12 • Festival de Outono
- Algum lugar de Seattle...
Finalmente o dia havia chegado. O festival do outono não antecede somente o Dia de Ação de Graças e o Natal. Era também uma preparação para o inverno. O relógio já marcava oito da noite, no parque o público já se divertia nos brinquedos e se deliciando com as barracas de comida. A barraca de Beth era uma das mais frequentadas pelos moradores e turistas. Os policiais que trabalhavam naquela noite já se mantinham em prontidão, assegurando a segurança nas ruas e no parque onde acontecia o evento. Pontualmente para dar início ao festival, o prefeito Charles Neal subia ao palco improvisado.
— Senhoras e senhores, jovens e crianças, a cidade de Seattle agradece a presença de todos e lhes deseja uma maravilhosa noite. — e com mais entusiasmo ainda ele completa. — Que a festa comece!
Assim ele passou o microfone para o sr. Molina.
— Boa noite a todos e vamos começar com a apresentação da banda local de rock alternativo, Summer Cold. — todos aplaudiram e os jovens da banda subiram ao palco.
Um dos objetivos do festival era mostrar a cidade os talentos que se escondiam nas garagens das casas. Claro que a Escola de Artes também participaria com apresentações de seus alunos e professores inscritos e preparados para aquele dia. Um camarim improvisado havia sido montado atrás do palco, e %Jenie% se encontrava nele dando as últimas orientações para sua turma de mini bailarinas. Ela decidiu sair um pouco e ver a apresentação da banda, as pessoas pareciam estar se divertindo e admirando o talento deles.
— %Jenie%! — uma voz soou em seu ouvido, e logo os braços do dono da voz abraçaram sua cintura.
— %Simon%! — ela abriu um largo sorriso, sentindo ele beijar de leve seu pescoço. — Que bom que conseguiu vir.
— Não perderia sua apresentação por nada. — ele sorriu e a virou para ele. — Vou viajar amanhã à noite.
— Já? — ela se pegou surpresa pela notícia. — Não estamos nem próximo do Natal ainda.
— Sim, eu sei, mas preciso resolver alguns problemas em New York. — explicou ele.
— Sua família… — %Jenie% começou a imaginar que pudesse ser.
— Não. — %Simon% riu de leve. — É sobre o restaurante, preciso resolver alguns assuntos enquanto ainda está na fase da reforma, contratar pessoas habilidosas e responsáveis não é fácil.
— Entendo, você será um homem de negócios agora. — disse ela fazendo bico.
— Não exatamente. — ele deu um selinho de leve nela. — Quando o restaurante abrir, vou me manter mais focado na cozinha, deixarei coisas chatas administrativas nas mãos da minha gerente.
— Sua gerente? — ela o olhou surpresa. — Você tem uma gerente?
— Sim, uma amiga da universidade, ela aceitou meu convite de trabalho. — confirmou ela.
— Amiga... — %Jenie% se fez de ciumenta.
— Que linda que você fica assim. — ele riu e a beijou com mais intensidade.
Após o beijo, %Simon% se afastou um pouco e deixou que %Jenie% retornasse ao camarim. %Joseph% os observavam ao longe, de punhos fechados, raivoso por aparentemente perder o coração de %Nalla% para seu amigo de infância. As apresentações foram acontecendo em meio às festividades e diversão de todos no parque. No relógio marcava dez da noite, após a penúltima apresentação o sr. Molina, chamou ao palco o último grupo, que seriam as professoras da Escola de Artes. %Jenie% liderando a apresentação. Ela tinha muita experiência com isso, dos seus tempos de ensino médio e faculdade.
— Com vocês, o grupo
Moonlight!
As quatro professoras subiram ao palco, cada uma representando uma fase da lua, já posicionadas. O som foi lentamente surgindo e elas começaram com movimentos audaciosos, mas cheio de sutilezas. Longe do palco estava %Simon% vendo pela primeira vez uma apresentação oficial de %Jenie%. Porém um olhar o atravessou, era %Joseph% que estava afastado da multidão e entrando no bosque. %Simon% não era de perder uma boa briga e neste momento nem a amizade de ambos o seguraria.
— Sabia que viria. — %Joseph% pronunciou com um sorriso de deboche.
%Simon% não se intimidando devolveu o sorriso dizendo:
— Você realmente não sabe se colocar em seu lugar. — o Dominos manteve o olhar firme. — Somos amigos, deveria respeitar isso.
— Estou na vida de %Jenie% antes de você. — e olhando cinicamente. — Acha mesmo que pode ganhar disso?
— Se o passado fosse importante, não teria deixado ela por causa da sua família. — %Simon% cuspiu a verdade em sua casa.
— Dominos, sempre achando que tudo na vida é fácil. — %Joseph% deu um passo para frente o confrontando. — Se soubesse tudo o que eu sei, teria feito a mesma coisa para protegê-la.
— Eu jamais deixaria %Jenie%, mesmo que isso custasse minha ligação com minha família. — assegurou %Simon% com firmeza.
No parque…
Após o término da música, %Jenie% e as outras professoras desceram do palco e foram trocar de roupa no camarim. A delicada bailarina saiu do camarim e rodou entre as pessoas, procurando por %Simon%. Quando esbarrou em seu amigo Paul.
— %Jenie%, você parece meio preocupada. — perguntou ele olhando-a.
— Estou procurando por %Simon%, não o vejo desde a minha apresentação. — explicou ela.
— Hum… — seu amigo lançou um olhar preocupado.
— Eu vi %Joseph% comprando uma briga silenciosa com ele, os dois entraram no bosque. — respondeu.
%Jenie% respirou fundo e olhou para a entrada do bosque. Tomando coragem, seguiu em sua direção. Quando mais se aproximava, mais ela aumentava o passo até começar a correr. Quanto mais ela adentrava o lugar, mais ela sentia seu coração apertar. Até que conseguiu avistá-los, %Joseph% caído no chão após ser socado por %Simon%. O Bellorum, sorriu e cuspindo um pouco de sangue no chão se levantou e partiu para cima de Dominos.
— Parem! — gritou ela ao se aproximar deles, chamando a atenção para si. — Vocês dois… O que acham que estão fazendo aos socos?
— %Jenie%. — %Simon% a olhou envergonhado.
— %Jenie%, eu… — %Joseph% tentou se explicar.
— Eu não quero ouvir mais nada, de nenhum dos dois! — ela se sentiu magoada pela atitude de ambos. — Eu não sou um troféu para ser disputado, e não pertenço a nenhum dos dois, não me importa se são da Continuum. — e voltando seu olhar para %Simon%. — Quando disse que lutaria por mim, não achei que fosse dessa forma.
Ela se virou e saiu de lá, os deixando sem reação por suas palavras. Ao chegar no hostel, ela foi diretamente para o quarto. Por um tempo, achando que conseguiria ficar só, porém seu irmão bateu na porta e entrou.
— Eu te conheço, você não voltaria cedo para cá após uma apresentação tão radiante, o que houve desta vez? — perguntou ele se aproximando de sua cama e sentando na ponta.
— Acho que eu não quero conversar sobre isso agora. — murmurou ela se ajeitando na cama para ficar sentada. — Menos ainda com meu irmão caçula.
— Você tem duas escolhas: ou me conta o que realmente aconteceu e me poupa o trabalho de dizer o que eu penso ter acontecido, ou não diz nada e me faz ir à fonte do problema. — disse com a mão no queixo, esperando a resposta. — Em qual dos dois devo ir primeiro? Dominos ou Bellorum?
— Eu te odeio. — ela diz como se não houvesse muita opção.
%Jenie% suspirou fraco e voltou seu olhar para a janela.
— Então isso é um sim. — afirmou se alegrando e se espojando em cima dos pés dela. — Pode começar.
— Olha, não é tão simples assim, e você ainda é uma criança para entender essas coisas. — tentando se esquivar da conversa
— Me poupe desse argumento, eu já estou quase indo para faculdade, sei muito bem o que é estar em um triângulo amoroso. — disse ele sem limitações dando um sorriso malicioso.
— Desde quando meu irmão caçula entende disso? — ela o olhou intrigada.
— Não estamos aqui para falar de mim. — ele sorriu.
— Eu não sei o que acontece comigo, quando penso que está tudo bem, que as coisas estão se acertando, vem a Continuum e estraga tudo. — ela bufou. — Mais uma vez isso…
— Então o %Simon% também éda Continuum? — indagou Junior.
— Sim… E eu não entendo, agora que eu e %Simon% estamos nos conhecendo e nos apaixonando, eu confesso que fiquei receosa por sua família e sua ligação com a Continuum, e de repente quem me aparece? %Joseph% Bellorum, só pra me deixar ainda mais surtada...
— Rolou briga! — concluiu ele interrompendo-a.
Ela suspirou novamente em meio a interrupção dele.
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No Bosque de Seattle...
Tanto %Simon% quanto %Demeter% se mantinham sentados no solo do bosque em silêncio. Ambos refletindo sobre o que havia acontecido e as palavras de %Jenie%. Havia muita coisa envolvido além dos fortes sentimentos que ambos nutriam por ela.
— Quando eu a conheci, achei que jamais teria forças para me afastar dela. — disse %Joseph% quebrando o silêncio. — Não entendia o motivo do meu pai me querer longe da filha de Marie Fletcher, até descobrir que a matriarca Donna era sua avó e %Jenie% era adotada.
— Do que está falando? — %Simon% o olhou intrigado.
— Eu amo %Jenie%, é real, mas tive que afastar dela para protegê-la. — %Joseph% manteve o olhar para frente, focado em uma árvore. — Sendo pequena e pacata, em Cliron todos se conhecem e sabem da vida um do outro, nosso namoro teve que ser às escondidas e, para todos, a gente se odiava… As temporadas que passei em sua casa durante o colegial, foram para desviar as desconfianças do meu pai.
— Por que está me contando isso? — indagou %Simon%.
— Eu sei o que sinto por %Jenie%, mas você, não posso ter certeza, entretanto, se sente algo verdadeiro por ela… — iniciou ele o assunto.
— Seja mais claro, Bellorum. — pediu.
— O que sabe sobre a herdeira Tenebrae? — perguntou o militar de forma séria para o amigo.
— Não muito… Sei que sua mãe morreu após o nascimento da criança, que foi perseguida por seu tio Lionel Tenebrae por ser a herdeira do irmão dele, Godric. — contou %Simon% o que sabia. — Mas o que tem a ver?
— Todos sabem que o trono Tenebrae era de Godric por direito, o acidente aéreo, levando ao seu coma induzido, foi somente uma desculpa para Lionel tomar o lugar do irmão, mas depois que apareceu a amante de Godric grávida, a Continuum se tornou uma rede de intrigas e corrupção. — %Joseph% continuou contando mais da história para ele. — A mulher não morreu no parto, mas após ele, e sabemos o motivo, dizem que a criança foi parar no orfanato
Miral, sendo resgatada por Donna Fletcher.
— Espera. — %Simon% o olhou juntando as peças na cabeça. — Você acha que a %Jenie% é a herdeira Tenebrae desaparecida? Por ter sido adotada pela casa Fletcher?
— Sim, tenho setenta e cinco por cento de certeza… Que outro lugar ela poderia ter proteção contra Lionel?
%Joseph% ficou em silêncio por um tempo.
— Durante todo esse tempo tenho tentado manter esse assunto guardado e descobrir se realmente é ela, mas há boatos que seu irmão realmente descobriu, e se for %Jenie%, ela não estará mais em segurança. — disse %Joseph%. — Nós dois sabemos que ele quer eliminar um por um até o último, e mesmo que %Sebastian% lhe dê a rendição, Lionel também quer matá-la.
— Temos nossas diferenças e interesses em comum, somos amigos e o que importa agora é a segurança de %Jenie%. — disse %Joseph%.
— Tem razão, se meu irmão sabe, vou descobrir amanhã à noite, assim que voltar para casa. — %Simon% manteve o olhar nele. — Mas sei de uma pessoa que pode nos ajudar a protegê-la de %Sebastian%.
— Quem? — %Joseph% olhou curioso.
— %Nalla%. — respondeu %Simon% com confiança. — Ela é a única que consegue enfrentar meu irmão de frente, além de ter sido treinada por Donna Fletcher.
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- Baker House, Manhattan
%Demeter% e %Mia% ainda se mantinham em Manhattan, após um café da manhã com a surpreendente companhia de Annia, a jovem residente pode conhecer a misteriosa irmã mais velha. Mesmo que por um tempo limitado. Após o café %Mia% voltou para seu quarto e começou a ajeitar as malas para retornar a Seattle. Levaria também os arquivos emprestados por Parker. Ela teria muito material para estudar e construir seu artigo. Seu momento de silêncio foi quebrado pelos toques que %Demeter% deu na porta do quarto.
— Não precisamos voltar se não quiser. — disse ele ao encostar no marco da porta cruzando os braços e mantendo o olhar nela.
— Foi bom sair de férias, mas ainda tenho um compromisso com minha família e o hospital. — argumentou ela. — Meu pai só não surtou com minha viagem, por motivos de interesse próprio.
— Meu sogro viu nossa foto no jornal? — perguntou ele.
— Que abusado, não pense que pode chamar meu pai assim. — ela o olhou com seriedade. — Nossa viagem não foi uma lua de mel, ainda estou aqui como sua médica.
— %Mia% Sollary, até quando vai negar o óbvio? — perguntou ele se afastando da porta e seguindo até ela.
— E o que seria esse óbvio? — ela colocou a mão na cintura o olhando com desdém.
— Que está louca por mim e com medo de admitir. — revelou ele.
%Demeter% não deu a chance de sua médica de contra argumentar e lhe beijou de surpresa. %Mia% relutou a princípio, mas depois cedeu às investidas dele. Ela não queria mesmo admitir, mas Baker estava correto. Naquela altura, a médica residente já não queria mais resistir aos seus encantos. Seu passado com o Dominos estava totalmente resolvido e poderia seguir em frente sem problemas. Por mais que não quisesse se envolver com um Continuum, não tinha mais para onde fugir.
Ela estava totalmente atraída por seu paciente problemático.
— Eu te odeio. — sussurrou ela com um sorriso de canto malicioso.
— E eu te amo. — ele se aproximou novamente e a beijou mais uma vez.
%Demeter% estava se deliciando com aquele momento. Ignorar Sollary por algumas vezes e ser mais ousado em suas investidas surtiu um bom efeito sobre sua residente favorita.
Antes de seguirem para o aeroporto, %Demeter% acertou os últimos detalhes com seu amigo Hector sobre alguns fornecedores para sua oficina. Baker internamente se sentia ansioso e motivado a começar algo próprio. Por mais que os planos de sua mãe fossem outros, agora ele só pensava em viver a vida como queria. Longe de todos os problemas das Indústrias Baker. Isso, ele deixaria para Annia resolver como achasse melhor.
— Estou ansiosa para pegar em um bisturi novamente. — comentou %Mia% ao assentar na poltrona do jatinho particular cedido por Annia. — Fazer uma sutura, ouvir o som dos equipamentos de monitoração cardíaca… Ver sangue.
— Credo, sua mercenária. — %Demeter% fez cara de nojo. — Como pode gostar tanto dessas coisas.
— Sou apaixonada por medicina desde a infância. — afirmou ela com entusiasmo. — E agradeça por isso, caso contrário, não teria me conhecido.
— Meu destino sempre foi te conhecer. — %Demeter% sorriu de canto. — Com ou sem a medicina.
— Quanta confiança. — ela riu dele e voltou o olhar para o celular.
Havia recebido uma mensagem de Parker a convidando para outra palestra em Harvard na próxima semana. %Mia% conhecia bem os charmes do seu antigo professor. Tido como o médico mais novo e charmoso do corpo docente da faculdade de medicina da Harvard, Parker sempre demonstrou interesse em sua melhor aluna. Porém, Sollary, como sempre fechada e reservada, nunca lhe deu abertura para algo além da relação professor e aluna.
— Algum problema? — perguntou %Demeter% mantendo o olhar nela.
— Não. — ela subiu o olhar para ele. — Nenhum.
%Mia% guardou o celular de volta no bolso do casaco e reclinou um pouco a poltrona. Então fechou os olhos para descansar a mente. Segundos depois ela sentiu os lábios de %Demeter% tocar os seus, %Mia% retribuiu o beijo com doçura e intensidade. Baker parecia ter desenvolvido um hábito instigante de beijá-la de surpresa, o que mexia ainda mais com os sentimentos de Sollary.
— Você deveria ficar em seu assento. — disse ela ao abrir os olhos.
— Só queria te lembrar que não vamos retroceder quando chegarmos em Seattle. — ele manteve seus rostos próximos. — Estamos em um novo nível.
— Do que está falando, %Demeter%? — ela o olhou confusa, mas depois riu. — Se acha que vou sussurrar seu nome pedindo por mais, não se iluda…
Ele a silenciou com outro beijo.
— Não se iluda você. — ele sorriu de canto e piscou. — É questão de tempo até se render completamente.
O mundo tem medo de mim, sou o homem intocável
Mas, no final, você não pode me rejeitar,
Você vai se esconder e roubar olhares meus.
- Monster / EXO