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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 36

  Damon Smith se descobriu como homem gay enquanto morava na cidade do Rio de Janeiro.
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  Durante o período fora focou em três aspectos diferentes: estudos, ampliar sua visão de mundo e compreender por que, aos 12 anos de idade, antes de se mudar para a casa dos tios de Meggie, foi tão bom e correto beijar seu melhor amigo na despedida apesar de nunca ter vivenciado ou visto algo assim entre meninos.
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  Por crescer no interior, não conhecia nada sobre sexualidade além da imposta pela sociedade mais conservadora do meio rural. A princípio pensou ter algo de errado ou talvez até pecaminoso ou doentio em si. Porém, a sua essência era mais flexível, compreensível e gentil. Não demorou para ser acolhido por Simon e suas primas, Marie e Bia. Graças à vivência com o trio, principalmente pela figura de Dean, quem se tornou quase um irmão, descobriu aos poucos quem realmente era. E foi simplesmente libertador.
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  Entretanto, pela época não ser favorável às minorias, aprendeu também a se monitorar para não correr o risco de se expor sem necessidade. Não demorou para descobrir que o machismo tinha diversas camadas cujas consequências não seriam boas caso alguém cismasse com os trejeitos do rapaz. Longe da proteção das pessoas de sua confiança, engrossava a voz, continha seus gestos e até se movimentava menos. Buscava ser discreto de modo a não terem olhos julgadores ou debochados o avaliando. Na companhia do quarteto ou em casa sob a segurança dos tios e dos primos? Falava com o seu tom macio e não era necessário se esconder. Simplesmente era Damon Smith, um ser humano doce, sensível, engraçado, divertido, amigável e escandaloso.
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  No retorno para a casa fora recebido numa festa regada de comida, familiares e amigos de infância. Foi aplaudido ao atravessar a porta na companhia dos pais. Meggie o enchia de beijinhos contendo as lágrimas para não borrar a maquiagem. Diara, o marido e os filhos estavam dentre os convidados. Ou melhor, a família Malonga, com exceção de um membro.
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  Damon inspecionava o espaço sistematicamente à procura de Sebastian no passar dos minutos. Quando via um homem cuja pele era morena passar, se direcionava a ele na esperança de ser o antigo amigo. Infelizmente, para a sua frustração, não o via.
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  - O Sebastian ainda trabalha pro nosso pai? – de pé, comia um bolo de chocolate ao questionar a irmã em tom baixo.
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  - Já estava demorando para me perguntar isso. – sorriu ao encostar a cabeça no ombro dele.
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  Dentre os familiares, Bianca era a única quem sabia acerca de suas preferências afetivas. Por meio da troca de cartas, confidenciou sobre quem realmente era por serem tão ligados.
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  - E então? – a pressionou bagunçando os cabeços lisos.
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  - Sim, mas não veio hoje. Ouvi a tia Diara contando para mamãe que, desde quando soube do seu retorno, o Sebastian ficou mais calado e taciturno.
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  Engoliu em seco porque temia o motivo ser a consequência do primeiro beijo deles. Aproveitou o festejo aguardando a cada segundo Sebastian surgir entre a multidão.
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  Antes de dormir foi impossível não se recordar da textura dos lábios dele. A bela memória não saiu de sua mente. Foi um momento importante para ambos e, apesar de perder diversos detalhes como as roupas usadas ou os traços faciais, sentia grande carinho ao se recordar da última troca entre eles.
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  Ao longo dos dias Damon não o viu.
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  Esperava encontrá-lo em meio aos empregados ou aos peões. Por vezes percorreu as terras na companhia dos irmãos na tentativa de encontrá-lo sob o pretexto de querer aproveitar o ar limpo do campo. A única quem sabia o real motivo era a irmã. Não comentava nada, mas, tão discreta quanto o outro, o ajudava na busca.
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  Bianca não imaginava até qual ponto o irmão caçula se sentia confortável em dialogar sobre essa parte da sua vida cujo sigilo era primordial, então não o forçava a se abrir. Quando acontecia, era por iniciativa dele – e estava sempre lá para ouvi-lo, aconselhá-lo e acolhê-lo.
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  Sua frustração aumentava ao anoitecer, se manifestando na dificuldade para dormir – como se esse fosse o principal problema.
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  Talvez fosse mais fácil aceitar que, provavelmente, Sebastian estivesse tentando evitá-lo. Se levasse em consideração não receber nenhuma carta...
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  Durante os anos longe de casa, lhe enviou várias cartas. Contava sobre sua vida, a escola, os amigos... Escrevia sobre tudo, exceto a homossexualidade. Infelizmente, não obtinha nenhuma resposta. Diferente dos demais peões, era um dos únicos quem era alfabetizado porque Damon o ensinava em segredo. Logo, não havia motivos plausíveis para não escrever para Damon Smith.
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  Por ser ignorado, a frequência das cartas diminuiu. Apenas se dava ao luxo de gastar papel e tinta de caneta nas datas comemorativas, como aniversário, Natal, Final de Ano e Páscoa. Ainda se lembrava quando comemorava o aniversário. Por diversas vezes se viu tentado a ignorar o fato. Se sobrecarregava com tarefas para não escrever nada. Um enorme esforço em vão porque sempre se dava por vencido e, quando menos esperava, se debruçava numa mesa bufando ao escrever as palavras.
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  Por três vezes teve a impressão de ver um cara alto barbudo a passos apressados passando de relance ao longe. Damon até tentou correr para sanar a dúvida, mas as pernas do peão eram longas demais. Além disso, mantinha o rosto virado para o lado oposto ou a cabeça baixa.
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  Por fim, quase quinze dias depois de sua chegada, caminhava pela propriedade. Cada lugar era carregado de lembranças onde brincava com os irmãos e amigos. Corriam, jogavam bola e riam ao ar livre, aproveitando o espaço do ambiente rural de maneira mais propícia: se divertindo. Majoritariamente, a presença de Sebastian era constante na época, então a curiosidade sobre como estava a vida dele era natural. Apenas não imaginava de ela ser tão intensa.
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  Sem notar, seus pés o levaram para onde se despediram há treze anos. Parou por um instante sem esperar pela imagem à sua frente.
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  Reconheceu Sebastian de imediato. Estava sentado sob a árvore acariciando um vira-lata caramelo adormecido ao lado. O homem cresceu nos lugares certos. Os braços eram musculosos e os ombros largos. Os cachinhos balançavam discretamente pela brisa fresca. Embora não gostasse de barba, nele especificamente, Damon achou atraente, lhe dando um rústico ar sensual.
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  Por estar observando o horizonte não viu a figura de baixa estatura se aproximar do seu lado direito, longe do campo de visão. De tão absorto nos pensamentos, não ouviu a movimentação.
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  O ruivo parou um pouco atrás de si abrindo um enorme sorriso.
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  - Vejo que a sua gentileza seguiu intacta por aqui, meu amigo.
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  Gargalhou por Sebastian se assustar berrando. Levantou-se do chão num solavanco, quase tropeçando no cachorro que despertou graças ao grito. Pestanejou algumas vezes como se duvidasse da sua capacidade visual.
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  - Que foi? O gato comeu a sua língua, é? – encostou a lateral do tronco na árvore de braços cruzados.
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  O mais velho o observava captando todas as mudanças no outro. O rosto perdeu os traços infantis, não a doçura natural. Não crescera em estatura. O corpo estava mais forte, já que, antes, era magricela. A voz se tornou mais melodiosa. Descobriria mais tarde que adorava ouvi-lo, principalmente gemendo quando estivessem à sós.
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  - Damon?
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  - Em carne e osso. Que recepção fria é essa? Pensei que fossemos amigos, não? – havia um tom quase acusador na voz.
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  Saiu do estado catatônico por receber lambidas nas panturrilhas.
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  - Pequeno.
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  A raiva do rapaz dissipou em partes ao escutar o apelido de infância. Em quatro passos Sebastian chegou até ele o puxando para um abraço demorado onde despertou a sensação de anos atrás, de quando os corpos se encaixaram perfeitamente, diferente de quando estavam com qualquer outra pessoa – fosse homem ou mulher.
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  Não resistiu em roçar os lábios nas ondas macias antes de beijar o topo da cabeça. Não esperava de ter atingido diversas vezes por soquinhos leves do mais novo, quem se separou em seguida, receoso de se envolver tanto pelo gesto carinhoso ao ponto de não resolver as pendências.
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  - Por que não respondeu minhas cartas? E por que não foi na minha festa quando voltei para casa?
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  - Ah, bebê... – coçou a cabeça sem graça desviando o olhar para o animal – Eu não queria que ficasse preso a mim. Você tinha muitos afazeres, foi para passeios, conheceu várias pessoas... Eu não tinha nada para contar.
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  Era verdade. A vida de Sebastian não mudou. Era uma eterna constante: casa, trabalho, trabalho, casa. As realidades eram demasiadamente diferentes, então, perante Damon, se sentiu... Inferior – talvez até insignificante. Nunca saíra dali e seu entendimento sobre trabalho girava em torno de criação de animais e plantações. Comparado a si, o outro viveu coisas mais interessantes. Não haveria por que responder as cartas, apesar de ler todas e guardá-las num baú debaixo de sua cama.
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  - Como não? Você estava vivo, bem... Queria saber se estava tudo certo contigo, com a sua família, as fofocas do pessoal... As fofocas do interior são ótimas, viu? – estalou a língua – Seria bom ter notícias suas.
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  - Desculpa.
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  - E por que não foi para minha recepção?
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  - Estava morto de trabalhar. Né fácil ser pobre, não.
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  Sua consciência não iria julgá-lo pela mentira inocente.
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  Sebastian estava bastante ansioso em ver Damon por inúmeras dúvidas as quais permeavam sua mente. Da última vez houve um momento de grande intimidade. Foi delicado, surpreendente, meigo e continha uma dose de inocência por ainda não estarem inseridos num contexto adulto. Eram novos e decerto nem tivessem a dimensão real do que haviam feito. Porém, agora, mais velhos, talvez lidassem com questionamentos e sentimentos intensificados graças a maturidade por haver a centelha de algo para além da amizade ali.
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  Caso não fosse por isso, independente do quão cansado Sebastian estivesse, não faltaria o evento.
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  - Sei... – desconfiado, o encarou de cima abaixo – Até parece, amigo.
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  - Que foi? – a voz saiu aguda, quase infantil.
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  - Está vendo?! – apontou vitorioso em sua direção dando pulinhos.
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  - Que foi, gente?
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  - A sua voz. Só afina desse jeito quando está mentindo.
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  - Não estou mentindo.
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  Sebastian xingou em seguida, dando munição para Damon rir mais. Novamente a voz afinou.
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  - Eu te conheço há tempos. Não adianta mentir para mim.
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  Não imaginavam de a frase soar tão íntima. Agradeceu a pele ser morena. Do contrário, ficaria acanhado caso a face se avermelhasse assim como a do outro.
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  - Passa lá em casa. A gente precisa colocar os assuntos em dia. – havia um certo nível de timidez no pedido do mais novo – Peço para prepararem aqueles biscoitos de baunilha que gosta. Eu... – ponderou se era sábio prosseguir com o discurso e, para não se arriscar demais, se calou.
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  - Está bem. Eu vou indo porque preciso ajudar meus pais com algumas coisas. Tcha...
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  - Ah, não. Despedida de novo, não. Da última vez passamos mais de dez anos longe. Me recuso a dizer tchau para você.
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  - Faremos o que, então?
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  Nem Damon acreditou nas próprias ações, mais tarde achando imprudência da sua parte pelo ato tão impulsivo.
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  Quebrou a distância. O segurou pelos ombros ficando na ponta dos pés para alcançá-lo. O beijou rapidamente no canto da boca, bem rente dos lábios.
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  Sebastian não revelaria o arrepio peculiar pela expressão genuína de afeto.
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  - A gente se vê. – murmurou antes de voltar para casa.
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  Nas semanas seguintes descobriram que a amizade ainda era existente e tão forte quanto antes. Apenas estava adormecida, aguardando para florescer novamente por meio da convivência.
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  Damon contava sobre a sua vivência na cidade. Comentava sobre as histórias, como se embebedou pela primeira vez na companhia dos amigos, como acordou com uma ressaca terrível horas mais tarde e sobre suas aventuras nas festas no decorrer da madrugada. Não entrou em detalhes sobre seus amores escondidos e nem sobre como foi importante o processo de compreensão e aceitação de sua identidade como homem gay para moldar o seu caráter e tranquilizar sua consciência, impulsionado pela experiência do primeiro beijo com o amigo aos 12 anos.
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  Sebastian ficava cada vez mais fascinado pela empolgação nos relatos. Imaginava os cenários e as sensações o atingiam em consequência das emoções transmitidas ao contar sobre o período fora.
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  Era comum visualizá-los atravessando os arredores da fazenda em diálogos pacíficos quando Sebastian não precisava trabalhar ou se deparar com a presença do peão na casa dos patrões, onde sempre era recebido com um abraço caloroso do rapaz na primeira oportunidade quando estavam sozinhos. Lanchavam os quitutes preparados pelas cozinheiras ou levava um bolo feito por Diara.
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  Não retornava para casa de mãos vazias. Quando o visitava, a cozinheira se organizava antes para separar uma quantidade considerável para o peão, quem lanchava de noite ao lado da família os quitutes diversos.
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  Ao contrário de outras pessoas de sua classe social, a família Smith não fazia distinção. Suas amizades se estendiam desde figura políticas até os empregados da fazenda, então não era uma imagem atípica.
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  O que foi considerado atípico para os peões foi a docilidade de Damon. Destoava dos trabalhadores rurais pelas suas convicções mais sensíveis as quais se estendiam para o seu modo de se colocar no mundo. Não demorou para ouvir uma piada ou outra quando passava sozinho por meio deles. Apenas estava seguro na companhia dos familiares ou de Sebastian.
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  Uma vez, ao longe, o avistou ao retornar do labor no pôr do Sol. Se dirigiu até o rapaz, mas um grupo de trabalhadores passou por Damon. O ruivo murchou de imediato paralisando no lugar enquanto os demais riam dos comentários os quais não pôde ouvir pela distância. Virou se direcionando para a casa de cabeça baixa.
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  O seguiu sem alcançá-lo por vários metros os separarem. Foi a primeira vez que recusou a sua visita. Quem o avisou foi Bianca após sair do quarto do irmão.
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  - Mas ele está bem? Tem certeza?
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  A mais velha dos três filhos de Meggie e Paul pendeu a cabeça pro lado por apreciar a urgência talvez sequer notada no tom de voz do moreno, quem exalava preocupação.
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  - Vai se recuperar. – havia a centelha de algo similar a esperança ou compreensão nas feições dela – Quando estiver pronto, talvez conte para você. Acho que será importante você saber.
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  - Como assim?
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  - Intuição. – deu de ombros – Mulher tem dessas coisas.
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  - Me mande notícias dele, tá?
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  - Pode deixar.
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  Lançou um olhar angustiado para o segundo andar da casa onde se localizavam os quartos da família. Isso também não passou despercebido por ela.
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  Três dias se passaram sem notícias. A aflição apenas cresceu pela falta de contato.
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  Por fim, foi chamado para o escritório do patrão.
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  - Você é um bom amigo pro meu filho. Sabe como prezo demais pelo bem-estar da minha família. – sentado em sua cadeira atrás da mesa, colocou os cotovelos nela cruzando as mãos. Não era necessário erguer a voz para demonstrar o seu poder – Levando esse ponto em consideração, me contaria se algo acontecesse, certo?
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  - Sim, patrão. – trocava o peso de uma perna para a outra inquieto.
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  - É claro, de maneira bem discreta e fora das vistas dos demais empregados.
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  - Sim.
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  - Então... Chegou aos meus ouvidos que veio procurar pelo meu filho há três dias, justamente quando meu menino se aborreceu. Independente de quanto o pergunte, e olhe que sou um homem insistente, não me contou o problema. Hipoteticamente você saberia me dizer?
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  - É...
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  A sua dúvida sobre contar ou não era porque não queria indispor o ruivo. Se apenas Bianca sabia do ocorrido, deveria haver uma razão.
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  - O sigilo da origem das informações será total, então ninguém além de nós dois saberá o que será dito nesse escritório. – completou após instantes de silêncio – Nem mesmo o meu caçula.
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  - Os peões estão cismados com o Damon.
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  - Por quê?
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  - Não estão acostumados com os homens mais refinados como ele. A peãozada é ignorante. Acham estranho tudo o que destoa daqui.
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  - Hum... – o avaliou de cima abaixo – Acha que meu filho destoa do ambiente da fazenda?
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  - Não. Cada um tem seu jeito e não deveria ser julgado por isso. O caráter é motivo para julgamento. E o Damon tem boa índole.
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  Paul assentiu concordando.
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  - Você me daria os nomes de quem falou besteira ou fez algo de ruim pro meu filho desde a chegada da viagem? Supostamente, é claro.
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  Paul Smith anotou os nomes de trinta e sete empregados numa folha de papel.
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  - É só isso, Sebastian. Pode ir.
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  O moreno se encaminhava para ir embora quando, antes de descer a escada, foi chamado. Ao se virar para a origem do som, se deparou com o amigo quem abrira a porta do quarto. Parecia hesitante, quase como se demandasse certo esforço para chamá-lo, embora as írises expressivas mostrassem a vontade de estar na presença dele.
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  A passos rápidos o alcançou, lhe abraçando de imediato. Enterrou os dedos nas ondas macias, suspirando de alívio pelo contato desde o desagradável episódio observado ao longe. Relaxou nos braços musculosos, se sentindo mais fortalecido pelo contato. Pela diferença de altura, mal seria capaz de ser identificado pelo mais velho praticamente escondê-lo.
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  - Meu pequeno. – se separou apenas para encará-lo – Você está bem? Está melhor?
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  Temendo serem vistos, apanhou a grande mão para entrarem em seu quarto onde teriam a devida privacidade. Não queria correr o risco de terem burburinhos ou comentários acerca deles, principalmente Sebastian. Não desejava enredá-lo naquilo.
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  - Estou, sim. – fungou com ar ainda melancólico de cabeça baixa.
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  Não resistiu em pousar as palmas na cintura fina. Buscou seu olhar até tocá-lo sob o queixo exercendo uma tênue pressão para levantar a cabeça até se fitarem.
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  - O que houve para ficar amuado desse jeito? Não gosto de te ver assim. – voltou a repousá-la na cintura.
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  Passou alguns segundos calado ponderando se seria adequado ou não contar.
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  - É que... – engoliu em seco cruzando os braços como se fosse se proteger – Quando eu estava fora, passei por situações não muito agradáveis referentes a maneira como alguns empregados do meu pai me tratam. – confessou com a voz embargada contendo a emoção, pronunciando as palavras devagar – Aí acaba sendo o meu ponto fraco. Acabei me remetendo a... Bem. – crispou os lábios.
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  Era notório o quanto o assunto era difícil. O maxilar estava tenso e a face refletia a sua angústia, assim como a expressão corporal. Se recusava a derramar mais lágrimas, então parou de falar para não correr o risco de elas transbordarem.
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  - O que aconteceu contigo?
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  Não houve réplica.
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  Num gemido de súplica, encostou a testa no peitoral firme, onde ficou por vários minutos. Sebastian não fez questionamentos. Apenas voltou a abraçá-lo para lhe trazer o devido consolo. Por vezes descansou o queixo nos cabelos ou roçou os lábios na região o acolhendo, deixando carinhos onde as palmas pudessem alcançar.
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  Damon puxou o ar pelo nariz e o soltou pela boca antes de dizer:
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  - Talvez eu conte. Mais especificamente quando me sentir seguro para isso.
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  - Você está seguro comigo, bebê.
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  O rapaz o mirou. Não esperava enxergar tanta verdade nas feições rústicas, nem que a bochecha fosse acariciada delicadamente com os polegares ásperos.
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  - Sempre. – completou o peão.
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  Pela primeira vez abriu um sorriso tênue, embora sincero.
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  Sebastian achou adorável como o ruivo ficou tímido, principalmente pela pele ruborizar e desviar o olhar pestanejando.
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  - Por que não vem amanhã comigo para uma saída? – convidou o mais velho – Acompanharei a sua irmã e duas amigas dela para uma festa da região. Vem junto. Vai ser bom ficar ao ar livre.
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  - Está bem. – para esconder o sorriso que começava a se formar por estar encantado pelo convite, usou a mão para tampar a boca – Eu vou.
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  O peão retribuiu o sorriso, esquentando o corpo do amigo em consequência.
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  - Nos vemos lá, então.
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  Como combinaram de não se despedirem, Damon se acostumou em lhe dar um beijo na bochecha antes de ir embora quando estavam sozinhos. Dessa vez, quem o fez foi o outro. Segurou o pulso com delicadeza para abaixá-lo. Sem notar, os dedos deslizaram pela pele até encontrar os do ruivo, os tocando receosamente por não estar acostumado a demonstrar gestos carinhosos sem desviarem o olhar. Averiguou apurando os ouvidos para ter certeza se alguém se aproximava ou não. Por não ouvir vozes e nem passos, o segurou pela lateral do rosto antes de beijá-lo rente aos lábios. O gesto foi prolongado e precisou se afastar pela vontade crescente de se mover míseros milímetros até alcançar os...
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  Aquilo o assustou, mas conseguiu disfarçar antes de ir embora tocando o indicador na ponta do nariz. Ao descer as escadas apressado com o coração disparando, o conflito era visível em sua fisionomia. Não compreendia por que gostava tanto de tocá-lo. Agora, pelo visto as coisas evoluíam para um novo patamar.
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  Quando se dirigia a sua casa, encontrou Ralph e Akil, amigos de sua inteira confiança, ao longe. Correu para alcançá-los para resolver um assunto pendente:
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  - Me façam um favor? Se verem o Damon andando sozinho por aí, não o deixem sem companhia, não. Puxem assunto, conversem... Não sei. Só não se distanciem dele.
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  - Está pedindo isso por causa das merdas ditas pelos peões, né? – deduziu Ralph retirando a camisa e a jogando no ombro.
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  - Exato. Não quero que ele ouça nenhuma dessas bobagens, não.
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  - O garoto não deveria ser criticado simplesmente por ser quem é. – havia certa amargura incomum em Akil, quem encarava o horizonte.
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  - Pode deixar. – Ralph assentiu lhe dando tapinhas no braço.
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  A dupla cumpriria com a palavra enquanto o rapaz morasse na fazenda.
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  Aquela seria a primeira noite quando Sebastian Malonga sonharia com Damon Smith.
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  Na manhã quando iriam sair, Bianca e Damon estavam sozinhos no quarto do rapaz. Meggie, o marido e o filho mais velho foram à comemoração pela manhã junto aos familiares de Sebastian.
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  - Ai, mana, me ajuda! – pedia tirando diversos cabides do guarda-roupa – Não sei qual escolher. – correu para o espelho do armário colocando uma camisa perfeitamente passada do cabide em seu tronco tentando visualizar se ela o valorizaria – Quero ficar bem bonitinho hoje.
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  Há quase meia hora estavam naquela inquietação. A garota se divertia deitada na cama com a ansiedade do irmão, quem não conseguia decidir qual roupa vestir.
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  - Vem cá... – deitada de bruços, balançou as pernas sapeca – Por que está tão preocupado assim com a sua aparência, hein? Costumava ser mais autoconfiante.
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  - Ah... Nada de demais. – de pijamas, o guardou no lugar.
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  - Tem nada a ver com o convite feito pelo Sebastian, não?
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  Apenas contara sobre isso pela insistência dela em perguntar se iria para a festividade, já que o caçula não sabia da festa e ninguém havia comentado.
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  - Nada disso, Bianca... – deu de ombros e, apesar de estar de costas, quase pôde vê-la rolar os olhos em descrença – Só porque estou todo bobo com a presença do Sebastian e dele mostrar se importar comigo ao ponto de me chamar para ir com vocês, não significa que meu nervosismo seja por causa dele.
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  Rindo, saiu da cama para ir até o irmão. O levou para o colchão macio pelos braços, onde se deitaram lado a lado. A camisola rosa ficou no meio das coxas. Havia pura cumplicidade entre eles, então Damon confiava nela para revelar seus sentimentos.
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  - Está gostando dele, né? – murmurou cheia de curiosidade.
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  - Acho que eu sempre meio que gostei.
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  - Como assim?
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  - Antes de eu entrar no carro para viajar, fui procurar pelo Sebastian. Lembra?
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  - Uhum.
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  - Eu... Eu dei um selinho nele antes de ir embora. E depois ele me beijou de verdade. – escondeu o rosto no travesseiro.
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  - Maninho! – usou um travesseiro para bater na barriga do rapaz – Por que nunca me contou?
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  - Eu era novinho. – ria completamente alegre – Nunca tinha contado isso para ninguém.
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  Mordiscou o ombro magro dele.
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  - Podia ter me contado antes! – proferiu fazendo cosquinha no pescoço, lhe arrancando gritinhos brincalhões – Posso falar? – tomou um tom mais sério para prosseguir – Acho que ele não gosta de mulheres, não. Posso apostar que é como você.
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  - Será? – havia esperança nele.
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  - Sem dúvida. Ficou todo preocupado contigo. Me perguntou direto se estava melhor. Não era preocupação só de amizade, não. Garanto!
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  Virou de costas batendo palmas e balançando as pernas no ar em comemoração.
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  - Agora, vem. – se pôs de pé contente – Vamos escolher uma roupa bem bonita para você!
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  Sebastian ignorou o frio na barriga quando, pela milésima vez, se lembrou da confirmação de Damon.
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  Não notou como inspecionou mais meticulosamente sua imagem no espelho. Ajeitou os cachinhos, satisfeito pelo efeito do gel neles. Optou por estrear um traje novo ao invés dos mais surrados, os quais seriam usados apenas se o amigo não estivesse presente. Finalizou passando um perfume amadeirado.
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  Mais uma vez sentiu o frio na barriga, dessa vez pela sensação despertada pelo último beijo dado nele.
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  Aguardou ansioso o horário de sair de casa. Por estar sozinho, não houve especulações sobre a sua agitação. Se distraía relendo as cartas guardadas no baú sentado na cama. Apesar de não responder nenhuma, gostava quando eram entregues ao longo dos anos. A atenção lhe trazia conforto na esperança de se reencontrarem. Na chegada do horário as guardou cuidadosamente.
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  - Melhor tomar um remédio. – murmurou para si antes de sair pelo frio no estômago em antecipação.
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  Os irmãos encontraram Sebastian, Celie e Kassandra na praça da cidade. A irmã acertou na escolha do vestuário pelas cores realçarem seus olhos e a cor valorizar seu tom de pele. Meses mais tarde, quando a relação já estivesse mais consolidada, Sebastian contaria que, graças ao jeans apertado o qual marcava sua bunda, aproveitou vários momentos para admirá-la no decorrer daquela tarde ensolarada.
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  O grupo passeou visitando algumas feiras de artesanatos e de comidas caseiras típicas da região. Se divertiram em clima agradável, os casais usufruindo da companhia de seus amores – mesmo que não imaginassem que fossem morar juntos em questão de anos.
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  Kassandra e Celie se relacionavam escondidas há seis meses. Em público agiam apenas como amigas para não se arriscarem a levantar suspeitas. Por meio de Bianca, quem as ajudava, inclusive para terem o pretexto perfeito para estarem juntas no passeio, podiam conviver com certa frequência. Pelo trio feminino ter amizade de longa data, de vez em quando dormiam na mansão em quartos separados. Ninguém imaginava que, após todos se deitarem, Kassandra fugia para os aposentos de Celie, onde dormiriam juntas até às sete da manhã, horário necessário para a mulher retornar para o cômodo ao lado.
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  Enquanto avaliavam algumas peças de roupas e acessórios, Sebastian aproveitou para se distanciar discretamente. Retornou agitado com uma sacola na mão.
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  - Pequeno.
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  Damon se virou por ser chamado.
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  - Comprei uma coisa para você. – agradeceu a pele morena porque não denunciaria o rubor.
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  Estendeu a sacola.
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  Ao apanhá-la, o rapaz abriu um sorriso enorme pelo conteúdo – um pote de doce de leite com ameixa, seu preferido.
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  - Obrigado! – acariciou a barba do homem cujo coração batia acelerado e a expressão se suavizara graças a felicidade do mais novo pelo presente – Desde que viajei não como um doce de leite tão saboroso igual ao daqui. Como sabe que eu gosto?
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  - Eu lembro.
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  A frase continha muito mais para além da simples recordação. A mensagem omitida foi expressa na linguagem corporal. Não percebeu o contentamento em agradá-lo, apenas como ficou acabrunhado pelo ato carinhoso. Havia um brilho diferente nas írises escuras similar a afeto. Damon segurou sua mão por meros cinco segundos a soltando rápido demais. O gesto despertou um anseio em seu peito que não conseguiu identificar a origem. Foi incapaz de refrear a vontade de sentir a textura da pele macia novamente.
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  Bianca observava a cena calada. Trocou um olhar cúmplice com as amigas, as três se entendendo sem palavras serem necessárias.
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  - Meninos, a gente vai ver umas roupas. – contou Bianca.
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  - Provavelmente não vão querer nos acompanhar porque homens detestam isso, né? – Kassandra colocava na orelha os brincos comprados pela namorada com a artesã.
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  - Podemos nos encontrar para lanchar. Pode ser? – travessa, Bianca finalizou.
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  - Está ótimo. – concordou Sebastian antes das meninas se afastarem.
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  Depois desse dia, Damon a chamaria no particular de “meu cupido nas horas vagas”.
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  Sentaram-se num banco para comerem o doce. A vendedora separou duas colheres de plástico junto ao pote de vidro, então cada um pegava a sua para degustar.
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  Conversaram sobre vários temas ali. Não comentaram sobre a vontade de ter mais contato corporal. Adorariam ter liberdade suficiente para se acariciarem sem censuras. Apesar de sua criação mais bruta e machista da época enfatizada pelo ambiente rural, o desejo do peão não lhe gerava repulsa. Havia sede em descobrir o motivo de tamanhas sensações as quais somente tivera contato quando beijou Damon antes dele ir embora há 13 anos. Por não as compreender e imaginar sofrer repreendas sociais, inclusive dos outros trabalhadores da fazenda, decidiu não demonstrar nada em público. Apenas quando estivessem sozinhos.
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  - Que cara fechada é essa, amigo?
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  De vez em quando tocava no nome de Dean Brown por ter sido uma figura tão importante para si. Algo comum cuja receptividade não fora positiva pelo moreno, quem fechava o semblante um pouco a cada menção do desconhecido.
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  - Você fala muito desse amigo. – de tronco curvado e os braços repousados nas coxas, bufou desviando o olhar.
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  O rapaz segurou o riso por não esperar o ciúme velado na frase.
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  - Não precisa se incomodar com o Dean. Se falo dele é porque é como um irmão para mim. – pontuou em tom paciente lambendo a colher – Não é como um amigo.
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  O fitou confuso.
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  - Qual a diferença?
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  Deu uma última colherada no doce antes de fechá-lo, o deixando ao seu lado. Sentou-se na mesma postura, a centímetros de distância.
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  - Bem, com irmãos não podemos fazer certas coisas. Com determinados amigos temos uma liberdade maior. Amigos como eu e você. – contou em voz baixa.
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  Havia algo por detrás das palavras. Mais profundo e talvez até pecaminoso. O segredo estava embutido nelas, mas não foi capaz de acessá-lo. O coração acelerou pelo teor da mensagem, assim como o olhar do ruivo se tornou mais intenso. O semblante foi tomado pelo atraente ar de sedução inconscientemente, em expectativa de como Sebastian reagiria com a réplica carregada de segundas intenções demonstradas no meio sorriso lascivo.
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  O peão se remexeu em desconforto pelo volume extra entre as pernas.
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  - E... – pigarreou para controlar a sensação de vulnerável, embora inocente, curiosidade – Quais coisas seriam?
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  Como a praça esvaziara significativamente, não havia ninguém em seu campo de visão. Não poderiam ser vistos de costas porque uma grande árvore os escondia. Logo, aproveitou a oportunidade. Quebrou a distância até os lábios roçarem na orelha.
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  - Quem sabe eu te mostro um dia. – sussurrou.
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  Quando o corpo foi irradiado pelo prazer porque o rapaz passou a língua no lóbulo, não conteve o gemido grave. Se arrepiou pestanejando por não ter experimentado nada tão intenso em sua vida. Não era virgem, mas jamais ficou naquele estado por uma investida tão simples. Não pensava ser possível cada poro de sua pele corresponder pela ação de outro homem, então era compreensível o temor do desconhecido – principalmente pelo corpo reagir ao ponto de o pau pulsar.
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  Ao se afastar, Damon enxergou o misto de medo, curiosidade e desejo irradiado por Sebastian – infelizmente, o pavor sobrepujava as demais emoções. Talvez tenha sido impulsivo demais. Era mais prudente se conter antes de tomar atitudes tão ousadas quanto aquela porque não queria atropelar o processo de descoberta do outro.
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  - Ei. – acariciou a barba. Amaldiçoou estarem na rua. Do contrário, poderia ser mais afetuoso – Está tudo bem. Não precisa se esconder comigo. Você também está tão seguro comigo quanto eu sei que estou contigo.
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  Apenas se tranquilizou porque o rapaz transmitia genuína confiança e brandura. Aos poucos, sendo analisado pelo olhar atento cheio de benevolência, a expressão se suavizou.
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  - Desculpa, amigo. Não vou repetir. Prometo. – murmurou ansiando por tocá-lo de maneira mais carinhosa. Como não era possível, tentava transmitir acolhimento através da fala.
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  - Não, pequeno... – por um mísero instante afagou a bochecha alva – Promete isso, não, porque... – lutou contra a insegurança para se expressar claramente, golpeando a ponta do nariz com o indicador – Eu gostei.
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  Antes de poder falar, o trio feminino apareceu cheio de sacolas para irem lanchar. O moreno se sentaria ao lado do amigo no restaurante cuja mesa era rente a parede. O peão notaria o conflito nele. Se preocupava se foi precipitado demais, então franziu o cenho sem notar. Por debaixo da mesa, graças a toalha grande e às meninas por se acomodarem na frente deles, não hesitou em segurar a mão menor entrelaçando os dedos.
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  Constataria a aprovação do gesto destemido em virtude do enorme sorriso dado por Damon lhe lançando um olhar cúmplice de esguelha que encheu seu coração de ansiedade em expectativa.
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  Em questão de sete dias após a conversa com Sebastian, Paul Smith efetuaria o pagamento dos empregados. Daqueles cujos nomes foram anotados na sua agenda, diminuiu para um terço o valor.
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  - Patrão, a gente tem família! Temos de colocar comida na mesa. – reclamou Patrick, o responsável de levar o assunto para o patriarca da família Smith.
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  - Tivessem pensado nisso antes de desrespeitarem meu filho. – o calou o encarando sério erguendo o olhar de sua papelada – E só para constar, não foi o Damon quem me entregou os nomes de vocês. Passarinhos me contaram. – deu um sorriso duro – À propósito... Para manterem seus salários e ofícios, é indispensável honrar quem lhes deu o emprego. Afinal de contas, posso despedi-los sob qualquer alegação e tomar medidas para não serem contratados em nenhum outro lugar. E que fique claro. Qualquer desrespeito ao meu filho considero uma afronta pessoal a mim. E isso é motivo suficiente para colocar o desgraçado no olho da rua, bem longe das minhas propriedades, independente dos pais serem moribundos adoentados ou da esposa estar grávida.
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  A ameaça empalideceu Patrick, quem repassou a mensagem para os demais.
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  Na próxima visita de Sebastian, antes de sair, Paul entregaria o restante do dinheiro o qual se recusou pagar para os peões responsáveis por atos de homofobia cuja vítima fora Damon numa época em que sequer havia essa classificação para o crime.
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  O moreno o guardou sem saber exatamente como usá-lo de maneira mais propícia. Ainda não imaginava que o capital seria o seu sustento e o de Damon futuramente antes de se mudar para o apartamento onde morariam sem a família de Damon, exceto Bianca, saber o paradeiro deles – e nem que estavam juntos.
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  No mês seguinte os peões, Damon e o irmão mais velho estavam acomodados ao redor de uma fogueira ao ar livre. Comemoravam o aniversário de Ralph e é claro que o amigo de Sebastian chamaria o rapaz e seus irmãos. Bianca não podia ir por estar se recuperando de uma gripe, então estava deitada em seu quarto.
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  O caçula da família Smith não sofreu nenhum preconceito. Graças à interferência do pai e de Sebastian, os comentários sobre seu jeito delicado desapareceram de imediato. Era tratado com total educação e respeito.
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  Conversava com Ralph e Akil. Se posicionou de modo a observar o moreno ao longe, com quem trocavam olhares e sorrisos tímidos.
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  A tranquilidade da noite desapareceu quando Alessandra, a cozinheira e colega de Sebastian quem acabara de completar dezenove anos, levou o moreno para longe. Mais especificamente para o meio das árvores, onde não poderiam ser vistos. O coração errou as batidas pela cena. O semblante entristeceu e apenas se tornou um expectador do diálogo dos dois sem sequer se atentar ao teor do assunto.
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  Sebastian foi a contragosto apenas porque não queria ver a expressão frustrada nela. A considerava como sua irmã mais nova, então prezava pelo seu bem-estar.
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  Era de se imaginar a surpresa dele ao tentar ser beijado por ela.
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  - Calma aí, menina. – se desvencilhou antes dos lábios se tocarem – O que houve?
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  - É que eu queria receber meu primeiro beijo.
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  A avaliou por alguns segundos em silêncio. A garota jamais teve nenhuma inclinação para nada além da amizade. Não compreendeu a súbita mudança de comportamento, inclusive por ser recatada.
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  - Alessandra, conversa comigo. Qual o problema? – a voz era suave, quase como se conversasse com uma criança.
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  - Ai, amigo... Umas colegas minhas me falaram que eu só seria considerada mulher de verdade se... – acabrunhada, começou a mordiscar a unha do polegar.
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  - Por acaso seriam aquela Ananda e Victória? – transpareceu a irritação porque não gostava das garotas.
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  - Sim.
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  - Lê, não dê ouvidos a elas. Ao invés de ir pela cabeça delas, ouça quem realmente te quer bem. Não apresse as coisas. Só porque não teve nenhuma experiência com homem não te faz menos mulher. Deixe as coisas acontecerem naturalmente.
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  - Deve me achar uma boba agora.
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  - Não. Só está entrando na vida adulta. Me promete que virá se consultar comigo quando algo lhe incomodar. – lhe deu um abraço paternal antes de voltarem.
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  Quando retornou com a garota, viu Damon de relance indo para casa. Sem entender o motivo dele se afastar sem se despedir, foi até o rapaz. O segurou pelo braço, escondidos sob a árvore onde o primeiro beijo do casal aconteceu há treze anos. Não podiam ser vistos ali pelos peões.
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  - Hey, bebê. Por que está indo embora? Nem conversamos.
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  Suspirou pesadamente antes de se virar.
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  - Estou cansado. – mentiu com a voz embargada.
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  Era nítido o esforço para prender o choro. Torcia para as lágrimas não transbordarem na presença de Sebastian. Conversar não o ajudaria a se conter por sua mente elaborar cenários sobre como o outro aproveitou aqueles minutos na companhia de Alessandra. Sozinhos. Distante o suficiente para ninguém os ver ou serem ouvidos. Não poderia estar mais desolado.
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  - Mas nem conversamos. Queria ficar um pouco contigo.
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  Agradeceu a precária iluminação. Do contrário detectaria o tremor no lábio inferior e outros sinais de sofrimento pelo coração partido.
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  - Você já ficou um pouco com outra pessoa, né?
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  Então Sebastian percebeu o sofrimento de Damon sem compreender o motivo. A frase soou tão carregada de angústia que notou que qualquer dor sentida pelo outro ressoava nele.
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  Quando eram crianças isso também era comum. Um costumava se responsabilizar pelas travessuras do outro porque era melhor do que lidar com os choros ou as broncas recebidas pelo amigo. Por fim, Meggie e Diara desistiram. Quando algo acontecia, os levavam para suas casas onde sofriam castigos. Damon nunca entregava Sebastian e vice e versa.
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  Estavam passando por momentos tão bonitos desde o retorno do ruivo. Não era justo que estivesse tão angustiado. Queria vê-lo rindo novamente, o semblante divertido e o olhar brilhante. Se pudesse afastaria a aflição para longe.
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  Se aproximou até abraçá-lo num abraço. Damon respirava pela boca se esforçando para não chorar.
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  - Está seguro comigo, bebê. Qual o problema?
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  Por um momento ínfimo pensou de suas dúvidas serem sanadas.
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  Tocou nos braços musculosos os abaixando. Sorrindo, acariciou a barba.
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  - Você não entenderia. Desculpa.
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  Sem falar mais nada, se retirou.
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  Entrou no quarto de Bianca já banhado e com pijamas, a encontrando deitada acordada na cama lendo um livro. O vendo, colocou o livro na mesa de cabeceira e afastou a coberta para o irmão se deitar ao seu lado.
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  - Como foi a festa? – tossiu.
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  Pelas feições sabia que o rapaz estava magoado, então a pergunta não foi sem fundamento.
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  - Chata. Era melhor eu não ter ido.
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  - Hum... Isso tem alguma coisa a ver com Sebastian?
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  Não houve mais como segurar as lágrimas. Desceram torrencialmente pelo rosto molhando o travesseiro.
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  A irmão o puxou para si, o consolando por longos minutos até adormecer.
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  Logo na alvorada, influenciado pelo diálogo com Ralph e Akil por ambos deduzirem o que estava acontecendo entre eles por também serem gays, foi até Damon, o encontrando tomando café da manhã.
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  Sozinhos na entrada da casa, explicou a situação sem poupar detalhes.
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  - Não, pequeno. – respondia ao questionamento apontado pelo ruivo de braços cruzados – Ela é como uma irmã para mim. Não é dela quem gosto.
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  Não se deu conta do teor da frase, mas sim no que despertou mais novo. Havia a faísca de esperança nas írises castanhas.
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  - Então... De quem você gosta?
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  Os segundos passaram lentamente. Nada se ouvia além do som das folhas em consequência da brisa.
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  Não imaginava a curiosidade pertinente. Afinal, nem Sebastian compreendia seus próprios sentimentos ao ponto de identificar com clareza o que lhe acontecia. O que era capaz de compreender era como a presença do amigo despertava algo bom em si. Ia para além da cumplicidade. Não encontrava nenhuma nomeação adequada porque o meio ruralista onde cresceu não era favorável às questões mais flexíveis e abrangentes do ser humano.
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  Portanto, por nem ele ter uma resposta para a indagação, beijou dois dedos de sua mão e os encostou na bochecha do menor para ir embora.
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  Começaram a se encontrar na planície ao pôr do Sol a pedido de Sebastian. A sua ideia inicial era a árvore onde o primeiro selinho aconteceu. Infelizmente, era perto demais da mansão, ao contrário da planície. Assim, não correriam o risco de serem vistos, logo havia liberdade total. Liberdade essa necessária para se descobrir sem ser julgado, criticado ou repreendido. Damon levava uma grande toalha para estender no chão, onde se sentavam próximos. Havia sempre o ar da recém-descoberta paixão pelo mais velho ainda não compreender a sua identidade como homem gay. Apesar do assunto ainda não ser apontado pelo mais novo, a aproximação incomum entre eles não lhe gerava repulsa. Pelo contrário. Por se sentir tão confortável naqueles momentos e a interação ser dinâmica e harmônica, não havia espaço para a ojeriza.
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  Afinal, se sentia bem nos encontros. Algo tão bom não poderia ser errado.
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  - Pequeno, eu queria te falar uma coisa. – avisou inseguro.
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  Deitados, estavam virados um para o outro. Falavam em voz baixa, tornando o momento mais íntimo.
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  - Pode falar.
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  Abriu a boca duas vezes na dúvida se seria prudente se expor daquela maneira. Porém, aqueles grandes olhos castanhos eram gentis demais para não lhe darem a força adequada para se abrir.
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  - Eu carrego um sentimento forte por você. – tocou a ponta do nariz com o indicador, o gesto característico deles desde a infância – Sinto uma amizade muito bonita por você.
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  O sorriso aberto por Damon iluminou o belo rosto e Sebastian adorou a visão. No decorrer dos anos a memória estaria viva – e o mais novo, por sua vez, na encarnação seguinte, sonharia com a imagem de Sebastian especificamente naquele final de tarde por ser outro marco para ambos.
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  - A gente é melhor amigo desde sempre. – arriscou afagar os cachinhos sutilmente – Você sempre esteve no meu coração.
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  O momento de silêncio se instaurou para digerirem as palavras. Se acariciavam em movimentos leves: Damon a barba farta e Sebastian o queixo marcado. Observava cada traço delicado da face cujos lábios desenhados começavam a lhe despertar curiosidade sobre a textura. Será se poderia um dia...
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  Hesitante, passou o polegar pelo lábio inferior. Nunca tocou outro homem daquela maneira ousada e igualmente carinhosa.
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  - Amigo... – num movimento discreto, deixou um beijinho na carne áspera pelo labor. Deslizou a mão até a nuca, onde enterrou os dedos nos cachinhos – Será que o que você sente por mim é só amizade? Não é nada mais profundo?
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  O peão gemeu sem imaginar o tamanho de sua franqueza quando dialogavam. Se acabrunhava porque o teor dos temas era inédito. Destoavam totalmente dos levantados pelos trabalhadores da fazenda e do meio social onde fora inserido.
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  - Eu não sei. Desde o seu retorno despertou em mim umas coisas... Não sei o que é. – a angústia pela falta de compreensão era visível – Acho que sempre estiveram presentes, mas não tivemos oportunidade de vivenciarmos porque você viajou.
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  Foi impossível não achar adorável como aqueles grandes olhos expressivos estavam surpresos com a revelação, o brilho peculiar denunciando como as palavras o sensibilizaram.
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  - Até pensei que poderia ser errado, mas... Me sinto tão bem contigo. Isso não é errado. – finalizou com uma pontada de insegurança.
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  Era um homem forte de um metro e oitenta, porém a incompreensão lhe deixava frágil, quase indefeso. A fragilidade exalava pelos poros em consequência do conflito sobre o que foi ensinado e o que vivenciava com o amigo. Eram destoantes. De alguma maneira, o seu pequeno lhe apresentava a algo inédito. Era tão bom encostar nele, senti-lo roçar em si e ouvi-lo usar um tom de voz destinado para quando estavam sozinhos.
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  A delicadeza o conquistava de pouquinho em pouquinho, aquecendo o coração e irradiando calor sob a derme quando se reuniam à sós. Mal percebeu que passava o dia ansioso pela chegada daquele momento, finalizando o trabalho rápido para ir de encontro ao seu amigo quem, futuramente, seria seu marido.
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  - Posso te ajudar a descobrir. Nós dois juntos. Tudo bem? – murmurou se aproximando mais.
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  Sebastian não se afastou. Apenas desceu a palma até a cintura, o puxando pelo quadril inconscientemente para os corpos colarem num encaixe gostoso.
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  - Tudo bem. E como me ajudaria a descobrir?
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  - Fecha os olhos primeiro.
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  - Que nem como me pediu antes de ir viajar? – indagou sorrindo pela ternura do pedido e pela lembrança a qual reviveu várias vezes antes de dormir durante um ano.
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  - Sim.
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  O coração disparava quando acatou a solicitação.
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  Damon beijou suavemente o queixo, a ponta do nariz e a testa antes de selar o beijo nos lábios. Poderia se agitar, empurrá-lo ou fugir, entretanto não foi o caso. Não era isso o que seu corpo e nem a sua mente pediam. Apenas relaxou, abrindo a boca quando a língua de Damon pediu passagem timidamente.
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  O beijo foi doce, carregado de meiguice e lento. Transmitiam tudo o que não foram capazes de contar por Sebastian não ter tido aquele contato com outro homem antes. Apesar dos paus despertarem de imediato, não avançaram. Não era a hora do moreno ter e nem receber investidas sexuais. Era apenas para descobrir como aquilo era certo, se sentir aceito, respeitado, acarinhado e acolhido ao experimentar pela primeira vez na vida estar nos braços de uma figura masculina.
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  Sem quebrar o beijo, se deitou sobre o rapaz, quem abriu as pernas para acomodá-lo. Se afagavam com carinho enquanto, por prolongados minutos, desfrutavam do contato. Exploravam os corpos em afagos atenciosos tão vagarosos quanto o beijo. Suspiros foram ouvidos, peles se arrepiaram e as carnes buscavam uma pela outra por desejarem terem acesso a cada informação sensorial, por mínima que fosse.
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  Quando se separaram, distribuiria vários outros beijinhos pelo rosto do ruivo antes de lhe dar mais um selinho. Deitar-se-ia no peito de Damon, onde sentiria as mãos percorrerem as costas por cima das roupas. Não havia constrangimento e nem julgamento entre eles – uma grata surpresa para o mais novo. Não falaram nada. Palavras não eram relevantes. A troca em si, o aconchego, a harmonia entre eles, o corpo do peão relaxado e o momento de grande sensibilidade, sim.
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  Carinhos não faltaram. Entrelaçavam as mãos, se admiravam, se afagavam deslizando as palmas pelas faces. Não poderiam se sentir mais apaixonados – embora um deles ainda não tivesse a noção disso.
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  Iriam embora de mãos dadas quase três horas depois com a luz do luar iluminando a paisagem para retornarem para suas respectivas casas. Antes de chegarem num perímetro onde corriam o risco de serem vistos, caminhariam mais afastados – não sem antes Sebastian abraçá-lo por trás lhe beijando a nuca.
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  Depois desse episódio, tudo mudaria na vida deles.
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