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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 23

  Sentado na cama, Sebastian aguardou o céu clarear para se despedir de Damon adormecido no colchão.
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  Respirava devagar deitado de bruços com o semblante mais sereno como há bastante tempo não reproduzia.
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  Passou vários minutos o admirando em silêncio. Contemplava a beleza angelical, embebido pelo impacto de se amarem pela primeira vez e contente por ouvir a declaração secreta.
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  Não contaria sobre ouvi-lo na noite passada. Preferia manter o acontecimento impulsivo sem tecer comentários porque queria deixá-lo confortável em sua companhia – esse sempre foi o objetivo. Do contrário, corria o risco dele se sentir obrigado ou pressionado a revelar os sentimentos, mesmo que indiretamente.
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  Quando fosse propício o rapaz se abriria plenamente sobre como o amava – e os eventos para o momento chegar já haviam começado.
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  Resvalou a ponta dos dedos pela lombar, sentindo a maciez da derme em contraste com sua palma áspera. Subiu pelas costas até alcançar os cabelos, onde massageou com suavidade até despertá-lo.
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  Demorou trinta segundos para abrir os olhos, o encontrando com um ligeiro sorriso nos lábios.
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  - Oi. – sussurrou sonolento, a fisionomia em total estado de relaxamento pelo enlace de horas atrás.
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  - Bom dia, bebê. Preciso ir agora. Tenho alguns assuntos para resolver. Quer que eu chame alguém para lhe fazer companhia?
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  - Marie, Simon ou Dean. São meus únicos amigos aqui.
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  Não gostava da ideia de ficar sozinho depois de Patrick invadir seus aposentos.
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  - Tudo bem. Nos vemos mais tarde, meu amor.
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  Se curvou para deixar um selinho nos lábios e tocar a ponta do nariz com o indicador.
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  Pela sonolência, não detectou o som metálico o qual denunciava que Sebastian transportava algo consigo.
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  Em menos de cinco minutos encontrou Marie, quem transitava pelos corredores com um cigarro na boca.
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  - O Damon está te chamando. – lhe avisou a puxando para um canto afim de dialogarem em voz baixa.
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  - Está tudo bem com ele? Aconteceu alguma coisa?
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  Aprovou a preocupação nela pelo pedido incomum naquele horário quando, geralmente, estava adormecido.
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  - Sim, está bem. Só prefere companhia hoje. Inclusive, não o deixe sozinho, não. Peça para os seus amigos lhe fazerem companhia caso você precise se ausentar.
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  - O que não está me contando, hein? – semicerrou os olhos soltando a fumaça pelo nariz com o cigarro entre as falanges.
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  - É sempre bom sermos cautelosos. – simplesmente deu de ombros com ar enfadonho.
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  Não sabia se o amante concordaria em contar os detalhes envolvendo o ataque de Patrick, então não revelaria nada.
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  Aguardou a mulher adentrar no quarto para se retirar. Por precaução, pôs a mão no bolso para confirmar se a chave estava lá. Aproveitaria o horário cedo para tomar algumas providências a fim de evitar do ocorrido infeliz se repetir.
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  O Visconde não passaria impune.
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  Quando o trio relatou o acontecimento para Zidler em seu escritório na tarde quando descobriram sobre o ataque e sem o amigo sequer tomar conhecimento acerca da decisão deles, o homem se enervou – constaram isso pela maneira como as feições se endureceram assustadoramente.
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  Simon se assustava quando o via zangado. Havia duas maneiras distintas para reagir: ou esbravejava – essa era destinada quando descobria problemas financeiros – ou mantinha-se calado em expressão fria – sinalizava quando alguém corria perigo de vida ou o quão perto a vítima estava de sofrer algum atentado contra a integridade física.
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  - Contem para mim tudo sobre esse Visconde, inclusive o nome completo. – percorreu cada rosto com o olhar se recostando na cadeira do escritório.
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  E eles não eram insanos de negar a solicitação – principalmente porque foi o responsável por coagir que os três se aproximassem de Damon quando chegou no Moulin Rouge para ajudá-lo na adaptação, lhe tirar qualquer dúvida acerca do funcionamento do estabelecimento e apoiá-lo durante a recuperação da desilusão amorosa.
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  Objetivando não levantar suspeitas, aguardou três meses para reunir um grupo de homens para vingar o filho de seus amigos. Não imaginavam que, sete dias após o ocorrido, Patrick havia sido igualmente surrado num beco escuro graças a Sebastian, o mandante quem reuniu e pagou cada um dos cinco agressores.
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  Passou os meses seguintes em casa se recuperando dos hematomas, do braço quebrado em dois lugares e diversos outros ferimentos.
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  Quando chegou ao teatro estava exultante. Conversava mais com as pessoas, o sorriso bobo não saía facilmente e quase saltitava para se locomover – e a alteração no humor não passaria despercebida por Michael.
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  - Está apaixonado, enriqueceu por milagre divino ou descobriu ser filho bastardo de um ricaço que vai deixar parte considerável da herança para você? – se sentou no chão do camarim vazio naquele horário.
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  - Uma das alternativas está correta. – se despia para trajar o figurino.
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  - Bom, se fosse dinheiro talvez preferisse roupas mais caras ou estivesse de mudança do Moulin Rouge. – dentre os trabalhadores do teatro, somente Michael sabia onde morava por ter frequentado o cabaré no passado para se entreter. E, como na época já havia escutado Damon cantando baixinho enquanto trocava de roupa distraidamente naquele mesmo camarim, reconheceu a voz de Satine de imediato – Então resta o quesito amoroso. Está apaixonado?
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  - Quem sabe? – deu de ombros abotoando a camisa.
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  Se não fosse pelo sorriso estranhamente peculiar e a fisionomia alegre como há muito tempo não demonstrava, o loiro não descobriria.
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  - Aposto como está apaixonado. – impaciente e se roendo de curiosidade, engatinhou na direção do outro, quem ajeitava o colarinho no espelho – Vem. Larga disso. – o segurou pelo pulso – Vem para cá. Quero os detalhes.
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  - Estou terminando de me vestir. – ralhou em riso solto, se divertindo com a reação do amigo.
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  - A peça vai começar dentro de duas horas e o seu figurino não é complicado. Pode vir para cá, sim, senhor, porque tempo tem de sobra. – falou rápido em insistência quase infantil.
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  Como era impossível esconder a animação, se acomodou de pernas cruzadas ao lado do loiro no canto do camarim.
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  - Em resumo porque não há nada de concreto. – relatava em sussurro para não correr o risco de serem ouvidos através da porta – Ele me trata bem, é gentil e nunca me pagou para passar a noite comigo. E a morena misteriosa? Como anda?
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  Apesar do muxoxo de Michael pelas informações superficiais, não esperava menos por Damon sempre ser mais discreto sobre sua vida pessoal – e o trabalhador compreendia bem as razões e concordava com a postura reservada.
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  - Bom... – abraçado aos joelhos posicionados em frente ao peito, iniciou brincando com os próprios dedos em expressão tímida – O nome dela é Celie, não se importa com o que carrego entre as pernas e é de longe a mulher mais adorável, doce e linda que já conheci.
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  - Não se importa com o que carrega entre as pernas? – arregalou os olhos em misto de perplexidade e entusiasmo pela dedução ágil ao ouvir as palavras.
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  - Não. – o encarou com a ponta da língua entre os dentes em ar travesso – Nos beijamos e ela costuma trocar bilhetes comigo todos os dias por intermédio da empregada, Zuri. Também passamos um tempo juntos de vez em quando.
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  O ruivo semicerrou os olhos intrigado com a última frase.
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  - Bem que desconfiei dos seus sumiços nos últimos tempos...
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  - Pois é.
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  Em ato costumeiro de quando escondia algo, crispou os lábios os mexendo com agilidade de um lado para o lado – curiosamente o nariz acompanhava o movimento peculiar.
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  - Presumo que fiquem pelo teatro para facilitar a sua vida. – enrugou o queixo pela expressão do outro como se estivessem desvendando seu mistério – Considerando que uma vez reclamaram comigo que o meu camarim estava trancado, embora eu não tranque essa porta...
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  - Jura? Meu Deus! Eu nunca imaginaria. – impossível soar mais debochado.
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  - Sabia que tinha coisa errada nessa história! – deu tapinhas leves no braço fino – Por que não me avisou?
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  - Não queria correr o risco de você reclamar depois. Aqui é mais escondido e discreto comparado ao quarto separado pelo dono daqui para eu dormir. E é inviável levá-la para lá pelo trânsito de pessoas. Vai que alguém a reconhece? Além disso, não temos a liberdade de caminharmos pelas ruas livremente sem as pessoas levantarem especulações sobre o motivo dela andar na companhia de alguém pobre como eu.
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  - Meu bem, só vou me opor por cinco minutos caso tenha o azar de flagrá-los pelados. De resto? Aproveitem. – beijou carinhosamente o ombro – Só me incomodo de que, pessoas como nós, precisem viver às sombras com quem amamos ou nos moldar e casar com quem sequer sentimos atração para agradar a sociedade e evitarmos sofrermos ataques. – desabafou em tom melancólico, lembrando que jamais, em hipótese nenhuma, Sebastian poderia assumi-lo publicamente, mesmo se morasse em outro lugar e não se apresentasse no cabaré.
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  Não imaginava como o moreno iria tirá-lo daquela vida e lhe entregaria a dignidade de volta.
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  - É. Infelizmente, nada vem fácil ou completo para nós. Esse será o nosso dilema constante. – completou Michael compartilhando de igual lástima.
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  - Um dia as coisas serão mais fáceis. Só queria ter a dádiva de presenciar isso.
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  O passar das horas o angustiava por não ter certeza se Sebastian apareceria naquela noite após dormirem juntos pela primeira vez.
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  A insegurança era compreensível, visto que demoraria para voltar a confiar em alguém por causa da última decepção amorosa – o resultado de se envolver emocionalmente com outro homem no passado resultou em trabalhar no Moulin Rouge.
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  O coração ainda estava calejado e desconfiado desde o infortúnio de começar a morar no cabaré.
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  Em consequência, conheceu a pior versão dos homens ali. Homens que preferiam moças cujos corpos mal começaram a se desenvolver e foram vendidas para lá porque os pais pobres não tinham como alimentá-las, homens que se satisfaziam agredindo as prostitutas, homens que preferiam penetrá-las por trás sem se importarem em prepará-las para a introdução com lubrificante para a experiência não ser dolorosa, homens que contavam da vida íntima com as esposas as expondo ao ridículo como se as mulheres fossem motivos de escárnio, homens que reclamavam da inexperiência das recentes esposas e eram incapazes de serem pacientes para ensiná-las, homens que zombavam do processo de envelhecimento das esposas como se aquilo não fosse o natural do ser humano, homens que se orgulhavam em tirar sangue na noite de núpcias como se aquilo fosse sinônimo de potência sexual ou macheza por parte deles ignorando se as recém-casadas sofriam com dor nas penetrações fortes e aceleradas em total descuido por parte dos maridos ou não.
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  As histórias eram inúmeras – e, apesar da marginalização, se penalizava por elas, tanto as prostitutas quanto por parte das esposas ou noivas.
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  Temia de Sebastian mostrar a sua outra face – face essa a qual pendia tanto para o desaparecimento dele por conseguir transar com Damon quanto para enxergá-lo como posse sua como se fosse um objeto – e de lidar com as consequências disso.
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  Portanto, quando o homem surgiu em seu quarto depois da apresentação, o alívio foi instantâneo.
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  - Bebê. – a abraçou caloroso – Estava linda lá em cima. – deu um selinho para não borrar a maquiagem.
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  - Obrigada. – ergueu a cabeça para fitá-lo com um sorriso apaixonado e as írises brilhando, reflexos impossíveis de ocultar por serem inconscientes – Você me disse hoje de manhã que iria resolver alguns assuntos. Quais eram?
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  - Bem lembrado.
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  Se afastou dela para retirar duas chaves do bolso.
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  - Uma é sua. – entregou para a cantora – A outra fica comigo.
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  - Como assim?
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  Entrelaçou a mão na dela para guiá-la até a cama, onde se acomodaram como em várias outras ocasiões passadas – ele recostado na cabeceira com as pernas esticadas no colchão e ela sentada no colo, ambos descalços sempre.
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  - Não gostei de Patrick entrar aqui ontem, amor. – contou em voz macia, a fisionomia mostrando a perturbação genuína – Fiquei com medo por você. Eu juro, se ele tivesse te agredido mais ou se aproveitado não sobraria nem restos para enterrar. – embalou o doce rosto entre as palmas delicadamente, o toque trazendo acalento para ela – O seu bem-estar e a sua segurança são valiosos demais para mim para eu simplesmente ignorar.
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  Quanto mais tempo passava com Sebastian, mais o permitia alcançar seu coração. O carinho demonstrado nos contatos físicos, o zelo em colocar as decisões sobre o progresso do envolvimento deles a encargo dela, – principalmente quando poderiam se beijar e se entregar um pro outro – a sinceridade indescritível nos globos, a paciência demonstrada ao não a acariciar até a permissão dela ser concedida sem ele avançar em respeito pela escolha da artista, a voz macia repleta de afeto...
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  Absolutamente todo o comportamento dele propiciava para ela e Damon baixarem a guarda, cada vez mais entregues às investidas do Duque cuja finalidade não era exclusivamente o prazer.
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  Por fim, sensibilizada, deitou a cabeça no ombro alheio de olhos fechados. As palmas ásperas a enlaçaram por cima do vestido em abraço acolhedor a pressionando contra si por alguns segundos e a soltando. A ação serviu para relaxá-la, como se soltasse parte considerável da culpa que vinha carregando porque as circunstâncias a obrigavam a seguir um caminho contrário daquilo estipulado e esperado pelos finados pais.
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  Permaneceram naquela posição por longos minutos para Satine não mostrar como se controlava para as lágrimas não descerem.
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  - Você se importa comigo, mesmo? Tem certeza? – a voz saiu abafada por indagar com os lábios roçando no pescoço moreno.
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  Não percebia como começava a naturalizar os momentos em que demonstrava fragilidade pelo fato de se sentir em paz e protegida com Sebastian.
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  - Não imagina o quanto.
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  Se afastou para fitá-lo, novamente em busca de qualquer mísero sinal de dissimulação nos traços – e não encontrou nada além da franqueza.
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  - Por que não me contou sobre o teatro?
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  A mudança súbita de assunto a sobressaltou lhe arrancando uma risadinha.
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  - Quando te assistia achava a sua voz familiar. – Sebastian prosseguiu.
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  Não se zangaria por não a reconhecer quando atuava como ator. Costumava afinar a voz ao assumir a sua persona feminina.
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  - Eu não queria correr o risco de descobrir quem sou.
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  - Por quê?
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  - Medo. Insegurança.
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  - Medo de quê?
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  Mordiscando o lábio inferior assumiu postura taciturna desviando o olhar e acreditando como o tecido do vestido roxo era digno de profunda análise.
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  - Vamos, amor. Conversa comigo. – apoiando as costas do indicador sob o queixo, exerceu leve pressão para erguê-lo até os globos se encontrarem – Por que sentiu medo e insegurança?
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  - Porque... Eu não queria correr o risco de você parar de me visitar se não gostasse de mim. – se Sebastian não fosse tão gentil e cuidadoso consigo, jamais revelaria aquilo – Eu... Eu gosto quando ficamos juntos assim, como agora. – a voz saiu estrangulada, ainda em dúvida se era prudente contar o quanto apreciava a companhia do Duque – Já vi tanta coisa ruim aqui que esqueci como é bom ter alguém ao meu lado que me respeita e me trata como igual ao invés de alguém inferior.
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  Durante o discurso Sebastian se manteve calado com as palmas repousadas sobre as alvas coxas torneadas as quais estavam à mostra por levantar o vestido para se ajeitar no colo masculino.
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  Vagarosamente desvendava Satine e Damon, o que os diferenciava e quais pontos compartilhavam em comum. Ambos eram carinhosos, mas Satine parecia mais forte e decidida enquanto Damon demonstrava maior docilidade com a voz macia e trejeitos delicados ao invés da língua afiada dela e do tom mais imperioso.
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  E havia momentos como aquele, quando enxergava Damon através da cantora porque, por algum motivo, ambos não estavam preparados para contarem acerca dos seus sentimentos pelo Duque – ainda não.
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  - Bem, minha linda, então preciso lhe dar uma notícia. – se aproximou da cantora desencostando da cabeceira em semblante alegre cujo tom de voz dissipava qualquer incerteza de Satine – Satine é encantadora e a adoro. Damon é encantador e o adoro. Não há distinção entre eles por minha parte simplesmente porque compõe a pessoa quem me fascinou desde quando a vi no palco pela primeira vez. Quem me impulsiona a vir para cá todas as noites é Satine, assim como passei a me interessar ainda mais pelo teatro após descobrir que o homem quem adoro é um excelente ator cujo talento é assombroso.
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  A surpreendo, enlaçou a cintura com um braço e, com a outra mão, a segurou pela nuca a levando consigo ao se deitar na cama, a dupla se divertindo com o gritinho surpreso dela pela ação inesperada.
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  - Eu amo você dois. – murmurou beijando o topo da cabeça, bastante satisfeito pelo feito por ouvi-la gargalhando – E isso não vai mudar.
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  De fato, não mudaria – nem se o coração fosse completamente partido.
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