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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Doce Trapaça

Escrita porZsadist Xcor
Revisada por Lelen

Parte do Pop-Up Criativo #2 – Escreva seu livro.


Capítulo 20

  Os três meses seguintes foram regados de companheirismo mútuo.
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  Sempre que possível Rodrigo dormia na casa de Gabriel, quem o recebia sem ressalvas ou exigências. Se aconchegavam no corpo um do outro cujos benefícios da união eram visíveis pelo sono revitalizador de ambas as partes.
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  Ao contrário de antes, o cantor não se preocupava mais com os prejuízos da insônia ou do descanso inquietante onde despertava cansado. Usufruía de melhor disposição, o apropriado repouso refletido também na aparência pelas olheiras desaparecerem e o constante semblante abatido se tornar mais leve — apesar de ainda haver dureza atípica nos traços.
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  Concomitantemente, as noites se tornaram bem mais agitadas.
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  Perderam a conta de quantas vezes transaram quando as oportunidades surgiam.
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  Estavam satisfeitos por Gabriel frequentar a academia pelo mesmo motivo, então demorava a se cansar de cavalgar nele, quem se mantinha deitado ou sentado em qualquer confortável superfície acolchoada.
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  Embora fosse visível os avanços do rapaz em se recuperar dos traumas, Gabriel compreendia como algumas áreas da vida dele foram bastante prejudicadas — e uma delas era a sexual.
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  Rodrigo era ativo por natureza. Não gostava de ser penetrado, exceto quando acariciavam com os dedos ou a língua a sua entrada — isso em ocasiões mais específicas. Portanto, ao vê-lo geralmente mais oscilante, como se houvesse incerteza sobre as percepções ou duvidasse da própria capacidade de proporcionar prazer, compreendeu a existência de certo bloqueio no comportamento distinto.
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  Portanto, pensando em retirá-lo do buraco emocional onde se enfiara, afirmava a beleza alheia em palavras doces, demonstrando sem pudores o quanto as carícias eram aprazíveis, deliciosas e delirantes.
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  O banhava de amor, em compreensão do quanto os momentos de intimidade eram imprescindíveis pelas impressões sensoriais alcançarem sua alma.
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  Era amado em todos os sentidos da expressão — e Gabriel não se envergonhava em expor seus sentimentos, mesmo perante a resistência do rapaz em se declarar.
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  Para além da cama, era cuidadoso, atencioso, amoroso e carinhoso. Continuava disposto a ajudá-lo no que fosse necessário. O abraçava sem motivo aparente, caminhavam juntos com a cadela em conversas amenas, o surpreendia com afagos sem conteúdo lascivo enquanto descansavam com os corpos conectados em silêncio e recorria a beijinhos rápidos quando o buscava na cafeteria — não abriu mão da atividade, mesmo após a perna estar recuperada.
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  Com a convivência mais frequente, acompanhou como Rodrigo voltava a ser quem era ao longo do tempo — o tema foi pauta de diálogo gratificante na companhia da equipe do rapaz certo dia quando estava atrasado para a reunião.
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  Até Guilherme, o menos sentimental dentre os ali presentes, sorriu para Gabriel em agradecimento silencioso pelo apoio ao cantor.
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  Aos poucos retomava os trejeitos esquecidos por estar, até então, sob a influência de muita carga densa das experiências negativas acumuladas ao longo da vida cujas emoções foram suportadas durante a trajetória sem, de fato, libera-las.
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  Gabriel o pegou cantarolando diversas músicas em momentos diferentes ou dançando mais animado enquanto preparava algo na cozinha. O via se espreguiçar com sorriso no rosto onde depois vocalizava de maneira adorável em baixinho som agudo. Mesmo lutando contra a insegurança tomava a iniciativa de abraçar Gabriel, diminuía a quantidade de sustos por qualquer mínima movimentação que não previra e a regularidade dos risos aumentou.
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  Certa tarde o pegou digitando com o produtor. De vez em quando olhava pra cima e torcia os lábios de um lado pro outro em movimentos rápidos capazes de balançar a ponta do nariz — costume particular dele que originou o apelido bunny.
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  À princípio Aline gostou bastante do emprego cuja atuação seria no período diurno.
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  O salário era generoso, ia pra casa descansar sem ser interrompida por ligações ou mensagens dos profissionais, agradecia por realizar o trabalho sem perseguições — nunca se passou pela cabeça na época da faculdade quantos problemas acumularia pela atuação correta na área — e apreciava o ambiente bucólico onde exercia o ofício.
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  O único desconforto era a viagem de duas horas para chegar ao endereço.
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  Só não imaginava que, ao entrar no quarto particular para dar banho de leito na paciente, se depararia com Doralice.
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  Em repouso obrigatório há meses através da coerção, foi mantida sob o efeito da anestesia que entrava pela veia em constante introdução intravenosa.
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  Por conhecer como as instituições funcionavam, se apressou em cuidar da idosa. Não levantou questionamentos, não demonstrou as impressões e nem recorreu a Armando a fim de compreender como a idosa foi parar ali.
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  Nesse ínterim, se surpreendeu com a própria capacidade de manter-se impassível mediante a delicada situação enquanto se apressava a cumprir com as tarefas.
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  Ao invés de almoçar, correu para os computadores sob o pretexto de ler a medicação de uma paciente em particular por não decifrar a caligrafia da enfermeira anterior. Para o seu assombro, constatou que não havia registros da internação da genitora de Annanda e Rodrigo.
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  Ao todo, levou cinco dias de pesquisa árdua com a ajuda da amiga assistente social até encontrar os dados usados que esclareceriam a estadia de Doralice.
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  Foi registrada com os documentos de outra pessoa — uma moradora de rua que morreu há cinco anos de overdose.
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  Não chamou atenção para si no receio de se atinarem em como ela colhia informações nos bastidores.
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  Apesar do cuidado de excelência para com os internos e da beleza do lugar agradável, não demorou a perceber as ilegalidades presentes, assim como os atos criminosos exercidos por Armando, o diretor, já que as mulheres mais novas internadas recorriam a ela pedindo por ajuda — inclusive medicações ou fortes soníferos cujo objetivo era estarem dopadas o suficiente para sequer se recordarem dos abusos.
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  Ao final do segundo mês de trabalho, não perdeu a oportunidade de correr até o primo por ele conhecer Doralice.
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  Se amaldiçoou por ter começado a adormecer no sofá.
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  Deveria se manter em alerta no início da tarde de domingo.
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  Até conseguiria, caso não tivesse passado a madrugada acordado com Gabriel em atividades bastante interessantes — isso quando não estavam ocupados assistindo filmes na grande televisão ou conversando em pura harmonia.
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  Ao longe identificou os latidos de Ivy sem se incomodar.
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  Ora, a cadela passava a maior parte do tempo latindo. Não seria nada demais, afinal.
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  Como se entregava ao sono, não escutou o portão ser aberto e nem os barulhos dos saltos altos chocando contra o chão em passos apressados.
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  Os planos de descansar foram por água abaixo ao reconhecer a voz feminina ecoada na sala após a porta ser escancarada e fechada.
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  — Primo, você não sabe a merda que...
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  Mais tarde, quando as devidas explicações fossem proporcionadas em atmosfera mais propícia para diálogos compreensíveis sem recorrerem a gritos escandalosos, parabenizaria Aline pela insistência de o perseguir pelos cômodos e pela boa pontaria ao lhe atirar o que estivesse pela frente.
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  O pandemônio que se instalou por encontrar deitado no sofá o rapaz quem, há quase cinco anos, foi ao enterro cujo caixão sequer foi aberto pelo estado do corpo destruído no acidente, era desgovernado.
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  Carregando sacolas da padaria nas mãos, Gabriel correu pela calçada por reconhecer os gritos da prima junto aos latidos incessantes da cachorra.
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  Entrando no quintal, desviou em reflexo admirável do tênis jogado em sua direção — embora o alvo não fosse ele, mas sim quem corria pelo gramado na tentativa infrutífera de fuga.
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  — Quem é você?! — Assustada, não se importava em tacar os objetos próximos no rapaz. — Por que veio pra cá?
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  Aparentemente, Ivy achou que fosse brincadeira por os perseguir com a língua pro lado de fora em latidos animados.
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  Em ato desesperado, sem alternativa, Rodrigo se jogou na piscina, as costas e os braços doloridos em consequência de ser atingido inúmeras vezes.
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  Levou instantes até Gabriel compreender a cena caótica que se desenrolava bem na sua frente.
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  Quando o viu submergir da água, foi até a prima em decididos passos largos. Lhe deu um abraço desengonçado por segurar três sacolas da padaria. A agarrou pelas costas, a imobilizando sem exercer força ao ponto de machucá-la.
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  — Aline, calma! Calma!
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  — Como me pede calma?! — Lutava pra se desvencilhar, os cabelos balançando em feição irada. — O filho da puta desse impostor...
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  — Não sou impostor — avisou Rodrigo nadando até a borda. — Nem fantasma ou sósia.
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  — É o bunny — contou Gabriel, a soltando por detectar como a outra se tranquilizava.
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  — Quê!? — Em grito agudo se virou pro parente como se buscasse por confirmação.
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  — É o bunny, sim.
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  Sem fôlego, saiu da piscina com as pernas doloridas de tanto correr.
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  — Por que não acreditou em mim? — Massageou o peito onde foi acertado pelo chinelo. — Podia me recepcionar com mais amabilidade, dignidade ou respeito.
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  — Ah, é claro. — Não poderia soar mais irônica. — Até porque eu fui na porra do seu funeral, então é óbvio como minha reação seria a mais serena possível ao me deparar com um defunto vivo na minha frente!
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  Impactada tanto pelo peso das palavras quanto pela assombrosa realidade apresentada, compreendeu quem era a figura que perseguiu por incansáveis cinco minutos sem trégua.
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  Em expressão emocionada, se soltou de Gabriel em soluço abafado. Ignorando o quão ensopado estava, o puxou para apertado enlace.
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  — É bom te ver vivo entre nós — murmurou sem conter as lágrimas.
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  — É ótimo encontrar rostos amigos, Aline. Só me deixa trocar de roupa antes de conversarmos — finalizou com humor, o corpo vibrando pelo riso.
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  Minutos mais tarde, usando um folgado conjunto negro de Gabriel, Rodrigo dialogava com os demais reunidos na cozinha enquanto lanchavam os produtos alimentícios da padaria.
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  Os primos aproveitaram para arrumar a casa enquanto o outro se trocava, organizando os objetos nos respectivos lugares.
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  — Bom, desgraça pouca é bobagem — Aline comentou perplexa passando manteiga no pão de sal. — Você tem bastante trabalho pra resolver aqui fora. É até sobre isso por que vim te procurar hoje, primo. Tenho um assunto indispensável para tratar contigo. — Apontou para Rodrigo com o queixo. — O fato de você estar vivo já agiliza as coisas, é claro. Também agiliza alguns trâmites burocráticos por terem ligação familiar.
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  — Referente a mim? — Pestanejou tomando o chocolate quente.
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  — Sim. Respondam. Há quanto tempo não têm notícias de Doralice?
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  Não gostou como o nome da mãe soou carregado de pesar.
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  — A tem visto, Gabe? — Aline mordeu o sonho de doce de leite, seu sabor preferido. — Falado com ela? Trocado mensagens.
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  — Não. — Mordiscava o pão de queijo na temperatura ideal para o consumo. — Bom, embora eu guarde boas recordações com ela, como é mãe do bunny, perdemos o contato. É comum pessoas se distanciarem em determinadas situações. — Deu de ombros, sem compreender a gravidade do assunto abordado.
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  Não escapou dos outros que evitava de mencionar sobre o tempo de separação com Rodrigo.
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  — Não nas atuais circunstâncias — rebateu, a faísca de perigo perpassando por instantes nas íris.
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  — Qual o problema? — assustado, Rodrigo balbuciou exaltado. — O que houve com a minha mãe? Por favor...
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  — Amigo, calma. — Colocou a mão na dele por sobre a mesa. — Me escute primeiro com muita atenção. Não vim antes por não haver oportunidade, mas, considerando que hoje você está aqui, o atraso em narrar os eventos a seguir foi válido. Doralice está na clínica pra onde fui transferida.
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  — Clínica? — repetiu com o coração acelerado. — Qual clínica?
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  — Por motivos de força maior, vulgo sofrer as consequências de querer realizar o meu trabalho de acordo com as leis, me transferiram pra uma clínica de internação psiquiátrica. Fui designada a cuidar de uma paciente cujo quarto era mantido sempre trancado. Quando entrei lá, a paciente era a sua mãe.
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  — Como assim?! Como ela foi parar lá, Aline?! — esbravejou aos berros, a boca seca pela notícia infeliz.
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  — Sua irmã — ponderou Gabriel em feição impassível, Aline assentindo em confirmação. — Ela já tentou te matar. Mandar Doralice pra internação é fácil.
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  — Segundo o laudo, parou lá após um surto psicótico onde acusava Annanda e Lucas de assassinarem você.
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  — Não foi surto. Minha mãe descobriu de alguma forma que tentaram me matar.
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  — De início até cogitei que fosse por causa do luto, mas, após ouvir o seu relato, mais convicta estou do crime que cometeram contra ela ao prenderem ela naquele lugar. Usaram os dados de uma pessoa morta há anos, então não há nada sobre a identidade dela nos documentos.
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  O peculiar silêncio recaiu sobre Rodrigo. Quieto, a taciturna fisionomia impassível era o oposto da mente por estar repleta de pensamentos acerca da situação precária da genitora.
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  — Tem como tirá-la de lá, prima? — Gabriel apressou-se a indagar, estranhando a postura mais fria do amante.
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  — Impossível. Certeza de que recorrem a suborno para ela continuar na clínica. A única forma de retirá-la será com a sua intervenção, amigo.
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  — Agora não dá — retorquiu em tom neutro, os globos trêmulos em áurea calculista.
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  A postura rígida de Rodrigo indicava como optava pela racionalidade, analisando todas as variáveis acerca do contexto apresentado.
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  — Acha justo...
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  — Amor, pensa — interrompeu Gabriel em tom rude. — Por agora vou colocar tudo a perder caso tente meios de retirá-la da clínica. — O fitou transparecendo a agonia na tonalidade entrecortada. — Em questão de dias irei cantar no evento onde minha presença foi confirmada através do Guilherme. Preciso aguardar até esse momento sem revelar que continuo vivo. Não posso me dar ao luxo das coisas saírem dos conformes. Até a opinião pública deverá estar favorável a mim no desenrolar da história.
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  — Vai largar a sua mãe naquele inferno, então? — rebateu inconformada.
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  — É claro que não! — Usou do mesmo tom cortante. — Aline, precisarei da sua ajuda. Me prometa. Já tenho tudo organizado pro meu retorno aos palcos. Conseguirei recuperar a minha vida, todavia, não posso me arriscar a ser precipitado agora. Em menos de trinta dias me apresentarei no show de abertura televisionado junto de diversos artistas. Me prometa que vai cuidar dela até eu conseguir buscá-la. Reúna os arquivos que conseguir os quais poderei usar como provas concretas. Apenas quando tiver meu dinheiro em mãos serei capaz de trazê-la pra casa.
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  Efusiva, Annanda estava radiante no vestido vermelho — vestido esse que, à princípio, seria usado por Alya quando surgisse a oportunidade.
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  Com Lucas ao seu lado em terno negro sem gravata cujos botões iniciais da camisa branca deixavam à mostra o peitoral musculoso, pareciam o casal perfeito dando entrevistas espirituosas, posando para fotos e demonstrando o amor na escolha de permanecerem juntos de mãos entrelaçadas ao longo do evento.
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  Minutos mais tarde, já dentro do camarim e se maquiando para o show sem trocar as roupas, dialogava com Lucas.
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  — Você viu essa palhaçada? — Estendeu o celular na direção dele, quem cheirava a carreira de pó branco sobre a mesa — É a terceira vez já essa semana.
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  Fungando, dirigiu o olhar até a tela, verificando o assunto do momento.
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  Na última semana apareciam atualizações no perfil de Alya, os quais produziram burburinhos na Internet sobre a razão por detrás disso. Anúncios eram propagados, novas fotos da silhueta da cantora liberadas e posts com mensagens tendenciosas sobre um possível lançamento eram soltados em persuasivo trabalho de marketing.
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  — Deve ser algum hacker mexendo na conta da defunta — comentou rindo da própria piada.
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  Há exatos oito meses passara a recorrer regularmente ao uso das drogas pela dificuldade em lidar com a culpa de assassinar uma pessoa — mesmo que não a amasse ou sentisse total indiferença.
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  Os sonhos o perturbavam, apresentava resistência para dormir e passou a adotar uma conduta autodestrutiva — começou a praticar atividades radicais, não se importava em dirigir em alta velocidade e nas festas misturava diversos tipos de entorpecentes ou estimulantes.
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  Dava trabalho nos bastidores por ser comum os agentes o retirarem quase inconsciente dos eventos ou resolverem os problemas criados pelo influencer.
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  — Mesmo assim, Lucas. Não gosto... — interrompeu a fala pela dançarina acima do peso — em sua opinião por invejar a moça cujo olhar era encantador — de sua equipe entrar com o copo de água. — Finalmente! É tão difícil assim encontrar água gelada por aqui? — reclamou em agressividade apanhando o copo.
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  A moça de vinte anos era inexperiente no ramo, então não sabia como se posicionar. Apenas se encolhia perante as agressões, na torcida da mulher estar de bom humor — e nunca era o caso.
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  — Desculpa. Eu...
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  Não a permitiu finalizar a frase.
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  Jogou a água no rosto dela, ignorando se seria atingida pelos pedaços de gelo.
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  Lucas torceu a face em desaprovação.
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  Não interferiu porque estava há tempo suficiente junto a Annanda para discernir que de nada adiantaria a tentativa de ajudar a moça. A ira da mulher seria direcionada para ele — e não queria lidar com aquela carga emocional.
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  — Eu pedi água gelada. Não fresca. Existe diferença. Não sabe fazer nada certo. Talvez, se levasse mais tempo me escutando ao invés de comer, já teria emagrecido o suficiente pra não parecer uma porca nojenta no figurino.
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  Não sentiu empatia pelo estado deprimente da loira, cujos olhos marejados e o lábio trêmulo mostravam como lutava contra o pranto. Ao contrário. Se satisfez por ver como a abalou.
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  — Vai chorar pra outro lado, garota. — Em repulsa, sinalizou com as mãos pra ela se retirar. — Tenho tempo pro seu draminha barato, não. Sai. Sai logo.
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  A aguardou se virar para expelir a última dose de veneno.
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  — Gorda e feia desse jeito. Por isso te dei esse emprego, garota. Tenho é pena de você. Quem mais iria contratar te contratar?
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  Quando a porta foi fechada, Lucas, esparramado no sofá, disse:
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  — Por que as trata assim? A pobre coitada não cometeu nenhum erro.
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  Rolou os olhos em desdém. Caminhou até ele em sorriso malicioso, subindo no colo ao falar:
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  — Porque, meu bem, elas precisam saber do lugar que ocupam. E se ela não quiser o emprego, é só sair. A fila pra ocupar a vaga dela é grande. Consigo outra assim. — Estalou os dedos.
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  — Você continua perigosa — avaliou abaixando as alças do vestido, adorando se deparar com os seios. — Adoro mulheres perigosas. Não maldosas. — Estimulou o mamilo com a língua.
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  — Não sou maldosa. Apenas quero atingir o sucesso. Isso é errado? — Sentia a calcinha úmida, já pronta para recebê-lo.
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  Lucas poderia rebater, mas, em meio à luxúria e a química indescritíveis com Annanda, decidiu transar com a namorada ao invés de discutir com ela.
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  Ao beijá-lo, notou como ele não parecia tão receptivo como antes — e isso traria consequências negativas para ambos.
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Lelen

MEU DEUS, EU PRECISO DO RESTO.
EU PRECISO DO RODRIGO ARRANCADO ATÉ AS ROUPAS DESSES DOIS!
EU QUERO VER O CIRCO PEGANDO FOGOOOOO!

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