17 • A manhã seguinte
- Sollary Seattle Hospital
Para %Mia% não houve Natal, ou melhor, houve sim, auxiliando uma cirurgia de emergência que durou 8 horas, rendeu duas paradas cardíacas, porém resultou em mais uma vida salva. Entretanto, ela jamais seria esquecida, não pelo homem que resgatou e fez de tudo para que o coração voltasse a bater. %Demeter% passou a noite inteira na área de convivência do hospital, lhe esperando realizar a cirurgia. Assim que a residente apareceu na porta. O olhar cansado, porém feliz de %Demeter% a fez fraquejar um pouco.
— Sei que te devo uma — disse ela assim que se sentou no sofá ao lado dele — Deveria ter voltado ao hostel.
— E perder meu segundo natal com você? — questionou ele — Mesmo com paredes nos distanciando, ficamos perto um do outro.
Ela sorriu e lhe deu um selinho.
— É só isso que eu ganho? — ele olhou indignado — Depois de 8 horas te esperando?
— Que homem rabugento… — ela foi interrompida por um beijo de verdade partindo dele.
— Sei que ainda não vai dizer isso, mas.. — disse %Demeter% mantendo a consciência da realidade — Eu te amo.
Mas só de ter conquistado uma chance com %Mia%, já considerava uma vitória. Ela sorriu de leve e segurou em sua mão, entrelaçando seus dedos.
— Obrigado por ter ficado aqui — disse em agradecimento — E prometo que esta noite vou te compensar.
— Como? — perguntou ele curioso.
— Vamos jantar com meu pai — disse ela.
— Vou conhecer meu sogro Sollary? — seu olhar ficou animado — Isso é mais do que um avanço, e já vou avisando que não aceito me apresentar como um mero amigo.
— Tá ficando exigente demais — reclamou ela.
— Eu disse que ao voltarmos de Manhattan, eu não iria recuar com você — lembrou ele confiante em suas palavras.
— Ok, não se preocupe — ela se manteve série, porém com o olhar sereno — Além do mais, vou me arrepender de falar isso, mas meu pai aprovou e reforçou o nosso relacionamento.
— Olha… Só falta a aliança da família nesse dedo — comentou ele empolgado.
— Não, nada de assuntos sobre casamento — proibiu ela se levantando.
— Onde vai? — ele manteve seu olhar nela, intrigado.
— Trocar de roupa, meu plantão termina em dois minutos — explicou ela.
— Terei você só para mim no ano novo? — perguntou ele ao se levantar também e segurar sua mão — Hum? Acho que mereço.
— Infelizmente não, meu pai quer minha presença na recepção da Continuum que os Dominos irão promover — respondeu ela, se mostrando inconformada — Sou a herdeira, lembra?
— Sim… Mas saiba que eu estarei lá, então, abro essa exceção — ele sorriu de canto e lhe beijou novamente com malícia — Vamos dormir juntos hoje?
— Não — cortou ela segurando o riso.
— Vai mesmo me deixar nesse deserto? — ele a olhou triste.
— Você que lute — ela riu — Enquanto isso, é cada um no seu quarto.
— Mercenária — sussurrou ele ao vê-la se afastar.
%Mia% saiu rindo da cara dele em direção a sala dos funcionários. Chegando no vestiário, esbarrou com sua prima Mayah organizando suas coisas e esvaziando seu armário. Ambas Sollary se denominavam melhores amigas e gêmeas separadas pela maternidade, mesmo sua prima sendo mais velha, consideravam mais que amigas, e sim irmãs de consideração. O laço de sangue eram bem mais forte entre elas que no restante da família e %Mia% sabia que poderia confiar sempre na melhor amiga à sua frente.
— Não acredito que ficarem sem você em Seattle — comentou %Mia% ao se aproximar no nicho que utilizava com seu armário — Mas sei que é por uma boa causa.
— Você sabe que o objetivo de um Sollary é ser cirurgião-chefe no futuro, e este hospital, sendo a matriz dos Sollary, já tem uma dona — explicou Mayah de forma serena — E sabemos disso, além do mais, depois da cagada que meu irmão Derek fez no hospital de New Orleans, com toda a histórias do desvio dos Bakers e corrupção na família, claro que o tio Gregory me mandaria para lá consertar o estrago.
— Espero que consiga — disse %Mia% em um desejo de boa sorte para ela — O hospital de New Orleans é o segundo mais importante e rentável da família, então você sabe o motivo do meu pai te mandar para lá.
— Preciso mesmo adivinhar? — Mayah olhou desconfiada para a prima.
— Você é uma das seletas pessoas que mais confio em nossa família e na Continuum — assegurou a residente herdeira eu começar a trocar de roupa — May, por isso indiquei seu nome ao papai, só não imaginava que ele levaria em consideração.
— Tio Gregory tem levado muita opinião sua em consideração — observou Mayah.
— E como o tio Osvald reagiu? Não pude participar da ceia de natal — perguntou %Mia% curiosa — Soube que sua mãe ficou arrasada.
— Sim, está um caos na casa dos meus pais e, de certa forma, estou meio feliz por me mudar daqui — confessou a cirurgiã — Depois que consegui minha especialização no trauma, acho que essa será minha segunda grande conquista.
— Sair de casa? — brincou %Mia%.
— Não — Mayah riu — Eu já meio que morava com a Torres, lembra? Sua madrinha me alugou o porão da casa dela. Uma pena que agora não vou poder fazer meus exercícios físicos naquele quintal incrível.
— E por falar em exercícios, tenho andado meio sedentária, apesar da correria no hospital, meu pai me cobrou caminhar com ele todas as manhãs — comentou %Mia% — Mas como eu faço isso, depois de uma madrugada de plantão na emergência?
— Ai, que dureza, ele te colocou no plantão, né? — Mayah fez uma careta.
— Sim, ele teve a coragem de dizer que no plantão eu terei a oportunidade de aprender mais, então agora vou trabalhar no sistema 12 por 36 — %Mia% bufou um pouco e guardou seu jaleco no nicho dela, pegando sua bolsa conferiu se o celular estava dentro — Isso tem me deixado maluca.
— E o Baker? — Mayah a olhou com malícia — Ele passou a madrugada aqui te esperando, fiquei até com dó dele, mas achei fofo.
— Mayah… — ela soltou um suspiro profundo — Eu ainda sei lidar com tudo isso relacionado a ele, três anos depois que %Sebastian% terminou de vez comigo, prometi a mim mesma que nunca me relacionaria com um Continuum novamente.
— Nunca diga nunca — Mayah soltou uma gargalhada maldosa.
— Boa amiga você é — %Mia% riu junto — Só quero ver quando se apaixonar por algum interno novinho e ficar caidinha por ele.
— Vira essa boca pra lá — Mayah deu dois toques na parede do nicho em sua frente, o móvel era de madeira — Eu juro que não sei qual é essa coisa desses bebês de fralda tentarem algo pra cima de mim, eu nem tenho cara de babá.
Elas riram do comentário.
— É sério, eu queria uma homem mais maduro, seguro de si, sabe? Se eu encontrasse um Tony Stark, me casaria na hora, mas só aparece Tom Holland na minha frente, cheirando a leite ninho e querendo
cookies no café da manhã… — ela suspirou fraco — Me cansei de atrair somente homens mais jovens que eu.
— Você já se olhou no espelho, Mayah? — %Mia% ri novamente dela — Você nem tem cara de 32, parece até uma colegial recém-chegada em Harvard como caloura de medicina, de tão perfeita que a sua pele é, acabou de conseguir sua especialização em trauma com excelência, é linda, inteligente e atraente.
— Não custa nada eu encontrar um homem assim, dois, três anos mais velho que eu então — ela cruzou os braços — Seu Baker não tem nenhum primo, não? Até um Dominos eu estou aceitando.
%Mia% soltou uma gargalhada agora.
—Todos os Dominos que conheço são comprometidos — disse ela.
— Até o %Simon%? — Mayah olhou triste.
— O %Simon% é mais novo que você — observou a residente.
— Verdade, mas olha… Pra ele eu abria exceção, ele tem maturidade que muito homem não tem.
— Bem, a festa da Continuum oferecida pelas Dominos está próxima e já confirmei seu nome na lista de representantes dos Sollary — alertou %Mia% — Eu quero você lá.
— Sério? — Mayah manteve o olhar frustrado — Eu troco mil festas da Continuum por uma cirurgia de trauma.
— Mayah, você terá que se acostumar, já é meu braço direito na família, e a partir de agora, por mais que eu não queira, meu rosto estará estampado em tudo que for respeito a nossa família e vou te arrastar comigo nesse barco — assegurou.
— Farei o possível para ir — disse a cirurgiã.
— Impossível, Mayah — corrigiu %Mia%.
Elas se despediram e %Mia% seguiu para recepção, onde %Demeter% a aguardava. Ele se manteve sereno no olhar, mesmo que internamente afoito para tê-la só para ele.
— Pronto? — perguntou ele ao segurar em sua mão.
— Agora podemos ir — ela o observou — Não vai perguntar o motivo da demora?
— Sua prima está de partida, imaginei que estivesse se despedindo — respondeu ele tranquilamente.
— Você lê jornal? — respondeu em pergunta, referindo-se ao jornal da Continuum que noticiava tudo.
— Ah, eles já noticiaram sobre isso? — %Mia% se viu perplexa.
— Não é todo dia que se descobre uma dos maiores esquemas de corrupção que esta sociedade já viu — comentou o Baker — Além do mais, conversei com Dimitri essa madrugada e ele me contou algumas coisas.
— E como está sua irmã? Da última vez que me contou, ela estava em coma — o olhar preocupado de %Mia%, deixou ele fascinado.
— Ele disse que está tudo sob controle, eu pensei em voltar para casa e cuidar de Annia, mas Dimitri pensa que é melhor que eu fique longe disso até as coisas melhorarem — %Demeter% se sentia frustrado por não poder fazer nada pela irmã que tanto o protege.
— E como vai ficar tudo agora? — perguntou ela.
— Vou representar a família na festa da Continuum, ao menos isso eu farei por ela, e darei o meu melhor — assegurou com firmeza.
%Mia% sorriu de canto e lhe deu um beijo de leve.
— Está começando a me orgulhar — disse ela.
— Posso fazer bem mais que isso.. — ele a segurou pela cintura, sem se importar de onde estavam, sussurrou em seu ouvido — Que tal fazermos um plantão só nosso esta madrugada?
— Baker abusado — ela o empurrou de leve e riu — Terá que lutar mais para conseguir chegar a este nível, agora vamos que estou morrendo de sono.
— Minha cama é sua cama, sabia? — ele riu.
%Mia% deu algumas gargalhadas e pegou o capacete do carona, da mão dele.
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- Hostel Fletcher, Seattle
O clima continuava de felicidade. Todos os quartos ocupados e uma imensa lista de curtas reservas até o carnaval. Na cozinha, Beth e Marie preparavam o almoço, o cardápio seria uma comida típica de um país que sua mãe, Donna Fletcher, gostava.
— Algum sinal do Dominos? — perguntou Yasmin ao entrar no quarto e ver sua irmã com cara de tristeza em meio à alegria ao seu redor.
— Não — Jenie a olhou chorosa — Queria tanto que ele desse um sinal de vida.
— Deixa de ser orgulhosa e ligue para ele — aconselhou Yasmin.
— Não, não vou lutar, não desta vez, fiz isso com o %Joseph% e me machuquei muito — confessou a bailarina.
Assim que fechou a boca, seu celular tocou. Ligação de %Simon% fez seu coração acelerar. Yasmin entendeu o recado assim que a irmã lhe olhou, com os olhos brilhando, então se retirou do quarto.
— Dominos — disse ela ao atender.
—
Está zangada por meu silêncio — afirmou ele do outro lado da linha, já conhecendo sua garota.
— Que bom que sabe, e você que lute para desfazer isso — disse ela erguendo mais seu corpo, mantendo-se inclinada em sua cama.
—
Me perdoe, foram muitos assuntos do restaurante e da minha família que tive que resolver — explicou ele com tranquilidade —
E também… — E também? — ela se pegou com as mãos no cabelo, brincando com uma mecha.
—
Fiquei com receio de ainda estar chateada pelo que houve no bosque… — Página virada — ela o interrompeu — Você disse que não desistiria de mim.
—
E o medo de ser bloqueado — brincou ele.
Ela soltou uma gargalhada.
—
Mas vale a pena o risco — assegurou ele —
Eu quero te amar para sempre, Jenie Fletcher, não importa o quão louco isso possa parecer para nossas famílias. — Digo o mesmo, %Simon% Dominos.
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- Dominos House, Chicago
Nada como amanhecer nos braços da pessoa amada. Foi o último pensamento de %Sebastian% antes de adormecer com %Nalla% em seus braços e ambos aninhados em sua cama. A sensação de poder amá-la lhe preencheu por dentro, aquecendo-o mais ainda. Acordar com o gosto dos lábios de %Nalla%, o perfume de seu corpo em seus lençóis e a lembrança da noite mais intensa e ardente de sua vida, lhe deu mais coragem ainda para abrir os olhos e ter a certeza que não foi um sonho. Como de fato não foi. A noite entre o chefe Dominos e sua sliter Miller foi mais real que todas as conquistas de %Sebastian% até aquele momento.
Um sorriso apareceu em seu rosto antes mesmo de abrir os olhos e contemplar a face de sua amada ao seu lado. Entretanto, nem tudo são flores. Ao se remexer na cama, o Dominos sentiu o vazio ao seu lado. Estava sozinho mais uma vez no frio do inverno, com a nevasca no repentina do lado de fora.
— %Nalla%? — sussurrou ele ao notar que estava sozinho e não havia mais rastro de sua sliter no quarto.
Ele se levantou e, trocando-se, saiu de seu quarto. Ao passar pela porta de %Simon%, o observou por alguns segundos. Seu irmão conversava ao celular, sentado na sacada da varanda, com um olhar apaixonado e empolgado. Nos seus pensamentos, %Sebastian% lamentava por seu irmão estar aparentemente apaixonado pelo inimigo.
O Dominos continuou seu caminho até chegar na adega. Ele sabia que sua sliter possivelmente estaria lá, como todas as manhãs após treinar. E como dito, sua certeza se confirmou ao entrar e deparar com nada dando ordens a Dosan, relacionado à segurança da recepção da Continuum. Assim que o segurança percebeu a presença de %Sebastian%, pelo olhar do Dominos, o funcionário se retirou deixando ambos a sós.
— Eu a procurei e me vi sozinho — disse ele se aproximando de sua sliter — Por que saiu como se tivesse fugindo, não fizemos nada errado.
— Não fugi, senhor Dominos, apenas segui com minha rotina normal pela manhã — respondeu ela de forma seca, mantendo a firmeza de sempre.
%Sebastian% estranhou sua forma de agir e se aproximou mais.
— Por que está estranha? — indagou ele.
— Estou agindo como sempre — disse ela.
Ele se impulsionou mais para beijá-la, porém %Nalla% o barrou com a mão direita.
— Senhor Dominos… — começou ela.
— %Sebastian% — corrigiu ele.
— %Sebastian%, o que aconteceu nesta madrugada, ficará nesta madrugada — seu tom ficou mais sério — Voltamos ao foco principal e tenha em mente que apenas voltará acontecer em sua mente. Bem, eu lhe aconselho a esquecer o que aconteceu, pois é o que farei. Com sua licença, preciso resolver os últimos detalhes da segurança da festa da Continuum.
Ela nem mesmo lhe deixou argumentar ou lutar contra as palavras frias que dissera. %Nalla% se retirou friamente da adega o deixando novamente frustrado e totalmente vulnerável naquele momento.
Eu já abri o meu coração para você há muito tempo
Você é tudo para mim, esse é o meu jeito de confirmar
Eu deveria ser cuidadoso e me amar mais,
Desse jeito eu nunca irei me machucar.
- My Answer / EXO