por isso, inclusive pelas pendências da encarnação anterior. Em alguns casos, a morte é considerada um alívio para a alma sofredora. Não foi o caso dele. Morreu no aniversário de 70 anos, quase quarenta anos depois de cometer o crime onde objetivava se livrar somente de Damon Smith. Infelizmente, Sebastian interferiria, não restando outra alternativa além de também ser alvejado.
  Não teve um único dia miserável que Patrick não implorasse pela morte desde que perdera a sua fortuna.

  Rio de Janeiro, 1996

  A família não compreendeu como o menino de três anos se alegrou tanto na cachoeira de terras cariocas se nunca havia estado numa antes.
  Afinal, o ruivo era pequeno demais e o belo lugar trazia sensação de opulência e exuberância. Em teoria, o ambiente distinto deveria assustá-lo – se não fosse o registro de sua consciência espiritual se manifestando pela paisagem ser tão importante para si na primeira encarnação cujo encontro com sua alma-gêmea aconteceu lhe marcando e, inconscientemente, manifestando certos aprendizados oriundos do século XVII.
  Brincava junto aos primos na reunião de família daquela tarde agradável de sábado ensolarado. Como eram descendentes de imigrantes fugidos de seu país de origem pela recusa em se casarem com os respectivos pretendentes destinados pelos genitores, não desvinculavam totalmente das suas raízes por se comunicarem em inglês entre si.
  Logo, às duas da tarde soltou um gritinho agudo ao identificar outro menino de costas também acompanhado pela família imigrante fugida para a pátria brasileira em virtude da Primeira Guerra do Congo.
  De imediato se desvencilhou dos braços da prima alguns anos mais velha, quem lhe dava pedaços de frutas sentada no chão. Descalço, correu o chamando até alcançá-lo com a garota em seu encalço.
  Quando Sebastian se virou pelo impacto, o rosto infantil de seis anos se iluminou por ver quem se chocou contra si o abraçando.
  - Oi. – Damon disse com a chupeta na boca.
  - Você veio! – cuidadoso, o mais velho se acomodou na beira da água para abraçá-lo amigavelmente.
  Foi intrigante como as duas crianças, até então desconhecidas, se entrosaram tão bem e passaram o restante das horas juntas.
  O zelo para com o mais novo era evidente e surpreendente. Ao contrário do esperado, não se juntou aos de sua idade. Permaneceu na companhia do ruivo cuja aparência era angelical por causa da feição delicada e do comportamento meigo.
  Não houve outra alternativa para as famílias além de se aproximarem devido ao incomum entrosamento infantil. Compartilharam conversa amena, ofereceram seus alimentos de preparos e temperos distintos devido a diferença cultural supervisionando as crianças brincarem ao redor e se comunicaram como puderam – e os Smiths até ajudaram os Malonga, sobrenome típico do Congo, com o Português tirando algumas dúvidas acerca dos significados das palavras e da pronúncia correta.
  Observados pelas mães atentas, se divertiam na parte onde a água alcançava somente seus tornozelos em correnteza segura para bebês.
  Descalços e com shorts para seus tamanhos, o bebê ria e batia palmas com o outro respingando água em si.
  Avistando uma bonita flor pequena, Sebastian foi em direção a ela em poucos passos e, se posicionando perante o mais novo quem fitava o céu, a estendeu.
  - Para você.
  A apanhou a encaixando desajeitado atrás da orelha como viu a mãe reproduzir várias vezes.
  - Ficou bonitinho em mim?
  - Ficou, sim. – carinhoso, beijou a gorducha bochecha alva.
  As risadinhas iluminaram o rosto rubro pela réplica.
  Quando chegou a hora de se despedirem, ficou claro como eles não queriam se separar.
  - Amigo. – chamou Damon com voz chorosa e a chupeta na boca – Jura de mindinho que não vai esquecer de mim? – ergueu o minúsculo dedo.
  - Juro. – devido ao precário Português, as palavras saíram emboladas – Esqueço, não. – selou a promessa entrelaçando o dedinho no dele.
  Em gesto inusitado, tocou rapidamente a ponta do nariz alvo antes de ser pego no colo pelo genitor.
  Durante o trajeto de volta, Sebastian enlaçou o pescoço do pai posicionado de modo a fitar o outro menino até desaparecer de suas vistas.
  - Sebastian. – chamou a mãe ao seu lado o olhando intrigada pelo entrosamento inesperado. O filho não era tão comunicativo com estranhos – Quem é aquele menino? Já se viram antes?
  - É meu amigo, mamãe. – a voz carregava um toque de melancolia ao repousar a cabeça no ombro masculino – Vou sentir saudade dele.
  - E quando o conheceu?
  - Não lembro, mas é meu amigo.
  Como a mãe era médium espiritualizada pela sua vivência de décadas no Continente Africano, não se assustou ao visualizar a guia deles, uma mulher branca chamada Mary em longo vestido vermelho os acompanhando.
  Como se para confirmar as suspeitas de que aquele foi um encontro de almas-gêmeas, Mary apenas assentiu em olhar afetuoso.
  - Seu filho ainda será muito feliz ao lado de Damon. – foi a única frase do espírito antes de se embrenhar pela natureza ao redor da cachoeira e desaparecer.

  Ainda na margem da cachoeira, Damon chorava com a flor entregue por Sebastian nas palmas enquanto aos demais arrumavam os pertences para irem embora.
  - Oi. – em trajes amarelos do povo cigano responsável por acolhê-la no pós vida, Bianca atravessou a água descalça se aproximando do menino – Por que está tão tristinho, querido? – se agachou na sua frente.
  - Meu amiguinho foi embora. – fungou entristecido.
  - Eu sei. Sente saudade dele, né?
  - Hum hum. – assentiu timidamente colocando a flor atrás da orelha.
  - Se eu te contar um segredo promete que vai ficar mais animado?
  A curiosidade produziu o efeito desejado. Os olhinhos marejados brilharam em expectativa.
  - Prometo.
  - Vocês vão se encontrar de novo. – murmurou como se os outros fossem capazes de escutá-la.
  - É verdade, tia? – o rostinho tristonho se encheu de esperança pela informação.
  Era inevitável o coração da antiga governanta não esquentar perante a maneira carinhosa como era chamada na encarnação onde trabalhou ao lado de Damon cuidando da mansão.
  - É, sim. E não vão se separar mais. Prometo. – se levantando, o chamou em um aceno com a mão direita – Por que não me acompanha? A sua mãe está te esperando.
  Para irem embora, Meggie o tomou no colo.
  - Está bem, tia. Vou esperar, sim. Confio. Está bem. Tchau, tia.
  Intrigada pelas frases emitidas pelo filho, quem acenava em diálogo com Bianca dando tchau com a destra, olhou sobre o ombro sem enxergar ninguém ao pôr do Sol.
  - Com quem está falando, querido?
  - Com a tia.
  Apontou para Bianca, quem, de frente para si, balançava a longa saia amarela formando ondas belas em despedida.
  A mãe não viu ninguém.

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