20 • Fletcher
Tempo estimado de leitura: 36 minutos
- Clareira Norte, Seattle
A primeira manhã de um novo ano foi inspiradora para o casal mais fofo de Seattle. Para %Jenie%, ter a presença de %Simon% na noite de réveillon foi mais do que animador, também seria seu gancho para conversar com ele sobre os boatos da herdeira Tenebrae. Ao raiar do sol, eles seguiram para um passeio em meio aos bosques de Seattle. A neve caída no chão já não tinha tanta força assim, pois o tempo já se preparava para a primavera. Então, nada melhor que uma caminhada matinal ao lado da pessoa que se ama, mesmo tendo que se manter aquecida com um casaco de inverno.
— Você está pensativa desde que eu cheguei, ontem de manhã — comentou ele, enquanto caminhavam pela neve de mãos dadas.
— Você percebeu — disse ela num tom baixo.
— Como não iria perceber — ele parou e a olhou — Você mal sorriu após os fogos.
— Tenho pensado bastante em minha vida… Em nós.. — confessou ela.
— O que tem nós? — %Simon% controlou suas expressões faciais, porém já se preocupando com as palavras dela.
— %Simon%, me responda com sinceridade, você está comigo somente pela possibilidade de eu ser a herdeira Tenebrae? — ela foi direta e honesta — Não precisa se dar ao trabalho de desviar o assunto, eu sei de tudo, passei as vésperas do natal com %Joseph% e ele me contou sobre esse fato da Continuum.
— Quando te conheci, eu nem imaginava que fosse neta de Donna Fletcher — ele se manteve sereno, sendo honesto com a delicada bailarina — Eu somente descobri sobre essa possibilidade há um mês atrás, quando já estávamos namorando.
Ela desviou seu olhar para a neve do chão. Absorvendo sua explicação.
— %Jenie% — ele tocou em seu rosto, chamando sua atenção de volta para ele — Eu te amo, e não estou com você por causa disso, pelo contrário, estou preocupado por meu irmão querer machucar você.
— O que %Sebastian% tem a ver com essa herdeira? — perguntou %Jenie% confusa.
Afinal, essa parte da história %Joseph% havia lhe omitido.
— Meu irmão acha que as coisas ruins que aconteceram em nossa família, foram por sua causa — respondeu %Simon% num tom mais baixo, e puxando a garota para si, a abraçou forte e seguro — Mas não se preocupe, eu não vou deixá-lo se aproximar de você, eu prometo que continuará em segurança.
— Eu também te amo — sussurrou ela, se aninhando nos braços dele — Obrigado por ser honesto comigo.
— Eu sempre vou ser — assegurou ele.
%Simon% sabia dos perigos que %Jenie% corria. Não somente por %Sebastian% e sua vingança, como também por Lionel e suas investidas contra a vida da sobrinha. O casal permaneceu por mais algum tempo caminhando pela neve. %Jenie% estava mais do que curiosa para saber como havia sido o natal de %Simon% com sua família.
— Então… Diga-me como foi ficar longe de mim? — perguntou ela, disfarçando o sorriso.
— Um tédio — respondeu ao parar novamente e abraçá-la — Senti sua falta durante todos esses dias e estou mais frustrado por ter que viajar com meu irmão em breve.
— Para onde vão? — indagou ela, sentindo ser aninhada por ele.
— Uma reunião com a família Tenebrae — respondeu ele, voltando seu olhar para frente, observando algumas árvores se balançarem.
— Minha irmã Yasmin trabalha para um deles, o primogênito Carlise — comentou %Jenie% — Ele esteve aqui em Seattle e pegou até um livro reservado na livraria.
— Quando foi isso? — perguntou %Simon%.
— Na época que estávamos brigados, até mesmo %Joseph% achou estranho ver ele rondando pelas ruas da cidade — continuou ela — Minha tia ficou ainda mais raivosa.
— Ela não gosta da Continuum… — supôs ele.
— Nenhum pouco — afirmou — Ela sempre acha que algo ruim vai acontecer quando tem algum de vocês por perto.
— Ela não está errada… Há anos que a Continuum não é mais uma sociedade em que famílias se mantinham unidas para a prosperidade de todos, quando foi formada por nossos antepassados, todos eram amigos, e seus filhos também se tornaram amigos, até não sei o que aconteceu que se tornou cada família por si e traições e brigas — suas palavras pareciam um desabafo — Não quero que isso respingue em você.
— Se eu realmente for a herdeira que tanto falam, é um fato que nasci em meio a essa rede de traições — retrucou ela — O que importa é estarmos juntos.
— Sim… E isso me lembra que tenho algo para você — ele a soltou por um momento e remexeu no bolso da calça — Seu que é cedo demais para pensar nisso, e ainda tenho que conquistar a sua mãe… Mas quero lhe dar isso.
Ele retirou um saquinho de tecido camurça vermelho do bolso e abriu retirando um anel de safira azul com pequenos cristais de diamantes em volta. Os olhos da garota brilhavam ao olhar para a jóia, afinal nunca havia recebido algo do tipo e nem sonhava em receber, mesmo nos tempos de namoro com o Bellorum.
— Meu presente de natal atrasado — disse ele ao segurar sua mão e colocar o anel que se encaixou com perfeição — Este anel era da minha mãe, meu pai deu para ela assim que se casaram.
— Eu nem sei o que dizer… — disse ela ainda estática — Não sei se sou digna de usar isso, nos conhecemos a tão pouco tempo e…
— E eu já estou totalmente rendido a você %Jenie% Fletcher — ele entrelaçou seus dedos aos dela — E se têm algo do qual tenho total certeza, é que meu coração pertence a você.
— Agora terei que lhe dar um presente tão especial quanto o anel da sua mãe — disse ela, ainda tímida ao olhar para o anel em seu dedo — É lindo.
— Não precisa me dar nada — ele sorriu — O seu amor já é meu presente.
Ele a beijou de leve e com doçura, envolvendo seus braços em sua cintura. Mantendo seus corpos mais próximos ainda, sendo aquecidos um pelo outro em meio ao frio proporcionado pela neve.
— Senti mesmo sua falta — sussurrou ele.
— Eu também — sussurrou ela, de volta — Eu te amo, %Simon% Dominos.
— Eu também te amo, %Jenie% Fletcher — ele a aninhou mais em seus braços.
Pouco antes do anoitecer, %Simon% a levou até seu restaurante, que seria inaugurado na próxima semana. Mesmo frustrado por ter perdido uma ótima oportunidade de apresentar a sociedade seu tão planejado negócio nas festividades do final do ano passado. %Simon% seguia orgulhoso pelo final da reforma e a preparação para sua estreia no ramo gastronômico. %Jenie% ficou admirada com tamanha beleza da decoração do lugar a um estilo clássico moderno que demonstrava o bom gosto de seu namorado. Ao entrarem na cozinha industrial impecável, ela notou que algumas mudanças foram feitas desde a última vez que estiveram ali.
— Você mudou essa bancada de lugar — comentou ela.
— Sim, ela aqui onde está agora será mais interessante para a circulação na cozinha — ele se aproximou dela e a puxando pela cintura a beijou de surpresa — O que achou de tudo?
— Já me vejo sendo convidada para jantares vip com o chef mais atraente de Seattle — brincou ela, ao morder de leve o lábio inferior — Como se sente com tudo isso?
— É bom ser independente, apesar de entender que a Dominos Company também é minha, tenho certeza que %Sebastian% é capaz de comandar tudo sem mim — confessou ele num tom aliviado — Só quero seguir meu sonho que iniciou há dez anos atrás com uma animação.
— Não vai me dizer que seu amor pela gastronomia tem a ver com Ratatouille? — perguntou ela pegando a referência — Esse é o meu desenho da Pixar favorito.
— Viu, fomos feitos um para o outro — ele sorriu com ousadia e lhe beijou novamente com mais intensidade.
%Jenie% retribuiu o beijo na mesma proporção, sentindo os avanços mais ousados de %Simon%. Ela pensou por um instante em meio ao beijo, se estava pronta ou não para permitir seu avanço. Até que um barulho vindo do escritório de %Simon%, os interrompeu, atraindo a atenção.
— Você ouviu isso? — perguntou ela, assustada.
— Fique aqui — disse ele, ao se afastar e seguir em direção ao barulho.
Quando %Simon% abriu a porta do seu escritório, se deparou com sua amiga Nancy Donson, caída no chão. Seu olhar confuso deixou a garota envergonhada pela cena.
— Donson? O que faz aqui? — perguntou ele, ao ajudá-la a se levantar.
— Desculpa, eu estava conferindo alguns documentos e acabei adormecendo aqui — se desculpou ela.
— Não deveria ter ido para casa festejar com sua família? — continuou ele, se afastando um pouco.
— Sabe como são eles, prefiro ficar sozinha — explicou — Mas e você? O que faz aqui? Disse que só o veria no dia 2.
— Eu trouxe uma pessoa para ver como ficou a reforma — disse ele.
— %Simon%? Está tudo bem… — %Jenie% parou um pouco estática ao ver a mulher próxima dele — Quem é ela?
— %Jenie%… — %Simon% se aproximou da namorada e segurou em sua mão — Lembra da amiga que te falei, Nancy Donson.
— Prazer — disse %Jenie% estendendo a outra mão, abrindo um sorriso simples.
— Igualmente, %Simon% falou muito sobre você nos últimos meses — disse a mulher, com um sorriso sem graça.
— Queria poder dizer o mesmo — %Jenie%, manteve-se confiante diante dela.
— Nancy, vai para casa e descanse nos próximos dias, a próxima semana será mais agitada — ordenou ele, mantendo suas mãos segurando as de %Jenie%, e olhando para sua bailarina — Vamos para o hostel?
— Sim — assentiu %Jenie%.
Eles se despediram da mulher e seguiram seu caminho. Ao chegar na pensão, %Jenie% pediu para %Simon% seguir para seu quarto, pois ela tinha uma conversa para ter com sua mãe. Assim que entrou na cozinha, ficou em silêncio observando Marie e tia Beth cozinhando juntas, ambas agindo com toda naturalidade do mundo.
— Eu sei o motivo de me afastar tanto da Continuum — disse %Jenie% em alto e bom tom.
Ambas as mulheres pararam no mesmo instante e se voltaram para ela.
— Eu sou a herdeira Tenebrae, não é? — afirmou %Jenie% com segurança — Por isso não me queria perto de %Joseph%, por isso desdenhou do meu namoro com %Simon%, e não adianta negar, eu já sei de tudo sobre a vovó Dona ser uma sliter também, só sinto indignação por serem tão falsas e mentirosas…
A garota se moveu para sair de lá.
— %Jenie%, espere — disse sua mãe. — Filha, se fiz tudo o que fiz, foi para te proteger.
— Proteger? — a garota olhou novamente para mãe, segurando as emoções no canto do rosto — Mentindo para mim? Me mantendo uma prisioneira da minha própria família? Eu amava o %Joseph% e você destruiu isso, destruiu cada sonho que ousei ter na minha vida, com essa obsessão de me manter escondida deles, mas acabou Marie Fletcher, desta vez eu não vou deixar nem você e nem a Continuum destruiu meu futuro com o %Simon%.
A voz de %Jenie% estava mais firme e alta, transmitia uma segurança que a jovem nunca tivera em toda a sua vida.
— Amanhã de manhã, estarei de mudança para um apartamento, não moro mais neste lugar — anunciou ela ao se retirar.
%Jenie% não deu nem mesmo a chance de sua mãe e a tia reagirem às suas palavras. Ela já estava mais do que desapontada com sua família, para ouvir as desculpas de ambas. Ela entrou em seu quarto, aos surtos e seguiu para o guarda-roupas, a fim de arrumar suas malas.
— Para onde vai? — perguntou %Simon% ao aparecer na porta, observando os movimentos bruscos da moça.
— Não vou mais morar aqui, me desculpe por só dizer agora — ela voltou seu olhar para ele — Tenho pensando nisso por dias e só agora tomei essa decisão, tem um apartamento perto da escola onde dou aulas, o valor é compatível com o que ganho, a dona já me deu as chaves para que eu olhasse o lugar e…
— Você ficará comigo — disse ele, entrando mais no quarto e fechando a porta.
— Como? Você mora aqui — alegou ela.
— Só continuei aqui por sua casa, tenho um apartamento na cobertura, próximo ao meu restaurante — ele respirou fundo e segurou em sua mão — More comigo %Jenie%, me deixe protegê-la?
— Não quero te encher com meus problemas, já basta essa história da herdeira, meus problemas causados pela minha família não precisam… — ela foi interrompida por um beijo suave dele.
— Seus problemas, agora são meus problemas, independente do que seja — ele sorriu de leve — Só me deixe cuidar de você.
— Dominos — sussurrou ela, relutante, porém assentindo com o olhar.
— Eu te amo — sussurrou ele de volta, iniciando um novo beijo cheio de amor e ternura.
%Jenie% retribuiu com mais doçura ainda, ao sentir o conforto de segurança nos braços de %Simon%. Seu coração a cada segundo acelerando mais pelo Dominos perseverante.
Na manhã seguinte, como jurado, %Jenie% terminou de arrumar suas malas com mais calma e com a ajuda de seu irmão Junior. Horas antes do almoço, %Simon% seguiu com ela de táxi até o prédio no qual se localizava o apartamento dele. Assim que entrou, %Jenie% ficou mais impressionada ainda com a sofisticação do lugar e sua organização. Os poucos móveis do ambiente deixavam transparecer o estilo minimalista tão apreciado pelo homem à sua frente.
— É lindo este lugar — disse ela ao seguir até a varanda — E a vista para a cidade mais ainda.
— Que bom que gostou — ele deixou as malas da garota ao lado da porta, fechando-a e seguiu até ela — Pois também será seu a partir de agora.
— Meu? — ela o olhou surpresa — %Simon% …
— Não diga nada, apenas aceite a chave — disse ele, retirando a chave reserva do bolso e colocando em sua mão — Tem um quarto vazio ao lado do meu, presumo que queira assim
por enquanto.
Ele deixou a entonação soar a expressão: por enquanto. %Simon% sabia que aquele seria o primeiro passo para um futuro cheio de amor e conquistas ao lado dela. E não se importava se havia somente poucos meses que a conhecia. A certeza de que %Jenie% era a mulher ideal, não lhe deixava ter dúvidas quanto a isso.
— Nem sei como reagir a tudo isso — disse ela ao guardar as chaves no bolso da jaqueta.
— Apenas aproveite tudo… — ele sorriu de canto e lhe deu um selinho rápido — Você não tomou café, está com fome?
— Hum… Um pouco — admitiu ela.
— Que tal um pouco de panquecas para adoçar ainda mais nosso amor? — sugeriu ele, dando um sorriso fofo para ela.
— Eu amo panquecas! — ela sorriu também.
— E eu amo você! — ele a beijou mais uma vez, com mais intensidade.
%Jenie% sentiu seu coração encher de alegria e esperança. Por mais que sua vida pudesse estar ameaçada, ela não queria pensar nisso agora. Seu desejo era viver a louca aventura de amar um Dominos doce e cavalheiro como %Simon%.
E como seu coração acelerava quando ela a beijava com tanta vontade e malícia.
--
Uma semana depois...
- Tenebrae House, Liverpool
Se a Continuum tinha uma tradição, era que todos os assuntos inacabados deveriam ser resolvidos no primeiro mês do ano. Assim os próximos meses seriam prósperos e tranquilos. Após o cair da noite de uma sexta-feira fria e gélida, um Mustang branco e luxuoso, se estacionava em frente à mansão dos
Tenebrae. Não demorou dois minutos para que os irmãos Dominos descessem do carro seguidos por %Nalla% Miller.
— Por favor, não me faça cara de bom moço pra eles — advertiu %Sebastian% ao irmão, assim que sua sliter tocou a campainha — Mostre pra eles que não temos medo de quem são.
— Não se preocupe, %Sebastian% — concordou %Simon% fazendo uma cara de quem não se importava.
Os irmãos
Dominos entraram acompanhados de %Nalla%. A sliter aproveitou para analisar discretamente o forte sistema de segurança da mansão, principalmente dos seguranças espalhados pela parte externa. %Sebastian% e %Simon%, mantiveram a postura firme e o olhar seguro ao se depararem com a sagaz família
Tenebrae. %Sebastian% sempre muito bem vestido e cheio de estilo, não se intimidando foi logo se apresentando formalmente à Lionel.
— Boa noite, eu sou %Sebastian%
Dominos — e olhando para o lado — e este é meu irmão %Simon%
Dominos.
— É um prazer conhecê-los pessoalmente, eu sou o chefe da
família Tenebrae e o atual diretor geral da Continuum, meu nome é Lionel
Tenebrae — cordialmente o Sr. Lionel retribuiu um singelo aceno com a cabeça.
— Sua família é muito famosa por causa de suas safras de vinho — comentou Clara — Apesar do carro chefe ser a transportadora.
— Sim, confesso que nossa paixão por vinhos descende de um antepassado italiano, e já imaginava que tocariam no assunto — respondeu %Sebastian%.
Ele se virou em direção a %Nalla%, cujo estava atrás dele, fez um sinal com a cabeça e ela imediatamente entregou ao Sr. Lionel uma garrafa
Reserva Especial da Família Dominos que estava em suas mãos, então %Sebastian% continuou.
— Espero que gostem do nosso singelo presente — deu um sorriso direcionando seu olhar para Felícia, que por acaso não parava de olhar para ele como se estivesse hipnotizada.
Mesmo sendo rejeitada, a mulher continuava desejando-o com a mesma intensidade. Algo que não se envergonhava de demonstrar.
— Obrigado pela gentileza — agradeceu Clara pegando a garrafa das mãos de Lionel.
— Vamos aos negócios então — pronunciou o sr. Tenebrae — Acho que vocês já conhecem a
família Vidal, eles são
meus amigos de muitos anos nossos aliados, então saiba que tudo que será tratado esta noite podem considerá-los.
— Perfeitamente, tenho certeza que não vamos nos esquecer desta tal
família — respondeu %Sebastian% com um tom de deboche que só ele sabe fazer.
— Olha como você fala da minha
família — se alterou Violet, tentando conter seu jeito explosivo, ao sentir na voz dele o deboche.
Sendo segurada por seu marido, respirou fundo.
— Se acalme — sussurrou Scott para ela — É isso que ele quer, nos provocar.
— O que eu falei de errado? — cinicamente %Sebastian% perguntou.
— Por que não nos preocupamos com assuntos sérios? — interveio Felícia como se estivesse protegendo %Sebastian%.
— A minha
família é importante! — retrucou Violet confrontando a cunhada.
— Scott leve sua esposa daqui — ordenou Sr. Lionel vendo que Violet não se controlava.
— O que você está fazendo, %Sebastian%? — cochichou %Simon%.
— As mulheres são a base de uma
família, observe... e aprenda — respondeu com um sorriso malicioso.
Após a saída de Violet forçada por Scott, o Sr. Lionel continuou.
— Nossa
família sempre teve bastante influência na América, desde o início da Continuum, lamentamos pelo ocorrido em sua família no passado, e devo admitir que os
Dominos sob o seu comando se reergueram com muita rapidez e expandiram os negócios com fervor nos últimos anos — e dando um sorriso esquisito — Se expandiram tanto que invadiram nossas fronteiras.
— Posso entender o significado de suas insinuações? — perguntou %Simon%.
— Não seja inocente, sua
família tomou para si o que era nosso, algo ofertado através da Continuum — reclamou August.
— Estão falando das fazendas do Texas? — perguntou %Sebastian% com cara de desentendido.
Ele sabia bem jogar aquele jogo de mentiras e falsidade que a família Tenebrae tanto dominava.
— As fazendas? — perguntou %Simon% fingindo não entender a conversa— Pelo que sei, foram compradas, e não tomadas à força.
Ele também sabia jogar, havia aprendido com o irmão.
— Acaso colocar a arma na cabeça do proprietário não seria forçar? — Keitty tentou intimidar %Sebastian% com o olhar, porém os desviou para %Simon%.
O impacto do olhar dela em %Simon% foi tão forte e corrosivo, que mesmo longe e sem saber o que ocorria %Jenie% sentiu com um estranho e frio arrepio, que a assustou, fazendo-a permanecer paralisada. %Sebastian% percebendo, a intimidou dizendo:
— Ninguém olha assim pro meu irmão, só eu tenho esse direito — ele engrossou a voz não se importando com o alerta dos seguranças do inimigo.
— Ninguém intimida a minha esposa — retrucou August se enfurecendo.
— Acha mesmo que consegue me botar medo? — retrucou fixando ainda mais seu olhar em Keitty — Tente.
Antes mesmo que Lionel pudesse mandá-los parar com as provocações, August fechou seu punho e partiu para cima de %Sebastian%. Entretanto, %Nalla% entrou na frente com sua katana empunhada num pequeno giro, fazendo um pequeno corte no braço de August. Com isso, os seguranças começaram a se movimentar com os olhares fixados na sliter, que não se intimidava com aquilo, ambos os lados esperando por uma ordem de ataque.
— Ninguém toca no senhor Dominos — alertou %Nalla% erguendo a lâmina de sua katana, que escorria com suavidade algumas gotas do sangue de August.
— Basta! — disse %Simon% alterando seu tom de voz — Mande suas crianças saírem, queremos ter uma conversa de adulto para adulto.
Com esse ultimato de %Simon%, %Sebastian% olhou para o irmão e sorriu com a sua reação inesperada.
— Você está certo — Lionel se virando para os filhos — August vai lavar isso, Keitty vai com seu marido e se certifique de não fazer mais nenhuma besteira.
A voz de ordem do sogro a estremeceu de medo. Após a saída do casal, Clara andou até uma cristaleira e retirou uma garrafa de vinho. Lionel olhou para seus seguranças fazendo um sinal para que saíssem e continuou:
— Perdoem-me pelos excessos do meu filho — ele ponderou a sua voz, deixando-a mais suave — Aceitam um vinho?
— Adoraria — respondeu %Sebastian%.
O Dominos direcionou seu olhar para %Nalla%, que percebendo o que ele queria, abaixou sua katana a guardando na bainha, mantendo-se mais afastada, próximo a porta da fachada.
— E você %Simon%? — perguntou Clara ao servir seu marido, primeiro.
— Não, obrigado — respondeu %Simon% lhe dando um sorriso de gentileza.
— Este vinho não é tão bom quanto a
Reserva dos Dominos, mas é saboroso — insistiu novamente já servindo %Sebastian%.
— Vamos ao assunto, sentem-se, por favor — disse Lionel ao se sentar em sua poltrona — Temos um assunto muito importante a tratar.
— Se vai continuar a falar sobre as fazendas, perderá seu tempo — %Sebastian% cinicamente sorriu de canto — Não pretendo abrir mão do que sempre pertenceu a minha família.
— Você fala com tanta propriedade — comentou Lionel, admirado e raivoso ao mesmo tempo.
— O fato é que as fazendas sempre foram nossas e não vamos abrir mão disso — afirmou %Simon% com um tom sério e determinado, fazendo %Sebastian% olhar para ele mais uma vez com satisfação.
— %Simon%, não é um pedido é uma ordem — intimou Lionel — Uma ordem direta da Continuum.
— Não seguimos ordem de ninguém — disse %Sebastian% ao saborear o vinho com tranquilidade.
— Não somos ninguém — Lionel riu com superioridade — Somos
Tenebrae.
—
Tenebrae ou
Continuum, não importa — %Simon% levantou-se e completou de maneira firme e ameaçadora — Não vamos dar de graça aquilo que nos pertence, menos ainda para alguém que nem é o verdadeiro chefe.
— Isso mesmo, se algum dia eu chegar a entregar algo para alguém, será para a verdadeira herdeira Tenebrae — instigou %Sebastian% ao tocar no ponto fraco do inimigo, e colocando sua taça na mesa de centro, se levantou — Acho que nossa reunião termina aqui, agradeço pelo vinho.
— Tem certeza, quer mesmo iniciar uma guerra contra nós? — Clara pergunta, tentando se manter firme diante da ameaça.
%Sebastian% olhou para ela e lhe respondeu com um sorriso de deboche e olhou para %Simon%, que concordou com a resposta do irmão dando outro sorriso com deboche. Ambos se viraram e seguiram até a porta, deixando a Família
Tenebrae temerosa e em fúria por causa da audácia com que responderam.
--
Em plena madrugada...
No relógio batia três horas e na residência Fallin, em que estavam hospedados, %Simon% e %Sebastian% conversavam na sala. Um ambiente luxuoso ao estilo britânico tradicional como as grandes casas do século XIX. Decorada com tapetes persa, sofás e almofadas de design assinado.
— E agora %Sebastian%, o que acontece? — perguntou %Simon% com o semblante preocupado.
— Não me diga que está com medo — comentou.
— Não, não estou com medo — %Simon% riu da insinuação do irmão — Sou um
Dominos não tenho medo.
— Gostei desta afirmação, se a %Jenie% estivesse aqui e agora, ficaria orgulhosa — elogiou.
— Por que mencionou ela, para os Tenebrae? — %Simon% soltou um suspiro de preocupação com sua amada.
— Fique tranquilo meu querido irmão, não que eu queira vê-lo viúvo antes da hora, mas meu foco não é matar sua doce donzela, ela ainda é uma donzela? — o olhar sugestivo de %Sebastian% irritou o irmão.
— Pare com sua brincadeira, estou falando sério — %Simon% engrossou a voz — Se algo acontecer a ela…
— Querido irmão, pare com seus devaneios, se eu a quisesse morta ela já estaria morta, você me impedindo ou não, aproveite sua vida a dois com a Fletcher, agora que moram juntos, deva ser mais interessante as coisas entre vocês… — mais uma vez o chefe Dominos soltou um sorriso sarcástico.
— Como sabe sobre isso? — %Simon% perguntou inocente, porém voltou seu olhar para Miller que os observava do canto, perto da janela — Nem precisa responder.
— Mudando de assunto, você percebeu a falta de equilíbrio da tal Violet
Vidal, isso poderia ser de grande ajuda, além daquele August que se atreveu a te ameaçar.
— Porque me defendeu? — perguntou intrigado pelo gesto do irmão.
— Você não ouviu o que eu disse a ele, só eu posso te olhar daquele jeito — respondeu ele, arrancando uma risada de %Simon% — Temos nossas
diferenças, mas somos irmãos, e sempre vou me preocupar com você.
Alguns minutos se passaram e após uma ligação, %Nalla% se pronunciou.
— Com sua licença, senhores! — disse ela.
— Pode falar, %Nalla% — autorizou %Sebastian%.
— Está tudo pronto para amanhã após o almoço — anunciou ela.
— Muito bem — assentiu %Sebastian%.
— O que está pronto? — perguntou %Simon% intrigado.
— O jatinho que vai te levar pra casa — respondeu ele.
— Me levar? Você não vem comigo? — %Simon% indagou com estranheza.
— Não — %Sebastian% respondeu se levantando e indo até a adega de vinhos — Tenho que resolver mais algumas coisas em Toscana, visitarei nosso primo Guilhermo para saber como foi a sacra deste ano em nossa vinícola.
— Acha que os Tenebrae podem fazer algo contra nossos negócios? — perguntou.
— Não, mas devemos nos precaver — alertou %Sebastian%.
%Simon% se mostrou reflexivo nas palavras do irmão e em silêncio, subiu para o quarto que estava reservado para ele. O jovem Dominos passou a noite em claro, não conseguira dormir com a mente fervilhando os pensamentos. Pela manhã ele ligou para %Jenie%, que ao atender o celular se alegrou ao ouvir a voz dele.
— Bom dia, minha bailarina! — disse ele.
— Bom dia, está tudo bem com você? — indagou ela, já preocupada.
— Sim, estou bem e você? Como foi dormir sem mim?
—
Acredite ou não, foi estranho — ela riu do outro lado.
— Olha só, ela já se acostumou a me ter no quarto ao lado — ele abriu um largo sorriso, movendo seu olhar para o sol que entrava pela janela.
—
Confesso que dormir na sua cama — ela soltou um riso bobo.
— Fez meu coração acelerar agora — brincou ele.
— %Simon%, eu senti um frio estranho ontem à noite — comentou ela num tom mais sério —
Não consegui parar de pensar em você! Tem certeza que não aconteceu nada? — %Jenie% deve ter sido um sonho ruim só isso — tentou tranquilizá-la, não entendendo sua forte preocupação.
— Eu não estava dormindo — retrucou ela.
— Esquece isso, tenho certeza de que não é nada, %Jenie% — ele manteve a suavidade na voz — Fecha os olhos e me imagine ao seu lado, estarei para sempre com você não importa a distância.
— Você está falando de um jeito tão estranho — observou %Jenie%.
— Não importa meu jeito de falar, só quero que você se lembre das minhas palavras. Promete?
— Então me conte o que você fez ontem — sugeriu ele.
Após a partida de %Simon%, antes do almoço. %Sebastian% e %Nalla% se preparavam para seguir com o destino à Itália. Porém, o som da campainha invadiu de forma suave a sala de estar, deixando-os intrigados. Miller, afastando-se dele, ao abrir a porta se deparou com um sliter dos
Tenebrae.
— O que quer? — perguntou ela.
— Minha senhora mandou que entregasse isto ao senhor
Dominos — explicou o homem, demonstrando medo da jovem com suas mãos trêmulas, ele parecia se esforçar muito para parecer firme diante dela.
%Nalla% não se importou em guardar a fisionomia do homem.
— Entregarei a ele — a sliter pegou a carta e fechou a porta rapidamente, voltando à sala — Senhor Dominos, mandaram-lhe entregar.
— Uma carta? — %Sebastian% pegando o envelope de papel prateado, olhou com curiosidade para ela.
Se afastando um pouco de sua sliter, abriu e começou a ler.
“Apesar de nossas famílias estarem em confronto. Apesar de saber que não tenho chances, confesso que ainda me desperta os meus obscuros pensamentos. Não imagino que tenha acreditado em minhas palavras, já que ela continua ao seu lado, mas se quiser realmente saber a verdade… Procure por um homem de sobrenome Fisher, em Lawrence, no Kansas, ele possui uma empreiteira bem conhecida na cidade. Vai descobrir que ela jamais foi leal a você. Com desejo, Felícia Tenebrae.”
%Sebastian% se manteve em silêncio diante de uma possível evidência. Ele realmente achara que a noite de amor que teve com sua sliter após a saída da Tenebrae de sua casa, tinha sido o ponto final desta desconfiança. Porém, uma vírgula apareceu bem abaixo do ponto lhe causando mais pensamentos inoportunos.
— %Sebastian%? — disse %Nalla% num tom firme, olhando-o — O que diz a carta?
— Nada de muito importante — disse ele ao rasgar o papel em quatro parte e lançá-lo no fogo que ardia na lareira — Mudança de planos, quero que viaje sozinha à Toscana, poderá resolver isso sozinha como sempre.
— E quanto ao senhor? — indagou ela.
— Tenho outro assunto para resolver.
— E posso saber qual? — a sliter sentiu-o estranho, por não olhá-la nos olhos.
— É um assunto pessoal — respondeu ele, num tom mais seco e frio — Você parte primeiro como o planejado, nos encontramos em Chicago.
— Como desejar, senhor Dominos.
Miller se viu de mãos atadas às ordens dele. Intrigada pelo que dizia a carta que o deixara assim tão distante dela.
O que Felícia Tenebrae teria dito a ele? Este era seu pensamento mais profundo.
Você me fez arriscar meu coração numa oportunidade única.
Agora, todos estão olhando para nós com pipoca na boca.
- Lotto / EXO