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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 9

  Enquanto Damon desfrutava dos melhores momentos de sua vida por encontrar alguém com quem se sentisse confortável para ser quem era sem repreendas e descobria, por meio de Sebastian, como era amar e ser amado em sua totalidade, Kassandra dava início aos piores dias de sua existência.
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  A percepção se aproximava de pouco em pouco ao longo dos dias. O coração se apertava ao ouvir palavras como “morte” e “acidente” em conversas ou ao lê-las em um texto, pensava em Celie com maior preocupação, sofria insônia e, embora soubesse esconder o aflito estado emocional, apresentava dificuldade para dormir – não porque ela não conseguia, mas porque não queria.
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  Desde a infância era assombrada de tempos em tempos por sonhos premonitórios. Costumava ser avisada caso acontecesse algo com a capacidade de interferir em sua vida. Sabia quando alguém iria morrer, quando um homem não era bom para se relacionar, se determinada pessoa era confiável ou se aconteceria grave acidente – foi assim como não se surpreendeu ao receber a notícia da morte dos pais em um acidente de carruagem e aceitou se casar com Damon, pela certeza de como aquele homem jamais encostaria nela para agredi-la.
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  Passava madrugadas aflita pelo temor de retornar para o sonho repleto de chamas, cinzas e os gritos de agonia de Celie, cuja barra do vestido começava a queimar para o seu desespero. Não havia saída ou escapatória. Indefesa, implorava por ajuda que não a alcançaria jamais pelo fogo se espalhar rapidamente em terrível tragédia inesquecível para os habitantes da região.
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  Desde então se tranquilizava somente na companhia da amante – a única pessoa quem a amava de verdade naquele mundo feito por homens e para homens.
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  Durante os meses seguintes Damon estava mais alegre, mais comunicativo, mais animado e acima de tudo: feliz.
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  Os dias eram destinados para o trabalho, cuidar da fazenda e dar atenção a esposa.
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  As noites eram voltadas para uma única pessoa.
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  Sebastian não precisava bater para se anunciar após os empregados e Kassandra terem ido descansar. Abria a porta sem cerimônia e se deparava com o ansioso ruivo a sua espera cujo sorriso encantador iluminava o rosto ao vê-lo. Não demorava para ter a boca invadida, as roupas retiradas, tatear a porta para trancá-la e se deitarem na cama onde se amariam incontáveis vezes.
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  Agora, como o escravo invadia os aposentos entre às dez e onze da noite, deixava sempre uma vela acesa em cima da mesa para iluminar melhor o ambiente. Assim, se enxergavam sem dificuldades. Portanto, a experiência era mais potente.
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  O quarto se tornou o recanto de amor particular deles. Ali usufruíam dos prazeres mais intensos, dos olhares mais doces, dos abraços mais amorosos, dos toques mais gentis, dos gemidos mais verdadeiros e das palavras mais meigas já proferidas. Ocultos da sociedade e de qualquer indivíduo capaz de prejudicá-los, eram apenas dois adultos completamente apaixonados e fascinados um pelo outro.
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  Aprendeu como gostava de cavalgar em Sebastian sem quebrar o contato visual e como lhe dava frio na barriga ao notar as marcas de expressão cada vez mais visíveis a medida em que quicava no colo alheio. Seguindo as orientações deliciosas, também descobriu a importância de girar os quadris em círculos perfeitos e de movê-los para trás e para frente quando o moreno se sentava na cama para tomar os lábios rosados em beijo sôfrego onde se abraçavam fortemente.
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  Graças a evolução do ruivo, o ensinou sobre o prazer do qual poderia satisfazê-lo. O ensinou o quanto era gostoso quando, em seu colo, era agarrado pela nuca e puxado para si até a testa repousar no vão entre o pescoço e o ombro. Assim, era imobilizado em calorosa fusão onde Sebastian castigava livremente a sua entrada. Os gemidos agudos o arrepiavam durante a deliciosa tortura. Por sua vez, o rapaz, indefeso, tremia sem controle dos escassos movimentos corporais tamanha satisfação pelas investidas incessantes.
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  Em contrapartida, agradecia diversas vezes pela moda ser tão cheia de pudores e as vestes cobrirem tanto o corpo. Tornou-se rotineiro se deparar, no dia seguinte, com marcas avermelhadas pela pele, principalmente nas coxas, no pescoço e na bunda devido aos chupões nas outras áreas e aos tapas na abundante carne arredondada. Pelo tom alvo, facilmente elas surgiam sem esforço.
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  Sebastian também não passava longe.
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  Se acostumou pelos desenhos das unhas do amante o marcarem e os arranhões pelas costas, pelos ombros e pelos quadris – o último quando exercia força o suficiente para mantê-lo parado o pressionando contra o colchão de modo a prosseguir com o oral sem correr o risco do grosso membro escapar da boca ao chupá-lo com veemência.
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  Apesar de geralmente desfrutarem de momentos íntimos, não era o único motivo para as reuniões.
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  Também costumavam conversar sobre diversos assuntos. Nos diálogos era comum ou se deitarem na lateral do tronco um na frente do outro ou se acomodarem no peitoral alheio onde recebiam cafunés relaxantes. Nunca deixavam de se tocar em carícias repletas de afeto não verbalizado. Descobriram vários pontos em comum, como a vontade de se relacionarem com quem amassem, discordarem do sistema escravocrata, como careciam de felicidade em suas vidas e em como foram tão solitários antes de se conhecerem.
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  Por vezes, quando sentiam fome pelas horas acordados, Damon ia para a cozinha em busca de biscoitos, vinho e água. Acomodados nus no chão, lanchavam sem um pingo de constrangimento.
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  Dormiam e, com o auxílio de Bianca por passar a acordar mais cedo por precaução em terrível mal humor, saía dos aposentos do ruivo enquanto ele dormia.
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  - Anda, logo. – reclamava sem se importar em vê-lo se vestindo – Seja rápido.
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  - Não pode me dar privacidade, não? – fechava a calça a encarando em repreenda.
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  - Quem já viu um homem pelado, meu bem, viu todos. Só muda a grossura, a cor e o tamanho. De resto é tudo idêntico.
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  Bufou indo até o rapaz para pousar o indicador na ponta do nariz arrebitado em gesto de carinho.
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  Naquele período o rapaz passou a acordar mais tarde devido às atividades noturnas.
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  Como Mary sempre acatou as ordens do patrão em fidelidade à memória de Meggie, a cozinheira continuou dando de comer aos escravos no raiar do dia. A tarefa era fácil, visto que, assim como a mãe, a personalidade do filho era correta, digna e bondosa – independente dos moldes sociais.
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  Não obstante da evolução no entendimento sobre suas preferências, Damon carregava certa angústia por não se aceitar – e ela demoraria a desaparecer do âmago.
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  Em certa noite chuvosa, Sebastian o notou mais introspectivo perdido nos próprios pensamentos.
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  - Pequeno. – deitado sobre ele, distribuía beijinhos pela bochecha até alcançar a orelha – Qual o problema? – passou a chupar o macio lóbulo lentamente porque sabia como a região era sensível e almejava escutar a resposta tanto quanto os gemidos.
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  - Por mais que me esforce, não consigo deixar de pensar se... – arfou de olhos fechados e encolhendo os ombros – Se é correto estar contigo assim.
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  As palavras foram suficientes para se afastar e se levantar da cama – não porque se zangara.
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  - Vem comigo, bebê. – segurou a pequena mão na sua em aperto amoroso – Vou te mostrar uma coisa.
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  Como conhecia o quarto eximiamente após tantas horas ali, não precisou averiguar o caminho. Andando de costas o observando em adoração, entrelaçou os dedos até alcançar o sofá, onde se acomodou. Em seguida o rapaz se sentou nele para beijá-lo livremente, os joelhos separados e descansados no estofado.
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  Logo compreenderia o motivo para o deslocamento.
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  Com o espelho posicionado meros metros à frente, o reflexo dos amantes era nítido.
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  Sebastian tratou de inverter as posições vagarosamente.
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  - Mantenha os olhos abertos, amor. – murmurou contra o pescoço, a delicada pele já rubra pelas investidas – Quero que assista tudo.
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  E Damon assistiu.
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  Assistiu o próprio deleite em cada expressão facial. Assistiu como a derme alternava de cor, as reações do organismo perante as carícias voluptuosas, como parecia frágil com a masculina boca o chupando, como tremeu se encolhendo ao gozar no fundo do interior macio e úmido da garganta. Notou também o esforço do outro de lhe satisfazer, a bunda farta onde algumas vezes fincou as unhas o empurrando para ir mais fundo em outras ocasiões, os sons produzidos com os engasgos de Sebastian pela habilidade de colocá-lo todo na boca por vários segundos para esfregar a glande na garganta – tarefa particularmente surpreendente – e como, deitado no acolchoado com o quadril erguido e completamente exposto, se arrepiava graças a habilidosa língua circulando a escondida entrada – e o quanto gemia manhoso no processo.
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  Mais tarde, após o lubrificar devidamente, posicionou Damon de costas para si, quem escorregou pelo pau até atingir a base e ser preenchido por completo se sentando no colo alheio.
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  - Me escute, amor. – como era maior, o queixo roçava nos cabelos ruivos. O abraçou firmemente pelo baixo ventre para impedi-lo de se movimentar em aperto possessivo – Eu quero que se concentre apenas na nossa imagem refletida através do espelho e me sinta dentro de você. Não feche os olhos. Apenas sinta como nos completamos e nos assista.
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  Sinalizando a autorização para prosseguir, deslizou os braços pelo abdômen até repousar as palmas nos quadris estreitos.
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  O pedido lhes deixou a beira da loucura, principalmente por Damon ir e vir tão maravilhosamente pela habilidade aprimorada ao longo daqueles deliciosos meses.
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  Graças a barulhenta tempestade de vento, se deram ao luxo de gemerem um pouco mais alto. Como era de conhecimento mútuo, apreciavam mais as uniões quando aumentavam o contato corporal. Logo, Sebastian manteve o tronco ereto, inclusive para poder explorar o outro onde mais quisesse. Sugava o lóbulo, lambia o pescoço e beijava a nuca, lugar onde há pouco tempo identificou de maneira acidental ser sensível nele.
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  De vez em quando o rapaz virava a cabeça para beijá-lo sôfrego o agarrando pelo couro cabeludo – a respiração descompassada do moreno era sinal claro de como aprovava a ação.
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  - Bebê. – resfolegou o abraçando pelo peitoral – Faz daquele jeitinho, vai.
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  A frase o arrepiou em antecipação. Então, acatando ao pedido, passou a rebolar lentamente.
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  - Bom menino. – depositou outro beijo ardente no pescoço suado pela excitação – Continua assim.
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  Aos poucos acelerou o ritmo em movimentos fluídos até apenas avançar e recuar com o quadril.
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  Quando a áspera mão envolveu o pau melado para masturbá-lo, o rapaz repousou a dele na coxa torneada em busca de apoio pelas sensações se intensificarem.
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  Por sobre o ombro, o mordomo pediu com a voz carregada de ar:
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  - Olha como somos lindos juntos, amor. Como algo tão belo seria errado? – resvalou a palma esquerda para envolver o maxilar em gesto atencioso – Adoro essa sua carinha quando eu entro e saio assim de você. É tão lindo, bebê. Lindo.
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  Era verdade. O rosto estava levemente rosado, os delineados lábios volumosos entreabertos em perfeito O, as sobrancelhas franzidas e os vincos nasais formados. Era a imagem perfeita de quem desfrutava de imenso prazer vindo da pessoa quem lhe ensinou tudo o que aprendeu na cama como ávido aluno para aprender as deliciosas lições e colocá-las em prática de imediato.
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  Ao ver pelo reflexo o baixo ventre se contrair por, involuntariamente, os quadris de Sebastian subirem e descerem em movimentos mínimos aumentando a sedutora fricção escorregadia em busca do ápice, indagou já com os próprios músculos se retesando:
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  - Está perto, meu pequeno?
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  - Estou. Ah! – soltou um gritinho pela estocada particularmente forte e profunda do outro.
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  - Então vem comigo. – suplicava em forte enlace – Por favor...
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  Mordeu o lábio inferior para não escapulir mais nenhum grito e o agarrou pelos braços em frente ao corpo com os cotovelos abaixados.
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  - Só mais um pouco, bebê. – a voz rouca saiu entrecortada, denunciando como estava prestes a alcançar o alívio – Continua, meu pequeno. Meu. Só meu.
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  Foi o estopim para o rapaz se derramar em seu punho e ele gozar violentamente na última estocada.
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  Quase lhe assegurou que era do escravo. Quase se expôs emocionalmente. Quase replicou como não se afastaria jamais dos braços do mais velho. Quase deixou a sensibilidade do momento se transformar em palavras para lhe esclarecer sobre como se sentia há tantas noites durante os beijos, os abraços, o cuidado, a paciência e a atenção desfrutadas naquelas horas.
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  Damon chegou perto demais de admitir os sentimentos para si e para ambos, mas...
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  Compreendia, sim, como dois homens poderiam desfrutar de prazer.
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  Agora...
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  Amar?
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  Ainda não estava preparado.
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  Ainda não compreendia como isso seria possível.
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  Sebastian pensou do gemido ser oriundo do cansaço pelo corpo do ruivo amolecer como de costume, não de decepção por não verbalizar os sentimentos os quais teimava em negar – ou melhor, desconhecia a existência da possibilidade de dois homens se amarem romanticamente, então atrelava o afeto trocado quando estavam juntos a única e exclusivamente resultado do organismo perante às sensações.
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  O pegou no colo para deitá-lo na cama. No caminho enterrou a testa no peitoral moreno para os sentimentos angustiantes oriundos da covardia e da decepção consigo não serem detectados facilmente.
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  Em comportamento incomum, lhe deu as costas para não ver a expressão torturada. Logo, após o escravo apagar a vela já no final, se acomodou nele em conchinha acolhedora entrelaçando as pernas nas dele e passando o braço na cintura fina.
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  Por sua vez, segurou a mão na sua e a beijou demoradamente. Queria deixá-la assim sob o queixo, mas o abalo seria descoberto porque grossas lágrimas atingiriam a pele morena.
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  Não almejava responder perguntas difíceis caso o outro notasse o pranto.
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  Ao escutá-lo ressonar baixinho, se desculpou pela sua covardia em não se declarar.
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  Cinco meses depois ocorreriam eventos estarrecedores responsáveis por mudar a vida de Damon Smith e de todos ao redor dele.
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  O encontro daquela tarde na casa de Celie seria comum caso Anthony não tivesse chegado com surpreendente antecedência. Em consequência da contrariedade, ignorou o agasalho feminino na carruagem ao descer do transporte.
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  - É a terceira vez em menos de quarenta minutos que me pergunta se estou bem. – rindo, Celie colocou a amada contra a parede – Qual o problema?
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  - Preocupação. – esfregou os olhos tentando dissipar a inquietação – Há semanas estou aflita com um terrível pressentimento. Independente do quanto me esforce, ele não passa. Já perdi várias noites de sono por causa disso.
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  Nunca contou para ninguém sobre seus sonhos premonitórios. A informação seria enterrada consigo dentro de alguns anos por causas não naturais.
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  - Pressentimento? – deu um selinho carinhoso nela.
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  - Sim.
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  - Em relação a?
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  - Você.
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  - Por isso tem estado tão presente e me visita com mais frequência? Estou adorando, inclusive.
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  O sorriso iluminou o rosto e tranquilizou o angustiado coração da outra.
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  - Sim. Só me acalmo quando estamos juntas porque é a minha garantia que está segura.
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  - Cassie, eu estou ótima. Nada de ruim vai acontecer comigo.
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  Para assegurá-la, a beijou docemente por longos minutos. Não demorou para gemerem se agarrando e incomodadas pelo excesso de roupas.
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  Abraçadas, murmurou a pressionando contra si:
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  - Eu te amo, Cassie. Não se preocupe comigo. O mais importante é o que estamos vivendo aqui e agora. Deixe-me te ajudar a esquecer dessa história.
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  Sorriu de olhos fechados pelo corpete ser baixado e o mamilo rosado envolvido pela boca tão conhecida.
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  Devido à ida na fazenda de Damon em busca de um escravo fugitivo, retornou mais cedo.
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  Como os escravos da propriedade obedeciam às ordens do patrão, não ousariam em desobedecê-lo em respeito pela figura abolicionista e por medo de pararem nas mãos de outro branco cujo tratamento desumanizado não almejavam correr o risco de experimentar – principalmente quando a ordem em questão era proteger e ajudar na fuga caso algum outro escravo fugitivo da região parasse nas suas terras.
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  Antes de sair acompanhado pelo mordomo, a menina de catorze anos o parou:
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  - Senhor.
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  Ao se virar, Bia carregava um casado cor esmeralda.
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  - Pode, por favor, levá-lo para a senhora Kassandra? Ela foi visitar sua esposa para um chá da tarde, mas não levou agasalho. Parece que vai chover mais tarde.
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  Passou cinco segundos em silêncio onde soube disfarçar o desconforto.
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  Celie nunca tomava chá fora de casa porque, segundo a esposa, apenas a cozinheira particular sabia preparar o chá como gostava.
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  Além disso, havia lhe dito que iria passear na cidade com a antiga amiga.
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  - Claro.
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  Parado ao lado da garota, Sebastian franziu o cenho por notar como havia algo de errado pela maneira do homem apertar a peça com vigor até os nós dos dedos embranqueceram.
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  Alterou os planos.
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  Ao invés de ir acompanhar um esporte masculino conforme se planejara, avisou para o cocheiro ir para a casa.
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  Como não havia ninguém nos andares por onde passou, aproveitou para não causar nenhum barulho, principalmente por detectar como o chapéu da esposa continuava no lugar denunciando a mentira implícita do seu paradeiro. Afinal, nunca saía sem ele.
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  Buscava pela presença de mais alguém ali ou, pelo menos, sinais. Certo que encontraria, prosseguiu silencioso.
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  Se dirigindo para o quarto, escutou gemidos abafados vindo dos aposentos da esposa. Como a porta estava entreaberta em claro descuido, assistiu como Kassandra a beijava avidamente com as mãos entre as pernas da amante enquanto a mulher tremia ao gozar.
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  Foi o começo do fim para o trio.
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  Agarrado a maçaneta até entortá-la, os olhos se avermelharam pela fúria implacável sem piscar, as írises injetadas e enlouquecido pela ira. Tremia de ódio pela repugnante visão animalesca – em sua opinião.
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  Para ele, se assemelhavam a dois animais tomados por algum espírito maligno graças a fraqueza feminina.
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  Não era para mulheres sentirem ou sequer demonstrarem qualquer sinal de prazer, por menor que fosse.
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  Serviam exclusivamente para cumprirem com seus deveres matrimoniais – se casarem, cuidarem da família e servirem obedientes ao marido. Quando ele desejasse, deveriam se deitar nas camas de pernas abertas com um lençol para lhes cobrir a nudez onde havia um rasgo posicionado em seus centros por onde os esposos se aliviariam como bem quisessem sem se importarem em como se sentiam emocionalmente ou se usufruíam de iguais sensações pesarosas.
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  Afinal, o prazer era direcionado exclusivamente aos homens.
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  Às mulheres restava manterem-se caladas sob o corpo masculino enquanto, secas e sem estímulos prévios, eram penetradas.
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  Na Bíblia havia passagens irredutíveis sobre o papel de submissão feminina perante o marido.
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  Portanto, junto à sociedade de cultura patriarcal e opressiva da época, suas ações seriam compreensíveis – e dignas de elogios pela sociedade caso outros descobrissem sobre aquilo.
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  A memória de como o homem quebrou a porta tamanha a selvageria ao abri-la assombraria Kassandra até o fim da vida.
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  Se tornou um animal descontrolado seguindo seus instintos cruéis.
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  Graças a intolerância, tendência a violência e ao terrível temperamento, avançou em Celie, quem, agarrada nela, recebeu um tapa tão forte que caiu sobre a cama com o nariz sangrando.
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  Com o sabor amargo do terror no paladar, a esposa de Damon Smith escapuliu de não ser agarrada pelo braço em movimento ágil agindo instintivamente ao visar pela sua sobrevivência e da amada. Como o braço alcançou um objeto qualquer, o jogou nele quebrando a madeira. Infelizmente, o golpe foi quase insignificante por Anthony erguer o braço onde o objeto se quebrou em lascas de madeira.
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  Desnorteada devido aos gritos de Kassandra e as imprecações masculinas, a outra se colocou na frente dela em tentativa vã de protegê-la debilmente.
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  Não surtiu efeito.
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  Se aproveitando de como já estava debilitada pelo tapa, a empurrou com violência desproporcional. Por pisar em falso, torceu o tornozelo urrando de dor e sentindo o sabor de sangue na boca.
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  Indefesa, paralisada e temendo pela morena, foi presa fácil para o homem agarrá-la pelos cabelos ao atravessar o espaço para ampará-la. Gritou com ardência nos olhos tamanha a força exercida por ele cujos dedos se enterraram no couro cabeludo.
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  Antes do soco atingi-la, a voz do escravo da casa, quem correu para entender o que acontecia graças aos terríveis sons, o advertiu:
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  - Ela não, senhor! É a esposa do senhor Smith. Ele virá prestar contas.
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  Graças a má fama do patriarca da família Smith e a conduta igualmente violenta de Damon por desobedecerem às suas ordens na fazenda, Kassandra não foi agredida, espancada e nem morta.
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  Em contrapartida, foi arrastada pelo chão até chegar na carruagem. A outra se rastejava para impedi-lo lhe implorando para cessar com as atitudes descomedidas. Anthony desceu as escadas com a vítima em meio a gritos estridentes de dor, humilhação e desconforto. Chorava com as pernas à mostra tentando se pôr de pé inutilmente.
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  - Larga ela!
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  Celie surgiu mancando com sangue escorrendo das narinas e manchando o corpete. Nos degraus, segurou o pulso dele para soltá-la. Infelizmente, a força entre eles era desigual. A puxou impetuoso, quem bateu com os braços e o abdômen dolorosamente nos degraus e parou atrás dele. Pelo vão entre as calças, a viu ser chutada na barriga para afastá-la.
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  Do lado de fora, várias escravas correram para socorrê-la devido aos gritos estridentes. Espantadas, pararam incapazes de prestar socorro por motivos óbvios. O próprio cocheiro desceu do veículo ineficaz para impedi-lo sem sucesso.
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  Anthony abriu a porta e a jogou no interior enquanto visualizavam aturdidos e impactados pela cena.
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  Cambaleante, tencionou sair para socorrer a amante.
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  Não se importou em bater a porta da carruagem nos dedos dela, lhe arrancando um grito pelo impacto repentino e pela dor excruciante.
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  Pressionou até ela desistir com marcas profundas nas falanges.
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  Atravessou o braço pela janela para pegá-la pelos cabelos uma última vez.
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  - Não me interessa quem é o seu marido. Se aparecer por aqui de novo eu te mato.
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  Os olhos transmitiam franqueza demais para ignorar as palavras cujo frio na espinha foi o aviso necessário de como cumpriria a jura de morte.
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  A jogou antes de entrar na casa rapidamente.
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  O tempo de se ajeitar no interior foi o suficiente para começar a ouvir os gritos de Celie apanhando com o cinto.
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  Antes de alcançar o trinco, uma escrava cuja beleza foi atenuada pelos inúmeros abusos sofridos ao longo da vida enfiou a cabeça pela janela.
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  - Não, senhora. Vai piorar tudo se voltar para lá. A gente cuida dela. Vai. Depois a dona Celie te envia notícias.
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  Pálida, descabelada, trêmula, sofrendo, chorando e em desespero, não restou uma alternativa.
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  Pediu para o cocheiro manter segredo sobre o acontecimento amargo.
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  - Não me interessa se meu marido pode tomar as devidas providências! – rugiu – Sou sua superior e você me deve obediência. Não mencione absolutamente nada para ninguém.
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  Durante o caminho se ajeitou como pôde.
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  Destroçada, correu para o quarto onde se trancou até o período noturno.
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  Nenhum dos presentes compreendeu como Celie sobreviveu naquela tarde.
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  Nunca apanhou tanto na vida.
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  O nariz foi quebrado, o olho direito estava inchado e roxo. Na pele as escoriações oriundas das agressões eram inúmeras em tons diferentes e algumas em alto relevo.
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  Se não fosse por um dos escravos ir até Dean Brown escondido quando, após duas horas, Anthony sair do quarto ajeitando as calças satisfeito pelos sangramentos em cada orifício do corpo feminino como punição da traição e do bestial ato contra a natureza, certamente a frágil mulher teria morrido se as feridas não fossem tratadas por um profissional.
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  Quando a examinou, estava desfalecida na cama com o vestido rasgado. Mesmo desmaiada enxergava o sofrimento nas feições outrora meigas. Foi o mais cuidadoso possível ao manuseá-la na companhia de três escravas e com o auxílio delas. Recorreu a métodos de conhecimento do povo negro para estancar o sangue e não hesitou em mandar cinco mulheres buscarem ervas as quais seriam usadas para acelerar o processo de cicatrização e desinchar as áreas mais afetadas.
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  Raras foram as vezes que desprezou em total repúdio um ser humano ao encontrá-la inconsciente no colchão totalmente violentada em todas significados da palavra.
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  O quarto parecia cena de crime quando os escravos entraram para cuidar dela. Havia uma pequena poça de sangue no tapete. Cadeiras e objetos foram quebrados e havia sangue respingado na parede direita por um dos socos arrancar três dos seus dentes.
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  O médico entrou pacificamente pela porta dos fundos e saiu mortificado pelo que encontrou.
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  Já atendeu inúmeros casos – e teoricamente deveria se acostumar por situações assim, embora a dimensão não fosse sequer similar àquela. Porém, a brutalidade foi pujante ao ponto de passar longos dias com a imagem dela surgindo em sua mente como constante lembrete da terrível desigualdade de gênero cuja época cruel a qual estava inserido abria margem para Anthony não sofrer nenhuma represália pelos crimes cometidos contra a pobre esposa indefesa.
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  Nunca compreenderia como homens, principalmente os considerados como corretos e defensores da moral e bons costumes, seriam capazes de tamanhas barbaridades contra mulheres e crianças – e nem como eles sairiam ilesos com o apoio de diversas pessoas, mesmo se os atos de violência fossem denunciados ou apontados.
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  Anthony nunca foi um indivíduo bom – motivo pelo qual Kassandra e Damon o evitavam.
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  Era um homem como qualquer outro daquela época. Veio de família abastada, se aproveitava das escravas jovens e bonitas, bebia constantemente e usava da força física e do status para atingir os objetivos simplesmente porque a sociedade e a igreja o apoiavam devido a cultura, a ética e a moralidade.
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  Vaidoso e arrogante, não aceitava baixar a cabeça ou praticar a indulgência. Tais posturas facilmente manipuladas por si estavam dirigidas às mulheres.
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  Homens mandavam.
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  Mulheres obedeciam.
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  A sociedade ditava assim. A cultura ditava assim. A moral ditava assim. A ética ditava assim. Deus ditava assim por meio dos escritos bíblicos.
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  Logo, se espancava Celie era para corrigi-la ou puni-la por se desviar do seu papel de esposa ou mãe por não cumpri-los como deveria. A culpa era inteiramente dela. Se agisse como lhe era exigido, não sentiria o peso do seu punho, da sua mão ou do seu cinto.
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  Foi assim com a mãe de Anthony e com a avó – eram corrigidas pelos cônjuges. Naquele contexto, não agiria diferente do pai e do avô. Seria a cópia fiel deles, inclusive no hábito de buscar por escravas jovens, frequentar bordéis ou a tendência para a bebedeira.
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  Dessa vez escolheu apenas o álcool.
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  Se satisfez mais do que o suficiente com a esposa. Não seria necessário sair.
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  Sentado no escritório de frente para a lareira acesa, as chamas lhe chamaram atenção na dança bruxuleante terminando de tomar a garrafa de rum. O calor o envolvia agradavelmente e achava a cor atraente.
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  Hipnotizado pela imagem e movido pela amargura, refletia quantos encontros a mulher teve com a pecadora. Há quanto tempo estavam juntas? Quantas vezes riram dele pelas costas? Quantas vezes se deitaram na cama onde dormia com Celie e a possuía cumprindo seus deveres matrimoniais? Quantas vezes o inferiorizou? Quantas vezes zombaram dele?
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  Movido pela mente doentia de qualquer ser humano narcisista e com o cérebro anuviado pela bebida a qual potencializava o seu terrível caráter, se levantou cambaleante.
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  Ninguém naquela casa veria o amanhecer – nem mesmo ele, quem seria prensado contra a parede pelo grande armário cair e atingi-lo, impossibilitando a fuga independentemente do quanto tentasse.
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  Faltando minutos para o raiar do dia, bêbado, Anthony espalhava nos aposentos particulares dela e no quarto onde costumavam dormir um líquido inflamável encontrado na baia dos cavalos.
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  Movido pelas alucinações do álcool e da má índole, derramou quantidade exorbitante pelo chão, pelos móveis e pelas paredes. Com as írises vidradas, apanhou a caixa de fósforo no bolso frontal da calça, acendeu e o jogou.
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  Não demorou para as chamas tomarem a casa.
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  A agonia no coração de Kassandra era desesperadora.
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  Não saiu do quarto nem para comer.
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  Vomitou cinco vezes devido ao nervosismo. A ânsia não diminuía, o coração não desacelerava e o mero pensamento de tomar remédio ou um chá para tranquilizar os nervos era o suficiente para vomitar novamente.
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  Nem conseguiu dormir ao anoitecer.
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  Quanto mais a hora passasse, maior a inquietude. De madrugada, faltando uma hora para o nascer do sol, a onda repentina de choro preso na garganta a invadiu.
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  Sem alternativa, atravessou correndo os cômodos até chegar no quarto de Sebastian – quem saiu dos aposentos de Damon com minutos de antecedência, então não se encontraram no trajeto.
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  - Sebastian! – batia incessantemente na porta – Abra, por favor! Acorda! – impaciente, a socou com os punhos – Acorda!
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  Ao abri-la, se assustou pelo estado desolador da mulher – trêmula, com vestígios de choro recente, desespero nos globos, pálida e o calvário estampado em cada poro.
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  - O que aconteceu, senhora?
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  - Nada. Preciso que me leve a casa de Celie.
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  - Ainda não amanheceu. Aguarde...
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  - Não me interessa. A gente precisa ir lá agora.
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  A analisou de cima abaixo e viu a ausência de calçados. Pela aparência, a instabilidade emocional e a visível histeria, não aceitaria um não como resposta.
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  - Calce primeiro os seus sapatos. Vou colocar uma roupa mais adequada. Tudo bem?
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  Em repentino alívio, correu para executar a tarefa rapidamente. Porém, não sabia que aquela era uma desculpa para o mordomo ganhar tempo.
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  Se vestiu apressado e foi para a cozinha onde, mal-humorada, Bianca tomava rum para continuar acordada.
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  - Pelo amor de Deus. – se inclinou sobre a mesa em frente a ela a sobressaltando – Chame o Damon agora. Kassandra está desnorteada e quer que eu a leve para a casa de Celie.
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  - Por quê?
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  - Não faço ideia. Vai. Não posso sair daqui debaixo.
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  Faltando segundos para irem até a carruagem, Damon surgiu acompanhado pela governanta para interferir na ação insensata – e foi quando o pandemônio começou.
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  De tão alterada esbravejava sem se importar se os empregados acordariam e escutariam a discussão. Teimou em sair sozinha e foi impedida por segurá-la pelo braço para impedi-la.
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  - Kassandra, pense. Está escuro. É perigoso. Seja prudente, por favor! Quando o céu clarear a gente te leva.
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  Isso demorou vinte valiosos minutos para acontecer.
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  Na carruagem, apressou Sebastian lhe suplicando para aproveitar a estrada vazia para os cavalos correrem.
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  Seu maior temor foi confirmado quando o tom do céu transitava entre o azul escuro e a tonalidade lilás.
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  Ao longe avistou pela janela a densa fumaça negra entre as árvores. O marido realmente se preocupou pela tonalidade cinza que a pele feminina tomou sem imaginar a profundidade do abalo emocional pelos maiores temores se concretizarem bem na sua frente.
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  Enquanto a carruagem ainda se movia, abriu a porta e se jogou para fora por detectar os gritos de Celie presa em algum cômodo do andar superior tomado pelas chamas em meio a de outros escravos dentro da casa por eles acordarem cedo para exercerem os serviços.
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  Correu para salvá-la sem sequer raciocinar se era possível. Foi agarrada pelos braços de Sebastian, quem a puxou para si a aprendendo em resistente abraço a impedindo de invadir a mansão em busca da outra.
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  - Não há nada que se possa fazer, senhora. – a arrastou para longe se esforçando para não a machucar de tanta força feita por ela, quem lutava bravamente contra ele.
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  - Não! Ela está lá. Precisamos tirá-la de lá. – transtornada, se esforçava para prosseguir movida pelos instintos e pela agonia de presenciar os sons de morte eminente produzidos pela amante e mulher quem amava em segredo há anos – Podemos salvá-la.
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  - Vamos morrer no processo. – Damon surgiu para ajudá-lo – Não há nada que se possa fazer.
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  Sem alternativa, Kassandra caiu de joelhos sendo amparada por eles – em sinal de precaução por temerem repetir a tentativa de entrar no local incendiado. Aos prantos, tampou os ouvidos para evitar de escutar os berros viscerais e detestando o odor característico de pessoas queimadas.
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  Se apoiou com as palmas no chão e gritou o nome de Celie pela última vez, a dor, o sofrimento e o desespero estampados na voz de tal maneira que os homens se arrepiaram em resposta.
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  Assim foi a morte da única pessoa que lhe restou no mundo pelo erro irreparável de amar alguém do mesmo sexo: lacerante agonia em trágico fim.
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