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História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Doce Trapaça

Escrita porZsadist Xcor
Revisada por Lelen

Parte do Pop-Up Criativo #2 – Escreva seu livro.


Capítulo 18

  Passou três meses e meio com o gesso por causa da cirurgia responsável por colar o osso no lugar correto. Visando não atrapalhar o trabalho, o chefe permitiu a troca de funções com a responsável pelo caixa, então passava a maior parte do tempo na cafeteria acomodado na cadeira atrás do balcão onde os clientes iam efetuar o pagamento.
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  Mediante ao desejo de não desperdiçar o tempo, trabalhava arduamente no estúdio de noite, gravando várias músicas — mesmo algumas que não seriam lançadas no álbum, mas seriam jogadas na plataforma a fim do público se aproximar.
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  As visitas de Amélia, a fisioterapeuta rabugenta beirando aos sessenta anos, eram, de longe, a pior parte do dia para a dupla por razões divergentes.
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  Rodrigo porque lidava com a dor excruciante da quebra da fibrose localizada no joelho detectada nos exames.
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  Gabriel porque o assistia com o coração se apertando a cada grito dilacerante enquanto, por vezes, lágrimas desciam do rosto contorcido pela agonia devido à manobra realizada pela profissional — que tampouco gostava de praticar o procedimento, embora trouxesse ótimos resultados para os pacientes.
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  Mesmo esbanjando comportamento mais rude, talvez até carregados de grosseria, Amélia tinha consciência do quão penoso era para o paciente. Portanto, buscava ser mais paciente e não se irritava com os muxoxos — isso se os incômodos poderiam ser classificados assim.
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  Certa tarde, Guilherme precisou passar na casa de Gabriel para entregar alguns documentos os quais o cantor assinaria, fechando acordo com a gravadora. Lógico, ser apadrinhado pelo produtor agilizava bastante as coisas.
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  Como o rapaz se esquivava dos questionamentos acerca do endereço da moradia, aceitou o recado nas entrelinhas. Se contentava em recorrer a Gabriel, mesmo discordando do cenário carregado de mistérios.
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  Como não foi combinado previamente, não ouviram os telefones pelos berros abafarem o som. Só quando a campainha tocou insistentemente pela quinta vez o dono da casa se deslocou do seu posto e foi até o portão. Ao retornar com o visitante, Guilherme encontrou o artista aos prantos enquanto a mulher manuseava o joelho.
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  Graças ao olhar apurado, se apressou em retirar a câmera da mochila. Passou a gravar a cena entreouvindo o peso do olhar condenador de Amélia.
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  — Pode me dizer que merda você está fazendo?
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  Se juntando na cama atrás do rapaz com as pernas separadas para o paciente caber no espaço, Gabriel não escondeu a crítica enquanto se esforçava em segurar o tronco de Rodrigo contra o seu, os braços enlaçando o dorso em aperto gentil para o manter no lugar.
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  — Negócios, meu amigo. — A expressão compadecida recaiu no amigo ofegante na pausa de alguns segundos dados pela mulher antes de prosseguir. — Posso continuar?
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  — Tem potencial? Já sabe pra onde vai enviar esses registros? — Trêmulo, pendeu a cabeça para trás, a descansando no ombro alheio.
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  — Sim e sim.
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  — Então continua. — Os cantos da boca curvaram para baixo por antecipar o momento das mãos femininas voltarem a agir quando ela começou a dobrar a sua perna. — Só me desculpe pelos...
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  Nem precisou finalizar a frase.
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  O grito aflitivo fez subir calafrio no produtor.
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  Minutos mais tarde, quando a mulher foi embora, Rodrigo estava deitado de bruços no colchão. Secava a derme afastando os vestígios das lágrimas.
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  — A coisa está feia, meu amigo. — Penalizado pelo suplício, se sentou no chão de frente a ele com a câmera nas mãos.
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  — Desculpe por assistir a isso. — Pelo colchão afundar ao seu lado, se arrastou naquela direção por saber quem era.
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  Nessas ocasiões aceitava sem ressalvas os cuidados especialmente atenciosos de Gabriel.
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  — Esse procedimento é mesmo necessário? — retrucou o loiro, preocupado com o estado do rapaz.
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  — Infelizmente — replicou Gabriel o ajudando a se virar de barriga pra cima. — Quebra da fibrose é uma merda.
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  — Como se atirar em mim não fosse o suficiente, Lucas quebrou a minha perna na base da porrada. Acho que não contei esse pequeno detalhe.
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  — Filho da puta desgraçado. — Irritado, empurrou o interior da bochecha com a língua. — Agora entendi por que mancava.
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  — Gui, por que veio? Foi atualizado daquele evento que citou há uns meses? Notícias positivas? — No objetivo de parecer minimamente bem, se empenhou em erguer o tronco com dificuldade.
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  Pousou a cabeça no braço do anfitrião em alívio pelas dores cessarem.
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  — Bastante positivas, por sinal. Graças ao trabalho de divulgação e aos seus vídeos cantando mascarado, não param de chegar notas sobre você na Internet. O engajamento está ótimo, as músicas lançadas são ouvidas nas plataformas. Já estão me procurando pra saber sua identidade ou quando fará aparição pública. Em consequência, sua presença já está garantida no evento que citei há um tempo.
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  — Terminando esse tratamento, consigo começar a gravar os clipes. Até lá, creio estar pronto pra aguentar subir no palco com direito a coreografia e salto alto.
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  Pela posição desfavorável não detectou o esboço de orgulho demonstrado por Gabriel ao esfregar a ponta do nariz nos cabelos lisos em aprovação da fala decidida.
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  — Ótimo. Eu indico ensaiar duas músicas. A principal será garantida de performar. A segunda, para qualquer tipo de eventualidade, como o clamor público. Vai virar uma loucura se reconhecerem a sua voz ou se tirar a máscara.
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  — Claro. Só garanta também a presença do Gabe. O quero junto comigo. — Virou para o outro quem o fitava em misto de curiosidade pela insinuação e admiração pela força emanada dele. — Sei que não foi um convite formal da minha parte, mas gostaria que estivesse comigo na minha primeira aparição.
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  — Isso não vou perder.
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  Pela forma como se miravam, Guilherme pensou se eles tinham a real dimensão de como não escondiam os sentimentos um pelo outro.
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  Cumprindo o combinado, passou a ir à casa de Gabriel com o intuito de se alimentar. Retornava carregando marmitas para refeições diferentes.
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  Em consequência, apresentava melhor saúde — fator refletido na estética. Ganhara peso, os ossos desaparecendo das vistas. Também usufruía de melhor disposição imprescindível para alguém na sua situação precária e delicada em todos os sentidos.
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  Compreendendo as temporárias limitações físicas, Lílian, a coreógrafa, montou sequências que não forçariam o joelho em recuperação.
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  Agora, sob o efeito do vinho, observava ao longe Gabriel terminar de lavar a louça.
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  O quinteto não deixaria a significativa conquista de o engajamento estrondoso passar em branco, então organizaram modesta celebração. Cada membro levou um prato para jantarem, deixando a sobremesa a encargo do rapaz por ser sua especialidade.
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  Ivy, como sempre, foi alegre recebe-los em meio a corridas, ganidos e lambidas. Não recusaria os pedaços generosos de carne ou frango oferecidos logo ao início da refeição por separarem as fatias para ela e colocarem na tigela onde se alimentava no espaçoso quintal gramado.
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  Como no dia seguinte seria feriado do comércio a cafeteria não abriria, possibilitando Rodrigo estender a estadia após os outros se retirarem.
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  Às onze e meia observava o anfitrião lavar a louça da sobremesa, a única deixada pelo quarteto por ajudarem na organização das respectivas bagunças.
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  A sensação de nostalgia o assolou, as lembranças vívidas de um passado amoroso surgindo na mente em doces cenas carregadas de cumplicidade.
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  Foi quando, arrebatado, compreendeu a real dimensão da falta que o antigo amante lhe fez.
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  Apesar do temor, visto como os pensamentos se tornaram mais introspectivos pela tomada de consciência brusca, não impediu o despertar de sentimentos capazes de aquecerem o peito.
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  — Por que se mudou? — Achou mais prático conversar ao invés de permitir da mente explorar com mais profundidade a época quando frequentava o apartamento de Gabriel. — Lembro de como adorava o seu apartamento. É meio estranho a decisão de ir embora.
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  Tomou o último gole recostando na bancada negra da cozinha.
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  — Lembranças demais pra suportar.
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  Identificou sutil melancolia na fala. Mesmo enxergando somente as costas, imaginava como a feição se tornou taciturna pela resposta vaga.
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  — Quais lembranças?
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  Por longos segundos pesados o som da água predominou no ambiente, ponderando se era viável o esclarecimento. Por fim, chegando à conclusão de que a negação em revelar os sentimentos foi o estopim para desentendimentos desnecessários entre eles, acarretando, talvez, no relacionamento abusivo com Lucas como resultado, Gabriel apanhou o pano de prato e secou as mãos.
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  — A notícia da sua morte abalou até a pessoa de quem você não tinha contato há anos. — Se virando de frente para o rapaz jogou o pano na bancada e encostou o quadril na pia. — De fato, adorava o apartamento. Até o bairro era agradável. A rua era movimentada, as lojas ao redor sempre abertas. O problema é que havia lembranças demais pra suportar. — Engoliu em pausa inesperada. — Mais especificamente lembranças onde você estava comigo por lá. — Engolindo em seco, não obstante da distância que os separava, acompanhou na discreta pausa o queixo alheio cair. — Mesmo odiando aquela maldita agenda, a sua imagem adormecido na minha cama quando eu chegava era a minha visão preferida do dia. Pensei que nunca mais a veria. — Abaixou a cabeça, recordando de como era destruidor o suplício o qual o obrigava a chorar escondido a morte de quem amava. — Não imagina como eu... — engasgou-se com as palavras em receio de Rodrigo não estar preparado para conviver com a confidência. — A sua mãe... Como quem te ama, ficou com a notícia da sua morte. Não foi fácil pra ninguém — pausou analisando a expressão nele, cujo brilho de expectativa nos globos o incentivou a prosseguir. — Especialmente para mim.
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  A melancolia era notória em Gabriel, a postura indicando o impacto do incompreensível estado de luto — incompreensível porque não aceitava a suposta morte do cantor no suposto acidente incomum.
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  Nos instantes levados para o cérebro assimilar a mensagem delicada, a fisionomia se contorceu na esperança de Gabriel se referir a algo mais profundo, talvez até...
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  Engoliu em seco pela dificuldade em lidar com as próprias impressões, o receio em se precipitar quase o sufocando.
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  Desde o primeiro encontro na cafeteria, desconfiava que Gabriel não o enxergava apenas como amigo ou uma aventura. Cuidava dele, o ajudava sem pestanejar. Perdeu dias de trabalho para acompanhá-lo nos exames ou no ortopedista. O levava de carro no trabalho e buscava para evitar de forçar a perna debilitada. Abriu a casa onde aconteciam as reuniões com a equipe composta pelos amigos — independendo do horário —, além de alimentá-lo.
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  Havia também a constante aura amorosa os envolvendo, embora se negasse a reconhecê-la por estar num momento da vida que não poderia desviar do foco para atingir os objetivos o mais rápido possível.
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  Tudo colaborou para manter as emoções guardadas para si sem compartilhá-las. Entretanto, ali, naquela cozinha, com ambos sozinhos na casa trancada, começaria a dar vazão a elas graças ao misto de saudade, falta de troca humana que somente o outro poderia promover e a ação do vinho no organismo.
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  Sensibilizado, ignorou a parte de si que lhe avisava sobre a importância de se proteger — conceito responsável por impedi-lo de se permitir enredar com Gabriel assim como realmente desejava.
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  Deixou a taça na bancada, a faísca de culpa despertando dentro de si por machucar as pessoas que o amavam — inclusive à distância.
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  Mesmo sendo a vítima da situação, se culpabilizava pela falta de posicionamento mais firme perante a vida. Permitiu ser manipulado, desprezado, humilhado, espancado e explorado tanto ao longo da carreira quanto na vida pessoal por tempo demais, culminando nas desgraças vividas.
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  Infelizmente, confundiu o conceito de gentileza com o de subserviência.
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  Hoje, compreendia melhor o comportamento depois de acessar as reminiscências da infância e da adolescência. Por não se amar e nem se reconhecer merecedor de vivências positivas graças às acusações de Annanda acerca dele ser o responsável pela morte do pai, a crença lhe desencadeou uma série de consequências psicológicas cujos impactos foram devastadores para a sua trajetória.
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  Além de não se amar e se sentir inadequado, em virtude dos ataques da irmã e do bullying sofrido na escola, as violências serviram para paralisar perante elas sem rebater por ainda não existir força dentro de si. Logo, aguardava aquilo passar suportando o sofrimento em silêncio, sem reclamar e de cabeça baixa.
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  Hoje não reagiria como no passado.
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  Ao embalar a face de Gabriel, o homem ergueu a cabeça em consequência até encontrar os olhos castanhos carregados de ternura.
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  — Não precisa mais ficar assim. Estou aqui agora.
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  — Esses últimos anos acreditando na sua morte foram terríveis. A ideia de jamais voltar a te ver acabava comigo. Era insuportável.
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  A proximidade era quase intimidadora, os estimulando para trocas mais intensas pela primeira vez desde o reencontro por causa do rapaz permitir se entregar aos sentimentos sem lutar contra eles.
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  Rodrigo deslizou os braços pelos ombros até atingir a nuca, posição típica deles da qual ambos ansiavam em reproduzir.
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  Em contrapartida, reconhecendo como a atitude era favorável para investidas amorosas, Gabriel repousou a mão nos quadris escondidos pela bermuda xadrez.
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  — Há muito tempo não o tenho assim de novo. — comentou encostando a testa na de Rodrigo.
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  Deus, como poderia as palmas de Gabriel pesarem cheias de possessividade e amabilidade em perfeito equilíbrio de ambas as características? Era tão bom... Carecia tanto de...
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  — Assim como?
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  — Nos meus braços. — Resvalou as digitais pela região até a enlaçar por completo. — Sem preocupações. — Exercendo força mínima, o puxou para si até os quadris se colarem. — Relaxado. Pensando só na gente. Pensando em mim.
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  O entrecortado arfar carregado de fragilidade foi emanado de Rodrigo por detectar como o desejo era recíproco, sentindo o intumescimento se encaixar no ventre em denúncia do estado de ambos.
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  O próprio endurecimento não passou despercebido, visto como o anfitrião se esfregou nele como em verificação de suas impressões.
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  — Gosta de me ter assim, Gabe? — abaixou as pálpebras pela falta de coragem em lê-lo.
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  — Adoro.
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  Rodrigo não raciocinava.
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  Embriagado pelas sensações potencializadas pela maneira como se sentia com o antigo amante, implorou em voz rouca:
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  — Então me mostra. Me mostra o quanto gosta de mim. O quanto eu sou importante pra você. O quanto sentiu saudade de mim.
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  Embevecidos por reviverem a atmosfera tão conhecida e depreenderem em puro encanto como ela não se alterou com o passar dos anos, Gabriel, em ato impulsivo, quebrou a distância devagar por reconhecer que os traumas alheios se sobrepujaram nos momentos cruciais deles quando ou assuntos não esclarecidos surgiam ou contactavam com os desejos enraizados do âmago.
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  Deu-lhe tempo de recusar ou se afastar pela demora em toma-lo para si, os instantes pujantes aumentando a tensão entre eles — principalmente em Rodrigo cuja pele ansiava pelos toques masculinos proporcionados somente por Gabriel. Os lábios separados comprovavam como não era o único quem desejava aquilo, mesmo sem recorrer a mais palavras no silêncio cheio de promessas veladas.
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  Não foi impetuoso.
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  Ao contrário.
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  Repousou os lábios contra os do cantor, saboreando a textura.
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  Em resposta, Rodrigo abriu a boca invadindo a outra em busca da língua macia. Soltou fraco gemido por, enfim, provar daquele homem novamente quando a prazerosa massagem iniciou em vagarosa dança harmônica entre as carnes úmidas. Adorou quando as mãos alheias subiram pelas costas o puxando contra si, colando os corpos em maravilhosa fusão enquanto suspirava em satisfação.
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  Perderam a noção de tempo, concentrados em se desligarem do mundo no decorrer do beijo carregado de zelo por parte de Gabriel e saudade por parte de Rodrigo — beijo com sabor de discreto lamento graças aos desentendimentos passados ainda não solucionados.
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  Num fio de voz pediu de pálpebras fechadas quando o pescoço foi tomado em carícias lascivas, enterrando as falanges por dentro do colarinho da camisa:
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  — Me leva pro quarto, amor.
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  Amor.
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  Há muito tempo não era chamado assim por quem amava, em especial no cenário onde o rapaz estava tão indefeso em seus braços.
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  Mais tarde, quando estivessem juntos, descobriria como acertou em agir com cautela, distribuindo afagos ternos ao invés de o reivindicar como queria. Afinal, o panorama que os uniu era delicado. Exigia maior paciência de sua parte — mesmo com a ereção pulsando entre as pernas.
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  Não foi afobado ao levá-lo para o aposento espaçoso de cores claras cuja janela aberta refrescava o ambiente.
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  Se posicionou atrás dele. Abraçado, se ocupava deixando beijinhos propositais na nuca ao percorrerem o caminho. Se divertia por vê-lo se encolher em meio a adoráveis risinhos genuínos pelas cócegas leves — coisa que Gabriel já sabia, visto que, quando não devidamente excitado, a região lhe causava cócegas.
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  Retirando os respectivos chinelos, se deitaram juntos na cama de casal. Até desconfiaria do tamanho, mas fora informado anos atrás a preferência de um lugar espaçoso para dormir. A fraca iluminação da lua deixava o cenário com peculiar ar de intimidade potencializado pelos sentimentos do casal cuja expressão se daria através de toques ou gemidos.
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  — O que quer de mim essa noite, bunny? — Se acomodando sobre ele, buscou o olhar hesitante a centímetros de distância. — Me fala pra eu te proporcionar.
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  Apesar da luminosidade precária, conseguiu enxergar como havia hesitação nele, os globos transbordando insegurança. Os músculos enrijecidos sinalizavam também a dúvida em optar pela sinceridade como acontecia.
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  Como o conflito impedia o artista de se comunicar, recorreu a outro método cujo êxito seria mais favorável.
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  Embalou a face com as mãos, os hálitos quentes se chocando pela proximidade. Lhe deu adorável beijinho esquimó moroso cuja sombra de sorriso se formou a fisionomia conflitante, finalizando em demorado selinho.
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  — Lembra quando conversamos sobre como foi impactante a morte da minha mãe meses depois de nos conhecermos, bunny?
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  — Lembro.
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  — Você foi a primeira pessoa com quem falei a respeito. Isso porque eu confiava em você, assim como ainda confio. Da minha parte nada mudou entre nós. Assim como naquela época, continua em segurança enquanto estiver comigo.
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  As palavras o relaxaram, tirando os vincos faciais de ansiedade.
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  — Eu quero esquecer dos meus problemas. — Soluçou tomado pela certeza de que Gabriel não negaria o refúgio. — Quero esquecer do período em que ficamos separados. Eu quero... Não quero me sentir sozinho quando estou longe de você. Eu quero... Quero...
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  Não estava pronto para a total franqueza, rodeando o assunto sem o finalizar pela falta de coragem em tal circunstância embaraçosa onde se sentia exposto em determinado nível de vulnerabilidade onde, a despeito da certeza de estar em segurança, relutava em exteriorizar suas fraquezas.
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  Almejava se sentir amado como foi nas vezes quando estava na companhia do homem. Não havia agenda, compromissos, exigências, críticas, baixa autoestima, ensaios, traumas... Tudo desaparecia, substituído pelo inconfundível sentimento de pertencimento e amor manifestado pelo prazer enquanto passavam horas se enroscando na cama.
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  Quando recuperou as memórias, revivia as cenas lindas na mente nas horas de insônia se perguntando se voltaria a vê-lo.
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  — Lembrar de como era passar as noites comigo — completou Gabriel. — De como nenhum centímetro da sua pele deixava de ser beijada por mim.
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  Assentiu na incapacidade de falar sem demonstrar ainda mais a fragilidade.
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  Gabriel enterrou a cabeça no ombro, onde chupou o macio lóbulo. Adorou ouvi-lo gemer, o corpo se contorcendo sob si.
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  — Vou lhe dar tudo o que precisa. Vai ser devagar. Sem pressa. Essa noite é só nossa — murmurou, o arrepiando em antecipação dos acontecimentos a seguir. — Será como se fosse a nossa primeira vez, bunny.
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  — De certa forma é. Não sou a mesma pessoa que conheceu — avisou com um quê de dúvida nas palavras.
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  — A sua essência não mudou. Seu coração continua bom. As adversidades não o transformaram em alguém ruim. Você é uma pessoa muito boa a quem coisas ruins aconteceram. Me alegra ver como veio se fortalecendo desde então — disse baixinho entre carícias na área, concentrado em acalmá-lo, as digitais alheias apertando os músculos das costas.
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  Se rendendo, a volúpia anuviava o cérebro, então a barreira de autoproteção construída ao redor começava a desestabilizar.
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  — Eu não acreditava que pudesse superar.
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  — Já eu nunca duvidei da sua capacidade.
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  Foi tentador demais não o abraçar no suspiro onde inalou o cheiro da bronzeada epiderme crua.
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  — Obrigado, Gabe.
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  — Pelo quê?
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  — Confiar em mim — arfou pela língua brincar com o sensível lóbulo. — Não me abandonar desde o nosso reencontro. Me apoiar nessa loucura incerta que minha vida se transformou.
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  — Não precisa me agradecer por eu te amar.
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  Não houve tempo pra sequer reagir.
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  Se afastou de súbito, lhe despertando a sensação de solidão pela falta do caloroso contato corporal imprescindível.
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  Ao abrir os olhos, alarmado por Gabriel rejeitá-lo ou mudar de ideia acerca dos planos discutidos, se deparou com a visão dele sentado sobre si, os joelhos afundando o colchão ao lado dos quadris. Pela luz iluminar o dorso, o acompanhou desabotoar a camisa azul escura, revelando o dorso com os novos músculos firmes adquiridos na academia. A soltou no chão, dando tempo para admirá-lo novamente após anos da penosa ruptura.
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  Apanhou a mão inerte ao lado do travesseiro a trazendo para si. Gentil, a repousou sobre o próprio peito, onde o coração pulsava forte.
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  — Eu não te esqueci, Rodrigo. Não houve um único dia em que não pensei em você.
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  Seguindo os instintos, o cantor ergueu o tronco alcançando a boca em anseio desesperado.
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  Os momentos foram regados de paixão, promessas silenciosas e amor de duas almas que passaram anos separadas expressas através dos gemidos, arfadas e carícias repletas do misto de ternura e sedução.
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  Os beijos lascivos eram prolongados. Os toques transmitiam a adoração um pelo outro através dos centímetros das epidermes percorridas nos afagos delicados. Os abraços calorosos com sabor de saudade transbordavam companheirismo, proteção mútuos.
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  Se desfizeram das roupas sem demora por almejarem degustar cada mísero segundo do momento especial onde se uniam novamente.
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  Gabriel cumpriu a promessa.
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  Foi vagaroso, paciente. Se atentava às reações do amante, sabendo como diminuir ou intensificar as sensações por conhecer aquele corpo tanto quanto conhecia o seu próprio. Em resultado, o deixou à beira da loucura, explorando em deliciosa demora as zonas erógenas sem esquecer de nenhuma.
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  Simultaneamente, não imaginava como o enlace ia para além do âmbito dos sentimentos em relação ao artista.
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  Rodrigo preenchia um espaço vazio deixado pelas violências de Lucas. Na companhia de Gabriel nas horas de maior intimidade que se seguiriam depois daquela noite, começaria o processo de reconstrução da vida sexual, se redescobrindo aos poucos como apto de proporcionar prazer e receber prazer — percepção distorcida ao longo do relacionamento abusivo.
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  Ofegante, saboreando o gosto do rapaz nas papilas gustativas, Gabriel se posicionou deitado com as pernas separadas enquanto Rodrigo buscava pela sua entrada com a glande para penetrá-lo no decorrer do voluptuoso beijo.
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  — Deitado assim fica igual uma putinha.
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  A lembrança o atingiu como um terrível soco o desconectando da beleza do momento, o levando para alguns dos piores episódios já vivenciados.
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  Rodrigo foi transportado em questão de segundos para anos atrás, quando ainda era prisioneiro de Lucas — quem o subjugava de todas as formas tanto em público quanto na vida de casal a sós.
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  A fisionomia passou por terrível metamorfose. O apetite deu lugar ao receio. O bem-estar a humilhação. O prazer a dor.
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  Notou como a atmosfera mudou antes mesmo do rapaz desabar no colchão em expressão tortuosa, a musculatura rígida como outrora quando Lucas...
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  Em visível sofrimento, se deitou em posição fetal controlando o pranto por terríveis cenas tortuosas perpassarem a mente. Tampou a boca abafando os soluços, trazendo os joelhos em direção ao abdômen.
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  — Meu querido. O que foi? — Atormentado pela súbita transformação do cenário, se deitou de lado ficando de frente a ele. — Qual o problema?
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  Como não houve resposta, repousou a mão no rosto consternado.
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  Rodrigo almejava acalmá-lo, dizer que não era nada. Entretanto, as cordas vocais não pareciam exercer a função pela voz não sair devido ao nó na garganta, tomado pelas manifestações do passado traumático.
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  — Se você não quiser transar, tudo bem. Não vou reclamar ou brigar. Só me fala porque ficou assim de repente. Eu te machuquei? — Não poderia soar mais desnorteado.
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  Meneou com a cabeça, as primeiras lágrimas transbordando incapaz de se conter.
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  — Fiz algo que te desagradou?
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  Negou, dessa vez se encolhendo.
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  — Por favor, converse comigo. Me conta como posso te ajudar.
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  — Me abraça — pediu emanando fragilidade num fio de voz, a visão embaçada pelo pranto. — Só me abraça.
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  Sem cerimônia, o puxou para si encaixando os corpos. Sem se desconectarem, deitou-se de costas o levando consigo.
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  Passou longos minutos enquanto o amparava sem se importar dele molhar o peitoral. Arrastava preguiçosamente as palmas nas costas nuas distribuindo carinhosos beijinhos onde alcançava.
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  Apenas o soltou minutos mais tarde porque o rapaz se desvencilhou, retornando ambos para a posição anterior.
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  — Está pronto agora pra conversar comigo? — Com as pontas das falanges, secava a umidade da face andrógena.
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  — Sim — replicou em imprecisa tonalidade sufocada, as destras embaixo do queixo enfatizando a percepção da debilidade emocional. — Só que... Não é uma história agradável. Não vai gostar de ouvir.
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  — A gente tem todo o tempo do mundo. Caso dividir as suas dores comigo auxilie em diminuir esse sofrimento, siga em frente. Ouvirei sem julgamentos ou críticas. Prometo.
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  Abaixou as pálpebras contundente, assimilando as palavras ditas de maneira cautelosa.
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  O aguardou paciente até ouvir o hesitante relato.
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  — As agressões do Lucas começaram devagar. Primeiro me xingava. Depois tacou um copo na parede cujos estilhaços me atingiram. Mais tarde socou o armário a centímetros de distância de onde eu estava. Por fim, foi questão de dias pra me bater. — Suspirou como se preparasse para a continuação do relato. Buscou pelo olhar de Gabriel, quem o escutava sereno. — Certa noite cheguei montada de um show. Estava há tempos sem dormir direito pra cumprir os compromissos da minha agenda. De tão exausta, nem tomei banho. Me joguei na cama. Acordei cheia de dor com a cama balançando. Só quando vi os dedos tatuados, entendi que era o Lucas em cima de mim.
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  — O quê? — Incrédulo, implorava a Deus em pensamento para não ter acontecido o que suspeitava.
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  — Eu pedi pra parar. — Mais lágrimas desciam apesar da voz não falhar. — Avisei que estava me machucando, mas não adiantou de nada. Bêbado, repetia sem parar que eu parecia uma mulher toda hora, mais especificamente, uma putinha. Não imagina como tomei asco dessa palavra. — A fisionomia se contorceu em nojo. — Desde quando transei com ele pela primeira vez, o Lucas nunca parecia tão à vontade ou disposto pra transarmos. Já cheguei a encontrar frasco de Viagra escondido nas coisas dele. Pensei ser libido baixa, estresse, presumi que eu não atraía... Não sei. Até tentei inovar numas coisas. Acabei sendo ridicularizado nos meus esforços de agradá-lo. Na tarde em que tentou me matar me revelou a verdade. Me senti a pessoa mais burra do mundo porque fazia sentido e eu nem cogitei na possibilidade óbvia.
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  — Qual?
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  — O Lucas é hétero. Seria impossível querer algo comigo. Na época da amnésia, eu sempre me esquivava de flerte, mesmo surgindo gente pra mim. Quando as memórias voltaram compreendi o motivo pro comportamento.
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  — Se você relutava com eles no período enquanto estava no litoral, como me permite ficar assim contigo?
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  — Não sei explicar. — Engoliu em seco entreouvindo o outro secar os vestígios das lágrimas. — Quando me lembro do que vivemos, não consigo enxergar maldade ou feiura. Pelo contrário. — O ensaio do trêmulo sorriso era tênue, embora denunciasse a ternura das reminiscências. — Era bonito. Muito bonito. Eu não quero que as minhas últimas lembranças assim fossem só com o Lucas. Eu quero... Quero produzir novas memórias bonitas contigo. Quero substituir aquelas horríveis com novas onde estarei sentindo prazer ao invés de dor. Quero lembrar de como é quando estou com quem se importa comigo, me respeita e me faz sentir...
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  A interrupção foi brusca por temer o excesso de franqueza.
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  — Amado — completou Gabriel.
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  Mesmo com a precária iluminação, detectou a surpresa nos globos castanhos.
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  — Sim.
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  Embora o ódio crescesse por Lucas no decurso do relato, Gabriel se obrigou a abafar a reação mais visceral para amparar o homem quem amava.
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  Quem estava na sua frente era Rodrigo. Era ele quem precisava de si, em especial após contar sobre seus mais dolorosos traumas. Se preocuparia em cuidar do rapaz ao invés de deixar a ira transbordar por distinguir a importância de lhe dedicar a atenção merecida após a confidência.
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  — Estou puto da vida pelo o que ele fez contigo. O desgraçado não é nem pra estar vivo. Todavia, estamos juntos agora. Ele não está aqui. Eu e você, sim. Essa noite você é a minha prioridade, assim como vem sendo desde quando o vi na cafeteria. Se quiser só beijo e abraço, vou entender. Se não quiser se aprofundar para descobrir até onde chegaríamos ou não retomar o que tínhamos, vou compreender. Não irei te persuadir ou forçá-lo a nada. Me conta o que quer de mim pra eu te entregar.
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  — Eu quero você — pediu em misto de lamento e dengo. — Quero gemer o seu nome enquanto estiver dentro de você. Quero gozar junto contigo. Quero que me ajude a apagar toda a feiura que passei e substitua pela beleza do que nós dois vivemos.
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  — Seu pedido é uma ordem, meu amor. Então... Você me deixa te amar por inteiro?
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  — Sempre.
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  O beijo vagaroso partiu de Gabriel, quem logo tratou de cobrir o corpo alheio com o seu.
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  O homem cumpriu a promessa, assim como aconteceria ao longo dos anos quando já estivessem juntos em condições onde a relação era pública.
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  Rodrigo se esqueceu dos episódios traumáticos, as cenas desvanecendo da consciência até sumirem por completo enquanto era preenchido por novas impressões — tanto sensoriais quanto emocionais.
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  Após manipulá-lo ou estimulá-lo nos pontos onde sabia que arfaria, gemeria ou clamaria por mais — não necessariamente nessa ordem — lhe permitiu gozar duas vezes.
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  A primeira foi na sua boca, onde o masturbou e chupou de maneira alternada por incontáveis minutos onde, quando percebia o alívio chegar, diminuía o ritmo ou se encarregava de beijar o interior das coxas. Assim, ao ser arrebatado pelo orgasmo, foi impossível conter o grito de prazer.
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  A segunda foi quando, após ser igualmente moroso em massagear a entrada com a língua, umedeceu o dedo anelar com o lubrificante. Encostou a falange a centímetros de distância.
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  Em sobressalto, abriu os olhos para assimilar o motivo da pausa.
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  — Eu não vou prosseguir sem a sua permissão — Gabriel avisou o fitando, o próprio pau pulsando em detectar como o enlouquecia. — Posso? — Arrastou o dedo até pousá-lo onde desejava, sentindo a textura enrugada que já evidenciava como as carícias eram prazerosas.
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  — Pode. Por favor.
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  Quase rasgou a fronha do travesseiro de tanto puxá-la, o quarto voltando a ser preenchido pelas lamúrias.
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  Meia hora mais tarde, Gabriel lubrificou a própria entrada e o membro, ambos desejando o encaixe.
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  Sustentando o contato visual pela luz do luar os banhar, se acomodou diante dele com os joelhos ao lado dos quadris. Segurando o pau alheio, o posicionou. Deslizou nele até se sentar por completo, ação responsável pelo rapaz arquejar.
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  — Amor, estarei por cima, mas quem ditará o ritmo e o que é pra fazer será você.
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  Apanhou ambas as mãos do cantor. As resvalou desde o peitoral, descendo até alcançar as ancas.
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  — É você quem estará no controle, bunny. Não eu.
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  Levou segundos para o cérebro assimilar a informação, as íris brilhando em compreensão da alta sensibilidade aplicada por Gabriel.
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  Confiando nele, aumentou a pressão na carne a impulsionando de leve pra cima e pra baixo, para frente e para trás ou em círculos perfeitos os quais o outro acompanhava prontamente.
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  Os olhos não se desconectavam, trocavam beijos apaixonados e exploravam as dermes sem pudores no decorrer dos movimentos incessantes de Gabriel, cujo ritmo lento onde se deslocava em deslize macio para voltar com maior ímpeto os deixava à beira da loucura. Por vezes Rodrigo agarrava a dura bunda alheia, ditando como queria as estocadas de acordo com os impulsos das destras. Os gemidos eram ouvidos em todos os cômodos da casa, o som preferido deles. As paredes seriam testemunhas de escutá-los com frequência nos anos seguintes independente do período noturno ou diurno.
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  Ao longo das cavalgadas primorosas, acompanhou o membro endurecido implorando por atenção cujas veias denunciavam a forte excitação.
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  Ignorando a insegurança, o apanhou com a destra direita, produzindo nele um grunhido de satisfação ao começar a manuseá-lo enquanto conseguia exercer controle sobre o pulso.
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  Quando não passavam de um conjunto de reações corporais, as duas faces eram marcadas pela luxúria e produziam sons entrecortados, Rodrigo se sentou em único impulso colando os lábios nos de Gabriel em beijo ardente.
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  Indefeso, se afastou por centímetros suficiente para o mirar, os dois se abraçando sem distanciar o tronco.
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  Analisou a fronte cujos globos castanhos eram banhados pela delirante paixão. O trêmulo queixo caído assinalava o que já imaginava, assim como as pálpebras baixas, os ombros encolhidos e o esforço de manter a cabeça erguida a qual oscilava.
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  — Está perto, né, amor?
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  — Sim — replicou em agudo gemido.
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  — Vem cá.
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  Engolindo em seco, deitou a testa no ombro de Gabriel, quem intensificou o enlace.
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  — Um pouco mais forte, Gabe.
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  — Assim? — indagou no movimento impetuoso, lhe arrancando um gritinho agudo.
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  — Assim — gemeu manhoso.
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  Por estarem colados e as digitais percorrerem a pele, notou como Rodrigo se contorcia em agonia emitindo falhos sons guturais, como se tivesse dificuldade em...
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  — Se concentra em mim, bunny. — Mordiscou o pescoço arrepiado, adorando como as unhas cravaram na epiderme sensível. — Eu sei que está quase lá. Sei que consegue gozar. Vem junto comigo, amor.
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  A cada frase cochichada com a voz carregada de voz contra a pele fina em incentivo deixou Rodrigo mais sensível e agitado, os gemidos mais agudos, as unhas mais cravadas nas costas enquanto o próprio quadril, em busca de ser arrebatado das pujantes sensações enlouquecedoras, acompanhavam Gabriel até, enfim, o rapaz gozar em abafado grito junto ao amante.
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  — Isso, amor. Parabéns — disse Gabriel contra o pescoço suado. — Eu sabia que conseguiria.
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  — Senti saudade disso. — Devido à respiração pesada, soava cansado com a cabeça repousada no vão entre o ombro e o pescoço. — Senti saudade de você.
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  — Eu também, meu querido. — Ofegante, mordiscou o ombro o apertando contra si. — Eu também.
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  Embriagados pelo amor sentido em cada poro e pelo prazer experimentado, se deitaram juntos na cama onde iriam adormecer após Gabriel se limpar dos vestígios do próprio gozo.
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  Rodrigo se arrastou até encontrar o corpo firme, se aconchegado em Gabriel, o homem com quem futuramente se casaria. Posicionados de conchinha, nus, a posição se tornaria acolhedora para ambos — e a preferida para dormirem juntos.
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  Pela primeira vez Rodrigo dormiria a noite inteira, desfrutando de nove horas e meia de sono restaurador.
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