13 • Chocolate
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- Hostel Fletcher, Seattle
Os sábios dizem, nada como um dia após a outro e uma longa noite de sono. %Jenie% havia se rendido aos cobertores e dormido com tranquilidade. A delicada bailarina se levantou da cama, sentiu um pouco de tontura seguido de leve dor de cabeça. Em passos lentos, foi ao banheiro, lavou o rosto e voltou para o quarto para trocar de roupa. Colocou um conjunto de moletom preto com duas listras verticais vermelhas do lado e seu Allstar também preto.
Passando pelo corredor, ela parou em frente o quarto de %Joseph% e, batendo na porta, entra.
— %Joseph%? — com a voz baixa e um semblante não muito preocupado ela deu dois toques na porta. — Bom dia.
— Bom dia — disse ele ao terminar de abotoar sua camisa a olhando com tranquilidade. — Tudo bem?
— Sim — respondeu ela, soltando um suspiro fraco. — Quando voltou?
— Durante a madrugada — respondeu ele observando suas expressões faciais. — %Simon% já viajou para Chicago.
— Ele não iria à noite? — deduziu ela achando estranho.
— O namorado é seu, você quem deveria saber. — %Joseph% deixou escapar um tom de sarcasmo e ironia.
— Vou ignorar o que disse — ela se moveu para sair.
— Espera, %Jenie% — ele segurou em sua mão. — Me desculpa, ainda estou chateado comigo mesmo pelo que aconteceu, não queria que ficasse com raiva de mim.
— Não estou com raiva de você. — afirmou ela, não se deixando levar pelas memórias do passado. — Apesar de tudo, você é uma boa pessoa e também tenho boas lembranças.
— Você gosta mesmo dele? — perguntou %Joseph% ainda segurando em sua mão. — Da mesma forma que gostou de mim?
— Quer mesmo falar sobre isso? — perguntou %Jenie%. — O que vivemos ficou no ensino médio, somos crescidos agora e cada um tem sua vida.
— Nossa vida pode se cruzar novamente, se você quiser. — insistiu ele.
— Eu não sei se quero, de certa forma, ainda tenho traumas de me relacionar com um Bellorum. — ela se soltou dele com suavidade e afastou.
%Jenie% seguiu para sair do hostel. A segunda-feira chuvosa teria que ser enfrentada, pois o compromisso na livraria a aguardava. Final de ano era a melhor época para se vender livros em Seattle. E todo o estoque de edições especiais da Continuum estavam renovadas e prontas para serem compradas, assim como outros títulos comuns.
— Tudo bem, %Jenie%? — perguntou Princia ao se aproximar dela. — Estou te achando meio tristinha.
— Só estou cansada — explicou ela mantendo o olhar na tela do computador registrando as últimas vendas.
— Tem certeza? Você sempre está sorridente. — insistiu Princia.
— Tenho sim, fique tranquila. — afirmou ela.
— Hum…. — Princia se virou para o homem que adentrou a livraria. — Bem-vindo senhor, posso ajudar?
— Tenho um encomenda especial para pegar. — disse o homem de roupas formais e elegantes, se aproximando dela. — O senhor Fox me disse que poderia pegar com %Jenie% Fletcher.
— Ah — %Jenie% levantou seu olhar para o homem. — Sou eu, %Jenie% Fletcher.
Ela se pegou intrigada, pois o senhor Fox não havia deixado nenhum recado sobre encomendas especiais.
— Posso saber o nome do livro? — perguntou Princia em sua curiosidade, já se deixando encantar pelo charme do homem.
— Chocolate. — respondeu. — Escrito por Emily Sollary.
— Em nome de quem está a encomenda? — perguntou %Jenie%, para abrir o sistema de registros de encomenda.
— Carlise Tenebrae. — respondeu ele com o olhar enigmático fixado na delicada bailarina.
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- Seattle Sollary Hospital
Na sala dos enfermeiros, %Mia% tentava descansar um pouco. Sua volta à rotina tinha lhe exigido demais. Passar tanto tempo longe do hospital lhe deixou desacostumada e um pouco relaxada com a atenção aos procedimentos médicos. Agora teria que correr atrás do prejuízo e voltar a ser a residente aplicada que seu pai espera de si. A visita inusitada de %Simon% a pegou de surpresa, principalmente por terem deixá-lo ter acesso a uma área somente dos funcionários.
— Deixa eu adivinhar, brigou com alguém? — ela tentou segurar o riso, mas sem sucesso. — O que faz aqui? E que corte é esse no rosto?
— Briguei com um amigo por causa de uma garota. — respondeu ele com tranquilidade. — Mas não foi para falar disso que vim.
— E foi pelo quê? — perguntou ela curiosa.
— %Sebastian% me pediu para te perguntar sobre os membros da sua família, que mantém relações formais com as Indústrias Baker. — pronunciou ele o assunto.
— Bem, eu ainda não estou tão envolvida assim com os assuntos administrativos dos hospitais, meu pai me quer focada em minha especialização. — explicou a residente se interessando pelo assunto abordado. — Mas sei quem cuida da nossa ligação com os Baker.
— Para quê %Sebastian% quer saber sobre isso? Que interesse ele tem na minha família? — retrucou ela com outra pergunta.
— Ele não, mas sua cunhada sim. — respondeu subjetivamente.
— Annia Baker? — supôs, era a única irmã que…
Só depois de admitir que ela reparou no que tinha dito.
— Então admite. — a voz de %Demeter% veio da porta, entre gargalhadas. — Eu sabia que não ia demorar.
— A culpa é sua — ela olhou atravessado para %Simon% e dois se voltou para Baker. — Você não ouviu nada e, para começar, o que os dois fazem em uma área privada aos funcionários?
— Tenho contatos. — %Demeter% riu.
— Viu, ele tem contatos. — %Simon% riu junto, ambos brincando com a cara dela.
— Não vejo graça nenhuma nisso; você, fique calado. — disse ela ao apontar para %Demeter% e depois. — E você %Simon%, me diga, o que Annia quer com minha família? Ela não me disse nada enquanto estava em Manhattan.
— Os boatos de corrupção nas Indústrias Baker foram confirmados, você não lê os jornais da Continuum? — perguntou %Simon% estranhando sua pergunta.
— Tenho artigos científicos e grandes livros de medicina na lista de prioridades. — ela se mostrou indignada com a colocação dele. — Quem gosta de jornais aqui é o Baker.
— Que garota rancorosa, como consegue aguentar ela? — %Simon% segurou o riso em provocação e olhou para %Demeter%.
— Acho que foi porque ela salvou a minha vida, será que é um tipo de síndrome psicológica? — comentou %Demeter%.
— Olha, se ela tivesse te sequestrado, eu poderia dizer que é Síndrome de Estocolmo, mas como não foi assim…
Ambos riram um pouco, da cara fechada dela.
— Eu vou fingir que vocês dois estão me ignorando com essa conversa absurda — disse %Mia% controlando sua irritação. — E me expliquem de uma vez essa história toda.
— Voltando ao assunto, me parece que tem familiares seus envolvidos com o desvio de alguma fórmula especial que os laboratórios desenvolvem. — relatou %Simon% ficando um pouco mais sério. — Você tem alguém em mente?
— Meu tio é muito ambicioso, mas não seria capaz de entrar em esquemas assim, não por ser correto, mas por ser medroso mesmo. — observou ela avaliando os membros de sua casa. — Mas meu primo Derek, ele já se envolveu em casos de suborno e propina no passado, certamente sua ficha é mais suja ainda.
— Derek Sollary — disse %Simon% gravando o nome.
— Ele mesmo — afirmou ela.
— Annia realmente pediu ajuda a %Sebastian% para descobrir isso? — perguntou %Demeter%.
— Sim, parece que faz parte do acordo deles de aliança — confirmou o Dominos, o que a irmã mais velha de Baker havia lhe dito.
— Achei que fosse somente uma desculpa dela — confessou %Demeter%.
— Você sabia sobre isso? — %Mia% cruzou os braços demonstrando mais chateação pelo silêncio dele.
— Minha irmã disse que estava tudo sendo resolvido, já disse que não me envolvo com assuntos das Indústrias Baker — respondeu %Demeter% com serenidade.
— Posso pedir um último favor aos dois? — perguntou %Simon%.
— O que seria? — %Mia% olhou para o amigo.
— Tenho que voltar para Chicago por alguns dias, mas preciso que cuidem de %Jenie%. — seu olhar se mostrou preocupado.
— O que tem com a %Jenie%? — indagou %Demeter%.
— Não posso dizer, mas preciso da ajuda de vocês. — insistiu. — Preciso manter %Jenie% o mais afastado da Continuum e de %Sebastian%.
— Tudo bem — concordou %Mia% sem contestar. — Farei isso como sua amiga, mesmo não dizendo o motivo.
— %Jenie% é minha amiga, sempre vou protegê-la. — assegurou %Demeter%.
— Agradeço aos dois…. — ele se manteve sério, mas lançou um sorriso debochado. — E me chamem para ser o padrinho desse casamento.
— %Simon% — %Mia% o empurrou de leve. — Não dê palpite errado.
— Eu gostei — %Demeter% lançou um sorriso sugestivo. — Principalmente pensando na parte da noite de núpcias.
— Seu pervertido — ela se afastou deles e se aproximou da porta. — Sumam daqui, eu preciso voltar ao trabalho, meus pacientes me aguardam.
— Eu ainda sou seu paciente — reclamou %Demeter%.
— Se você ousar se machucar de novo, eu mesma te mato — ameaçou ela.
— Então já quer ficar viúva? — brincou %Simon%.
Eles riram de tudo aquilo.
%Simon% seguiu para o aeroporto, antes de voltar a Chicago, ele tinha uma parada em Manhattan. Seus compromissos com a reforma de seu restaurantes também importavam em sua lista de prioridades.
— E você, não vai embora? — perguntou %Mia% ao colocar seu jaleco novamente e pegar o estetoscópio, colocando no bolso do jaleco.
— Vim te trazer isso — %Demeter% lhe entregou a sacola em suas mãos.
— O que é? — perguntou ao pegar a sacola, já desconfiada.
— Estou sentindo você meio estranha esses dias, sempre ouvi de Annia que chocolate é capaz de apaziguar qualquer mulher com TPM — brincou ele ao explicar.
— E acha que estou de tpm? — ela colocou a mão direita na cintura.
— E não está? — ele riu. — Vou deixá-la trabalhar, e não se force muito, quero você inteira após o plantão de hoje.
— Hum… Abusado. — sussurrou ela ao observá-lo se afastar. — Baker atraente e abusado.
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- Dominos House, Chicago
Final da tarde...
Agora, em casa e cuidando dos negócios da empresa, era tudo que o chefe Dominos queria. Suas viagens haviam lhe tomado muito tempo, tanto que precisava preparar sua casa e família para as festividades do final do ano. %Sebastian% estava na sala de estar, lendo as novidades relatadas no jornal da Continuum. Neste momento, sua irmã Genevieve desceu as escadas, com um vestido chamativo e cabelos soltos, algo que atiçou a curiosidade do irmão mais velho.
— Teremos festa hoje e eu não estou sabendo? — perguntou %Sebastian% instigando que lhe desse satisfações.
— Não, %Sebastian%, não teremos festa, simplesmente fui convidada para um jantar — respondeu ela pegando suas chaves que estavam ao lado do telefone.
— Hum — ele manteve o olhar curioso. — Por isso um carro parado em frente os portões da mansão… Quem ousou convidar a irmã de %Sebastian% Dominos para um jantar?
— Você não me conta nada quando sai, por que eu tenho que contar a você agora? — retrucou ela.
— Porque eu sou o mais velho. — ironicamente ele riu.
— Me poupe, %Sebastian%, estou atrasada.
— Com quem, Geny? — insistiu chamando-a pelo apelido.
— Lance Village, satisfeito? — respondeu ela se irritando por sua insistência e seguindo para a porta.
— Agora estou, boa noite e bom jantar! — disse ele com um sorriso singelo.
— Obrigada — agradeceu não entendendo a gentileza do irmão.
Após a saída de Genevieve. Ele manteve sua atenção novamente ao jornal em suas mãos. Não demorou nada e %Nalla% entrou no ambiente trazendo umanotícia.
— Com sua licença, %Sebastian% — suave e equilibrada como sempre sua voz saiu como brisa.
— Diga — ele manteve o olhar no jornal.
— Janet Luz, a secretária dos
Tenebrae, ligou dizendo que eles desejam ter uma reunião com o senhor, logo após as festividades do final do ano. — anunciou ela, fazendo olhá-la. — E também confirmou a presença de alguns membros na festa de final de ano que irá oferecer a Continuum.
Um sorriso de canto de satisfação apareceu na face dele.
— Os
Tenebrae querem uma reunião… E ainda aceitaram meu convite…. — ele manteve o olhar fixo nela. — É um sinal de que as coisas estão indo como planejamos. Ela mencionou o assunto da reunião?
— Não, mas eles fazem questão da presença de mais um responsável pela
Família Dominos. — respondeu ela, lhe dando mais uma informação.
— Dois herdeiros Dominos, então %Simon% terá que ir comigo. — concluiu ele de imediato. — Mencionarei a ele sobre isso quando vier para o Natal, quanto a pesquisa que pedi sobre a Fletcher?
— Está em andamento — respondeu ela prontamente.
— E a encomenda de Annia? — continuou.
— %Simon% conseguiu um nome com a herdeira Sollary, o que significa que podemos prosseguir com a coleta de provas. — respondeu ela.
— Hum… Muito bem — ele fechou o jornal e colocou em cima da mesa de centro, então seguiu para seu escritório sendo acompanhando por ela.
— Está mesmo certo de oferecer a festa? — perguntou %Nalla%.
— Acha que podem fazer algo para sabotar a noite da família Dominos? — %Sebastian% a olhou intrigado por mais uma vez ela demonstrar incerteza quanto à festa.
— Não acho que seja prudente trazer o inimigo em sua casa. — explicou. — Por um simples presente de grego, os troianos foram extintos, imaginem a visita de um inimigo.
— O que sugere então? — ele cruzou os braços mantendo o olhar sério.
— Que tal oferecer em uma das fazendas que comprou? — instigou ela.
— Mostrar a eles minha reconquista? — %Sebastian% começou a analisar bem a ideia lançada por ela. — Tem fundamento e gostei da proposta.
— Agora, basta iniciar os preparativos. — concluiu ela.
— Deixarei a cargo de minha tia, sua aptidão para isso é incontestável.
%Nalla% deu um passo para perto da janela, olhando o jardineiro cuidar das flores próximo a adega.
— Deseja mais alguma coisa? — perguntou ela.
— Sim. — ele se aproximou. — Não me contou em detalhes sua visita a Donna Fletcher.
— Também não me contou o nome que Isla Fallin sussurrou a você. — retrucou ela.
— Então temos segredos um com o outro agora? — ele segurou em sua mão, mantendo o olhar sério porém suave. — O que me esconde, %Nalla% Miller?
— O mesmo que você me esconde, %Sebastian% Dominos. — ela se manteve firme ao charme dele. — Por que não quer dizer o nome da herdeira para mim?
— Não é o momento. — ele foi se aproximando mais dela. — Mas estou curioso para saber o motivo de se preocupar com isso. Devo minhas desconfianças a Donna?
— Agora vai mesmo colocar minha lealdade à prova? — %Nalla% se manteve indiferente às palavras dele, não esboçando nenhuma reação.
— Sabe que jamais faria isso, minha vida está em suas mãos, aconteça o que acontecer. — ele se afastou dela e se retirou do escritório.
%Nalla% deixou um sorriso escondido no canto da face sair.
Ela sabia que a declaração de %Sebastian% era tão verdadeira quanto sua lealdade a ele. Ela retirou uma mini barra de chocolate do bolso e deu a primeiro mordida, então seguiu para seu quarto.
Agora você quer brincar comigo
Você tem tudo que eu quero
Você foi feita perfeitamente
Amor frio e artificial.
- Artificial Love / EXO