22 • Miller
- Hostel Fletcher, Seattle
Se aconchegar entre os cobertores da cama de %Demeter% tem se tornado um hábito para Sollary, apesar de sua resistência em elevar o nível do relacionamento de ambos. Deitada ali, sendo aninhada pelos fortes braços do homem que a conquistara, seus pensamentos eram cada vez mais direcionados a todos os assuntos envolvendo a Continuum.
— Está silenciosa, isso me preocupa. — comentou %Demeter% — Problemas no hospital?
— Não e sim… Não é um problema, mas uma preocupação certa. — admitiu ela.
— Quer compartilhar? — insistiu ele.
— Minha prima disse que um dos residentes do hospital de New Orleans, é de uma família Draconis. — %Mia% ergueu seu corpo e olhou para ele — Eles estão mais próximos do que imaginamos, sabe lá que acordo meu primo fez com Andrei Tenebrae pra permitir isso.
— Não tem como demiti-lo? — perguntou %Demeter%.
— Sob qual acusação? Ele é o residente mais aplicado e dedicado, habilidoso e disciplinado, o melhor da equipe pra ser exata, o lado bom é que minha prima vai trabalhar diretamente com ele, a especialização que escolheu é a mesma que ela exerce. — explicou %Mia%.
— Sim. — ela soltou um suspiro cansado — Não sei se fico mais preocupada, ou aliviada por saber que minha prima está lá, ou desnorteada pelo envolvimento do meu primo sem saber até que parte dos nossos segredos ele revelou, com medo de um ataque de Andrei…
— Ei… — %Demeter% a puxou para ele, lhe abraçando com segurança — Calma %Mia%, vai ficar tudo bem, vamos conseguir lidar com isso juntos.
— Estou mesmo ouvindo o herdeiro Baker falar isso? — brincou ela, em sussurro.
— Confesso que também estou me estranhando há um tempo, nunca me imaginei nessa situação, querendo me envolver mais com a Continuum. — ele riu baixo — Também andei descobrindo histórias sobre o passado da minha irmã.
%Mia% se manteve a uma distância pequena, para olhá-lo.
— Sério? O que Annia te contou? — ela se mostrou interessada.
— Ela me contou que antes de ser adotada, foi parar no Orfanato Miral, o mesmo em que %Jenie% ficou até ser adotada pela Fletcher.
— Espera, então a %Jenie% não é a única suspeita de ser a herdeira Sollary, Annia também poderia ser. — supôs %Mia% — Ou qualquer outra garota desse orfanato.
— Não, se ela fosse, Donna Fletcher teria o máximo de cuidado com ela, não a deixaria ser exposta pela Continuum.
— Vamos pela teoria reversa então, sabemos que quanto mais se esconde, mais aquilo deseja ser encontrado, Annia estando a vista da Continuum, o Tenebrae jamais desconfiaria.
— Um exame de DNA seria a melhor forma de descobrir.
— Será que a Annia toparia?
— Carlise pediu para não fazermos nada relacionado a isso, mas continuo preocupado com %Jenie%. — %Demeter% desviou seu olhar para a janela — E não confio nele.
— Poderíamos esquecer um pouco esse assunto? — %Mia% o olhou enciumada — %Jenie% tem muitas pessoas para protegê-la a começar por %Simon% e %Joseph%.
— Hum… — %Demeter% sorriu de canto disfarçadamente.
— Ela já tem 2, Dominos e Bellorum. — ela o olhou sério e autoritário — Você é meu, Baker.
— Sempre seu. — admitiu ele, se inclinando mais para beijá-la de forma suave — Até o fim.
— Estava pensando, %Simon% se mudou do hostel, isso que fez pensar no assunto também. — comentou ela.
— Quer morar comigo? — ele olhou com mais interesse no assunto.
— Não exatamente, eu estava pensando mais em alugar um quarto na casa da Torres, o que era da minha prima. — explicou ela com inocência nas palavras.
— Assim você me mata sua mercenária. — reclamou ele, fazendo um olhar triste — Já estava me imaginando com você todas as manhãs juntinhos e conchinha.
— Você que lute, Baker. — ela riu dele.
— O que mais você quer de mim? — ele a puxou para mais perto — Já sou um tapete que você pisa sem o menor ressentimento.
— %Demeter% … — ela tentou argumentar as palavras dele.
— Até quando terei que provar que eu te amo? — o olhar dele ficou mais sério.
Ela tentou se afastar e esquivar da resposta, porém %Demeter% foi ainda mais rápido e a beijou mais intensamente. Desta vez o Baker não se daria por vencido e a fazia se render ao seu amor de uma vez por todas.
— Eu te amo, %Mia% Sollary. — sussurrou ele de forma envolvente para ela.
Lutar contra era um possível pensamento de %Mia%, porém desta vez sentir-se amada e protegida por ele, a deixava ainda mais vulnerável e entregue ao paciente que se tornou o homem que a conquistou por completo.
--
- Lawrence, Kansas
%Sebastian% controlou sua respiração e manteve seu olhar fixo no homem que procurava. Por dentro, seu corpo fervia de ódio e raiva. Se o tal Fisher realmente existia no lugar em que o bilhete falava, as chances das palavras da Tenebrae serem verdadeiras, só aumentavam. Dominos por um convite de Anastasia, sentou- se na cadeira ao seu lado. Apesar da sensual mulher jogar todo o seu charme para atrair sua atenção total para ela, os olhos dele somente conseguiam se manter voltados para uma só pessoa. É claro que Fisher havia percebido a energia que emanava do Dominos. E curioso, pediu para que Nickolas entregasse um recado a ele.
As horas se passaram e ao cair da noite, %Sebastian% estacionou o carro em frente a uma casa. A rua mais tranquila e silenciosa da cidade, onde as residências se mantinham ao estilo tradicional americano. Após respirar fundo e descer do carro, sentiu suas mãos tremerem um pouco, pensou em recuar e desistir, entretanto, um Dominos jamais desiste. A passos pesados, seguiu em direção a porta e tocou a campainha. Seu coração parou e voltou a bater, assim que o homem abriu a porta para recebê-lo.
— Entre, por favor. — disse Fisher, mantendo a serenidade da voz.
%Sebastian% entrou na casa, observando cada detalhe do lugar, desde a cortina de renda da janela da sala até a pedra decorativa da lareira. Tons terrosos compondo o ambiente que se entrelaçam ao estilo escandinavo proposto. Uma casa muito bem decorada e moderna internamente. O homem também o observou em silêncio, esperando que o Dominos terminasse sua análise inicial.
— %Sebastian% Dominos, não é? — perguntou o homem para confirmar a informação que o sócio lhe passara — Confesso que estou curioso para saber os motivos que lhe trouxeram à cidade.
— Serei direto, pois odeio desvios de assunto. — %Sebastian% voltou-se para ele — Como conhece a Continuum?
— Conheci recentemente, nem imaginava que pudesse existir uma sociedade tão organizada e próspera assim. — respondeu o homem, engolindo seco — Não conheço as famílias fundadoras, somente por nome, mas estou surpreso por ter um Dominos em minha casa agora.
%Sebastian% se manteve sério, voltando seu olhar para um porta-retratos em cima da lareira. Caminhando até o objeto, o pegou em sua mão. Logo o Dominos sentiu como se seu coração fosse apunhalado com uma adaga, ao ver a imagem de %Nalla% na foto ao lado de Fisher como um casal apaixonado acompanhados de duas crianças. Uma perfeita família feliz saída de revistas. Ele segurou suas emoções, respirando fundo.
— Sua esposa? — perguntou o Dominos.
— Sim. — afirmou Fischer.
— Está em casa? — continuou ele.
— Não. — respondeu o homem.
%Sebastian% colocou o objeto no lugar e voltou-se para ele. Por mais que racionalmente sua mente frisava para manter-se calmo, suas emoções fervilhavam de vontade de socar a cara de Fisher, até que não restasse um sopro de vida nele. Ao dar impulso, ele foi parado por outra presença. Uma pequena garotinha surgiu no ambiente, correndo em lágrimas e apreensão até o pai.
— Minha pequena. — Fisher pegou sua filha no colo, com carinho — O que houve, não deveria estar dormindo?
— Tive um pesadelo papai — respondeu ela, fungando — Quero a mamãe.
— Querida, a manhã não pode vir agora, sabe disso. — o tom compreensivo dele começou a acalmar a filha.
%Sebastian% não conseguiu reagir à cena. Logo suas lembranças de quando pequeno vieram em sua mente, das várias vezes que tivera pesadelos e corria para os braços de sua mãe.
— Quem é ele, papai? — a garotinha olhou para %Sebastian%, e enxugando as lágrimas sorriu — Boa noite, moço.
— Boa noite. — o Dominos conteve ainda mais suas emoções ao perceber que o olhar da criança lembrava o da sua sliter quando a conheceu na academia de Fletcher.
— Me desculpe por isso senhor Dominos, vou precisar de alguns minutos com essa mocinha. — disse Fisher seguindo para a escada — Se importa?
— Não, fique à vontade. — disse ele.
Assim que Fisher subiu as escadas e desapareceu do campo de visão dele, o Dominos não conseguiu permanecer ali nem mais um segundo. Saiu daquela casa apressadamente e voltou para seu quarto do hotel. Sua noite foi em claro, remoendo tudo o que tinha visto e se sentindo culpado por desejar a morte do pai de uma criança tão adorável. Imaginar outro homem tocando-a o corroía por dentro como ácido ingerido. Seu olhar no céu e as lágrimas escorrendo, só conseguia sentir raiva de si mesmo por ter se deixado apaixonar por alguém como %Nalla%. Um olhar inocente no início que lhe conquistou sem muito esforço, e agora se mostrava a mais dissimulada das pessoas.
—
Senhor Dominos? — a voz de %Nalla% soou no celular dele, ao atendê-la na alta madrugada.
Uma ligação feita diretamente da Itália.
— Sim. — ele segurou suas emoções, mantendo sua voz ponderada e controlada.
—
Todos os assuntos da vinícola estão resolvidos, estou com os relatórios anuais, houve um pequeno problema que já solucionei e a segurança da propriedade e do seu primo Guilhermo está estabelecida. — disse ela, sendo rápida e objetiva.
— Ótimo, volte para Chicago no primeiro voo. — ordenou ele.
—
Sim senhor. — ela encerrou a ligação.
Mesmo de longe. %Nalla% pode sentir uma diferença na voz dele. Algo que já lhe fazia entender o que tinha acontecido. Ainda mais pela informação que recebera de
Fulhan, o contato de Donna em Lawrence.
Ao amanhecer, %Sebastian% retornou para sua cidade.
Manteve-se silencioso boa parte do dia, esperando pelo regresso de sua sliter. Ao contrário do que esperava, sua mente se manteve limpa e estática. Apenas um pensamento martelando continuamente:
%Nalla% Miller. Sua atenção foi desviada quando sua prima Bella, que havia retornado de viagem horas depois dele, adentrou o escritório da adega para lhe reportar suas descobertas.
— Primo. — disse a mulher ao entrar com seu andar sinuoso — Sentiu minha falta?
— Não tanto quanto minha tia. — respondeu ele com serenidade.
— Isso é verdade. — ela riu baixo.
— Vamos ao que interessa. Como foi a viagem? — perguntou, mantendo-se sério.
— Ah, foi maravilhosa, tenho que te agradecer, fui a tantos... — e vendo o olhar pesado dele — Lugares. — e se voltando para a real pergunta dele — Produtiva, minha viagem foi produtiva.
— O que descobriu? Quem conheceu? — ele queria detalhes.
— Eu não fiquei somente na Europa como estipulou, fiz amizades com um membro da família
Morello e outro da família
Volth, ambos influentes na Austrália. — respondeu com precisão — E possuem algumas divergências com os Tenebrae...
—
Morello são detentores da madeira turca? — perguntou %Sebastian%, voltando o olhar para sua sliter que apareceu em seu campo de visão.
— Sim, e a fábrica deles é bem conceituada na indústria moveleira, sendo um dos melhores nas feira de Milão. — respondeu Bella com seus conhecimentos do assunto — Conheci também um membro desgarrado e rejeitado da família Vidal, acho que pode ser um aliado no território inimigo.
— Gostei da última parte. — %Sebastian% manteve o olhar em %Nalla%, que se aproximava em silêncio — Poderia nos deixar a sós, Bella?
— Claro, tenho outros assuntos me aguardando. — a mulher se retirou, curiosa para saber o que aconteceria ali em sua ausência.
%Nalla% esperou até que Bella saísse do seu campo de visão e fechasse a porta, então olhou para ele, mantendo-se firme como sempre.
— Estou aqui. — ela se pronunciou primeiro.
— Tem certeza? — ele se levantou de sua cadeira seguindo em sua direção — Tem certeza que está mesmo aqui?
— Do que está falando? — %Nalla% o olhou confusa, dando um passo para trás — Não entendo sua pergunta.
Nunca havia o visto com aquele olhar, que lhe causou um frio na espinha.
— Que engraçado não saber, sempre sabe tudo sobre mim não é? Cada passo, cada olhar, até mesmo conhece as variações da minha respiração… Já eu, sempre no escuro sobre você, mas agora descobri o seu segredo %Nalla% Miller, sua traição. — ele começou controlando o tom de voz e a raiva interna — Achou que a sua família de Lawrence ficaria oculta de mim para sempre? Que me faria de idiota enquanto me engana.
— Senhor… — ela tentou tomar a palavras.
— Cale-se. — ele alterou sua voz.
%Nalla% se assustou com aquilo. Ela sabia que as ações momentâneas de %Sebastian% eram por ter descoberto seu segredo mais oculto da Continuum. Não imaginava como Felícia havia descoberto sobre aquilo, e se tinha sido obra de seu irmão Carlise. Se o herdeiro Tenebrae havia lhe traído, Miller tinha contas a acertar com o mesmo. Porém, agora sua atenção se voltava para o homem em fúria à sua frente.
— Não quero mais ouvir suas mentiras, não quero mais olhar para a mulher que me engana. — seus olhos lacrimejaram, porém ele me manteve firme — Se mente sobre quem é, podes mentir sobre qual lado está… Você me fez te odiar %Nalla%, como eu nunca odiei alguém antes… Te dou dez minutos para desaparecer da minha vida.
Poderia argumentar, poderia pedir perdão, ou até mesmo implorar para que ele a entendesse. Porém, %Nalla% assentiu mantendo o olhar sereno e compreensivo. Apenas deixou as pastas com os relatórios em cima da mesa e se retirou. Os dez minutos foram utilizados para pegar sua espada e as armas que tinha guardado, ela só precisava disso, além dos documentos no bolso interno do casaco. A garantia de sua segurança enquanto estivesse afastada. E sim. Miller sabia que retornaria em algum momento para a vida dele, por isso, não se deixaria abater pelas intrigas geradas pelo inimigo.
Ele permaneceu em silêncio por um tempo, até que do andar superior pôde-se ouvir os barulhos gerados por sua fúria reprimida. Sophie achou estranha a saída indecifrável de %Nalla% logo após o seu retorno de viagem, ela tomou impulso para descer a adega, porém foi barrada pela filha. Bella conhecia bem os estados emocionais do primo com raiva, já havia visto muitos deles.
— Não mãe, é melhor deixá-lo sozinho, não sabemos o que está acontecendo entre a sliter e o imperador. — aconselhou ela, utilizando o apelido que dara ao primo.
A tia Dominos assentiu as palavras da filha e voltou seu olhar para a porta que dava para a adega, ouvindo mais barulhos ainda vindo do lugar. Se havia alguém além da sliter que poderia acalmar a fúria de %Sebastian%, esse alguém é o irmão caçula que sempre estava ao seu lado. Sophie não perdeu tempo e ligou para seu sobrinho a fim de pedi-lo ajuda ao irmão.
Não estava nos planos de %Simon% deixar sua delicada bailarina sozinha antes da hora. Contudo, como a mesma estava se programando para a viagem rumo ao seu sonho e um concurso de dança, valia o sacrifício. %Simon% já imaginava que algo sério poderia ter acontecido ao irmão, já que sua presença em Chicago era necessária com urgência. Horas de voo depois, o Dominos caçula desembarcou no aeroporto particular da Continuum, seguindo diretamente para casa.
— Boa noite. — disse %Simon% assim que foi recebido na porta pela criada e entrou na mansão — Geny!
— %Simon%! — sua irmã seguiu ao seu encontro e o abraçou — Que bom que está aqui, nossa tia te ligou, mas achei que não pudesse vir.
— Bem, eu tinha alguns compromissos em Seattle, mas posso adiá-los. — relatou ele.
— Está bem, contratei um sliter para cuidar da segurança dela. — contou ele, voltando o olhar para a escada.
Sua tia descia com toda pompa e um sorriso esperançoso ao ver seu sobrinho.
— %Simon%. — Sophie manteve seu olhar nele — Quem bom que chegou.
— Olá, tia. — cumprimentou ele.
— Não sei o que fazer, seu irmão está há dois dias trancado naquele escritório sem ver a luz do sol sem falar com ninguém. — disse a mulher controlando seu desespero — Nunca imaginei que isso pudesse acontecer.
— Aconteceu algo entre ele e a %Nalla%? — perguntou %Simon%.
— A sliter foi embora. — respondeu Genevieve.
%Simon% não sabia o que poderia ter acontecido, mas sabia que era grave. Ele tinha conhecimentos do amor que o irmão sentia pela sua segurança pessoal. Sabia o quão %Sebastian% se colocava dependente da sliter mais habilidosa que a Continuum já conheceu. O que deixava o caçula Dominos ainda mais preocupado com o estado do irmão enclausurado.
— %Sebastian%? — %Simon% deu dois toques na porta — %Sebastian%, sou eu, %Simon%, abre, por favor.
Nenhuma movimentação voluntária ocorreu do lado de dentro.
Com a chave mestra da casa, ele deu a volta na fechadura e girou a maçaneta. Ao entrar no escritório, o corpo de %Simon% congelou a princípio ao ver a destruição gerada no lugar. Algo que lhe testificou que o assunto era mesmo grave, para deixar o irmão naquele estado de fúria. Entrando com cautela pelos cacos de vidro espalhados pelo chão das garrafas quebradas, fechou a porta e seguiu até o irmão que estava sentado no chão, encostado na parede com o olhar distante direcionado para o teto.
— %Sebastian%. — ele respirou fundo, se sentando ao lado dele — O que aconteceu?
— A verdade aconteceu. — o Dominos soltou um suspiro fraco.
— Pode me dizer por que a %Nalla% foi embora? — indagou %Simon% com cautela.
O silêncio se estabeleceu entre eles por um tempo.
— Eu só queria por um dia não ser o %Sebastian% Dominos… Só um. — ele voltou seu olhar cheio de lágrimas, amargura, raiva e frustração para o irmão — Não ser eu por um dia e não sentir essa dor agora.
— O que a sliter fez? — insistiu.
— Me fez odiá-la. — sussurrou %Sebastian%, voltando o olhar para o teto novamente.
%Simon% conseguiu ver uma lágrima escorrer no rosto do irmão. Era surpreendente vê-lo naquele estado de vulnerabilidade. O que o chefe Dominos sentia por sua sliter não era uma mera fascinação por suas habilidades, ou paixão passageira. %Sebastian% havia entregado tanto seu coração quanto toda sua vida a ela, e agora não se sentia com forças o bastante para se reerguer das cinzas.
--
- Hotel Village, Seattle
Longe de Chicago, havia algumas contas a acertar. %Nalla% estava em frente à porta da suíte do herdeiro Tenebrae. Assim que o homem abriu a porta, não teve nem mesmo a oportunidade de se pronunciar. Miller deu um chute em sua barriga o jogando para mais dentro do ambiente, encostando a porta, fechou seus punhos para socá-lo, porém Carlise se esquivou em sua defesa e ergueu mais o corpo para se equilibrar. Ela continuou avançando contra ele, deixando extravasar sua raiva por ter sido temporariamente demitida.
— O que está fazendo? — perguntou ele, tomando distância dela — %Nalla%?
— O que disse a sua irmã? — perguntou ela, lançando sua perna na cara dele, o derrubando novamente — O que disse a ela?
— Sobre o quê? — ele alterou a sua voz sem entender o que acontecia, se levantando novamente respirando fundo — Que acusação é essa?
— %Sebastian% foi até Lawrence. — disse ela com um olhar ameaçador — E alguém vai pagar por isso.
Ela avançou contra ele novamente, que se defendeu segurando-a pelos pulsos, pressionando seu corpo contra a parede. Porém %Nalla% deu uma cabeçada em Carlise o tonteando e girando o corpo, o pressionou contra a parede mantendo o salto do seu sapato no pescoço dele.
— O que você você contou a sua irmã? — repetiu ela a pergunta.
— Senhor Tenebrae… — a voz de Yasmin soou mais atrás no susto ao ver a cena.
%Nalla% sacou a arma das costas de sua calça e apontou para a moça.
— Nenhum movimento em falso, feche a porta e se sente no sofá, estamos somente conversando. — ordenou %Nalla% em seu habitual tom firme e seguro — Se gritar ou chamar alguém, vou me esquecer que é uma Fletcher e atirar sem dó.
— Faça... o que ela... diz. — disse Carlise em dificuldades.
— Sim senhora. — Yasmin assentiu e fechando a porta, se sentou com ordenado.
%Nalla% voltou o olhar para o Tenebrae.
— Onde estávamos? — perguntou ela com ironia.
— Não podemos conversar como pessoas civilizadas? — pediu ele.
Ela assentiu se afastando do homem. O recado inicial já havia sido dado, e ela já tinha extravasado sua raiva acumulada. Carlise tossiu algumas vezes recuperando o fôlego e caminhou até o espelho para ver o estrago em seu pescoço.
— A mesma esquentada de sempre, você não muda, Miller. — comentou ele, olhando as marcas do arranhado do salto dela.
— Pare de rodeios. — a sliter guardou a arma novamente e encostou na parede, observando ele.
— Confesso, precisei falar algumas coisas sobre você a minha família, eles estavam desconfiando de mim, reclamando que não lhes dava respostas e curiosos sobre você, principalmente a Felícia. — Carlise começou a se explicar — Acho que já percebeu a obsessão dela pelo seu chefe, não tive outra escolha e dei o que eles queriam para achar que estão um passo à frente.
— Poderia ter enviado para outro caminho. — retrucou ela.
— Miller, nós dois sabemos que Fisher não é o seu maior segredo. — ele voltou o olhar para ela — E que precisava de alguma forma desviar a atenção da Continuum.
— Mas agora eles podem ficar em perigo. — argumentou a sliter — Se alguma coisa acontecer a eles…
— Calma, está tudo sob controle, eu analisei todos os prós e contras, não se preocupe, já estão sob proteção direta de Donna Fletcher. — assegurou ele — Agora que está longe dele, e mais calma, o que pretende fazer?
— Não ficarei longe dele, %Sebastian% precisa de mim, mesmo achando que me odeia agora. — respondeu ela, se mostrando mais tranquila.
— Então pretende contar toda a verdade a ele? — Carlise a olhou curioso.
— Penso que será divertido deixar uma trilha de migalhas… E vou precisar de você para isso. — respondeu ela segura de suas palavras.
— De mim? — ele ficou surpreso.
— Um Tenebrae semeou a discórdia, nada mais justo que outro Tenebrae se responsabilize por reparar o estrago. — explicou mais precisamente — Há quanto tempo não escreve cartas?
Carlise sorriu de canto, movendo seu olhar para Yasmin que observava ambos impressionada com o que presenciava.
Você me destrói assim
Eu vou parar, não quero mais você
Eu não consigo mais fazer isso, que merda
Por favor, não me peça mais desculpas.
- I Need U / BTS