×

ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 21

  Por Michael ser marginalizado e ser necessário se endurecer emocionalmente para lidar com as adversidades pelo seu histórico de vida e pela maneira como a sua existência era negada e invalidada perante a sociedade da época, desenvolveu diversas habilidades – dentre elas se impor, a capacidade de ler o ser humano, a importância de seguir seus instintos e camuflar os verdadeiros sentimentos.
0
Comente!x

  Dessa vez, ousou e abusou em usar da linguagem corporal para passar confiança em si objetivando esconder a ansiedade.
0
Comente!x

0
Comente!x

  É claro, o sinal de como ansiava pela visita era sutil – se posicionava inconscientemente sempre de frente para a entrada do teatro visando acompanhar quem entraria no interior.
0
Comente!x

  Logo, ao avistar Zuri de imediato foi até ela para receber a notícia.
0
Comente!x

  - A Celie virá amanhã pela tarde. – contou em voz baixa para não serem ouvidos pelos transeuntes.
0
Comente!x

  Virou a noite acordado especulando sobre como seria o encontro e o a razão do bilhete lhe ser entregue pela empregada.
0
Comente!x

  Ao final da peça, com o auxílio de Zuri, Celie se esgueirou entre as pessoas mantendo a cabeça baixa. A escolha do grande chapéu de abas largas foi proposital para ocultar a identidade no discreto movimento.
0
Comente!x

  Rapidamente Michael a identificou. Foi até ela desviando das pessoas e segurou a mão macia. Por se tocarem pela primeira vez, o coração acelerou pelo familiar encaixe – principalmente porque há meses almejava essa aproximação.
0
Comente!x

  A levou para o quarto onde teriam privacidade.
0
Comente!x

  A deixou passar primeiro para fechar a porta.
0
Comente!x

  - Aqui poderemos conversar sem interrupções e longe de curiosos.
0
Comente!x

  Prendeu a respiração quando parou na frente de Celie. A moça transmitia adorável áurea angelical no vestido rosa em tom pastel e o tecido fluído parecia voar ao se movimentar. Os lisos cabelos negros estavam presos em sofisticado penteado com algumas mechas soltas.
0
Comente!x

  A jovem jamais admitiria que mordiscou os lábios no caminho para deixá-los mais rosados em truque típico da época para realçar a beleza natural.
0
Comente!x

  - Li o seu recado ontem. – inquieto, não sabia como manusear as mãos, então reproduzia vários gestos apaziguadores.
0
Comente!x

  - Me desculpe. O ato foi impulsivo de minha parte, mas precisava saber uma coisa. – retirou o chapéu o deixando em cima da mesinha atrás de si.
0
Comente!x

  - Pode perguntar.
0
Comente!x

  Ambos pareciam em expectativa de algo. A inocente curiosidade exalava de cada poro de Michael e a outra se encontrava em estado de hesitação perante sua atitude impensada.
0
Comente!x

  - Eu... – balbuciou num fio de voz – Eu gostaria de saber por que você me observa de longe quando venho ao teatro.
0
Comente!x

  Não havia incômodo ou qualquer sentimento negativo na inquisição.
0
Comente!x

  - Não, não. Eu não...
0
Comente!x

  - Não precisa mentir para mim. – sorriu para dissipar o temor nele – Eu o vejo sempre na coxia de maneira em que fico no seu campo de visão. E não quebro as suas expectativas pois... Não é coincidência eu escolher o mesmo lugar para me sentar. É proposital.
0
Comente!x

  Soou incerta se era importante lhe proporcionar a informação facilmente, mas... Ora, já estava ali. A quem iria enganar?
0
Comente!x

  A situação já era comprometedora o bastante.
0
Comente!x

  De fato, desde quando viu Michael pela primeira vez algo nele a atraiu. Não compreendia exatamente – por mais que conversasse com Zuri sobre o assunto. Portanto, logo quando a empregada lhe contou sobre como o flagrou diversas vezes esticando o pescoço na direção delas escondido na coxia enquanto a atenção da plateia se dirigia para a peça, passou a se atentar se ele a procurava pelo ambiente – e concluiu que sim.
0
Comente!x

  A sombra de contentamento perpassou as feições tensas do rapaz, perplexo em como o interesse era, de fato, mútuo.
0
Comente!x

  - Bom, eu... Eu queria conhecê-la. – massageou a nuca em encantadora expressão de quem se arriscava pelo tamanho atrevimento em cortejá-la – É uma mulher incrivelmente bonita e não sei se a sua vontade seria a mesma.
0
Comente!x

  Desejou ver aquele sorriso meigo de Celie mais vezes.
0
Comente!x

  - É, sim. – a assegurou e o sorriso iluminou o rosto da moça a deixando radiante.
0
Comente!x

  - Só há empecilhos porque nossas classes sociais são distintas...
0
Comente!x

  - Isso nunca foi problema para mim. – o interrompeu.
0
Comente!x

  - E talvez eu não seja exatamente quem você pensa.
0
Comente!x

  Notou pelo olhar apreensivo como o tema sobre a sua sexualidade era delicado de ser abordado. Certamente passou por situações constrangedoras ou humilhantes onde foi primordial sofrer calado determinadas violências as quais sequer eram problematizadas na época focando na própria sobrevivência em detrimento das feridas emocionais.
0
Comente!x

  Compreensiva, se aproximou devagar o fitando cheia de solidariedade.
0
Comente!x

  - Eu me importo com a pessoa. Não com os seus respectivos sexos.
0
Comente!x

  A confissão sussurrada em íntimo segredo o abalou profundamente. Soltou o ar aliviado pelas palavras, as lágrimas se formando em agradecimento velado pela aceitação da outra e sensibilizado pelas palavras proferidas com tamanha doçura.
0
Comente!x

  - Está tudo bem. – os dedos coçaram para consolá-lo com toque físico e foi impossível resistir – Não precisa nutrir medo na minha companhia. – estendeu as digitais até encontrar as pontas das falanges em roçar incerto.
0
Comente!x

  Para a perplexidade de ambos, embalou a mão alva na sua a levando até os lábios para deixar um beijo terno.
0
Comente!x

  Nunca tinha experimentado tamanha sensibilidade e aceitação de quem acabou de conhecer.
0
Comente!x

  - Obrigado. – murmurou contra a pele sem quebrar o contato visual.
0
Comente!x

  - Qual o seu nome? – deu mais um passo quase se encostando nele.
0
Comente!x

  - Michael.
0
Comente!x

  - Sabia que adoro esse nome?
0
Comente!x

O rapaz sorriu sem esperar pelo elogio.
  - Sou Celie.
0
Comente!x

  - Olá.
0
Comente!x

  Três meses depois a relação de Satine e Sebastian havia evoluído.
0
Comente!x

  Ela passou a se soltar mais na presença do seu Duque porque demonstrava interesse nela – em sua personalidade, em suas histórias, em seus problemas e em tudo sobre si – ao invés daquilo que poderia lhe oferecer na cama.
0
Comente!x

  Passaram várias madrugadas acordados em conversas tranquilas, divertidas ou engraçadas. Costumavam apreciar os finais de semana porque era quando Sebastian ia embora ao amanhecer – lembrete constante de como o romance do casal era destinado para acontecer no período noturno, longe do conhecimento público.
0
Comente!x

  Em certo sábado, acomodada no colo de Sebastian em seus típicos vestidos elegantes e provocantes para a época, indagou com as mãos encaixadas na fina cintura por cima da peça:
0
Comente!x

  - Minha pequena. – deixou um ligeiro selinho nos lábios e voltou a se deitar em encantadora visão fascinante – Quando vai me deixar conhecer a sua outra versão?
0
Comente!x

  - Como assim? – pendeu a cabeça para o lado intrigada.
0
Comente!x

  - Eu conheço a Satine. E a adoro, diga-se de passagem. É maravilhosa. – resvalou as digitais pela lateral do tronco até alcançar a nuca – Quando poderei conhecer o homem por debaixo dessas roupas?
0
Comente!x

  Havia uma razão para não o permitir até então acessar a sua identidade.
0
Comente!x

  Gostava bastante dos encontros. Se sentia cada vez mais acolhida, respeitada e zelada. Os beijos de Sebastian eram os mais bem experimentados até então, os abraços os mais carinhosos e o corpo se encaixava perfeitamente ao seu sem esforços. Nunca avançava e deixava claro quem estava no controle da situação, decidia até onde ir e como – Satine. Embora ainda não tivessem chegado ao ponto de se amarem sobre a cama por opção da cantora, as interações eram assombrosamente harmônicas, quase como se já soubessem com exatidão do que outro gostava – Sebastian encaixava as mãos na fina cintura e a outra se acomodava no colo alheio.
0
Comente!x

  Temia perder aquela troca se descobrisse a sua individualidade.
0
Comente!x

  Satine era uma persona forte, ousada, atrevida e sedutora – e era essa a imagem transmitida.
0
Comente!x

  Damon, não.
0
Comente!x

  Damon era tímido, doce, engraçado, com traços meigos e carregava suas próprias dores.
0
Comente!x

  Não queria se arriscar de Sebastian perder o interesse em si depois de conhecer Damon Smith.
0
Comente!x

  Em insegurança incomum, mordeu o lábio inferior desviando o olhar.
0
Comente!x

  - Bebê. – o murmúrio soou baixinho por decifrar vestígios mínimos de tensão pelo corpo encolher ligeiramente.
0
Comente!x

  Acolhedor, segurou em toque tênue o pequeno queixo entre o polegar e o indicador o direcionando para si exercendo pressão mínima. Os globos dela estavam trêmulos de hesitação perante o pedido.
0
Comente!x

  - Qual o problema?
0
Comente!x

  - Eu... – engoliu em seco tomando coragem – Me preocupa a possibilidade de você conhecer o homem por debaixo dessas roupas.
0
Comente!x

  - Por quê?
0
Comente!x

  - Porque é muito diferente de Satine. Satine é... É uma proteção minha para suportar muitas coisas, muitas dores... É o meu suporte. – contou reflexiva com algumas lembranças dolorosas perpassando a mente.
0
Comente!x

  Notando a melancolia nela, Sebastian ergueu o tronco para beijar os lábios carnudos em terno selinho demorado. Embalou gentilmente o rosto maquiado a mirando com tanta ternura que se sentiu vulnerável nos braços dele – e sabia que estava segura em todos os sentidos da palavra nos largos braços daquele homem.
0
Comente!x

  Encostou a testa na dela, ambos fechando os olhos enquanto ela o abraçava.
0
Comente!x

  - Não precisa temer, meu amor. – murmurou em voz carregada de ar – Você está a salvo comigo, assim como a sua versão masculina sempre o estará. Me deixa conhecê-lo. Por favor.
0
Comente!x

  Demorou quinze segundos para a artista assentir em concordância ainda com ressalvas ainda não verbalizadas.
0
Comente!x

  Satisfeito, se deitou na cama a levando consigo em gritinho surpreso.
0
Comente!x

  - Obrigado, bebê. – satisfeito, tocou a ponta do nariz com o indicador.
0
Comente!x

  Adorava como a franja loira lhe dava um ar de inocência em contraste da beldade que era.
0
Comente!x

  - Por que você sempre faz isso? – questionou em risinho que fez o corpo vibrar, se referindo ao gesto característico deles desde o século XVII.
0
Comente!x

  Ambos apresentavam fisionomias alegres e os globos brilhavam.
0
Comente!x

  - Não sei, mas acho que combina conosco. Não acha?
0
Comente!x

  Os sorrisos iluminavam os semblantes apaixonados.
0
Comente!x

  - Concordo. Amanhã espera um pouco mais para entrar aqui, então. Me deixa me desmontar para me conhecer.
0
Comente!x

  - Estarei aguardando ansiosamente, minha linda.
0
Comente!x

  Bia estava angustiada – e chegou ao ponto de tacar sua xícara de porcelana preferida no irmão, quem desviou em surpreendente reflexo.
0
Comente!x

  Como era viúva aos trinta anos, descobriu da pior maneira que o irmão a usava como desculpa para passar as noites fora.
0
Comente!x

  Em certa tarde de segunda-feira, foi parada pela esposa de Sebastian enquanto degustava de uma sobremesa retornando para a casa.
0
Comente!x

  - Bia, minha querida. – a mulher de cabelos cacheados a parou em feições preocupadas – Está se sentindo melhor? Sebastian comentou que precisou ficar contigo pela indisposição.
0
Comente!x

  - Eu estou melhor, sim. – dissimulada como era, logo forjou uma convincente expressão abatida alterando a postura, o volume vocal e o semblante – Achei melhor sair um pouco para tomar ar fresco. Nem sempre me trancar dentro de casa é uma boa opção. Acabei comprando isso no caminho para ver se o meu ânimo melhora. – ergueu o doce na mão.
0
Comente!x

  Agradeceu por não ter se afastado tanto de casa como pretendia, então soaria mais persuasiva.
0
Comente!x

  Alterando os planos iniciais, retornou para a residência amaldiçoando o irmão mais velho por obrigá-la a faltar o compromisso na costureira para protegê-lo.
0
Comente!x

  - Da próxima vez me deixe avisada. – ralhou na sala jogando a xícara nele. Acomodada com elegância no amplo sofá parecia o sinônimo da delicadeza em contraste do temperamento forte e da língua afiada – Sabe bem que sempre o acobertei, mas preciso primeiro saber, irmão. Aí! Quebrei a minha xícara favorita e vai dar trabalho extra pros meus empregados limparem a mancha de chá em local indevido.
0
Comente!x

  - Ela quase pegou na minha cabeça! – reclamou aliviado pela porcelana atingir a parede atrás de si ao desviar dela se jogando para o lado.
0
Comente!x

  - E com razão! Imagina o problema se a sua esposa descobrisse? Antes a xícara quebrada na sua cabeça do que lidar com um escândalo.
0
Comente!x

  Apesar de lançar um olhar sério o qual a irmã mais nova rebateu com puro deboche, lhe dava razão – e por isso riu por manter-se calado.
0
Comente!x

  Detestou o fato dele não lhe dar detalhes sobre os encontros.
0
Comente!x

  Ao contrário do que se esperava, Bia era a única familiar quem sabia acerca de suas preferências sexuais. Teimosa e perspicaz, desde a infância identificou sinais quase imperceptíveis nele sobre o seu gosto particular pelo mesmo sexo – um suspiro pesaroso, a falta de interesse nas moças e o brilho sutil no olhar quando algum belo rapaz passava por eles.
0
Comente!x

  Pela curiosidade ser um dom natural, não sossegou até descobrir a verdade – e foi se deparando com o moreno num beco escuro durante a noite após notar o desaparecimento repentino.
0
Comente!x

  Por sorte outro não foi reconhecido, então simplesmente virou o rosto e saiu dali fechando as calças na direção oposta.
0
Comente!x

  Como os pais os procuravam, se recompôs calado e a acompanhou até avistá-los – o sinal do nervosismo apareceu nas mãos gélidas e trêmulas.
0
Comente!x

  Nunca experimentou tamanho terror. Não encarava Bia e fugia do contato dela nas horas seguintes até a garota invadir seus aposentos particulares vestindo a fina camisola branca com os cabelos soltos.
0
Comente!x

  - Era esse o seu segredo? – pela falta de luminosidade, não viu a palidez nele – Pelo amor de Deus, achei que fosse algo mais interessante.
0
Comente!x

  Franziu o cenho pela frase soar tediosa, como se as expectativas alheias não tivessem sido atendidas.
0
Comente!x

  - Você não está chocada por...
0
Comente!x

  - Eu estou chocada em como você colocou tudo aquilo na boca. – se sentou na cama de pernas cruzadas na frente do homem – Não se engasgou, não?
0
Comente!x

  A crise de riso de Sebastian foi pelo refrigério em não ser condenado por ela e também por já a visualizar como comparsa para as fugas.
0
Comente!x

  - Me conta como é. – pedia animada – Pelo visto você gosta de outros homens. Deve saber como fazer as coisas e me explicar o que acontece na noite de núpcias. Isso não é contado para gente. Se você é incapaz de me contar, maninho, ninguém mais pode. E me nego fazer o papel de tola quando me casar. Me explica, vai. Como é?
0
Comente!x

  Como ela o flagrou com o rapaz gozando em sua boca, não viu problemas em sanar as dúvidas – particularmente desaprovava a ignorância imposta pela sociedade nas moças solteiras porque o desconhecimento facilmente abre brechas para uma série de comportamentos abusivos por elas não distinguirem o certo do errado quando o assunto são as uniões carnais.
0
Comente!x

  Pela primeira vez não teve notícias e nem detalhes sobre os encontros do irmão – independente do quanto o questionasse.
0
Comente!x

  Como os esforços não surtiam o efeito desejado, optou por atitudes mais drásticas.
0
Comente!x

  Ordenou para um criado segui-lo quando ele saísse no período noturno. Providenciou um conjunto de roupas masculinas de seu tamanho emprestadas pelo mesmo empregado. Prendeu o cabelo num coque e colocou a cartola para esconder as madeixas.
0
Comente!x

  Quando foi avisada do destino dele, se encaminhou para o bordel sozinha sem sequer hesitar – e nunca agradeceu tanto pelos funcionários do estabelecimento se interessarem somente no dinheiro e aceitarem subornos com facilidade.
0
Comente!x

  - Pena que mulheres não podem se divertir assim. – foi o primeiro pensamento ao se deparar com as atrações do bordel – Sem dúvida essas roupas são mais frescas comparadas às minhas. – completou admirada pelos trajes curtos e de pouco tecido das cortesãs.
0
Comente!x

  De imediato encontrou o irmão.
0
Comente!x

  Aparentava tédio. Não interagia com as profissionais do baixo meretrício em vestes reveladoras e, no máximo, participava de conversas por educação.
0
Comente!x

  Para não ser localizada, se posicionou longe dele o mantendo em seu campo de visão.
0
Comente!x

  Adoraria dançar junto aos outros, mas, infelizmente, não queria chamar atenção para si. Se contentou em bater os pés no ritmo das músicas animadas observando as pessoas transitarem em aproximação considerada indecorosa entre homens e mulheres por se abraçarem, as mãos delas acariciarem os peitorais e os ombros e eles não se importarem em acomodá-las em seus colos.
0
Comente!x

  Demorou quase duas horas para a linda cantora surgir no palco – e o irmão demonstrou visível interesse nela.
0
Comente!x

  Franzindo o cenho, se surpreendeu por vê-lo de queixo caído a admirando sem nem piscar.
0
Comente!x

  Se esgueirou por entre os cavalheiros até parar ao lado dele.
0
Comente!x

  - Devo admitir, eu esperava tudo, menos encontrá-lo babando por uma mulher.
0
Comente!x

  O sussurro no pé do ouvido o sobressaltou – pensou ter enlouquecido por ouvir aquela voz feminina especificamente.
0
Comente!x

  - Que, Diabos, está fazendo aqui, menina!? – murmurou entre dentes com o coração acelerado se esforçando para aparentar naturalidade.
0
Comente!x

  - Ué, quero descobrir o que está acontecendo. – graças à cantoria, não podiam ser ouvidos – E tenho meus meios pouco convencionais para minhas perguntas serem respondidas.
0
Comente!x

  - Claro. Até porque é prudente... – se engasgou pensando em outra coisa – Como descobriu que eu estava aqui?
0
Comente!x

  - Vamos ter foco, por favor? – desconversou para não admitir as ações mais recentes – O assunto aqui é você nessa brincadeira.
0
Comente!x

  - Como eu fui ter uma irmã tão desajuizada assim, meu Deus? – o gemido foi desgostoso.
0
Comente!x

  Lhe beliscou pela lateral do tronco. Sebastian travou o maxilar para conter a dor.
0
Comente!x

  - Não sou desajuizada. Apenas não me prendo aos moldes sociais de como mulheres devem ou não se portar. E você não me deu escolha. Nunca escondemos assuntos importantes um do outro, poxa. – cruzou os braços torcendo a boca.
0
Comente!x

  - Contarei tudo desde que me prometa aceitar a minha escolta para a sua casa quando ela terminar de cantar.
0
Comente!x

  - Tudo bem, mas... Você não gosta de mulheres.
0
Comente!x

  - Ele é um homem quem se disfarça de mulher para cantar aqui. – contou em tom mínimo.
0
Comente!x

  - Bem, agora consigo entender melhor porque seus olhos estão brilhando e não desvia o olhar para conversarmos.
0
Comente!x

  Analisou a fisionomia masculina constatando o óbvio em sorriso travesso.
0
Comente!x

  Damon observava seu reflexo pelo espelho. Ajeitava os cabelos ruivos e alisava as vestes mais pobres tentando se colocar o mais bonito possível. Afinal, a situação era delicada – e nesses momentos se sentir bonito e atraente sempre ajuda para elevar a confiança.
0
Comente!x

  - Certeza de que estou bem, amiga? – se levantou ficando de frente para ela para ser avaliado.
0
Comente!x

  Quebrando os protocolos, Marie mentiu sobre o seu ciclo menstrual o estendendo até aquela noite para ajudá-lo.
0
Comente!x

  - Claro. – trajando um vestido bem mais composto, se aproximou – Vamos, ruivinho. – o encorajou notando a inquietação – Qual o problema? Nunca o vi tão agoniado.
0
Comente!x

  - Ai... – a segurou pelo pulso a guiando até a cama – Estou preocupado. Não quero que ele desista de vir me ver.
0
Comente!x

  Se acomodaram lado a lado com as costas na cabeceira.
0
Comente!x

  - Está com medo das visitas acabarem ou de sofrer de coração partido?
0
Comente!x

  - O amor é proibido para pessoas como nós. – contou encolhendo os joelhos junto ao peito – Não quero me arriscar a me apaixonar por quem provavelmente me enxerga como simples diversão ocasional para fugir da vida tediosa na companhia da esposa quando, na verdade, se interessa por homens.
0
Comente!x

  - Sinto muito avisá-lo, mas já está apaixonado. – soava compreensiva em conversa fraternal – As outras pessoas não percebem por que não te conhecem e é sempre bastante reservado. Até demais pro meu gosto. Não o julgo ou critico por não admitir seus sentimentos porque é importante para a nossa sobrevivência.
0
Comente!x

  - Eu não queria estar aqui. – murmurou taciturno com lágrimas se formando e a voz embargada – Essa vida não é para mim.
0
Comente!x

  - Eu sei. – beijou o topo dos cabelos quando o rapaz deitou a cabeça em seu ombro – Entramos nessa vida e nos tornamos cortesãs porque não há outra opção.
0
Comente!x

  - E é o caso de nós quatro. – fungou se esforçando para não chorar.
0
Comente!x

  - Pois é. Quem sabe um dia não conseguiremos sair daqui. Escuta, a nossa vida não é fácil. Não temos muita felicidade. Tudo se torna menos colorido com o passar do tempo. Amigo, eu vejo o brilho nos seus olhos. Pensei que nunca conheceria quem era quando passou a morar e trabalhar aqui por estar sozinho no mundo. Está voltando a ser quem é. E quer saber? Não imagina como eu, o Simon e o Dean nos alegramos por isso.
0
Comente!x

  - E se ele me machucar?
0
Comente!x

  - Há três amigos aqui para lhe ajudar a superar e dormir contigo para não se sentir tão sozinho. Tudo bem?
0
Comente!x

  Assentiu.
0
Comente!x

  - Espera um pouquinho antes de chamá-lo para entrar? – pediu se ajeitando e secando as pálpebras úmidas – Não quero que ele me veja assim.
0
Comente!x

  - Depois me conte os detalhes.
0
Comente!x

  Quando Sebastian entrou no quarto após a permissão da cortesão quem parecia estar animada para o encontro, as pupilas dilataram para a figura em sua frente.
0
Comente!x

  Os traços do rapaz eram delicados. Os olhos escuros se destacavam na pele alva de cílios longos. O cabelo ruivo ajeitado na mão formava delicadas ondas nas pontas. De alguma maneira a baixa estatura era acentuada pelas proporções igualmente pequenas, dando a impressão de ser menor do que realmente era. Os carnudos lábios rosados estavam entreabertos em expectativa. Piscava mexendo as mãos uma contra a outra pelo nervosismo. Os ombros encolhidos mostravam o misto de medo e ansiedade pela reação calada do Duque.
0
Comente!x

  - Oi – o sussurro de Damon soou quase inaudível e trêmulo.
0
Comente!x

  Sem cerimônia, Sebastian atravessou o quarto até abraçá-lo em seus braços musculosos. Respiravam fundo aproveitando do contato afetuoso.
0
Comente!x

  Embora o pressionasse contra si, o desejo não sobrepujava. O enlace era afetuoso, familiar e cheio de ternura, quase como se o reivindicasse para si – não porque Damon era dele, mas porque Damon se permitia ser do Duque por escolha própria devido ao sentimento recíproco, ao forte laço construído em questão de meses, as interações harmônicas e em como era tratado com devoção.
0
Comente!x

  O rapaz estava enganado sobre evitar se apaixonar por Sebastian da última vez que conversou com os amigos sobre o assunto. Já havia se apaixonado desde antes do primeiro beijo – embora negasse piamente pelo senso de sobrevivência adquirido desde quando chegou ao Moulin Rouge.
0
Comente!x

  O ouviu respirar profundamente com o nariz contra a derme para sentir o seu cheiro característico do banho recém tomado e expirar lentamente. O ar quente se chocou contra o pescoço lhe causando arrepios – não porque estava frio.
0
Comente!x

  No dia seguinte se perguntaria o motivo de não se surpreender quando foi pego no colo – aliás, torcia para aquilo acontecer. As pernas se entrelaçaram na cintura larga em íntima união. A sensação de proteção e amorosidade o tomou enquanto era carregado para a cama naquela posição confortável.
0
Comente!x

  Se acomodaram rapidamente para o ruivo se posicionar em seu colo, os joelhos apoiados no colchão ao lado do quadril do moreno. Se deitou sobre o Duque desfrutando de como aquele corpo se encaixava ao seu e em como lhe transmitia tamanha amorosidade e confiança. As palmas ásperas deslizavam pelas costas por sobre a camisa branca puída. Relaxou completamente por estar em seu lugar favorito.
0
Comente!x

  - Está mais tranquilo agora, bebê? – enterrou os dedos nos fios iniciando um agradável cafuné – Você estava angustiado.
0
Comente!x

  - E continuo angustiado. – soando manhoso, enterrou a face no vão entre o pescoço e o ombro buscando proteção.
0
Comente!x

  - Por quê?
0
Comente!x

  - A possibilidade de você não gostar de mim e preferir a companhia de Satine me assombra.
0
Comente!x

  - Ela é maravilhosa e você fascinante. Não há competição. São as duas faces da mesma moeda e eu as adoro igualmente. – beijou o ombro estreito.
0
Comente!x

  - Mas você ainda nem me conhece. – rindo, ergueu o tronco o suficiente para enxergá-lo – Não há como ter uma opinião sobre mim.
0
Comente!x

  - Algo me diz, meu pequeno, que é impossível eu não gostar de você. – contou tocando a ponta do nariz com o indicador.
0
Comente!x

  - Porque... – franzindo o cenho, fitou tudo exceto os olhos de Sebastian – Sou a pessoa menos apropriada para estar com alguém devido a minha posição social, minha área de atuação e onde moro. Então... Por que me chama de seu? – a voz saiu trêmula, incerto se era prudente de sua parte fazer tal pergunta.
0
Comente!x

  Demorou para responder por observar cada mínimo traço com atenção. Deslizava as costas das falanges pelas bochechas em movimentos suaves, traçando delicado caminho pelo maxilar marcado e finalizando a exploração ao repousar o indicador no queixo onde a discreta covinha aparecia.
0
Comente!x

  - A resposta, meu amor, já sabemos desde quando comecei a te visitar. Basta saber se você está pronto para admitir isso.
0
Comente!x

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Todos os comentários (0)
×

Comentários

Você não pode copiar o conteúdo desta página

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x