×

ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Doce Trapaça

Escrita porZsadist Xcor
Revisada por Lelen

Parte do Pop-Up Criativo #2 – Escreva seu livro.


Capítulo 2

  Sete dias no litoral foram o suficiente para Rodrigo contemplar como a vida deveria ser.
0
Comente!x

  Convenceu a equipe de liberá-lo a partir de segunda-feira sob o pretexto de fazer exames de rotina cujo objetivo era avaliar o quadro de saúde.
0
Comente!x

  Ao invés de ir a médicos, viajou para Ararinhas assim que se recuperou das lesões sem relatar aos amigos e nem familiares por ainda estar sob o domínio de Lucas. Não compreendia o nível da dependência emocional e nem como estava à mercê das vontades dele. Logo, concordou em evitar de usar os aparelhos telefônicos como forma de se desconectarem do trabalho e da fama para focarem a atenção na viagem, embora continuassem conversando de vez em quando pelas redes sociais para não gerar preocupações desnecessárias.
0
Comente!x

  Escolheram a região do interior porque as pessoas lá eram mais simples e provavelmente não reconheceriam o influencer.
0
Comente!x

  Durante o período hospedados na casa localizada no ambiente mais rústico e afastado do centro, iam para praias, passeavam de barco, mergulhavam e aproveitaram para se reaproximarem — pelo menos era isso o que Rodrigo acreditava.
0
Comente!x

  — Não imagina como me arrependo pelas coisas que fiz contigo — Lucas comentava cabisbaixo enquanto, na varanda, observavam o limpo céu estrelado deitados juntos na espreguiçadeira.
0
Comente!x

  — Você está muito nervoso nos últimos tempos. — Pela alta sensibilidade, Rodrigo secou com as pontas dos dedos as lágrimas derramadas no rosto do namorado. — Sua vida mudou por completo desde quando nos conhecemos. Não é fácil lidar com tamanha fama do nada e nem com o assédio que ela traz.
0
Comente!x

  — Mesmo assim. — Fungou com os olhos avermelhados. — Você é tão bonito, meu amor. — Acariciou a bochecha em afago delicado. — Não mereceu nenhuma das agressões e nenhuma das ofensas. Não merecia o sofrimento pelo qual... — interrompeu a frase como se o desgosto o impedisse de elaborar o assunto.
0
Comente!x

  Soava compungido, como se sentisse visceral pesar pelas recordações terríveis. Chorava envergonhado, o olhava com adoração e o corpo transmitia lamento em cada poro e reação. Estava quase indefeso perante o rapaz, a voz trêmula e os soluços convencendo Rodrigo do mal cometido.
0
Comente!x

  — Está tudo bem, meu querido. — Acreditando nas palavras e na dissimulação, o abraçou sem levantar questionamentos. — Já passou. Agora é passado. A partir dessa viagem podemos recomeçar a nossa relação do zero.
0
Comente!x

  Não detectou a expressão de desprezo do namorado quando se separaram.
0
Comente!x

  Naquela noite, Rodrigo se sentiu amado a cada som de prazer reproduzido por ambos antes de adormecerem.
0
Comente!x

  No dia seguinte, o jatinho particular os aguardava para embarcarem no início da tarde.
0
Comente!x

  Com os pertences arrumados e guardados nas respectivas malas, pela insistência de Lucas, aceitou atravessar a vegetação. Aproveitariam a praia vazia pela baixa temporada uma última vez, principalmente por causa do sol quente e do céu sem nuvens.
0
Comente!x

  O trajeto demorava em torno de vinte minutos.
0
Comente!x

  Ignorou os sinais instintivos cuja sinalização de que havia algo de errado acarretou em taquicardia. A cada passo o silêncio se tornou mais pesado, a percepção de como estavam longe da civilização o angustiava e, embora as mãos estivessem entrelaçadas com as do namorado, o aperto de Lucas tornou-se mais intenso no correr dos segundos.
0
Comente!x

  Com a boca seca, discretamente vistoriava ao redor em busca inconsciente pela presença de moradores da região — e não havia ninguém.
0
Comente!x

  — Rodrigo, me responde uma coisa.
0
Comente!x

  Não gostou do tom. Era o mesmo usado quando iniciaria uma briga por motivos fúteis, como sair ao cinema na companhia dos amigos.
0
Comente!x

  Pigarreou a fim de limpar a garganta em som trêmulo.
0
Comente!x

  — Sim?
0
Comente!x

  — Por que insiste em permanecer num relacionamento se você não é amado? É patético.
0
Comente!x

  Não soube o que o impactou mais — o teor da pergunta, o deboche nela ou o surgimento de Annanda a três metros de distância indo em sua direção em meio às árvores, trajando um conjunto de short preto, regata da mesma cor e tênis.
0
Comente!x

  — É sério, maninho. Nunca ouviu falar sobre dignidade ou amor-próprio?
0
Comente!x

  — Não. — Sem lhe dar tempo de raciocinar, Lucas circulou o braço nos ombros da vítima e o puxou para si, o prendendo. — É burrinho demais pra isso.
0
Comente!x

  Rodrigo se encolheu pelo beijo na têmpora, atordoado com as palavras e pela atmosfera tranquila dar lugar a algo denso e obscuro.
0
Comente!x

  — Não imagina como me tranquiliza o fato dessa ser é a última vez que precisarei tocá-lo. — Lucas suspirou aliviado, os músculos relaxando e soltando o ar pela boca.
0
Comente!x

  — O que está acontecendo?
0
Comente!x

  — Não se preocupe, amorzinho. Vou te mostrar — sussurrou na orelha do rapaz e se dirigiu para a mulher.
0
Comente!x

  Para o assombro de Rodrigo, o viu dar um arrebatador beijo em Annanda por terríveis instantes onde lágrimas grossas transbordaram dos olhos castanhos.
0
Comente!x

  Petrificado, demorou para o cérebro registrar a informação por ambos serem de sua inteira confiança e jamais sequer cogitar de testemunhar tamanha bestialidade.
0
Comente!x

  — O que está acontecendo aqui? O que é isso? — A voz saiu esganiçada, se esforçando para falar através do abalo emocional.
0
Comente!x

  — De quem você acha que era aquele batom na gola da minha camisa? — Lucas soou entediado por respondê-lo e chateado por cessar o beijo, voltando a se virar para ele.
0
Comente!x

  — Mea-culpa. — Annanda enlaçando o braço na cintura masculina, a expressão era divertida e até alegre, como se tivesse recebido ótima notícia.
0
Comente!x

  — Era você com quem o Lucas me traía? — Lutava contra o nó na garganta.
0
Comente!x

  — É óbvio. Achou mesmo que ele gostava de ficar contigo? É chato, sem graça e tão bonzinho que até se torna entediante. Olha para mim. Eu, sim, sou capaz de satisfazê-lo, inclusive na cama.
0
Comente!x

  As lacunas começavam a ser preenchidas.
0
Comente!x

  Os batons eram dos tons usados por Annanda, coincidentemente, quando a mãe comentava através de telefonemas ou mensagens que ela havia saído, Lucas não estava em casa e a mulher preferia também perfumes doces, as mesmas fragrâncias as quais detectava virem do namorado quando chegava da rua.
0
Comente!x

  — Por quê? — O ar lhe faltava, o choque acentuando a palidez e com dificuldade de se mover. — Por quê?
0
Comente!x

  Pelo choque e o confronto com a realidade indigesta, o corpo se tornou pesado e leve ao mesmo tempo, quase como se estivesse anestesiado pela dor.
0
Comente!x

  — Porque eu sou hétero — replicou Lucas em feição repugnante. — Detestava transar contigo. Tomava remédio pra suportar aquela merda. Nunca vi nada mais nojento do que você gozando.
0
Comente!x

  No decorrer do diálogo, Rodrigo demonstrava a perturbação. O olhar era injetado, as mãos trêmulas e apresentava dificuldade para respirar, puxando o ar com força. O rosa natural característico dos pequenos lábios grossos desapareceu. A pele esfriou. O torpor corporal aumentava, os braços pesados e o misto de incredulidade, desespero, negação, medo e ansiedade crescendo de proporção dentro de si, buscando meios de serem extravasadas e expressas depois de tantos anos o rapaz se conter por considerá-las dispensáveis e irrelevantes.
0
Comente!x

  O raciocínio, embora anuviado, foi ágil em compreender por qual motivo e quantas vezes Lucas...
0
Comente!x

  Se obrigou a não vomitar diante deles pela conclusão e os diversos flashes de memórias repugnantes onde...
0
Comente!x

  Se manteve calado por demasiado tempo sobre a gravidade dos crimes cometidos por Lucas contra si, a dura realidade violenta o atingindo naquele momento sem misericórdia.
0
Comente!x

  Movido pela crua aflição e pujante desgraça, as emoções atingiram o ápice do suportável. Rodrigo emitiu um grito de agonia, avançando no monstro por quem se apaixonara. Era o resultado dos mais diversos abusos reagindo contra o algoz, os traumas vivos na mente o impulsionavam a fim de agredir Lucas.
0
Comente!x

  Em resposta, faltando centímetros para alcançá-lo, recebeu um tapa forte o bastante para derrubá-lo no chão.
0
Comente!x

  A dupla soube como enfraquecê-lo ao longo dos meses até o rapaz sequer ter vivacidade e ímpeto para se defender — registros inconscientes do relacionamento abusivo. Tal fato aliado à personalidade permissiva e bondosa? Era a pessoa perfeita para sofrer violência sem reagir.
0
Comente!x

  Antes de conseguir se levantar, foi agarrado pelos cabelos castanhos e o rosto esfregado no chão, a areia machucando a face e o obrigando a fechar as pálpebras para não ferir os globos oculares.
0
Comente!x

  — Olha como me obriga a te bater, amorzinho. — Lucas o virou de barriga pra cima, desferindo alguns socos enquanto falava. — Eu não queria te bater, mas você me obriga. Custava calar a boca ao invés de agir como um louco?
0
Comente!x

  Cada golpe serviu para marcar tanto a epiderme quanto a alma dilacerada. Implorava pela própria vida, o sangue respingando do nariz e da boca, sentindo os dentes do fundo da boca amoleceram. A vista embaçou pelo inchaço ao redor dos olhos e se engasgava com o próprio sangue. Lucas não hesitou em desfigurar a bela face, causando uma série de lacerações e fraturando o maxilar causando uma dor quase insuportável em Rodrigo como consequência.
0
Comente!x

  Antes de desmaiar, encolheu as pernas, posicionou os pés no tronco do agressor e usou toda a força restante para empurrá-lo, o tirando de cima de si por instantes, pondo-se de pé pelo alto nível de adrenalina no organismo e fugindo aos tropeços.
0
Comente!x

  Demorou dez segundos para o tiro ecoar, a bala atravessar a coxa esquerda e cair pela dor.
0
Comente!x

  — Por que você não foi mais prático, Lucas? — Com a arma abaixada, Annanda alcançou o irmão rapidamente. — Se é pra matar, mata logo de uma vez.
0
Comente!x

  Agarrando Rodrigo pelos longos cabelos, o arrastou até o largar aos pés de Lucas.
0
Comente!x

  — Quem te viu, quem te vê? Nunca pensei de você tentar fugir. Admito, me surpreendeu. Não cometerei esse erro novamente.
0
Comente!x

  Impiedoso, pisou na perna esquerda de Rodrigo até quebrá-la em dois lugares diferentes com direito a fratura exposta em meio a gritos de agonia do rapaz cujo rosto desfigurado estava repleto de sangue, cortes e hematomas.
0
Comente!x

  Estava deformado.
0
Comente!x

  — Não adianta gritar. — Annanda se ajoelhou atrás dele para se assegurar de estar no campo de visão do irmão. — Ninguém irá te ouvir e nem te socorrer.
0
Comente!x

  Não assimilava como a irmã se transformara naquele monstro.
0
Comente!x

  Passaram aniversários juntos, trocaram confidências, riam e se divertiram desde a infância. Ela não era uma pessoa ruim ou cruel. Pelo contrário. Cuidava dele caso estivesse doente e o defendia quando era necessário.
0
Comente!x

  Não compreendia como ela mudou tanto.
0
Comente!x

  — Por quê? Você é minha irmã. Eu sempre a amei. Sempre os amei mais do que minha própria vida. Por quê? Tenho o direito de saber. — Ofegava, tossia e se engasgava em virtude da gravidade dos ferimentos.
0
Comente!x

  As palavras saíram emboladas, quase incompreensíveis pelo maxilar quebrado.
0
Comente!x

  — Porque você permitiu — elucidou Lucas. Ergueu a palma para a amante. — Deixe-me fazer as honras, querida.
0
Comente!x

  — Com prazer. — Entregou a arma se levantando e se posicionando ao lado de Lucas.
0
Comente!x

  Num lento piscar de olhos, Rodrigo se deparou com o cano erguido na direção de sua barriga.
0
Comente!x

  — Ninguém sentirá a sua falta.
0
Comente!x

  Pássaros voaram assustados pelo som do segundo tiro.
0
Comente!x

  O último pensamento de Rodrigo antes de desmaiar foi um pedido a Deus para protegê-los, e a última visão, milésimos antes das pálpebras não suportarem manter-se abertas, foi o doce sorriso da irmã.
0
Comente!x

0 0 votos
Classificação do artigo
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
Todos os comentários (2)
×

Comentários

Você não pode copiar o conteúdo desta página

0
Adoraria saber sua opinião, comente.x