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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 30

  Rio de Janeiro, dois anos depois

  Damon estava puto.
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  Não era um problema consigo, sua família ou seus amigos – é claro, exceto um amigo em questão.
  As coisas corriam ótimas para si. Aproveitou a repercussão do casal da série para investir na carreira tanto de ator quanto de cantor. Foi escalado para dois musicais, foi contratado para um programa de televisão, lançou cinco músicas naquele período após a finalização das gravações, dava os toques finais para o seu novo show e fez um filme que estrearia em seis meses. Num todo ele estava bem.
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  A sua chateação tinha identidade, CPF, número de telefone por onde costumavam trocar mensagens diariamente, um metro e oitenta de altura, ascendente em Câncer e um maravilhoso toque afável.
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  Diferente de Damon Smith, Sebastian Malonga não soubera usar a Internet de maneira a lhe proporcionar o crescimento profissional esperado. A sua postura não era a correta e, infelizmente, refletia na forma como não havia tantos trabalhos quanto apareciam para o ruivo.
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  O moreno não decolara como deveria porque escolhia não ir em eventos por preferir desfrutar da companhia dos amigos – ao contrário do outro, quem sempre estava presente e também atualizava as redes sociais para se manter na mídia, diferente do outro.
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  Certa tarde, uma amiga sua do elenco da novela cujo personagem era o alívio cômico da história, comentou com ele em sigilo que os diretores não tinham previsão de encaixar o mais velho em outro projeto porque o homem não mexia nas redes sociais – mesmo se tivessem inúmeras ressalvas plausíveis, aquilo era importante porque figuras públicas sempre levavam novos espectadores consigo quando encaixadas em algum programa ou podcast.
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  Naquela tarde, Damon refletiu em seu apartamento no Rio de Janeiro sobre a situação desfavorável. Apenas jogou nas redes sociais o vídeo de uma parceria o qual já estava programado. Durante a tarde chuvosa não conseguiu se concentrar nos filmes de terror os quais colocara para assistir na sala. Encolhido no sofá, com seu moletom pelo frio, debaixo da coberta, pensava numa maneira de solucionar esse problema. Até tentava voltar a atenção para Invocação do Mal, mas logo devaneava sobre sua perturbação.
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  Por fim, num impulso, em tentativa, inclusive, de dispersar a inquietação, apanhou o celular para enviar uma mensagem para quem jamais pensou entrar em contato. Mal sabia que, ali, dera a continuação a um romance o qual não teve a oportunidade devida de ser vivenciado pelo casal graças a época desfavorável para casais gays. Romance esse que eles não poderiam se recordar. Apenas tiveram contato no dia que se conheceram no set: Damon reconheceu o rosto de Sebastian de seus sonhos e Sebastian teve um deja-vu ao se deparar com o rapaz, quase sendo capaz de jurar já tê-lo conhecido antes – principalmente quando o cantor se apresentou com um sorriso tímido e um brilho adorável no olhar.

  Quinze dias depois Damon e Akil foram visitar Sebastian.
  O homem pensou que fosse uma visita amigável para passar a tarde de sábado. Não era o caso.
  - Amigo, já cogitou que a inexistência da sua imagem pública não está favorável e isso está te prejudicando? – sentado no sofá ao lado do moreno, Akil se concentrava para não gritar.
  Afinal, falara isso inúmeras vezes para ele, assim como outros profissionais cujas profissões dependiam do conteúdo estratégico postado nas redes sociais para promover seus trabalhos.
  - Eu não consigo ver dessa forma. – preocupado, cruzou as pernas no móvel – Eu busco ser atencioso com todos, trato bem os fãs, me esforço demais no meu ofício. Não vejo nada de mal nisso.
  - Ok. Vamos começar pelo be a bá. – a poucos passos de distância, o ruivo se acomodou no chão com as costas apoiadas na parede de frente para a dupla – Imagine o Instagram ou o Twitter como a vitrine do seu produto. Qual produto você vende?
  - Atuação.
  - Ótimo. – gesticulava calmamente, o explicando com clareza numa voz lenta – Vamos lá. Atuação é o seu produto de venda. Entretanto, você não é somente um ator. Até chegar no seu produto, existe a pessoa chamada Sebastian Malonga, cuja personalidade tem pontos positivos e pontos negativos. Quem é Sebastian? Ele é afável? É gentil? O que gosta? Qual o seu estilo de vida? Quem for comprar o seu produto, vai estar também comprando a sua imagem, o seu estilo de vida, o que você prega e os seus comportamentos. O seu produto pode ser simplesmente maravilhoso, mas, caso não esteja atrelado a sua identidade, a pessoa não vai desejar comprar.
  A feição do ator mudou à medida que o ouvia. Aos poucos a compreensão começou a tomá-lo. Os dois quase podiam ouvir as engrenagens do cérebro se mexerem elaborando pensamentos e perguntas sobre o tema.
  - Independente de quem eu seja? – a voz trêmula denunciava o receio.
  - Sim. – Akil confirmou. – Hoje em dia é importante as pessoas terem um determinado número de seguidores que o acompanham para serem chamados para papéis, eventos, programas e por aí afora.
  Sebastian fechou os olhos dando um suspiro prolongado. Pela primeira vez teve a noção da dimensão do problema em que se meteu.
  - O meu caso tem como ser revertido?
  Os amigos trocaram um olhar antes do cantor respondê-lo.
  - Sim, mas de uma forma prática, pouco convencional e que certamente daria bons resultados na possibilidade de aceitar a fazer as mudanças práticas e dissimuladas em conjunto.
  - Como assim? – pendeu a cabeça para o lado direito.
  - Você sairia do Twitter e me daria as senhas do seu Instagram. – contou o careca aliviado pela conversa não ter sido em vão – Eu criaria uma planilha mensal de conteúdos para você postar todos os dias. Dentre eles, um ou dois seriam de sua escolha. Essa é a maneira prática.
  - E a outra?
  - A outra serviria como cortina de fumaça. – prosseguiu Damon – Algo para chamar atenção das pessoas e que, sem dúvida, os fãs ajudariam a divulgar.
  - Seria...? – ergueu as sobrancelhas.
  - Assumiríamos um relacionamento publicamente. – resumiu Damon.
  - Gente, não. – balançou a cabeça em negativa numa expressão fria – Isso não dá. Não gosto de mentiras.
  - A gente não vai namorar de verdade. – precisou erguer a voz e projetá-la com firmeza – Apenas fingir.
  Sebastian se levantou do sofá. Ansiedade, preocupação, medo e algo um pouco mais doce cuja identificação fora impossível para os amigos perpassou suas feições. Caminhou pela sala num silêncio desconfortável. Inquieto, mexia as mãos uma na outra encarando o chão. Ambos imaginavam que a aflição era somente por causa de sua imagem pública e as consequências disso as quais somente ali tomou conhecimento. Entretanto, não eram a única razão para o desconforto.
  Seria necessário passar mais tempo com Damon. O admirava tanto como artista quanto como ser humano. O problema era o sentimento em seu coração. Durante as gravações da série foi capaz de controlá-lo sem dificuldades. Sempre se conteve na presença do rapaz. Se conteve de tocá-lo como desejava, de se deixar levar, de acariciá-lo, de dar ouvidos às suas reais vontades e finalmente ultrapassar a linha intransponível que colocou para a relação deles não evoluir.
  Aquela proposta fazia sentido e poderia dar, sim, certo. Infelizmente, para isso seria necessário conviver com o responsável por ansiar chegar os dias de gravação porque era sinônimo de usufruir da companhia de seu par romântico na série – e quando eles não se viam, aparecia um curioso sentimento de pesar por causa da saudade.
  - Olha... – passou a mão na nuca parando de costas para eles – Me deixem pensar. Só preciso de uns dias. Nada mais.

  Não eram necessários alguns dias. Apenas dois.
  A insistência de Damon foi tamanha que Sebastian aceitou maratonar os quatro filmes de Jogos Vorazes.
  - Por que eu veria esses filmes? Já os vi antes. – reclamou nos segundos iniciais de Jogos Vorazes.
  - É simples. – recostado no sofá, comia pipoca do balde em seu colo – Retrata claramente como a mídia e a TV funcionam, caso ainda não tenha se ligado. – passou para o moreno sentado ao seu lado a outra tigela, essa em particular de pipoca doce – Agora, fica quieto e presta atenção. Preste atenção em como a figura pública da Katniss é construída e no motivo dela e do Peeta terem sobrevivido aos primeiros jogos.
  Assim como nas vezes anteriores, se envolveu pelo enredo. Xingava a Capital, ovacionava a Katniss e reproduzia o símbolo do tordo em Em Chamas, onde os Distritos começaram a se rebelar. Quando Damon notava que o encarava por vários segundos, tratava de desviar imediatamente o olhar. Sabia o quão expressivo era, então não poderia deixar transparecer seus verdadeiros sentimentos.
  Aos poucos, ao longo das horas juntos para assistirem aos filmes, se aproximavam fisicamente. De início se sentaram nas pontas do sofá. Agora, ambos estavam lado a lado. Os braços se tocavam e o ruivo lutava contra a vontade de deitar a cabeça nele. Intimamente, o outro desejava ousar nos toques para segurar a pequena mão na sua ou puxá-lo para si. Porém, havia um grande autocontrole, então refreava seus impulsos de maneira quase torturante – torturante porque inúmeras vezes desde quando se conheceram se esforçava para não se deixar levar pelos reais impulsos.
  - Percebeu o motivo dos tributos conseguirem sobreviver para além dos jogos? – pôs as tigelas de pipoca a alguns centímetros de distância ao término de A Esperança parte 2.
  - A ajuda dos patrocinadores.
  - E eles angariaram patrocinadores porque...
  - Porque o público gostou deles.
  - Quase. Essa foi a consequência da imagem que eles passavam para o público junto com o entretenimento. – virou o corpo para o moreno com as pernas encolhidas – A imagem de uma figura pública é importante não só nos grupos de fãs, mas também para as pessoas fora da bolha.
  Deus, o corpo de Damon estava tão perto... O olhar era tão intenso e... Havia uma centelha de algo ali. A pontada de algo que, quando escapulia, Sebastian era incapaz de esconder o sorriso bobo dos lábios porque seu coração aquecia no peito. E esse foi o caso. Um pequeno sorriso sem mostrar os dentes surgiu.
  - Que foi?
  Balançou a cabeça numa negativa mordendo o lábio inferior.
  - Pequeno, você acha que isso vai funcionar? – se posicionou da mesma forma do ruivo para fitá-lo melhor. É claro, sem se afastar.
  - Ah... Acho que sim. Mas vai depender mais de você do que de mim. – assegurou em voz baixa – A gente já tem uma química natural e os fãs ao nosso favor. É só sabermos lidar da melhor maneira e aparecermos juntos nos lugares.
  Sebastian não replicou apenas para admirá-lo. Durante os segundos se perderam conectados numa áurea que ambos sequer conseguiram identificar para nomear. Eram amigos? Sim. Era visível. Entretanto, não parava aí. Existia a presença de uma faísca mais impetuosa a qual o mais velho refreava de crescer para os dois.
  O cantor entreabriu os lábios quando o moreno ergueu a mão lentamente na direção de seu rosto. Sentiu o característico frio na barriga em expectativa. Enxergava a vontade nas írises escuras. Infelizmente, da mesma forma como o ímpeto surgiu, ele se desvaneceu em menos de um segundo. Recolheu a destra retomando seu autocontrole.
  - Agiríamos como qualquer casal? – a voz era trêmula ao levantar o questionamento.
  - Só se você quisesse.
  Encarou a paisagem atrás de Damon refletindo.
  - A gente... Se beijaria ou ficaria de mãos dadas?
  - Só se você achar necessário.
  - E se chegasse ao ponto de ser necessário?
  Damon não compreendeu o motivo de haver súplica no tom usado pelo outro.
  - Tudo bem, por mim.
  Havia um misto de apreensão e ansiedade nas feições. Por causa disso, Damon o segurou pelo queixo e direcionou a cabeça morena até os olhos se encontrarem.
  - Eu não ia te meter em problemas. Confia em mim. Vai dar certo. Deixa a gente quem te ama te ajudar. – murmurou deixando os dedos deslizarem pelo maxilar sentindo a textura da barba rala.
  O ator engoliu em seco.
  - Está bem.
  Apenas aceitou porque a declaração velada estava contida na frase.
  Ambos não sabiam, mas, ao selarem o acordo, abriam caminhos para, finalmente, viverem juntos um romance que lhes foi impedido ou tirada a oportunidade deles por causa das circunstâncias, do tempo histórico ou da interferência de outras pessoas as quais os cercavam naquela vida.
  Não imaginavam que uma figura específica se reencontraria com eles – pela primeira vez com Damon naquela vida e pela segunda vez com Sebastian naquela vida.

  Conversaram com suas famílias contando sobre o plano antes de dar prosseguimento. Acharam conveniente irem juntos para o aniversário de uma atriz famosa em participar de novelas e filmes com quem Damon pegou amizade. Seria a primeira aparição pública do suposto casal. Teriam câmeras, fotógrafos, artistas e os mais diversos profissionais do meio o qual trabalhavam. Alguém poderia flagrá-los juntos e, uma vez que a foto ou vídeo fosse parar a Internet, seria o assunto do momento.
  Chegaram no carro de Sebastian. Damon estava com um look preto preparado por Marie onde havia uma inspiração roqueira com elementos pratas e femininos, como o colar de diamantes dado por Sebastian para Satine há décadas. O batom rosado evidenciava os lábios carnudos e o lápis preto deixava o olhar penetrante.
  O outro trajara sua típica camisa branca, jeans e sapatos pretos sociais.
  A poucos metros de distância podiam ver o aglomerado de pessoas em frente à casa da atriz, Luciana. Estacionou numa vaga embaixo de uma árvore.
  - Está, mesmo, confortável com a armação? – inquieto, Damon mastigava o interior da boca.
  - Não tanto quanto deveria. – jamais revelaria que simular um relacionamento entre eles poderia, mais cedo ou mais tarde, derrubar o muro construído tão minuciosamente em volta de seu coração para evitar do sentimento crescer.
  E isso o apavorava.
  Passou dez segundos onde apenas se encararam com certa dúvida pairando no ar. Por fim, o mais novo desviou o olhar para a janela, murchando discretamente.
  - Você não precisa prosseguir. – era nítido o desapontamento – Vai. – levou a palma até a maçaneta a pousando ali – Ninguém nos viu ainda, então posso descer aqui e você fazer o retorno.
  Por ouvir o som da porta sendo destrancada, Sebastian segurou a pequena destra esquerda. De imediato o rapaz voltou a sua atenção para o toque inesperado.
  - Não. Eu quero fazer isso. Eu quero isso desde que... Desde que seja contigo, pequeno.
  Seu temor se dissipou quando, ao fitá-lo, deparou-se somente com certezas ao invés do contrário.
  - Está tudo bem se aparecermos... – o mais velho entrelaçou os dedos nos do outro – Assim? Por um momento.
  Esboçou um discreto sorriso em concordância.
  Quando os repórteres os viram atravessar a rua logo dirigiram os flashs a eles e diversas perguntas sobre o motivo de estarem de mãos dadas foram proferidas. Apenas desconversavam com piadinhas antes de posarem para algumas fotos e entrarem.
  A festa foi ótima. Se divertiram, riram e dançavam com amigos que encontraram por lá sem saírem um do lado do outro. Onde quer que vissem Sebastian, era onde Damon também estava. Não demorou para mais uma leva de questionamentos acontecerem. O mais novo tampava a boca ou escondia o rosto no braço ou no peitoral do outro para aparentar vergonha, quem acariciava as suas costas.
  - Quem sabe? – beijava o topo da cabeça ruiva, satisfeito por deixar uma pontada de dúvida nas pessoas – Quem sabe?
  Aguardou o amigo em comum se afastar. Durante a conversa breve aproveitou para sentir o cheiro exalado do outro devido ao perfume amadeirado. Não havia problema em abraçá-lo pela cintura. Afinal, era uma simples encenação. O empecilho era a existência de uma verdade mascarada de encenação. Quanto mais próximos ficavam, mais difícil se tornaria disfarçar os reais sentimentos escondidos com tanto esforço.
  - Acho que já está funcionando. – apoiou o queixo no peitoral firme o encarando.
  - Definitivamente as pessoas já estão começando a falar. – usou o indicador para atingir carinhosamente a ponta do nariz alvo lhe arrancando uma risada – Como pretende passar as próximas horas? – voltou a afagar as costas com as pontas dos dedos.
  - Curtindo a festa. Dançando, bebendo, conversando... E batendo fotos.
  - Tudo isso sem desgrudar de mim.
  - Exatamente. Afinal, precisamos soar convincentes, né?
  - Sim. – se perguntou, caso não houvesse como pano de fundo uma cortina de fumaça, como o cantor agiria se não estivesse atuando – O acompanharei em tudo, exceto na bebida. Não controlo os meus impulsos quando fico bêbado.

  No dia seguinte, ao acordar quase meio-dia, descobriria que a sua dedução estava correta ao mexer no celular.
  Nos sites de fofoca, no Twitter e em diversas plataformas digitais corriam vídeos e fotos dos dois. Os fãs estavam loucos. Seus nomes chegaram nos primeiros lugares de maneira orgânica como o assunto mais comentado no Twitter.
  Quando saiu do banho, atendeu uma vídeochamada de Dean. O primo certamente posicionara o celular na mesa do quarto para conversarem enquanto se vestia.
  - Damon! Eu dormi três horas essa noite, não comi nada, estou atrasado, não decorei o texto direito e vou passar a porra da tarde de hoje na base de café para ficar acordado e conseguir aguentar um ensaio filho da puta da nova peça. – apanhou uma regata amassada em cima da cama – Eu podia estar matando, podia estar roubando e podia estar me alimentando! Mas, não. Estou aqui com todo o amor desenvolvido na terapia querendo saber que merda vi no Twitter e se será necessário chamar o meu amigo matador de Jacutinga para resolver essa história.
  Explicou a situação sem esconder nada. Percebeu a seriedade da situação porque o rosto do primo passou por profunda metamorfose a cada palavra pronunciada. Estático com a calça aberta e as mãos na cintura, pendeu a cabeça pro lado. Franziu o cenho, arregalou os olhos e o queixo caiu. O lado direito do lábio superior foi erguido sem consciência. O único sinal de que não havia nada de errado nele além do tremendo choque era o tremor no canto do olho esquerdo.
  - Você pirou, viado?!
  O grito o assustou tanto que Damon quase derrubou o aparelho telefônico.
  - Estou só tentando ajudar um amigo. – quase choramingou.
  - Amigo esse que te fez entrar num celibato fodido desde quando o conheceu. Você gosta do boy.
  - Ah, não é nada de demais. – sentou-se no sofá – É para alavancar a carreira dele. Essa farsa não vai demorar muito tempo. Só alguns meses.
  - Tempo suficiente para você sofrer igual um filho da puta. – usou a sua imagem na tela para ajeitar os cabelos antes de colocar o boné – Escuta, não estou morando no Rio pelos próximos três meses, não. Vai ser impossível para eu fazer bate e volta para passar um tempo contigo caso acabe se envolvendo demais.
  - Dean, eu apenas vou simular um relacionamento com o Sebastian. Andaremos juntos, iremos aos lugares juntos e, talvez, eventualmente, role abraços, selinhos e mãos dadas. Não tem como isso dar errado, independente dos meus sentimentos por ele existirem.
  O primo ergueu uma sobrancelha duvidando das palavras enquanto os segundos se passavam.
  Afinal, nem Damon acreditou no próprio discurso – e a expressão denunciava isso.
  - Ok, admito, falando assim em voz alta é, de longe, a maior idiotice que já disse nessa vida, mas é um gesto altruísta. Nada mais.
  - Menino, leva a mal, não, mas essa é a primeira vez que um cara te faz virar celibatário. Até participar de uma suruba você já participou e fez banheirão. Para parar de transar por mais de dois anos por causa de um boy quem só beijou raras vezes numa série... Cheiro de merda sinto de longe. Se der ruim, dou um ombro para chorar depois de te comer no esporro. Vou indo ou não chego a tempo. Beijos e juízo! Entre na fila para se hidratar com juízo, inclusive, porque está te faltando isso.

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