54 • Passado, Presente, Futuro
Atualmente, 2018
Hotel Village, Chicago
Do Red Mug Bar, após passarem nas Instalações Darko para buscar as crianças, a família Baker se dirigiu ao hotel em que se instalaram. Um breve momento de comunhão no jantar discreto que tiveram no terraço, que gerou algumas risadas entre eles pelos muitos comentários de Annia, querendo mais sobrinhos vindos de %Demeter%. Claro que %Mia% se viu com o rosto corado pelos pedidos, principalmente após a pequena Molly dizer que adoraria ter um irmãozinho.
Na suíte em que estavam, a senhora residente aproveitou o momento em silêncio com o banho do marido, para refletir sobre os acontecimentos que percorreram ao longo dos últimos meses. Ela havia vivido muitas emoções após se tornar a residente do hospital da família, ou melhor, suas aventuras haviam iniciado no dia em que salvou a vida do mecânico que conquistou seu coração. E pensar na promessa de nunca mais se envolver com alguém da Continuum a fez rir por alguns instantes.
— Posso saber o motivo dessas risadas?! — O soar da voz de %Demeter% lhe despertou o pensamento, enquanto os braços do homem envolviam a cintura dela por trás.
— Você — sussurrou ela com doçura, ao sentir seu corpo se aquecer com o calor emanando dele.
— Eu? — Ele a olhou estranhando. — Agora me deixou curioso. Por quê?
— Por sua persistência, acabei me casando com um herdeiro da Continuum — explicou ela a realidade de seu riso.
— Não pense na Continuum… Apenas pense que se casou com alguém que te ama e quer te ver feliz, sendo ou não de lá — disse ele com serenidade na voz, dando um beijo suave no pescoço da mulher. — E sobre a palavra herdeiros…
— %Demeter%. — Um tom repreensivo veio dela. — Sabe que não posso pensar em gravidez até as provas finais, quero ser uma cirurgiã.
— Eu sei e dou maior apoio, minha doutora favorita. — Baker sorriu de canto e a virou para ele, olhando-a com carinho. — Mas isso não nos impede de treinar com segurança. — Ele deu uma piscadela sugestiva para ela, que a fez cair em gargalhada.
Aquele era o %Demeter% que a conquistou, fofo e ao mesmo tempo intenso, persistente e ao mesmo tempo compreensivo. %Mia% se sentia grata por finalmente poder amar sabendo que seria correspondida, estava em paz com seu coração tendo a certeza que sua família certamente em algum momento iria mesmo aumentar.
Beijos apaixonados, carícias e um toque de malícia, era um fato que a residente desejava repetir aquele considerável momento várias vezes naquela noite, porém, o lado delicado de se ter uma família com crianças, é que o casal jamais pode se considerar sozinhos. E lá estava Molly, batendo na porta do casal, após acordar repentinamente devido a um pesadelo.
— O que aconteceu, querida? — indagou %Demeter%, assim que abriu a porta e a viu abraçada ao seu cachorrinho, com lágrimas nos olhos.
Diante do silêncio da filha, o pai preocupado a colocou para dentro, fechando a porta e se abaixando para ficar na altura da criança, sorriu com carinho. Um olhar acolhedor que fez a menina se sentir amparada de imediato ao receber um abraço dele.
— Calma, papai está aqui — disse ele, com segurança.
— %Demeter%?! — %Mia% sussurrou da cama, ao erguer de leve o corpo e notar a presença da menina. — O que aconteceu?
— Nossa princesinha está aqui — respondeu ele, pegando a filha no colo com uma mão e ajudando-a segurar o cachorro com a outra.
Em um piscar de olhos, %Mia% arrastou seu pijama para debaixo das cobertas e se vestiu rapidamente, então se levantou seguindo até eles. Parando diante do marido, olhou a menina com doçura e tombou a cabeça, fazendo-a rir sem esforço.
— O que aconteceu, princesinha? — indagou a residente. — Não consegue dormir?
— Queria dormir com vocês hoje — disse Molly, em sussurro, com medo de ser repreendida. — Eu posso?!
— Hum…. — %Mia% se fez de pensativa, então deixou outro sorriso surgir em seu rosto. — É claro que pode… Mas…
— Mas? — Molly manteve sua atenção na mulher.
— Você acordou a tia %Mia%, e sabe o que acontece quando me acordam?! — perguntou se fazendo de séria.
— Não, o quê? — perguntou a criança, já se encolhendo no colo do pai.
— Eu acordo com muita fome… — %Mia% fez algumas cócegas nela, que soltou gargalhadas juntamente com %Demeter%, que segurou o cachorro para que não caísse ao chão.
Após o momento de risadas e brincadeiras, Molly e o animalzinho se aconchegaram no sofá que estava na área de estar da suíte, com %Mia% ao seu lado direito já com o controle na mão, atenta à procura do desenho escolhido pela enteada. Enquanto isso, %Demeter% se encarregou de ligar para o serviço de quarto e pedir pizza para eles. Uma escolha de sua esposa.
— Está com saudade de casa? — perguntou %Mia% à criança.
— De morar com a tia Rosalie não, mas da mamãe, às vezes. — Assentiu a menina, enquanto acariciava seu cachorrinho. — Mas estou gostando de morar com o papai e a senhora.
— Que bom, sabe que tenho muito carinho por você, então… — %Mia% manteve o olhar de carinho para ela. — Sempre estarei aqui para você também, assim como o papai.
— O que estão falando de mim?! — indagou %Demeter%, num tom brincalhão. — Espero que estejam falando o quanto me amam.
— Nossa pizza já está a caminho — anunciou ele, seguro de seu pedido à recepção.
— Papai, eu te amo! — disse Molly, de forma repentina e inocente. — E também te amo, tia %Mia%.
— Nós também te amamos, pequena — assegurou Baker, com um sorriso largo no rosto.
— Sim — concordou %Mia%, ao acariciar os cabelos dela. — Nós te amamos muito.
Molly assentiu com um sorriso e se moveu de leve para abraçar a mulher, então se aninhou em seus braços logo em seguida, com seu cachorrinho. A pequena pausa para o lanche não demorou muito, e logo a pequena foi embalada pelo sono e acomodada na cama. Não era a primeira vez que dormia com o casal e certamente não seria a última, entretanto, sentir-se protegida por sua família a deixava ainda mais alegre e esperançosa.
- Algum lugar do Texas
Para um sliter, nada como um treino silencioso de madrugada para manter seus pensamentos em ordem e suas habilidades afiadas. Era assim que Collins estava afiando suas duas aprendizes para o torneio anual do acampamento, a maior conquista de um treinador era ter seus aprendizes no topo da cadeia alimentar. Para Meg, estar entre o top 5 de aprendizes significava ter respeito, já que ela era a chacota da academia. Contudo, para %Jenie%, significava uma conquista e uma benção, dar orgulho à sua avó.
— Por favor, eu juro que não aguento mais. — Meg pediu clemência após finalizar sua série de exercícios físicos e corridas pelo perímetro.
— Está dispensada — disse Collins, não se atentando a ela, pelo contrário, seu olhar estava na outra aprendiz que parecia presente apenas de corpo. — Sinto que está mais distraída do que o natural — comentou ele, ao lançar uma vara de bambu para a moça, para que iniciassem uma luta com instrumentos.
— Impressão sua — disse %Jenie%, ao pegar o objeto no ar. — Estou atenta.
— Não é o que vejo. — Collins respirou fundo. — E isso foi depois da ligação do seu herdeiro.
— Ele não é o meu herdeiro — corrigiu ela, disfarçando o pulsar forte do coração —, %Joseph% é apenas meu amigo.
— Não estou falando dele — explicou Collins, fazendo-a refletir mais. — Já se passaram três semanas desde o seu retorno de Chicago, ambos vieram aqui para te ver, e só permiti por causa da sua avó.
— Aonde quer chegar? — Ela o olhou com seriedade. — Acha que estou distraída por causa do %Simon%?
— Me prove o contrário. — O homem ergueu a vara em sua mão, instigando-a.
%Jenie% assentiu ao desafio e com seu estilo singular de luta, transferiu o primeiro golpe iniciando o embate que levaria mais algumas horas para terminar. A cada ciclo de golpes, Collins fazia questão de falar o nome do Dominos caçula para analisar as reações e movimentos dela, estratégia essa que custou muito caro para a bailarina, que ganhou alguns hematomas além do necessário.
— Eu disse que não estava atenta — repetiu o treinador ao finalizar seu golpe, derrubando-a mais uma vez ao chão. — Então, não tente me enganar.
— Não quero te enganar. — %Jenie% ergueu seu corpo, permanecendo sentada. — Estou mesmo me esforçando para não me distrair.
— Você gosta mesmo dele, não é? — indagou Collins.
— Eu o amo — respondeu ela, com segurança. — Só não quero me machucar novamente.
— Está aqui por causa dele? — insistiu ele.
— Não, estou aqui por minha causa — garantiu Fletcher, ao se levantar do chão o olhando com mais segurança ainda.
— Agora sim, está pronta para a competição. — O homem sorriu de canto. — Está pronta para vencer.
— Como tem tanta certeza?! — perguntou %Jenie% com o olhar desconfiado.
— Acredito no seu olhar, bailarina, e na sua persistência — explicou ele, se virando para juntar as ferramentas. — Agora me ajude com isso.
— Se eu vencer, poderei ter meu date com ele? — perguntou a moça no impulso da empolgação.
— Você ouviu nossa conversa? — perguntou Collins, rindo baixo.
— Não, mas a Meg me ensinou leitura labial — respondeu ela, de forma inocente.
— Você ouviu a nossa conversa — afirmou ele. Uma pausa silenciosa, uma gargalhada vinda do homem. — Se você ganhar, eu te libero para um date com o %Simon% Dominos — disse com serenidade. — E depois, voltamos aos treinos.
— E quando eu me tornarei a aprendiz da minha avó?! — indagou a bailarina, com sua ansiedade transparente.
— Quando eu achar que está pronta. — Collins riu mais um pouco. — Está com tanta pressa assim para saber os segredos da sua avó?
— Hum… — %Jenie% murmurou.
— Primeiro precisa saber guardar os seus — aconselhou o homem ao finalizar e fechar o zíper da bolsa.
Só um dia (só um dia)
Se nós pudéssemos ficar juntos.
- Just One Day / BTS