Depois da Meia-Noite


Escrita porAlly M.
Editada por Natashia Kitamura


Capítulo 22

  Me sentei na cama rapidamente, alarmada com a reação dele.
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  — %Aidan%, o que aconteceu? Eu tava dormindo.
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  — Você não acordava, Lexi! — Ele me encarou, assustado. — Achei que estivesse cansada, então te deixei dormindo e fui pro estúdio. Fiquei algumas horas trancado lá e pensei que você já tivesse acordado, mas não. Eu comecei a ficar com medo porque te chamei e você não acordou. Aí você começou a chorar enquanto dormia.
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  — O quê? — Passei a mão no rosto, notando a pele ainda molhada.
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  — Imaginei que você tivesse tendo um pesadelo ou um episódio de terror noturno e não conseguia acordar, então comecei a te sacudir. Fiquei uns cinco minutos tentando e nada, eu juro que já tava pra ter um treco, Lexi. Você ficou inconsciente por dezesseis horas.
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  — Dezesseis? Mas... Como?
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  — Eu não sei. Mas me lembrou quando você tava inconsciente no hospital depois de acidente, e não foi nada legal. Não me assuste assim de novo!
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  Como se eu tivesse escolha, quase falei.
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  — Eu não faço ideia do que aconteceu.
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  — Você teve um pesadelo?
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  — Não. Nem lembro o que foi que me fez chorar — menti, sem olhar para ele.
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  Se %Aidan% me olhasse nos olhos, saberia que eu estava mentindo.
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  — Certo, você deve estar com fome. E tá mais do que na hora de comer, já que você pulou duas refeições.
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  — Que horas são?
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  — Quatro da tarde.
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  — Ah. Caramba, eu dormi mesmo. — E %Aidan% estava certo, eu nunca tinha passado de oito horas de sono. Normalmente eu dormia só umas seis. — Vou tomar um banho antes e escovar os dentes — anunciei, já me levantando.
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  No entanto, senti a visão escurecer e cambaleei, caindo sentada na cama.
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  — Lexi? O que foi? Tá sentindo alguma coisa?
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  — Foi só uma tontura, acho que levantei rápido. Também deve ser por fome também. Tô meio enjoada.
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  — Você deve estar com hipoglicemia. Quer que eu te ajude no banho?
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  — Não precisa, já tá passando.
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  — Tudo bem, dê um grito se precisar de ajuda, e deixe a porta aberta.
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  Assenti e me levantei novamente, indo até o closet para pegar algumas roupas. Ou melhor, uma calcinha e outra camisola, já que não ia sair de casa de qualquer jeito. Fui até o banheiro e resolvi usar a banheira para relaxar um pouco. Enquanto esperava ela encher, prendi o cabelo e me despi. Em seguida, observei meu próprio reflexo no espelho de corpo inteiro que tínhamos ali e notei que a marca do arranhão no meu braço estava quase desaparecendo.
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  Além disso, não havia nada de anormal em meu corpo. Eu me sentia levemente enjoada — provavelmente de fome — e, antes de entrar na banheira, dissolvi alguns sais de banho com fragrâncias cítricas para me ajudar com a náusea.
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  A água estava morna e relaxante, e eu me deixei afundar até o pescoço, encostando a cabeça na beira da banheira. Fechei os olhos por um instante, aproveitando o banho, mas devo ter adormecido outra vez, já que mais uma vez me vi parada em um estacionamento vazio, que eu não tinha ideia de onde ficava, com a coisa de olhos prateados na forma de Ayla me encarando outra vez.
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  — Tome cuidado — ela disse, sua voz igual à minha. — Não tente mudar o destino outra vez.
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  Fiz uma careta ao ouvir aquilo.
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  — Eu não tentei mudar o destino. Tá falando da cena que eu falei do meu namorado pro Dean? Aquela cena da gente acordando na cama nem existe no livro. Não tem como eu mudar algo que não existe.
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  — Você não está olhando para o lugar certo, %Alexa% %Danforth%. Você tem que lembrar daquilo que é importante.
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  — O quê? Do que você tá falando? — perguntei, sem entender.
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  O que eu tô esquecendo sobre Tenaz?
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  — Não é com Tenaz que você deve se preocupar, mas com você mesma. O tempo está acabando. Lembre daquilo que é importante.
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  — Olha, amiga, eu não faço ideia do que porra você tá falando. E não faço ideia do que coisa ou entidade você é. E eu odeio enigmas! Me explica logo o que quer dizer e para de agir feito doida!
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  Em um piscar de olhos, ela estava a minha frente, com uma mão em volta do meu pescoço, o apertando com força.
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  — Não me desrespeite, garota — sibilou, irritada. — Preste atenção nas coisas e use a cabeça para pensar. Eu não posso te dizer tudo. Você tem que descobrir sozinha. Não esqueça, %Alexa% %Danforth%, aquilo que é importante deve ser lembrado e o destino jamais ser alterado. A história vai continuar se repetindo se você não agir de forma diferente.
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  Travei a mandíbula, irritada também, e a empurrei para longe de mim.
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  — Quem você pensa que é pra me agarrar pelo pescoço, sua coisa medonha? Sai da minha cabeça e me deixa em paz! Eu tô cansada dessa merda sem sentido de terror noturno!
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  A coisa então riu, como se achasse realmente engraçado o que eu tinha acabado de falar. Subitamente, senti um arrepio de medo.
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  — Terror será o que você irá passar mais vezes se não aproveitar a chance que está sendo te dada. A história que tem sempre o mesmo final continuará a ser repetir se você não agir diferente.
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  — Mas que porra?! Você me disse pra não agir diferente e agora tá me dizendo pra agir? Eu segui o roteiro de Tenaz, as cenas que tinham que acontecer já aconteceram!
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  — Há mais de uma realidade com que você deve se preocupar. Faça aquilo que precisa ser feito. Existe mais de um roteiro, mas o final que realmente importa pode ser diferente a depender das suas escolhas. O destino não pode ser mudado, mas o seu final sim.
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  Então eu acordei, ainda no banheiro. Considerando que %Aidan% ainda não tinha aparecido surtando, supus que dormi por uns cinco minutos. Eu não fazia ideia de por que estava com tanto sono, mas me recusava a dormir outra vez. Joguei água no rosto e terminei de me banhar.
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  Quando eu estava trocando de roupa, %Aidan% bateu na porta, mas não entrou.
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  — Lexi, a comida chegou. Você tá bem?
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  — Sim, quase acabando.
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  Terminei de me vestir e me perfumei um pouco antes de sair, agora não mais enjoada ou tonta. Viva as fragrâncias cítricas. Eu havia aprendido aquele truque com Kate. Durante a faculdade, uma professora ensinou essa dica à turma dela, muito usada para ajudar gestantes com enjoos matinais. Mas a própria Kate usava para qualquer ocasião em que ficasse enjoada, e acabei fazendo o mesmo quando percebi que funcionava.
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  Saí do banheiro e encontrei %Aidan% na cozinha, tirando embalagens de comidinhas de padaria, além de um banquete coreano que me deu água na boca assim que vi. No entanto, ainda não era hora do jantar, então me contentei em fazer um lanche, por ora.
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  Tentei não pensar muito no que aquela pseudo Ayla — ou o que quer que fosse aquela coisa — falou, mas não teve muito jeito. Nem mesmo os pastéis de nata que %Aidan% tinha comprado me distraíram daquele enigma idiota. E eu odiava enigmas por um único motivo: eles não saíam da minha cabeça enquanto não fossem resolvidos.
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  Tipo quando eu aprendi a montar um cubo mágico. Não sosseguei enquanto não decorei todas as etapas e eu até tinha um em algum lugar, que montava e desmontava ocasionalmente quando precisava pensar em alguma coisa.
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  Talvez eu devesse retomar esse hábito para tentar pensar melhor no que a coisa tinha me dito.
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  Se eu fosse a protagonista de um livro, o que eu faria?
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  Eu tinha lido alguns livros e assistido a alguns doramas com universos paralelos e volta no tempo, mas parecia que nenhuma informação acumulada dessas obras estava me ajudando. Eu não estava presa em um universo diferente, ao menos achava que não. Isso até dormir por dezesseis horas seguidas sendo que nem houve muito acontecimento em Tenaz, o que me levava a acreditar que eu talvez tivesse sonhado com outra coisa da qual não estava lembrando.
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  Era como se tivesse alguma coisa faltando.
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  No entanto, esse sentimento não era desconhecido por mim desde o acidente. A sensação de algo esquecido me perseguia diariamente pelo fato de eu realmente não lembrar de várias coisas importantes. Mas será que a coisa em forma de Ayla se referia a isso? Pelo modo como falava, fazia parecer que eu estava tentando mudar a história e brigava comigo, mas então me falava para fazer exatamente isso? Eu não estava entendendo mais nada.
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  Que destino era esse que ela tanto falava? E o final?
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  Se era em relação a Tenaz, eu não conseguia compreender a que ela se referia, e se era em relação a mim, então, muito menos. Eu nem sabia porque aquilo andava acontecendo desde o acidente e, cientificamente falando, poderia muito bem ser algum tipo de delírio, mas tudo parecia real demais. Além disso, não era como se eu tivesse tendo comportamentos estranhos, ao menos não quando estava acordada.
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  Eu era só uma mulher normal, com uma vida normal, tirando o fato de namorar meu cantor favorito há três anos. %Aidan% era a única coisa fora da caixinha da minha vida, e junto com o meu trabalho, a mais constante.
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  Mas eu era só uma mulher de vinte e oito anos com amnésia temporária e viciada em livros. Não havia nada de especial em mim, então como eu ia descobrir do que diabos aquela doida tava falando?
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  Suspirei, meio irritada, o que chamou a atenção de %Aidan%, que ainda saboreava um pastelzinho de nata ao meu lado.
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  — O que houve? Tá sentindo alguma coisa?
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  — Nada, só irritada com uma coisa.
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  — O quê?
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  — Não lembrar do que eu preciso lembrar. Seja lá o que for isso. Sonhei com alguém falando isso pra mim.
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  — E quem te disse isso no sonho?
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  — Hmm... Ela tinha a aparência de Ayla. Mas foi só um sonho idiota. — Dei de ombros, tentando não dar muita importância. Ou fazer com que ele achasse isso, mas a expressão no rosto de %Aidan% era completamente séria, então acabei cedendo após um suspiro resignado. — Ela falou algo sobre destino. Que não posso mudar ele, mas posso mudar o final. Não faço ideia do que seja.
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  — Tem certeza de que tá bem, Lexi?
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  — Perfeitamente. Você não precisa me tratar como se eu fosse de cristal, %Aidan%. Eu não tô mentalmente doente só porque a pancada na cabeça me deu amnésia seletiva.
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  Ou pelo menos era o que eu esperava.
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  — Cuja única seleção fui eu — ele lembrou, magoado. — Às vezes me pergunto se seria bom ou ruim você não se lembrar do resto, Lexi. Mas acho que isso não parece importar muito pra você desde que não afete sua vida. Que se dane o resto, né? — Ele se levantou, com o prato vazio em mãos.
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  Franzi o cenho, confusa com aquela súbita fala.
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  — Ei, o que é isso? É claro que eu quero me lembrar de você, %Aidan%. Já lembrei bastante, mas quero lembrar de tudo. Eu te amo e quero qualquer pedacinho seu que haja escondido na minha memória. Por que você falou isso de repente? É óbvio que você importa.
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  — Talvez eu não importe tanto assim quando você lembrar de tudo.
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  — Como assim? — Me levantei também e parei atrás dele. — %Aidan%, olha pra mim.
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  Ele não saiu do lugar. Seus ombros estavam rígidos, o corpo completamente tenso.
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  — Lexi, não.
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  — Não, o quê? Do que você não quer que eu lembre? — O puxei pelo ombro, o forçando a se virar. Havia dor e culpa em seus olhos. — Você fez alguma coisa?
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  — Lexi...
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  Dei um passo para trás, me sentindo angustiada de repente, tal como Ayla quando Dean terminou com ela. Juntei coragem e enfim perguntei o que rondava na minha mente.
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  — Você... Me traiu, %Aidan%?
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  — O quê? Não! — Ele franziu o cenho, me encarando como se tivesse ouvido o maior dos absurdos. — De onde você tirou isso, Lexi?! Eu nunca te trairia.
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  Uma onda de alívio me atingiu e suspirei, assentindo.
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  — Se não é isso, então o que é?
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  — Lembranças ruins.
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  — Lembranças ruins fazem parte. Você acha mesmo que gostei de lembrar de algumas das nossas brigas? Óbvio que não, %Aidan%! Mas faz parte da nossa história e de quem nós somos. Você não precisava ficar chateado. Nós estávamos bem antes do acidente. E vamos continuar bem depois que todas as minhas memórias voltarem.
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  — Você promete?
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  — Preciso prometer?
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  — Lexi...
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  — Tá, então. Prometo. — Dei um passo à frente e segurei o rosto dele entre as mãos. — Agora pare de surtar porque de gente doida aqui já basta eu. Você é a pessoa sensata dessa casa.
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  %Aidan% riu pelo nariz, sem querer. Me senti mais uma vez aliviada, como se um peso tivesse sido tirado dos meus ombros.
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  — Por que você é assim? — ele perguntou, colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.
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  — Assim como?
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  — Me fazendo rir no meio de uma discussão.
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  — Não é uma discussão, é só uma conversa. E você se esqueceu disso? — Levantei a mão direita dele e a minha própria, exibindo nossas alianças. — Não somos casados, mas você amarrou nós dois no dia em que colocou isso no meu dedo. E deu um nó bem apertado no dia que conseguiu me convencer a vir morar com você. Então pare de ser doido.
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  %Aidan% me deu um sorriso pequeno, meio tímido, então envolveu meu rosto com as mãos.
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  — Eu desejo que você não mude nunca, Lexi — ele murmurou, encostando a testa na minha. — E que o que temos também não mude, a não ser que seja pra nos fortalecer ainda mais, amor.
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  — Seu desejo é uma ordem — brinquei, ficando na ponta dos pés para selar nossos lábios em um beijo.
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  %Aidan% passou os braços ao redor da minha cintura e aprofundou o beijo com sabor de pastel de nata. O pensamento quase me fez rir. Então, de repente, como se uma luzinha tivesse se acendido acima da minha cabeça, eu lembrei de uma coisa.
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  Kate tinha uma amiga que lia tarô.
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  Talvez devêssemos fazer uma visitinha a ela.
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