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ATENÇÃO!

História NÃO RECOMENDADA PARA MENORES ou PESSOAS SENSÍVEIS.

Esta história pode conter descrições (explícitas) de sexo, violência; palavras de baixo calão, linguagem imprópria. PODE CONTER GATILHOS

O Espaço Criativo não se responsabiliza pelo conteúdo das histórias hospedadas na sessão restrita ou apontadas pelo(a) autor(a) como não próprias para pessoas sensíveis.

Doce Trapaça

Escrita porZsadist Xcor
Revisada por Lelen

Parte do Pop-Up Criativo #2 – Escreva seu livro.


Capítulo 11

  Decidido a retomar sua vida por direito, Rodrigo atualizava João acerca dos últimos acontecimentos — ou seja, como e quando se recordou de tudo.
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  Aguardou os clientes e os funcionários irem embora ao fim do expediente objetivando desfrutarem de liberdade plena para tratarem do assunto em conjunto.
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  — Quais são os planos futuros? — sentados no palco do karaokê, João indagou desviando o olhar. — Como vai se sustentar? Onde vai morar enquanto não tem dinheiro? Longe de mim ser estraga prazeres, mas são questões relevantes demais para se ignorar.
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  — Isso já foi solucionado — refutou Igor, tomando a latinha de cerveja. — Continuará trabalhando conosco, à distância, produzindo os conteúdos, então não ficará desamparado. Pelo menos, de início, terá algum tipo de montepio garantido no bolso a cada primeiro dia útil. Basta nos ensinar como montar os vídeos.
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  — Estou providenciando esse detalhe — avisou Rodrigo se espreguiçando. — Aquele garçom mais novo estuda sobre fotografia. Basta ele fazer as filmagens, bater as fotos e me enviar o conteúdo. Apesar do meu celular ainda não ser o adequado, mesmo à distância, consigo sem problema nenhum desenvolver as artes pra página daqui, inclusive montar os vídeos e aprimorar as fotos pra serem postadas.
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  Com o diálogo, compreendeu como, de fato, a sensação de terminalidade da sua permanência ali o invadiu.
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  Sem dúvida sentiria falta da serenidade daquele período.
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  — Você fará falta aqui, garoto — comentou João apanhando algumas batatas-fritas repousadas no meio entre eles. — Só acho estranho te chamar de Rodrigo. Me acostumei a pronunciar Heitor.
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  Tímido, o rapaz abriu singelo sorriso, enrubescendo.
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  A reação corporal durou instantes. Logo a fisionomia se tornou ligeiramente tensa, como se algo desconfortável perpassasse a mente.
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  — João... — hesitou, desconsiderando o temor pela resposta. — Agora que sei sobre a minha tentativa de assassinato, queria te perguntar uma coisa — murmurou devagar, escolhendo as melhores palavras.
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  Intuindo sobre a razão da curiosidade, Igor fitou o amigo de esguelha.
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  — Disponha.
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  — Você não me encontrou ao acaso, né? — Os traços eram taciturnos ao mirá-lo, longe da comum simpatia. — Foi coincidência demais me achar no meio do nada após tentarem me matar.
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  Arrependido, murchou pela culpa a qual ainda carregava.
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  — Não.
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  Em sucintas frases explicou sobre o envolvimento com jogos de azar, mencionando como recorreu a um agiota e como se recusou a não o salvar ao verificar como continuava vivo embora a respiração estivesse fraca.
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  — Não me orgulho do vício e nem das minhas ações passadas. Por outro lado, prefiro pensar que mais te ajudei do que prejudiquei. Posso e admito, sim, sou um ex-viciado em jogos de azar. Assassino? Não.
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  Demorou dez segundos para a expressão de Rodrigo suavizar e o ensaio do sorriso de agradecimento surgir no canto dos lábios.
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  — Nisso eu concordo.
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  Seis meses depois, Rodrigo se questionava quantas mudanças mais passaria ao longo da vida.
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  Na cidade do Rio de Janeiro, morava em minúsculo apartamento composto por três aposentos — sala, cozinha e banheiro. Apesar da simplicidade, conseguiu fazer algumas reformas cujo resultado de deixar o ambiente mais acolhedor e funcional foi alcançado ao longo do tempo.
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  Racionava o dinheiro o suficiente para sobreviver. Pagava o aluguel, a alimentação vinha em grande parte dos alimentos mais baratos, ia para as aulas de canto cujo valor social o permitia arcar com a despesa e, quando sobrava algo, conseguia comprar utensílios para a casa.
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  Não faltava, mas raramente sobrava.
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  Disposto a retornas aos palcos, planejava utilizar de curioso talento ainda não experimentado em sua totalidade.
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  Desde criança possuía habilidade vocal que não foi devidamente aprimorada e nem desenvolvida.
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  A capacidade de alterar a voz com fluidez entre os registros femininos e masculinos era espetacular. Com facilidade ia de tons graves característicos de tessitura vocal masculina até as mais agudas e cristalinas, típicas de vozes femininas. Agora, nas aulas, se concentrava em aperfeiçoar tal habilidade, a fortalecendo sem prejudicar a tonalidade feminina a qual passou anos usando para cantar.
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  Quando completou os dois meses na nova residência, recebeu enorme encomenda e só depois de ler a mensagem no celular, descobriu ser um presente de Igor e João.
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  Oi, garoto.
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  Espero que tenha chegado bem.
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  Achamos que seria interessante uma bicicleta pra você se locomover. Não sabemos como é o seu salário aí, então aceite o presente como cortesia de dois velhos amigos recentes. Avise se precisar de qualquer ajuda.
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  Ou melhor, envie mensagem pro João ou me ligue. Ainda não sei direito mexer nessas modernidades.
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  Dê notícias.
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  Até!
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  Agradecia todos os dias pelo gesto atencioso. Afinal, economizava valioso dinheiro de passagem.
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  A rotina abria oportunidade para se entregar aos processos criativas e pôr em prática os exercícios diários para o fortalecimento da voz.
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  Quando não estava no trabalho e nem nas aulas, se entregava à criatividade. Desenhava a base de figurinos mais ousados comparados aos anteriores, assim como criava letras igualmente díspares.
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  Seguindo o conselho de Igor, extravasava a raiva de maneira saudável sem recorrer a possíveis vícios — ou seja, compondo.
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  Produzia versos os quais se via cantando com ferocidade, a potência vocal no timbre grave ecoando em admirável reverberação da inconformidade contida pela traição sofrida através do instrumental de rock.
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  Ensaiava diversas músicas no minúsculo apartamento no segundo andar, esporadicamente se deixando levar pelas emoções. De certa forma se fortalecia ao permitir extravasar os sentimentos, compreendendo, enfim, ao enxergar de longe as situações, a dimensão do sofrimento e dos comportamentos errados os quais tomou ao longo da vida cuja irradiação alcançava a carreira de maneira inconsciente.
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  Inúmeras vezes se odiava por derramar lágrimas no decorrer do processo profundo criativo, manchando a tinta da caneta nas folhas brancas do caderno de anotações.
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  Assim nasceram algumas das composições mais marcantes da nova era de Alya, como Going Under, Fire with Fire e Survivor.
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  Doralice vivia verdadeiro pesadelo.
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  Ou melhor, Ana experenciava a continuidade do seu pior pesadelo. Em seguida, recorria à única amiga em busca do mísero conforto pelo qual a outra poderia proporcionar.
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  Armando, o diretor da clínica psiquiátrica localizada no interior do Rio de Janeiro onde Doralice era mantida em internação compulsória, era autêntico sádico.
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  Se aproveitava da vulnerabilidade das mulheres mais jovens internadas ali.
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  Ao final do expediente, antes de sair, pelo movimento mais precário na clínica entre os funcionários, era comum invadir os quartos das pacientes onde passava longos minutos sozinho com elas após verificar como foram sedadas através da medicação alterada por ele de propósito.
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  As ameaças delas, caso acordassem com ele em cima dos corpos femininos, de nada serviam. Afinal, eram instáveis mentalmente e todos os profissionais sabiam disso — ou melhor, os profissionais que eram subornados a ignorar pontos bem específicos acerca das internações ou dos tratamentos correspondentes do diretor para com certas pacientes bonitas.
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  Doralice não acreditou em seus ouvidos ao escutar o relato de Ana.
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  Consternada, caminhava de um lado pro outro no quarto da mais velha, a porta fechada lhes dando privacidade para dialogarem em voz baixa.
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  — Não. Não. Entraram no meu quarto. — Agitada, cada linha de expressão de Ana mostrava o quão consternada estava.
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  — Talvez você tenha sonhado ou...
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  — Não tente distorcer as minhas percepções da realidade! — vociferou se dirigindo a ela, irritada pela suposição. Sentada na cama, Doralice a aguardou prosseguiu com paciência, mesmo sem concordar com o tom. — Aprendi a confiar nos meus instintos depois de passar anos sendo tida como louca pelo meu pai, inclusive alterando uma série de fatos desde a minha infância pra eu acreditar na versão dele.
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  — Explique de novo, por favor. O que aconteceu?
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  — O remédio que me deram na noite passada não era um placebo, assim como vieram me instruindo a tomar desde quando aceitei as suas orientações de não causar problemas aqui — elucidou, mordendo o canto da unha em olhar vago fixado na parede. — O sono foi incomum de tão pesado. Lembro... Lembro do peso de alguém sobre mim e da cama balançando. — A voz se tornava embargada a medida em que contava as impressões. — O cheiro... Os sons... — Tampou a boca com a mão abafando o soluço. — Quando acordei hoje pela manhã, estava dolorida. Havia sangue entre minhas pernas. A enfermeira descartou as minhas perguntas e só me aconselhou a me lavar, de preferência sem tecer comentários. — Em misto de ira e desolação, se virou para a amiga. — Por favor, precisa acreditar em mim. Não posso recorrer a mais ninguém.
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  A mediu de cima abaixo, pensando se, um dia, seriam capazes de fugir dali.
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  Era evidente como a moça não sofria de nenhuma condição mental capaz de incapacitá-la ou de sequer prejudicá-la.
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  Apenas... Apenas era uma jovem em busca de sobreviver no desfavorável meio onde foi inserida — ou seja, já que o pai era um homem influente, poderoso, com capital financeiro e com os contatos certos para limpar qualquer mera ação ilegal.
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  — Acredito. Acredito, filha.
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  Enfim as lágrimas desceram abundantes — tanto pela realidade do abuso quanto por ser a primeira vez em que acreditaram em si acerca da violência sofrida.
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  A tarde de sábado seria considerava tranquila na bonita cafeteria de dois andares que mais parecia pequeno salão de festa pela proporção do espaço se não visse a conhecida figura adentrar no espaço.
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  O homem parecia ainda mais bonito em comparação às lembranças. Os músculos desenvolvidos na academia ressaltavam nos braços. Continuava recorrendo ao gel discretamente, modelando o cabelo como mais gostava, esbanjando ar despojado. A rala barba desenhada lhe dava um ar másculo, em contraste da gentileza transmitida nos globos azuis e no sorriso galanteador de dentes brancos.
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  Ao contrário de antes, além da existência de pequeno ponto de luz do brinco prata na orelha direita, havia também a presença de acessórios de prata como pulseiras ou finos colares reluzentes da mesma cor. Não os usava com extravagancia. Eram moderados, apenas o suficiente pra realçar a beleza natural.
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  Rodrigo se esforçava em manter-se longe das vistas de Gabriel pelos mais diversos motivos — alguns dos quais gostaria de esquecer pelas vivências serem repletas de decepções e reticências.
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  Ao vê-lo pela primeira vez ali, como freguês, há quatro semanas desde quando foi admitido como garçom, convenceu uma das garçonetes a atendê-lo enquanto o rapaz mantinha-se no segundo andar. A despeito da perna doer pela cicatrização ocorrer de forma indevida, sob efeito de remédios para dor e mancando de leve, se obrigava a subir os degraus a fim de evitar o contato. Mesmo lá em cima, procurava não transitar perto da escada em árduo empenho de não ser detectado.
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  Travava dura dualidade íntima. Ao mesmo tempo em que não almejava ser reconhecido, esperava por...
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  Será que Gabriel ainda se lembrava de como eram significativas...
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  Será que tinha dimensão...
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  Será que Gabriel... Sentia sua falta?
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  Apesar de optar pela distância, o observava a distância discretamente — e detestava a ideia de sempre vê-lo acompanhado por diferentes homens.
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  Em certo final de tarde, para seu terror, a garçonete que aceitou atender o cliente específico em troca de Rodrigo substituí-la caso fosse necessário faltou, então o pavor o tomou ao se ver compelido pelas circunstâncias a atender Gabriel.
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