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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Paixão e Crueldade

Escrita porZsadist Xcor
Revisada/Editada por Natashia Kitamura

Capítulo 39

  A primeira semana de gravação foi infernal para Damon.
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  Logo no primeiro dia de Patrick nas ambientações, a atmosfera do homem era intimidadora. Não cometeu nenhum ato diretamente contra o rapaz, mas foi o responsável por diversos momentos em que o abalo emocional foi evidente.
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  Graças à ajuda de um profissional hacker, descobriu como o rapaz sofreu cyberbullying na época da escola. Se deparou com alguns vídeos no YouTube que mostravam gravações das humilhações públicas e violências sofridas. Era chamado de bichinha pelos outros alunos, que ignoravam as lágrimas e os inúmeros pedidos para pararem de chamá-lo assim.
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  Com a valiosa informação, de vez em quando, quando estavam sozinhos, colocava os vídeos no celular no volume máximo para Damon escutar.
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  Reconhecendo o áudio, o rapaz, no camarim, se assustava por ser confrontado pelos resquícios do passado doloroso. Buscava a origem da gravação de maneira incessante para parar de escutar aquilo.
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  – Garoto, pelo amor de Deus! – Patrick se exasperava. – Estou estudando as falas.
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  – Então de onde vem esse barulho? – contendo as lágrimas, procurava pelo telefone ou aparelho eletrônico cuja transmissão estava acontecendo.
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  – E eu lá sei? Nem estou escutando nada. – o olhar se transformou em puro deboche. – Talvez você esteja ficando doido, isso, sim.
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  Gaslighting é uma forma de abuso e tortura psicológica. Caracteriza-se por negar a percepção da vítima, distorcer, omitir ou inventar informações e dizer sistematicamente à vítima que a reação emocional é irreal ou disfuncional. A longo prazo, a vítima passa a questionar a própria percepção da realidade, memória e sanidade, a deixando vulnerável, acuada e arredia – e era isso o que o loiro fazia com Damon.
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  Diversas foram as oportunidades de importuná-lo.
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  Colocava os vídeos, o chamava de bichinha baixinho quando o rapaz estava sozinho e tirava as coisas dele do lugar – o calçado guardado na mochila apareceu no banheiro, as maquiagens num canto do camarim e papéis importantes sobre as anotações do show que se aproximava foram encontradas debaixo do sofá ao invés de na mochila, onde estavam antes de sua interferência.
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  – Eu já te falei que isso não é normal. – ralhou Patrick junto a outro colega do elenco enquanto o rapaz procurava uma das joias usadas naquele dia em específico para lhe trazer sorte, visto como o ambiente das gravações o hostilizava. – Talvez fosse melhor procurar um psiquiatra, Damon. É a melhor solução.
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  – Verdade. – o outro concordava sem tomar consciência da dimensão do problema. – Você não está muito bem esses dias, amigo.
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  Detestava ouvir as pessoas comentando sobre si como se não estivesse ali.
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  – Deve estar por aqui. – como vasculhou todos os cantos e gavetas sem sucesso, foi para o banheiro. – Eu não ia perder...
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  A visão embaçou por encontrar o anel dentro do vaso – sujo propositalmente pelo loiro após jogá-lo ali.
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  Patrick era astuto.
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  Na frente de todos se passava por homem simpático, exímio comunicador e usava o humor na dose certa.
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  Ninguém mais conhecia a sua outra face e a alta habilidade em prejudicar as pessoas por meio de manipulação, gaslighting, vitimização e mentiras.
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  Buscava os mais diversos artifícios para afastar Sebastian do ruivo. Interrompia ou se intrometia nas conversas – quando não enviava alguém para isso sob qualquer pretexto –, monopolizava a conversa quando Damon estava no ambiente, o excluindo discretamente do assunto por abordar temas os quais ele desconhecia e, de vez em quando, recorria a artimanhas mais preocupantes, como vê-lo caminhando, digitando distraído, e colocar o pé na frente para o ruivo tropeçar e cair no chão.
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  – Meu Deus! Você está bem? – o ajudou a se levantar, causando nele repulsa pelo excesso de proximidade.
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  – Sim. – se desvencilhou rapidamente, sentindo o joelho ralado latejar pela ferida. – Não se preocupe.
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  A menina o observava no plano espiritual – e não deixaria as ações impunes.
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  Damon entrou sozinho no camarim segurando o celular. Pensava em qual conteúdo poderia gravar com Sebastian, que permaneceu no set para gravar cenas em conjunto com outros atores.
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  Não esperava se deparar com Patrick sentado no sofá.
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  – Patrick. – se surpreendeu negativamente, fechando o sorriso. – Não sabia que estava aqui.
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  Desenvolveu a habilidade de se manter longe do campo de visão dele por enxergá-lo como ameaça em potencial, se repreendendo por não ter verificado primeiro se o homem estava ali.
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  – Cheguei ainda há pouco. Vim descansar antes de a próxima cena começar.
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  – Ah, vou te dar privacidade, então.
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  O rapaz se retirava quando engoliu em seco pelas palavras escutadas.
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  – Vai, não, porque quero conversar contigo.
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  Quando se deparava com o loiro, nunca era agradável. Existia uma tensão inexplicável entre eles. Desde o primeiro momento trocaram poucas palavras e não se gostaram. Quando estavam no mesmo ambiente, mantinham-se longe um do outro, se tratando apenas com respeito e educação protocolares. Nada além disso.
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  – Serei rápido. Não pretendo me estender além do necessário. – pôs-se de pé numa postura altiva e caminhou em sua direção, parando a meio metro de distância. – Estive pensando e acho válido ter uma conversa contigo.
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  O rapaz fechou a porta e encostou nela.
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  – Comigo? – guardou o celular no cós do short. – O que eu fiz? – cruzou os braços.
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  – Por enquanto, nada de relevante e espero que continue assim.
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  – Não estou entendendo. Qual o problema?
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  – Eu peço para você se lembrar dos seguintes pontos sempre que estiver em contato com o Sebastian. Não esqueça que fui eu quem morei com ele por anos. Não esqueça que é a mim que ele deu certezas ao invés de dúvidas. Lembre-se de que você jamais será homem suficiente para ele, um atorzinho medíocre que nem consegue se passar por hétero porque não passa de um viadinho comum.
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  A cada frase o rosto de Damon se transformava numa máscara de indiferença. Do contrário, demonstraria a dor por escutar as palavras, a insegurança e a sensação de desproteção perante uma potente ameaça, características das vítimas de bullying, crescendo em si. O nó aumentava cada vez mais na garganta, o impedindo de falar claramente sem a voz falhar, achando mais prudente se calar ao invés de rebater.
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  O oponente avançou nele devagar, adorando perceber o quanto o afetava. Se existia a carranca de indiferença, era porque escondia algo.
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  Controlou o ímpeto de não se afastar quando teve a face acariciada. Enfrentaria o embate de cabeça erguida, sem dar nenhum sinal de contrariedade. Patrick o encarava num misto de deboche e escárnio.
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  – Deve ser bem humilhante ser desejado e nunca escolhido. Diria até frustrante porque o aguarda há mais de um ano e nada até agora. Ou acha que essa farsa medíocre entre vocês vai colar em mim? Nunca vai ocupar o meu lugar. Tadinho.
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  O queixo tremeu quando foi avaliado de cima abaixo. Pela primeira vez em anos se sentiu inferior perante alguém, beirando a insignificância.
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  – Até parece que poderia competir comigo. – o segurou pelo queixo com o indicador e o polegar. – Seria até de mau gosto cogitar isso quando tem tanta gente por aí bem melhor do que você.
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  Só demonstrou o quão ferido foi quando ouviu a porta ser batida.
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  O diretor precisou cancelar as gravações do período noturno e do início da tarde pelo estado deplorável de Damon – era explícito como não estava bem em virtude da conversa com Patrick.
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  Estava disperso, sem conseguir gravar o texto e nenhuma maquiagem era capaz de esconder por tanto tempo os sinais claros do quanto tentava impedir o pranto. Se distanciava dos demais, optando por se isolar com seu fone de ouvido. Estava calado, introspectivo. Sequer conversava com Sebastian, de quem se pegou fugindo algumas vezes para evitar as suas inquisições.
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  Sebastian aguardou o camarim ser desocupado pelos funcionários, carregando os respectivos pertences antes de entrar decidido no recinto. O encontrou colocando a mochila nas costas, mas, antes de prosseguir em direção à porta num ar desolado, o agarrou pelo pulso. O arrastou consigo, o obrigando a caminhar de costas até pressionar o corpo contra a parede para dificultar a fuga iminente.
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  – Pequeno, o que foi? Qual o problema?
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  O rapaz não o encarava. Olhava para um ponto específico acima de seu ombro para se controlar.
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  – Nada. Não é nada. – mentiu numa voz embargada.
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  – Vamos, amor. Olha para mim. – sussurrou.
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  Como não acatou a solicitação, encostou o polegar no queixo para impulsioná-lo num movimento gentil até os olhares se encontrarem.
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  – Me conta a verdade, meu pequeno. – desceu os dedos pelo pescoço e os descansou na região. – O que fizeram com você? – acariciou o maxilar com o polegar.
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  O mais velho o fitava com tanto amor, tanta paciência, tanta gentileza... Se convenceu de que sua imaginação lhe pregava uma peça pelo homem demorar tanto em assumir um namoro consigo.
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  Sebastian não era seu. Havia, sim, sentimento. Química também. Era inegável. Entretanto, não tinha um relacionamento com Damon Smith, porém o teve com Patrick. E, é claro, isso não iria mudar – independentemente de quanto o amasse, do quanto soubesse da existência de uma possibilidade remota de firmarem um compromisso e dos acontecimentos entre eles no passeio ao Hotel Fazenda.
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  Encará-lo apenas piorava seu estado emocional por ser o motivo central de estar tão abalado. Não demorou para as lágrimas descerem e, antes de ser puxado para um abraço, se desvencilhou, saindo a passos ligeiros do cômodo, secando o rosto.
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  Sebastian tentou alcançá-lo. Infelizmente, havia várias pessoas pelo horário ser movimentado e o rapaz caminhava depressa demais, de cabeça baixa, para não notarem seu estado emocional frágil.
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  No dia seguinte continuou tão abalado quanto horas antes.
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  Depois de ligações ignoradas de Sebastian, foi vencido pelo cansaço quando aceitou enviar um áudio por o moreno insistir nisso para averiguar se realmente havia melhorado. E era óbvio que a sua voz denunciava a mentira.
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  Às duas da tarde foi surpreendido pelas batidas na porta. Ao abri-la, Simon, Marie e Bia, que se tornou amiga do grupo desde a viagem, carregando o celular nas mãos, onde fazia uma video-chamada com o rosto de Dean na tela, entraram sem cerimônia, lhe dando um abraço em grupo.
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  – O que estão fazendo aqui? – não poderia estar mais confuso.
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  Usava somente uma boxer cinza e uma larga camisa negra puída.
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  – Um passarinho nos contou que você estava na merda. – Marie avisou, trancando a porta. – Passarinho de um metro e oitenta, com número de celular, CPF e que esteve numa viagem conosco há uns dias.
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  – E por quem a gente desconfia, não é de hoje, que você não sente só amizade, não. – completou Simon, retirando o tênis.
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  – Bia, meu bem, pode não parecer, mas não sou hétero, não. Por que estou vendo o seu útero?
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  A voz de Dean fez a garota gritar assustada. Distraída, acabou sentando no sofá com as pernas abertas, descansando o celular entre elas, um costume seu. Não percebera que posicionou a câmera frontal para si. E, por ter um encontro quando saísse dali, escolheu uma saia curta e... Bem, se estivesse usando calcinha, a peça íntima atrapalharia o encontro.
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  – Caralho, amigo! Desculpa! – meio estabanada, ergueu o aparelho na altura do rosto enquanto os outros riam.
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  – Eu nunca na vida pensei em ver uma buceta. Bia, minha cara, obrigado por me apresentar a uma. Terei pesadelos por três semanas, certeza.
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  – Ele já nasceu de cesárea para não passar nem perto. – Simon brincou, ajeitando os óculos.
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  – Exato! – gritou revoltado.
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  – Ai, gente... Só vocês para me fazerem rir um pouco. – Damon apanhou uma cadeira para deixar o celular equilibrado num ângulo onde o primo, em viagem rápida em terras paulistas para a gravação de alguns comerciais, pudesse enxergar todos.
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  – Ruivinho... Você já teve dias melhores. – Simon o avaliou quando o rapaz se encaminhou para sentar no meio do sofá entre o trio. – Que cara é essa de quem morreu e só faltou alguém para te avisar?
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  – Eu não estou tão ruim assim. – fungou.
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  – Lembra de quando a Bella engravida da Renesmee em Amanhecer?
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  – Sim.
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  – Está igual. – a prima avisou.
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  – Se for sobre quem estou desconfiando, posso te mandar o contato de um conhecido meu que é matador. É só me passar o nome completo que ele resolve rapidinho. Ainda te dá um desconto porque somos parentes. – em seu quarto, Dean deitou na cama de bruços.
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  – Quem fez a merda? Meu irmão ou o filho da puta do ex? – Bia sentou no chão para evitar mais repreendas de Dean.
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  – Olha... – o cantor deu um longo suspiro, cruzando as pernas. – Eu vou falar, mas por, no máximo, sessenta segundos porque prefiro não me aprofundar no assunto. Depois a gente fala de qualquer coisa, exceto esse tema. Pode ser?
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  Resumiu a história envolvendo Patrick e a postura hostil.
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  – Quer uma dica para essa palhaçada acabar? – a morena colocou uma almofada no colo. – Conte para o meu irmão.
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  – De jeito nenhum! – recusou de imediato.
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  – Por quê? – Dean ergueu a sobrancelha direita.
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  – Há quantos anos Sebastian conhece o Patrick? A mim conheceu quase um dia desses comparado ao outro. É capaz até de não acreditar em mim. Temos anos de desvantagem.
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  – Ainda acho válido isso chegar aos ouvidos de Sebastian. – ralhou Simon.
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  – Escuta, há motivos para o imbecil não fazer nada na frente do meu irmão. – prosseguiu Bia. – O Sebastian é muito protetor quando o assunto são as pessoas que ele ama. Se meu irmão souber, não imagina o tamanho da merda em que essa praga vai se meter.
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  – Não. – insistiu. – Prefiro deixar isso quieto. Além do mais, só precisarei suportar Patrick por pouco tempo. As gravações não demoram, não.
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  Mal sabia que os guias e protetores espirituais ajudariam Sebastian a descobrir tudo.
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  Sebastian aproveitou o turno sem compromisso para cozinhar.
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  Preparou arroz, frango à parmegiana, salada de legumes temperada, um bolo de chocolate com bastante brigadeiro e diversos enroladinhos de sabores variados – doce de leite, queijo e presunto, Romeu e Julieta e carne moída. Basicamente, todos os ingredientes que tinha em casa.
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  Se arrumou e, em questão de quinze minutos, estava pronto para sair. Carregava sua mochila nas costas antes de descer com as refratárias para o carro e retornar para buscar as panelas em visita inesperada.
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  Os primos e a amiga foram embora de seu apartamento às seis da noite porque tinham compromissos já marcados. Apesar do pouco tempo juntos, foi o suficiente para melhorarem o seu estado emocional. Entretanto, eles não eram a única surpresa.
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  Quase sete da noite, bateram em sua porta novamente.
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  – Sebastian?! – fez uma careta de confusão ao se deparar com o homem parado na sua frente ao abrir a porta. – O que está fazendo aqui?
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  – Vim te fazer companhia.
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  – Mas... Por quê?
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  – Porque eu precisava de alguém para comer tudo isso.
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  Só então percebeu a quantidade de bolsas no chão.
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  Abriu espaço para o outro passar, ajudando-o a carregá-las.
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  – Olha, eu não sabia se você jantava ou não, então preparei sua comida preferida e lanche para esta noite. – colocou todas as panelas e as refratárias na mesa, assim como os potes e as bandejas com o bolo e os enroladinhos.
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  – Meu Deus, amor! – arregalou os olhos sentindo o odor delicioso de cada prato, a boca salivando.
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  – Tem arroz, frango à parmegiana e salada de legumes. Além disso, preparei um bolo de chocolate e enroladinhos de quatro sabores diferentes. É o suficiente, né? – coçou a cabeça em dúvida.
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  – Sebastian... – apesar da insegurança, segurou o pulso dele para focar em si. – Por quê? Não era necessário esse trabalho. Porra, deve ter passado o dia cozinhando.
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  – Qualquer coisa para colocar esse sorriso no seu rosto é válida. Para mim não é trabalho nenhum.
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  As palavras trouxeram lágrimas aos seus olhos pela demonstração de cuidado e carinho.
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  Gestos como aquele sempre trouxeram acalento ao seu coração, principalmente quando não estava nos seus melhores dias. A conversa com Patrick apenas serviu para machucá-lo e desconfiava de esse ser o objetivo do homem desde o princípio.
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  – Ai, pequeno... – o puxou para um abraço acolhedor. Abaixou a cabeça, roçando os lábios nos cabelos macios. – Por que está chorando?
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  – Porra... Estou sensível, caralho. – fungou contra a regata cinza, o abraçando pela cintura. – Por que foi me falar isso?
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  – Porque é verdade, bebê. – espalmou as mãos nas costas, iniciando um meigo afago. – O seu bem-estar é importante para mim. Você fugiu ontem e não pude te ajudar. Não precisa me contar nada se não for da sua vontade. Só me deixa cuidar de você. – deu um beijo protetor no topo da cabeça.
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  – Está bem.
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  – Posso passar esta noite aqui contigo, então?
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  – Pode. – falou, soltando uma risadinha.
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  Gentilmente, enterrou os dedos nas ondas ruivas. As puxou de leve, o suficiente para o rapaz erguer a cabeça para encará-lo. Damon fechou os olhos, aproveitando o toque ao senti-lo deslizar os dedos, secando as lágrimas.
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  – Não precisa mais chorar, meu pequeno. Eu não vou te deixar sozinho quando estiver mal.
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  Selou a promessa lhe dando um beijo demorado na testa. Se fitaram amorosamente num silêncio confortável por intermináveis instantes, em que se perderam na conhecida aura que os tomou. Aura repleta de química, cuidado e amor mútuos. Não havia necessidade de palavras para expressar seus sentimentos. No silêncio e nos pequenos gestos demonstravam a existência de algo além da amizade criada. Acarinhavam timidamente a face um do outro, encostavam as testas em total estado de relaxamento ou apenas se encaravam. Era inegável como eles começavam a estreitar os laços desde a viagem.
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  Passaram a noite juntos assistindo a filmes e conversando enquanto jantavam. O rapaz não se alimentou durante o dia pelo abalo emocional, então, só naquele momento, bem mais calmo, foi capaz de sentir fome. Isso, é claro, aliado à atitude linda em sua visão. Realmente não esperava.
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  Para o azar de Patrick e a sorte das almas afins, as quais se buscavam há anos, o comportamento do outro só serviu para aproximá-los. Apesar de morar junto ao ex por anos, por ações do loiro ainda desconhecidas para si, Sebastian seria incapaz de deixar Damon sozinho. Em decorrência disso, interferiu entrando em contato com Marie e a irmã, lhes avisando sobre o rapaz. Após alguns minutos, a menina relatou que ela e o grupo não poderiam ficar mais tempo, então achou de bom tom passar a noite lá para certificar-se de que o ruivo não correria o risco de se entristecer novamente.
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  – Calma aí. – acomodados no sofá, o mais novo apanhou o celular. – O pessoal vai adorar isso.
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  Com a câmera do celular virada para si, começou a gravar para o Instagram, dizendo:
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  – Gente, desde ontem eu estava triste, xoxo, capengo, manco, anêmico, sem ferro...
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  Quebrando as expectativas, o ator se colocou na frente do vídeo brincando:
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  – A parte do ferro eu dei.
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  O comentário o fez gargalhar.
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  – Dei com orgulho e muito bem dado. – completou, segurando o riso. – Essas coisas eu faço direito, viu? Podem ver aí o rosto dele. Está até mais tranquilo.
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  – Além da parte do ferro, olha a surpresa que recebi dele hoje. – virou a câmera mostrando o prato de comida no colo. – Preparou meu almoço preferido e ainda trouxe uma porrada de enroladinho de quatro sabores diferentes e bolo de chocolate.
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  – É claro. – deitou a cabeça no ombro do rapaz. – Esse pequeno precisa ser bem alimentado. Que tipo de namorado eu seria se não prezasse pela saúde, o bem-estar e o corpo dele?
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  – Com uma caralhada de enroladinho de carne, de queijo e presunto, doce de leite, Romeu e Julieta e bolo de chocolate? Vou levar um esporro da minha nutricionista, sabia?
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  Se encolheu como um gatinho, rindo por ser acariciado na barriga.
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  – Buchinho cheio é sinônimo de felicidade.
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  Desligou o celular. Enquanto postava, recebeu um beijo na têmpora.
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  – Não precisava. – comentou numa voz que claramente não demonstrava repreensão, mas sim surpresa e um certo grau de curiosidade. – Eu não estava mais gravando.
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  – Eu sei. Mas eu quis.
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  O mirou com um sorrisinho travesso, mostrando as covinhas.
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  Sebastian conteve a vontade de admitir em voz alta o quão adorável foi a expressão facial.
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  Deu play para assistirem a Harry Potter no jantar.
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  Durante o filme, tiveram a oportunidade de dar as mãos e praticamente agir como um casal quando terminaram de jantar. Apesar de não existir um contexto sexual, tanto o afeto quanto a conexão eram inegáveis. Aos poucos, Sebastian notou que nunca experimentou tal química com Patrick e jamais cogitou o quanto carecia de momentos assim, onde existia a perfeita comunhão entre harmonia, companheirismo, amor e o desejo mútuo de estarem juntos.
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  Com Damon, seus gestos carinhosos eram naturais. Era natural buscar pelo seu toque. Era natural beijar sua bochecha ou testa. Era natural sorrir ao vê-lo bem. Era natural admirá-lo pelo ser humano que era. Era natural lhe beijar os lábios. Não havia esforço de sua parte ou culpa pela vontade de se afastar – assim como vinha acontecendo quando estava na presença do ex, por quem nutria sentimento de gratidão porque não conhecia as circunstâncias em que Patrick o abrigava quando necessário no passado. Simplesmente parecia ser o certo.
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  Na metade do filme, já alimentados e com os pratos lavados pelo mais novo, Damon deitou no sofá, acomodando a cabeça no colo de Sebastian, que lhe fazia um cafuné lento. Estava relaxado e acabou se deixando levar pelo clima entre eles para revelar o ocorrido do dia anterior.
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  – Uma pessoa me humilhou ontem quando estávamos gravando.
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  Se assombrou quando a frase saiu num sussurro.
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  – É por isso que estava mal? – desviou o olhar da televisão para o ruivo.
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  – Mais ou menos. – encolheu as pernas, fincando os pés no tecido do móvel. – Digamos que não tenho lembranças muito boas de quando era mais novo. Passei por umas situações meio merdas na época da infância e adolescência por ser um gay mais afeminado e... – deu de ombros com uma careta desgostosa. – Não foi uma fase boa. Acabou despertando algumas coisas que estavam adormecidas há anos, as quais não gostaria de ter contato. Me senti... – mordeu o lábio inferior em dúvida se seria prudente prosseguir. – Não gosto de ser inferiorizado. – mudou a linha de raciocínio para não dar maiores detalhes. – Nem que zombem da minha aparência.
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  A frase despertou a raiva de Sebastian. Precisou de minutos sem proferir palavra nenhuma para contê-la. Não era momento de transparecer nada além de ternura ao lidar com o cantor naquele momento de fragilidade porque era visível como o tema lhe angustiava. Quando quebrou o silêncio, o corpo, antes relaxado, enrijeceu à medida que se abria.
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  – Anda. Levanta. – deu um aperto no ombro. – Vem comigo.
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  O levou até a parede da sala onde havia um espelho grande.
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  – O que você vê? – atrás do ruivo, enxergava o reflexo deles.
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  – Eu, ué. – deu de ombros.
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  – Só?
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  – Qual é o ponto disso? – cruzou os braços.
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  – Sabe o que vejo?
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  – O quê?
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  – Um cara lindo. – cochichou, descansando as mãos na cintura fina por debaixo da camisa. – Talentoso. Um artista completo e de dedicação admirável, que batalhou para chegar onde está. Um ser humano amável, íntegro, gentil, doce, humilde e que respeita quem está ao redor. – deslizou as palmas até entrelaçá-las, o abraçando, encostando o abdômen nas costas menores. – Um cara engraçado, cuja risada é contagiante, com covinhas fofas que surgem nas bochechas quando sorri e ar de travesso. – sem quebrar o contato visual no reflexo, inclinou a cabeça até roçar os lábios nas mechas macias. – É assim que o vejo. Pequeno... – o impulsionou até virá-lo para si. – Não faço ideia de quem te falou besteira, mas tenha certeza: caso se visse pelos meus olhos, pelos olhos da minha irmã ou de qualquer um que o conhece, jamais se sentiria abaixo de ninguém. Não faz ideia da diferença que faz na vida de quem o cerca e de como eu te adoro. – completou, o fitando num olhar profundo.
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  Soluçou e encostou a cabeça no peito de Sebastian. Por sua vez, o puxou pela cintura, o pressionando contra si ternamente. Inclinou-se sobre ele para, sem aviso, o puxar para o seu colo, o erguendo pela parte detrás dos joelhos até as pernas nuas circularem sua cintura. Retornou para o sofá com a lateral da face do ruivo repousada em seu ombro durante o caminho, permitindo que o característico perfume amadeirado fosse exalado pelas narinas.
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  Já sentado, murmurou quase como se compartilhasse um segredo, apesar de estarem sozinhos no apartamento:
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  – Não esquece das minhas palavras, não. – afagava preguiçosamente as costas. – Você é uma ótima pessoa. Não precisa se sentir diminuído perante ninguém.
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  Sorrindo, o cantor lhe beijou a bochecha e deslizou até se acomodar no sofá. Aninhou-se no braço moreno para continuarem assistindo ao filme, dessa vez de mãos dadas.
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