42 • Pausa para Felicidade
Em algum lugar de Chicago...
O momento da verdade poderia ser considerado um recomeço para o casal complexo, mas claro que havia a possibilidade das coisas não voltarem a ser como antes. Era óbvio que o cargo de %Nalla% como a sliter segurança seria restituído, afinal, %Sebastian% jamais aceitaria que a mesma continuasse distante. De braços cruzados, encostado na parede, ele a observava conversando com Fisher a poucos metros de distância. O corredor ficou silencioso até que duas garotinhas passaram por ele aos risos, indo em direção a sua sliter.
— Titia! — gritaram juntas.
— Olá queridas! — %Nalla% as abraçou apertado e sorriu um pouco — Como estão?
— Cansadas. — respondeu Margareth, retomando o fôlego.
— Brincamos a tarde inteira no jardim. — contou Jullie em euforia.
— Isso é bom, então devem estar famintas também. — %Nalla% se manteve abaixada para ficar na altura delas.
— Estamos sim. — assentiu Margareth.
— Deixa que essa parte o papai cuida. — Fisher abriu um largo sorriso para as filha e pegando Jullie no colo — Que tal um sanduíche de queijo para o jantar e depois sorvete?
— Vamos poder tomar sorvete hoje? — Margareth perguntou com os olhos brilhando — O senhor está nos enganando?
— Claro que podem. — assegurou %Nalla%, rindo de leve — A tia %Nalla% não vai deixar o papai enganar vocês.
Ela piscou de leve para a sobrinha, que deu um pulo de felicidade.
— Tia %Nalla% vai com a gente, papai? — Jullie perguntou esfregando de leve seu olho.
— Não, querida. — Fisher respondeu com serenidade — Tia %Nalla% está muito ocupada agora e vocês duas, depois de comerem, vão tomar um banho e descansar.
— Isso mesmo, se eu ficar, passaríamos a noite toda acordadas vendo televisão. — brincou %Nalla%, ao fazer cócegas em Margareth — E como ficaria amanhã? Não acordariam cedo.
— Eu queria ficar mais tempo com a titia. — reclamou Jullie.
— Eu também! — concordou Margareth.
— Prometo que em breve teremos nossa festa do pijama das garotas. — assegurou ela, erguendo seu corpo e olhando mais seriamente para Fisher — Qualquer coisa, não hesite em me ligar.
— Vai ficar mesmo tudo bem? — Fisher voltou o olhar para Dominos, agora afastado da parede e com as mãos nos bolsos da calça — Com ele?
— Sim, não se preocupe. — %Nalla% olhou de relance para seu chefe e retornou para o cunhado — O Dominos é assunto meu.
— Eu sei, mas ainda me lembro do soco que ele me deu. — comentou o homem, com a cena nítida em sua mente.
— Agradeço por não ter revidado. — disse ela.
— Compreensível, dadas as circunstâncias, até eu tinha feito o mesmo. — ele riu — Já te falei isso.
— Prometo não demorar para vir aqui. — ela olhou para Jullie e sorriu.
Eles se despediram e %Nalla% seguiu em direção ao Dominos, que até o momento se manteve compreensível, principalmente depois de vê-la abraçar o cunhado. Ele sabia que ter uma irmã gêmea era o segredo mais precioso de sua sliter, porém não era o único e certamente sua busca para destravar aquela caixinha de surpresas estava longe de terminar.
— Para onde quer ir? — perguntou ele, mantendo a suavidade na voz.
— Por que pergunta isso? Não quer voltar para a sua casa? — perguntou ela, intrigada — Imagino que todos estejam eufóricos pelo jantar de noivado da Genevieve.
— Posso ser sincero? — ele respirou fundo.
— Não, porque eu sei o que vai dizer. — ela riu baixo — Não pode mais deixar de ser %Sebastian% Dominos, nem por um dia.
— Que se dane tudo. — ele pegou na mão direita da sliter e a puxou consigo.
— Para onde está me levando, Dominos? — perguntou ela, deixando-se ser guiada e dando risadas pelo caminho.
Ele apenas sorriu de canto, permanecendo em silêncio e direcionando-os para a saída do prédio. Na recepção, eles pegaram as chaves da moto de %Nalla% e os capacetes dirigindo-se para o estacionamento privativo, Dominos tomou a liberdade de pilotar no lugar dela, deixando-a perplexa por nunca tê-lo visto fazendo isso antes.
— Tem certeza que sabe o que está fazendo, Dominos? — perguntou ela, ao se agarrar no terno dele, assim que o mesmo deu a partida.
— Está com medo, Miller? — ele riu um pouco, mantendo sua atenção no trânsito.
— Considerando o fato de nunca tê-lo visto pilotar antes, não sabia desse seu lado, surpreendente. — respondeu ela, o óbvio.
— Não é a única com segredos, já falei. — comentou ele.
Ela soltou uma gargalhada boba e se manteve aninhada a ele por todo o restante do caminho, de olhos fechados apenas curtindo a sensação de adrenalina no corpo. Para a surpresa da sliter, seu chefe a levou para o prédio em que ela tinha uma quitinete alugada.
— Por que estamos aqui? — perguntou ela, ao descer antes dele.
— Você não imagina mesmo? — ele desceu atrás, deixando a moto no espaço destinado a ela na lateral do prédio.
%Nalla% tentou segurar o riso, mas não conseguia diante do olhar de criança que permanecia nele.
— Eu tenho as chaves agora. — ele retirou o chaveiro do bolso da calça e balançou para ela.
— Desde quando? — ela colocou a mão na cintura, desacreditada.
— Nada como um suborno por informações e uma boa oferta de compra. — ele sorriu de canto — Está olhando para o novo proprietário.
— Você comprou o loft? — indagou ela, em choque.
— O prédio. — respondeu ele, com o olhar tranquilo.
— Mercenário. — sussurrou ela.
%Sebastian% soltou uma gargalhada e segurou em sua mão novamente, tomando impulso para entrarem no prédio. Certamente era exagero de sua parte comprar todo o edifício, mas no fundo o Dominos só queria ter a certeza de que teria fácil acesso a sua sliter. Assim que entraram no loft, com o próprio fazendo as honras de abrir a porta e entrar carregando %Nalla% no colo.
— De onde tirou isso %Sebastian%? — %Nalla% se remexeu um pouco no colo dele, em risos.
— Pare de se mexer, ou vou deixá-la cair de propósito. — reclamou ele, num tom de brincadeira.
— Me coloque no chão, antes que eu caia mesmo. — pediu ela.
— Ah, você não sabe o que é romantismo? — ele finalmente a deixou no centro da parte da sala e voltou para fechar a porta.
— Eu sei sim, mas essas coisas só acontecem em recém-casados em noite de núpcias. — explicou ela, o observando.
— E desde quando um Dominos se prende aos protocolos? — ele se afastou da porta seguindo até ela, com um olhar sugestivo.
— Dominos. — ela sussurrou apenas esperando as intenções dele.
— Que tal uma pequena lua-de-mel? — ele piscou de leve ao tocar em sua cintura, puxando-a para mais perto.
%Nalla% assentiu ao iniciar o beijo doce e intenso que prolongaria o restante da noite de ambos. %Sebastian% a envolveu ainda mais em seus braços, movimentando seus corpos pelo lugar sem se importar de derrubar alguns móveis pelo caminho. A atenção de ambos estava fixa um no outro em pela sincronia de desejo e malícia. Uma forte sensação de estar matando a saudade diante de alguns dias distantes um do outro, fazia %Nalla% se render sem o menor esforço.
— Dominos… — sussurrou ela.
— %Sebastian%. — corrigiu ele, ao beijar de leve seu pescoço.
Eles se olharam por um tempo, até mesmo mantinha a respiração ofegante em plena sincronia.
— Eu te amo. — sussurrou ele.
Aquelas palavras já soavam com tamanha facilidade de sua parte.
— Eu também te amo. — sussurrou ela de volta, fazendo-o arrepiar.
Coração acelerado, instintos aflorados e nenhuma preocupação com o caos que havia do outro lado da porta. Nas próximas horas o mundo se resumiria a apenas os dois.
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— Os médicos deram alguma previsão sobre a sua irmã acordar? — perguntou %Sebastian%, mantendo-a aninhada a ele.
— Não, quando aconteceu o acidente, a única solução foi coma induzido. — respondeu ela, puxando mais o lençol para cobri-los — Espero que um dia ela possa acordar e voltar a viver a vida que sempre sonhou.
Dominos se manteve em silêncio, pensativo por um momento, enquanto acariciava os cabelos dela.
— Pergunte. — incentivou ela, sabendo as muitas indagações que estariam passando em sua cabeça.
— Como é esse lance de gêmeas? Todos sempre acharam que Lauren Miller tinha apenas uma filha. — ele manteve sua voz num tom baixo, apenas para sentir a respiração dela.
— Minha irmã sempre teve a saúde mais frágil, então claro que ela não serviria para ser filha de sliter. — ela deu uma resposta direta e objetiva.
— Os registros do orfanato Miral foram queimados no incêndio, mas me lembro de algumas conversas do meu pai, sendo claro sobre não ter irmãs gêmeas na época que você passou por lá. — indagou mais uma vez tentando entender a história.
— Segundo a Donna, minhas irmã havia sido entregue a uma outra família antes mesmo de eu passar pelo orfanato para ser legalmente adotada pela Lauren. — explicou ela, mais claramente.
— Então a Fletcher sabia desde o início. — concluiu ele, impressionado.
— Me diga um segredo que aquela mulher não saiba? — %Nalla% se remexeu um pouco, ficando de frente para ele — O que mais quer saber?
Ela pensou mais um pouco, em uma sutil troca de olhares.
— Mesmo estando em famílias diferentes, como mantiveram contato? — este era o ponto de maior curiosidade dele — Você sendo filha de sliter e ela em uma família comum.
— Tivemos uma pequena ajuda do senhor Han, deve se lembrar dele, o coreano namorado da Lauren. — detalhou ela, voltando a se aninhar a ele.
— Você o matou por minha causa. — comentou %Sebastian%, lembrando-se do ocorrido.
— Ele sabia que uma promessa de sliter vale mais que sua própria vida. — ela começou a brincar com os dedos da mão esquerda dele, entrelaçando nos seus — Não se preocupe com isso.
— Só me sinto um tolo por ter dado espaço para dúvidas, mesmo depois de tantas provas de lealdade que me deu. — comentou ele, um pouco amargurado.
%Sebastian% sabia muito bem que poderia ter evitado todo aquele afastamento se por um momento tivesse sido mais racional e menos emotivo.
— Não importa mais, estamos aqui, não estamos? — disse ela, com tranquilidade — Você vai mesmo levar a sério essa coisa de dia comum?
— Claro que sim. — assegurou ele, confiante em seu plano de improviso.
— Então por que não falamos sobre algo bom? O casamento da Gen? — sugeriu ela — Soube que ela está muito feliz com o pedido do Lance.
— Sim, ela e a tia Sophie não falam sobre outra coisa. — comentou ele, rindo de leve — Estou feliz por ela, o Village é um cara legal e se não for, sabe o que acontece.
— Nossa, que irmão protetor! — %Nalla% virou o corpo o encarando novamente — Imagino quando tiver uma filha, o que fará com o rapaz que se aproximar dela.
— Bem, quando tivermos nossos filhos, eu serei um excelente pai. — ele piscou de leve, se remexendo um pouco e aproximando mais o corpo dela ao dele.
— E por que acha que teremos filhos? — perguntou %Nalla%, segurando o riso.
— Porque vamos treinar muito bem agora. — ele inclinou seu corpo um pouco mais e a beijou com malícia.
%Nalla% apenas retribuiu com a mesma intensidade, uma vez mais sentindo todo o seu corpo se arrepiar com o amor do homem que a aquecia por dentro.
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— Eu te amo, %Simon%, mas não vou poder comparecer a sua inauguração. — a voz de %Sebastian% estava baixa, entretanto, continuava nítida a audição da sliter.
%Nalla% apenas se remexeu na cama, ainda sonolenta, porém ouvindo a conversa com clareza.
— Mande minhas felicitações a %Mia%, ainda não consegui ligar para ela e parabenizar pelo casamento, mas diante do que está me contando. — %Sebastian% que olhava da janela para os carros que passavam, voltou sua atenção para Miller que se espreguiçava na cama — Espero que tudo possa se ajustar para ela e o %Demeter%.
—
Já que não terei meu irmão mais velho em um dia importante da minha vida por motivos óbvios, espero que possa aproveitar seu momento com a %Nalla%. — disse %Simon% do outro lado da ligação —
Te vejo quando em Seattle? — Em breve, mas antes disso teremos o jantar de noivado da Gen. — respondeu ele — Não se atreva a faltar.
—
Como poderia faltar, se eu vou preparar o jantar em pessoa. — retrucou %Simon%, sentindo-se honrado pelo pedido da irmã.
— Ah… De alguma valia seus dotes na cozinha tem que ter. — brincou ele, rindo baixo.
—
Ha, ha… Muito engraçado. — %Simon% fez uma careta do outro lado da ligação —
Saiba que para você eu vou cobrar o triplo da conta quando vier aqui.
— Depois eu que sou o mercenário da família. — %Sebastian% caiu em risos, mantendo seu olhar em %Nalla%, que o observava — Preciso desligar agora.
—
Hum… A sliter acordou? — supôs %Simon%.
— Sim, te vejo no jantar da Gen. — assentiu o Dominos chefe.
—
Até e juízo. — brincou o caçula.
%Sebastian% riu um pouco mais ao encerrar a ligação.
— Não precisava ter encerrado porque eu acordei. — comentou ela, se espreguiçando novamente.
— Já conversei o suficiente com meu irmão. — retrucou.
— E sobre o que conversavam? Ouvi o nome da %Mia%. — perguntou ela, mordiscando de leve o lábio inferior.
— Parece que ela e o %Demeter% estão em um desentendimento. — ele encostou no peitoril da janela e cruzou os braços — Acredita que o Baker tem uma filha?!
— Eu já sabia. — ela respirou fundo, não podia mentir para ele.
— Como assim você sabia e não me disse nada? — ele se impressionou agora.
— O segredo não é meu, não poderia contar… Mas é como eu disse, Donna Fletcher é a caixa de Pandora que guarda todos os segredos. — disse inicialmente de forma enigmática — Contudo, sendo mais clara, Annia me deve alguns favores ocultos e este é um deles.
— Como assim? — ele manteve o olhar atento para ela.
— O que eu sei da história é que %Demeter% arrumou uma namorada há uns seis anos atrás, não era de nenhuma família importante e ambos foram afastados pela Allison Baker. — iniciou ela detalhando mais — Conhecendo bem a mãe, Annia teve seus motivos para não tê-la deixado descobrir que a tal namorada engravidou, assim ela pediu um favor a Donna que pediu para mim.
— Donna Fletcher tinha mesmo que te envolver? — ele pareceu chocado.
— Nessa época ela estava focada em resolver alguns problemas familiares. — respondeu a sliter com serenidade — Mas, que bom que o Baker descobriu que é pai, Annia é quem deve estar surtando agora.
— Será que ela sabe que ele descobriu? — comentou ele — Ela parecia bem tranquila no nosso encontro ontem pela manhã.
— Vai saber, nem mesmo sei se Allison Baker descobriu depois do nascimento da criança. — ela finalmente se descobriu e levantou da cama — Mas sejamos francos, a situação deles ainda consegue ser melhor que a nossa.
— Toda situação é melhor que a nossa. — comentou ele, impulsionando o corpo para se aproximar dela.
— Não, toda não, exceto a do %Simon% com a %Jenie%. — observou ela sabiamente.
— Ah, meu irmão, ainda não consigo entender o que deu nele. — %Sebastian%, envolveu seus braços ao redor dela — Agora ela está na base da Darko na Rússia bem próximo ao Bellorum.
— Não está mais, %Jenie% me mandou uma mensagem dizendo que estava a caminho do acampamento da avó dela. — contou ela — Parece que minha amiga quer ser mais forte e independente como a avó, às vésperas de oficialmente se auto declarar a herdeira perdida.
— De fato, eu recebi uma ligação de Irina Baker mencionando sobre isso, me parece que em breve receberei um convite formal de %Joseph% para o jantar dos herdeiros. — concordou ele — Certamente como o novo herdeiro Bellorum, ele vai garantir a segurança dela ao máximo.
— Disso eu não tenho dúvida. — ela envolveu seus braços no pescoço dele — Mas… Que tal não falarmos mais sobre outras pessoas e a Continuum? São assuntos do outro lado da porta.
— Foi a senhorita que começou ao perguntar sobre a %Mia%. — disse ele em sua defesa — Mas a ideia é boa, que tal voltarmos ao assunto dos filhos que teremos?
Ela soltou uma gargalhada boba.
— Senhor Dominos, não somos máquinas e eu estou com fome. — disse ela ao dar um selinho inesperado nele e se afastar — Aposto que também está.
— Você pode ser o meu alimento. — brincou ele, abraçando-a por trás, mantendo seus braços envoltos na cintura dela.
— Canibalismo não é bem visto pela sociedade, acho que já te disse isso. — brincou de volta, rindo de leve — Que tal espaguete ao sugo?
— Nada mal, eu sempre me esqueço que a Lauren era descendente de italianos. — comentou ele, ao se lembrar que todas as comidas favoritas dela eram provenientes da gastronomia italiana.
— Então vamos cozinhar, senhor Dominos. — disse ela, tentando se locomover até o armário.
— Pare de me chamar assim. — ele deu uma mordiscada de leve no ombro dela, fazendo rir.
— Não fala isso, faz cócegas e vai me desconcentrar. — reclamou ela, se encolhendo um pouco — Foi você quem pediu.
— Tudo bem, que homem exigente. — sussurrou ela, em reclamação.
— Que mulher teimosa. — retrucou ele, em sussurro também.
Uns instantes de silêncio, então caíram em risos.
Era um fato que o desajustado improviso de %Sebastian% estava saindo melhor que a encomenda e aquele pequeno loft seria a partir dali o mundo particular de ambos. O lugar onde poderiam viver nem que por algumas horas, uma vida normal e longe dos olhos da Continuum e seus inimigos.
Eu perdi minha cabeça,
Desde o momento em que te vi.
Só de estar ao seu lado, meu mundo fica em câmera lenta,
Por favor, diga se isso é amor?
- What Is Love / EXO