5 • Dominos - Pt. 2
– Algum lugar de Seattle
Noite de sexta-feira, em seu primeiro dia como professora substituta, %Jenie% se mantinha ansiosa e ao mesmo tempo temerosa. Por tanto tempo ela tinha sonhado em trabalhar com a dança que não conseguia acreditar que estava acontecendo agora. Felizmente estava mais do que esperançosa com essa oportunidade, já que sua tia lhe garantia a não interferência de sua mãe adotiva¹.
Sua primeira turma de alunos era composta de damas e cavalheiros da terceira idade que estavam ali para aprender bolero. Logo um estilo de dança em que não tinha se especializado na universidade, porém seus poucos conhecimentos sobre o assunto ainda poderiam lhe ajudar naquela tarefa.
— Boa noite, alunos, vamos começar a aula com um pouco de aquecimento, nos alongando — se pronunciou ela diante dos oito alunos. — E depois gostaria que me dissessem o nível de evolução de vocês com o professor Juan.
Os alunos assentiram e começaram a se alongar. %Jenie% voltou seu olhar para a porta da sala e avistou a diretora da escola a observando em seu primeiro dia.
—
Próximo dali, em Seattle Sollary Hospital, %Mia% iniciava mais um plantão de sua residência. A conversa com seu pai na terça não lhe saía da cabeça, principalmente a parte em que afirmara que o rosto de tia Beth lhe era familiar.
Parada diante do seu armário no vestiário, ela retirou o celular do bolso e, abrindo a lista de contatos, olhou para o número de %Simon%, era loucura os pensamentos que vinham em sua mente, contudo, já sabia que se futuramente tivesse que escolher um lado, mesmo com ressentimentos do passado, sua escolha não seria outra.
— Dominos — sussurrou ela ao apertar o botão para iniciar a chamada. Ela respirou fundo, enquanto o aparelho iniciava a ligação.
— Sollary — disse a voz de %Simon% ao atender. — Sabia que ligaria.
— Só porque me viu com meu pai? — indagou ela.
— Não — ele riu —, é porque eu te conheço, e seu olhar para mim hoje pela manhã te condenou.
— E você conhece meus olhares, Dominos? — Ela soltou uma risada rápida.
— Eu senti a curiosidade exalando de você.
— Dominos agindo como tal — observou %Mia%.
— Mas me diga, o que deseja com essa ligação? Agora sou eu que estou curioso.
— Te convidar para um jantar — respondeu ela.
— Dra. Sollary? É mesmo você? — O rapaz riu.
— Sei que está em Seattle por minha causa. Aceita ou não?
— Nesses casos, ainda sou a filha do dono, futura herdeira — argumentou ela.
— Cinco minutos — disse ele.
— Já estarei na frente do hospital. — Ela encerrou a ligação.
Guardando o celular no bolso, retirou o estetoscópio do pescoço e abrindo seu armário, retirou a bolsa e o jogou dentro. Em segundos seu celular vibrou, era uma mensagem de %Demeter% perguntando como estava seu retorno ao plantão de emergência. Mesmo querendo ignorar aquela mensagem, um sorriso discreto e espontâneo surgiu em seu rosto. %Mia% não dava o braço a torcer, mas no fundo as investidas dele eram como um escape divertido para sua realidade sob pressão. Ela guardou o celular dentro da bolsa e seguiu para a enfermaria onde certamente Lins estava de conversa.
— Não estarei no plantão hoje. — %Mia% foi direta e precisa.
— Como assim, acabou de chegar e já vai deixar seu posto? O que pensa que está fazendo? — Lins, com sua arrogância, a questionou, achando que seria como das outras vezes. — Só porque seu pai a visitou acha que pode começar a fazer suas próprias regras?
— Eu não acho, eu tenho certeza, sou a dona deste hospital, uma Sollary. — %Mia% a confrontou. — E quando eu digo que não vou trabalhar hoje, basta apenas você acatar como uma boa funcionária. Entendeu? — %Mia% lançou lhe um olhar ameaçador, fazendo Lins engolir seco e se recolher ao seu lugar, diante de todos os funcionários e poucos pacientes que estavam no local. — Que bom que entendeu — finalizou %Mia% diante do silêncio da residente chefe.
A jovem doutora virou as costas para sair dali. Hill, sua amiga de residência, a seguiu toda empolgada pela cena que tinha presenciado.
— Amiga, o que aconteceu? — perguntou ela. — Você acabou de destronar a Lins.
— A visita do meu pai me fez lembrar quem eu sou e a qual família pertenço. — A moça apertou o botão do elevador com segurança e olhou para a amiga. — E hoje eu acordei uma Sollary, não somente a residente %Mia%.
— Estou amando seu lado Sollary. — Os olhos de Hill brilharam.
— Trabalhe bem e observe tudo o que acontecer na minha ausência — pediu ela.
— Pode deixar, futura chefa — brincou.
%Mia% entrou no elevador assim que a porta se abriu e seguiu para a porta de entrada do hospital. Como combinado, %Simon% já aguardava de pé, próximo ao seu carro.
— Aprecio muito a pontualidade dos Dominos — comentou ela ao parar diante do rapaz.
— Aprecio muito a beleza das mulheres Sollary — elogiou ele, dando um sorriso de canto. — Vamos?
— Vamos. — Ela sorriu de volta, ponderando o comentário sobre o elogio dele.
%Mia% já tinha se acostumado com essa característica de um nobre cavalheiro que os homens da família Dominos tinha, sempre charmosos, misteriosos e sedutores. Era de se esperar que seu primeiro amor tinha vindo daquela família e que, mesmo seu coração quebrado por isso, jamais deixaria o lado negativo do passado interferir na amizade que construiu com alguns membros.
%Simon% abriu a porta do carro para ela e assim que deu partida, seguiram para o Latona Pub. Após se acomodarem em uma mesa discreta aos fundos, %Mia% foi direta ao assunto que a fez ligar para ele.
— Como sabe, meu pai me visitou recentemente e disse que era para os Sollary estarem a frente da Continuum — iniciou ela com o seu tom sério habitual. — O que você sabe sobre isso? Minha família culpa os Dominos, mas não acredito que seja culpa de vocês… Você disse que os Tenebrae não são confiáveis.
— Eu posso até dizer o que penso, mas… Você acreditaria? — retrucou ele.
— Se estou aqui é porque quero ouvir de você — assegurou Sollary.
— Não tenho provas ainda, mas existe uma breve desconfiança que o ataque que minha família sofreu há anos atrás foi orquestrado pelos Tenebrae. — %Simon% foi direto. — E foi nessa época que aconteceu a reunião do conselho que definiria a nova família no poder que substituiria os Baker, seria a sua e teriam nosso consentimento, mas…
— Sofremos perdas e vocês também, no final, quem se beneficiou com tudo foram os Tenebrae — completou o rapaz. — E os Dominos quase foram banidos de algo que ajudamos a criar.
— Me recordo vagamente disso — concordou ela. — Os Bellorum foram a seu favor.
— Eles sempre foram nossos aliados, assim como vocês — finalizou %Simon%.
— E como pretendem destronar os Tenebrae? — Uma pergunta direta e precisa.
— Isolar para conquistar — respondeu ele. — Estratégia do %Sebastian%, apesar de ter muitas famílias como aliados, a palavra final sempre será dos fundadores.
— Bellorum, Baker, Sollary, Dominos e Tenebrae — a mulher disse o nome das famílias.
— Isso mesmo — confirmou.
%Mia% deu um sorriso presunçoso.
— E claro que destronando eles, os Dominos seriam os novos no poder — constatou ela o óbvio.
— Somos nós que estaremos na linha de frente, não acha justo?
— Eu nunca quis o poder mesmo, mas se sou a herdeira, terei que escolher um lado em breve — observou.
— Deve fazer isso agora, pois %Sebastian% não vai dar trégua, ele sempre termina o que começa e comprar fazendas no Texas é somente uma de muitas jogadas dele — assegurou %Simon% conhecendo bem o irmão. — Mas pense bem, porque se nos escolher, terá que redobrar o cuidado, haverá retaliações.
— Já existem membros da minha família que não aceitam minha existência, da minha segurança cuido eu. — O olhar de %Mia% demonstrava segurança.
— Você e um certo Baker — brincou ele.
— Não comece você também — pediu ela.
— Achei que não fosse mais se envolver com um Continuum. — %Simon% riu. — Mas parece que estamos sempre predestinados a gostar de alguém que pertença a essa sociedade.
— E está gostando de alguém? — perguntou ela curiosa.
— Talvez esteja interessado… Mas isso é outro assunto. — O olhar do rapaz ficou mais sereno.
— Não posso descobrir nenhum segredo oculto do Dominos?
— Esse não. — Ele suspirou fraco.
O encontro de ambos não fora um jantar de fato, mas aproveitaram o momento de descontração ali para compartilharem alguns acontecimentos interessantes do tempo em que não se viram. %Mia% relatou sobre sua residência após os anos de estudo em Harvard, já ele contara sobre sua interessante escolha pela gastronomia e seus planos de montar o próprio restaurante em Seattle em breve.
Ao final da noite, pouco depois de todos se recolherem em seus quartos, %Simon% chegou sozinho na pensão, pois %Mia% havia retornado ao hospital. Ele não se preocupou com o silêncio instalado no lugar e seguiu direto para o seu quarto.
Algumas horas se passaram e, na alta madrugada, %Jenie% se levantou com sede e vendo sua garrafinha de água vazia, se levantou da cama para tomar água. Passando pelo corredor, ouvi um barulho quando passou em frente ao quarto de %Simon%. A porta permanecia somente encostada, ela ouviu novamente outro barulho e não se conteve em abrir uma fresta para espiar o hóspede Dominos.
Deitado em sua cama, %Simon% parecia estar em profundo sono, porém nada tranquilo. Estaria ele tendo um pesadelo? Foi o que ela pensou ao vê-lo rolar pela cama que rangia um pouco. Daí o barulho. Em um piscar de olhos, ele acordou assustado retirando uma arma debaixo do travesseiro e apontando para frente. O homem se mostrava ofegante e atordoado.
%Jenie% paralisou por um segundo com a cena, seus olhos não conseguiam deixar de focar na arma nas mãos do hóspede. Tentando se mover para sair de lá tropeçou em um vaso de planta que havia ao lado da porta, consequentemente caindo, ela colocou as duas mãos na boca tentando não gritar pelo susto e dor de ter arranhado o calcanhar com os cacos do vaso. %Simon%, ao ouvir de relance o barulho vindo de fora do quarto, se levantou da cama para ver o que era.
A movimentação dele do lado de dentro fez com que %Jenie% se levantasse no surto de desespero e corresse para seu quarto. A jovem bailarina passou o restante da madrugada em claro, com a cena do rapaz acordando se repetindo em sua mente como se fosse um filme de suspense com psicopatas sendo reprisado várias vezes.
Ao início da manhã, pouco antes de sair de seu quarto, %Jenie% limpou o ferimento no tornozelo, já não sabia que desculpa dar a sua tia caso reparasse que estava mancando, e isso veio logo que chegou a cozinha.
— %Jenie%, por que está mancando? — perguntou a tia olhando desconfiada para a sobrinha.
— Nada, só tropecei e caí — respondeu.
— Não se lembra de onde caiu?
— Sim. — A jovem se manteve o mais silenciosa possível.
Não sabia se seria seguro contar algo a tia. Sabia que não deveria se aproximar de um Dominos por serem perigosos, mas se eram, por que motivo sua tia permitia a estadia de um em seu hostel?
Assim que terminou seu café, retornou para o quarto. Assim que se colocou diante da escada, seu coração acelerou novamente ao ficar frente a frente com %Simon% que descia o último degrau. Foi uma troca intensa de olhares. %Jenie% tentando imaginar quem de fato era aquele homem e sua família e %Simon%, que ao observá-la mancando vindo da cozinha, imaginou a causa do barulho madrugada passada.
Ela se preparava para dizer algo a ele, porém a presença repentina de Paul ao entrar pela porta da frente desviou-lhes a atenção um do outro.
— %Jenie%! Você não dá aulas pela manhã? O que faz aqui? — perguntou o amigo.
— Paul! — Ela respirou mais aliviada. — Eu estava indo me arrumar.
%Simon% aproveitou a deixa para seguir em direção à saída. %Jenie% se despediu do amigo e continuou seu percurso em direção ao seu quarto, onde trocou de roupa e pegou a mochila. Sábado pela manhã era a vez da sua turma de pequenos prodígios de bailarinas clássicas. As alunas mais fofas que %Jenie% poderia ter.
—
– Dominos House, Chicago
Novamente na sala de treinamentos, %Nalla% seguia sua rotina pela manhã de sábado, aproveitando o momento após o café para gastar suas energias com seus golpes em um dos sacos de areia. Ela sabia que abaixar a guarda não significava somente decepcionar %Sebastian%, mas também significava quebrar uma promessa feita a ele. E cada vez que estava ali sozinha, seu foco nos treinos dividia espaço com os pensamentos do passado, da época em que treinava na academia da anciã dos Sliter, Donna
Fletcher.
— Calma, assim vai acabar colocando este lugar abaixo — implicou Dosan ao entrar na sala de treinos, atrapalhando a mulher em sua concentração.
— O que você quer? — Ela parou de socar o saco de areia e o olhou de forma séria.
A pergunta partiu dela, mas o que %Nalla% queria mesmo fazer era socar a cara daquele homem por tê-la interrompido.
— Nada, eu vi uma movimentação e…
— Já pode ir embora — disse ela num tom seco o interrompendo.
— Você é durona, adoro mulheres duronas — falou, e depois, num tom malicioso: — Dão um ar de quentes.
Não dando atenção ao que o homem dissera, %Nalla% voltou ao seu treino. Pegando uma espada começou a lançar golpes no ar. Dosan não desistiu, pegou outra espada e cruzou lâminas com ela:
— Se você ganhar, eu vou embora, se eu ganhar, você sai comigo — propôs ele.
— Se eu ganhar, eu te mato, se você ganhar, eu me mato. Que tal assim? — retrucou ela.
— Está com medo? A destemida %Nalla% Miller tem medo de perder para mim? — provocou num tom presunçoso.
— Foi você quem pediu. — %Nalla% partiu com tudo para cima do homem.
Sua posição sempre de ataque, nunca de defesa, a postura perfeita e muita agilidade a ajudaram a desarmar Dosan rapidamente e jogando sua espada longe, ela decidiu brincar um pouco e lutar mano a mano. Demorou um pouco, pois Dosan era bem forte e astuto, mas quando ela terminou, ele estava estirado no chão com um corte no lábio inferior sangrando, causado pelo anel que ela mantinha em seu dedo para estas ocasiões:
— Agora deveria ser a hora em que eu te mato — disse ela com sarcasmo —, mas o senhor %Sebastian% não está aqui para me autorizar.
Ela respirou fundo retomando o fôlego e colocando as espadas de volta no lugar, saiu em direção ao seu quarto, deixando o homem ainda caído no chão. O que eles não sabiam é que %Sebastian% os estava observando através das câmeras com áudio instaladas na sala de treino. O sorriso discreto em seu rosto só demonstrava o quanto ele a admirava e intensamente a desejava para si.
Logo o celular de %Sebastian% tocou, atraindo sua atenção. Ao atender, se surpreendeu ao ouvir uma voz há muito silenciosa em sua vida.
— Dominos — disse %Mia% do outro lado da linha.
— Esperava por essa ligação. — Sua voz suave mantinha a segurança e firmeza que o caracterizava.
— Podemos conversar formalmente? — perguntou ela sendo direta.
— Está disposta a vir até Chicago? Ou eu vou até Seattle? — indagou ele.
— Prefiro um lugar neutro — respondeu %Mia%.
— Restaurante Mon’Blanc em Los Angeles — sugeriu o rapaz.
— Quarta, às sete da noite. — Assentiu ela definindo o horário.
— Estarei lá a sua espera — confirmou ele.
Antes que %Sebastian% pudesse continuar, %Mia% encerrou a ligação com precisão, deixando-o ainda mais curioso. Será que seu irmão caçula tinha cumprido a missão de conseguir a aliança da dra. Sollary? O sorriso de satisfação não se conteve em aparecer rapidamente em seu rosto. Ele pegou novamente seu celular e mandou uma mensagem à sua sliter. Não demorou muito até que ela saiu de seu banho revigorante e visualizasse a mensagem. %Nalla% seguiu diretamente para o escritório.
— Perdoe-me a demora — disse ela ao entrar.
— Já disse que não deve se preocupar com isso. — %Sebastian% voltou seu olhar para a tela do computador. — Eu sabia que estava treinando.
— Deseja algo, senhor? — perguntou ela.
— Confirme a reserva no Mon’Blanc para quarta à noite — ordenou ele.
— A senhorita Sollary fez contato? — A destemida segurança já presumia o motivo.
— Farei isso, senhor. Algo mais?
— Se apronte, temos uma reunião com a diretoria da Dominos Company — completou ele. — Por mais que eu queira a Continuum, não posso me descuidar do meu próprio patrimônio.
%Sebastian% analisou as expressões de sua assistente, vendo uma faísca de curiosidade.
— Diga o que pensa — incentivou ele.
— Com este encontro com a Sollary, %Simon% retornará para casa? — indagou a mulher.
— Não sei, os sonhos do meu irmão não são tão compatíveis com o meu, menos ainda se interessa pela empresa da família. — %Sebastian% bufou um pouco. — Seria mais fácil com %Simon% ao meu lado.
— Entretanto, eu tenho você, já é o bastante para mim. — Ele sorriu de canto com malícia.
A jovem se manteve séria externamente, mas confiante por dentro. Logo se retirou para cumprir os pedidos de seu chefe.
– Algum lugar de Seattle
Ao final da aula com suas alunas de ballet clássico, %Jenie% se despediu delas e dispensou a turma, então, voltando para sua mesa nos fundos da sala, ficou mexendo em sua agenda para verificar a adição de mais duas aulas. Uma na quarta e outra na quinta. Um tempo depois, ao conferir se tinha colocado tudo dentro da mochila, ela sentiu a presença de alguém. Olhou para a porta.
— %Simon% — disse surpresa ao ver o hóspede Dominos.
Encostado no marco da porta de braços cruzados a olhando serenamente, parecia estar ali há um tempo e, de certa forma, estava mesmo.
— Boa noite — disse ele mantendo o tom baixo.
— Boa noite — cumprimentou ela. — Deseja algo?
— Você. — Direto e objetivo.
— Como? — Ela sentiu um frio na barriga por suas palavras.
— Digo, quero conversar com você. — Foi mais explicativo para que ela não interpretasse errado.
— Claro. Algo em especial?
— Como está seu tornozelo? — Mais uma vez direto, ele adentrou o lugar.
— Não é óbvio? — retrucou, desviando seu olhar para o tornozelo dela. — Me pergunto como conseguiu dar aulas.
— Não é da sua conta. — Ela se afastou um pouco.
— Está com medo de mim? Pelo que viu? — %Simon% manteve o olhar fixo na bailarina.
— Já ouvi muitas coisas a respeito da sua família, não são boas pessoas — respondeu ela.
— Então é isso que dizem a nosso respeito? — O rapaz deu mais alguns passos para perto de %Jenie%. — Eu tenho por mim que para saber sobre uma pessoa, deveria perguntar diretamente a ela, e não construir dados baseados em opiniões de terceiros.
— E o que me garante que dirá apenas a verdade? A palavra de alguém da Continuum não vale para mim — assegurou a moça.
— Bem, então caberá a você escolher se acredita ou não em mim. — O jovem Dominos manteve a suavidade na voz.
— Surpreenda-me com sua versão dos fatos. — A garota cruzou os braços mantendo seu olhar relativamente firme para ele, porém, por dentro temendo que algo ruim pudesse acontecer a ela.
— Por onde quer que eu comece? — perguntou ele.
— Por que mantém uma arma debaixo do travesseiro? — Precisa em sua indagação.
— Se sabe sobre minha família, também deve saber que anos atrás sofremos um ataque — iniciou ele. — Mais da metade da minha família morreu, depois disso, aumentamos nosso nível de precaução.
— Minha tia sabe sobre a arma?
— Não, ninguém sabe, só você agora — respondeu.
— Eu lamento por sua família. — A voz de %Jenie% ficou mais baixa que o normal. — Não sabia sobre isso.
— Se quiser pode confirmar com sua tia, tenho certeza que ela sabe sobre — garantiu. — Viu, como não é bom saber por terceiros? As pessoas contam o que querem contar.
— Você também pode resolver me contar apenas o que lhe convier — retrucou a bailarina.
— Sim, posso, mas lhe garanto que sempre será a verdade dos fatos. — Seu olhar sincero atingiu ela, fazendo-a repensar um pouco.
— Por que foram atacados?
— Pelo menos é sincero — comentou a moça, dando um sorriso envergonhado.
— Quer perguntar mais alguma coisa? — %Simon% estava ansioso para saber o que ela pensava agora sobre ele.
— Não sei o que perguntar. — %Jenie% riu envergonhada. — Minha mente está uma confusão agora.
— Então podemos recomeçar comigo me apresentando novamente e te convidando para um café. O que acha?
— Interessante. — Ela abriu um largo sorriso.
— Prazer, meu nome é %Simon% Dominos, você aceita tomar um café comigo? — perguntou ele estendendo a mão direita.
— Prazer, sou %Jenie% Fletcher e aceito se for um cappuccino de chocolate — brincou ela ao segurar a mão estendida.
%Simon% não se conteve em sorrir de forma doce para a moça. Ambos deixaram o prédio da escola juntos e seguiram no carro dele até o Au Lait Coffee. %Jenie% tentava não transparecer sua curiosidade espontânea sobre o rapaz, e %Simon% mantinha a tranquilidade no olhar apenas admirando a simplicidade e doçura da moça. Seria o início de uma possível amizade?
Talvez ambos desejassem subjetivamente por isso.
Uma desconhecida Fletcher e um marcado Dominos.
Olá, olá
Eu trouxe a coragem
Olá, olá
Eu quero falar com você por um instante
Olá, olá
Eu posso estar um pouco apressado
Quem sabe? Nós podemos…
– Hello / SHINee