Depois da Meia-Noite


Escrita porAlly M.
Editada por Natashia Kitamura


Capítulo 28

%Lexi%

  — Vamos, Zico. Eu pinto o seu primeiro e depois você pinta o meu — disse a minha skin de Ayla. — É só jogar no cabelo que nem um creme de hidratação e pronto. Eu já até preparei a tinta.
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  — Tá, e cadê as luvas? — ele perguntou e eu ri por dentro, já sabendo o que Ayla diria.
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  — Eu esqueci de comprar. Mas tá tudo bem, a tinta não mancha. Vem, senta aqui na cadeira. Pode segurar o espelho, se quiser ir vendo.
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  Zico fez o que ela/eu disse e comecei a tingir seu cabelo. Cerca de dez minutos depois, troquei de lugar com ele, depois de tirar o excesso de tinta das mãos.
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  — Tem certeza de que lavou a mão direito?
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  — Eu tirei só o excesso, vou pintar minha sobrancelha enquanto você pinta meu cabelo — expliquei.
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  Era uma cena automática em que eu era uma mera expectadora, mas estava me divertindo muito. Zico era uma graça. Falava "não" para Ayla umas mil vezes, mas no fim sempre fazia as vontades dela.
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  Naquela ocasião, Ayla o convenceu a pintar o cabelo da mesma cor que o dela, um ruivo laranjinha. Quando acabou, Zico relutantemente a deixou fazer uma maquiagem de idol de K-Pop nele, com direito a delineador e tudo. Tiramos algumas fotos e só então Ayla finalmente o deixou ir embora.
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  Senti a mudança quando fiquei sozinha. O controle de seu corpo era meu de novo. Fazia alguns dias que eu estava ali, mas tinha consciência que só devia ter se passado uns dois dias desde que cheguei na casa de %Cami%. No entanto, passei a maior parte do tempo dormindo e me recusei a conversar com ela. Eu não queria tocar no assunto ainda, e ela não insistiu.
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  Quando chegou em casa à noite, perguntou se eu havia comido e como eu estava, e sem nem abrir a porta respondi que estava bem.
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  Nós duas sabíamos que era mentira, mas eu desconfiava que %Aidan% tivesse conversado com ela. Se tinha uma coisa que ele era incapaz de fazer era manter a boca fechada — acho que ele usava toda a sua força de vontade em me manter livre de spoilers de suas novas músicas. Tirando esse pequeno ponto, ele nunca conseguia esconder nada de mim. E se eu sabia, consequentemente minha irmã também saberia, então eu meio que já esperava que ele tivesse dado alguns detalhes da nossa discussão para ela.
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  Não que eu me importasse, é claro, era um trabalho adiantado. Tudo o que eu sentia vontade de fazer era dormir e vir parar em Tenaz, onde eu me distraía dos meus próprios problemas. Minha mente estava cheia e, acordada, eu só conseguia pensar nas palavras que eu deliberadamente falei para magoar %Aidan% e ele me deixar ir — além da maldição que nos perseguia.
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  Eu também sabia que não podia ficar assim para sempre. Fazia quase quarenta e oito horas e logo eu teria que voltar ao trabalho. Quando saí do apartamento, peguei algumas roupas, o notebook e meu tablet, além dos meus documentos. A maior parte obviamente ainda estava lá, mas eu ainda não tinha energia para lidar com isso. Você se colocou nessa posição por conta própria, agora lide com isso, pensei comigo mesma.
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  Deitei no sofá de Ayla e fechei os olhos por alguns minutos, até ouvir uma batida forte na porta do quarto que me fez levantar em um pulo. Automaticamente me dirigi em direção à porta e mal tive tempo de raciocinar que eu não estava mais em Tenaz, mas sim de volta à realidade, no quarto de hóspedes de %Cami%.
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  As batidas continuaram e destranquei a porta, confusa. %Cami% já tinha chegado e perdeu a paciência comigo?
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  Ainda eram quatro e meia da tarde.
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  Abri a porta, mas logo me arrependi ao ver %Aidan% parado ali, com bolsas de cansaço abaixo dos olhos e uma expressão nada feliz no rosto.
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  Na verdade, ele parecia bem irritado.
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  — O que você tá fazendo aqui? — perguntei baixinho, surpresa em vê-lo ali.
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  — Sua irmã me passou a senha da porta. Vim garantir que você tá pelo menos se alimentando, porque ela disse que você não saiu do quarto.
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  Senti o coração acelerar e meus olhos arderam um pouco. Ele também não parecia nada bem. Isso é culpa sua, %Lexi%. Você escolheu isso.
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  — Isso não é da sua conta, %Aidan% — declarei, tentando ignorar a voz da minha consciência que não parava de me criticar. — Você nem devia estar aqui. Eu não quero te ver.
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  Mentirosa.
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  Por um breve instante, %Aidan% abriu um sorriso sarcástico ao ouvir aquilo.
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  — Então feche os olhos. Não vou embora. — E se virou, indo em direção à cozinha.
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  Andei atrás dele.
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  — Como assim, não vai? Você nem devia ter vindo, %Aidan%! A gente terminou!
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  — Você esqueceu uma coisa, %Lexi%. — Ele se virou para me encarar, então tirou algo do bolso e colocou em cima do balcão.
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  Arregalei os olhos quando vi o teste de gravidez que eu havia comprado. Me esqueci totalmente disso quando recuperei minhas memórias. Depois fiquei ocupada demais com nossa discussão, e então em sair de casa.
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  — %Aidan%, eu… — Eu nem sabia que desculpa inventar, na verdade. Nem tive tempo, já que %Aidan% voltou a falar, logo em seguida.
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  — Quando pretendia me contar? Ah, não, espera. Você não pretendia — ele me acusou.
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  — É só uma suspeita! — tentei justificar, me sentindo subitamente pressionada. — Eu tenho quase certeza de que não tô grávida. Não tô sentindo nada também. Comprei só pra não ter que ficar pensando nisso.
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  — %Lexi%, não importa se é suspeita ou não, eu tinha o direito de saber. E se você tiver grávida?
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  — Se eu tiver, então vou ter o bebê.
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  — É? Vai ter o bebê sozinha?
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  — Nós nem estamos mais juntos.
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  — Mas eu sou o pai! — %Aidan% gesticulou, apontando para si mesmo. — E não estamos juntos porque você não quer.
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  — Você fala como se o bebê já existisse.
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  — E se existir? — Ele deu a volta no balcão, parando na minha frente.
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  Dei um passo para trás.
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  — %Aidan%.
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  — %Lexi%. — Ele me puxou de uma vez, me fazendo esbarrar em seu corpo. — Por que você não para de ser teimosa e volta logo pra mim?
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  Meu coração errou uma batida. Ou talvez algumas.
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  Por que %Aidan% tinha que ser tão obstinado?
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  Ele estava próximo demais para que eu pensasse com clareza. Eu tinha que me afastar, mas o problema é que quando tentei pela segunda vez, tudo o que consegui foi ser prensada contra a parede ao nosso lado. Minha respiração falhou e fiquei levemente ofegante. Não havia nenhuma parte de seu corpo que não estivesse tocando o meu.
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  — %Aidan%, para com isso. Você sabe que é melhor você ir embora...
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  — Não, %Lexi% — ele insistiu. — Já disse que não vou.
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  — Você disse que ia me deixar ir... Eu falei que não quero mais ficar com você.
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  — Bem, acho que eu não tava pensando com clareza, mas você acha mesmo que faz sentido me amar e não querer ficar comigo? Estamos juntos há três anos, %Lexi%. Podemos passar por isso.
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  — Eu não mereço você — falei, sentindo a voz falhar.
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  — Isso não é você quem decide — ele retrucou baixinho, encarando meus lábios. — Eu sei que você é tão obcecada por mim quanto eu sou por você, amor.
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  Ele estava tão próximo que se eu me inclinasse um pouquinho para a frente, nos lábios se tocariam. Meu coração batia tão rápido que eu tinha quase certeza de que ele podia sentir.
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  — Por que você faz isso comigo? — perguntei quase em sussurro, virando o rosto para o lado, tentando colocar o máximo de distância que eu podia naquele momento. Senti os olhos arderem novamente e meu corpo clamar por ele. A proximidade era agonizante.
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  %Aidan% virou meu rosto delicadamente para que eu o encarasse outra vez.
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  — Porque eu te amo. — Ele roçou os lábios nos meus, sem realmente me beijar. Ele fez isso uma, duas vezes; na terceira, pressionei minha boca contra a dele e %Aidan% correspondeu de imediato.
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  Foi quase desajeitado. Um selinho que não devia acontecer. Assim como o beijo que se seguiu a ele, quando %Aidan% encaixou nossas bocas perfeitamente e nossas línguas brincaram juntas. Eu o queria, queria tanto. Tentei falar para mim mesma que aquele era um momento roubado, uma última vez. Que seria só aquela vez e depois eu o deixaria ir... Mas então as palavras sobre a maldição me atingiram novamente.
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  Eu tinha que fazer a escolha certa para quebrá-la ou a morte nos perseguiria. Já tínhamos perdido um bebê, e eu não podia arriscar que algo mais acontecesse. Eu tinha que ficar longe de %Aidan% para dar fim àquilo e, talvez... Na nossa próxima vida, finalmente seríamos livres. E pensar que ele era realmente a minha pessoa destinada...
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  A convicção de não poder ficar com %Aidan% me matava um pouquinho a cada segundo, mas eu estava fazendo isso para proteger nós dois.
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  A outra pessoa ainda estava por aí, procurando jeitos de nos separar. Talvez ela ficasse em paz, quando soubesse que tinha conseguido. E eu não tinha dúvidas de que era o maldito stalker. De todos os ditos fãs de %Aidan%, ele tinha sido a única pessoa a me perturbar de verdade. Talvez fosse até a pessoa que me atropelou. Se fosse um acidente, mesmo que ele quisesse roubar o carro, teria fugido. Havia espaço suficiente naquele estacionamento. Ele poderia se livrar do carro antes que a polícia fosse atrás dele.
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  Eu poderia até ter acreditado que poderia ser alguém roubando por necessidade — se eu não soubesse da maldição — e que se assustou após causar um acidente, mas era coincidência demais.
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  Se eu continuasse com %Aidan%, esse cara continuaria a nos infernizar de um jeito ou de outro, porque era parte do ciclo que vinha se repetindo. E eu tinha assistido dramas suficientes para imaginar que aquilo iria perdurar até que um de nós três fosse destruído.
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  Uma parte de mim queria contar para ele, explicar porque eu estava fazendo aquilo. Era algo que ia além da culpa que eu sentia por perder o bebê. Eu não me sentia digna e crianças estavam e continuariam a ser perdidas em todas as nossas vidas se eu não acabasse com aquilo.
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  Por mais que me doesse, por mais que eu odiasse com todas as minhas forças ficar longe de %Aidan%, eu só conseguia pensar que tínhamos que ter um fim.
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  Ofeguei em seus braços, tentando encontrar forças para afastá-lo. Eu sentia meus lábios levemente inchados, e um calor se espalhando lentamente pelo meu corpo. Eu queria envolvê-lo com as pernas, e queria que ele me fodesse contra aquela parede até me deixar mole feito gelatina.
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  Mas era só um momento roubado.
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  %Aidan% não merecia ouvir que era um erro quando tudo acabasse. Ele tinha sido a escolha mais certa da minha vida e ter que deixá-lo me fazia corroer de dentro para fora.
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  Então juntei toda a minha quase inexistente força de vontade e pedi para que ele parasse.
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  — Por quê? — ele quis saber. — Você também me quer, %Alexa%.
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  — Não posso. Por favor, %Aidan%, para.
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  Senti o corpo dele enrijecer e imediatamente ele me soltou, dando um passo para trás.
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  — Por que você tá fazendo isso comigo? — ele perguntou, olhando nos meus olhos, com uma mágoa quase palpável.
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  Os meus se encheram rapidamente e as lágrimas que eu tinha conseguido segurar até então molharam meu rosto.
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  — Nós não podemos. Por que você insiste em ficar? Por que, depois de tudo o que eu te disse? Por que você não esquece que eu existo e segue em frente? Você vai encontrar alguém melhor, %Aidan%. Uma separação não vai nos matar.
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  — Então por que eu sinto que vou morrer se ficar sem você?! — Ele me encarou, frustrado, e um par de lágrimas escorreu pelo seu rosto. — %Lexi%, por favor... A gente tava bem antes disso tudo acontecer.
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  Eu também sinto como se fosse morrer sem você, eu quis dizer. Mas não podia.
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  — Eu sinto muito, %Aidan%. — Você poderia morrer se ficasse comigo. — Vá embora, por favor.
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  — %Alexa%.
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  — Não. — Coloquei as mãos no rosto. — Por favor, vá embora. Eu tô implorando. Vá, %Aidan%.
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  Um momento de silêncio. Uma respiração profunda. E então...
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  — Tá. Se é assim que você quer, eu não vou mais insistir. Não posso lutar pela gente sozinho, %Lexi%. Eu trouxe comida pra você. Fiz bibimbap antes de vir. Por favor, se alimente. E me envia o resultado do teste quando fizer.
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  — Eu tenho quase certeza de que não tô grávida.
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  — Mesmo assim. Faça e me mande o resultado. Quero ter certeza também.
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  Assenti, de cabeça baixa, olhando para o chão. Então o vi dar um passo para trás.
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  — Eu vou voltar pra casa agora — disse ele. — Meu advogado tá tentando rastrear o stalker idiota que tava te perturbando, vou te manter atualizada sobre isso também até pegarmos ele.
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  — Tá.
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  Um momento depois, outro passo para trás. Então ele se virou e foi embora. Escorreguei pela parede assim que ouvi a porta bater e chorei mais ainda.
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  Eu estava com o coração despedaçado, e não sabia ideia de como fazer ele parar de doer.
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