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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Doce Trapaça

Escrita porZsadist Xcor
Revisada por Lelen

Parte do Pop-Up Criativo #2 – Escreva seu livro.


Capítulo 3

  No dia em que João começou a se envolver com jogos de aposta, jamais pensou como entraria numa crise financeira.
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  Ora, não passava de inofensivo hobby para relaxar. A possibilidade de angariar renda extra o animava e não detectava nenhum nível de risco na distração.
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  Ledo engano.
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  O hábito o consumiu gradativamente e acessava os sites com regularidade preocupante.
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  Primeiro apostava dez reais. Não poderia haver prejuízos.
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  Droga. Era a terceira vez que por pouco não ganhou.
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  Tudo bem, agora vai melhorar.
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  Isso! Na sexta tentativa ganhou da máquina.
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  Inferno! Por que faltava sempre tão pouco para ganhar?
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  Tudo bem, adicionaria vinte reais. Afinal, mesmo se perdesse, a quantia não era alta e a perda era risória comparada às economias guardadas para eventuais emergências.
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  Não enxergou como os valores depositados eram cada vez mais significativos e ignorava os sinais de como até anos de economia financeira desapareciam dia pós dia por investi-la nos jogos.
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  Quando se deu conta da enrascada, os danos eram quase irreversíveis. Devia ao banco, os cartões foram bloqueados, a luz fora cortada há quarenta e oito horas e na geladeira havia apenas uma maçã perto de apodrecer, três batatas doces e uma garrafa d’água. Além de, é claro, a incerteza se continuaria vivo nas próximas horas o amedrontar.
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  — Perdeu o juízo? — Igor, o único a quem recorreu além de um antigo colega cuja hipótese de lhe pedir ajuda lhe dava calafrios, o repreendia no bar enquanto ambos dividiam a garrafa de cachaça cuja qualidade era péssima. — Você pode morrer por causa dessa merda!
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  — E eu não sei? Talvez essa seja a minha última bebida da qual desfrutaremos juntos.
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  — Por que acha que o permiti beber da minha mercadoria sem pagar? — ironizou, tomando um gole no gargalo. — Se eu tivesse dinheiro investiria em bebidas melhores — reclamou com careta de desgosto.
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  — Seja sincero. — Bebeu o restante do conteúdo. — Nós dois somos os únicos que o Augusto ainda conhece da época de infância. Acha que isso vai amolecer o coração do homem?
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  — Não faço ideia. Na dúvida, pede pra não te desfigurar e nem atirar na cara. E prometo comprar uma birita melhor pra comparecer ao enterro em sua homenagem.
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  Horas mais tarde, suava frio por entrar no escritório do agiota a quem devia trinta mil reais — fora os juros.
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  — Eu tive esperança de juntar o dinheiro pra te pagar. Juro. — Já havia aceitado a certeza da morte, então, embora não gostasse da ideia, a achava interessante pela consequência de não se responsabilizar em encontrar maneiras de quitar as dívidas.
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  Idealizações, tentativas ou casos bem-sucedidos de suicídio também eram sintomas de viciados em jogos de apostas pela compulsão os consumir e chegarem ao ponto de não controlarem os impulsos e o resultado do vício ser irreversível, é claro — e João tinha consciência de chegar naquele ponto de onde não havia retorno.
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  — Já ouvi essa história tantas vezes que conheço até as frases. — Entediado, Augusto levantou da cadeira onde costumava se sentar para atender aos devedores e se aproximou falando com as mãos nos bolsos da calça. — “Me dá só mais um dia”. P”or favor, poupe minha família”. “Só me dá mais tempo pra eu te pagar” — o agiota imitava as frases ouvidas por diversos homens ao longo de sete anos. — Chega a ser entediante. Por outro lado... Tenho um débito em aberto contigo.
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  — Débito? — repetiu sem compreender. A testa enrugada suava pelo nervosismo.
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  — Sim. Sei que ainda frequenta a casa da minha mãe. Ela o considera como um filho. Embora não quisesse que seu nome fosse citado, ignorei quando o médico me contou a preferência do doador de manter a identidade anônima. Um homem na minha posição descobriria com facilidade quem doou o rim pra ela.
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  As pálpebras se ergueram por instantes, sinalizando a compreensão da fala.
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  — E me recuso a matar o responsável pela minha mãe continuar viva. Tenho uma proposta pra você.
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  — Qual?
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  — Recorreram aos meus serviços para alguém... Digamos... Desaparecer, na falta de uma palavra mais adequada. Apesar do meu meio de trabalho, não sou grande defensor de assassinatos. Entretanto, o mandante ofereceu muito dinheiro pro serviço. O suficiente pra você pagar a mim e uma parcela considerável ao banco. Aí lembrei de você.
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  Pela incapacidade de replicar, engoliu em seco.
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  — Se desaparecer com o corpo pra mim, sua dívida estará paga e poderá se organizar financeiramente — prosseguiu depois da ligeira pausa onde o avaliou enquanto assimilava a mensagem.
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  — Não... Eu não...
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  — É para o corpo sumir. Os trâmites já estão combinados. Uma oportunidade como essa não surgirá novamente. A decisão está em suas mãos.
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  Na semana seguinte, as olheiras eram evidentes, assim com o semblante macilento.
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  A cada passo, João se amaldiçoava pelo infeliz dia quando começou a jogar e pedia aos céus para que os criadores dos jogos de apostas online fossem para o inferno por prejudicarem tanta gente.
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  Atravessava as árvores na região mais isolada da cidade onde turistas não costumavam visitar. Vasculhava o local em estado de angústia e ansiedade, se controlando para não prejudicar a única garantia de permanecer vivo até a velhice — e já havia jogado o celular fora para evitar de acessar plataformas as quais o deixaram na falência.
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  Quase berrou de susto por encontrar o corpo.
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  A brutalidade dos golpes foi tamanha que nem enxergava o lugar dos olhos pelo inchaço, cortes e os hematomas. Nu, fora largado para morrer sem roupas. A documentação e o aparelho telefônico também desapareceram. O posicionaram estrategicamente sobre um formigueiro, então havia inúmeras marcas das picadas de ardência terrível.
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  Verificou o moribundo a centímetros de distância. As lesões haviam acontecido há quase duas horas e a hemorragia era grave. Como respirava com dificuldade, foi incapaz de não o salvar.
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  Podia ser viciado em jogos de azar, mas sua moral o impedia de cometer atrocidades.
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  — Eu não sou um assassino. — Retirou a camisa.
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  Arrastou o rapaz para longe do formigueiro e usou a camisa para espantar os insetos. Em seguida, buscou pela arma que Augusto explicou onde estava escondida. A guardou no cós da bermuda, pôs o desconhecido no colo e o carregou até o carro, o colocando deitado no banco traseiro, lembrando da grande mala guardada no veículo.
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  Antes de se encaminhar ao hospital, foi até onde o jatinho havia pousado e aguardava a bagagem para alçar voo.
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  Quando João deixou lá dentro a mala onde deveria estar o cadáver de Rodrigo, foi questão de minutos para estar nos céus.
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  Quinze minutos depois, quando atravessava o mar para chegar ao destino, a aeronave particular explodiu.
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  Enquanto o rapaz passava pelos procedimentos para cuidar das lesões no hospital em coma induzido, inclusive para tratar o processo de envenenamento pelas inúmeras picadas de formigas, João aguardava no corredor para ser atendido por Augusto.
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  — A arma está aqui — o avisou sem cerimônia quando a entrada lhe foi permitida, a deixando sobre a mesa de madeira muito bem lustrada.
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  — E a bagagem? Foi colocada no jatinho?
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  — Sim.
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  — Como você o encontrou?
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  — Sem roupas e desfigurado.
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  — Ótimo. Pode se retirar. Dentro de três horas passe no banco. Procure por Marco Aurélio de Souza. Ele irá te ajudar no que for.
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  — Obrigado.
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  Se retirou sem se despedir — e detestou escutá-lo pela interrogação e o tom lhe causar calafrio:
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  — O colocou dentro da mala, João?
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  Respirou fundo preparado para a retaliação e se virou — decidido, fiel às suas convicções e disposto a aceitar seu destino, independentemente de qual fosse.
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  — Não. Ele ainda estava vivo. Pode me punir como preferir. Afinal, quebrei o trato. Para o meu azar, tenho princípios os quais jamais negarei. O encontrei ainda respirando. Não sou assassino e me recuso a ceifar a vida de alguém. O deixei no hospital.
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  Mais tarde, quando estivesse deitado na cama, mais tranquilo e com parte da dívida do banco paga e sem correr risco de vida por dever ao agiota, decifraria o sorriso de Augusto. Não foi assustador, mas sim um misto de astúcia com respeito, como se já deduzisse a resposta antes de propor a retratação perante o débito.
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  — O acordo foi desaparecer com ele. Não o matar. Siga em frente. E me faça um favor. Por gentileza, não me procure mais. Minha mãe ainda gosta de preparar bolo pra você nas suas visitas enquanto estou trabalhando.
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Lelen

Tá certo gostar do João e do Augusto? Meio x o que eles fazem/fizeram, mas assim… No final deu tudo certo, né? (maomenos?)

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