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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Doce Trapaça

Escrita porZsadist Xcor
Revisada por Lelen

Parte do Pop-Up Criativo #2 – Escreva seu livro.


Capítulo 13

  Para a perplexidade de Rodrigo, a noite na companhia de Gabriel foi, no mínimo, agradável.
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  Passaram a madrugada assistindo filmes e lanchando. Acomodados lado a lado no sofá amplo, se divertiram acompanhando os filmes. Teciam comentários pontuais a respeito do roteiro, tinham diálogos leves ou Gabriel o atualizava acerca de novidades triviais da vida cotidiana.
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  Desfrutou das horas em perfeita comunhão. Se desconectou das vivências traumáticas, redescobrindo aos poucos como era estar na presença da figura quem foi tão boa para si antes de Lucas surgir — apesar de desejos divergentes os afastarem na época. A despeito do desentendimento e dos inúmeros questionamentos, não foi como se anos tivessem se passado, mas sim como se horas separassem aquele momento de quando estiveram juntos no pretérito.
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  A harmonia era a mesma. Não havia esforço de nenhuma das partes em agradar o outro. Acontecia naturalmente, similar a graciosa dança onde os pares davam continuidade aos movimentos corporais na intensidade certa, transmitindo leveza na troca cujos corações palpitavam ansiando por mais contato.
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  De vez em quando se tocavam sem pretensão. Eram ações acidentais, como quando roçaram as mãos ao pegarem os frangos à passarinho ou se inclinaram para alcançar os respectivos refrigerantes. Ao contrário dos últimos anos, a derme aceitou os registros, ansioso em entrelaçar os dedos ou ter qualquer ação mais concreta.
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  Em contrapartida, ambos intuíam desenvolver primeiro certo nível de evolução nas interações até escalonarem para algo mais vultoso, aprazível para ambos na mesma intensidade.
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  Entrementes, descobriu como Ivy era agitada por natureza.
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  Por três vezes demandou atenção da dupla, os chamando para brincar no quintal em meio a latidos ou deixando brinquedos no colo deles.
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  Juntou os pertences às oito da manhã.
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  No carro de Gabriel, foi levado pra casa pelo outro rejeitar a ideia dele ir sozinho. Quebrou o silêncio do trajeto apenas para guiá-lo até entrarem na rua onde morava cujo aroma da padaria sinalizava como já havia pães frescos.
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  — Vamos nos ver de novo?
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  Rodrigo poderia se incomodar. A pergunta soou mais como a confirmação de um fato inegável do que questionamento. Entretanto, mesmo com as pálpebras pesando em virtude da noite em claro, detectou esperança nos globos azuis e insegurança nas linhas de expressão, temeroso pela réplica ser negativa.
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  — Sim. Por mim tudo bem.
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  Acompanhou o movimento corporal relaxar. O desaparecimento da musculatura retraída foi claro, soltando o ar pela boca em alívio visível.
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  — Gabe, só me promete que não contar nada sobre mim pra ninguém. Nem mesmo minha família.
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  A confusão deu lugar à tranquilidade experimentada por instantes.
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  — Desde que você esteja planejando contar por você mesmo e garanta que aceite me ver com mais frequência, sim. Não comentarei nada.
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  O pequeno sorriso de Rodrigo junto a fisionomia afável deixava implícito como concordou com o proposto.
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  Em despedida, deixou um beijo rápido no ombro do motorista. Apanhou a mochila e desceu do veículo.
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  Gabriel só foi embora quando o viu entrar.
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  Ao chegar na sala, sonolento, desabou na cama, acordando às treze da tarde.
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  Foi a primeira vez desde a tentativa de assassinato que o sono foi suficiente para se sentir bem-disposto, a despeito das poucas horas adormecido.
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  Retornando da academia, não acreditava no método escolhido para se reencontrar com Rodrigo ao acaso — pelo menos na futura perspectiva do rapaz.
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  Chegou em casa apressado, trocando mensagens com a prima a convencendo de ir para a casa de festas em seu lugar.
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  Nunca agradeceu tanto por ela não estar de plantão e aproveitar o descanso dormindo por horas suficientes na parte da manhã — conjunção difícil de acontecer. Assim, poderia ficar no lugar dele para se encarregar de qualquer eventualidade da debutante.
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  Após se encharcar por dar banho na cadela, pensava qual roupa seria interessante usar enquanto se lavava. Não queria deixar evidente o esforço em encontrá-lo seis dias depois do reencontro no ambiente de trabalho do cantor. Escolheu conjunto casual de regata cinza que mostrava os músculos adquiridos e bermuda preta acima do joelho. O tênis finalizava o look. Adicionou o conjunto de finos colares, ajeitou o cabelo e passou perfume. De última hora passou hidratante labial cujo efeito de realçar o rosado natural dos lábios não passaria desapercebido pelo rapaz.
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  Guardou os documentos, o celular e dinheiro no bolso da bermuda.
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  Faltando quinze minutos para o turno do garçom finalizar, colocava a coleira em Ivy.
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  — Garota, agora você precisa me ajudar. — Se agachou acariciando a cabeça cor de caramelo. — Seja uma boa menina e tente animar o Rodrigo quando o vir. Ele gosta de animais, então a diversão com ele é garantida. Não me dedure. Só porque pela primeira vez estou saindo contigo nesse horário pra passear, não significa que eu esteja planejando esbarrar com ele de propósito na rua.
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  No horário estipulado, perambulava pela rua mantendo a cafeteria em vista. Logo o viu sair carregando a mochila preta.
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  Indo em direção a bicicleta travada no compartimento cujo objetivo era evitar roubos, a voz o surpreendeu.
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  — Se continuarmos nos esbarrando assim, é capaz de voltarmos a nos falar.
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  Virando na direção do tom simpática, observou Gabriel se aproximar om Ivy na coleira rosa cuja língua pro lado de fora lhe dava ar de sapeca.
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  — Oi! — o cumprimento com rápido beijo na bochecha despertou algo em si adormecido há bastante tempo. — O que está fazendo por aqui?
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  — A trouxe pra passear. Haja energia nela pra gastar.
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  Ivy farejou os pés, Rodrigo sentindo o focinho úmido na pele nua por estar de chinelos. O reconhecendo, ganiu e pôs as patas dianteiras no abdômen alheio pedindo por carinho.
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  — Nisso concordo. Passou a maior parte da última noite acordada conosco.
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  Na interação com a cachorra o semblante suavizou, levando Gabriel se questionar se era pela cadela ou pelo dono.
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  — Tem algum compromisso agora, bunny? Poderia me fazer companhia durante o passeio.
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  Crispou os lábios evitando de o sorriso surgir em virtude a menção do apelido. Não queria demonstrar como apreciava o fato de se lembrar do detalhe.
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  — É só convite, é?
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  — Convite de um amigo muito querido.
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  Engoliu em seco, assimilando como omitiu qualquer tipo de referência sobre como Rodrigo estava num patamar acima da amizade, frisando certo nível de consideração para consigo.
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  Incerto se suas impressões estavam corretas, vasculhou a fisionomia alheia à procura de pistas sobre o estado de espírito do homem. Detectou a expectativa por detrás do convite, assim como o lampejo de ansiedade nos globos azuis.
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  Movido pela nostalgia por contatar sentimentos os quais pensou estarem esquecidos e pela familiaridade por, enfim, estar na companhia de quem conhecia, ignorou a prudência ao assentir.
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  Em decorrência do sorriso de Gabriel alcançar as íris, desconsiderou o efeito da ação sobre si por achar o repentino frio no estômago reação comum.
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  Por três semanas consecutivas se encontravam quando o rapaz saía da cafeteria.
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  Caminhavam pelo quarteirão iluminado onde haviam lojas, barraquinhas e inúmeros transeuntes. A proximidade corporal abria espaço para se tocarem de vez em quando em consequência distância física existente ser mínima — e ambos adoravam a sensação das mãos roçando.
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  Certa noite, na praça movimentada, se alternavam entre quem jogava a bola para Ivy pegar.
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  — Você não tem curiosidade sobre o motivo do meu desaparecimento?
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  A dúvida permeava a mente desde quando se viu obrigado a atendê-lo, então foi impossível guardá-la para si por mais tempo.
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  — Eu não vou te pressionar — avisou sem o mirar, atirando a bola amarela pra cachorra. — Vai me contar quando estiver pronto. Inclusive. Esteve comigo na praia na noite de ano novo ou foi fruto da bebida?
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  — A gente se reencontrou lá, sim. — Soou afável enquanto a cadela retornava com a bola na boca abanando o rabo.
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  — Poderia me explicar, pelo menos, a razão de ter me dito que não era você? — A careta em confusão beirava ao humor.
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  — Amnésia. — Apanhou o brinquedo após ela esfregá-lo na mão, o atirando em seguida. — Recuperei a memória pouco tempo depois de voltar pra cidade.
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  — Explica muito. Inclusive a certeza de que era você, sim, quem estava na praia comigo. A sua companhia foi importante naquela noite.
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  Acabrunhado, encolheu os ombros na torcida de Gabriel não perceber como enrubesceu.
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  — Obrigado, bunny.
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  O fitou em curiosidade — não pela frase em si, mas pela gentileza sincera presente no agradecimento.
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  — Pelo quê?
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  — Realizou o meu pedido. — Encarou o rapaz, as íris dilatadas demonstrando como gostava de olhar pra ele. — Você voltou pra mim.
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  O contraste entre Annanda e Lucas era peculiar.
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  Ela vivia seu apogeu.
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  Deslumbrada com a mudança de vida e longe da supervisão materna, agia como bem queria. Ia para festas, se enturmava com quem certamente Doralice desaprovaria, não hesitava em ser grosseira nos bastidores com as pessoas cujo status fosse abaixo do seu e, embora passasse a imagem social de que não aceitava o uso de entorpecentes ou bebidas se baseando em questões morais, nas festas, nos eventos ou nas comemorações recorria a eles sem pestanejar junto ao namorado.
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  O influencer experimentava os primeiros indícios da culpa de assassinar alguém, então o estado de espírito divergia dela.
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  Na frente das câmeras, assim como a cantora, sabia fingir. Os atos eram calculados para o casal parecer de índole honesta, o tom de voz era simpático e o semblante sempre tranquilo. O público crescia nas redes sociais — o que era ótimo, visto como angariava mais dinheiro com os jogos de aposta, enriquecendo às custas dos seguidores fiéis. Assim, era comum terminar de gravar conteúdo e se manter introspectivo em seguida, se esforçando a comparecer aos compromissos.
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  Em contrapartida, enfim, seguindo as indicações das respectivas acessórias, assumiram o relacionamento.
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  Em certa entrevista na entrada da festa de famosa revista onde havia somente artistas consagrados e seletos talentos em potencial no início de carreira, contou sem esconder como segurava a mão de Annanda em belíssimo vestido azul marinho.
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  — O que vivi com Alya jamais será apagado. Quando surgem lembranças positivas da época, ela estava sempre presente. Conheci o ser humano por detrás da artista e posso garantir que ela, de longe, é a melhor pessoa quem já conheci. Justamente por causa disso, onde quer que esteja, sei que espera que eu encontre alguém tão bom pra ser minha companheira. Gosto de pensar que foi Alya quem colocou Annanda no meu caminho. Me tirou de um buraco horroroso onde, por bastante tempo, pensei jamais ter forças para sair devido ao luto.
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  — A perda dela é de um baque inenarrável até hoje — dizia a recente namorada em frente das câmeras com o microfone estendido rente aos lábios vermelhos. — A música brasileira perdeu uma artista esplendorosa. Como homenagem, a minha próxima música será lançada em homenagem a ela. Eu sonhava muito em conhecê-la, até porque acompanhei a carreira da Alya como fã desde o começo. Infelizmente, isso não veio a acontecer. Então nada mais justo que homenageá-la como merece e me esforçar em passar adiante esse amor transmitido por ela para as pessoas.
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  O discurso foi ensaiado incansavelmente na frente do espelho até memorizar. Logo, ao reproduzir as palavras, foi capaz de deixar os olhos marejados e simular emoção na dose certa para convencer as pessoas da dissimulada franqueza.
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  Agora, na festa, com o corpo elétrico movido pela cocaína ingerida, via o namorado beijar a loira de silhueta magra. Prensada contra a pilastra e o corpo do homem, desfrutavam sem pudores das sensações voluptuosas, se acariciando como era possível.
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  Irada, aguardou ao longe com a face endurecida a mulher sair com o batom borrado em direção ao banheiro para segui-la enquanto Lucas buscava por Annanda tirando os resquícios da maquiagem alheia.
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  Verificou se os utensílios separados quando os garçons passaram com os alimentos estavam guardados no decote da roupa para se deslocar pelo ambiente, desviando de várias pessoas ao longo do caminho sem perder a vítima de vista.
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  Pelo avançar do horário e praticamente todos estarem embriagados — com exceção da loira graças ao estado dela por, seguindo as indicações médicas, não poder experimentar álcool, fazer uso de drogas e nem fumar nos próximos meses — ou sob efeito de entorpecentes, não notaram quando a segurou pelo braço desnudo a empurrando no banheiro vazio.
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  Ninguém soube o que aconteceu naquele ínterim. Os murros não foram ouvidos pela música alta escolhida pelo DJ, o baque da cabeça contra a pia de mármore foi abafado graças aos instrumentos musicais e as marcas físicas seriam ignoradas pela droga percorrer o organismo dos convidados.
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  A garota de vinte anos passou quinze minutos trancada com a rival.
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  Ao sair, o sorriso vitorioso no rosto era intimidante. A outra, caída no chão por não suportar a crua dor, sangrava inconsciente.
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  A cantora usou uma colher e uma faca para fazer um aborto nela, quem anunciou estar grávida de cinco semanas há três dias. Pela debilidade da concussão cerebral, não pôde evitar as ações da mulher, quem lhe abriu as pernas inserindo os instrumentos.
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  — Deveria ter pensado no seu bebê antes de beijar o meu namorado em público. — A serena voz de Annanda deixou a cena mais perturbadora por ouvi-la aos prantos, incapaz de raciocinar direito por efeito das pancadas na cabeça.
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  Foi a última frase ouvida pela loira antes de desmaiar na poça de sangue.
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