23 • Mudanças
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Algum lugar de Seattle.
Era estranho para %Mia% se imaginar morando com alguém, principalmente quando esse alguém se chamava %Demeter%. Ela tinha a estabilidade financeira e independência que sempre sonhou desde que foi para a universidade. Agora, tinha o fator Baker a ser considerado. Por mais que quisesse ficar perto dele, ainda tinha algo que a fazia se manter afastada. Entretanto, ela havia conseguido um acordo satisfatório com o homem, sendo oficialmente vizinhos. Baker havia conseguido dois apartamentos no mesmo prédio em que %Simon% comprou o seu.
Não era bem isso que Baker imaginou quando propôs uma saída estratégica do hostel, mas já se dava por satisfeito em ter uma cópia da chave dela em seu chaveiro.
— O cheiro está gostoso. — disse ele, ao abraçá-la por trás, olhando para o que ela tanto preparava no fogão.
— Vai por mim, o sabor estará melhor ainda. — assegurou ela, ao desligar a trempe do fogão.
— Não sabia que minha doutora também tinha aptidão para gastronomia. — ele deu um beijo de leve no pescoço dela, lhe causando cócegas.
— Bem, também tenho meus segredos. — brincou ela ao se virar para ele, envolvendo seus braços em seu pescoço — Viu como é bom estarmos assim e sermos vizinhos? Assim nenhum enjoa da cara do outro.
— Eu jamais vou me enjoar de te olhar. — ele se manteve sério — Já você…
— Não comece, ainda estou me acostumando com a nova realidade. — ela deu um selinho nele — Confesso que gosto de estar no controle de tudo.
— Você já controla tudo em mim. — ele soltou um suspiro cansado — Agora fiquei curioso para saber como era seu namoro com o Dominos.
— Bem… Foi por isso que não deu certo. — ela riu — Ambos queríamos mandar.
— Ok, então o segredo é fazer você pensar que manda. — ele sorriu de canto.
E girando seus corpos, a colocou sentada na bancada, lhe dando um beijo intenso em seguida.
— Que abusado… — sussurrou ela — Está tentando me enganar então?
— Descobri seu ponto fraco, Sollary. — ele sorriu de canto — Eu disse que seria minha, não vou te deixar escapar.
Sim. %Demeter% tinha descoberto como manter o olhar de Sollary para ele. A determinada residente, mesmo não dando o braço a torcer, já estava mais do que envolvia a ele. Não somente por ter se entregado por completo, mas por sentir que a cada beijo, %Demeter% acelerava ainda mais seu coração. E quem se importava em ter o controle quando seu corpo se arrepiava com o amor inesperado do paciente gentil a quem salvara a vida.
— Vamos comer antes que esfrie. — disse ela, após ele lhe dar outro beijo estremecedor.
— Vamos. — ele sorriu descendo-a da bancada e pegou os pratos no armário. — Amanhã, eu cozinho. — disse.
Ela soltou uma gargalhada.
— Desde quando? — ela o olhou surpresa — Eu sei muito bem que não sabe cozinhar, informações vindas de Annia Baker.
— Aquela linguaruda. — resmungou ele — Annia não passou a vida toda grudada em mim, sou especialista em macarrão instantâneo, tá?
— Agora estou ansiosa para provar. — brincou ela, retirando a travessa de crepes de frango cremoso do forno e colocando na mesa, juntamente com o arroz da panela.
— Uau. — disse ele impressionado ao se sentar.
— Vou levar seu olhar como um elogio. — disse ela, se sentando na cadeira ao lado.
— Fique à vontade, não imagina o quanto estou feliz por estarmos aqui. — disse ele — Melhor que isso, só se tornando minha esposa.
— Vai com calma Baker, não pule etapas, seja primeiro meu vizinho, depois pensamos como vou te promover. — brincou ela rindo dele.
— Quer apostar comigo que em menos de um ano, terá uma aliança na mão esquerda? — instigou ele.
— Acha mesmo que vai me manipular? Que sabe meu ponto fraco? — ela riu dele.
— Está duvidando da minha capacidade? — retrucou ele — Seus olhos já não conseguem mais me ignorar.
— Ok, fechado. — desafiou ela — Me surpreenda, Baker, e continue lutando.
Ela abriu um largo sorriso, sentindo o coração pulsar mais forte. A cada dia que conhecia mais o lado ousado de %Demeter%, mais ela se sentia louca e atraída por ele. Agora estava curiosa para saber como ele a faria se casar com ele.
— Com maior prazer. — ele piscou de leve para ela e deu a primeira garfada.
Baker se mantinha com a confiança de sempre no olhar. Se casar com %Mia% não era o que mais queria. O maior desejo de %Demeter% era ambos serem felizes juntos, principalmente com muitos beijos e carícias intensas envolvidos.
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Apartamento Dominos, Seattle
%Jenie% finalmente havia terminado de organizar sua mala para seguir para o aeroporto. Para sua segurança, %Simon% garantiu de um jatinho particular da família a levasse a Los Angeles onde passaria as próximas semanas focada em treinar o grupo de dança, juntamente com a amiga Hana. Seu coração não se cabia dentro do peito de tanta ansiedade e empolgação. Assim que se trocou, colocou a bolsa no ombro, pegou a mala e saiu do apartamento. Lohan, o sliter contratado para lhe proteger, a ajudou com a mala e seguiu com ela de táxi até o aeroporto particular da Continuum na cidade.
Ao cair na noite, finalmente ela já se encontrava desembarcando no aeroporto particular de Los Angeles. Após alugar um carro, Lohan seguiu dirigindo com ela no banco traseiro enviando uma mensagem a %Simon% que a fez prometer mensagens diárias contando sua aventura como coreógrafa. Assim que chegou no hotel Village, fez o check-in em nome do namorado. %Jenie% realmente pensou em alugar um quarto em um hostel ou algo mais barato ainda, porém o Dominos achou mais prudente sua hospedagem ser um lugar conhecido.
— Amiga, uau, que luxo. — disse Hana assim que entrou na suíte vip em que %Jenie% se hospedou.
— É incrível, não é? — ela sorriu ainda maravilhada com o lugar — E a vista é melhor ainda.
— Eu quero ver. — Hana correu até a sacada do quarto e olhou a vista para o mar — Uau, estou em choque… Você arranjou um namorado de responsa. — brincou ela — E com direito a segurança especial.
— Eu ainda fico em choque com essas coisas. — %Jenie% riu, indo se sentar no sofá — Mas vamos focar, sei que acabei de chegar, mas realmente precisamos já acertar nosso cronograma de ensaios.
— Que garota disciplinada. — Hana se aproximou da amiga e se sentou ao seu lado — Podemos aproveitar um pouco antes.
— Somente sou disciplinada nessas ocasiões. — ela riu — Me conta mais sobre seu grupo de dança.
— Então, o grupo Soul é bem mistos, temos cinco homens e sete mulheres, precisamos construir 3 coreografias oficiais, todas com algumas acrobacias e dois solos, e ainda tem as pequenas batalhas em duplas por pontos extras. — explicou Hana, pegando seu celular do bolso e ligando a tela para mostrar imagens do grupo para ela — Aqui estão eles, vou te apresentar amanhã para começarmos com nossos ensaios.
— Ok, só vou precisar saber o conceito do grupo e se o torneiro tem alguma temática em especial. — %Jenie% olhou as imagens — E também se vai querer misturar estilos de dança.
— Eu acho interessante uma mistura, tem a clássica de ballet com hip-hop. — sugeriu a amiga.
— Estilo Step Up? — %Jenie% pegou a referência do filme — Acho que podemos adicionar um pouco de dança latina, tem um professor na escola onde eu trabalho que me ensinou algumas coisas que acho que podemos trabalhar.
— É por isso que te chamei amiga, você sempre tem ideias inovadoras e surpreendentes. — Hana sorriu para ela — Quero ir para Monte Carlo a todo custo.
— Vamos trabalhar duro para isso. — assegurou %Jenie%.
— Só fico triste por você não querer ir com a gente. — Hana se mostrou razoavelmente chateada.
— Amiga, minha vida é em Seattle agora, não me vejo em outro lugar. — explicou ela — O sonho que tinha de ser coreógrafa deu lugar a outros sonhos.
— Isso está relacionado a um certo Dominos? — supôs Hana.
— Talvez. — ela abri um largo sorriso.
Ambas permaneceram conversando mais um pouco, até que Hana retornou ao hostel em que estava hospedada. Lohan se acomodou no quarto inferior, próximo a área de segurança, ele contaria com a ajuda dos funcionários do lugar para monitorar pessoalmente as câmeras do corredor da suíte da bailarina. %Jenie% tomou um banho de espumas na banheira que havia na suíte e ao colocar seu pijama, se deitou na cama. Ao olhar para o celular, não se conteve em tirar uma foto e enviar para %Joseph%.
— Aqui e com saudades, essa cama é tão grande, cabe mais um. — disse ela no áudio que enviara para ele.
Com uma risada rápida, ficou olhando para a tela do aparelho. Em um piscar de olhos, a canção de chamada iniciou, com uma ligação do seu namorado.
— Que vontade de estar aí. — disse ele, assim que ela atendeu.
— Boa noite, Dominos. — ela sorriu, voltando seu olhar para a janela — Como está Chicago?
— Nublada. — respondeu ele.
— E o %Sebastian%? — perguntou ela — Quando saiu de Seattle, parecia muito preocupado com ele, aconteceu algo grave.
— Olhando por fora não, mas para ele que está vivendo, sim. — enigmático como sempre, %Simon% resumiu a situação — Meu irmão precisa de alguns dias para ele.
— Ele está doente? — %Jenie% ficou preocupada.
— Não. — %Simon% riu — Bem, se estar apaixonado é uma doença, todos nós estamos.
Somente o Dominos caçula para brincar com a situação sentimental do irmão. E não se conteve em soltar uma gargalhada maldosa.
— Mas ele vai estar em off por alguns dias e eu terei que assumir seu lugar na empresa por enquanto. — explicou ele.
— Isso significa que a abertura do seu restaurante vai demorar. Não é? — indagou ela.
— Provavelmente sim, mas não me importo com isso agora, o restaurante ainda precisa passar pela vistoria da vigilância sanitária e outros órgãos do setor. — respondeu ele — O que importa agora é o bem-estar do %Sebastian%.
— Acho bonito sua preocupação com ele. — elogiou ela — faria o mesmo pela Yasmim.
— Você não me fala muito dela. — reclamou %Simon%.
— Você também não me fala muito sobre suas irmãs. — retrucou %Jenie% — Mas… Digamos que a Minie seja bem discreta e reservada, ela trabalha para Carlise Tenebrae, acho que o conhece.
— Sim, o conheço bem. — %Simon% se mostrou intrigado pelo Tenebrae ter envolvimento com uma Fletcher — E sua mãe não se importa?
— Nenhum pouco, parece que pra minha mãe todos da família poder se envolver com a Continuum, menos eu. — a voz de %Jenie% soou com frustração.
— Nós dois sabemos o motivo. — lembrou ele.
— Não é motivo, tanto me escondeu que agora todos me encontraram. — seu argumento era válido — Quanto mais se esconde algo, mais ele deseja ser visto.
— Por você, sim. — brincou ela — Estou com saudade, a gente tinha mais dois dias juntos e você partiu antes.
— Prometo te compensar. — assegurou ele.
— Já se encontrou com o tal grupo de dança? — perguntou ele.
— Ainda não, faremos isso amanhã pela manhã, após o café. — respondeu ela — Mas já estou cheia de ideias fervilhando em minha mente.
— Isso me deixa feliz, te ouvindo falar sobre isso, sei que está animada. — comentou ele.
— Animada é pouco, estou mega empolgada, é tipo eu montar toda uma apresentação com coreografias extremamente legais e queria tanto que você estivesse no torneio para ver do que sua namorada é capaz. — desejou ela.
— Quem sabe… Farei o possível para ir. — disse ele — Não posso prometer.
— Eu sei, agora você vai entrar no modo Dominos empresário chefe. — brincou ela.
— Como está com o Lohan? Espero que não se sinta desconfortável com um segurança atrás de você o dia todo. — perguntou ele.
— É estranho, mas… Vou me acostumar, prometo. — assegurou ela.
— O que importa para mim é você estar segura %Jenie%. — disse ele, mantendo o tom sério e preocupado — Até tudo isso passar, até destronar Lionel, o que mais me importa é a sua segurança, e juro que não tem sido fácil estar tão longe.
— Imagino, pela sua voz… — ela voltou o olhar para o anel em seu dedo, que ele lhe dera de presente — Mas fique tranquilo e seja um bom chefe substituto para seu irmão, eu estou bem e Lohan vai fazer seu trabalho direito, eu sou uma pessoa bem fácil de se proteger.
— Eu te amo, Fletcher. — disse ele.
— Eu também te amo, Dominos.
Com um sorriso em sua face, a delicada bailarina encerrou a ligação e se cobriu um pouco mais. Ela adormeceu olhando a foto de seu namorado pela tela do celular. Na manhã seguinte, %Jenie% acordou bem cedo e, antes de descer para o café da manhã servido no restaurante do hotel, se alongou um pouco no quarto. Após desfrutar de uma farta refeição, seguiu de carro com Lohan para um estúdio de dança que pertencia à mãe de Hana. A família de sua amiga era toda formada por artistas, desde talentosos pintores, a artistas do Cirque du Soleil.
— Bom dia galera, esta é %Jenie%, ela vai trabalhar com a gente me ajudando com as coreografias. — apresentou Hana, a amiga para todos.
“Bem-vinda”; “Que legal, temos uma coreógrafa.”; “Olha só como ela é bonita.” Esses e muitos outros comentários surgiram enquanto %Jenie% foi conhecendo cada um e perguntando o estilo de dança deles. Fletcher tinha acordado com uma ideia na cabeça, usaria a frase
“nascido de um boombox” do filme Step Up 3, como conceito e base para as coreografias. Com um aquecimento prévio, ela ligou uma música aleatória no celular e pediu que cada um mostrasse seus talentos. %Jenie% precisava ver até onde conseguia chegar individualmente e também no coletivo.
Foram horas divertidas, até que ela sentou com todos para montar o cronograma de ensaios e começar a pensar nos passos de cada coreografia. Pouco ao final da tarde, ela retornou ao hotel. Seu olhar ficou curioso ao ver um rosto conhecido no lugar, era surpreendente ver o Bellorum ali em Los Angeles.
— %Joseph%? — gritou ela, ao chamá-lo.
— %Jenie%? — ele sorriu de leve ao vê-la e seguiu até ela — O que faz aqui?
Logo o olhar do Bellorum seguiu para Lohan que estava atrás.
— Com um sliter? — continuou.
— Você conhece o Lohan? — perguntou ela, com a inocência de sempre.
— Gravei o rosto de todos os sliters que trabalham para a Continuum. — explicou %Joseph%, dando um sorriso de canto disfarçado — Principalmente os que são treinados por sua avó.
— Você foi treinado por minha avó? — %Jenie% olhou para o homem.
— Sim, senhora. — assentiu o sliter.
%Jenie% voltou o olhar para Bellorum.
— Bem, eu estou aqui a trabalho, e você? — perguntou ela.
— Somos dois então. — ele riu — Quer tomar um café com uma velho amigo?
— Você não é velho, Bellorum. — ela riu também — Mas aceito sim.
Ambos seguiram até o restaurante do hotel e fizeram seus pedidos ao garçom. Lohan se manteve distante, porém com o olhar atento neles. %Joseph% manteve seu olhar fixo em %Jenie%, internamente ainda sentia seu coração despedaçado por saber que a garota já havia superado o que tiveram no passado. Parte dele se sentia aliviado por ser %Simon%, pois sabia que ela seria protegida. Porém, por alguns meros instantes, até voltar a realidade que ele ainda a amava como nos tempos do colegial.
— Está me olhando demais. — comentou ela — Isso me deixa com vergonha.
— Desculpa, não consigo resistir. — ele olhou para o lado, vendo o garçom se aproximar com os pedidos — Sabe que ainda te amo, é difícil aceitar que está com o Dominos e tenha me esquecido.
— Já conversamos sobre isso, %Joseph%. — disse ela, também olhando o homem se aproximar.
Assim que foram servidos, o olhar dele se voltou para ela.
— Eu sei, tenho que aceitar por mais que me doa. — a sinceridade em seu olhar, deixava %Jenie% surpresa e um pouco retraída.
Era louco para ela ouvir tudo aquilo. O passado que viveu com o Bellorum sempre voltava em seus pensamentos. Isso era os pontos que causavam a insegurança no relacionamento com %Simon%. Ela sabia que o fato de ambos serem da Continuum já significava uma pequena perturbação. Mas já estava se acostumando ao fato de sempre ter que se preocupar com os riscos que poderia correr. Ela queria dar essa chance aos sentimentos que tinha por %Simon%, mas não sabia como se desligar pelos ressentimentos que ainda mantinha de %Joseph%. Sua avó sempre lhe dizia que quando não esquecemos uma pessoa, é porque ainda a amamos. E ela não sabia se ainda amava o Bellorum.
— E qual é seu trabalho aqui em Los Angeles? — perguntou ele, mudando de assunto.
— Uma amiga me convidou para ajudá-la a montar algumas coreografias para um grupo, vai ter um torneio de dança em breve em aqui. — respondeu ela, ao dar a primeira garfada na torta de maçã em seu prato — Vou passar as próximas semanas na cidade.
— Que interessante, fico feliz que esteja realizando um de seus sonhos. — comentou ele.
— Bem, se não posso estar em uma companhia de dança, pelo menos o sonho da coreógrafa posso realizar. — brincou ela, ao rir — E você, senhor Bellorum? O que faz longe da DP de Seattle?
— Fui promovido. — respondeu ele rindo junto — Meu avô achou melhor que eu assumisse a equipe alpha do FBI, já que meu irmão está na CIA.
— Uau, que upgrade. — comentou ela — De detetive da DP de Seattle, a agente do FBI.
— Pois é, não é fácil ser o herdeiro. — comentou ele — Por isso, sempre sou enviado para algum lugar específico para aprender como as coisas funcionam.
— E qual seria o topo dessa cadeia alimentar? — brincou ela — O pentágono?
— Não. — ele riu — Ser o diretor da Darko.
— O que é a Darko? — perguntou ela.
— Uma agência da minha família em conjunto com a família Baker. — explicou ele, omitindo muitas partes a ela.
— Aposto que tem mais coisas nessa explicação que não pode me contar. — supôs ela.
— Quanto menos souber agora, melhor. — ele voltou seu olhar para Lohan — E quanto ao sliter, quem está no comando dele?
— Como assim comando? — ela estranhou sua forma de falar.
— Quem o contratou? — explicou melhor.
— Imaginei, soube que ele está em Chicago. — disse.
— Sim, o irmão está com alguns problemas, quanto menos souber melhor. — brincou ela.
— Imagino que o sliter seja por causa dos Tenebrae. — supôs ele.
— Sim, %Simon% acha que o tal Lionel pode saber sobre mim e tentar alguma coisa. — %Jenie% soltou um suspiro cansado — Nem mesmo me deixou cogitar a ideia de fazer o teste de DNA.
— Seria mais fácil se isso fosse feito. — %Joseph% começou a cogitar ideias — %Jenie%, e se… Acho que podemos fazer isso sem que mais ninguém saiba.
— Um teste? — perguntou ela — Mas nenhum Tenebrae vai querer nos ajudar.
— Nenhum que esteja consciente. — ele sorriu de canto.
— Do que está falando %Joseph%? — ela já não entendeu mais nada.
— Só preciso de um fio de cabelo seu, do resto eu cuido. — disse ele.
— Tudo bem. — ela arrancou dois fios de sua cabeça e lhe entregou. — Agora estou curiosa para saber como vai conseguir.
%Joseph% deixou em oculto para a bailarina. Mas sabia muito bem o lugar em que laboratório interno da Darko, Godric Tenebrae era mantido sob coma induzido. O antigo chefe dos Tenebrae, na época em que foi sutilmente destronado por seu irmão, havia sofrido um acidente e, estando sob os cuidados de Irina Bake, induzido ao coma. Agora, era mantido sob monitoramento constante na instalação da Darko na Rússia, longe dos olhares da família que o traiu.
— O importante é eu conseguir. — ele sorriu para ela.
Ambos ficaram mais um tempo conversando ali. Com %Joseph% contando um pouco mais sobre sua nova função de agente do FBI para ela.
Os dias se passaram com %Jenie% seguindo seu cronograma de ensaios com precisão. O grupo estava se esforçando para pegar todos os passos das coreografias e tudo estava tomando uma forma agradável e harmônica. Era noite de sábado e as horas de ensaio excederam um pouco por estar próxima a data do torneio. Na volta para o hotel, perto de uma rua escura, o carro deles foi fechado por duas motos, e vários disparos foram em sua direção.
— Senhorita Fletcher, se abaixe! — gritou Lohan.
O sliter trocou alguns tiros com os homens, enquanto a tirava do carro. Ao tentarem escapar, ele levou um tiro, caindo pelo caminho. %Jenie% só conseguiu ouvir seu sussurro mandando ela correr. Saindo pelas ruas, a bailarina se viu no desespero enquanto era perseguida por mais quatro homens. Passando pelas pessoas, ia trombando em algumas, até que avistou as escadas de uma estação de metrô. Descendo apressadamente, ela tentou se colocar entre as pessoas que entravam no trem que estacionara. Seguiu de vagão em vagão até que percebeu que dois dos homens tinham entrado atrás dela.
%Jenie% respirou fundo, sem saber o que faria naquela hora. Seus olhos já juntavam lágrimas de medo, e seu coração acelerado só desejava…
Ou melhor, pedia por socorro.
Não posso dar um passo para trás nesse caminho sem fim
Woo woo woo, não se abale
Não posso cair nesse momento de confusão
Woo woo woo, há somente uma chance.
- One Shot / B.A.P