Depois da Meia-Noite


Escrita porAlly M.
Editada por Natashia Kitamura


Capítulo 35

  — Eu te amo. — Ele disse, colocando a mão no meu rosto, o polegar esbarrando propositalmente no meu lábio inferior.
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  %Aidan%...
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  — Eu também te amo, Dean — falei automaticamente, então percebi que não era eu, mas Ayla.
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  Eu estava de volta a Tenaz.
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  Mas tinha algo diferente. Bem ali, diante dos meus olhos, Dean desapareceu e então vi cenários mudando, cenas passando na minha frente com uma velocidade absurda que quase me deixou tonta.
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  Fechei os olhos por um instante.
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  — Vem morar comigo, amor — ouvi e abri os olhos, me deparando com Dean. Estávamos dançando e aquilo só podia ser o casamento de Tiana.
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  A cena passou e novamente fiquei confusa. Fazia alguns dias que eu não sonhava com Tenaz e nunca era assim, não tão rápido a ponto de eu praticamente nem identificar o que estava acontecendo.
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  O cenário acelerou mais uma vez e senti meu corpo sendo jogado para trás. No minuto seguinte, eu estava assistindo de terceira pessoa e não mais no corpo de Ayla. Olhei para baixo, constatando que estava no meu próprio corpo, meu cabelo vermelho caindo sobre meus seios.
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  Em seguida, vi Karina pegar o buquê de Tiana e se abaixar enquanto Ayla o chutava para longe, direto no rosto de Dean. As pessoas riram e me vi fazendo o mesmo. Até que eles se beijaram e... Fim.
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  Tudo ficou escuro. Eu estava em um breu, sem conseguir enxergar absolutamente nada e então, de repente, um rosto surgiu na minha frente.
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  Gritei, cambaleando para trás e a Ayla de olhos prateados riu, claramente se divertindo. Ela tinha voltado. A tal entidade que eu não fazia ideia do que era.
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  — Você devia ter visto sua cara — comentou, ainda sorrindo.
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  — Isso não tem graça. O que você quer?
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  — Te avisar.
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  — Sobre o quê?
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  — A maldição pode ser quebrada dependendo da escolha que você fizer.
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  — Você já me disse isso antes. Eu já fiz uma escolha.
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  — Muito bem, então, se é o que diz. Mas lembre que todas as escolhas têm consequências, sejam boas ou ruins. Está na hora de seguir em frente.
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  — Quer dizer que eu não vou mais sonhar com o livro?
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  — O livro acabou, embora mais rápido do que pensei.
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  — Por que sonhei com isso então?
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  — Sua mente quis uma fuga, uma distração das coisas ruins. Sempre foi assim.
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  — E você? Vou parar de te ver também?
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  — Ouvindo assim até parece que você gosta de mim — debochou ela. — Mas sim, se você já fez sua escolha, não virei mais te encontrar. Irei assistir o desenrolar dessa história de longe.
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  — De longe...?
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  — Boa sorte, você vai precisar.
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  E então ela sumiu. Me vi no breu mais uma vez e fechei os olhos, respirando fundo. Quando os abri novamente, encarei um teto branco, em um quarto igualmente branco.
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  E %Aidan% estava ao meu lado.
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  — %Lexi%... Graças a Deus. — Ele segurou minha mão direita entre as suas e a beijou.
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  Tive uma sensação de déjà vu ao acordar ali. Era quase como da última vez depois do meu atropelamento. Então notei que havia uma tipoia em meu braço esquerdo e meu ombro estava imobilizado.
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  — Merda... Eu quebrei algum osso? — perguntei ao tentar me sentar. Senti uma dor incômoda nas costelas quando fiz isso.
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  — Você fraturou duas costelas e deslocou o ombro esquerdo. Os médicos acham que foi o impacto com o cinto de segurança.
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  — Merda... E o idiota que fez isso?
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  — A polícia o prendeu. Era o stalker, %Lexi%. Ele confessou tentar te matar — %Aidan% murmurou baixinho.
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  Engoli em seco, sentindo um arrepio na nuca, mas tentei disfarçar.
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  — Que bom que não conseguiu então. E o meu carro?
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  — Seu... Carro? — Ele franziu o cenho, como se estivesse surpreso com a pergunta.
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  — É, meu carro, %Aidan%. Ficou muito destruído?
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  — Ah... Consideravelmente, eu diria — ele respondeu, com uma mão na nuca. — Tivemos sorte de você não ter ficado presa nele.
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  — Porra! Eu vou esganar aquele pervertido! — xinguei, irritada. — Meu carro era novinho... — choraminguei.
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  — Eu te dou outro — %Aidan% ofereceu e o encarei como se ele tivesse falado uma asneira.
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  — Nem vem. Eu comprei com meu dinheiro. Pelo menos, tem seguro...
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  — Sim...
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  — Quando vou poder sair daqui? E aquele idiota? Eu quero ver ele.
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  — Acho que no fim da tarde você pode ter alta. Precisa ficar em observação por um tempo e esperar o resultado dos exames... A polícia se ofereceu pra vir pegar seu depoimento.
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  — Não precisa, eu quero ir à delegacia e ver aquele stalker pessoalmente.
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  — Vão interrogar ele mais tarde. Vou saber se podemos assistir.
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  — E %Cami%? Você avisou a ela?
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  — Sim, ela deve estar a caminho se não tiver ficado presa no trânsito.
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  — Certo. — Assenti e então me lembrei de algo. — E como você sabia que eu tava sendo seguida?
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  %Aidan% desviou o olhar do meu e apertou os lábios em uma linha fina.
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  — %Lexi%... — Ah, não. Eu conhecia aquela expressão. Cara de quem tinha feito algo que eu provavelmente não concordaria.
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  — %Aidan% %Callahan%. É bom você começar a se explicar agora. Você colocou um rastreador em mim? No meu carro?
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  — Não.
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  — No meu celular?
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  — Não.
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  — E então o que foi?
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  — Contratei seguranças pra ficarem de olho em você.
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  — O quê?! Era por isso que eu andava com a impressão de que tava sendo seguida, então? Porque eu realmente tava! Porra, %Aidan%!
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  — Desculpa por não dizer. Mas eu sabia que você não ia concordar, então pedi a eles para serem discretos.
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  — É claro que eu não ia! Onde eles estão agora? — eu quis saber. — Quero ver quem são.
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  — Lá fora.
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  — Chame eles, então.
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  %Aidan% assentiu e fez uma rápida ligação. Um minuto depois, dois caras enormes vestidos casualmente entraram no quarto. Minha boca se abriu em choque.
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  Era o casal que eu tinha visto na cafeteria.
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  — Não acredito! Então era vocês?
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  — Sim, senhora. — Um deles respondeu e o reconheci como o mais ranzinza da vez que os vi. — Meu nome é Carter e esse é Louis.
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  Os dois tinham uma vibe de agentes secretos agora, se reportando a mim como se eu fosse chefe deles. Era até meio cômico.
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  — Eu não sou casada, Carter. Podem me chamar apenas de %Lexi% — comentei. — Vocês não são um casal, né?
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  — Não, senhora. Quer dizer... %Lexi% — Louis respondeu. — Na verdade, temos esposas e filhos.
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  — Que interessante. Vocês são bons atores. Foi um prazer conhecer vocês. Obrigada pela ajuda hoje.
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  — É nosso trabalho, se-%Lexi% — Carter disse.
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  Um momento depois, os dois saíram, me deixando sozinha com %Aidan% mais uma vez.
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  — Você não devia ter feito isso — O encarei. — Não tem nenhuma obrigação comigo.
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  — O stalker tava solto, %Lexi%. Eu tinha que te proteger de alguma forma. Não me interessa se você é ou não minha namorada. Eu não me arrependo de nada.
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  — Claro que não — retruquei, irritada. — Mas eu podia me cuidar sozinha.
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  — Ele teria te matado se meus seguranças não tivessem percebido e atrapalhado — %Aidan% disse, irritado também. — Não vou me desculpar por cuidar de você.
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  — Por que você é tão teimoso?
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  — Por que você é tão teimosa?
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  Respirei fundo, tentando conter a irritação.
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  — Eu me distanciei pra proteger você, seu idiota! E agora você me diz que tava fazendo o mesmo?
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  — Pelo menos, estamos de acordo em proteger um ao outro — ele comentou, sem se abalar. — Agora acabou, %Lexi%. O stalker foi pego e não vai mais nos incomodar.
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  — Assim espero. — Suspirei, passando a mão no rosto e notei um curativo na minha testa.
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  — Você pode voltar pra casa agora — ele comentou baixinho e o encarei novamente. — Pra nossa casa.
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  — %Aidan%... — Prendi a respiração por um momento. — Não posso voltar com você.
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  — Por que não? Você disse que terminou comigo por causa do stalker.
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  — E do bebê também.
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  — Podemos superar isso juntos, eu te disse. E o problema com o stalker já foi resolvido. O que te impede?
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  Uma maldição, eu quis dizer. Ou melhor, repetir. Mas sabia que ele não ia acreditar naquilo. %Aidan% achava que eu tinha inventado um monte de lorotas só porque não queria revelar o motivo do nosso término.
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  — Eu só... Não posso, tá?
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  — Você não me ama mais? É isso? — ele perguntou e senti cada palavra como uma agulha enfiada no meu coração. — O amor acabou pra você, %Lexi%?
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  — %Aidan%...
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  Ele colocou uma mão no rosto e respirou fundo, antes de voltar a me encarar.
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  — Só quero que seja sincera comigo. Não pode fazer isso nem ao menos uma vez? Vai continuar me deixando no limbo, sem nem saber o motivo que me fez perder você? Eu mereço ao menos isso, %Lexi%. — O lábio inferior dele tremeu, denunciando seu nervosismo, e meu coração se apertou. — Tô cansado de ficar longe de você.
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  Senti meus olhos arderem e tive que fazer um esforço para não chorar em sua frente.
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  — Você consegue viver sem mim, %Aidan%. Nós vamos seguir em frente.
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  — Você não respondeu minha pergunta.
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  Apertei os lábios, tentando controlar minhas emoções. Eu não queria responder. Não queria magoá-lo mais do que já tinha feito. Mas também sabia que se não fizesse aquilo, ele continuaria insistindo.
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  — Sim, %Aidan%. Eu... — te amo demais. Desesperadamente. Como nunca imaginei amar ninguém. — Não te amo mais. Sinto muito.
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  %Aidan% me encarou com os olhos brilhantes, incrédulo, como se não esperasse mesmo que eu fosse falar aquilo. Então desviou o olhar e assentiu, antes de se levantar.
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  — Vou tomar um ar — disse, andando até a porta, mas parou com a mão na maçaneta. — Vou acompanhar você no depoimento, %Lexi%. Depois disso, prometo que vou te deixar em paz — acrescentou, sem olhar para mim.
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  — Certo — respondi, um instante antes dele abrir a porta e sair.
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  Quando fez isso, me permiti chorar as lágrimas que estava contendo até então.
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***

  Quando chegamos à delegacia, pouco depois das sete da noite, o advogado de %Aidan% já estava à nossa espera. %Cami% se ofereceu para nos acompanhar também, mas recusei. No fim das contas, eu estava bem após o acidente e não queria que ela bagunçasse sua rotina por minha causa sem necessidade. Então era apenas %Aidan% e eu. Nosso depoimento durou cerca de uma hora e então o detetive responsável nos deixou assistir o interrogatório da sala de observação.
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  Roy Basset era igualzinho às fotos que %Aidan% havia me enviado. Jovem e com uma expressão amarrada no rosto. Mas havia certa inquietação em seus olhos para alguém que tinha confessado vários crimes de boa vontade após ser pego. E acho que o detetive também notou isso durante o interrogatório, ao arquear uma sobrancelha com uma expressão de desconfiança no rosto.
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  Ele perguntou sobre os vídeos enviados para mim e %Aidan%, e então os seus motivos, e Roy revelou ter feito isso por não gostar de nos ver juntos, porque não gostava de mim e achava que %Aidan% merecia alguém melhor.
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  Ele estava repetindo o mesmo que disse nas mensagens.
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  — Por que quis matar a Srta. %Danforth%? — o detetive perguntou.
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  — Porque assim ela o deixaria em paz.
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  — O Sr. %Callahan% e ela revelaram que não estão mais juntos.
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  — Se não estão, então não deveriam sair juntos.
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  — Alguns casais ficam amigos mesmo após o término...
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  — Mas eles não podem. Não quero.
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  Tudo o que ele falava parecia automático. E durante todo o processo, ele apertou a mão direita com a esquerda, como se tentasse ficar calmo. O detetive assentiu e estendeu uma prancheta para que ele assinasse um documento. Roy segurou a caneta com a mão esquerda e assinou, empurrando a prancheta de volta para o detetive com a direita. Foi quando eu vi algo no dorso de sua mão, mas estava longe demais para enxergar.
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  — Eu posso entrar ali? — perguntei para o policial que estava na sala. Quero só fazer uma pergunta.
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  %Aidan% me encarou como se eu estivesse maluca.
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  — %Lexi%, o que você-
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  — É só uma pergunta, %Aidan%.
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  O policial me encarou por um instante e então usou um microfone para pedir permissão ao detetive que o interrogava. Ele assentiu e, no mesmo instante, sai em direção à sala, que ficava na porta ao lado. Respirei fundo e me aproximei da mesa devagar. Roy me olhou com curiosidade e não era bem isso que eu esperava dele. Então meu olhar caiu para suas mãos.
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  Havia uma cicatriz antiga no dorso de mão direita.
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  — Você não é o stalker, né? — Sorri e o vi arregalar os olhos levemente.
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  — Eu sou. Já confessei tudo.
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  — Não é não. O stalker é destro e não tem uma cicatriz na mão. A menos que não fosse você naqueles vídeos.
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  — É claro que era! — ele retrucou e então se deu conta do que tinha feito. — Só não apareceu na câmera...
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  Suspirei e encarei o detetive.
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  — Acho que alguém contratou ele. Chequem os vídeos e vão ver que a pessoa que fez os vídeos não tem cicatriz. Talvez ele só tenha enviado as mensagens ou deixado alguém usar o endereço de IP dele.
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  — Certo. Obrigado pela informação, Srta. %Danforth%.
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  Assenti e voltei a encarar o garoto.
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  — Você tá seguro aqui. Se alguém te ameaçou, esse é o momento de falar.
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  E então saí. Um instante depois, %Aidan% me alcançou e me segurou pelo pulso livre, me virando para encará-lo.
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  — Do que você tava falando?
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  — Mesmo que não houvesse cicatriz, é muito óbvio. O cara é canhoto.
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  — E como você tem certeza de que o stalker é destro?
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  — Adivinha. — Fechei a mão e sacudi no ar.
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  — Porra, %Lexi%. Você reparou em como o cada se toca?
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  — Eu gostaria de apagar aquelas cenas da minha mente, se você quer saber. De todo jeito, aquele garoto tem uma cicatriz antiga. E o detetive também tava desconfiado, você não viu?
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  — Como assim?
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  — O garoto tava só repetindo coisas escritas nas mensagens, %Aidan%. E tava nervoso o tempo todo pra alguém que tinha acabado de confessar os crimes de boa vontade. Não é ele.
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  — Se não é ele, quem pode ser?
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  — Não faço ideia. Mas aquele tal de Roy? Aposto que nem conhece suas músicas.
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  %Aidan% franziu o cenho, preocupado.
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  — Eu tenho que ir. Tô cansada.
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  — Eu levo você.
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  — Não precisa, eu pego um táxi.
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  — Não, %Alexa% — %Aidan% rebateu com firmeza. — Não pedi sua permissão. Eu vou te levar pra casa. Vamos. — Ele me puxou pela mão, mas eu a puxei de volta.
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  — Eu posso andar sozinha, então — garanti, me afastando dele.
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  Por um milésimo de segundo, vi a mágoa cruzar seu olhar, mas %Aidan% disfarçou, fingindo não se importar. Passei na frente dele e andei mais rápido. O caminho até o carro se seguiu em silêncio e permaneceu assim até chegarmos ao endereço de minha irmã.
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  — Obrigada — murmurei, saindo do carro antes de ouvir uma resposta dele.
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  %Aidan% foi embora assim que fechei a porta.
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  Respirei fundo e observei o carro se afastar, algo me dizendo que aquela era provavelmente a última vez que nos veríamos.
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Capítulo 35
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