Continuum


Escrita porPams
Revisada por Lelen


33 • Valentine's Day - Pt. 1

Tempo estimado de leitura: 18 minutos

Sollary Hospital, Seattle

  E lá estava %Mia% Sollary em mais um plantão no hospital da família. A noite havia sido turbulenta graças a um incêndio acidental em um evento beneficente que acontecia no prédio da Associação dos Comerciantes. A residente havia sido realocada na equipe de trauma, um pedido do pai que não se conformava por ela ter escolhido a cardiocirurgia como especialização definitiva. Algo que havia lhe deixado irritada.
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  — La... la... la... la… — Hill entrou no vestiário cantarolando e notou que %Mia% estava deitada no banco. — Amiga?!
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  — Hum. — a residente resmungou, permanecendo com os olhos fechados.
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  — O que faz aqui? Achei que já tinha ido para casa. — comentou ela, olhando o relógio no pulso. — São seis da manhã.
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  — Eu sei. — %Mia% continuou imóvel. — Eu só precisava de um lugar silencioso e a sala de descanso estava ocupada.
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  — Por que não foi para casa? — Hill se aproximou do seu escaninho e começou a trocar de roupa, não se importando com a presença dela.
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  — Eu queria cochilar um pouco, não vou voltar agora, consegui uma cirurgia com o doutor Voith. — explicou a Sollary.
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  — Você vai fazer uma cardio agora de manhã? Mas a Lins disse que você não estava nesse setor, e não me lembro de nenhum cirurgião com esse nome aqui. — Hill a olhou surpresa.
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  — Não vai ser aqui, vai ser no Seattle West Medical Center. — respondeu a residente, abrindo os olhos e erguendo seu corpo. — Um ex professor meu vai estar lá e me convidou para auxiliá-lo.
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  — E você via? — a garota ficou boquiaberta.
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  — Claro. — assentiu %Mia%. — Primeiro porque ele é o melhor em cirurgia cardio, e segundo, se não posso treinar na minha especialização aqui, procuro em outro hospital.
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  — Seu pai vai te matar. — comentou a amiga.
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  — Não me importo, desde que me mate após as minhas seis horas de cirurgia. — %Mia% piscou de leve para a amiga e se levantou. — Você, amanhã?
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  — Não, minha cara. — disse Hill. — A Lins me escalou para ficar na clínica até a próxima semana.
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  — Boa sorte. — disse %Mia% fazendo uma careta estranha. — Eu vou para minha cirurgia.
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  Sollary pegou sua bolsa e o jaleco com empolgação e seguiu para o elevador. Ela já tinha cumprido com suas responsabilidades ali, então em seu tempo livre, poderia utilizá-lo da melhor forma possível. Ao chegar no Seattle West Medical Center, foi logo recebida pelo cirurgião chefe, doutor Yang.
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  — É um prazer para nós termos uma Sollary nos auxiliando hoje. — disse o homem com um olhar orgulhoso. — Espero que nossas instalações estejam a altura.
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  — Por favor, eu é que agradeço o convite do doutor Voith. — disse %Mia% mantendo a humildade. — E falando nele, onde está?
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  — Já está aguardando a senhorita na sala de preparo. — respondeu Yang. — Me acompanhe.
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  — Sim, claro. — %Mia% assentiu o seguindo pelos corredores.
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  Discretamente a residente analisou todo o lugar com seus olhares precisos. O hospital concorrente era tão moderno e com tecnologia de ponta quanto o seu, o que a impressionou de imediato. Chegando na sala de preparo, passou por todos os procedimentos de esterilização para entrar na sala de cirurgia. Visivelmente o doutor Voith estava mais animado do que ela por sua presença ali. A cirurgia começou e a residente aproveitou cada minuto das seis horas dentro da sala para tirar dúvidas e viver o momento. Pôde ter as honras de fechar o paciente e se sentiu com sorte por não ter tido nenhuma complicação.
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  Infelizmente não iria acompanhar o pós-operatório, mas já se dava por satisfeita ao viver aquela experiência. Após trocar de roupa novamente, o doutor Voith lhe convidou para um café.
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  — Ando curioso com uma coisa… — comentou Voith após serem servidos pelo atendente. — Me encontrei recentemente com o professor Parker e ele havia mencionado sobre sua inclinação para a neurocirurgia, quando foi que mudou para a cardio?
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  — Bem… — %Mia% foi pega de surpresa e talvez nem tivesse uma resposta pronta para dar a ele. — A história é longa, confesso que sempre me interessei pela neuro por causa do meu pai, é a especialização dele. E confesso que ambas me chamavam atenção, o que não me deixava escolher com cem por cento de certeza, mas depois que auxiliei na minha primeira cardio, senti que havia encontrado meu lugar.
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  — Acho que te entendo um pouco, a primeira vez que segurei um coração pulsando em minha mão, senti como segurasse a vida. — contou o homem com os olhos brilhando. — Mas e o seu pai? O conhecendo bem, como conheço… Não aceitou bem, não é?
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  — Não, me proibiu de entrar numa cirurgia cardio no Sollary Hospital. — ela tomou o primeiro gole. — Me colocou no trauma como um tipo de “punição” eu acho.
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  Voith riu um pouco, conhecia muito bem o pai da garota.
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  — E o que pretende fazer? Vai deixar a cardio e voltar para a neuro? — perguntou ele.
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  — Não sei, estou voltando a ficar confusa novamente. — ela riu baixo e voltou o olhar para o lado.
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  Observou uma mulher com uma criança nos braços, se aproximando do balcão de atendimento. Por um leve momento %Mia% fitou o olhar na criança e sentiu uma sensação estranha, o olhar da pequena lhe remetia alguém, que ela não conseguia se lembrar no momento. Voltando o olhar para o doutor, continuou conversando mais um pouco com ele até que se despediram. Sollary seguiu para casa, ela pensou em passar na oficina, porém seu corpo cansado demais só desejava relaxar e se desligar de tudo.
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  E foi o que fez quando entrou no seu apartamento. Apenas trancou a porta, retirou sua roupa e se jogou na banheira de espumas para finalmente ter seu momento de descanso. Após minutos ali, ela colocou o pijama e se deitou na cama, com o notebook ao lado para desfrutar a maratona do momento, da série House. Porém, antes mesmo que pudesse chegar no final do primeiro episódio, suas pálpebras pesadas demais a fez se render ao sono.
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  — Hum… — ela resmungou, após um longo tempo de sono, sentindo a presença de alguém ao seu lado.
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  Seu corpo estava aninhado a outro, o que a fez abrir os olhos, tentando absorver a situação. Se remexendo, viu o olhar de %Demeter% para ela, com um sorriso singelo.
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  — O que faz aqui? — perguntou ela em sussurro.
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  — Não consegui dormir. — respondeu ele. — Eu te acordei?
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  — Não. — ela sorriu de leve. — Como foi seu dia?
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  — Cansativo e perturbador. — ele soltou um suspiro cansado.
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  — Por quê? — ela esfregou a mão nos olhos e ergueu um pouco seu corpo. — O que aconteceu?
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  — Nossa madrinha de casamento me ligou. — contou ele, se aconchegando mais no travesseiro.
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  — Qual delas? — o olhar de %Mia% ficou temeroso.
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  — Annia. — respondeu.
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  Até mesmo %Demeter% estava achando muito para sua irmã a forma como conduzia a notícia do noivado dos dois. Talvez pelas coisas estarem estáveis na empresa e Annia não ter nada para lhe distrair, que lhe faça esquecer o irmão. Mas o fato é que Baker tinha passado toda a tarde pensando sobre o futuro dele com %Mia%, e não queria que ninguém interferisse na vida de ambos. Seu desejo de não ter sua vida envolvida diretamente com a Continuum era real e ativo. O que significava que um casamento discreto e simples só seria possível sem a interferência de ambas as famílias.
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  — O que ela queria? — perguntou %Mia%.
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  — Falar com minha noiva. — ele respirou fundo.
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  — Annia ligou para você, querendo falar comigo? — a residente se viu confusa. — Não seria mais lógico ligar para mim?
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  — Seu celular estava desligado. — pontuou ele.
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  — Ah, eu estava em uma cirurgia. — ela desviou o olhar para a aliança em seu dedo, pensando no peso que aquilo estava se tornando. — Me desculpe, por…
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  — Nem ouse terminar. — ele a interrompeu. — Está tudo bem e eu já tive uma ideia.
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  — Qual? — ela o olhou.
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  — Terá que confiar em mim. — ele sorriu de canto.
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   %Mia% arqueou a sobrancelha direita, intrigada com suas palavras. Na manhã seguinte, a residente fora sequestrada por seu noivo que numa viagem inesperada, seguiram de Seattle para outra cidade. Uma ideia maluca e ao mesmo tempo genial na concepção dela. Algo que somente %Demeter% teria a ousadia de pensar e executar sem o menor problema.
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  — Você é louco, não é? — comentou ela, rindo de tudo aquilo.
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  — Por você? Com certeza! — garantiu ele. — Eu prometi que não te deixaria desconfortável, não prometi?
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  — Sim. — confirmou ela. — Eu só não esperava por isso.
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  Ela olhou mais uma vez ao seu redor, o jardim da pequena igreja estava tão lindo e iluminado naquele final de tarde, que a residente apenas sentiu-se aquecida por dentro. Jamais imaginou se casar em um lugar assim, sem a presença de seus familiares, mas estava se divertindo com a ideia e com o fato de serem apenas os dois ali. E claro alguns desconhecidos de testemunha.
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  — Quem em sã consciência se casa de verdade em Vegas? — questionou %Mia%, rindo de leve. — Principalmente nesta data, você sabe que dia é hoje, Baker?
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  — Claro que sei, dia dos namorados. — ele a segurou pela mão e sorriu de canto. — O dia em que me tornarei para sempre seu.
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  A Sollary sentiu seu corpo arrepiar de leve. %Demeter% sabia muito bem ser intenso quando queria. Com o coração acelerado, os noivos em fuga se aproximaram do altar improvisado e a cerimônia deu início. Com os olhos brilhando %Mia% apenas saboreava o momento sentindo o olhar de Baker voltado totalmente para ela.
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  — Senhor %Demeter% Baker, é de livre e espontânea vontade que deseja se casar com a senhorita Sollary? — perguntou o juiz de paz.
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  — Sim. — disse ele, piscando com malícia para ela.
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  — Senhorita %Mia% Sollary, é de livre e espontânea vontade que deseja se casar com o senhor Baker? — agora o juiz perguntou para ela.
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  — Hum… — %Mia% fez um charme inicial, mas assim que o sorriso saiu em seu rosto, confirmou o que estava em seu coração. — Sim.
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  — Pelos poderes do estado concedidos a mim, eu vos declaro casados. — disse o homem, finalizando a cerimônia. — Pode beijar a noiva.
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  Não demorou segundo até que os lábios de %Demeter% encontrassem os de %Mia%. Um beijo longo e doce que marcava uma nova etapa naquele relacionamento, que demorou para acontecer, mas finalmente era real e sólido.
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  — Eu te amo. — %Demeter% se declarou.
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  — Idem. — disse ela, com seu jeito %Mia% de ser. — Agora não tem mais volta, não vai mais se livrar de mim.
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  — Sou eu quem deveria dizer isso. — ele riu, envolvendo-a em seus braços pela cintura. — Não vai mais fugir de mim, Sollary.
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  — Eu não quero fugir de você, Baker.
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  Outro beijo foi iniciado entre o casal, que resolveu passar mais algum tempo naquele belo e inspirador jardim. Como Baker havia pensado em cada detalhe, a noite prosseguiu com um jantar à luz de velas no terraço do Village Hotel Cassino. O menu agraciado com um cardápio italiano, regado a romance e muitos olhares apaixonados do noivo.
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  — Você realmente não deixou nada passar, não é? — comentou %Mia%, ao limpar de leve o canto de sua boca com o guardanapo.
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  Após alguns petiscos de entrada, ter um canelone de espinafre aos quatro queijos de prato principal a deixou boquiaberta. Até mesmo o vinho Le Blanc Rosé, deixava mais envolvente o momento.
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  — Consegui te impressionar? — perguntou ele, com um sorriso bobo.
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  — Você sempre me impressiona, desde a primeira vez. — afirmou ela.
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  — Isso é bom. — %Demeter% manteve um brilho no olhar.
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  Por dentro, Baker estava em êxtase total. Havia valido a pena perseverar e não desistir de ter a oportunidade de conquistar a mulher mais maravilhosa que conhecia. De uma admiração pela, na época, interna que o salvou, seus sentimentos foram crescendo e amadurecendo até que se transformaram em amor e amizade. Ele sabia que podia contar com ela, assim como se colocava como seu ombro amigo e suporte.
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  — Nossa família vai surtar com a gente. — ela soltou uma risada boba. — Mas esta tem sido a melhor noite da minha vida.
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  — Nossa noite ainda não terminou. — avisou ele. — Mas, quanto a nossa família, todos sabem o quão discretos desejamos ser.
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  — Hum… Mas eu não possuo ninguém para ficar em meu lugar, como você tem a Annia. — questionou ela. — Ainda assim, sempre serei vista por todos.
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  — Esse fardo não precisa carregar sozinha. — %Demeter% segurou em sua mão, entrelaçando seus dedos. — Sabe que pode contar comigo, eu não tenho habilidades com um bisturi, mas…
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  — Eu sei. — ela sorriu de leve. — Não imagina o quanto sou grata por isso… Por não ter desistido de… Você sabe.
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  — Acredite, valeu a pena esperar por você… E foi divertido. — ele se levantou da mesa e a induziu a se levantar também. — Me concede essa dança?
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  — Não sou muito boa com danças. — alegou ela.
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  — Prometo conduzi-la da melhor forma possível. — assegurou ele.
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   %Mia% assentiu com um frio na barriga.
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   %Demeter% a guiou para mais afastado da mesa, e ao som dos músicos que tinha no local, uma cortesia do hotel, ele começou a se mover com leveza. Seu olhar fixo em sua agora esposa, Baker apenas a fez dar pequenos passos se aninhando a ele, para lhe transmitir segurança. A mistura de alegria e descoberta passou pela residente, afinal, a única vez que dançou com alguém que não fosse da sua família ou um Dominos, foi na formatura do ensino médio. O pior é que a jovem teve o leve azar de pisar no pé do garoto durante toda a música.
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  — Isso não é um sonho, não é? — sussurrou ela.
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  — Se for, não a deixarei acordar. — sussurrou ele de volta.
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  Sob a luz da lua, mesmo com o frio do final do inverno. Ambos se sentiam aquecidos internamente. Um calor que foi aumentando gradativamente quando o casal finalmente chegou em sua suíte vip. Com o coração acelerado, %Mia% só conseguia sentir a necessidade de retribuir da forma mais singela e doce o amor que Baker lhe oferecia.
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  Seus beijos e carinhos sendo cada vez mais intensos a deixava um tanto surpresa e desnorteada ao mesmo tempo. Como se seu agora esposo estivesse se segurando todo aquele tempo. De fato, suas palavras de se entregar totalmente a ela agora faziam sentido. E mesmo que a residente tenha ficado assustada inicialmente, aos poucos seus sentidos e sua entrega já estavam no mesmo ritmo proposto por ele.
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  — %Demeter% Baker pensativo? — comentou ela, ao notá-lo silencioso demais. — Alguma coisa que o preocupa?
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  — Só estava ouvindo seu coração bater. — respondeu ele, aninhando mais o corpo dela ao seu. — Por quê?
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  — Nada… — ela riu baixo. — Esqueci de te dar feliz dia dos namorados…
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  — Bem… Digamos que para um primeiro dia dos namorados começamos bem...
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  Ele riu também e respirou fundo.
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  — Em um curto espaço de tempo, estou eu aqui casada com você. — ela se remexeu na cama e o olhou. — Como conseguiu fazer isso?
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  — Com o meu charme. — respondeu ele, de forma presunçosa e fofa.
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  — Seu bobo. — ela manteve o olhar sério.
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  — Parece que alguém aqui perdeu uma aposta e está preocupada. — ele sorriu de canto com malícia.
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  — Quem disse que estou preocupada. — ela se afastou um pouco.
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  Porém ele a puxou para mais perto.
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  — O que você quer? — perguntou ela.
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  — Não preciso de mais nada… — assegurou ele. — Você é tudo que eu queria.
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   %Demeter% se inclinou sobre ela e iniciou mais um de seus beijos intensos e ardentes. Não seria apenas aquela noite, mas Baker havia reservado toda aquela semana para eles, como uma lua de mel nada improvisada. Pelo contrário, cheia de detalhes milimetricamente planejados por ele.
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Eu não soube logo de início
Como comecei a te amar
Eu ainda não conheço meu coração
Mas mesmo assim, mesmo assim eu te amo.

- Standy By Me / Boys Over Flowers OST (SHINee)

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