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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

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Doce Trapaça

Escrita porZsadist Xcor
Revisada por Lelen

Parte do Pop-Up Criativo #2 – Escreva seu livro.


Capítulo 19

  Demorou a despertar por completo.
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  Zonzo de sono, prolongou o tempo deitado no confortável colchão em desfrute do estado de relaxamento corporal — independentemente da luz solar banhar o quarto, o aquecendo ao longo dos minutos.
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  Não se lembrava qual foi a última vez que sentiu tamanho bem-estar, então se recusava a sair da posição aprazível.
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  O alento durou meros instantes.
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  Em questão de segundos arregalou as pálpebras em rompante brusco, alarmado pelas reminiscências surgirem na mente.
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  As palavras trocadas foram profundas demais. O toque carregado da intimidade direcionada aos amantes cuja paixão era recíproca. O prazer transcendeu as sensações físicas, alcançando o coração de ambos. A revelação da gravidade da violência sofrida nas mãos de Lucas o fez se julgar por vários dias, sem crer nas próprias ações impensadas das quais culparia o vinho.
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  Não ousaria admitir para si e nem para ninguém como aquelas horas foram significativas, então, de forma inconsciente, usou do efeito da bebida como subterfúgio para explicar a razão dos últimos acontecimentos.
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  A ideia de voltar a se relacionar assim com Gabriel o assustava — e isso não mudaria tão cedo.
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  Beirando ao desespero, pulou da cama, caindo no chão num baque surdo em consequência do nervosismo. Apanhou as peças espalhadas pelo chão, se apressando em vesti-las.
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  Quando Gabriel retornou após vinte minutos com sacolas nas mãos onde havia o farto café da manhã que planejava tomar do Rodrigo, encontrou a casa vazia.
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  A mensagem recebida no meio da tarde não passava de um pedido para não procurar por Rodrigo, quem ignorava as ligações e as mensagens.
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  Depois de dez dias sem notícias e sem contato com Rodrigo, o humor de Gabriel não era dos melhores.
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  Mesmo no trabalho controlava a impaciência, respirava fundo com mais frequência e refreava réplicas ríspidas.
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  Para não prejudicar as assinaturas dos contratos com quem se interessava na Casa de Festas, Aline era a responsável por receber e dialogar com os visitantes.
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  Como agendado, na calorenta tarde foram em lojas específicas comprar ornamentações para montarem as mesas dos eventos.
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  — Vai me contar o motivo do seu mau humor? — Inquieta, empurrava o carrinho pela loja incomodada com a carranca do primo.
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  Aliviado pela brecha proposta por Aline, começou em tom inconformado.
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  — Digamos... Suponhamos. Uma teoria bastante longe da realidade.
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  — Hã. — Ergueu a sobrancelha direita fingindo acreditar nas palavras.
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  — Talvez exista a possibilidade remota de eu estar saindo com alguém.
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  — Vou conhecer esse cara misterioso?
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  — Pelo menos não tão cedo.
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  Detestou como ela cerrou os olhos.
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  — O que está escondendo de mim, priminho? — inquiriu irônica.
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  — Nada demais, priminha — rebateu suspeito. — Posso prosseguir?
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  — É o único jeito de eu descobrir alguma coisa sobre a sua vida. Siga em frente.
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  Viraram no longo corredor, onde se apressaram em avaliar com interesse as bandejas espelhadas.
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  — Qual o problema? — Aline pegou a de cor rosa para analisar.
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  — As nossas saídas são boas. O cara é legal.
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  — Eu iria me dar bem com ele?
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  — A amizade seria instantânea.
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  O canto dos lábios se repuxou em sorriso tênue por se lembrar de como Rodrigo logo se entrosou com a prima quando se conhecerem.
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  — Então é gente boa. Como é na cama?
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  — De tirar o fôlego.
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  — A família dele?
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  — Diria que é interessante.
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  Não entraria em detalhes pra não arriscar da prima descobrir que a conversa era sobre Rodrigo.
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  — De forma negativa ou positiva?
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  — Positiva.
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  — Trabalha?
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  — Sim.
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  — Então qual é a porra da sua dúvida?
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  Gabriel colocou bandejas de cores distintas no carrinho e continuaram caminhando.
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  — A gente transou pela primeira vez há um pouco mais de uma semana. Até aí sem problema nenhum. Pela manhã? Simplesmente desapareceu! Não responde minhas mensagens, ignora as minhas ligações... É frustrante! — Bufou descontente.
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  Repudiava a sensação de se sentir como um adolescente pela falta de notícias, embora fosse compreensível.
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  — Uma pergunta crucial. Gosta ou não de você?
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  — Tenho certeza que sim.
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  — Considerando isso, vamos para alguns detalhes. Como é a autoestima dele e o amor-próprio?
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  Refletiu por instantes sobre o relato de Rodrigo.
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  — Creio que não atingiram um nível satisfatório. Por outro lado, se esforça pra alterar o cenário.
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  — Por quê?
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  — Relacionamento abusivo. Esteve com uma praga ruim dos infernos.
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  — Se recuperou disso?
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  — Eu diria que convive com os traumas. Busca tocar a vida como dá.
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  — Bom... — Entraram na longa fila de pagamento. — Vamos levantar uma hipótese pra essa sua vaga possibilidade de estar saindo com alguém. Talvez esteja assustado contigo ou tema de entrar num relacionamento onde será novamente maltratado.
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  — Eu nun...
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  — Primo, me escuta. Uma amiga passou quase dois anos em terapia por causa de um filho da puta, então tenho o exemplo dela pra me respaldar. Ela me disse que demorou muito pra aceitar e até se abrir em conhecer outras pessoas pelo terror de passar por tudo aquilo de novo. O marido foi paciente até demais. A aguardou estar pronta para namorarem. Não a apressou e nem a encheu de exigências. Quem a ajudou ao longo do tempo a se recuperar por completo foi ele. E tudo isso começou com a paciência do cara.
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  — O que quer dizer com isso?
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  — Aguarde. Dê tempo a ele. Se gosta de você de verdade, vai voltar.
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  Se manteve calado nos segundos seguintes refletindo acerca da mensagem cheia de brandura, a fisionomia tomando marcas de expressão.
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  Engoliu em seco, inquirindo de supetão em visível insegurança:
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  — E se não voltar? E se eu nunca mais o vir só porque, talvez, esteja assustado comigo porque o fez se sentir amando de novo após tanto tempo?
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  — Aí é sinal de que ou está ferido demais ou não o ama. Não há nada que se possa fazer agora além de se conformar.
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  — É... — Incomodado com a réplica, coçou a cabeça na tentativa de mudar de assunto pela dificuldade de digerir o conteúdo mais denso das informações trocadas. — Como vai no trabalho de enfermagem?
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  — Uma merda. Sabe o foda? O povo de lá me odeia só porque faço o meu trabalho corretamente. Além disso, sou perseguida por não negligenciar os pacientes e nem compactuar com atos criminosos.
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  — Como assim?
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  — Uma menor de idade foi internada no início da manhã em surto psicótico de hiper sexualidade. Gritava na rua que estava liberado, que ela estava ali pra transar, que era pros caras aproveitarem porque não iria cobrar, essas coisas. Ao longo da madrugada, inúmeros foram os homens que abusaram dela, até porque, tendo menos de dezoito anos e em surto, se configura como estupro por ela estar incapaz de consentir e pela idade. Como se não fosse revoltante o suficiente, a metros de distância do beco pra onde era levada, tinha um equipamento com diferentes profissionais cujo público-alvo eram os moradores de rua. Te pergunto. Você interferiu? Eles muito menos. Pra piorar, uma amiga que atua lá na ala feminina contou que três homens do equipamento foram até a garota.
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  — Filhos da puta!
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  — Pois é. O problema não é o sistema público. O problema são os filhos da puta que atuam na porra do sistema público o fazendo ser uma merda pra quem precisa dele. Acha que algum deles terá retaliação? Porra nenhuma! Quem vai sofrer retaliação será ela por denunciá-los e eu no hospital onde trabalho porque não faço vista grossa pra desaparecimento de material. Estou procurando por um novo lugar. Serei desligada, certeza. Os burburinhos já começaram.
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  — Perspectiva?
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  — Comentaram comigo sobre uma clínica psiquiátrica. Parece que a coitada da enfermeira anterior morreu de infarto logo depois de ser despedida, tadinha. Vamos torcer pra eu não esquentar a cabeça só por querer o mínimo, realizar meu trabalho direito.
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  Ao longo da tarde lutou para não lembrar do diálogo com Aline.
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  Se permitiu acessar a conversa quando se deitou no quarto, passando longos minutos acordado. Pensava sobre cada palavra de Aline, a áurea de pesar o impedindo de adormecer como deveria.
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  De fato, Rodrigo estava, sim, ferido em demasia — e a remota ideia de não voltarem a interagir lhe embrulhava o estômago.
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  Não acreditou no tamanho da sua impulsividade que beirava à burrice quando retornou da cafeteria no sábado.
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  Após quinze dias sem contato com Gabriel — sem mencionar as reuniões canceladas com a equipe onde recorreu a indisposição física como pretexto para os cancelamentos — o coração apertava de saudade, a cama lhe parecia fria demais sem o calor corporal ao seu lado e os dias se tornaram incompletos pela falta da presença do homem.
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  Perdeu as contas de quantas vezes em menos de trinta minutos se criticou por levantar do sofá após três horas sem dormir e decidiu em arroubo incontrolável trocar de roupa, apanhar a bicicleta e pedalar até a residência de quem temia reencontrar.
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  Chegou na rua deserta cujas luzes de todas as casas estavam apagadas. O coração disparava por não conseguir imaginar como seria recepcionado sinalizava o medo da rejeição — sem mencionar a ansiedade de vê-lo.
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  Aflito, começou a tocar a campainha e ligar pro número do amante devido à demora em ser atendido.
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  Acordou grogue com o misto de barulhos — o celular vibrando, a campainha tocando e os latidos de Ivy.
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  Se obrigou a ver pela câmera de segurança quem era o insistente visitante, o cérebro demorando para registrar a identidade de quem usava roupas puídas e chinelos.
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  Apenas de samba-canção branca, foi até o portão cambaleando de sono. Se esforçava em manter os olhos abertos, quase caindo quando a cachorra afoita pulou em si, agitada entre brincar com o dono e o anseio de rever a pessoa com quem costumou passear.
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  Abrindo o portão, se deparou com a imagem cheia de ansiedade interna cuja face transparecia a angústia.
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  — Meio tarde pra uma visita, não acha, bunny? — Levou a mão à boca ao bocejar.
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  Se não fosse pela circunstância desfavorável, admiraria tanto as pernas torneadas quanto o tronco definido.
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  — Posso passar a noite aqui?
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  O esboço de discreto sorriso desenhou a face, os olhos azuis derretendo pela perspectiva de passarem as horas seguintes unidos.
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  — Eu nunca negaria a sua estadia na minha casa.
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  Abriu espaço para Rodrigo passar com a bicicleta, trancando o portão em seguida.
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  Deixando a bicicleta na parede, se encaminhou para o trajeto conhecido depois de receber lambidas alegres de Ivy nos pés. Pego de surpresa, soltou tímido ronronar por ser abraçando pelas costas, adorando a proximidade que lhe despertou enorme saudade nas últimas semanas quando o carinhoso beijo foi depositado na bochecha.
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  Gabriel o guiou em silêncio até o quarto escuro, onde o ar-condicionado refrigerava o ambiente.
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  Se deitaram de conchinha na cama macia, os corpos quase se tocando por debaixo da coberta felpuda.
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  — Posso saber por que sumiu? — Enlaçou a cintura de Rodrigo, o puxando contra si até as costas se encaixarem no seu abdômen desnudo. — De novo, é claro.
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  — Eu tinha umas coisas pra resolver.
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  Relaxou abaixando as pálpebras por sentir a ponta do nariz de Gabriel escorregar pelo ombro.
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  — Coisas sérias, é? — Mordicou as costas por cima da blusa larga.
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  O tom sinalizava como detectou a resposta vaga. Entretanto, a voz macia sem registro de descontentamento provava como respeitaria a escolha do cantor de não se aprofundar no assunto ao invés de pressioná-lo — mesmo se não acreditasse na réplica.
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  — Bastante.
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  Se satisfez por notar como os castos afagos distribuídos dispersavam a tensão muscular.
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  — Hum... — Encostou os lábios nos cabelos castanhos. — Bom... Da próxima vez que estiver ocupado, não se afasta de mim pra resolver suas tarefas, não. Já passamos tempo suficiente longe um do outro. Não gostei da experiência na época.
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  A face de Rodrigo foi tomada pelo alívio, finalmente desfrutando por completo a presença de Gabriel por não emanar e nem demonstrar qualquer tipo de reação negativa pela sua aparição sem planejamento após passarem semanas sem contato por escolha do rapaz.
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  Havia somente aceitação, compreensão e amorosidade — combinação que quase o deixou a beira das lágrimas.
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  Engolindo em seco, Rodrigo encontrou a mão dele. Ao entrelaçá-las, observou a silhueta. Mesmo na fraca iluminação, achou harmônica a imagem.
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  Não evitou o suspiro por notar como a simples ação, além de ser graciosa, o tranquilizava ao ponto de calar a conturbada mente e focar a atenção no momento carregado de ternura.
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  — Ok. — Beijou as costas da destra de Gabriel, a posicionando sob o queixo. — Não vou mais fugir de você.
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  Não esperava de a frase soar como genuína promessa.
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  — Por que apareceu hoje do nada?
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  — Insônia. A única vez que dormi bem foi quando...
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  Se interrompeu em busca de expressões menos explícitas para definir a sua última estadia ali.
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  — Quando me deixou te amar — definiu baixinho, sem se importar em como revelava os sentimentos.
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  Pela posição, constatou como o coração alheio, outrora calmo, acelerou contra a mão pela fala.
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  — Sim.
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  — Vai embora quando acordar não. Toma café comigo. Almoça. Lancha. — Soltou tênue risadinha. — Mesmo que ainda não esteja pronto para conversar sobre o assunto, a sua presença é importante pra mim. Combinado?
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  Tomado pela aura carregada de doçura, se virou até ficar de frente ao outro sem hesitar em unir os lábios nos dele em terno selinho demorado enquanto encaixava a digital na lateral do pescoço.
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  Em ação automática de intimidade, entrelaçou as pernas nas de Gabriel.
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  — Combinado. — Se aconchegou no peitoral desnudo com as pálpebras baixas. — Também senti a sua falta enquanto estivemos longe. Talvez você deva saber disso.
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  — Talvez, não. — Arrastou o braço na cintura, ambos se preparando para dormir. — Eu devo saber. E não imagina como adorei ouvir isso saindo dos seus lábios.
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  A reação de Rodrigo foi adorável. De ombros encolhidos e os olhos fechados, esfregou a face no dorso em meio ao sorriso acabrunhado.
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  O cantor agradeceu pela escuridão. Do contrário, Gabriel veria como enrubesceu.
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  — Boa noite, meu querido.
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  — Boa noite, bunny.
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