9 • Real ou não?
Eu ainda não sabia como reagir a cena. Estática eu estava, estática fiquei. Assim que ele terminou de preparar o café e ajeitou tudo em cima da mesa, ele seguiu até mim e me deu um selinho.
— Bom dia %Nalla%. — ele sorriu de canto.
Ouvi suspiros vindo do nosso lado. Eu despertei e pegando em sua mão o arrastei para o quintal.
— O que você está fazendo? — perguntei a ele tentando absorver aquela loucura.
— Imaginei que estivesse cansada, então resolvi te fazer uma surpresa. — explicou ele tranquilamente ao desamarrar o avental e retirá-lo do corpo — Não gostou?
— Desde quando você cozinha? — perguntei a ele.
— Eu nunca disse que não cozinhava. — argumentou ele voltando seu olhar para porta.
Virei minha face na mesma direção e vi minhas amigas lá nos espionando.
— Acho melhor continuarmos mais tarde. — sugeriu ele.
— Tem razão, você tem uma casa para reformar. — eu me afastei dele.
— %Nalla%. — ele segurou em minha mão — Esta com raiva, não está?
— Você já me conhece, não é?! — eu me soltei dele e voltei para dentro.
Meu olhar de reprovação para minhas amigas as deixaram em silêncio. Permiti que tomassem o café, mas eu deixei de lado e voltei para meu quarto. Não demorou muito até que Sophie entrou para falar comigo.
— O que houve %Nalla%? — perguntou ela preocupada — O que você falou para ele?
— Nada. — bufei um pouco — Só fiquei chateada por ele estar cozinhando.
— Isso é ciúmes dona %Nalla%?! — Sophie colocou a mão na cintura me olhando desconfiada.
— Não, não é. — eu caminhei até a janela não acreditando na insinuação dela — Por favor, Sophie.
— Por favor, digo eu %Nalla%. — insistiu ela — Você ficou toda desconfortável com os comentários da Freya ontem no bar, e agora está toda irritada por ele ter cozinhado para suas amigas.
— Estou irritada por ele me propor cozinhar para ele todas as noites sendo que ele sabe cozinhar. — argumentei.
— Nossa, que fraco esse argumento. — ela cruzou os braços.
Eu sabia que sempre que Sophie cruzava os braços, é porque viria um sermão daqueles.
— Vocês dois tinham um acordo e não era da sua conta se ele sabia fritar um ovo %Nalla% Miller, ou você se lembra da história toda?! — ela tinha razão.
— Agora pare de agir de forma infantil, você e a mais madura de todas nós. — pediu ela de forma severa — Admita, está gostando mesmo dele e está com ciúmes.
— E se estiver?! Olhe para mim, o que posso oferecer?
— Deixe de pensar nos contras e comece a pensar nos pós. — ela veio até mim e segurou em minha mão — Não é a toa que ele disse…
— Real até quando eu quiser. — completei.
Senti meu coração acelerar ao lembrar da sua voz.
— Deixe de ser chata e impertinente com sua própria felicidade. — repreendeu ela com firmeza — Agora dê o segundo passo e se jogue na cama dele.
— Sophie?! — eu dei um tapa no seu ombro.
— Desculpa, estava com uma fanfic que estou seguindo na cabeça. — ela riu maliciosa.
— Pare de ler essas coisas, estão te deixando pior do que já é. — eu ri dela.
— Mas agora sério, não deixei que o externo afetar o que vocês estão construindo. — aconselhou — Posso ver a sinceridade no olhar de %Sebastian% para você.
— Pare com esse será… É amiga, ele está apaixonado por você, pode apostar. — afirmou ela — Eu ficarei um mês sem ler minhas fanfics se estiver errada.
— Mas se eu ganhar… — ela me lançou um olhar malicioso.
— Não vem, eu não vou fazer nada com ele. — já me adiantei conhecendo-a muito bem.
— Nossa, eu só ia te desafiar a apresentar ele aos seus pais. — ela se fez de ofendida — Nem sou tão pervertida assim.
— Eu te conheço Sophie. — disse.
Ela soltou uma gargalhada maldosa.
— Estamos aqui conversando, e as outras? — perguntei.
— Já foram. — respondeu com tranquilidade — Botei todo mundo pra fora depois do café, só a Marg que ficou arrumando a cozinha.
— Obrigada. — sorri de leve para ela e lhe dei um abraço forte — Você é a melhor amiga do mundo!!
— Cadê a modéstia Sophie?
— Deixei em casa com o Will. — ela riu de novo — Agora vou indo, vou deixar a Marg em casa e segui para o hospital, Will quer almoçar comigo.
— Bom domingo e descanse, cuide da ressaca.
— Minha querida, o café do seu namorado curou todas. — brincou ela.
Eu ri disso. Seguimos juntas para sala, Marg nos esperava. Seu olhar sonolento estava ali, minha irmã nunca foi de ficar até tarde acordada. Mas estava feliz por ela ter se divertido tanto e esquecido os problemas.
— Podemos ir minha carona?
— Claro. — Sophie me abraçou novamente — Pensa no que conversamos.
Abracei Marg me despedindo e as levei até a porta. Meus filhos chegaram pouco depois do almoço, o domingo passou tão rápido que quando dei por mim, já era segundo e eu estava me arrumando para ir para redação. Era o dia de sermos apresentados ao novo editor chefe. Eu não estava muito animada com aquilo. Para ser honesta, eu estava desanimada com tudo naquele dia. Desde a pequena DR com %Sebastian%, não o tinha visto mais tarde e nem pela manhã ao sair de casa. Onde será que ele tinha ido, ou será que estava evitando a %Nalla% chata e implicante que eu tinha sido?
— %Nalla% está tudo nem? — perguntou Lizzi perguntou.
— Sim, por que? — a olhei.
— Está calada e um pouco distraída hoje. — alegou ela.
— Sim, também notei isso. — concordou Hill — Problemas em casa?
— Mais ou menos. — disse ao suspirar fraco — Mas está tudo bem sim.
— Senhoritas. — Osvald se aproximou de nós — O novo chefe solicita reunião com todos os departamentos no auditório.
— Eh, a hora da verdade é agora. — disse Beth.
— Que o Senhor nos proteja. — disse Hill.
Seguimos todas para o auditório no quarto andar. O novo editor chefe foi anunciado pelo diretor do RH: Frederick Brown. Eu não o reconheci de nenhum outro jornal. Mas segundo os comentários preciso de Lizzi, ele já tinha trabalhado no NY Times e o no El Paris, ambos jornais conceituados. Porém, sua fama em tratar os funcionários não era boa, tinha até casos de assédio em suas cotas. Isso me chocou um pouco e me deixou apreensiva. Se fosse verdade, seria desconfortável trabalhar com um homem assim.
— Bom dia a todos. — disse Frederick segurando o microfone — Estou honrado por ter sido contratado pelo NT Post, aprecio muito este jornal e quero trazer para ele mais do que tem agora, quero levá-lo ao reconhecimento mundial...
Todos aplaudiram, seu discurso e após ele apresentar suas metas, voltamos para nossas atividades. Claro que não somente eu, como também as meninas ficamos revoltadas com o descaso que ele tinha feito em relação ao caderno da mulher. Dizendo que o carro chefe do jornal era a sessão de esportes e que teria mais foco a partir de agora. O caderno da mulher que tinha conquistado seu espaço em dois dias da semana, agora seria publicado somente na terça-feira, o dia de maior baixa nas vendas do jornal.
— É impressão minha ou esse novo editor está querendo sabotar o caderno da mulher? — perguntou Lizzi nervosa.
— Não é impressão sua, ele realmente quero isso. — disse também raivosa — Como pode negligenciar os dados diante dele.
— O pior é que não podemos nem reclamar. — Hill se sentou na sua cadeira e bufou — Já prevejo duas de terror nessa redação.
—Não me fale em terror amiga, minha vida não está sendo fácil — Beth reclamou — Eu sou somente uma estagiária.
— Até estou sentindo falta do perfeccionismo da Genevieve agora. — confessou Sunny — Ela era chata, mas data atenção para o nosso caderno.
— Também sinto falta dela. — disse Hill.
— Vamos aguentar até onde der meninas, precisamos desse emprego. — as motivei.
Sim, precisamos muito! Pensei comigo. Eu já tinha conquistado minha independência e lutaria por ela até o fim. Meus filhos mereciam esse exemplo de minha parte. A tarde passou rápida também e percebi que levaria trabalho para casa. No final do expediente, salvei os arquivos no google drive e desliguei o computador, peguei minha bolsa e segui para o elevador. Para meu azar, o novo editor chefe entrou juntamente comigo. Ele falava ao celular aparentemente com uma mulher, conseguia sentir a malícia em suas palavras para ela.
Antes de voltar para casa, liguei para Finn e pedi que me encontrasse em uma cafeteria próximo ao Central Park. Meu amigo tinha enviado uma mensagem um tanto eufórica sobre a reforma do café. Assim que o avistei com uma pasta preta na mão, me aproximei dele.
— Finn. — o abracei de leve e sorri — Demorei?
— Nada, você é sempre muito pontual. — ele riu — Vamos entrar?
Escolhemos uma mesa no mezanino da cafeteria e nos sentamos. Ele colocou a pasta em cima da mesa e soltou um suspiro empolgado.
— Você não vai acreditar no que aconteceu. — iniciou ele.
— Me diga e eu falo se acredito ou não. — eu ri dele.
— Consegui um investidor para o Liberdad Café. — contou ele.
— Sério? — fiquei feliz por ele e boquiaberta também — Mas tão rápido?
— Não foi tão rápido assim. — ele me olhou sério — Mas, o seu vizinho nosso arquiteto me apresentou umas pessoas ontem à noite, conversa vai, conversa vem, entramos no assunto sobre o café e uma das pessoas lá se interessou.
— %Sebastian%?! — agora eu estava surpresa.
Desde quando %Sebastian% tinha intimidades com Finn para apresentá-lo pessoas?
— Sim, e parabéns pelo namoro, ele me parece ser um cara bem legal, apesar de ser mais novo que você. — comentou ele.
— Vamos deixar esse assunto de lado. — pedi — Desde quando são tão amigos assim?
— Desde que ele se ofereceu para ser meu arquiteto. — Finn cruzou os braços me olhando desconfiado — Isso não é ciúmes é?
— Claro que não. — desconversei — Só estranhei, nenhum dos dois ter comentado comigo.
— Olha, para não ficar com coisas na cabeça, saiba que nossas conversas masculinas são saudáveis. — contou.
— Não precisa me dizer Finn.
— Só quero manter a boa amizade de ambos. — brincou ele.
— Se continuarmos com esse assunto eu descolo uma namorada para você aqui e agora. — brinquei de volta.
— Me tira a curiosidade, o que tem nessa pasta? — perguntei.
— Ah, meu plano de negócios e alguns desenhos da nova cafeteria. — explicou ele voltando a ficar empolgado — Eu apresentei mais cedo para o investidor. Bem, sendo honesto com minhas melhor amiga, uma investidora.
— Hum… — o olhei tentando reproduzir um dos olhares maliciosos de Sophie para ele.
— Não me olhe assim %Nalla%. — ele já se adiantou — Não quero romances sabe que meu coração está fechado. Isto é puramente profissional.
— E o que pretende fazer com o Liberdad? — perguntei.
— Ela disse que está disposta a investir se elevarmos o nível do Liberdad, ela quer ficar a frente do cardápio, por ser formada em gastronomia ou algo assim. — explicou — Fiquei impressionado, seu namorado conhece muita gente em Manhattan.
— Bem, ele é arquiteto, deve ser pelo trabalho dele.
— E vou te falar, ele é um arquiteto muito elogiado e requisitado. — contou meu amigo.
Era intrigante isso. Finn saber mais sobre %Sebastian% que eu mesma, o que me assustava um pouco.
— Que louco não é. — sussurrei.
— Eu fui até o escritório onde ele trabalha perto da Estação Central, o lugar era bem bonito e moderno. — continuou contando sua descoberta — Uma recepcionista lá disse que ele costuma a trabalhar em casa e mandar os projetos por email, pois não gosta de ser incomodado no momento de inspiração dele.
— Uau. — aquilo era ainda mais intrigante.
— Como sabe que ele é muito requisitado? — perguntei.
— Um escritório em área nobre com uma estrutura daquelas, se esse seu vizinho não foi rico, ele está escondendo alguma coisa. — declarou com franqueza — Vocês conversam sobre isso ou é mais físico o relacionamento de vocês?
— Finn, olha a sua pergunta?! — o repreendi.
— Como se a gente já não tivesse conversado sobre coisas muito mais íntimas sobre mim e minha ex. — ele cruzou os braços me olhando sério.
Finn era como Sophie, o irmão que sempre quis ter. Nosso nível de intimidade era alto como com Sophie, mas ainda tinha meus segredos não revelados a ele.
— Bem, eu… Ainda estamos nos conhecendo. — confessei a ele — E no mais, vai ser real até quando eu quiser.
— Ah… — tinha me esquecido que essa parte da história Finn ainda não sabia.
Eu tinha confiança de contar este segredo a ele. Assim como Sophie, no momento em que meu amigo conheceu Carl, ele de cara desaprovou. Contei toda a história “%Sebastian%” para ele, desde o dia em que o vizinho se mudou até a manhã anterior com o café preparado por ele. Finn riu bastante de várias partes, principalmente dos meus questionamentos sobre ele saber cozinhar.
— Você está apaixonada por ele, consigo ver nos seus olhos. — ele riu de novo.
— Sophie disse a mesma coisa. — afirmei.
— E está esperando mais o que mara mostrar ao ridículo do Carl que você está muito mais feliz sem ele? — Finn ficou sério, mantendo a serenidade no olhar.
— Estou pensando sobre isso, mas antes preciso conversar com %Sebastian% primeiro. — disse.
Ele abriu a pasta e começou a me explicar o novo plano de negócios dele. Mostrou as alterações que a investidora tinha proposto e com brilho nos olhos o contrato que assinou com ela. Para mim, meu amigo estava indo rápido demais, entretanto, no mundo dos negócios tudo era assim. Me despedi dele, após receber uma mensagem de Joseph no celular, dizendo que tinha pedido pizza para o jantar.
Quando cheguei em casa, comi os restos mortais da pizza que encontrei no forno e segui para o segundo andar. Sunny estava dormindo já, minha joaninha havia tido um dia cansativo com os ensaios da sua apresentação. E eu tinha chegado tarde em casa e teria que passar a madrugada revisando um artigo que estava escrevendo para o caderno da mulher.
Parei na porta do quarto de Joseph e fiquei o observando jogar. Caminhei até ele lhe dei um beijo no topo de sua cabeça. Logo meu filho retirou o headfone do ouvido.
— Boa noite mãe. — disse ele mantendo os olhos no monitor.
— Boa noite querido, não vá dormir muito tarde. — o alertei — Amanhã você tem a prova de direção.
— Não se preocupe, vou passar de primeira. — disse ele confiante.
— Eu sei disso. — me afastei dele e segui para porta.
Saí do seu quarto fechando a porta e entrei no meu.
Caminhei até o banheiro tomei um banho quente e coloquei uma roupa mais leve. Ao passar pela janela, vi o vizinho parado no quintal de sua casa, olhando para cerca quebrada. Será que ele estava planejando bater na porta. Coloquei um casaco de crochê e desci as escadas. Saí para o quintal e parei em frente a cerca, o olhando com seriedade. Ele sorriu de canto com meu gesto e caminhou até sua casa, entrando.
Fiquei em choque a primeiro momento, mas me movi indo até lá. Entrando em sua cozinha, ele permaneceu encostado na ilha de braços cruzados me olhando sério também. Respirei fundo, tinha não só que enfrentar ele, mas também meus medos internos de sofrer novamente.
— Boa noite. — disse ele.
— Deseja alguma coisa?! — perguntou ele.
— Precisamos conversar. — fui direta — Você disse real até quando eu quiser, não disse?
— Sim, e não volto atrás na minha palavra. — sua voz firme me estremeceu.
— Eu não conheço você, como podemos fazer isso ser real? — indaguei — Eu tenho dois filhos e preciso pensar neles.
— O que quer saber sobre mim? — ele foi mais direto ainda — Basta perguntar.
Aquilo me pegou de surpresa. Era louco a forma com que ele tratava tudo naturalmente.
— Por que eu?! — essa era minha maior curiosidade — Você pode ter a mulher que quiser.
— E por que eu não posso querer ter você? — retrucou ele se afastando da ilha e dando alguns passos até mim — Me responda. E não diga que é por ser mais velha que eu, nem por ter dois filhos.
— Eu… — me senti desnorteada com a sua aproximação.
— Não tem argumentos para se impedir de ser amada por mim. — continuou ele se aproximando mais.
Eu já não sabia onde estava minhas forças para resistir a ele. E talvez nem me importaria mais saber porque ele estava interessado em mim. Ele segurou em minha cintura me aproximando mais dele e me beijou com intensidade. Rendida fiquei em seus braços, sentindo meu corpo acompanhar a investida dele. Então me afastei de repente, um pouco assustada com aquilo.
— Desculpa, eu… — respirei fundo, retomando o fôlego.
— Não se preocupe, eu entendo. — ele se manteve próximo, com os braços envolvidos em minha cintura — É tudo muito novo para você.
— Sim. — sussurrei tentando absorver tudo aquilo.
Com certeza essa parte da história não iria alimentar a fanfic de Sophie. Ri baixo de leve.
— O que foi?! — perguntou ele.
— Nada. — disse — Um pensamento bobo.
— Hum… Estou curioso me diga o que é. — insistiu.
— Sophie disse que nosso relacionamento é uma fanfic. — comentei — Mas não conte a ela que te falei.
— Segredo nosso. — seu olhar passava confiança para mim.
— Estou começando a acreditar que ela tem razão. — brinquei.
— Até quando você quiser. — sussurrou ele em meu ouvido me fazendo arrepiar.
— %Sebastian% Lewis. — disse ele me olhando com serenidade — Este é meu nome completo.
— Sim. — ele sorriu — Tenho 25 anos e estou apaixonado por você, e quero que passei o natal comigo e minha família.
— O natal?! — fiquei surpresa.
— Você não quer saber sobre mim?! — perguntou ele.
— Quero mais… — respirei fundo — Eu nem sei como reagir a isso, não posso deixar meus filhos e passar o natal com sua família.
— Eles virão com a gente. — disse ele — %Nalla%, eu sei que seus filhos são uma parte importante da sua vida, jamais vou me colocar entre vocês.
— Isso não é um sonho, não é? — perguntei.
— Não, é real até quando quiser. — ele riu se afastando de mim — Mas, quero que cozinhe para mim hoje.
— Por que será que já imaginava que pediria isso. — eu ri junto.
— Acredite ou não, você fica mais sexy enquanto cozinha. — ele me olhou com malícia.
Será que esse era o propósito da sua sugestão do acordo? Me ver cozinhando para ele?
— Seu safado. — sussurrei fazendo ele rir mais.
%Sebastian% ficou encostado no beiral da janela, me observando cozinhar. Alguns minutos depois comigo ainda preparando tudo. O celular dele tocou.
— Sim. — disse ele ao atender — Eu já resolvi este problema, Cedric foi para Seattle hoje pela manhã, mas deve chegar aí antes do natal, ele tinha outra coisas para resolver antes.
Ele ficou em silêncio ouvindo.
— Sim, estou me alimentando direito, e farei isso daqui a pouco. — disse ele novamente.
Eu sabia que era uma resposta saudável, mas porque aquilo me soou em um maldoso duplo sentido?
— Sim, ando com muitos projetos atualmente em Manhattan, mas existe um em especial que… — eu estava de costas e fui sentindo ele se aproximar mais de mim — Me impede de ir ver vocês, não posso dizer agora que projeto é esse, mas posso dizer que estou extremamente concentrado nele.
%Sebastian% tocou em minha cintura, e no susto eu deixei a colher em minha mão cair. Eu ouvi uma risada vindo dele e o olhei séria. Mas aquele olhar para mim me derretia facilmente. Peguei a colher do chão e lavei na pia. Desliguei a trempe do fogão e disse em sussurro que o seu jantar estava pronto.
Me afastei para sair de lá, porém ele mesmo ao telefone, me segurou pela mão e me puxou para perto.
— Te ligo amanhã. — disse ele encerrando a ligação.
Seu olhar intenso se manteve em mim de uma forma arrasadora.
— Hoje você janta comigo. — disse ele.
Eu não tinha nem mesmo reação para recusar. Só conseguia pensar na bendita frase:
Real até quando eu quiser."Eu evito o seu olhar fingindo que não estou interessado em você,
Veja bem, eu preciso arriscar tudo que tenho.
Só para passar por você, oh yeah,
Você é tão diferente das outras mulheres."
- Lotto / EXO