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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 35

  Rio de Janeiro, 1879

  As gestações de Meggie Ward foram sem sustos.
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  Casada com o marido, Paul Smith, era uma mãe amorosa, sempre atenta às necessidades dos filhos na mansão localizada no interior do Rio de Janeiro. Apesar de ocuparem posições sociais e econômicas opostas por Diara ser empregada da casa, cujo esposo era um peão do senhor Smith, partilhavam de uma antiga amizade pelas famílias serem amigas há gerações.
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  Graças à idade avançada, aos quarenta anos, ninguém pensou que seria capaz de dar à luz novamente depois de duas gravidezes, principalmente porque a gestação foi silenciosa. Por sorte, Diara, a responsável pela realização do parto no chão dos aposentos de Bianca, filha mais velha da adorável matriarca, estava em sua companhia.
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  O senhor Smith chegou correndo em casa totalmente sem ar por receber a notícia inesperada. Subiu as escadas aos tropeços, imprecando por quase cair no último degrau. Adentrou no quarto, se deparando com a imagem da esposa sentada na cama ainda meio pálida tanto pelo esforço de parir quanto pela surpresa. Segurava o recém-nascido nos braços perfeitamente, uma habilidade adquirida depois de criar dois filhos. Bianca e Arthur, seus outros filhos, lhe faziam companhia, bastante solícitos em ajudá-la caso fosse necessário.
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  Sete dias mais tarde, Diara levou Sebastian para conhecer Damon nos braços da mãe. Ambas esperavam manter a tradição, então incentivavam as crianças a interagirem. Logo, as irmãs do seu filho mais novo eram amigas também de Bianca e Arthur.
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  – É bebê, mamãe? – Sebastian, aos três anos, sentado na cama com Meggie ao lado, tocava a ponta do nariz do neném gorducho tão gentilmente que mal era sentido.
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  – É, sim, meu filho. – acariciou os cabelos cacheados do seu menino – E serão amigos quando crescerem.
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  Ao escutar a voz infantil, Damon vasculhou o quarto até encontrá-lo. Piscou duas vezes os grandes olhos despertos e abriu um adorável sorriso banguela.
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  – Gostou de você, Sebastian. – Meggie comentou feliz por presenciar a primeira troca de afeto da dupla.
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  Quando Damon fosse capaz de andar, os dois seriam inseparáveis.
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  Eram sempre vistos correndo pela casa ou pela propriedade.
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  Mesmo quando Damon era um bebê, Sebastian insistia em acompanhar a mãe nas visitas à senhora Smith apenas para terem contato. Eram supervisionados pelas duas, as quais viam uma linda amizade surgir. O neném se divertia na presença do mais velho, que o enchia de beijinhos na barriga ou nas bochechas. Por sua vez, quando aprendeu a engatinhar, com certa frequência ia até o moreno. De pernas cruzadas, sentado no chão, o acomodava no vão entre elas.
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  Apesar de se encontrarem em fases cognitivas distintas, Sebastian era cuidadoso com Damon. O tocava quase como se fosse de porcelana, se divertindo com os brinquedos próprios para a idade do mais novo.
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  Não demorou para a desigualdade social ser visível perante as crianças.
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  Damon ia para a escola durante o dia. Voltava cheio de histórias das horas lá, contando tudo para a família até os mínimos detalhes. Sebastian acompanhava o pai no labor, se conscientizando prematuramente da importância de levar dinheiro para casa e de colocar comida na mesa.
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  Dois dias depois do aniversário de sete anos do ruivo, na tarde de sábado, estavam no quarto de Damon brincando de desenhar. Haviam lanchado as sobras finais dos salgadinhos e dos doces escondidos.
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  Todos os anos estavam presentes nos aniversários um do outro, onde as famílias não faziam distinção pela discrepância financeira – ou melhor, as mães. Os presentes ganhos por Sebastian eram sempre mais modernos e caros. Os recebidos por Damon do amigo eram mais simples, e não se importava em usar, por exemplo, a blusa de lã feita por dona Diara no frio.
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  – Amigo, olha quem eu desenhei para a minha professora. – mostrou um desenho onde estava ao lado de um menino – É o meu melhor amigo.
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  – Quem?
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  – Aqui. – apontou para onde havia um nome escrito ao lado do menino moreno.
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  – O que está escrito?
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  O questionamento demorou para ser processado pelo cérebro do ruivo.
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  – Como assim?
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  – Eu não sei ler, bebê. – encolheu os ombros, sentindo a face esquentar em virtude da vergonha.
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  Como o conheceu recém-nascido e acompanhou o crescimento, se referia a ele como bebê em apelido usado só quando estavam sozinhos.
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  – Ué... – se calou por alguns segundos, de queixo caído em choque – Por quê?
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  – É que eu não vou para a escola como você, não. – revelou baixinho, fitando o chão – Preciso ir trabalhar com o meu pai.
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  O filho de Meggie o observou sem saber exatamente o que dizer.
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  – Você quer aprender? – indagou numa voz arrastada, prolongando as sílabas.
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  O mais velho acenou um sim discreto.
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  – Eu posso te ensinar. Quando viermos para cá, posso te mostrar como se lê e como se escreve. Tenho livros de histórias para te emprestar caso queira treinar a leitura. A Bela e a Fera é o meu preferido. – completou sorrindo.
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  Foi assim o processo de como foi alfabetizado: iam para o quarto de Damon, onde o ruivo o familiarizava com as vogais, as consoantes, as sílabas, as palavras e as frases. Emprestava seus livros infantis favoritos para serem lidos na casa da família Malonga, geralmente antes de o garoto dormir.
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  Tudo ia bem até Damon, aos 12 anos, descobrir que moraria na cidade para ter acesso a uma educação mais rigorosa e completa.
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  A ideia de se afastar de casa, dos pais e de Sebastian o apavorava. Tentou diversas artimanhas para os pais mudarem de ideia e não teve sucesso.
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  Faltando sessenta minutos para ir embora, aguardava o amigo ir se despedir dele.
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  Andava ansioso pela casa porque decidira fazer algo apenas entre eles. Começava a se descobrir e a se entender como gay num contexto difícil antes de sequer saber o que isso significava. Porém, as sensações e os pensamentos que lhe permeavam eram diferentes por não envolverem meninas, mas sim meninos. Ou melhor, um garoto em específico, que começava a fazer seu coração disparar quando se viam. Também era comum aparecer em seus sonhos, onde se sentia livre para fazer algo que jamais cogitou com nenhuma menina – e era um plano do qual não desistiria de tornar realidade.
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  O procurou ao redor da propriedade, já longe de casa, o encontrando na sombra de uma árvore. Sentado na grama, lia A Bela e a Fera, o livro deixado por Damon como lembrança para não se esquecer da amizade deles enquanto não voltasse. Firmara os pés no solo, apoiando o livro nas coxas para lê-lo.
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  Se aproximou, vasculhando ao redor para ter certeza de que estariam sozinhos.
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  – Por que não foi me ver?
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  O moreno sobressaltou. Abaixou o livro, o vendo se sentar em sua frente.
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  – Oi, pequeno. – sorriu tristemente.
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  Sebastian era o único que podia chamá-lo assim porque sempre havia carinho contido na palavra. Além de, é claro, usá-la somente quando estavam sozinhos, assim como quando se referia a ele como bebê. Há alguns meses os apelidos começaram a lhe dar borboletas no estômago sempre que os ouvia e, mais de uma vez, teve a impressão de enxergar a fagulha de algo cuja identificação não fora possível nas írises castanhas do peão. Fosse o que fosse, pensava nisso antes de dormir.
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  O coração apertou por aqueles serem os últimos momentos deles juntos. Não sabia sequer se Damon voltaria – e isso o assombrava mais do que deveria. Afinal, eram melhores amigos. Nenhum dos dois queria se separar.
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  – Por que não foi me ver? – insistiu, finalizando com um bico.
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  – Ah, eu... – balançou a cabeça, demonstrando angústia sem encará-lo – Não gosto de despedidas. Acho elas tristes. Mas... Mas vai ser bom para você conhecer outros lugares e outros amigos, né?
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  – Vou conhecer outros amigos, sim, mas o meu melhor amigo vai continuar sendo você.
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  Um misto de melancolia e algo mais intenso que o sentimento de amizade perpassou o coração do moreno ao ouvir as palavras.
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  – Sortudo. Enquanto vai passear pela cidade, vou ficar na fazenda. Para mim só tem trabalho.
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  – Você pode ir me visitar. Aí vamos conhecer outros lugares juntos.
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  Recebeu um toque rápido no nariz num pequeno sorriso onde se viam suas covinhas.
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  Ignorando a timidez pelas próximas ações, tirou o livro das mãos dele e o colocou na grama. O mais velho cruzou as pernas para recebê-lo, gostando muito da sensação daquele abraço.
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  - Nada me impede de vir me despedir, sabia? – relaxou ao sentir as palmas ásperas percorrerem suas costas – É o meu melhor amigo. Não queria ir embora. – fungou.
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  - Eu sei.
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  Levou instantes até Damon controlar suas emoções. Não queria chorar na frente de Sebastian. Precisava sair dali com uma lembrança feliz dos dois por ambos. Apesar da insegurança, beijou a bochecha sentindo a aspereza da barba rala.
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  - Por que seu coração está batendo tão rápido, bebê?
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  - Nada, não. É... Posso te fazer um pedido? – se afastou para encará-lo carregado de medo e certeza – É importante para mim, então não pode recusar porque não sei quando volto para casa.
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  Os olhos brilhantes quase fizeram Sebastian lacrimejar. Não foi fácil digerir a notícia da mudança do amigo.
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  - Claro. – tocou a ponta do nariz arrebitado.
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  Gesto simples e característico deles. Era considerado uma discreta demonstração de afeição.
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  Engoliu em seco pestanejando.
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  - Fecha os olhos para mim. – a voz saiu trêmula.
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  Curioso, o peão pendeu a cabeça para o lado sem compreender.
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  - Anda, vai. É rapidinho. – deu leves tapinhas no braço – Só pode abrir quando eu falar. É meu último pedido.
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  Com um pequeno sorriso, acatou a solicitação. Damon notou o quanto o semblante do amigo era belo e mudara agora na adolescência, tentando memorizá-lo. Era óbvio como se tornaria um homem atraente no futuro – a constatação o fez sentir frio na barriga por querer vê-lo atingindo a fase adulta. Se enchendo de coragem, vagarosamente, com o coração disparando e meio trêmulo, quebrou a distância até sentir a respiração atingir a pele de Sebastian. Notou a feição intrigada do adolescente, movimentando o rosto sutilmente para frente como se o buscasse. Por fim, Damon pressionou os lábios nos dele.
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  Não iria embora sem antes realizar um desejo jamais revelado: ter o seu primeiro beijo com Sebastian.
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  Tampou a visão do peão quando soube que ele abriria as pálpebras. Caso pudesse vê-lo, a coragem o abandonaria, então levou a mão para os olhos. Compreendendo a delicadeza do momento, embora agitado, Sebastian apenas deu um sorrisinho doce, uma prova velada de que manteria o combinado, além de apreciar o ato corajoso.
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  O selinho demorado começou tarde e terminou cedo demais. Ruborizado, quando Damon se separou, virou de costas e correu o mais rápido possível. Vários metros ao longe, gritou sobre o ombro:
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  - Pode abrir agora!
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  Não iria encará-lo por vergonha. Retornou para sua casa onde o carro o esperava junto às várias malas.
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  O plano saiu como os conformes. Só não imaginou como o feito faria o outro arrepiar, o coração disparar. Também não previu a falta imediata do contato corporal sentida pelo amigo, nem como se arrependeu por não o tocar.
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  Portanto, foi uma enorme surpresa quando foi puxado pelo braço e beijado naquela tarde ensolarada. Sebastian o abraçou delicadamente pela cintura enquanto a língua pedia passagem. Por sua vez, Damon descansou os braços nos ombros abrindo a boca. Sebastian gemeu quando a nuca foi pressionada pelas unhas do mais novo pela sensação maravilhosa das línguas se massageando, um explorando o espaço do outro em meio a carícias inocentes da recente descoberta de como dois rapazes do mesmo sexo poderiam apreciar se beijarem.
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  Era o primeiro beijo de ambos. Jamais cogitaram de como o encaixe seria perfeito, tanto do beijo em si quanto dos corpos.
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  Ao se afastar, detectou medo nas feições delicadas porque não sabia o que esperar em seguida. A respiração era pesada. Os ombros se encolheram por não prever as ações seguintes dele e o queixo marcado caiu de surpresa. Sebastian poderia ir embora, se zangar ou nunca voltar a falar com ele quando retornasse – e isso o assombrava.
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  Para tranquilizá-lo, o abraçou de novo num gesto acolhedor.
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  - Está tudo bem, pequeno. – murmurou ofegante na orelha – Eu também queria isso. Queria isso contigo.
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  Soluçou abrindo um sorriso emocionado por ouvir as palavras tão doces, inclusive por serem carregadas de ternura. Se distanciou apenas para fitá-lo e ter certeza de que não era sua imaginação lhe pregando uma peça. Sebastian suspirou aliviado porque, graças a sua revelação, não havia mais temor e nem tensão nele.
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  - Conta para ninguém, não. Por favor. – a voz estava embargada pela carga emocional a qual ainda não tinha capacidade de lidar por ser tão novo. Acariciava a barba, os rostos tão perto que os lábios roçavam.
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  - Vou, não, bebê. – beijou a ponta do nariz – Eu prometo. Vou guardar o nosso segredo.
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  - Obrigado. – o conhecia o suficiente para saber que a promessa seria mantida independente de quanto tempo passasse.
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  - Não sabe como vou sentir sua falta. – lhe deu um último selinho segurando o rosto com ambas as palmas – Agora, vai. Estão te esperando.
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  Apenas quando o garoto sumiu de suas vistas Sebastian permitiu que as lágrimas escorressem.
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  Retornou para árvore retirando o canivete no bolso. No tronco, talharia S + D. Ninguém jamais saberia o significado, nem o estado emocional de quem se deu ao trabalho de deixar a marca na madeira.
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  No íntimo sabia que, se Damon retornasse, levaria anos – mais especificamente 13 anos, quando Damon tivesse 25 anos de idade e ele 28.
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