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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 25

  Sebastian nunca se sentiu tão tolo, tão traído e nem tão miserável como naqueles terríveis segundos.
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  Se passaram três meses desde a tarde quando Damon foi pela primeira vez na casa de Bia. Desde então, sagradamente todas as sextas-feiras eram destinadas ao encontro onde o trio desfrutava de diálogos tranquilos e cheios de fofocas entre o ruivo e a mulher. Sebastian, pela natureza reservada, não despertava o interesse em saber sobre os escândalos da alta sociedade. Todavia, adorava as reações do amante ao tomar conhecimento sobre os assuntos e se divertia com os comentários engraçados – por parte do mais novo – e ácidos – por parte da irmã.
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  Estava satisfeito com o andamento das coisas e em como Damon demonstrava ao longo desse tempo como se sentia mais à vontade a cada reunião – graças a simpática mulher de língua afiada e aos carinhos espontâneos de Sebastian.
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  Além disso, os chás proporcionavam momentos cuja finalidade era passarem mais tempo juntos, Bia conhecê-lo melhor fortalecendo o laço de amizade que atravessaria encarnações e, inconscientemente, distrair o outro o reconectando novamente a quem costumava ser. Logo, o semblante, outrora mais taciturno e com toque de melancolia, passava por metamorfose onde a alegria e a simpatia transpareciam com mais frequência iluminando o semblante angelical e despertando brilho nas írises doces.
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  Certo dia, no retorno para casa, se deparou com uma simples vendedora de flores. Se recordou de Damon comentando como gostava da cor amarela porque lhe trazia a sensação de alegria. Sem hesitar, decidiu comprar um buquê de rosas amarelas – e aproveitou que faltavam poucos metros para o Moulin Rouge para entregá-las pessoalmente antes de visitá-lo após a apresentação, assim como vinha fazendo há quase um ano.
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  Como conhecia o caminho até o quarto de Damon, passou por lá para presenteá-lo. Logo, pela distração, não notou como as reações de algumas pessoas dali destoavam da maneira como agiam quando o viam – passaram a cochichar entre si, observando os passos com atenção.
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  Infelizmente, o rapaz nunca o receberia o mimo.
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  Primeiro o moreno estranhou a porta entreaberta para, em seguida, escutar os sons.
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  Pela fresta teve a pior visão de sua vida.
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  Um desconhecido era chupado por Damon para, depois, o rapaz se levantar para beijá-lo – ambos ainda vestidos. Não demorou nem cinco segundos para o mais velho o colocar inclinado na mesa onde costumava se maquiar, abaixar as calças do mais novo, respingar o óleo de coco em si e iniciar a penetração.
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  Jamais cogitaria de Damon ter combinado com o outro previamente de que não se deitariam na cama.
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  Jamais pensou que Damon não o viu pelo reflexo por fechar os olhos objetivando não carregar a lembrança visual do cliente.
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  Jamais imaginaria o quanto Damon se sentia miserável por continuar se vendendo – não porque queria, mas sim por sobrevivência.
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  Assim como acontecia quando sofria forte decepção, vestiu a máscara da frieza e se afastou carregando as flores consigo e as deixando cair uma por uma no chão como sinal de seu coração destroçado.
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  Quem o viu se retirando em disparada numa expressão impassível e em postura orgulhosa, não contaria sobre o acontecimento para o rapaz, quem encontraria as flores nos degraus da escada já pisoteadas e desmanteladas.
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  Quando Bia chegou da costureira foi avisada pelo mordomo que o irmão havia chegado minutos anteriores e entrado na sua sala privada cuja porta estava fechada.
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  Não deixou transparecer a preocupação. Apesar de serem irmãos próximos, o homem combinava com antecedência as visitas para evitar indisposições. O comportamento incomum lhe despertou angústia.
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  Agradeceu por topar com a porta destrancada – sinal de que ele aceitaria a sua aproximação. Invadindo o interior em silêncio, o encontrou deitado encolhido no sofá. Se aproximou devagar, a energia do ambiente pesada ao ponto de formar um nó desconfortável na garganta. Se agachou em sua frente cruzando as pernas.
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  A expressão masculina era gélida, mas as lágrimas desciam torrenciais.
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  - Maninho. – acariciou os cachinhos crespos compadecida pela figura desalentada – Você já me deu o ombro para chorar várias vezes. Vem aqui, vem.
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  Se arrastou do sofá, agora transparecendo a aflição pelo cuidado emitido por ela. Deitou a cabeça no colo da irmã, quem o acolheu sem levantar questionamentos acerca do motivo de seu suplício.
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  O estado de Sebastian era a confirmação de suas suspeitas sobre as atividades de Damon – e isso acarretaria uma série de eventos.
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  Damon estava em plena agonia após quarenta e cinco dias sem notícias.
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  Sebastian simplesmente desapareceu.
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  No Moulin Rouge não o encontrava entre os homens cujos olhares eram carregados de desejo ao invés de admiração. No teatro não ocupava mais o assento central da primeira fileira como de costume – e isso lhe enchia de conclusões precipitadas acerca da situação.
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  Estava de tarde no quarto desabafando na companhia dos amigos com o coração em disparada e procurando controlar as emoções para não desabar.
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  - Amigo, me escuta. – Marie insistia o abraçando por trás – Tenta ser racional. Talvez tivesse acontecido algo, não sei.
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  O quarteto estava acomodado no chão. A mulher afagava os cabelos e os outros dois se deitaram durante o diálogo.
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  - Ele teria me avisado ou mandado a irmã me avisar. – inconformado, os rebatia amargurado pelo desaparecimento do Duque – Eu não passava de diversão para ele, gente! Não adianta tentarem me convencer do contrário porque não vão conseguir.
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  - Amigo, ele gosta de você. – Simon se solidarizou tocando o tornozelo em afago amigável.
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  - Então por que não aparece mais? Não vem para cá, não vem pro teatro... Sabe qual é o meu camarim e que as portas do meu quarto estão sempre abertas. O Sebastian tem a chave daqui. Pode entrar e sair quando bem entender, inclusive por ter a minha permissão para isso, inferno!
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  - Não faço ideia pro motivo desse sumiço, mas posso garantir que você não é qualquer um na concepção dele. – prosseguiu Dean em atópica voz grave – O homem te ama.
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  - O. Sebastian. Não. Me. Ama.
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  Irritado, falou pausadamente cada palavra e detestou como elas soaram juntas, quase como se fossem veneno atingindo seu coração sofrido e irradiando pela corrente sanguínea para acelerar o processo de envenenamento do organismo a cada pulsar do coração quebrado para, finalmente, se conformar que jamais sairia daquele bordel e deveria aceitar o seu destino miserável ali.
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  Não era nada além de alguém sem dignidade cujo passado trágico o levou para o Moulin Rouge.
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  - Nunca amou. Se gostasse de mim, não desapareceria dessa forma. Estou há quase dois meses sem nem termos contato quando existe, sim, essa possibilidade, principalmente porque Bia permitiu de nos encontrarmos na casa dela e me chamou uma vez por semana para tomar chá antes do irmão parar de vir me visitar. Essa postura não é comum quando alguém realmente nos ama. – prosseguiu em fisionomia de escárnio, como se a mera especulação fosse motivo de risos e escárnio.
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  Pelo menos, era assim como se sentia naquele momento enquanto as lembranças teimavam em passar pela sua mente a cada noite e o ambiente do quarto o lembrava como foi um tolo em se levar pelos seus sentimentos.
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  Nada além de um verdadeiro tolo que não aprendeu com as experiências passadas da juventude.
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  - Ruivinho, pensa! – impaciente, Simon se sentou para transmitir maior seriedade – Quantos homens levam o amante para a irmã conhecer a pedido da própria e ainda planeja chás da tarde com certa frequência?! Se o Duque não carrega sentimentos por você, isso sequer seria possível e nem teria a menor lógica!
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  - Não ouse insinuar que o Sebastian se importa comigo ou se apaixonou por mim! – vociferou em tom agressivo incomum – Perdi a minha ingenuidade no dia em que fui largado aqui por quem dizia incessantes vezes o quanto me amava. O amor só me trouxe sofrimento, tragédia, mágoas e me transformou no prostituto barato quem sou hoje. Se isso é amor, não vou permitir ser amado por mais ninguém e nem me apaixonar.
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  A manifestação de violência pelo discurso direto seria comprada pelos amigos se não escorresse uma lágrima solitária dos olhos profundamente magoados.
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  Ele já estava apaixonado.
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  O quarto de Damon se transformou em uma prisão cujos carcereiros eram os registros sensoriais de Sebastian cravados em sua pele e as memórias os torturadores pelo sofrimento imposto graças a saudade do Duque.
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  Era quase insuportável permanecer ali, então passava bastante tempo perambulando pelas ruas sem destino ou trancado em seu camarim no teatro, mesmo quando não havia apresentação da peça – e foi assim que Michael o encontrou encolhido no canto do espaço.
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  - Qual o problema, amigo? – compadecido, se ajoelhou em sua frente na tentativa de ajudá-lo – Conversa comigo.
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  - Nada de demais. – secou as lágrimas e gesticulou como se o tema não tivesse relevância – Prefiro saber sobre a morena misteriosa. Como vocês andam? – fungou se controlando para não chorar mais.
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  - Isso vai te distrair?
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  - Certamente. – o sorriso era para ser incentivador ao invés de melancólico.
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  - Bom... A gente continua se encontrando. O único problema é que é noiva, está prestes a se casar e dentro de dois meses vai se mudar com o futuro marido. Voltaremos a nos ver somente se ela viajar para cá na companhia do marido para visitar os pais.
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  Contra a sua vontade, a voz de Damon embargou para reclamar enquanto a visão embaçava em virtude de novas lágrimas se formarem.
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  - Era para me animar, não partir mais ainda meu coração. – limpou o rosto com o braço.
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  - Desculpa pelas notícias não serem boas. – assim como o outro, Michael também estava cabisbaixo pela situação – Só... Bom, considerando onde mora e o que faz, só tenho você a recorrer para sanar uma dúvida. Me responderia uma pergunta meio delicada?
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  - Prossiga. – soluçou descansando a cabeça contra a parede o fitando com as pálpebras baixas e os cílios molhados.
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  - Se eu e a Celie fizermos alguma coisa mais ousada... – constrangido pelo teor da interpelação, procurou usar eufemismos para atenuar o impacto das palavras.
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  - Quão ousada essa coisa seria? – soluçou desistindo de lutar contra o pranto.
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  - Bastante. O suficiente para não ficarmos com roupas.
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  - Agora tenho um parâmetro interessante. – meneou em sua direção para continuar.
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  - Então... Existe a possibilidade de eu lhe tirar a virgindade? Não quero prejudicá-la e sei que seria arriscado caso Anthony soubesse que esteve com alguém antes dele. Apesar de depreender as nossas poucas chances de sucesso de ficarmos juntos, nesse ínterim quero aproveitar o máximo de tempo com Celie sem desgraçá-la.
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  O valor das moças e sua dignidade, segundo o pensamento retrogrado da época, eram atrelados diretamente a sua virgindade – e Deus ajudasse a pobre que fosse vítima de violência antes de se casar ou ousasse se entregar por amor.
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  - Não existe a possibilidade exceto se enfiar algo nela. E se souber disfarçar que nunca fez nada antes, é impossível dele perceber.
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  - Obrigado.
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  Graças a nova rotina, Damon encontrou ao acaso o amante numa rua deserta durante a madrugada após se apresentar no Moulin Rouge – contra a vontade, é claro – e isso serviu unicamente para corroborar as suspeitas distorcidas do rapaz.
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  Embaixo do poste de luz de lâmpada quebrada, Sebastian observava o céu alheio a quem passava por ali. Se assombrou pela melodiosa voz afastá-lo dos devaneios – sem demonstrar reconhecer o dono daquele maravilhoso volume inseguro e o quanto se afetou pela presença do outro perto de si novamente.
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  - Oi.
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  Apesar da escuridão daquele ponto específico, detectou como a fisionomia morena endureceu e os olhos fecharam de maneira mais contundente – não por escárnio, mas para manter a máscara da indiferença no lugar.
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  Indubitavelmente Damon estava a poucos centímetros de distância atrás de si. Como seria a aparência? Estaria abalado pelo desaparecimento repentino? Talvez estivesse encolhido num casaco pobre graças ao vento gelado da noite de céu limpo e estrelado cuja luz do luar era fraca o suficiente para não enxergar com clareza a fisionomia das pessoas sem a ajuda da luminosidade artificial dos postes de luz.
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  Se as circunstâncias fossem contrárias, lhe entregaria o casaco bem mais quente por jamais permiti-lo passar frio em sua companhia.
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  - Por que... – engoliu em seco para a voz não falhar – Por que não foi mais me ver, hein?
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  O questionamento quebrou ainda mais o pobre coração sofredor.
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  Por que deveria se importar com o homem quem fez tão pouco de si o enganando aquele tempo todo? Infelizmente, compreendeu num lapso daquele ínfimo instante as palavras de Satine quando aceitou recebê-lo pela primeira vez.
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  - Meu trabalho é iludi-los em cima do palco.
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  De fato, foi iludido. Não negaria. Porém, para seu pesar, Satine e Damon souberam muito bem como manipulá-lo para fazê-lo acreditar em como era amado, mesmo sem pronunciarem as palavras exatas. Demonstravam por meio de gestos, carícias, beijos e todo e qualquer tipo de intimidade que duas pessoas apaixonadas poderiam experimentar e expressar.
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  Foi humilhado sem nem notar e provável motivo de zombaria com os três amigos.
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  E isso não perdoaria nunca – por mais que lhe doesse o afastamento.
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  - Eu... – pela voz detectou a manipulação onde demonstrava grande facilidade para chorar de maneira genuína – Sinto sua falta. O que está acontecendo, amor? Fala comigo... Por favor...
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  Não seria enganado novamente – e o seu orgulho falou mais alto.
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  Para ocultar o sofrimento, deu um movimento de cabeça discreto para sinalizar que o escutava. A reação seria considerada comum se não fosse pelo ácido meio sorriso de desprezo.
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  O soluço alheio lhe apertaria o coração se sobrasse qualquer tipo de estilhaço entre os mínimos cacos espalhados no âmago se isso fosse possível.
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  Se obrigou a lembrar de como o comportamento não passava de dissimulação para enganá-lo e lhe tirar dinheiro – era a única razão pela qual o Duque achou plausível a permissão de Satine em aproximar-se dela e de Damon.
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  - Não significo nada para você? Você nunca se importou comigo? É isso? – soaria histérico caso não estivessem na rua, então a voz saiu estrangulada, se esforçando para as palavras serem ditas minimamente coerentes e compreensíveis – Só foi atrás de mim para se deitar comigo sem precisar me pagar?
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  Ao longo dos anos não conseguiria se perdoar pelo comportamento miserável e por lhes infligir tamanha dor – em especial no mais novo.
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  Abaixou a cabeça ligeiramente soltando um risinho irônico, confirmando as inquirições através do gesto venenoso. Encerrando o diálogo, ajeitou a cartola como se o cumprimentasse de forma indireta e se retirou a passos ligeiros, a postura ereta e o queixo erguido.
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  Damon não saberia que o mais velho escolheria caminhos mal iluminados e vielas desertas para transitar, evitando os poucos transeuntes descobrirem o estado de espírito deplorável.
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