Moonlight


Escrita porPams
Editada por Natashia Kitamura


4 • NT Post

Acordei na terça feira ansiosa, empolgada e ao mesmo tempo estranha.
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  Em breve eu completaria as primeiras 24 horas divorciada. Uma nova realidade nascia para mim e eu teria que me adaptar ainda mais a isso, não só por meus filhos, mas por mim mesma. Eu tentava me mostrar durona e firme diante deles, mas meu travesseiro sabia as lágrimas que eram derramadas nele à noite. Eu superaria? Sim, aos poucos, sim. Mas não seria fácil. Amar uma pessoa por tanto tempo e terminar como terminou, curar meu coração seria o passo mais importante a ser dado por mim. E me esforçar para isso, para quando eu me lembrar disso, não sentir mais dor, não sentir nada, apenas agradecer a Deus por ter superado e seguido em frente.
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  Após sair da cafeteria, passei em casa rápido para tomar uma ducha e me aprontar para a entrevista. Joseph tinha finalizado meu portfólio na noite anterior e salvo em PDF. Já que agora é tudo digital, eu salvei o arquivo no celular para enviar a Genevieve durante a entrevista. Coloquei um terninho azul marinho desta vez, prendi o cabelo com uma gominha de Molly que encontrei rodando por meu quarto e peguei a bolsa preta, joguei o celular e a carteira dentro.
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  — Hum — parei em frente ao espelho e fiquei me olhando, mesmo que a maquiagem escondendo minhas olheiras causadas pelas lágrimas, meu olhar abatido era visível —, preciso melhorar isso, ando tão desanimada.
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  Sorri para meu reflexo tentando melhorar a situação e ajeitando a bolsa no ombro, saí do quarto em direção a porta da sala. Sophie me esperava na rua, dentro do carro. Claro que a atenção da minha amiga não estava em mim, tanto que nem reparou na minha roupa. Antes de entrar no carro, olhei involuntariamente para a casa do vizinho, ainda não me acostumei a chamá-lo pelo nome: %Sebastian%. Ele estava em cima do telhado, dando algumas marteladas, só então que observei que era reforma de um homem só. Todos os dias ele era o único a trabalhar ali, o que me levou a imaginar que o barulho seguiria por um longo tempo.
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  Entrei no carro e seguimos para um restaurante recomendado por Sophie, a entrevista tinha sido marcada em plena hora do almoço. Genevieve já nos aguardava e nos recebeu com muita educação.
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  — Que bom que veio também, Sophie. — disse ela com um sorriso singelo no rosto. — Quero agradecer pela indicação, e dizer que recebi seu portfólio e já dei uma olhada, estou ainda mais impressionada com sua habilidade de escrita.
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  — Se eu fosse comparar com The Sims, diria que a %Nalla% já chegou no nível 10 de escrita — elogiou minha amiga sem medo.
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  — E eu tenho que concordar. — Genevieve me olhou. — Passei o olho no seu artigo sobre as combinações na culinária e fiquei impressionada.
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  — Agradeço o reconhecimento, apesar de ainda me manter preocupada com a falta de certificação — disse meio tímida.
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  — Ah, nem sempre um diploma diz alguma coisa, tenho vários funcionários autodidata em meu jornal. — garantiu Genevieve. — E já vejo que você fará sucesso no caderno da mulher.
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  — Eu não iria falar somente sobre culinária? — perguntei.
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  — Inicialmente sim, mas você tem potencial para mais. — explicou ela. — Mas aos poucos vou te orientando melhor, o caderno da mulher compõe artigos e colunas sobre vários assuntos, podemos fazer um teste inicial com você à frente da coluna culinária, e quando se sentir mais segura, poderá escrever sobre outras coisas.
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  Em suas palavras parecia fácil. Mas céus, era muita responsabilidade. Eu daria conta? Assenti com um sorriso.
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  — Estou ansiosa para ler o jornal agora — disse Sophie.
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  — E você pode escolher trabalhar home office, se não quiser ir para a redação — completou Genevieve.
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  — Eu prefiro, sim, ir para a redação, gosto de separar as coisas, acho que se ficasse em casa, não me concentraria — expliquei.
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  Um dos motivos: o vizinho.
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  — Começo quando? — essa era a pergunta.
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  — Deveria perguntar quanto vai ganhar — reclamou Sophie.
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  Genevieve riu.
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  — Bem, respondendo sua pergunta, você começa amanhã, pode escolher trabalhar na parte da manhã ou da tarde, Sophie me disse que queria um trabalho de meio período, e como o caderno da mulher sai toda quarta e sábado, terá tempo para deixar tudo preparado. — ela olhou para minha amiga. — E respondendo a sua pergunta, apesar de meio período, o trabalho é dobrado, os dois primeiros meses vai receber o mesmo que um estagiário, por estar em período de experiência, depois, receberá como um profissional.
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  Ela retirou o papel da bolsa e escreveu nele os valores. O que deixou Sophie impressionada.
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  — O NT Post é o terceiro jornal mais vendido do país, por isso, costuma ser muito generoso com seus funcionários, principalmente os que se destacam — disse ele como uma motivação.
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  — Eu já estou grata pelo emprego, asseguro que vou me dedicar bastante.
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  — É o que nós esperamos. — ela sorriu para mim. — Não se preocupe, terá uma equipe muito qualificada e competente trabalhando com você.
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  — Agradeço.
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  Continuamos a entrevista em meio ao almoço, bem foi mais um bate papo com ela contando alguns casos que aconteceu na redação.
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  Chegando ao dia seguinte, meu coração acelerou de ansiedade ao entrar no prédio da redação. Senti minhas pernas mais bambas que no primeiro dia do ensino médio. Uma jovem ruiva com cara de colegial estava parada na recepção com uma plaquinha escrita meu nome. Me aproximei dela ainda receosa.
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  — Oi — disse num tom baixo.
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  — Você é a %Nalla%?
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  — Sim.
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  — Prazer, eu sou a Beth, assistente da sua equipe — ela esticou a mão em cumprimento.
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  — Minha equipe tem uma assistente — apertei sua mão e sorri de leve.
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  — Este é seu crachá, nós ficamos no sétimo andar, vem comigo, vou te mostrar tudo — ela parecia mais empolgada do que eu.
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  — Vamos lá — disse pegando meu crachá.
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  Ela me foi uma boa guia turística naquele primeiro dia. Ao chegarmos ao sétimo andar, uau, me deparei com o fluxo intenso de um escritório de redação. Pessoas de um lado para outro, estações de trabalho cheia de papéis e copos de café do Starbucks, post its pregados nos vidros de divisória e monitores de computador, quadros de avisos cheios de recados. E eu entraria naquele universo a partir de hoje.
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  — Vem, %Nalla%, nossa estação de trabalho fica ao lado da janela, temos uma vista privilegiada — disse ela indo na frente.
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  — Isso é bom — a segui observando tudo ao meu redor.
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  Estava um pouco nervosa pela nova rotina? Sim. Intimidada por ter pessoas mais experientes que eu ali? Com certeza. Mas não deixaria isso me travar nenhum pouco, daria o meu melhor e trabalharia muito para mostrar minha capacidade. Ainda mais, seria uma boa profissional para orgulhar meus filhos.
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  — Essas são as colunistas da nossa equipe, Sunny de moda, Lizzy de saúde e Hill assuntos do cotidiano. — apresentou Beth apontando para cada uma delas. — Girls, essa é %Nalla%, nossa colunista de culinária.
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  — Boa tarde — disse.
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  — Olá — Sunny desviou seu olhar rapidamente para mim e sorriu de forma meiga.
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  A garota parecia tímida, com seus traços asiáticos e óculos de nerd. Notei que seu cabelo estava preso por uma caneta, ela usava uma blusa de moletom escrito EXO. Acho que já tinha ouvido Sophie falar de um grupo de mesmo nome, minha amiga e suas histórias de aprendizado com suas alunas.
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  — Uau, você não é tão velha quanto eu imaginei. — Lizzy jogou seus cabelos loiros para trás e me olhou de cima em baixo. — Mas precisa ser menos formal se quer trabalhar aqui, mais casual, eu diria.
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  Sim. Informal. Só agora que eu tinha reparado que ninguém ali estava vestindo roupas formais. Todos pareciam confortáveis com seus jeans rasgados, calças largas, regatas, t-shirts, e vestidos florais. Lizzy mesmo vestia uma jardineira de jeans na cor preta, com uma blusa amarela por baixo e um All Star nos pés.
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  — Não liga para ela, %Nalla%. — Hill sorriu também e pegou uma caixa que estava sobre a mesa dela. — Lizzy adora implicar com os novatos.
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  Hill tinha traços latinos interessantes e um sotaque de quem tem o espanhol como língua materna. Admirei brevemente seu vestido floral azul claro com um cintinho preto e a sapatilha bege.
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  — A redação tem muitas pessoas jovens, não é? — comentei.
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  — Fala como se fosse uma senhora de 45 anos. — Beth me olhou curiosa. — Você tem essa idade? Se tiver, usa produtos Ivone, né?
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  As meninas soltaram uma risada com isso, e eu fiz o mesmo.
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  — Não, não tenho 45 anos, tenho 33 — respondi.
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  — Pode ficar feliz, mana, você não é a mais velha. — Lizzy piscou de leve. — Nós temos o Osvald, do caderno de esportes, ele tem quanto mesmo? 54?
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  — 42 — corrigiu Sunny.
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  — Legal, não vou me sentir a tia do andar — brinquei.
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  — Nós não somos tão novas assim também. — declarou Hill. — Eu tenho 29.
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  — Eu tenho 25 — disse Sunny.
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  — Eu tenho 27. — comentou Lizzy. — Entrei atrasada na faculdade de nutrição e aqui estou trabalhando só de meio período por isso.
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  — Estuda de manhã?
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  — Sim, na NY University, é pública e barata.
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  — Uau — estava impressionada.
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  De certa forma, me senti meio motivada.
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  — Eu é que sou a mais nova, tenho 21 — disse Beth.
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  — Por isso é a assistente — brincou Lizzy.
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  — Não é por isso — Beth bufou.
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  — Será um prazer trabalhar com vocês — sorri de leve.
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  Me sentei na mesa ao lado de Hill, de frente para Lizzy. Beth não tinha uma mesa própria, pois estava sempre se movendo de um lado para o outro entre as mesas da nossa estação. Foi divertido e acelerado aquela tarde, pegar o ritmo do trabalho, decorar as senhas do servidor, preencher a papelada do RH, ler as últimas edições do caderno da mulher. Muita coisa para o primeiro dia. Ao final do expediente, encontrei Sophie na recepção me esperando. Segundo ela, só valeria esse recomeço se eu saísse para comemorar meu primeiro dia de emprego. Não tive como recusar, já que ela chamou as meninas da minha equipe também. Nossa parada seria no pub de um amigo colorido de Sunny, que parecia mais um friendzone.
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  — Uau, que mulher em sã consciência se casa antes dos 30 hoje em dia? — perguntou Lizzy fazendo uma careta.
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  — A %Nalla% já contou a história dela? — perguntou Sophie.
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  — Não — as meninas me olharam.
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  — Casada aos 17.
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  — O quê? — disseram em coral.
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  — Eu estava grávida gente. — expliquei. — Se não fosse isso, teria ido para a faculdade.
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  — Uau, corajosa. — Hill me olhou. — Eu interrompi uma por ter medo de não dar conta, meu ex fugiu na hora dizendo que não era dele.
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  — Babaca. — xingou Beth. — Caras assim são todos idiotas.
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  — Concordo — disse Sophie.
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  — Mas depois fiquei grávida de outro namorado. — continuou Hill e riu de leve. — Estou enrolando ele a sete anos para aceitar o pedido de casamento.
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  — E você? Qual a história? — perguntou Sophie.
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  — Eu estou repetindo a mesma matéria pela segunda vez por culpa do professor. — disse Lizzy. — Não aguento mais frequentar as aulas dele.
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  Ela já não estava muito sóbria, tinha pedido o drink mais forte. Eu continuei em minha zona de conforto, pedi um coquetel de morango, alguém tinha que ficar sóbria ali.
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  — Está falando do Baker? — perguntou Sunny.
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  — Ele mesmo.
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  — Aquele seu professor é um gato — confessou Beth.
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  — Que destroça o coração das alunas. — declarou Lizzy. — Quero me livrar dele.
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  — Agora tá explicado, ela não presta atenção na aula porque fica secando o professor — comentou Sophie entendendo tudo.
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  — É a matéria mais complexa e difícil, ele deveria ser feio, assim eu passaria — Lizzy se debruçou sobre a mesa.
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  — Você deveria se focar mais — alertei ela.
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  — Falou a dona de casa que se paralisa quando vê o vizinho da janela — brincou minha amiga.
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  — Sophie, não é assim.
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  — Uuuullllll, que vizinho? Compartilha com a gente! — disse Beth.
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  — Você que tem cara de tímida — Hill me olhou desconfiada.
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  — Não aconteceu nada, é só um vizinho novo, deve ter o quê, a idade da Sunny? — expliquei meio atrapalhada.
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  — Você gosta de homens mais jovens? — Sunny me olhou curiosa.
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  — Talvez, não… Eu não sei, acabei de me divorciar do meu primeiro namorado, não tenho resposta para isso — voltei meu olhar para a taça com o coquetel.
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  — Complexo — comentou Lizzy.
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  — Meu primeiro namorado já se casou com outra pessoa a muito tempo. — Sunny riu ao mexer no celular. — Às vezes imagino como seria se eu tivesse me casado com ele depois que voltou do exército.
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  — Você ficou com medo? — perguntei.
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  — Não exatamente, só não estava pronta pra abrir mão do meu sonho de vir para NY, e ficar em Seoul como uma mulher casada. — respondeu ela. — Me sinto realizada por trabalhar na Post, graças ao jornal, já viajei para tantos lugares cobrindo tantos eventos de moda.
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  — Por falar em viagem, você bem que podia ter me levado no último NY Fashion Week. — Lizzy fez bico. — Sabe que amo um evento de moda.
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  — Por que não fez moda então? — perguntou Sophie.
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  — Eu também amo nutrição e não sei desenhar tão bem quanto a Sunny — explicou ela.
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  Nós rimos.
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  — Bem, ninguém me perguntou, mas eu sou a caloura de publicidade. — disse Beth. — Eu fazia fisioterapia em Princeton por pressão dos meus pais. Tranquei o curso, fugi de casa, comecei o curso de design gráfico em uma escola técnica até que mudei para o Brooklyn e consegui uma vaga na NY University.
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  — Também mora no Brooklyn? — Sophie a olhou animada.
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  — Sim.
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  — Você também foi bem corajosa — a elogiei.
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  — Todas nós somos — Beth sorriu.
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- x -

  Os dois meses de experiência passou tão rápido, que quase não consegui acompanhar o andamento da reforma do vizinho. Mas pelo que notei ao avaliar da janela do meu quarto, não tinha evoluído muito. Sábado pela manhã, levantei cedo e ao som das batidas da casa ao lado, no meio do preparo do café das crianças, recebi uma mensagem de Sophie"
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Menina, não vai acreditar no que descobri.

Hum…

Me indicaram uma fanfic restrita para ler, fui toda inocente, sem saber o que restrita significava, menina, quando chegou na parte mais quente do relacionamento dos protagonistas, a autora detalhou tudo, mais tudo mesmo, eu fiquei assim,
estou lendo 50 tons de cinza e não sei.

#chocada

Vai ficar mais ainda quando te contar que descobri que a autora tem 13 anos.
13 anos.

Onde estão os pais dessa garota?

Vai saber, isso se eles sabem o que é fanfic.
Mas menina escreve bem demais, fiquei impactada.
quer o link para ler?

Não.
obrigada.
Sophie, estou indo ao Liberdad agora
pare de ler fanfics e vai trabalhar

hoje é sábado, eu não trabalho.

então vai dormir.

  Bloqueei a tela do celular e guardei na bolsa rindo dela. Corri para a cafeteria. Ao chegar, me deparei com uma fila na porta, certamente esperando por minhas panquecas especiais. Voltei quase na hora do almoço, extremamente atrasada. Por sorte, Joseph já tinha preparado um espaguete vegetariano de dar água na boca. Em suas palavras, uma receita aprendida do Youtube, isso, sim, me impressionou.
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  — Cante uma canção, quando estiver com um problemão, basta começar, cante uma canção… — comecei a cantarolar enquanto eu lavava as vasilhas do almoço.
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  Joseph tinha saído para jogar na casa de um amigo. Molly estava no seu quarto treinando a coreografia para o concurso. Eu tinha achado meio complexa para uma garota de 10 anos, mas Sophie assegurou que nossa miss joaninha precisava de um desafio para se destacar. Em um segundo de distração com pensamentos aleatórios sobre como seria meu primeiro dia de promoção, sendo agora responsável geral pelo caderno mulher, me assustei ao ouvir o barulho de algo se quebrando vindo do quintal. O que será que tinha caído dessa vez? Lavei as mãos e corri para ver o que é. Quando abri a porta, %Sebastian% estava no chão trocando socos com outro homem.
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  — Nossa! — disse assustada com a cena.
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  Minha presença atraiu a atenção deles, que pararam no mesmo momento. Dei alguns passos para frente e voltei o olhar para a cerca que estava parcialmente destruída. Então o barulho veio daí.
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  — Me desculpe, %Nalla% — disse ele se levantando e olhando para o homem ao lado.
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  — Ah… — o homem pareceu entender o recado e se levantou. — Me desculpe.
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  — Tudo bem, eu tenho uma caixa de primeiros socorros. — falei quase pausadamente, absorvendo a situação. — Me esperem aqui.
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  Eu não deveria ter tido exatamente essa reação, mas foi no impulso. Entrei em casa e fui até o banheiro do meu quarto, peguei a caixa no armário embaixo da pia. Olhei meu reflexo no espelho, no automático minha mão foi até o cabelo, ajeitando-o um pouco e só depois eu percebi o que estava fazendo. Respirei fundo e voltei para o quintal.
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  — Aqui está — disse me aproximando deles.
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  %Sebastian% estava encostado na mesa que tinha no canto, perto do projeto do que seria a nossa churrasqueira, já o outro homem sentou na cadeira ao lado e ficou me observando.
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  — Não precisava se preocupar, estamos bem — disse %Sebastian%, com um corte visível em sua boca.
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  — Estou vendo, você e seu… Amigo?
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  — Este é meu primo, Cedric — apresentou ele.
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  — Prazer — disse ao olhar para ele com o olho roxo e dois cortes pequenos na testa.
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  — Prazer — o homem evitou me encarar muito e desviou o olhar.
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  Eu abri a caixa e comecei a limpar os machucados deles. Primeiro de Cedric, que parecia bem pior, e depois do %Sebastian%, que mantinha fixamente sua atenção em mim. E isso me deixou meio tímida e um pouco retraída, aquele olhar intenso em mim.
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  — Prontinho — disse ao fechar a caixa.
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  — Cedric, poderia nos deixar… — ele olhou para o primo.
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  — Ah, eu vou olhar o ponto hidráulico do lavabo — Cedric se levantou mais que depressa e seguiu até a cerca quebrada.
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  %Sebastian% o observou até que ele desaparecesse do nosso campo de visão, então voltou seu olhar para mim. Senti um arrepio estranho no corpo.
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  — Então… Obrigado e me desculpe novamente — disse ele com sua voz firme e grossa.
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  — Eu poderia dizer que estou acostumada com isso, mas… Foi a primeira vez — eu ri de leve, sendo acompanhada por ele.
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  — Eu prometo consertar a cerca até o final da próxima semana. — garantiu ele. — Ainda estou tendo problemas com o encanamento.
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  — Fique tranquilo, você já ia trocar ela mesmo — sorri de leve.
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  — Ainda assim, te causei um leve transtorno — ele coçou a cabeça dando um sorriso fofo de criança que fez coisa errada.
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  — Eu preciso entrar agora — dei um passo para trás.
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  — Ah, sim… Eu também tenho que terminar o encanamento da minha cozinha — concordou ele.
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  — Você está mesmo fazendo essa reforma sozinho? — perguntei curiosa.
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  — Sim.
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  Era impressionante como ele se mantinha com o olhar fixo em mim, em minhas expressões e movimentos. Seu olhar profundo e intenso. Um olhar que quase hipnotizava e me fazia esquecer o que tinha ao redor.
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  — Se você quer algo bem feito, faça você mesmo — brincou ele.
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  — É um pensamento válido. O seu primo veio te ajudar?
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  — Só por alguns dias, para terminar de vez o telhado e a hidráulica — respondeu ele.
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  — Desejo uma boa jornada em sua reforma — desviei meu olhar dele, já estava me sentindo meio constrangida com seu olhar.
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  — Obrigado.
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  — Até — me afastei dele e entrei na cozinha.
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  Assim que fechei a porta, não me contive em olhar pela cortina na frente do vidro, se ele também tinha saído. Mas não, %Sebastian% continuou por um tempo ali olhando para a porta. Meu coração acelerou novamente. Já tinha quanto tempo com a sua chegada? Três meses e alguns dias? Não estava contando direito. Voltei minha atenção para a cozinha que não tinha terminado de arrumar. Peguei o pano de prato e fui guardando as vasilhas. As horas foram passando comigo ouvindo o andamento da reforma, enquanto folheava algumas revistas de moda que Sunny, a colunista de moda, me emprestou para meus estudos da atualidade.
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  — Alô? — disse ao atender a ligação de Joseph.
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  — Mãe.
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  — Aconteceu algo?
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  — Não, eu só liguei pra dizer que vou dormir aqui hoje, tem problema? — informou, perguntando.
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  — Algum campeonato surpresa? — deduzi.
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  — Vamos traçar nossa estratégia para a competição estadual. — explicou ele. — E treinar um pouco.
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  — Levou seu notebook?
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  — Sim, você ia usá-lo?
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  — Eu uso o seu computador, sem problema. — voltei meu olhar para as revistas em cima da mesa de centro. — Se alimente bem, ok, nada de ficar jogando e esquecer que seu corpo não é uma máquina.
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  — Tudo bem, mãe — ele riu do outro lado.
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  — Até amanhã.
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  — Boa noite!
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  Desliguei o celular e corri até o quarto, peguei minha agenda nova de anotações e voltei para sala. Eu já tinha grifado muitas coisas com o marcador, sob a autorização de Sunny. Realmente, não conseguia estudar sem aquele marcador de texto, o que me lembrava que meus cadernos do colégio eram cheios de anotações, frases grifadas e post it de cores variadas.
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  — Mamãe — Molly desceu as escadas correndo.
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  — Ei mocinha, devagar — disse mantendo a atenção na revista que via, pregando um post it com uma anotação.
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  — Não desci tão rápido. — ela se aproximou e sentou ao me lado. — O que está fazendo?
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  — Estudando. — respondi, ao anotar o nome de uma marca relevante na minha agenda. — E você?
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  — Eu terminei meu ensaio por hoje, desci para comer algo. — respondeu me observando. — Está mesmo muito aplicada no emprego novo.
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  — Quando for adulta, vai ver que boletos pagos é a motivação para ser aplicada no emprego — ri de leve.
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  — Acho que não quero ser adulta.
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  — Não tem como parar a idade joaninha, até em Nárnia as pessoas envelhecem.
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  — Na Terra Do Nunca, não.
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  — A Sininho está de folga. — brinquei a fazendo rir. — Já fez o dever de casa? Soube que tem uma redação para fazer. — indaguei. — Qual o assunto?
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  — Redação sobre uma princesa Disney indicada pela professora.
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  — E quem pegou?
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  — No sorteio eu peguei a Jane, do Tarzan. — ela fez um bico. — Eu queria a Mulan ou a Tiana, mas quem pegou não quis trocar comigo.
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  — Hum…. Mas a Jane é legal, ela deixou sua vida na Inglaterra para viver na selva com o Tarzan, não é uma história de amor legal?
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  — Não quero uma história de amor legal. Prefiro uma princesa que finge ser homem e entra para o exército para proteger sua família e seu país, de quebra ela ainda ganhou um dragão de estimação e um grilo que dá sorte. — argumentou ela. — Ou uma princesa que se aventura no lado mais escuro do rio ao lado de um príncipe sapo mané e um jacaré que toca instrumento, e termina tendo seu próprio negócio sem depender do príncipe para ser rica e famosa.
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  — Minha joaninha empoderada, tenho certeza que você vai encontrar algo legal na Jane. — olhei para ela e sorri de leve. — Tem biscoitos no armário, suco de laranja na geladeira e cereais em cima da mesa. Não coma muito, pois ainda tem o jantar.
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  — O que vai ser hoje? Sanduíche?
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  — Talvez role um miojo.
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  — Também é legal — ela sorriu e se levantou.
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  — E depois de comer, lição de casa.
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  — Ok.
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  — E vou querer ver sua redação antes de mostrar a professora.
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  — Me esqueci que tenho uma mãe ninja em redação — ela fez um joia para mim e saiu saltitando para a cozinha.
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  Ri um pouco e voltei minha atenção para a revista.
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  Minutos depois observei Molly passar pela sala com um pacote de salgadinho na mão. Balancei a cabeça negativamente e voltei a me concentrar no trabalho. Não receberia pelas horas extras feitas em casa, mas sentia que aquilo era um investimento em mim mesma que me me renderia algo bom no futuro. Investia no meu conhecimento, sobre diversos assuntos que poderia compor o caderno da Mulher, estava até com a ideia de abrir uma coluna de indicações de fanfics, pois, segundo Sophie, era a sensação literária do momento. E o pior é que estava certa, já tinha pesquisado o assunto e encontrado muitos sites dedicados a esse tipo de escrita. Vivendo e aprendendo, pesquisando e descobrindo.
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  No meio de uma silenciosa leitura, ouvi algo como batidas na porta. Foi difícil identificar de onde vinha, mas percebi que as batidas eram do vizinho na porta de saída da cozinha. Abri para ele e me deparei com um embrulho razoavelmente grande nas suas mãos.
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  — %Sebastian%. — me mantive natural e serena. — O que faz aqui?
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  — Eu…
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  — Você?
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  — Ainda me sinto mal pela cena que presenciou mais cedo — explicou ele.
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  — E o que é isso que está segurando?
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  — Um pedido mais formal de desculpas — respondeu.
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  — Um pedido de desculpas? Você já se desculpou.
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  — Por favor, aceite — aquele seu olhar de garoto abandonado me despertava e me lembrava que ele era mais jovem do que eu.
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  — Tudo bem. — peguei o embrulho e abri mais a porta para que ele entrasse. — Vem, me ajude a descobrir o que é.
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  — Claro — ele sorriu e entrou.
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  Fechei a porta da cozinha e comecei a rasgar o jornal que embrulhava seu pedido de desculpas. Ao terminar, descobri que era um quadro muito bonito e diferente.
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  — Arte de rua. — explicou ele. — Foi feito por um amigo.
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  — Sério? Achei incrível o quadro. — não tinha palavras, complicado descrever uma peça de arte. — Obrigada.
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  — Eu que agradeço por ter aceitado — ele sorriu se aproximando um pouco de mim, com o olhar de sempre, fixo e intenso.
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  Fiquei meio estática sem saber como reagir, até que o barulho da porta da sala se abrindo me chamou a atenção.
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  — Hum? — me virei estranhando.
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  — Parece que alguém entrou — comentou ele.
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  — É o Joseph, meu filho, deve ter acontecido alguma coisa. — eu o olhei. — Você pode esperar aqui?
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  — É melhor eu ir pra casa, seu filho pode estranhar minha presença aqui.
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  — Verdade — concordei.
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  Ele se afastou indo para a porta. Enquanto isso, deixei o quadro em cima da mesa da cozinha e segui para sala. Minha surpresa veio quando vi Carl perto da estante de livros remexendo as gavetas do móvel ao lado. Minha mente fundiu por alguns segundo, até que reagi a cena.
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  — O que faz aqui? — disse em um tom mais alto e firme.
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  Já tinha dois meses que nos divorciamos e não tinha o visto desde do dia em que assinamos os documentos definitivos do divórcio.
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  — Ah, %Nalla%. — ele parou e me olhou. — Eu só vim pegar umas pastas que esqueci aqui.
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  — E você fala assim com tanta naturalidade?
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  — E como quer que eu fale? — seu olhar cínico estava ali.
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  — Você não mora mais aqui, nem deveria usar essa chave, deveria ter entregado ao Joseph. — retruquei não dando importância a sua arrogância. — Não somos mais casados, Carl, e essa casa não é mais sua, é minha, se precisa de algo, ligue primeiro, não saia invadindo.
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  — Ah, por favor, %Nalla%, não tenho tempo para suas reclamações — ele voltou a remexer na gaveta.
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  — Minha reclamações? Só estou dizendo que se eu quiser, posso ligar para a polícia e dar queixa de invasão de propriedade — o confrontei sem medo.
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  — Vai mesmo ter coragem que fazer isso com o pai do seus filhos?
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  — Agora você se lembra disso. — bufei de leve. — Sim, eu teria coragem.
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  — Você é ridícula. — ele debochou de mim. — Quer provar o que fazendo isso? Foi porque eu disse que não é uma mulher suficiente para mim? Quer se vingar?
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  Aquela sua frase ainda estava entalada na minha garganta e eu queria fazê-lo engolir isso.
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  — Querida — uma voz soou da porta da cozinha —, por que está demorando?
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  Querida? Eu me virei para trás e paralisei ao ver %Sebastian% descalço e sem camisa, encostado na porta e dando um sorriso malicioso que não se encontraria nem nas fanfics de Sophie.
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"Someone call the doctor."
- Overdose / EXO

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