8 • Inesperado
– Hostel Fletcher
Mesmo intrigado com a frieza da jovem bailarina, %Joseph% se manteve silencioso durante todo o café, nem percebendo que Beth também se ausentara da cozinha. Suas memórias do passado o impediam de concentrar no alimento em sua mão e sentado na cadeira, permaneceu por longos minutos com os olhos fixados no pedaço de bolo.
Ele e %Jenie% haviam terminado o relacionamento escondido na adolescência de forma indefinida, e sabe-se que algo mal resolvido sempre causa dores futuras. Era o que indiretamente ele sentia dentro de si.
— Ora, ora… Quem encontro aqui — disse %Mia% ao adentrar a cozinha com seu jaleco apoiado no braço direito e a bolsa pendurada no ombro esquerdo.
O comentário dela o despertou de seu devaneio momentâneo. Os olhos de %Joseph% arregalaram ao ver o rosto conhecido em sua frente.
— Sollary? — Ele deu um sorriso discreto. — O que faz aqui?
— Eu que pergunto, o que um Bellorum faz em Seattle? — Ela cruzou os braços fazendo uma pose superior, depois desfez e puxou uma cadeira para sentar perto dele. — Desde quando está na cidade?
— Cheguei hoje pela manhã, fui transferido recentemente para a Delegacia Leste — respondeu ele com tranquilidade.
— Você está trabalhando em Capitol Hill e resolveu se instalar aqui? — Ela o olhou curiosa.
— Este hostel foi muito bem recomendado — explicou.
— Sei muito bem o quão recomendado ele foi. — Ela segurou o riso e se virou para as fatias de bolo cortadas em cima da mesa.
%Mia% sabia entrelinhas sobre o namoro do passado de %Joseph%, foi um assunto parcialmente comentado entre as famílias da Continuum. A jovem médica reteve mais comentários sobre o assunto e se levantando, deixou o jaleco e a bolsa no encosto da cadeira, então seguiu para o lavabo para lavar suas mãos. Ao retornar, %Joseph% já finalizara seu café.
— Não me fará companhia? — perguntou ela. — Pelos velhos tempos?
— Tenho certeza que teremos outras oportunidades — se explicou ele ao se levantar da cadeira. — Agora, tenho que me apresentar ao meu novo posto.
— Uau, subimos de cargo. — Ela deu um sorriso. — Meus parabéns, seu pai deve estar orgulhoso, e o seu avô então… General Bellorum deve estar comemorando sua evolução.
— Há tempos que não falo com eles, então não me importa o que pensam sobre isso. — Ele se manteve sério. — Foi bom rever um rosto amigo.
Ele se afastou e se retirou. Enquanto isso, %Mia% se sentou novamente na cadeira e iniciou seu café da manhã. Sempre que seus plantões encerravam no turno da manhã, a jovem fazia questão de tomar o café do hostel. O gosto que sentia a cada gole, sua saudade de casa era saciada com precisão de uma forma inexplicável. Entretanto, desta vez não dispondo de muito tempo para saborear a primeira refeição do dia, seu celular tocou. A ligação de seu paciente admirador a deslocaria para o outro lado da cidade. Aparentemente, Baker havia caído prejudicando a cicatrização de seu machucado no joelho.
— Posso entender como conseguiu essa proeza? — perguntou %Mia% ao chegar no estúdio de fotografia, se deparando com ele jogado no chão com a barra de ferro que ele possuía em sua perna levemente exposta. — Deveriam tê-lo levado às pressas para o hospital e não ligado para mim. — Sollary não sabia se o olhava preocupada pelo ocorrido ou raivosa pela atitude imatura de não seguir o protocolo correto.
— Eu sabia que seu plantão havia terminado e eu queria ser atendido por você — explicou ele ao dar um sorriso de canto.
— Eu deveria arrancar sua perna só de raiva, você ainda mantém exposto, pode contrair bactérias. — Ela se ajoelhou ao lado do rapaz avaliando o estrago, retirou sua toalha da necessaire da bolsa e envolveu a fratura exposta. — Como você caiu a ponto de causar isso?
— É uma história longa, mas em minha defesa, eu não fiz de propósito — disse %Demeter% olhando-a com carinho ao sentir seu cuidado.
— Vou ligar para o hospital e pedir para a dra. Torres esperar nossa chegada, e chamar uma ambulância que era o que deveria ter feito. — Ela tentou ponderar sua voz, porém o tom de rispidez era notório à distância.
Não demorou muito até que o resgate chegou e levou ambos para o
Sollary Seattle Hospital. Como esperado, a cirurgiã ortopedista, dra. Torres, aguardava em seu posto e com a sala de cirurgia pronta. Como das outras vezes, %Mia% acompanhou todo o procedimento como auxiliar em conjunto com sua amiga Hill, mesmo contra a vontade da residente chefe Lins.
— Bom trabalho, paciente — disse a dra. Torres assim que a anestesia passou e %Mia% executou todos os procedimentos para conferir os sinais vitais de %Demeter%. — Foi um pouco mais demorado que o previsto, porém antecipamos aquela cirurgia marcada e aproveitamos a deixa para retirar a barra e colocar os três pinos.
— Me desculpe, dra. Torres, prometo não fazer mais travessuras — disse ele mantendo seu olhar em %Mia%.
— Vou deixá-los, a dra. Sollary terminará de preencher seu prontuário. — Torres olhou para a residente. — Depois te quero longe desse jaleco por pelo menos 24 horas. — O tom de ordem fez %Mia% estremecer. Por ser sua madrinha e amiga de infância de sua mãe, Torres era a única em que a determinada Sollary respeitava e obedecia naquele hospital.
— Sim senhora. — Assentiu ela permanecendo com seu olhar no prontuário.
Após a saída de Torres do quarto, o silêncio deu ar de se estabelecer no ambiente. Porém os muitos pensamentos que Baker mantinha em sua mente se colocaram em alta voz.
— Por que participou da cirurgia? — perguntou ele.
— Você é meu paciente, não é óbvio? — respondeu com outra pergunta, o olhando com seriedade.
— Você não volta depois que sai de um plantão por nenhum outro paciente. — Ele deu um sorriso malicioso.
— Tire esse sorriso do rosto, a culpa foi sua de ter ligado para mim, como cheguei primeiro no local, me senti responsável por você. De novo. — Ela voltou seu olhar para o prontuário terminando de preenchê-lo.
— Vai ficar aqui comigo? — perguntou ele propositalmente.
— Eu já estou bem, e você não pode ficar com o jaleco — respondeu ele.
— Não seja por isso. — Ela terminou de escrever e colocou o prontuário na mesa aos pés da maca dele, então retirando o jaleco do corpo o dobrou e colocou embaixo da bolsa que deixara na poltrona para acompanhantes. — A partir de agora sou sua acompanhante.
Ela voltou o olhar sério e autoritário para ele. Aquela era uma das mais fortes características de %Mia% Sollary, ela não admitia que outras pessoas interferissem em suas decisões, sua personalidade forte a instigava a querer sempre ter o controle de todas as situações. E era essa intensidade que a jovem residente passava que atraía ainda mais %Demeter%, deixando-o mais apaixonada com o passar do tempo.
—
– Portland, Oregon
Dominos não gostava de se ausentar de sua residência, não somente por sua preocupação com a segurança das mulheres de sua casa, como também por ser um homem caseiro. Este, dentre tantos outros aspectos de sua característica pessoal, era somente reconhecido por amigos muito íntimos. Entretanto, quando os negócios de sua família precisam de sua atenção dobrada, %Sebastian% não media esforços para resolver com precisão e rapidez.
Naquela manhã, sua visita à filial da Dominos Company na cidade de Portland tinha um motivo. Sua conversa se mantinha com o responsável Dominic Lins, sob a companhia de sua sliter. Lins era um homem interesseiro e presunçoso, e isso todos já sabiam com clareza. Entretanto, o que %Sebastian% ansiava descobrir era seus reais interesses por atrás da impecável demonstração de lealdade e o jeito nada humilde.
— Creio que agora todos os pontos estão alinhados e deixo em sua responsabilidade averiguar todos os roubos que a transportadora sofreu e encontrar os culpados, seja quem for — completou %Sebastian% com seu tom forte de ordem.
— Não se preocupe, senhor — respondeu. — Eu só estava mesmo esperando sua autorização para tratar deste assunto com mais afinco.
— Assim espero. — %Sebastian% deu alguns passos ao se levantar de sua cadeira presidencial. — Não costumo dar segunda chance a funcionário incompetente. — %Sebastian% se colocou ao lado de sua sliter, voltando seu corpo para a parede de vidro que compunha a fachada do prédio, olhando os carros se locomovendo pela rua.
— Algo mais, senhor Dominos? — perguntou Dominic, mantendo seu olhar atento em %Nalla%.
— %Nalla%, acompanhe-o até sua sala e pegue os relatórios mensais, quero analisá-los antes de partirmos — ordenou ele, mantendo sua posição.
— Sim, senhor. — Assentiu %Nalla%.
O olhar que a sliter lançou para Lins o fez entender o recado e já se deslocar para a porta do escritório da presidência. Se retirando, %Nalla% seguiu Dominic até o andar de baixo, entrando em sua sala, o homem não poupou a oportunidade de iniciar seus comentários.
— Então, %Nalla%, com é passar vinte e quatro horas do dia ao lado do senhor
Dominos, você não tem vida social? — perguntou Dominic.
— Por que a pergunta? — Ela continuou com a seriedade no olhar e na voz, observando os movimentos dele até sua mesa.
— Curiosidade, uma mulher tão bonita e tão…. — continuou ele.
— Acho melhor guardar seus comentários para você, e com relação à sua curiosidade, várias pessoas já morreram por causa dela. — %Nalla% manteve o olhar firme esticando a mão para pegar a pasta. — Os relatórios.
— Como queira. — Assentiu Dominic ao entregar as pastas para ela.
O ambicioso Lins já tinha ouvido comentários sobre a firme e silenciosa postura de %Nalla% Miller. Era rotineiro casos de interesses por parte de homens da Continuum na segurança pessoal de %Sebastian%. Talvez por seu nível extremo de lealdade, ou por sua beleza sutil, ou mesmo pelas habilidades em combate que possuía. O certo é que %Nalla% despertava interesse e oculta atração por onde passava.
Precisamente ao pegar as pastas, ela se retirou voltando ao escritório da presidência.
— Senhor %Sebastian% — disse ela ao entrar.
— %Sebastian% para você. — Ele se virou para ela, e sorriu de canto.
— Os relatórios. — Ela ergueu a mão mostrando as pastas.
— Teremos um longo dia, e à noite…. — Ele deu alguns passos até ela, parando em sua frente mantendo o sorriso nos lábios. — Jantar a dois.
— O jantar entre o senhor e Rose Tenebrae? — disse em tom de pergunta, porém afirmando do compromisso dele.
%Sebastian% lançou um olhar decepcionado. Certamente por esquecer de tal evento.
— Imaginei que se esqueceria — comentou ela segurando o riso.
— Não há como cancelar? — indagou ele, esperançoso talvez.
— Um Dominos jamais cancela uma reunião, principalmente quando há damas envolvidas — relembrou ela um lema que vosso pai costumava mencionar.
— Odeio essa frase — comentou.
— É seu dever, precisamos saber o que ela quer — reforçou a necessidade do encontro. %Sebastian% se aproximou ainda mais e tocou em sua face.
— Odeio quando faz o papel da minha consciência. — Ele a acariciou, sua vontade era de tocar seus lábios com os dele.
— Estou aqui para isso, senhor. — Ela se manteve firme.
— %Sebastian%, já disse — corrigiu ele.
— %Sebastian%, precisa ir a este jantar — disse novamente com as palavras adequadas. — Precisa descobrir os próximos passos dos Tenebrae, e não se preocupe, não sairei do seu lado.
O Dominos sentiu seu coração pulsar ainda mais forte por ela, que mantinha a segurança no olhar. O que transmitia a ele força e coragem.
—
– Algum lugar de Seattle
Logo à tarde, %Jenie% estava na livraria catalogando os livros novos que tinham chegado. Concentrada no seu trabalho, foi seguindo em completo silêncio. Pouco antes do entardecer, seu olhar de forma involuntária se voltou para frente. Deixando-a surpresa ao se deparar com a presença de %Simon% encostado na porta de entrada a observando.
— Oi — ele disse abrindo um sorriso fofo e gentil para ela.
— Boa tarde, senhor cliente. — Ela não se conteve em sorrir de volta, tentando manter o profissionalismo. — O que faz aqui?
— Estou à procura de mais livros gastronômicos — respondeu entrando mais pela loja até chegar no balcão de atendimento em que ela estava.
— Hum… Chegaram alguns esta manhã e estou catalogando, algo me dizia que eu deveria separar para um certo alguém — comentou ela.
Eles deram risadas rápidas, mantendo a suavidade nos olhares um para o outro.
— E eu posso comprar? — Ele manteve seu olhar nos movimentos que ela fazia com relação ao computador.
— Sim, vou registrar a venda agora — respondeu demonstrando a eficiência no trabalho.
— Depois da livraria vai direto para a escola? — perguntou ele.
— Sim, hoje tenho a classe da terceira idade que ensino bolero — explicou ela. — Não acredito que se esqueceu.
— Só queria ter certeza que decorei sua agenda de aulas — brincou ele. — Estou pensando em entrar na sua turma de hip-hop na quinta à noite.
— %Simon%, não acredito na sua aptidão para o gênero — admitiu ela com sinceridade.
— Sabe, é só um pretexto para te ver. — Ele riu, fazendo-a rir também.
— Eu agradeço e me sinto lisonjeada, além do mais, quanto mais alunos, mais eu recebo — assegurou ela.
— Que mercenária — brincou se mostrando indignado. Eles soltaram algumas gargalhadas.
— Vou finalizar sua compra, nos vemos mais tarde? — indagou ela.
— Combinado, te pego após a aula — confirmou ele.
Ela sorriu de leve e terminou de registrar a venda. Daquela vez %Simon% realizou a compra de mais três livros, o que deixou %Jenie% ainda mais curiosa pelo interesse do rapaz sobre o assunto.
As horas se passaram e %Jenie% encerrou seu expediente, após se despedir de Princia, pegou sua mochila e correu para a escola de dança. Os alunos já a aguardavam realizando o aquecimento inicial com alongamentos, assim que %Jenie% trocou sua roupa no vestiário dos funcionários, entrou na sala e iniciou a aula.
O tempo foi passando, até o momento em que dispensou a turma e lhes desejou bom final de semana. Não demorou muito para que %Simon% aparecesse na porta dando dois toques chamando sua atenção, que estava no celular.
— Terminou cedo hoje — disse ele.
— Sim, um dos alunos não estava passando bem, ficamos preocupados e chamamos sua família — explicou ela.
— Algo grave? — Ele caminhou em sua direção.
— Ele esqueceu de tomar os remédios para pressão — respondeu ela observando sua aproximação.
— Tenho algo para te contar — iniciou ele ao tocar na cintura dela e envolvê-la em seus braços.
— Sobre você ou sobre sua família? — %Jenie% tentou controlar o olhar curioso, porém sem sucesso.
Já estava virando uma rotina, a cada dia %Simon% lhe contar algo sobre sua vida ou sobre os Dominos, principalmente como conseguiram se reerguer após o ataque sofrido.
— Sobre mim, é uma novidade — respondeu ele.
— Os livros que ando comprando não são somente para te ver, mas tem fundamento profissional — explicou ele.
— E que fundamento seria esse?
— Tenho planos de abrir um restaurante para mim, aqui em Seattle — disse.
— Um restaurante? — Por essa ela não esperava. — Uau, e quem seria o chef?
— O quê? — %Jenie% se viu boquiaberta pela revelação. — Você cozinha?
— Sim. — %Simon% abriu um sorriso modesto. — Sou formado na Le Cordon Bleu, a melhor faculdade de gastronomia do mundo, e este é um dos motivos de brigas entre eu e meu irmão.
— Só porque você gosta de cozinhar? — A pergunta dela o fez rir.
— Não, ele se sente contrariado pelo fato de eu não querer gerenciar os negócios da família ao seu lado — explicou. — Mas, no fundo, meu sonho é outro, e não está ligado a Dominos Company.
— Do jeito que você fala sobre seu irmão, não acha que ele vai querer atrapalhar? — indagou ela não se contendo em ficar preocupada.
— Não, %Sebastian% é capaz de tudo, exceto atrapalhar alguém de sua própria família, o máximo que pode acontecer é ele querer usar isso a seu favor. — Continuou seguro em suas palavras.
— Não sei, mas se tratando dele, tem sempre um jeito. — %Simon% riu de leve. — Mas não quero me preocupar com isso agora.
— Fico feliz que esteja empenhado a realizar seu sonho. — Ela sorriu de volta.
— Quero te mostrar uma coisa, podemos ir?
— Surpresa. — Ele se afastou dela e a pegando pela mão, manteve o olhar de carinho.
%Jenie% pegou sua mochila e se deixou ser guiada até a moto do rapaz. Seguiram pelas ruas até chegar ao seu destino. Ao descerem da moto, %Jenie% se deparou com um pequeno imóvel, aparentemente caindo aos pedaços. Era localizado na entrada norte da cidade, próximo à rodovia principal. A fachada de madeira tinha traços de cupim, a porta de entrada rangia ao abrir, as janelas alguns vidros quebrados e muitas teias de aranha competindo espaço pelo lugar.
— Uau — disse ela ao olhar em sua volta, sentindo o cheiro de mofo do ambiente. — Eu sei que você não é um psicopata e não vai me matar em um lugar assim, então posso entender o que fazemos aqui? — Ele soltou uma gargalhada antes de responder:
— Antes de vir para Seattle, pesquisei alguns imóveis abandonados, este estava a lista de possibilidades, acabei de comprá-lo hoje pela manhã — explicou ele.
— E vai construir seu restaurante aqui? — Era óbvia sua dedução.
— Sim, fiz uma pesquisa de mercado e descobri que esta parte da cidade carece de empreendimentos assim.
— Legal, após uma boa reforma talvez fique bonito e chamativo — comentou ela.
— Talvez? Está desdenhando do meu restaurante? — Ele se sentiu ofendido.
— Não, mas é que não adianta ser bonito se a comida não for boa — argumentou ela.
— Você gostaria de me provar? — perguntou ele de forma sinuosa ao tocar a cintura dela novamente.
— Você realmente gosta de duplo sentido, né? — Ela riu. — Talvez se rolasse um jantar…
— Vou continuar mantendo o duplo sentido. — Ele se aproximou mais e a beijou com intensidade. %Jenie% retribuiu o beijo, sentindo seu coração acelerar.
— Você precisa parar de me beijar assim toda vez que te der vontade — disse ela tocando em seu tórax o afastando um pouco.
— Não foi vontade minha, seu olhar que pediu — retrucou ele.
%Jenie% bem que queria contra argumentar, mas ele estava certo. E tomando impulso, desta vez o beijo partiu da delicada bailarina.
Conte-me seu sonho,
Conte-me os pequenos desejos em seu coração.
– Genie / Girls’ Generation