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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 33

  Assim como as pessoas trans num geral, Michael passou por inúmeros problemas.
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  O início foi no seio familiar.
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  Nascido em corpo feminino, de família evangélica há gerações, onde alguns componentes se orgulhavam pelo cargo na igreja, era considerado como proscrito por ir contra tudo o que era pregado pela Bíblia e considerado como moral pelos demais – independente das barbaridades feitas pelos homens contra as mulheres, como agressões físicas, traições e abusos matrimoniais.
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  Afinal, as mulheres devem respeito e submissão ao marido, que deve ser a cabeça do lar, objetivando direcioná-lo corretamente sem nenhuma ovelha se desgarrar e fugir dos mandamentos religiosos estabelecidos. A figura masculina tinha a autorização de exercer seus direitos – e algumas esposas sequer tinham noção de sofrerem estupro marital graças ao discurso religioso das igrejas onde cresceram e se alienaram dos avanços sociais e da realidade do mundo.
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  Kassandra, até então registrada por esse nome, não suportava aquela conjuntura e questionava a todos sobre o comportamento reproduzido dentro de casa – e era reprimida e punida em consequência dos apontamentos.
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  Cresceu num ambiente repressor, cujo menor e mais insignificante deslize era sinônimo de queimar no fogo do inferno. Portanto, cresceu em meio à repressão, ao medo e aos mandos e desmandos sem os mais velhos se importarem com como se sentia ou se o contexto confrontava a sua identidade.
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  Aos 18 anos passou na UFRJ, onde foi cursar Artes Cênicas – e é claro que os pais não concordaram.
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  – Se tudo o que eu sofri foi em nome de Deus, prefiro o Diabo e ainda vou abraçá-lo feliz quando chegar no inferno. Pelo menos tio Lú não é hipócrita igual ao seu maldito Deus, que sequer é capaz de amar a todos por igual sem fazer distinção só porque alguns preferem dar o cu ou comer o cu.
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  Foi a última frase para o pai, pastor, antes de sair de casa com a mala pronta para morar numa república, sendo amaldiçoado e excomungado por ele.
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  Através de especializações, cursos, estudo e muito esforço, angariou amigos – e assim surgiu a oportunidade de trabalhar como câmera nas produções cinematográficas.
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  Ao longo dos anos economizou para passar pelo processo de transição com tratamento hormonal e realizou a cirurgia da retirada dos seios pelo SUS.
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  Hoje não poderia estar mais feliz em se enxergar quando via a sua imagem em fotos, vídeos ou no espelho – e adorava se ver em seu típico estilo roqueiro, com acessórios prateados e munhequeiras.
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  É claro, a sociedade ainda não tolerava tanto as pessoas trans e nem desenvolveu o mínimo de empatia ou compreensão para com elas. A expectativa de vida da comunidade era de até 35 anos, Michael nasceu no país com o maior número de homicídios de transexuais e, segundo pesquisas, cerca de 90% recorriam à prostituição como meio de sobrevivência pelo mercado de trabalho rejeitá-las e sofrerem os mais diversos preconceitos.
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  A realidade ainda era dura, mas havia algo que no passado não existia: esperança.
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  Transexuais começavam a ingressar na música e nas produções audiovisuais, recebiam apoio de relevantes figuras públicas como Madonna e outros artistas e tinham no Congresso a presença de quem as representasse – conquistas até então irrisórias no passado.
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  Estava acostumado a não ser assumido em relações amorosas pelo simples fato de as pretendentes não quererem se envolver publicamente por ele não ser um homem cis hétero. Já havia se acostumado – apenas não imaginava como o seu destino estava prestes a mudar.
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  Celie foi a convidada para ir à viagem ao Hotel Fazenda – e, como o convite foi feito através de mensagem, não veria o enorme sorriso desenhado nos lábios dela.
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  – Celie, escuta. – caminhava sozinho com a mulher pelo jardim expansivo na fresca manhã ensolarada antes de se juntarem aos outros no desjejum – Talvez seja precipitado da minha parte, mas estou te achando uma mulher excepcional. Desde quando te conheci gostei de você. Não sei se estaria disposta a ver o que poderia rolar entre a gente ou se prefere mantermos a amizade...
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  Não pensou que o puxaria pelo pulso e, embalando a face com as macias mãos, lhe desse um selinho demorado.
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  – Não se preocupe, Mike. – avisou em sorriso tímido, com a testa encostada na dele e as falanges na mesma posição, relaxando pelos braços dele envolverem a cintura – Me questiono há meses quando iria levantar a possibilidade. Você não é só um amigo para mim.
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  Após o café da manhã, Damon e Sebastian se divertiram na companhia dos respectivos convidados, os quais se entrosaram bem entre si.
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  Interagiam com os animais na Fazendinha, bateram inúmeras fotos, riram e conversaram, aproveitando cada segundo do passeio. Mesmo na companhia do grupo que sabia como o relacionamento era puro jogo de marketing, caminhavam de mãos dadas ou se abraçavam sem empecilhos – e os demais não deixariam de captar a existência de afeto genuíno nas espontâneas demonstrações de carinho.
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  Gravaram vários conteúdos para postar nas páginas das redes sociais – e conseguiram grande engajamento.
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  Apesar da falta de comunicação, Damon decidiu provocá-lo durante a estadia ali – e surgiriam oportunidades bem interessantes nas horas seguintes.
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  Ao longo dos anos Sebastian adoraria aquela característica nele – provocá-lo quando estivessem afastados geograficamente por causa das viagens de trabalho.
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  O atiçaria com fotos, frases pronunciadas cheias de manha ou lhe contaria o que fazia de noite para se aliviar sem a presença do moreno para realizar as tarefas ardentes. Em consequência, quando retornava para casa, passavam o dia inteiro sozinhos e desmarcavam compromissos para usufruírem plenamente das horas voluptuosas, onde o conjunto de sons preferidos deles era reproduzido – o quadril se chocando contra a bunda e as lamúrias prazerosas.
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  De noite, o casal passeou pelos jardins em sentimento nostálgico. O contato com a natureza foi significativo desde o primeiro encontro nas Colônias Britânicas, então potencializava o magnetismo singelo entre eles e os sensibilizava ao ponto de as emoções se intensificarem, deixando cada mísera ação mais vultosa.
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  – Sabe o que é engraçado? – acomodados num banco distante e longe das vistas das pessoas, sob a luz do luar, Damon contava com a cabeça deitada no ombro do mais velho, sentindo o polegar áspero acariciar as costas da sua mão repousada na perna alheia – Embora eu não tenha o costume de ir para lugares como esse, desde criança sonho com essas paisagens.
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  – Quais paisagens, especificamente?
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  – Campos. Fazendas. Cachoeira.
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  Sem desviar o olhar da Lua Cheia, Sebastian deu um sorrisinho, se indagando o motivo de apreciar tanto esses exatos três cenários.
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  – E o que acontece nos seus sonhos?
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  – Nunca estou sozinho. Um homem sempre aparecia na água da cachoeira comigo ou se deitava junto a mim numa terra gramada como essa. Não era ameaçador. Parecia me amar. Era tão bonzinho... – apoiou o queixo no ombro, lhe lançando um olhar doce – Tão bonzinho quanto você é comigo. – finalizou murmurando, como se compartilhassem íntimo segredo pertencente somente a eles.
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  Separou as mãos para circular os ombros do rapaz com o braço e puxá-lo para si, que se aconchegou no peitoral e repousou a palma direita no abdômen. Sebastian, por sua vez, apanhou a mão e a entrelaçou na sua, repousando-as no colo.
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  – Sabe, bebê, há uma lenda japonesa sobre pessoas conectadas ao fio vermelho do destino. O fio pode se esticar ou se enrolar, mas jamais se cortar. No final, elas sempre se reencontram e entendem o motivo de nunca terem sido felizes nos relacionamentos anteriores porque, agora, estão reunidas às suas almas gêmeas.
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  – Acredita nisso?
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  – Eu acredito que colecionamos afeto ou desafeto ao longo das encarnações. E seríamos abençoados se pudéssemos caminhar na companhia de quem verdadeiramente amamos.
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  – Sua crença é bonita. Eu queria viver algo assim.
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  – E você vai, bebê. Tenha certeza.
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  Ao longe eram observados por uma figura infantil incapaz de ser vista caso a pessoa não fosse médium vidente.
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  Descalça, a menina morena de soltos cabelos crespos assistia à cena em seu vestido amarelo, segurando o ursinho de pelúcia branco na companhia da Cigana.
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  – Eles se encontraram de novo, tia. – sorridente, dava pulinhos em comemoração.
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  – Encontraram, sim. – com o indicador, acariciou a bochecha gorducha em carinho tênue.
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  – Dessa vez vão ficar juntos? – a mirou em expectativa.
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  – Tudo indica que sim. Agora, vem. – estendeu a destra para a menina de cinco anos, que prontamente a segurou – Vamos dar privacidade para eles. Não posso me demorar hoje.
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  Mesmo sem poder vê-las, a criança lhes deu um tchau antes de acompanhá-la.
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  O rapaz decidiu subir para o quarto mais cedo após o jantar.
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  Bastou quinze minutos para Sebastian acompanhá-lo, mas foi parado no corredor por uma voz conhecida e se direcionou para a origem dela.
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  – Sebastian! Oi! Nessa correria a gente mal teve tempo de conversar.
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  Patrick atravessava a sala de jogos rapidamente para alcançá-lo.
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  – E aí? – parou na frente do moreno um pouco perto demais – Como você está?
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  – Ah, o normal. Vivendo, saindo, trabalhando... – deu de ombros, detestando o sabor amargo de inferioridade perante ele, que era hábil em lhe apontar os erros.
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  – Que bom. Não esperava estar num relacionamento com aquele rapaz. Damon é o nome, né? – coçou o queixo.
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  – É. Algumas coisas mudaram desde quando morávamos juntos.
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  O loiro avaliou minuciosamente a postura do ex – ombros tensos, trocava o peso do corpo entre as pernas, tronco ligeiramente curvado para o chão e voz introspectiva, como se temesse falar algo considerado errado ou passível de crítica.
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  A faísca discreta de vitória brilhou nas maliciosas írises azuis.
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  – Nem tudo parece ter mudado. – comentou satisfeito pela dedução – Só estou surpreso por ter me esquecido tão rápido. Na primeira oportunidade trocou quem te ajudou financeiramente e te socorreu pelo primeiro que aceitasse transar contigo. Interessante. Só prova como eu sempre estive certo sobre você.
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  Aprovando o impacto negativo nele pelas palavras carregadas de pesar, Patrick deu as costas e se retirou.
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  Odiava a sensação de inferioridade – e a experimentava novamente desde o retorno de Patrick.
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  A impressão apenas diminuiu quando entrou no quarto – não necessariamente por esse motivo, mas sim por Damon ter deixado a porta entreaberta de propósito.
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  Para chegar à cama precisaria passar pelo banheiro, então foi impossível não o ver.
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  Desejoso, parou, observando-o posicionado de costas e aparentemente alheio à presença do outro enquanto cantarolava baixinho uma lenta música latina. Lavava o cabelo na água quente pela baixa temperatura noturna comum na serra. A água descia pelo corpo evidenciando as curvas, principalmente a lisa bunda protuberante, a qual Sebastian adoraria beijar e apertar. O vapor acentuava a sensualidade do momento por não permitir que a imagem dele fosse completamente nítida.
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  De imediato a calça se tornou desconfortável pelo volume extra nela, lutando contra a vontade de se juntar a ele naquele banho que seria muito gostoso caso desfrutassem juntos.
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  Achando que não havia sido visto, achou melhor fechar a porta – inclusive porque estava a ponto de se despir e entrar no chuveiro.
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  Entrementes, o ruivo sabia que era observado por sentir o peso do olhar carregado de volúpia sobre si – e sorria bastante satisfeito pelo episódio.
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  Quando saiu do banho, passou usando somente um short preto curtíssimo e larguinho – era tão mínimo que parava rente à bunda.
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  – Está com frio, não?
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  O questionamento de Sebastian antes de ir tomar banho não era uma crítica, mas continha um quê de desespero por detrás da risadinha.
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  A ideia de dormir com Damon trajando peças minúsculas era inviável porque, sem dúvida, somente o rapaz dormiria enquanto ele lutaria contra a tentação.
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  – Não é sempre que durmo vestido, então é claro que não vou me tampar todo para descansar. – guardou a roupa usada horas antes num compartimento separado da mala de rodinhas.
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  Damon mordeu o lábio inferior por gostar de detectar o volume considerável nas calças do moreno quando se encaminhou para o banheiro.
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  Se acomodou ao lado de Damon com as luzes apagadas. Vestia nada mais além da folgada calça cinza de moletom. A luz do luar atingia a cama, então logo notou como o mais novo, posicionado de barriga para cima, continuava acordado apesar de estar deitado de lado debaixo das cobertas.
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  Quebrando as expectativas, percebia como Sebastian não estava realmente bem. Ficou mais introspectivo desde que chegou ao aposento particular, a sombra de tristeza percorrendo o semblante e a voz mais baixa.
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  Confirmando a percepção, Sebastian segurou gentilmente o braço alheio e o puxou para si em busca de contato reconfortante e já característico de Damon.
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  Por sua vez, o rapaz se aninhou em seu peitoral com a palma repousada no abdômen e as pernas entrelaçadas nas dele.
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  – Está tudo bem? – a voz melodiosa quebrou o silêncio.
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  – Mais ou menos.
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  – O que aconteceu? Está tão quietinho... – tocou a ponta do nariz moreno com o indicador.
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  – Encontrei com Patrick. – a interrupção abrupta foi em virtude de não saber se era prudente contar a situação.
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  Como para a conversa acontecer seria necessário o contato visual, o mais novo se posicionou deitado de lado, de frente para ele, que o imitou.
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  A atmosfera se tornou mais íntima pelo cenário em si e por tudo o que o ambiente lhes proporcionava naquelas circunstâncias. A proximidade dos corpos quentes, a vontade de sentir a textura das respectivas epidermes nas mãos, o desejo de se livrarem das roupas para usufruírem plenamente de cada mínima impressão eram inegáveis – e isso não continha apenas teor sexual.
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  Ia para além da volúpia crua.
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  Os braços circularam as cinturas alheias com os quadris colados, a face a míseros centímetros de distância.
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  – Qual o seu passado com ele, hein? Você ficou mexido desde a chegada desse cara. Me explica.
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  Demorou cinco minutos para Sebastian elucidar – e o outro pensou que ele jamais contaria pela demora em responder e por distinguir a luta interna sobre se era prudente ou não revelar aquela parte de sua vida.
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  – Tivemos um relacionamento de alguns anos. Antes dessa série minha vida era instável para caralho. Não tinha estabilidade financeira e passei por situações onde não havia dinheiro para comprar arroz porque os teatros não aceitavam o meu monólogo. Na época rodava os teatros com uma peça, mas por longos períodos os teatros recusavam apresentá-la. Era quando Patrick me ajudava. Por fim, moramos juntos e, no processo, namoramos.
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  – E como foi o relacionamento?
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  – Não foi ruim, mas também não foi bom.
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  – Reformulando. Como era para você estar dentro desse relacionamento?
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  – Terrível. Quero dizer, de início foi bom. Com o tempo as críticas sobre mim aumentavam e os julgamentos também. Ao mesmo tempo eu não poderia revidar porque era o Patrick quem me abrigava e me sustentava. Ele gostava de mim. Do contrário, como seria o responsável por pagar durante meses o plano de saúde dos meus pais e me sustentar?
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  No diálogo em voz baixa, Damon notou como havia mais conteúdo para além do relatado. Afinal, existe grande diferença entre críticas positivas e críticas constantes, as quais, ao longo dos anos, iam de encontro à essência da pessoa e à sua identidade como ser humano – e, pela maneira como a feição se transformou em transbordar de antiga dor que procurava fugir ao invés de confrontar por atingir o ser humano que era, suspeitou que certamente elas eram carregadas de desprezo e o afetaram profundamente.
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  – Saiu muito machucado, né?
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  Encolheu os ombros com o semblante torturado.
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  Apesar de ter um metro e oitenta de altura e do porte forte, demonstrou grande vulnerabilidade emocional – estava quase indefeso.
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  – O suficiente para hoje em dia ter medo de me relacionar afetivamente. Quais são as garantias de que as coisas não vão mudar tanto ao longo do tempo?
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  Pacientemente, o mais novo retirou o braço da cintura e levou o indicador até o rosto do moreno. Passou a ponta do indicador em movimento lento e débil pelas sobrancelhas, o vinco entre elas e as maçãs das bochechas enquanto dizia:
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  – Se continuar preso ao passado perderá a oportunidade de estar com quem te ama de verdade. Vai, mesmo, desistir de quem te ama por causa de um episódio ruim graças a um filho da puta?
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  Como a luz do luar iluminava a face angelical, Sebastian assimilou a emoção contida nas palavras proferidas em tom meigo.
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  Se não se sentisse tão completo e seguro na presença de Damon e se as carícias não lhe trouxessem tamanho acalento e senso de pertencimento, não quebraria a distância nem provaria daqueles deliciosos lábios carnudos.
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  O beijo começou lento e insuportavelmente doce.
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  Na exploração inicial descobriram como o encaixe era perfeito. Resvalavam as digitais pelos corpos em afagos sutis buscando registro tátil. Degustavam cada informação sensorial, imersos sem qualquer outro fator além deles. Os corações batiam no mesmo ritmo de peculiar tranquilidade, enterravam as falanges nos cabelos de quem amavam e pressionavam um ao outro contra si de vez em quando em gesto saudoso.
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  Se separavam por instantes, quando se fitavam em enorme cumplicidade e trocavam sorrisos amorosos enquanto entrelaçavam os dedos ou acarinhavam a pele um do outro antes de voltarem a unir as bocas em perfeita comunhão.
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  Assim como no passado, o aposento colaborava para a união deles. Estavam escondidos no rústico quarto iluminado pela fraca luz do luar – embora não compreendessem nem se recordassem, sentiam como aquilo era significativo e tornava tudo ainda mais potente.
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  Não havia medos, ansiedade, jogo de marketing, ex ou relacionamentos fracassados. Eram somente eles ali desfrutando do primeiro contato verdadeiramente íntimo naquela encarnação – pelo menos na recordação de Damon, por não se recordar de como se beijaram na festa de lançamento da série.
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  Damon depreendeu o quanto Sebastian ficou sensibilizado pela revelação sobre o relacionamento com Patrick, então buscou transmitir compreensão, paciência, afeto e aceitação durante aquele maravilhoso momento. Cada toque mostrava o quão seguro estava, cada resvalar das digitais avisava como era importante para si, cada beijo lhe revelava os sentimentos não verbalizados e cada abraço denunciava como Damon nunca o abandonaria – e ficaria ao seu lado enquanto o outro desejasse.
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  Lentamente e sem se desconectarem, o ruivo o deitou no colchão e se acomodou sobre o colo largo com os joelhos no colchão.
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  Deixou os lábios dele e trilhou um caminho de fogo pelo maxilar até alcançar a orelha, onde passou a língua em vai e vem no lóbulo.
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  Sebastian se contorcia, soltando gemidos roucos. De olhos fechados, lhe dava abraços calorosos e amaldiçoava a presença da calça de moletom e do short por evitarem a fricção dos membros endurecidos desde o início do beijo.
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  Estremeceu quando recebeu incontáveis mordidinhas no pescoço e circulou o tronco alvo com ambos os braços. Enterrou a testa no ombro dele, que se demorou por longos minutos na região.
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  – Amor, me escuta. – Damon sussurrou com os lábios roçando no lóbulo, em voz carregada de ar e a palma envolvendo a lateral do largo pescoço – Se concentra na gente e em como eu te faço se sentir. Deixa eu te lembrar como é quando está junto com quem gosta de você de verdade.
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  Damon o relembrava como era boa a relação criada pelo casal desde quando se conheceram – e naquela noite não foi diferente.
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  Nos minutos seguintes o ruivo explorou as áreas erógenas do ator até abaixar a calça de moletom e o sugar vagarosamente até Sebastian se derramar no fundo da garganta em deliciosos espasmos pelo melhor oral recebido na vida.
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  Naquela noite dormiram aconchegados nos braços um do outro.
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