Depois da Meia-Noite


Escrita porAlly M.
Editada por Natashia Kitamura


Capítulo 39

  Assim que abri a porta, me deparei com %Aidan% parado ali, com os mesmos olhos cansados e a expressão irritada que eu me lembrava da última vez.
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  — %Aidan%...
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  — Não me olhe com essa cara, %Cami% me deixou entrar. Ela me deu a senha da porta e vim garantir que você tá pelo menos se alimentando, porque ela disse que você não saiu do quarto.
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  Eu não sabia com que cara eu tinha olhado para ele, a não ser alívio. Porque era assim que eu estava me sentindo ao vê-lo ali parado na minha frente, vivo e bem. Tive que fazer um esforço gigantesco para não cair no choro e me agarrar a ele.
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  Eu tinha voltado no tempo, não tinha? Era a única explicação.
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  %Aidan% se virou em direção à cozinha e eu o segui em silêncio, respirando fundo para conter meu nervosismo. Me perguntei se íamos ter o mesmo diálogo de antes, mas logo descartei a possibilidade.
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  Aquele era meu corpo. Eu tinha o controle. Se eu realmente tinha voltado no tempo, aquela linha do tempo provavelmente seria diferente. Eu faria com que fosse. Se antes interferi na nossa história ao escolher ficar longe dele, agora seria o contrário. Eu deixaria as coisas acontecerem seguindo o que meu coração mandava.
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  — Eu fiz bibimbap pra você jantar — %Aidan% disse, tirando uma marmita quadriculada de uma sacola. Eram três andares e ele abriu um por um, revelando acompanhamentos típicos da culinária asiática. — Vem comer.
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  Sem hesitar, fui até ele e me sentei ao seu lado em frente ao balcão. Encarei a comida e meus olhos arderam. Quanto tempo fazia que eu não comia nada que ele havia cozinhado? Aquela tinha sido a última vez. Mas eu estava determinada a fazer com que fosse apenas mais uma, que se repetiria por muito mais tempo.
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  — Tá com uma cara muito boa — elogiei, ganhando um vislumbre de sorriso no canto dos seus lábios.
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  Comecei a comer com vontade, só então me dando conta do quão faminta eu estava. O molho apimentado provocou uma dor bem-vinda na minha boca, algo que me distrairia em vez de ficar relembrando o que tinha acontecido antes. %Aidan% não tinha vivenciado nada daquilo e eu não o faria sofrer mais.
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  E quando chegasse a hora, eu o escolheria. O escolheria quantas vezes fosse possível.
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  %Aidan% me observou comer como se fosse a coisa mais interessante do mundo e contive um sorriso. Percebendo isso, ele sorriu abertamente.
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  — O quê?
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  — Nada. — Ele deu de ombros.
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  — A comida tá uma delícia. Você não quer? — Ofereci uma colherada para ele, que a encarou por um instante antes de se inclinar e comer.
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  Sorri, satisfeita, não me contendo mais. Havia comida suficiente para duas pessoas e, mesmo que ainda fosse cedo, comemos tudo mesmo assim. Quando acabamos, me levantei para pegar duas latas de Coca Zero na geladeira e coloquei uma em frente a ele.
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  — Tem certeza de que você devia tomar isso? — %Aidan% perguntou, e eu o encarei, confusa.
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  — Você esqueceu uma coisa, %Lexi% — acrescentou ele.
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  Então tirou algo do bolso e colocou em cima do balcão.
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  Eu já sabia o que era e como ele tinha encontrado, então não me surpreendi. Decidi ser sincera e evitar uma discussão.
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  — %Aidan%, eu... Tive uma suspeita.
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  — E quando pretendia me contar?
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  — Acabei esquecendo disso, desculpa. Fiquei com a cabeça cheia. Eu tenho quase certeza de que não tô grávida. Não tô sentindo nada. Comprei só pra ter confirmar. Não queria te preocupar com isso também.
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  — %Lexi%, não importa se é uma suspeita ou não, eu tinha o direito de saber.
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  — Tudo bem, desculpa. — Peguei a minha lata de refrigerante com a intenção de abrir, mas ele a afastou de mim.
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  — Nada disso. Tenho certeza de que faz mal pro bebê.
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  Eu o encarei, incrédula. Tentei pegar a lata de volta, mas ele se levantou. Fui atrás, mas foi em vão.
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  — %Aidan%! — reclamei, quando ele se esgueirou mais uma vez para o lado oposto do balcão.
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  — Acho melhor você tomar um suco.
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  Grunhi, irritada, e andei um pouco de um lado para o outro, com as mãos na cintura.
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  — Você fala como se o bebê realmente existisse.
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  — E se existir? — Ele deu a volta no balcão, parando na minha frente.
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  Respirei fundo uma vez, então resolvi dizer o que eu já sabia.
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  — %Aidan%... Eu não tô grávida.
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  — Você não sabe disso ainda.
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  Por um instante, quase discuti com ele, mas me lembrei, mais uma vez, de que ele ainda não tinha vivenciado aquele momento.
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  — Eu...
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  — %Lexi%. — Ele me puxou para perto, me fazendo esbarrar em seu corpo. — Por que você não para de ser teimosa e volta logo pra mim?
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  Meu coração errou uma batida.
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  Talvez aquele fosse o momento.
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  — %Aidan%... — sussurrei seu nome, mas soou mais como uma súplica.
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  — Eu sei que você é tão obcecada por mim quanto eu sou por você, %Lexi%. — Ele roçou o nariz no meu, tão próximo que se eu me inclinasse um pouquinho para frente, nossos lábios se tocariam.
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  Senti os olhos arderem e meu corpo clamar por ele, mas dessa vez não era porque eu sabia que tinha que me afastar, e sim porque eu estava morrendo de saudades. A proximidade era agonizante e embora para %Aidan% fizesse apenas alguns dias que estávamos separados, para mim eram mais de dois meses, somados à dor de lidar com sua morte, ainda fresca na memória.
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  — Eu te amo demais. Não posso te deixar ir — ele sussurrou, roçando os lábios nos meus, sem realmente me beijar. Ele fez isso uma, duas vezes. Na terceira, pressionei minha boca contra a dele e ele correspondeu de imediato.
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  Foi quase desajeitado, assim como da outra vez. Mas eu estava desesperada por seu toque e, quando %Aidan% encaixou nossas bocas perfeitamente e nossas línguas se entrelaçaram, tive certeza de que ele era a minha escolha mais certa, não só naquele momento, mas desde que o vi pela primeira vez, sete anos atrás, quando eu era apenas uma fã.
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  Eu o queria tanto… E, daquela vez, estava decidida a não me segurar.
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  %Aidan% me pressionou contra a parede ao nosso lado e, no instante seguinte, minhas pernas já estavam ao redor de sua cintura. Interrompi o beijo por falta de ar e ofeguei, com a respiração e o coração acelerados. Ele levou a boca ao meu pescoço e me beijou ali, enquanto eu me agarrava a ele como se fosse a última gota de água em um deserto. Meu corpo estava quente, e senti o calor se concentrar no centro dele, onde eu mais o queria.
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  — %Aidan%... o quarto — consegui dizer. Embora a ideia de terminar o que começamos ali mesmo fosse tentadora, %Cami% podia chegar a qualquer momento.
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  Sem pestanejar e ainda comigo no colo, ele entrou pela porta a um metro de onde estávamos e a fechou com o pé. Em seguida, dirigiu-se até a cama, onde me colocou com cuidado, e se afastou para tirar a jaqueta e a camisa.
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  Havia uma intensidade no seu olhar que provavelmente me deixaria de pernas bambas. Ainda bem que eu já estava na cama. Mas, por mais que apreciar o momento fosse bom, eu estava faminta por ele. Assim, não perdi tempo e me levantei também, livrando-me de todas as minhas roupas, uma a uma. Quando percebeu o que eu estava fazendo, %Aidan% continuou a se despir enquanto me encarava.
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  Então nos atracamos outra vez, tropeçando e caindo na cama. Rimos juntos do nosso desajeito, mas no instante seguinte, seus lábios encontraram os meus outra vez e sua mão deslizou entre nossos corpos, alcançando o meu centro úmido. %Aidan% deslizou um dedo em mim com facilidade, e eu sabia que ele queria ter certeza de que eu estava pronta, e a resposta era: sim, eu estava.
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  Aquela parte de mim estava literalmente doendo por ele.
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  Eu estava impaciente e morrendo de saudades. Poderíamos nos apreciar devidamente em outro momento, mas não naquele. Com isso em mente, empurrei %Aidan% para que se deitasse e, em seguida, subi em seu colo.
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  — %Lexi%... — ele murmurou meu nome, um segundo antes de eu o beijar.
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  — Eu quero você, %Aidan%. Agora, depois e pra sempre — esclareci.
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  Deslizei meus lábios pelo seu pescoço e rocei os dentes na tatuagem que ele tinha do lado esquerdo, notando sua pele se arrepiar. De baixo de mim, sua rigidez cutucava minha barriga. Me afastei e o segurei com uma mão, guiando-o até minha entrada. Então, lentamente abaixei os quadris, envolvendo-o aos poucos enquanto sentia meu corpo se esticar e se adequar ao seu redor para recebê-lo. Suspirei com a sensação de estar completamente preenchida e apoiei as duas mãos em seu peito antes de começar a me mover para cima e para baixo.
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  Um gemido baixo escapou de nossos lábios em uníssono, e %Aidan% me segurou firmemente pelos quadris, me guiando nos movimentos.
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  Um instante depois, havíamos encontrado um ritmo, e eu só conseguia pensar quão magnífico era conhecermos tão bem o corpo um do outro.
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  O clímax me atingiu de repente, e vacilei um pouco sobre ele. %Aidan% aproveitou a oportunidade para inverter nossas posições e, um segundo depois, estava dentro de mim novamente. Ofeguei ao sentir aquela sensação crescendo em mim outra vez. Meus músculos se tensionaram e apertei minhas pernas ao redor de sua cintura, sentindo uma fina camada de suor se formar em nossos corpos. %Aidan% enfiou a mão entre nós novamente e me tocou, provocando um estímulo extra que me fez cravar as unhas em seus ombros. A tensão aumentou e, quando menos esperei, estremeci embaixo dele, um instante antes dele me acompanhar, se derramando em mim enquanto eu o abraçava com toda a força que tinha.
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  Estávamos ofegantes e cansados, e eu senti que estava recuperando minha felicidade aos poucos. Meus olhos arderam e eu funguei, sentindo as lágrimas que segurei mais cedo caírem.
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  Ao ouvir o som, %Aidan% se afastou e me encarou, preocupado.
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  — Ei, o que foi? — perguntou, suavemente. — Por que você tá chorando?
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  — Porque eu tô feliz — respondi, sincera. — Sinto muito por fugir e por ter magoado você. Eu não devia ter feito isso. Não queria ter feito.
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  %Aidan% se moveu para o meu lado na cama, puxando-me para que eu me aconchegasse em seu peito. Em seguida, acariciou meu rosto com uma das mãos e limpou minhas lágrimas. Então, inclinou-se, beijando meu rosto molhado.
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  — Tá tudo bem, amor. Vai ficar tudo bem, vamos enfrentar isso juntos.
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  — Eu te amo, %Aidan%. Muito mesmo. Não quero ficar longe de você nunca mais.
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  — Então não fique. — Ele sorriu. — Eu sou todo seu.
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  — E eu sou toda sua. — Afastei uma mecha de cabelo de sua testa, e ele segurou a minha mão, beijando a palma.
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  Pela primeira vez em meses, senti que finalmente estava no lugar certo.
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***

  %Cami% chegou pouco depois das seis. %Aidan% e eu tínhamos acabado de tomar banho havia poucos minutos quando ouvimos a porta da frente abrir.
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  Saímos do quarto logo em seguida, e %Cami% pareceu surpresa por ainda o encontrar ali. %Aidan% segurou minha mão e sorriu para ela, que entendeu tudo no mesmo instante.
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  — Eita, isso é o que eu tô pensando? — ela perguntou, olhando de %Aidan% para mim.
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  — Vou voltar pra casa. Desculpa te preocupar. — Encolhi os ombros, me sentindo meio desconcertada.
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  %Cami% assentiu e andou até mim.
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  — Vai ficar tudo bem. Se cuida, irmã. — Ela me abraçou e se virou para %Aidan%. — Você também.
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  — Pode deixar. — Ele sorriu.
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  %Aidan% me ajudou a arrumar minhas coisas e saímos alguns minutos depois. Felizmente, eu havia voltado no tempo para um momento antes de fazer minha mudança completa, então não havia muitos pertences ali.
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  Quando chegamos em casa, encontrei o quarto exatamente como o tinha deixado. Se não fosse pelo cesto de roupa suja no banheiro, eu diria que %Aidan% nem sequer tinha entrado ali. Não era do feitio dele arrumar a cama ao se levantar, mas talvez tivesse feito isso.
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  Não dei muita importância. Troquei de roupa, vestindo um baby doll azul e branco, e notei que %Aidan% havia recolocado os sapatinhos vermelhos dentro da caixa, que agora estava em cima do móvel onde ele guardava seus acessórios.
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  Encarei a caixa com um misto de carinho e tristeza e me virei para sair do closet. Encontrei %Aidan% colocando uma pilha de lençóis na cama. Ele também havia trocado de roupa e agora estava sem camisa, vestindo apenas uma calça preta larga.
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  — Você lavou isso? — perguntei.
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  — O quê? — Ele me olhou e seguiu meu olhar até os lençóis. — Ah... os lençóis? Não.
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  — E o que você tava fazendo com eles?
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  %Aidan% soltou um suspiro resignado.
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  — Tava trazendo do quarto de hóspedes.
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  — Como assim? Você tava dormindo lá?
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  Ele assentiu, devagar.
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  — Por quê?
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  — Por que você acha, %Lexi%? — Ele me encarou, a voz baixa, firme. — Você foi embora pra fugir das nossas lembranças… mas pra onde eu iria, se eu te vejo em cada canto desse apartamento?
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  — Você... Tava tentando me esquecer?
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  — Não. Eu tava tentando não pensar em você — ele confessou. — Não deu muito certo, por sinal. Passei umas noites no estúdio antes de resolver ir pro outro quarto.
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  — Ah… certo.
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  Na outra linha do tempo, mesmo quando viajamos juntos, %Aidan% nunca me contou isso. Não que ele tivesse que fazer isso, é claro. Estávamos separados. Eu não sabia muito bem como assimilar aquela informação sem me sentir culpada, e acho que minha expressão deixou isso óbvio, já que ele se apressou em esclarecer.
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  — Não tô dizendo isso pra você se sentir culpada, %Lexi%. Foi só o que aconteceu. Passou. Mas não pense em me deixar de novo, ou acho que vou ter que me mudar de apartamento.
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  Uma risada escapou de mim ao ouvi-lo, e pensei em como era dramático da parte dele dizer aquilo, embora soubesse que %Aidan% provavelmente faria mesmo algo do tipo. Ou reformaria o apartamento inteiro.
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  — Não vou sair de perto de você, eu prometo. E prometo não quebrar essa promessa — declarei. — Pensando bem, vou virar sua sombra.
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  %Aidan% riu e me puxou pela cintura.
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  — Vou levar isso a sério e te arrastar comigo pra todo lugar — ele brincou.
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  Em seguida, levantou uma das minhas mãos e a beijou enquanto me olhava nos olhos.
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  O encarei, completamente abobalhada, me sentindo em paz. Mas, embora soubesse que %Aidan% era a escolha certa, eu também sabia que isso não o isentava de correr perigo, nem a mim. O stalker ainda estava solto e, em breve, eu esqueceria de tudo o que tinha acontecido antes, então precisava dar um jeito de fazer algo a respeito antes de perder minhas lembranças, já que não fazia ideia de quanto tempo elas durariam. Seriam dias, semanas? Talvez meses, se eu tivesse sorte? De um jeito ou de outro, Jace ainda estava solto, assim como Roy, o cara que ele contratou para me atacar. Eu não sabia como ainda, mas daria um jeito neles.
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  Respirei fundo, absorvendo a tranquilidade que me trazia ver %Aidan% vivo e bem, e envolvi meus braços ao redor de sua cintura, abraçando-o apertado. Eu precisava protegê-lo da melhor forma possível, não me distanciando dessa vez, mas permanecendo ao seu lado. Jace Keller ia ver só a próxima vez que eu o encontrasse.
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  Nós seríamos felizes. E eu me agarraria com unhas e dentes à nova chance que me foi dada.
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Capítulo 39
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