55 • Herdeira Tenebrae
Anos atrás…
Outono de 2012
Era fria madrugada de outono, as folhas das árvores dançavam pelo chão ao sopro do vento. A passagem principal para todas as residências naquela região tinha sido bloqueada pela última tempestade. Porém, havia uma estreita estrada de terra que levava a uma pequena fazenda, ao sul do estado de Oregon, próximo à cidade de Cliron. Esta, carregava o sobrenome da Família que morava nela:
Dominos.
Uma modesta casa construída bem ao centro da fazenda, toda de madeira maciça, assim como os dois celeiros que haviam atrás. Um desejo de sua saudosa esposa, realizado pelo patriarca da família em 1957, quando adquiriu o terreno após cobrar do amigo uma dívida de jogo. William Dominos era um respeitável homem que participou de muitas guerras, se saindo bem em todas e prosperando seu lar. De geração a geração, aquela fazenda tinha sido passada.
Mas, naquele dia, em toda a extensão da fazenda, havia restos do que deveria ter sido uma feliz festa de casamento. Que notoriamente foi interrompida. A casa estava revirada, com marcas de tiros, cortes e garras nas paredes e no piso. Portas e janelas quebradas. Na porta de entrada, uma mulher encapuzada se mantinha parada, tentando entender tudo que estava vendo. Ela tocou de leve na marca de madeira queimada em ferro quente, que havia no marco da porta e sentiu um calafrio em seu corpo. Entrando na casa, pôde sentir um cheiro forte de sangue entrando em suas narinas, logo sentiu seu estômago embrulhar e levou a mão na boca.
Olhando de onde surgia o cheiro, viu uma poça de sangue atrás da porta que dava para o porão. Adentrando mais na casa ela foi até a cozinha e se deparou com duas pessoas estiradas no chão, podia ser visto claramente as marcas em seus corpos, as roupas ensanguentadas e rasgadas. De repente, uma gota de sangue caiu em seu ombro, ao sentir seus olhos se voltaram para o teto de imediato, viu uma mancha de sangue do que seria de outro membro da Família em um dos quartos no segundo andar.
Ela tentou manter o foco, mas o desespero começou a tomar conta, e no calor da angústia, somente uma pessoa vinha em sua mente. A mulher começou a vasculhar os cômodos da casa, procurando, e ao sair na varanda dos fundos, ela ficou ainda mais perplexa com a cena, vários corpos caídos sobre o solo misturados aos destroços dos móveis do jardim. Fechou seus olhos por um momento ao sentir as lágrimas se formarem no canto dos olhos, o coração já acelerado de ver tanto horror à sua frente, uma família completamente dizimada.
Respirando fundo, não poderia perder o foco, não agora, não desistiria daquela pessoa que tanto queria encontrar. A pessoa em especial que, quando criança, a ajudou no momento mais difícil de sua vida, ela devia muito a ele. Se movimentando de forma rápida, ela foi olhando corpo por corpo e identificando alguns. Parando por um momento ouviu um gemido vindo do milharal próximo. Quanto mais perto chegava, mais ela conseguia identificar o som como um grito preso de dor.
Uma pessoa estava, sim, agonizando. Suas roupas um pouco rasgadas, seu corpo machucado e baleado, seu rosto metade ensanguentado. Porém, tudo isso não a impediu de identificar a pessoa, era ele quem ela tanto procurava. Se ajoelhando ao seu lado, ela rasgou uma parte da sua blusa, vendo que seu ombro estava baleado, assim como sua perna direita. Tentou limpar o rosto dele, controlando seu desespero em vê-lo naquela situação.
— %Sebastian% — disse ela segurando as lágrimas, teria que ser forte para ajudar seu único e melhor amigo.
— Isla... — ele tentava falar, mas o sangue que escorria de sua boca o impedia e sua visão embaçada não o deixava ver o rosto dela.
— Calma, não diga nada. — Ela encaixou sua mão nas costas dele, o virando de lado para não engasgar com o sangue. — Estou aqui, vou cuidar de você.
Ela começou a pensar no que poderia fazer, tinha aprendido primeiros socorros nos tempos de colégio, mas ali estava completamente sem recursos.
— Meu... — O dedo indicador de Isla encostou em seus lábios.
— Não se preocupe, seu irmão vai ficar bem. — Ela tentou analisar a situação, então rasgou mais dois pedaços da blusa dele, amarrou na perna que esvaía sangue, e com o outro pedaço pressionou no ombro dele. — Vou te levar para casa, vai ficar tudo bem. Você consegue se levantar?
— %Simon%... — %Sebastian% cuspiu uma grande quantidade de sangue. — Não posso... perder... meu irmão.
— %Simon% está em segurança, não se preocupe. — Isla respirou lentamente, tentando superar todo aquele cheiro de sangue que havia no ar de to do o terreno da fazenda, que embrulhava seu estômago. — Agora preciso cuidar de você, %Sebastian%.
Com dificuldade, ela o ajudou a se levantar e, quase arrastando-o, levou seu amigo para a casa e o colocou deitado sobre o sofá da sala. Ela correu até o banheiro, procurando algum tipo de kit que ajudasse ela naquele momento, até que ouviu o barulho de um carro vindo do lado de fora.
— Então, esta foi a ruína dos Dominos — disse uma voz feminina que escondia seu olhar triste atrás dos óculos escuros. Se aproximava de Isla, em passos suaves.
— Donna Fletcher. — Isla a olhou de forma séria, porém com surpresa no olhar. — Como chegou aqui?
— Segui os rastros do caos, os tiros e gritos... — Ela retirou os óculos, mesmo assim sua face ainda era um pouco coberta pelos sedosos cachos dourados que seu cabelo formava.
— Ele não está aqui — disse Isla se referindo ao pai de %Sebastian%. — Mesmo sabendo que sua família seria atacada, ele não veio protegê-los.
Um gosto amargo de revolta veio sobre a boca de Isla.
— Ele não pôde vir. — Donna deu mais alguns passos até ela, a suavidade em sua voz era uma característica sua.
— Preciso de ajuda. — Isla segurou as lágrimas ao lembrar-se da face de %Sebastian% ensanguentada. — Por favor.
— Estou aqui para isso — assegurou a mulher. — Foi exatamente Isador que me enviou aqui, ele sabia que um dia isso aconteceria.
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Atualmente, outono de 2019
Instalações Darko, Manhattan
Sete anos se passaram desde o dia em que uma família fundadora havia sido atacada e a guerra começou. Sete anos em que Lionel Tenebrae se manteve no comando de sua família, perseguindo inocentes. Sete anos de busca pela verdade que apenas poucas pessoas sabiam: quem era a herdeira Tenebrae.
Se antes achavam que a reunião mais esperada do ano fora o jantar dos herdeiros, a
Assembleia dos Fundadores era considerada ainda mais importante e necessária para as cinco famílias. E sendo a única pessoa com direitos de convocar tal evento por sua família ter sido boicotada, afinal, era para os Sollary estarem à frente da Continuum, %Mia% deu o passo que seu pai não teve coragem. Talvez por Gregori se intitular neutro ou por medo de represália, o médico patriarca apenas mantinha sua preocupação em seus negócios. Entretanto, nem mesmo o silêncio dele o havia protegido da fúria de Andrei.
Em uma mesa redonda, estavam os herdeiros e chefes das cinco famílias, juntamente com a líder dos sliter Donna Fletcher e sua herdeira. A sala era exatamente ao centro do andar de maior destaque das Instalações, com paredes de vidro que permitiam os olhares curiosos dos demais membros das famílias que presenciaram a reunião do lado externo. O clima estava visivelmente pesado, principalmente após a chegada de Lionel, que manteve seu olhar de superioridade para todos os outros, principalmente %Mia%.
— Boa tarde a todos — disse %Joseph%, em seu tom mais sério e firme, levantando-se da cadeira destinada a ele. — Todos sabemos o propósito desta Assembleia, uma acusação foi feita e provas apresentadas. Sendo o herdeiro dos Bellorum e minha família a responsável pela ordem na Continuum…
Ele se esforçou para conter seu olhar, ao mesmo tempo que estava feliz pela presença de %Jenie%, seu coração seguia partido por saber que a escolha da bailarina não havia sido ele. Uma respiração profunda, e retomando ao seu raciocínio…
— Declaro Lionel Tenebrae réu, responsável por todas as ações de seu sobrinho Andrei Tenebrae; responsável pelo ataque à família Dominos e morte dos seus membros; responsável pelo desaparecimento de Isador Dominos e sua esposa; responsável pelo acidente de Godric Tenebrae e por usurpar um lugar que não lhe pertence — finalizou ele, resumindo a lista de acusações contra o homem.
Logo o murmúrio do lado externo chamou a atenção, pois os filhos de Lionel protestavam, assim como os outros que assistiam o acusavam, juntamente com os neutros que discutiam entre si, se eram realmente verdadeiras as acusações. Não precisou mais do que um olhar de %Joseph% para que até mesmo seu avô, o general Bellorum, entendesse a necessidade do silêncio e ordenasse a todos que aquietassem.
— E esta jovem residente fez todas estas acusações contra mim?! — indagou Lionel, não se importando de imediato com sua situação.
— Sim. — %Mia% também se levantou, e retirando duas pastas da bolsa ao lado de sua cadeira, as colocou educadamente em cima da mesa. — Todas as provas reunidas e apresentadas aos Bellorum.
O olhar de Sollary voltou-se para o velho general por um momento.
— E desta vez, sem nenhuma chance de ser destruída. — Ela voltou seu olhar para Lionel, mostrando que sabia muito bem sobre a amizade de ambos, que dificultou o processo de justiça.
— A família Baker apoia as acusações, chefe e herdeiro — Annia se pronunciou, após bebericar seu cappuccino, com o olhar tranquilo e sereno de quem sabia de toda a verdade e só estava ali para acompanhar o desenrolar das coisas.
%Demeter%, sentado entre ela e a esposa, assentiu com o olhar. O herdeiro Baker também estava de poucas palavras, sua atenção estava na filha e no sobrinho, que permaneciam concentrados na tela de um celular com fone de ouvido do lado externo. Mesmo sendo crianças, faziam parte das famílias e era necessária sua presença no ambiente. Annia voltou seu olhar para as duas cadeiras vazias ao lado de Lionel, a qual pertencia aos Dominos. Ambos os irmãos, ainda ausentes por um motivo.
— Como chefe da família Tenebrae e atual presidente da Continuum, tenho o pleno poder de revogar estas acusações. — Lionel sorriu de canto, achando-se já vitorioso, ao lançar seu olhar superior para %Joseph%. — Então, esta Assembleia não se faz necessária.
Pelo silêncio seguro de %Joseph%, que voltou o olhar para o irmão sentado na cadeira do lado, levou apenas alguns segundos para que o sorriso de Lionel se desfizesse.
— Você não pode revogar — disse Annia num tom baixo, dando uma pequena gargalhada no final.
— E por qual motivo não posso?! — indagou ele.
Mais um silêncio pairou sobre o lugar, com o olhar de todos voltando-se para o elevador que se abria naquele exato momento, revelando as pessoas que estavam nele.
— Por que a partir de hoje não será mais o chefe dessa família — declarou %Joseph%, seguro de suas palavras. — Este posto pertence à herdeira Tenebrae.
— Ela está morta — disse Lionel, convicto de suas informações.
— Foi isso que Andrei te contou? — A voz de %Sebastian% soou assim que adentrou, acompanhado, a sala, então riu baixo. — Você acobertou todos os rastros de destruição de Andrei, e ainda assim ele te traiu e te jogou aos lobos.
— Do que está falando?! — Lionel se colocou de pé, percorrendo seu olhar pela sala até chegar em sua família.
%Simon%, que estava logo atrás do irmão, permaneceu em silêncio e, se distanciando, assentou na cadeira vazia a qual lhe pertencia.
— Pai, como seu primogênito, quero te apresentar a herdeira do tio Godric. — O tom de Carlise foi baixo, porém rígido, com seriedade no olhar transmitindo uma ponta de desaprovação pelo que o pai fizera. E estendendo a mão para a mulher ao seu lado.
— %Nalla% Joanne Tenebrae — pronunciou Carlise, olhando para ela com mais suavidade.
— Impossível… — sussurrou Lionel, ao manter seu olhar naquela que era apenas uma sliter.
— Por que eu sou uma sliter? — indagou %Nalla%, mantendo sua postura impecável diante dele.
Mesmo ainda em recuperação, ela jamais deixaria de estar presente.
— Adeline Ross não teve apenas uma filha, ela teve duas, gêmeas idênticas — declarou %Mia%, ao abrir uma das pastas. — Meu tio, Gustav Sollary, foi o obstetra que fez o parto e, com a ajuda de Isador Dominos, escondeu as crianças.
— O que significa que o posto em que está, não lhe pertence mais — completou %Joseph%, agora, com um sorriso de canto.
— Como a herdeira Tenebrae, eu, %Nalla% Joanne Tenebrae, lhe deposto do porto de chefe da nossa família e entrego esta tarefa a Carlise, seu primogênito, por sua lealdade ao meu pai, Godric, e por me ajudar a guardar todas as provas que comprovam minha legitimidade — disse a sliter com segurança e mantendo o olhar fixo no réu.
Diante dos fatos, o corpo de Lionel caiu sobre a cadeira que sentava, como se tivesse perdido todas as suas forças.
— Por todos os seus crimes irrevogáveis, como herdeiro Bellorum, o declaro culpado e sob as leis que regem a Continuum, Lionel Tenebrae, você pagará por seus crimes. — %Joseph% se mostrou enfático na sentença, gerando mais barbáries do lado externo e uma comoção da família Tenebrae.
Por mais que %Sebastian% quisesse derramamento de sangue naquela tarde, desde o início, todos os assuntos sérios eram sempre tratados com diálogos. Uma tradição que iniciou com os cinco amigos fundadores que se perdeu pelos anos após a amizade entre as famílias ser quebrada pela inveja, ganância e soberba de Lionel e Andrei.
— Achei que seria mais difícil — comentou %Jenie% com sua avó, ao observar Lionel desolado, enquanto era levado pelos agentes da Darko.
— Lionel sempre foi o lado pacífico da história, nunca sujou suas mãos, pois tinha o sobrinho para fazer isso — explicou Donna, também observando a saída do homem. — Agora a verdadeira guerra começa.
— Fala do Andrei?! — %Jenie% moveu seu olhar para ela. A matriarca Fletcher apenas assentiu, contendo sua preocupação interna, por saber que não seria fácil a continuação desta história.
Assim que os agentes levaram Lionel, seu primogênito voltou a atenção para a agora, oficialmente, sua prima.
— Obrigado por ter mantido isso de forma pacífica. — Carlise soltou um suspiro aliviado.
— Eu também sei cumprir minha palavra, há muitos meios de se pagar pelos erros — disse %Nalla%, aceitando o agradecimento dele. — Obrigada por aceitar ficar à frente da família.
— Eu que agradeço por mais essa confiança. — Ele sorriu de leve. — E como vai ficar a cadeira da Continuum?
— Nas mãos da pessoa que nasceu para isso. — O olhar dela se voltou para %Sebastian%.
— E como sabe que ele não vai se corromper?! — indagou o primo, preocupado com o efeito que tamanha responsabilidade tinha em alguém.
— Eu sou a sua consciência — garantiu ela, com o olhar esperançoso.
Um novo tempo estava nascendo para os herdeiros e chefes das famílias. Um tempo em que após sete anos de incertezas e injustiças, agora estava caminhando para a verdade. A amizade que criou a Continuum e uniu a todos, finalmente havia sido restaurada pela nova geração, e certamente se estenderia às posteriores através da lealdade da residente %Mia%
Sollary, do mecânico %Demeter%
Baker, da executiva Annia
Baker, do detetive %Joseph%
Bellorum, do chef de cozinha %Simon%
Dominos, do CEO %Sebastian%
Dominos, da sliter %Nalla%
Tenebrae, com a adição de %Jenie%
Fletcher e Cedric
Lewis.
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Meses depois…
Algum lugar do Texas
— Bom dia, flor do dia — disse %Sebastian%, assim que seus olhos se abriram, e pôde contemplar o rosto de sua amada.
— Bom dia… — sussurrou %Nalla% ao se espreguiçar de leve.
Ambos, assim como o restante dos herdeiros amigos, estavam desfrutando de uma semana agitada no Acampamento Fletcher, acompanhando o Torneio dos sliters aprendizes e podendo ver o quão habilidosa %Jenie% havia se tornado.
— Meses se passaram e ainda não me disse como irei assumir a Continuum se você pode apenas passar o cargo para alguém da sua família — indagou %Sebastian%.
— Você se preocupa demais — disse ela com serenidade ao se levantar da cama e caminhar até a janela.
— Me preocupo?! — Ele bufou de leve e se levantou logo atrás, detestava o jeito misterioso com que ela lidava com tudo. — Não seria assim se me contasse as coisas, tive que descobrir sozinho sobre você ser a herdeira.
%Nalla% se virou para ele e lhe deu um sorriso tão doce e sutil que o fez se esquecer de sua chateação por um momento.
— Por um momento vamos apenas viver o hoje — pediu ela, ao se aproximar dele e lhe roubar um selinho. — Vamos viver a segunda chance que nos foi dada…
— Por que está falando assim?! — indagou ele, com o olhar preocupado.
— A Assembleia… Me fez refletir e ver que também temos sangue nas mãos. Lionel não é o único, e também pagamos por nossos pecados — explicou ela, respirando fundo. — Se quer saber… Eu ia lhe fazer uma surpresa, mas posso te responder agora.
%Sebastian% apenas permaneceu sério e silencioso, porém, envolvendo seus braços na cintura da mulher, trazendo-a para mais perto.
— Você se lembra da nossa primeira noite juntos? — perguntou ela, atenta às expressões pensativas dele.
— Sim — assentiu ele, dando um sorriso de canto. — Meu coração nunca se manteve tão aquecido quanto naquela noite, o melhor Natal de todos…
— Então… O que mais se lembra daquele dia? — continuou ela, com seu passo a passo de revelação.
— Tivemos algumas reuniões pela manhã e… — Ele foi vasculhando sua mente. — Eu assinei alguns papeis, mas não os li… Por confiar em você.
— Não existem apenas laços sanguíneos em uma família — assegurou ela. — O matrimônio também é considerado.
— Matrimônio?! — Ele engoliu seco, sentindo seu coração acelerar.
— É a única forma, senhor Dominos — explicou ela, o fazendo entender. — Pode me chamar de senhora Dominos, após repetirmos nossa noite de núpcias.
%Nalla% ergueu seu corpo iniciando com um beijo suave, não lhe dando tempo de reação, apenas fazendo-o corresponder com mais intensidade e amor que sentia em seu coração.
Distante do quarto superaquecido, em uma caminhada matinal para se alongar, estava %Jenie% acompanhada de seu novamente namorado, sendo observada a distância por seu treinador.
— Ele não dá mesmo descanso — brincou %Simon% ao segurar a mão da moça e a puxar para mais perto.
— Tecnicamente, eu preciso me manter concentrada — explicou %Jenie%. — Hoje terei a luta mais aguardada da minha vida, em que vou provar meu valor como herdeira da minha avó.
— Por isso escolheu lutar com a %Nalla%?! — perguntou ele, curioso.
— Eu não posso escolher meu próprio treinador, e ela é a número 1 — respondeu de imediato a lógica da situação.
— Entendi. — Ele riu de leve e, parando, lhe roubou um selinho rápido.
— %Simon%?! — %Jenie% tentou repreendê-lo, porém sem sucesso.
As horas se passaram, e os preparativos no galpão a todo vapor. Por ter conquistado o topo dos aprendizes, %Jenie% obteve o privilégio de uma luta especial com o top 5 de sliters. Agora, ela estava frente a frente com sua melhor amiga, e cheia de ansiedade por tudo o que havia vivido desde o dia em que conheceu %Simon%, no hostel de sua tia Beth. A doce bailarina não era mais uma garota inocente que a família escondia e protegia, agora ela era uma sliter herdeira em treinamento, e se sentia mais forte por isso.
— Não pense que eu vou pegar leve com você — disse %Nalla%, num tom suficiente para que todos escutassem.
— Não se contenha, amiga — pediu %Jenie%, arrancando cochichos de todos.
Ambas estavam ao centro do lugar, e várias cadeiras em volta. Seus amigos sentados na primeira fileira, juntamente com Donna e Collins. Os outros sliters de pé, atentos ao momento mais esperado da semana de competições.
— Cuidado, %Nalla%, não se esforce muito, já é pesado demais para uma grávida lutar contra uma aprendiz, mesmo sendo a sua amiga! — disse Annia, revelando a surpresa da amiga, que seria contada após a luta.
…
7 anos de história
Será por isso que é ainda mais especial?
- Friends / BTS
Amizade: "O amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade."
[ Provérbios 17:17 ] - Pâms
Fim