Depois da Meia-Noite


Escrita porAlly M.
Editada por Natashia Kitamura


Capítulo 32

  %A%♥: Chego em cinco minutos.
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  Minhas mãos tremeram levemente enquanto digitei uma resposta após ler a mensagem. Eu não tinha nem sequer tirado aquele emoji do nome dele.
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  %Lexi%: Tô descendo.
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  Peguei minha bolsa, passando rapidinho no banheiro para conferir minha aparência. A maquiagem estava no lugar e meu cabelo também, mas retoquei o batom rosado mesmo assim. Quando saí do elevador, pouco tempo depois, meu coração começou a bater tão forte que fiquei com medo de %Aidan% ouvir se chegasse muito perto.
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  Não que isso fosse possível, era meio ideia de gente doida. E não que ele fosse chegar perto o suficiente para sentir, muito menos ouvir. Mas eu estava nervosa pra cacete. Tive a manhã toda para me acostumar com a ideia de ver %Aidan% outra vez, mas não serviu de nada para me acalmar.
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  E não ajudou muito quando o avistei encostado no carro, do lado do carona, de braços cruzados, vestindo jeans e uma camisa social branca com as mangas dobradas até os antebraços e os dois primeiros botões desabotoados.
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  Odiei. Odiei demais.
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  Lá no fundo, uma parte bem egoísta minha achava que %Aidan% tinha feito isso de propósito. Ele era um cara que usava camisetas no dia a dia, camisas sociais eram para ocasiões específicas. E também sabia que eu me derretia toda quando o via todo charmoso assim.
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  O frio na barriga ficou um pouquinho mais forte à medida que fui me aproximando, mas tentei manter uma expressão impassível no rosto. Ele era meu ex-namorado agora, não precisava saber que, mesmo após quase dois meses, ainda me afetava. Ou melhor, eu não precisava admitir isso, sendo que ele conhecia todos os meus pontos fracos.
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  %Aidan% não tinha nada de inocente. Ele podia ser um cara legal, que fazia todas as minhas vontades frequentemente — como todo bom namorado deveria —, mas também tinha aquele lado que sabia exatamente o que fazer para ficar sob a minha pele.
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  Respirei fundo e caminhei até parar em sua frente.
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  — Oi. — Sorri de lábios fechados.
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  — Oi. — Ele sorriu de volta e abriu a porta do carro para mim, colocando a mão na parte superior da porta, para o caso de eu bater a cabeça. Isso só tinha acontecido uma vez quando fiquei bêbada, mas, desde então, %Aidan% tinha adquirido o hábito de fazer aquilo.
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  Ele deu a volta para entrar no carro e logo estávamos na estrada.
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  — Como tá o trabalho? — %Aidan% perguntou casualmente, quebrando o silêncio entre nós.
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  — Bem, e o seu?
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  — Só umas coisas aqui e ali pra resolver. Tô querendo liberar um single semana que vem. Vai estar no álbum e vamos revelar a capa na apresentação em LA.
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  — Sério? Tão rápido?
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  — Acabei adiantando umas coisas nas últimas semanas. — Ele deu de ombros. — E você? Tá feliz por voltar pro escritório?
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  — Eu amo home office, mas é meio entediante. No escritório eu sempre posso ver o pessoal e jogar conversa fora.
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  %Aidan% assentiu e caímos no silêncio novamente.
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  — E a sua mãe, como tá? — perguntei, uns trinta segundos depois.
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  — Ela tá bem animada com a festa. Vai ser à fantasia.
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  — Sério? Que legal. Você vai?
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  — Não, provavelmente não. — Ele encolheu os ombros. — Se eu aparecer sozinho, as pessoas vão me encher de perguntas e não tô muito a fim de socializar.
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  Ele não precisava explicar o resto. Eu sabia que seriam perguntas sobre mim, sobre nós. Eu conhecia a família de %Aidan% inteirinha. Diferente da minha, com quem eu nem tinha contato há anos, os membros da dele eram bem próximos uns dos outros.
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  — Entendi. E os presentes, então? Você vai mandar por correio?
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  — Acho que sim — ele respondeu, e então pareceu pensar por um momento, antes de voltar a falar. — Você quer ir? Pode ir sozinha, eu fico aqui.
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  Soltei uma risada, incrédula.
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  — Tá falando sério?
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  — Por quê? — Ele me encarou por um segundo, com o cenho franzido, antes de voltar a prestar atenção no trânsito.
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  Suspirei, prestes a falar o óbvio.
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  — É a sua mãe, %Aidan%. Não faz sentido nenhum eu ir e você ficar.
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  — Minha mãe te adora. Ela iria gostar que você fosse.
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  — Ela sabe? — perguntei, de repente. %Aidan% me encarou por mais um segundo, antes de responder.
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  — Sabe.
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  — E ela não me odeia?
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  — Minha mãe não odeia ninguém, %Lexi%. Além disso, é impossível te odiar.
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  — Até pra você? — perguntei, sem pensar.
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  — Especialmente pra mim — ele respondeu em um tom de voz baixo. — Mas se quer saber... Eu fiquei com raiva de você. Mas depois passou.
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  — Por quê?
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  — Porque eu acho que você deve ter outros motivos além do bebê. Não sei o que é, e se você não quis me contar, não vou te forçar a isso. Mas... Eu fiz alguma coisa?
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  — Não — admiti baixinho.
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  — Eu não fiz alguma coisa, então? Algo que deveria ter feito? — ele perguntou em seguida.
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  — Não. Você era perfeito.
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  Silêncio. Então ele pigarreou.
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  — Caramba, o trânsito tá péssimo hoje. Ainda bem que a gente tá perto. Escolhi aquele restaurante coreano que você gosta. Depois a gente pode ir num shopping atrás de um presente.
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  — Você já sabe o que vai comprar? — perguntei, tentando deixar aquele assunto de lado. Não estávamos ali para conversar.
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  — Não faço ideia — foi a resposta dele, para a surpresa de ninguém. %Aidan% era péssimo nessas coisas. — Você tem alguma sugestão?
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  — Sua mãe adora bolsas. Podemos procurar algum lançamento legal.
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  — Tá, você que sabe.
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  — Vamos escolher juntos — esclareci. — É sua mãe.
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  — Tá, tudo bem.
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  Alguns minutos depois, entramos no restaurante, e o garçom nos levou até a mesa que %Aidan% tinha reservado. Segui atrás dele e notei as pessoas nos encarando com curiosidade, provavelmente o reconhecendo, mas ele não pareceu se importar. Sentamos numa mesa dos fundos, um pouco mais distante das outras e logo fizemos o pedido.
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  Ficamos debatendo sobre o cardápio apenas para não cair em silêncio outra vez, e senti que tínhamos feito um acordo silencioso de não tocar no assunto nós.
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  Depois de um tempo, a comida chegou e eu não pude deixar de rir quando %Aidan% colocou uma colher de caldo apimentado na boca e quase o cuspiu de tão quente. Peguei um pedaço de rabanete em conserva e ofereci a ele. Ele encarou meu braço estendido por um segundo antes de aceitar, e senti meu rosto esquentar um pouco. Eu estava tão acostumada a dividir comida com ele, a alimentá-lo e ser alimentada, que não pensei antes de lhe oferecer.
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  Acho que ele percebeu meu leve constrangimento, porque logo tratou de encontrar outro assunto aleatório para conversarmos. Dessa vez, falou sobre um amigo, também músico, que encontraria em Los Angeles e se apresentaria com ele. Ji Ho era um rapper de ascendência asiática que %Aidan% tinha conhecido e com quem colaborou em algumas músicas no início da carreira. Os dois costumavam ser bem próximos e, mesmo com a distância, ainda trocavam mensagens frequentemente.
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  Era um dos poucos amigos que ele tinha. Provavelmente o único amigo que não era em comum comigo.
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  Embora conhecesse muita gente na indústria da música, %Aidan% era um cara mais introspectivo, que preferia ficar na dele. Ele e Hero se davam bem, mas nunca saíam juntos sem mim e Kate de chaveirinho. Hero também se limitava a interagir mais com os membros da banda — mas eu ainda sonhava com o dia em que os dois fariam uma colaboração juntos em uma música.
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  Depois do almoço, nós seguimos para um shopping perto do restaurante. Era a primeira vez que eu pisava em um após o acidente e fiquei meio travada para sair do carro quando chegamos ao estacionamento.
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  — %Lexi%? Tá tudo bem? — %Aidan% me encarou, intrigado.
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  — Sim, só... Espera um pouco. — Respirei fundo duas vezes. — Tudo bem, vamos.
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  — A gente pode ir em outro lugar se você quiser — ele ofereceu.
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  — Não, tá tudo bem — neguei prontamente. — É só um estacionamento, %Aidan%.
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  Ele assentiu e saímos do carro. Quando fiquei ao seu lado, %Aidan% segurou minha mão.
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  — Você pode soltar se quiser, mas tô aqui se precisar — falou e senti um nó se formar na minha garganta.
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  — Obrigada. — Entrelacei meus dedos aos dele, deixando claro que não soltaria.
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  %Aidan% foi meu namorado por três anos, mas não era apenas amor que sentíamos um pelo outro. Ele era meu melhor amigo, meu porto seguro. Senti meu coração transbordar de gratidão por ele não me odiar, por continuar sendo gentil mesmo depois do que fiz com a gente.
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  Ele era bom demais para este mundo.
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  — Pronta? — ele perguntou e eu assenti.
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  Então começamos a andar até a entrada.
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  No meio do caminho, paramos para comprar sorvete e fiquei feliz por ninguém o abordar para pedir autógrafos ou algo do tipo. Eu estava acostumada com fãs aparecendo quase sempre que saíamos juntos, então aquilo era uma exceção.
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  Eu mal tinha chegado na metade do meu sorvete quando comecei a me sentir cheia, muito provavelmente porque tinha sido uma péssima ideia comer aquilo logo após um almoço repleto de comida. %Aidan% já tinha terminado o dele porque, aparentemente, seu estômago não tinha fundo, e senti seu olhar sobre mim enquanto eu mexia devagar no sorvete, sem realmente comer.
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  Levantei a cabeça sem dizer nada, e ele suspirou antes de pegar a casquinha da minha mão e começar a comer em silêncio. Tive que lutar para segurar um sorriso e até irei o rosto para o outro lado.
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  Então senti os dedos de %Aidan% no meu queixo, forçando-me a encará-lo e, em seguida, seus lábios gelados na minha bochecha, em um beijo tão rápido que não tive tempo de reagir.
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  — Ei, para de olhar pro nada, eu tô bem do seu lado.
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  Pisquei, levemente confusa. Ele queria atenção?
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  — Tá — respondi, e ele entrelaçou nossas mãos outra vez.
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  — Você não tirou sua aliança — cochichou, enquanto observava em volta.
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  — Nem você a sua — devolvi.
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  Eu tinha notado assim que ele pôs as mãos no volante do carro, logo antes de sairmos.
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  — As pessoas fariam perguntas...
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  — Então é isso? Vamos fingir pra elas não perguntarem? — eu quis saber.
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  — Não é da conta de ninguém.
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  — E você vai lançar um álbum em breve. Não precisa da imprensa te enchendo com isso — justifiquei, achando aquela desculpa perfeitamente aceitável.
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  — É... — ele concordou. — Eu tô bem. Mas você decide. Não precisamos fazer nada.
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  — Vamos só manter do jeito que tá — decidi. — Você era meu amigo também, não era?
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  Meu melhor amigo, acrescentei mentalmente. Mas eu não precisava dizer em voz alta porque o olhar de %Aidan% foi suficiente para eu saber que ele havia entendido. E eu também era sua melhor amiga. Éramos esse tipo de casal, com uma relação fácil e harmoniosa assim.
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  — Sim — ele respondeu, firme. E então apontou para uma loja da Prada. — O que acha de olharmos ali?
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  — Acho ótimo. Vamos.
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  Vinte minutos depois, saímos de lá com duas bolsas, cada uma com uma sacola de presente. Passei uns cinco minutos tentando convencer %Aidan% de que eu queria comprar um presente para a mãe dele com meu próprio dinheiro, enquanto ele resmungava que ela já devia ter bolsas demais e blá blá blá. Nós dois sabíamos que era uma desculpa, pois ele não queria que eu gastasse dinheiro e eu não o deixaria pagar pelo meu presente — essa era uma discussão perdida que ele sabia muito bem que não valia a pena sequer tentar me convencer.
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  Ganhei algumas reviradas de olhos dele, mas saí de lá feliz. Escrevi até uma mensagem em um cartão para a Sra. %Callahan%.
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  Meu horário de almoço acabaria em breve, então logo fomos embora.
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  — Você vai enviar os presentes ainda hoje? — perguntei, no meio do caminho.
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  — Não, talvez amanhã. Aposto que ela nem vai ter tempo de abrir os presentes no dia.
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  — Você devia ir, sabe? É sua mãe. Ela passou meses planejando essa festa. Não acha que tá sendo meio egoísta?
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  Certo, eu não queria dizer a palavra egoísta, mas infelizmente saiu assim.
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  — Egoísta? — %Aidan% riu, sem humor. — A minha mãe nem sabia se a gente ia. Não acho que ela vá sentir minha falta.
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  — Isso é o que você pensa. É óbvio que ela não ia admitir isso, %Aidan%. Até parece que você não conhece sua mãe. Além disso, você pode ir e, sei lá, se esconder num canto ou simplesmente evitar responder perguntas. Você não deve satisfação a ninguém.
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  — Rá! Até parece que você não conhece a minha família — ele retrucou, me encarando por um instante. Paramos em um sinal vermelho e ele se virou para mim. — Se for pra ir e ficar escondido, %Lexi%, então é melhor eu ficar em casa.
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  — Só tô dizendo que você podia fazer um esforço por ela.
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  — Não sei se vale a pena. Sempre posso ir em outra data, ou ela pode vir me visitar.
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  — Ai, sério. Você é tão cabeça dura — comentei, irritada. — Sua agenda vai ficar cheia em breve, você mal vai ter tempo de respirar, %Aidan%.
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  — Ah, agora eu sou cabeça dura? Bem, isso não estaria acontecendo se você não tivesse me largado porque aí nós iríamos juntos.
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  Fechei os olhos e respirei fundo, tentando conter meu temperamento. Ele estava sendo infantil agora.
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  — Achei que não íamos falar disso.
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  — Foi você que começou com essa insistência toda — ele me acusou, desviando o olhar para o trânsito à frente e batucando o dedo no volante.
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  Abri um sorriso e tive que lutar para não dar um tapa na parte de trás de sua cabeça — e também porque odiava admitir que ele estava certo. Se ainda estivéssemos juntos, aquela discussão nem estaria acontecendo. Então, em um impulso, sugeri o que provavelmente era uma péssima ideia:
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  — E se eu for com você?
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  %Aidan% parou de batucar o volante e virou lentamente a cabeça para me encarar.
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  — Tá falando sério? — Ele arqueou uma sobrancelha, desconfiado.
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  — Sim.
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  — Não é nenhuma pegadinha? Pra me fazer ir sozinho de última hora?
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  — Quer ficar com a minha identidade como garantia? — perguntei com ironia, mas então o idiota estendeu a mão. — Sério?
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  — Você que ofereceu.
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  Ri, incrédula, e enfiei a mão na bolsa para pegar a carteira. Um instante depois, bati com minha identidade na mão dele, e o idiota deu uma risadinha antes de guardá-la no bolso da camisa e voltar a dirigir.
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  — Que infantil, %Aidan% — resmunguei. — Você devia me dar mais crédito.
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  — É a garantia. Eu sei que você não aguenta ficar sem os seus documentos, então eu te entrego no avião.
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  Revirei os olhos e, pouco depois, ele parou em frente ao edifício da editora.
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  — Você compra as passagens — avisei, assim que abri a porta.
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  — Como se eu fosse te deixar pagar por qualquer coisa.
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  — Ótimo. Melhor ainda.
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  — Vejo você na quinta, %Lexi%. — Ele soprou um beijinho para mim com um sorrisinho que fez meu coração pular.
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  Respondi mostrando o dedo do meio.
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  — Até mais, babaca.
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  E saí do carro, ouvindo sua risada antes de fechar a porta.
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Capítulo 32
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