49 • Irmão mais velho
Mansão Dominos, Chicago
Dizem que o jantar de noivado é uma das recepções mais tradicionais e esperadas que existe entre as famílias, perdendo até mesmo para o chá de bebê. E naquela noite a casa Dominos estava desfrutando o ápice da felicidade, assim que %Sebastian% e Genevieve desceram os últimos degraus da escada e foram cumprimentados pela família do noivo. De todos os presentes, não existia alguém mais eufórico e ansioso que a matriarca da família. Após perder os pais, o marido, dois irmãos e alguns sobrinhos no fatídico ataque ao rancho Dominos, ter a família reunida em uma ocasião como aquela, era tudo o que Sophie desejou em anos de preocupação e angústia.
— Primeiro, quero agradecer a todos que estão aqui presentes nesta noite — disse %Sebastian%, em seu pronunciamento inicial — Sabemos que tem sido tempos difíceis para todas as famílias da Continuum, entretanto, estamos aqui em um dia feliz comemorando o noivado da nossa Gen com um grande amigo como o Lance… Nossas famílias se unirão e certamente seremos mais fortes no futuro.
— Para mim é um privilégio ter conquistado o coração mais dócil que já conheci. — afirmou Lance, ao olhar para sua noiva com ternura — Você é maravilhosa.
Logo um sorriso singelo surgiu no rosto da noiva, demonstrando suas bochechas coradas pela declaração dele.
— Aos noivos… — disse Sullivan, o pai do noivo, com entusiasmo erguendo sua taça de champanhe.
— Aos noivos… — disseram todos em coral erguendo suas taças também.
Um pouco distante, Bella se encostou na parede ao lado da janela, sentindo um gosto amargo na boca. Após muitos amores ela não queria admitir que estava chateada por ver seu antigo affair em um relacionamento sério logo com a prima. E sim, em um passado distante Lance e Bells tiveram algumas noites de diversão às escondidas, todas sem compromisso. Seu olhar desviou dos noivos para a janela ao lado, com um suspiro fraco e desapontado, observando o tempo fechado do lado de fora e algumas gotas de chuva surgirem escorrendo pelo vidro.
— Deixe-me adivinhar, queria que fosse você no lugar da Gen? — perguntou %Simon%, ao se aproximar dela, com discrição.
— Vai me jogar na fogueira se eu disser que metade de mim desejaria isso? — sussurrou ela, retrucando a pergunta.
— Não… Todos temos nosso momento de desejar aquilo que não é nosso — disse %Simon%, em sua reflexão sobre a própria vida.
— Estas palavras são para mim? Ou para você? — Bells olhou para ele, intrigada — Não acha que a %Jenie% tenha nascido para te encontrar?
— Por que está voltando para mim? — ele riu baixo, entendendo as palavras dela — A questão aqui é você.
— Querido %Simon%, fique tranquilo, nem em meus pensamentos mais insanos eu vou atrapalhar a noite da princesa… Primeiro, pelo óbvio… %Sebastian% me mataria, segundo, eu não sirvo para amores platônicos — assegurou ela, confiante no olhar — Entretanto não posso dizer do temporal que está se formando do lado de fora.
— Sei — %Simon% voltou o olhar para a janela — Em alguns casos, chover é um bom sinal.
O caçula não seguia muito a previsão do tempo, e nem mesmo imaginava que as rasas nuvens escuras que observou ao longo do dia enquanto cozinhava, resultaria no mal tempo. %Simon% voltou sua atenção para o sorriso da irmã que se mantinha abraçada ao noivo, muitos pensamentos tomaram sua mente, todos relacionados à bailarina que conquistou seu coração sem nenhum esforço. Desde o primeiro momento em que a viu assim que a porta do hostel se abriu, até o término sem propósito do qual ele mantinha seu arrependimento. Era difícil para ele não imaginar como seria se ainda estivessem juntos, o que aumentava o desejo de vê-la novamente.
— E claro que esta noite vamos saborear os dotes culinários do nosso masterchef, não é mesmo, %Simon%? — brincou %Sebastian%, rindo um pouco, então percebendo os devaneios do irmão — %Simon%?
— Sim, irmão — assentiu o chefe, sorrindo de leve e levantando a taça para saudá-lo — Será o melhor jantar que esta família já teve.
— É o que todos anseiam, %Simon% — comentou Nigel —, pois o cheiro que vem da cozinha é bem interessante.
Todos riram um pouco, concordando com ele.
— E a data do casamento já está marcada? — perguntou Mary, ao alisar de leve sua barriga já amostra.
— Escolhemos a última semana do outono, para passar a lua de mel em pleno inverno de Paris — respondeu Genevieve, sendo abraçada pelo noivo — Lance concordou que seria bem romântico.
— Que viagem a Paris que não é romântica — comentou Penny, a mãe do noivo — Mas, eu achei que fossem para o Paradise Kiss.
— Mas é claro que vamos — assegurou Lance, ao olhá-la — Passaremos duas semanas em Paris e uma no Paradise.
— Vocês passaram em Paris, e eu quero ir para Londres, mas só se o imperador deixar — comentou Jasmine, voltando o olhar para o irmão mais velho.
— Se suas notas forem suficientes e satisfatórias ao meu gosto — disse o chefe da família, ao degustar um gole do champanhe em sua taça.
No quesito educação da irmã caçula, o chefe Dominos era mais do que exigente.
— Não serei uma nerd sem graça — sussurrou a caçula, fazendo careta.
— Adolescentes... — brincou Sullivan, fazendo Sophie e a esposa rirem.
— Mas saiba que fico feliz que tenhamos esse tipo de assunto e preocupação com Jasmine… — ela voltou o olhar para o sobrinho, percebendo algo muito estranho nele.
— Vamos esquecer as loucuras da Continuum e saborear esta noite — disse Penny, mantendo um sorriso no rosto — Foi demorado para ambos perceberem que ficam perfeito juntos, mas estou feliz que Lance tenha tomado a iniciativa de pedir Genevieve em casamento.
— Ah, sim, e minha sobrinha sempre foi tão insegura, não entendo o motivo, ela é tão bonita e inteligente! — Sophie tomou um gole do champanhe em sua taça — Já estou sonhando com mais crianças correndo por essa casa em datas comemorativas.
— E como tem sido a gravidez de Liana? — perguntou Penny, curiosa — Deve ser uma emoção para você, ser avó… Não vejo a hora dos meus filhos me darem essa alegria.
— Ah, Liana tem tido um momento delicado, se sentindo enjoada a maior parte do tempo, porém, nesta reta final da gravidez… Até o quarto do bebê já aprontamos — revelou Sophie.
— Que amor! — Penny se mostrou esperançosa para passar por este sentimento também, ver a família crescer com os herdeiros.
Eles ficaram por mais algum tempo na sala conversando sobre os preparativos do casamento e outros assuntos aleatórios. Durante todo aquele tempo, %Simon% pode perceber uma certa preocupação no olhar do irmão, mesmo que este se esforçasse para manter a aparência de estar tudo bem.
— %Sebastian%, podemos conversar um instante? — pediu %Simon%, ao se aproximar dele com discrição.
O mais velho assentiu e ambos se retiraram para a adega de vinhos. O lugar havia passado por mais uma reforma e estava novo em folha, seguindo a arquitetura moderna da casa. Assim que entraram, %Sebastian% deu alguns passos a mais na direção da mesa de provas, onde tinha algumas garrafas depositadas.
— Algum problema? — perguntou o mais velho.
— Eu que te pergunto — retrucou %Simon%, com o olhar sério para ele — O que está acontecendo, %Sebastian%?
— Não o entendo — ele virou para o irmão, e colocou as mãos nos bolsos da calça.
— Seu olhar está distante e preocupado — explicou %Simon% — E acho que não fui o único a perceber isso, mesmo você sendo muito bom em disfarçar.
%Sebastian% respirou fundo, voltando o olhar para o chão. Parecia refletir nas palavras do irmão.
— É alguma coisa com a %Nalla%? — insistiu %Simon%.
— Não a vejo desde o amanhecer, ela não me atende e… — ele suspirou, tentando manter o foco — Ela nunca foi tão silenciosa assim.
— Talvez esteja resolvendo algo da família dela — supôs o mais novo, avaliando a situação — Se tivesse acontecido algo, já saberíamos.
— Então, por que internamente não estou seguro com suas palavras? — ele suspirou fraco, movendo o olhar para a porta — Não que eu seja um homem possessivo, mas eu só queria saber onde ela está, se está bem.
— Após um tempo longe dela, é normal ter essa preocupação sempre que estiverem longe um do outro — brincou %Simon%, tentando tranquilizá-lo — Em breve %Nalla% entra pela porta com o olhar de
“nada está acontecendo”. Eles riram do comentário por um instante, até que o celular de %Simon% tocou, era uma ligação da matriarca Fletcher. O caçula olhou para o visor estranhando, porém, como já sabia sobre o jantar dos herdeiros, talvez o assunto fosse aquele. Tirando a atenção do irmão, ele atendeu a ligação de forma despreocupada.
— Sim, Fletcher — disse ele, ao atendê-la.
— %Simon%, seu irmão está perto? — perguntou ela, direta e precisa.
— Sim, está. — respondeu ele, estranhando — Se queria falar com ele, porque não ligou para seu número?
— Porque não acho que eu seja a pessoa mais adequada a lhe dar esta notícia — respondeu ela, em sua forma enigmática — E certamente a pessoa em questão me mataria se eu estragasse o jantar de noivado da Genevieve.
— O que aconteceu? — insistiu %Simon%, tentando controlar suas expressões faciais.
— A %Nalla% está desaparecida, ou melhor, sendo mais clara, ela foi levada por Andrei — %Simon% não conseguiu evitar de olhar o irmão, sabendo que o mesmo certamente reagiria bem pior que ele a esta notícia.
— O que aconteceu, %Simon%? — %Sebastian% conhecia bem o irmão para entender rapidamente que tinha algo errado com aquele olhar.
%Simon% encerrou a ligação sem aviso prévio, mantendo o olhar inexpressivo para o irmão, tentando decidir se falaria abertamente o que estava acontecendo ou se manteria segredo até o final da noite.
— %Sebastian%... — ele respirou fundo.
— Não precisa dizer mais nada — o primogênito remexeu no bolso e pegou o celular, discando o número da sliter.
— %Sebastian%, não — %Simon% pegou em seu pulso para impedi-lo, porém sem sucesso — Vamos voltar para o jantar.
— Que se dane esse jantar! — o olhar do Dominos ficou um pouco mais irritado pela atitude do irmão — Não sei o que quer me esconder, mas vou descobrir.
O mais velho continuou a chamada, esperando até que atendesse.
— %Nalla%? — disse ele, quase em alívio assim que a ligação foi atendida.
%Simon% ficou surpreso a primeiro momento, não entendendo como poderia aquilo.
— %Sebastian% Dominos… — a voz de Andrei soou sarcástica com um toque debochado.
O que de imediato fez com que o corpo do chefe Dominos gelasse, com um frio na espinha.
— Andrei Tenebrae — o olhar dele voltou-se para o irmão, entendendo em segundos a ligação que o mesmo recebera e sua reação cuidadosa — Onde ela está?
— Acho que você terá que descobrir sozinho. — uma risada rápida e maquiavélica soou do outro lado da linha.
— Se você tocar em um fio de cabelo… — antes que %Sebastian% pudesse finalizar sua ameaça, a ligação caiu fazendo-o jogar o aparelho na parede de raiva.
%Simon% permaneceu um pouco estático com a reação dele.
— Você sabia? — o olhar raivoso do irmão para ele, o deixou temeroso.
— Era a Donna Fletcher na ligação… — disse %Simon%, parando por um momento devido ao esbarrão do irmão nele — %Sebastian%? Aonde você vai?
Gritou ele, seguindo o irmão escada acima para a cozinha.
— Vou atrás dela — respondeu ele, se dirigindo para a garagem.
— Você não sabe a localização dela, onde ela estava — %Simon% começou a argumentar, tentando colocar razão em sua mente — Vai enfrentar essa chuva sem direção certa?
— Não importa, eu não vou ficar parado aqui — %Sebastian% o olhou, o desespero já era nítido em seu olhar, assim como a angústia que crescia em seu coração — Nem que eu tenha que varrer toda Chicago, mas eu vou achá-la.
%Simon% sabia que não teria argumento para mudá-lo de ideia.
— Eu cuido do noivado da Gen — assentiu %Simon%, entendendo a reação do irmão.
A lembrança do sequestro de %Jenie%, nunca foi tão nítida em sua mente quanto agora, e ao contrário do irmão que moveria céus e terra para encontrar a mulher amada, ele não tinha tido aquela mesma reação. Assim %Sebastian% pegou as chaves da moto e o capacete, ao montá-la olhou para o irmão.
— Obrigado, por… — disse o mais velho.
— Genevieve vai entender, todos vão — disse o caçula.
— Não conte a eles, não vamos estragar a noite da Gen — pediu %Sebastian%, também preocupado em não atrapalhar a noite mais feliz de sua irmã.
— Eu cuido de tudo por aqui, sabe que pode contar comigo — %Simon% entregou seu celular para ele — Me ligue se precisar e… Não quebre.
Mesmo naquela situação de desespero, os irmãos riram do comentário e o chefe Dominos deu partida e seguiu pelas ruas da cidade. Na mansão Dominos, %Simon% voltou ao escritório da casa e ligou para a matriarca Fletcher, seu irmão precisava pelo menos de uma coordenada para iniciar sua busca. Ao reportar a senhora a reação do mais velho, encerrou a ligação e retornou para sala, e claro que a ausência do imperador seria notada por todos. Contudo, mantendo as aparências, o masterchef da família tomou a frente da recepção, convidando a todos para a sala de jantar.
— O que está acontecendo? — perguntou Genevieve, ao se aproximar do irmão, pouco antes de tomar sua cadeira.
— Está tudo bem — disse ele, suavizando o olhar — Só deve se preocupar em aproveitar sua noite.
— E o %Sebastian%? — insistiu ela — %Simon%, eu sei que ele não se ausentaria do jantar por nenhum motivo banal.
— Gen, fique tranquila, vai ficar tudo bem.— disse ele, com mais segurança, mesmo não sabendo se estava certo ou não.
— Ok — assentiu ela, respirando fundo — Eu não acredito em você, sei que aconteceu alguma coisa grave, mas… Vou fingir que está tudo bem.
— Obrigado — ele sorriu de leve e piscou para ela.
— Você é meu segundo melhor irmão — brincou ela, rindo baixo.
— Eu sei que não dá pra ganhar do %Sebastian% — admitiu ele, a realidade, arrancando alguns risos dela.
A missão do masterchef era manter as aparências e não estragar a noite da irmã, dar sequência no jantar e assegurar que tudo ocorreria bem ali. Distante dali, %Sebastian% seguia sem rumo pelas ruas da cidade em meio ao temporal. Seu primeiro ponto de busca fora as instalações da Darko, no qual conferiu com o coordenador as gravações das câmeras de segurança o horário exato que sua sliter saiu do lugar, como também a direção para onde foi.
— Diga onde ela está Fletcher, diga que a encontrou — disse %Sebastian%, assim que atendeu o celular, após subir em sua moto.
— Ela estava no meio de uma ligação com a minha sobrinha e Annia Baker, a única coisa que tenho é a última localização desta ligação — explicou a mulher, também se sentindo frustrada por não ter as respostas que ele queria — %Simon% me ligou dizendo que está pelas ruas procurando por ela.
— O que quer que esteja fazendo, continue e a encontre — disse ele num tom de ordem, porém com forte traço de desespero — Donna.
— Eu me lembro da promessa que fiz à mãe da %Nalla%, não é o único que se preocupa com ela — retrucou Donna — Vou te enviar as coordenadas, foram carregadas há três minutos, eles ainda podem estar lá.
%Sebastian% apenas encerrou a ligação, visualizou as coordenadas e seguiu para o local, assim que chegou, ao longe ele já avistou a moto de sua sliter caída no meio da rua. Descendo rapidamente de sua moto, %Sebastian% retirou o capacete às pressas e correu até a moto caída, olhando em sua volta ele sentiu-se ainda mais impotente e desesperado. Seu coração angustiado sem saber o que poderia estar acontecendo com sua amada neste momento, o que o deixou ainda mais raivoso, e se abaixando para procurar pistas que poderiam ter sido deixadas por ela, não obteve sucesso.
— %Nalla%! — gritou ele, puxando o ar para seus pulmões se forçando a não se deixar abater por completo, entretanto, sentindo as lágrimas de raiva rolarem por seu rosto.
Vasculhando pelo perímetro, o Dominos encontrou o celular da sliter a poucos metros à frente. O aparelho molhado pela chuva parecia ainda funcionar, desbloqueando a tela, se deparou com o aplicativo de bloco de notas aberto e uma mensagem para ele.
— Boa sorte — leu ele, em sussurrou.
Um respiro fundo, para controlar suas emoções.
— Eu vou matar você, Andrei, da forma mais dolorosa possível… — afirmou %Sebastian%, como se fizesse um juramento sentindo mais lágrimas rolarem por seu rosto juntamente com as gotas de chuva — E nem o inferno poderá me impedir.
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— Uau… — as únicas palavras que %Mia% Sollary conseguiu proferir assim que a porta da mansão Dominos se abriu e ela entrou.
— Oi %Mia% — %Simon% respirou fundo, já não sabia o que fazer para trazer a razão para seu irmão — Obrigado por vir tão prontamente.
— O que aconteceu aqui? — perguntou ela, assustada com o caos apresentado na casa que seguia toda quebrada.
— %Sebastian% — foi a única resposta dele.
— Onde ele está? — indagou ela, mantendo o olhar nos cacos de vidro no chão.
— No que restou da adega — respondeu o caçula, suspirando fraco.
Após não encontrar nenhuma pista que o levasse a sliter, %Sebastian% chegou em sua casa pouco depois do jantar, o olhar frio e completamente transtornado com a possibilidade de nunca mais ver %Nalla%. Sem detalhes e explicações ele mandou que todos saíssem da casa, incluindo sua família que passaria os próximos dias hospedados na casa da família Village. Apenas %Simon% permaneceu na mansão Dominos acompanhando o irmão destruir cada pedaço da construção, enquanto descontava sua explosão de raiva pela realidade vivida.
O último lugar a desabar e o que mais conhecia esse momentos de fúria dos Dominos, foi a adega. Com as garrafas quebradas pelo chão e manchas de sangue nas paredes, que foram socadas pelo primogênito enquanto pensava em seu inimigo.
— %Sebastian%... — a voz de %Mia% soou da porta, aparecendo em seguida mantendo a atenção nele.
O homem se manteve sentado ao chão como estava, o olhar fixo na janela que adentrava os raios do sol. Após sua explosão de fúria, agora se mantinha apático e em silêncio, completando dois dias sem demonstrar mais nenhuma reação.
— Como… — %Mia% fixou seu olhar no copo de água cheio ao lado dele.
— Ele está assim depois que destruiu quase tudo — explicou %Simon%, mantendo o olhar no irmão — Sem comida e sem água, não sei o que fazer, por isso te chamei.
— Achamos que você tivesse uma ideia melhor para trazê-lo de volta — Isla apareceu atrás deles.
%Mia% voltou-se para ela, surpresa por sua presença.
— O que faz em Chicago?! — perguntou a residente.
— Sou tão amiga dele quanto você. — disse ela, num tom debochado — Mas… Estava de passagem por causa do noivado da Gen, meu voo atrasou mas cheguei no momento certo.
— Poderiam me deixar a sós com ele — pediu %Mia%, certa do improviso que estava traçando em sua mente.
— Tem certeza? — reforçou %Simon%.
— Estamos falando do %Sebastian%, eu o conheço muito bem para saber lidar com ele — assegurou ela.
%Simon% e Isla assentiram ao seu pedido, se retirando da adega em seguida, voltando para o nível superior da manhã. %Mia% se virou para adentrar mais no espaço, dando alguns passos até ele e se sentando ao seu lado, de frente para ele.
— Como você está? — perguntou ela, não sabendo como iniciar aquela conversa.
— Deixe que te arranquem seu coração e você saberá como eu estou. — respondeu ele, de forma seca e áspera.
— Eu não tenho palavras pra te… — iniciou ela, mais uma vez.
— Não diga — %Sebastian% a interrompeu, voltando o olhar para a amiga.
Inchados de tantas lágrimas e vermelhos de raiva. Ele queria agir mas já se sentia esgotado de forças e esperança.
— Você é %Sebastian% Dominos, nunca foi de se abalar, então… — %Mia% respirou fundo, juntando os argumentos certos para trazê-lo de volta a razão — Não há ninguém mais capaz do que você para encontrar a %Nalla%, vocês dois possuem uma conexão tão incomum e inexplicável que um atrai o outro a quilômetros de distância.
Aquele era um pequeno detalhe que a residente relutava em admitir que tinha inveja no casal. O quão ligados eram.
— Pense, %Sebastian% … Você nunca deixa um fio solto, com clareza e calma, mergulhe em sua mente e pense… Como você vai encontrar a %Nalla%? — insistiu ela, segura que certamente conseguira abrir os olhos dele, que foram tampados pelo desespero.
E assim aconteceu. Minutos de silêncio com o chefe Dominos refletindo nas palavras da amiga, enquanto repassava cada detalhe de todos os seus momentos juntos com a sliter. Até que voltou ao dia em que ela levou o primeiro tiro em seu lugar, o momento mais aflito que ele tinha tido até ali, e que como respirou aliviado assim que finalmente pode entrar no quarto das Instalações Darko, em que ela se recuperava.
— Você está certa — ele voltou a olhar para a amiga, agora com mais convicção e firmeza, fazendo-a sentir que ele tinha se lembrado de algo que pudesse ajudá-lo — Eu sou %Sebastian% Dominos.
Sim. O imperador havia encontrado a resposta que tanto buscava, no colar de aniversário em que deu a sliter. Por anos havia esquecido do objeto, afinal %Nalla% nunca o usava mantendo-o sempre dentro da caixinha guardado na gaveta, porém, desde o seu retorno para a vida do chefe, Miller começou a utilizar o colar de forma espontânea o deixando surpreso.
E o que tinha de tão especial no objeto?
Um dispositivo de rastreamento que ele havia colocado achando que sua sliter nunca descobriria.
You can call me monster.
Monster / EXO