11 • Chef Lewis?
Mesmo com o capacete, conseguia sentir a brisa passar por mim naquela moto. %Sebastian% continuava a acelerar mais e mais, consequentemente eu me agarrava mais nele. Acho que era proposital, pelas suas risadas baixas a cada vez que puxava sua jaqueta. Não senti o tempo passar, mas notei que demorou até que ele tomasse uma direção certa e chegamos ao destino final.
Ao descer da moto e retirar o capacete, me deparei com um restaurante fechado. Estranhei a primeiro momento e fiquei insegura de entrar. %Sebastian% deixou a moto próximo à entrada e me olhou intrigado. Certamente ele percebeu minha insegurança.
— O que foi? — perguntou ele — Não precisa ficar com medo.
— Lembra dos 35%? — comentei com ele, meu olhar estava mesmo confuso e estranho, admito.
Ele riu com suavidade e segurou a minha mão.
— Olha, se eu fosse um psicopata e fosse te matar, não seria aqui, pode ter certeza. — ele riu mais da minha cara — Você disse que eu poderia escolher.
— Mas não imaginei que me traria em um lugar assim. — retruquei.
— Que namorada mais exigente. — brincou ele me fazendo rir agora — Me deixe te surpreender.
Assenti com a face e o deixei me guiar para dentro do lugar. Meu coração acelerou um pouco ao passarmos pela porta. A parte da recepção e o salão com as mesas parecia em reformas, com várias coisas fora do lugar, empoeirado e tudo revirado. Mas quando chegamos na cozinha, parecia outro lugar. Nunca imaginei que uma cozinha industrial pudesse ser tão linda, limpa e majestosa. Digna dos melhores chefs franceses.
— Uau. — disse olhando ao redor.
Por mais que em minhas veias havia sangue de jornalista, o universo da gastronomia conseguia me envolver de uma forma inexplicável. De repente me deu uma louca vontade de cozinhar ali.
— Eu… — se pronunciou ele me fazendo sentar em uma banqueta ali perto — Quero que fique aqui e me observe.
— O que vai fazer? — perguntei curiosa.
— Vou cozinhar para minha namorada. — ele sorriu de canto — Ela ficou com ciúmes de algumas panquecas que fiz para suas amigas.
Eu soltei uma gargalhada espontânea. Não acreditava que ele estava mesmo fazendo aquilo. %Sebastian% era um sonho, um sonho que me deixava com medo de acordar para a realidade em minha vida.
— Hum… — mordi o lábio inferior o observando se afastar e colocar o avental branco — Surpreenda-me chef Lewis.
— Com prazer
bella senhorita! — ele sorriu e voltou sua atenção para umas sacolas ao canto da geladeira.
Me debrucei sobre a bancada de trabalho de aço inox e fiquei o olhando. %Sebastian% havia me dito que eu ficava sexy enquanto cozinhava. Ele não tinha noção do que me causava naquele momento. Um homem como ele cozinhando para mim era mais do que sexy. Se Sophie entrasse em minha mente agora para ver meus pensamentos pecaminosos, diria que estava lendo uma de suas fics restritas mais obscuras.
Acho que deveria me comportar internamente.
— Você está bem silenciosa. — comentou ele enquanto fatiava em lâminas o pedaço de peito de frango.
O que será que ele planejava preparar?
— Estou apreciando a paisagem. — brinquei de forma ousada.
— Hum… — ele sorriu de canto mantendo o olhar no que fazia — Se eu soubesse que gostava dessa paisagem, tinha feito a mais tempo.
Não diga isso… Não alimente minha imaginação… Isso não ajuda. — O que você pretende com isso?! — cruzei os braços o olhando.
— Te proporcionar as melhores noites da sua vida. — ele parou o trabalho com as mãos e me olhou.
Aquele olhar intenso e malicioso, que me deixava sem fôlego e ao mesmo tempo assustada.
— Se ficar me olhando assim, vai atrasar o jantar. — brinquei com ele.
— Temos a noite toda pela frente. — ele se afastou da bancada e se aproximou de mim — A não ser, que tenha outros planos para amanhã de manhã.
— %Sebastian%. — o parei com minha mão.
— Do que está com medo? — perguntou ele deixando o olhar mais suave.
— Não estou com medo de nada. — sorri de leve.
Ele segurou em minha mão e tomando impulso, me beijou de surpresa. Rendida, retribui o beijo e mantive meu rosto próximo ao dele depois. Meu coração acelerado e meu corpo trêmulo.
Ele riu com leveza e se afastou.
— Da próxima vez, será na minha casa. — alertou ele — Assim, não terá como fugir de mim.
Ele manteve um sorriso presunçoso no rosto e continuou a cozinhar. Em poucos minutos, o lugar todo foi tomado pelo aroma atrativo dos temperos que utilizava. Ele parecia conhecer bem cada uma das técnicas que utilizava, o que me intrigava um pouco.
Desde quando %Sebastian% sabia cozinhar com a perfeição de um verdadeiro chef de cozinha? — Estou curiosa agora. — comentei o olhando colocar as batatas ao forno para gratinar, regadas a azeite grego e vinho branco.
— Onde aprendeu a cozinhar. — expliquei a ele — A forma que prepara as coisas, não é de uma dona de casa comum como eu.
Brinquei com a colocação.
— Quer saber mais 5% sobre mim? — brincou ele.
— Minha mãe é chef, e dona deste restaurante. — contou ele com tranquilidade.
Meu corpo gelou quando ele usou a palavra
mãe. O que me lembrou de seu convite para o natal. A insegurança voltou, ao pensar em como sua mãe reagiria a mim. Particularmente, eu não seria contra Joseph se relacionar com uma mulher mais velha. Claro que somente após a maioridade. Entretanto, nem todas as mães são compreensíveis e apoiam as escolhas dos filhos, como eu.
— Sua mãe… — respirei fundo.
Agora me sentia uma colegial assustada.
— Não precisa ficar nervosa, minha mãe é uma pessoa legal. — contou ele — Ela está abrindo esta filial aqui em Manhattan, mas vai continuar na matriz em Los Angeles.
— Hum… — me encolhi um pouco.
Agora estava explicado suas habilidades com a cozinha. E ainda teve coragem de dizer que nosso acordo de eu cozinhar para ele, era por me achar sexy de avental. Mercenário.
— Quer aproveitar para perguntar mais alguma coisa? — continuou ele, concentrado no que fazia.
— Tem irmãos? — perguntei.
— Só vai conhecer minha família, se vier para nosso natal. — assegurou ele.
— Isso é uma chantagem?! — perguntei indignada.
— Bem… — ele me olhou — Chantagem seria se eu me recusasse a te beijar se caso não fosse comigo, mas não sei se resistiria assim.
— Você é irresistível. — afirmou com firmeza.
Meu coração acelerou um pouco com aquilo.
— Termine logo nosso jantar, estou ficando com fome. — disse mudando de assunto.
Ele riu de mim e continuou. De entrada, saboreamos salada caesar com croûtons, o prato principal contou com filé de frango à parmegiana, com arroz e batatas gratinadas. Tinha que admitir, ele cozinhava bem. Se aprendeu com a mãe, posso afirmar que se igualava ao meu filho Joseph no aprendizado.
— Então? — perguntou ele.
— Congratulations. — sorri de leve para ele — Foi bom enquanto durou.
— Pode durar o tempo que quiser. — ele sorriu de volta para mim — Eu sou todo seu, e posso ser a sobremesa.
Senti meu corpo arrepiar de leve, e respirei fundo. O olhar de %Sebastian% não ajudava nem um pouco. Ele se aproximou mais para me beijar, porém meu celular tocou na hora. Era uma chamada de casa.
— Joseph?! — disse ao atender.
—
Mãe, tem algo de errado com a Molly, ela está passando mal. — disse meu filho mantendo a calma, mas com um tom preocupado.
— O que ela está sentindo? — perguntei já me preocupando.
—
Ela está vomitando desde a hora que cheguei da escola, e está com febre também. — explicou.
— Joseph, pegue os documentos da sua irmã e os seus, chame um táxi e leve ela ao hospital agora. — ordenei já me levantando da banqueta e pegando minha bolsa — Eu encontro vocês lá.
—
Tudo bem. — assentiu meu filho.
— O que aconteceu? — perguntou %Sebastian%, assim que encerrei a ligação.
— Molly está passando mal, preciso ir. — expliquei a ele.
— Eu te levo. — disse pegando os capacetes.
Assenti sem hesitar. Eu tinha que chegar o mais rápido possível no hospital. Ele manteve a velocidade alta, se assegurando dos perigos do trânsito. Quando chegamos no hospital, Joseph também chegava com a irmã.
— Joaninha, o que está sentindo? — perguntei ao pegá-la no colo — Mamãe está aqui!
— Minha barriga dói. — disse ela em sussurro.
— Vamos levá-la para dentro. — disse %Sebastian% ao cumprimentar com o olhar meu filho.
O médico pediatra de plantão nos atendeu prontamente. Para minha surpresa sempre, ele conhecia %Sebastian%. O dr. Collins era simpático e educado, muito eficiente e conseguiu deixar Molly calma diante dos exames que teve que submetê-la. O diagnóstico final foi intoxicação alimentar. A forma que seu corpo encontrou para repelir e combater, foi através dos vômitos e da febre. Eles fizeram um breve procedimento de lavagem estomacal para limpar todos os vestígios restantes. Meu coração se partiu ao vê-la tão amuadinha com tudo aqui.
— Bem, esta mocinha vai ficar no soro por esta noite e amanhã se estiver tudo bem com ela, poderá ter alta. — disse o dr. Collins ao escrever algo em seu prontuário.
— Mas ela está mesmo bem? — disse me mantendo ao lado de minha filha, deitada na maca.
Continuei acariciando os cabelos dela.
— Sim, o pior já passou. — assegurou o dr. — O fato dela ter vomitado foi nossa sorte, se as substâncias tivessem ficado mais tempo em seu organismo, o estrago poderia ser pior.
— Joaninha, não pode sair comendo as coisas sem saber se estão saudáveis. — eu a olhei com suavidade, mesmo tentando repreendê-la, estava com o coração apertado.
— Desculpa mamãe, eu estava com fome. — seu olhar choroso me deixou rendida.
— Está tudo bem agora. — lhe dei um beijo na testa — Mamãe vai cuidar de você.
Eu sorri para minha filha e pisquei de leve, então olhei para o dr.
— Agradeço pelos cuidados com ela. — disse um pouco mais aliviada.
— Dr. Collins?! — uma funcionária entrou no quarto — Me desculpe atrapalhar, mas preciso que um dos pais assinem os documentos de internação e atendimento.
Ela falou:
Um... dos... pais? Voltei meu olhar assustado para %Sebastian%. Será que ela achou que ele é o pai de Molly?
— Eu resolvo isso. — disse %Sebastian% com firmeza — Fique com ela.
Ele saiu do quarto seguindo a funcionária para a recepção. Foi então que me lembrei toquei que não tinha plano de saúde e nem dinheiro para pagar as contas do hospital. Mais uma vez a realidade batia na minha porta de uma forma arrasadora. Engoli meu orgulho e revolta por minha situação financeira e enviei uma mensagem a Carl, dizendo o que tinha acontecido. Pedindo que viesse e pagasse a conta do hospital.
Não demorou muito, até que ele chegou. Deixei Joseph com Molly no quarto e segui para a recepção. Me deparei com Carl e %Sebastian% se encarando em silêncio.
— Agradeço por vir. — disse ao Carl.
— Eu sou o pai dela, é meu dever. — disse ele com o olhar prepotente.
Pelo menos tem consciência disso.
— Mas parece que outra pessoa pagou a conta antes que eu chegasse. — disse ele num tom raivoso.
— %Sebastian%?! — olhei para ele que se manteve ao meu lado.
— A recepcionista me pediu que pagasse antecipadamente enquanto preenchia a ficha. — explicou ele com tranquilidade.
— Me diga o valor que pagarei de volta. — disse Carl com sua arrogância.
— Não precisa, fiz isso pela %Nalla%. — retrucou %Sebastian%.
— Ah, pela %Nalla%. — Carl riu de forma debochada.
— O que está querendo insinuar Carl? — perguntei a ele, já me irritando com aquele olhar superior.
— Agora entendo o motivo da minha filha estar internada. — disse ele.
— O que? — eu fiquei ainda mais perplexa — Você pode explicar melhor?
— Que belo papel de mãe, exemplar, agora estou vendo como cuida de nossos filhos, deixando Molly quase morrer intoxicada enquanto fica se agarrando com o vizinho da casa ao lado. — ele cuspiu suas palavras cheias de veneno.
Senti %Sebastian% tomar impulso com seus punhos fechados. Certamente querendo socar a cara de Carl. Eu o impedi, colocando a mão em seu tórax, o parando no meio do caminho. Não queria causar uma confusão ali. Minha filha estava se convalescendo de um mal-estar.
— Deixa que eu resolvo. — assegurei a %Sebastian%, então olhei para Carl — Minha vida particular não te interessa, e não interfere em nada no meu papel como mãe, %Sebastian% é sim meu namorado, e posso afirmar que ele está bem mais presente na minha vida e na dos nossos filhos, do que você jamais esteve.
— Vai embora Carl. — disse num tom firme com ele — Assim que nossa filha tiver alta, te mando uma mensagem.
Ele engoliu seco, de punhos fechados, olhando a aproximação do segurança do hospital. Se virou e seguiu em direção a saída. Eu respirei fundo, me sentindo cansada. %Sebastian% me amparou com seus braços e me abraçou forte.
— Está tudo bem. — sussurrou ele para mim — Estarei aqui até quando quiser.
— Obrigada — sussurrei de volta.
Eu decidi passar a noite com Molly e pedi %Sebastian% para levar Joseph para casa. Na manhã seguinte, mandei uma mensagem para Sophie, Molly teria que passar mais algum tempo no hospital até que sua flora intestinal estivesse restabelecida. Mais uma dor de cabeça para mim. Sem emprego, com a filha internada. O mundo parecia querer desabar sobre minha cabeça.
— Amiga, vim assim que pude. — disse ela ao entrar no quarto de Molly.
Minha filha estava dormindo.
— Sophie. — caminhei até ela e a abracei — Eu não sei se aguento sobreviver a tudo isso.
— Calma amiga. — ela me abraçou forte — O que aconteceu? Você me falou um monte de coisas ao mesmo tempo, só consegui focar na Molly. Ela está bem?
— Sim, está. Felizmente está se recuperando bem. — respondi a ela.
— Vamos tomar um café? Sua cara avisa que precisa. — brincou ela ao sorrir para mim.
— Vamos, Molly ainda está dormindo, vou pedir a enfermeira para observá-la. — assenti.
Seguimos para a cafeteria do hospital e sentamos em uma mesa vazia. Pedimos dois cappuccinos e um brownie para cada uma.
— Ok, agora desabafa e me conta tudo do início. — pediu ela.
— Qual início? — perguntei inocente.
— Até domingo à noite você estava bem e animada com o artigo do jornal, agora está desempregada com a filha no hospital. — disse ela.
Eu suspirei fraco e comecei a contar toda a história, sem muitos detalhes nas partes envolvendo o vizinho para que ela mantivesse o foco. Quando cheguei na parte do editor Frederick, depois do homem do bar e encerrando com a frase de Carl na noite anterior… Os olhos raivoso de Sophie me deram medo, mas ela não estava errada.
— Eu ainda não entendo como você teve a coragem de impedir %Sebastian% de socar ele. — ela parecia mais revoltada comigo.
— Sophie, estamos em um hospital, minha filha em repouso, o que eu menos queria era mais confusão. — expliquei a ela — Além do mais, as palavras de Carl deixaram de me afetar já faz tempo, o fato dele ter dito aquilo, só mostra que está com dor de cotovelo por meu namoro.
— Isso é um fato. — ela soltou uma gargalhada, mas se ponderou — Aquele ridículo do Carl achou que você entraria em depressão sem ele, e se afundaria correria atrás dele, pedindo para voltar.
— Ao contrário, agora estou vivendo a vida que nunca vivi ao lado dele. — completei — Vivendo minha liberdade.
— Viva a liberdade. — ela elevou o copo de cappuccino e sorriu animada — Mas e agora? Como fica, sem jornal, desempregada… Carl está pagando as contas do hospital né?
— Para ser honesta, quem está pagando é %Sebastian%. — confessei.
— Não brinca? — ela ficou boquiaberta — Gente, de onde esse saiu tem mais?
— Pare de bobeira Sophie. — eu bati no ombro dela — Deixa o Will saber disso.
— Ai, foi brincadeira. — ela riu debochada — Will sabe que só tenho olhos para ele e o Tony Stark, sou uma mulher muito fiel.
— Sei. — ri dela — E como estão indo?
— Bem, tirando minha sogra e sua cobrança sobre querer netos, estou muito bem. — disse ela.
— Tem certeza? — eu a olhei mais séria — Sempre que tocamos nesse assunto, você foge dele e diz só que não está pronta para ter filhos.
— E não estou mesmo, ainda tenho muito para curtir antes de acordar de madrugada para trocar fraldas. — ela cruzou os braços — Não tenho essa vocação.
— Pois quando você segurar aquele bebê fofinho nos braços e sentir o calor do corpo dele, tenho certeza que nem vai se lembrar das fraldas. — ri de leve para ela, que me fez careta.
Dois dias acompanhando Molly no hospital, e finalmente ela teve alta. Voltamos para casa de táxi, não queria incomodar %Sebastian%. Liguei para Carl pedindo que passasse em minha casa para pegar a receita médica. Nossa filha teria que tomar alguns remédios ainda. Ele disse que não podia e que estava viajando. Achei estranho aquilo, e mais uma vez me peguei preocupada com minha situação financeira. Como eu conseguiria manter a casa agora.
— Aqui mãe. — disse Joseph ao entrar em casa com algumas sacolas na mão.
— O que é isso? — perguntei ao pegar as sacolas.
— Os remédios da Molly. — respondeu ele.
— E como conseguiu dinheiro para isso? — perguntei a ele intrigada.
— Com meu trabalho. — respondeu com tranquilidade.
— Trabalho? —
como assim? — Consegui um trabalho de meio período em uma construtora, indicação do seu namorado. — explicou ele — É depois da aula e não atrapalha meus estudos, e aos sábados estou ganhando uma grana corando gramas também.
— Não precisa se sacrificar por nós. — meu filho se aproximou de mim e segurou em minha mão — Eu quero te ajudar mãe.
— Querido, deveria estar focado nos estudos, eu sou a sua mãe, essas questões de dinheiro… — tentei argumentar, mas o olhar dele era firme diante de mim — Tudo bem, mas se eu ver que vai te atrapalhar em algo.
— Não vai, eu juro. — assegurou ele — Ainda serei o melhor aluno da turma.
Eu sorri de leve e lhe dei um beijo na testa.
— Você é o melhor filho do mundo. — disse a ele com toda certeza.
— Isso me deixou com ciúmes. — disse %Sebastian% ao aparecer na porta para a cozinha.
— Não me olhem assim, vocês deixaram a porta da cozinha aberta. — alertou ele.
— Acho que fui eu. — admiti.
— Eu tenho que ir agora mãe, meu trabalho de meio período me espera. — disse Joe se afastando de mim.
— Até mais tarde e cuidado. — o olhei com carinho até sair e fechar a porta.
Então voltei meu olhar sério para %Sebastian%.
— O que eu fiz de errado agora? — perguntou ele vindo até mim.
— Que história é essa de conseguir um emprego para meu filho? — disse parando-o com minha mão direita.
— Eu ia te contar, mas ele me pediu segredo até ele contar pessoalmente. — explicou ele — Não queria trair a confiança do seu filho.
— Tudo bem. — abaixei a mão — E que construtora é essa?
— De um amigo do meu pai, sempre executa meus projetos, assim tenho alguém pra ficar de olho nele e não vão deixar que se machuque, a remuneração também é boa. — ele sorriu e piscou de leve — Ainda está brava?
— Como sabe quando estou brava?! — perguntei curiosa.
— Você fica atraente brava. — ele sorriu de canto.
— Pare com essas colocações para mim. — me afastei dele — Mas… Obrigada pelo problema com o hospital.
O valor excedente também havia sido pago por ele. Isso me deixava um pouco envergonhada.
— Está tudo bem, foi um prazer ajudar. — disse ele tranquilamente.
Eu suspirei e sentei no sofá. Fechei meus olhos e um turbilhão de pensamentos veio em minha mente. Até que tudo ficou estático e em branco, quando %Sebastian% me beijou de surpresa. Retribui o beijo, sentindo seu corpo mais próximo do meu, me fazendo arrepiar um pouco quando sua mão tocou em minha cintura.
— Mamãe?! — a voz de Molly nos fez afastar da forma mais rápida possível.
— Oi querida. — olhei para ela e depois para ele que segurava o riso — Está tudo bem?
— Estou com fome. — disse ela.
— Então, o tio %Sebastian% vai te preparar a melhor sopa de legumes do mundo. — ele se levantou do sofá — E te garanto que é melhor que da sua mãe.
— Sério?! — Molly se empolgou um pouco — Eu duvido.
— Então venha comigo e observe o chef Lewis em ação. — disse ele ao segurar em sua mão e levá-la para cozinha.
Eu me pegue boba e paralisada apreciando a cena. Quantas vezes desejei que Carl agisse assim com nossa família, mas era sempre tão frio. Balancei a cabeça negativamente afastando os pensamentos de comparação. Carl era passado, e a única coisa que compartilhava com ele, eram nossos filhos. Me levantei do sofá e fui para cozinha, me sentei na cadeira ao lado de Molly e fiquei observando o vizinho abusado preparar a tal sopa.
Quando ele terminou e serviu minha joaninha, ela tomou tudo sem dar um pio.
— Então?! — perguntou %Sebastian% ansiosa por seu comentário.
— Hum… Acho que já pode se casar com a mamãe. — disse ela abrindo um largo sorriso — Está mesmo mais gostosa.
— Ah, traidora. — olhei para ela me fazendo de ofendida e indignada.
— Você ouviu?! — %Sebastian% me olhou com malícia — Ela disse que podemos nos casar.
— Pare de dar essas ideias mocinha, e venha comigo que a ordem médica é repouso. — ela a peguei pela mão e a levei para o quarto.
Deixei o notebook próximo da sua cama para que pudesse ver alguns desenhos na Netflix. Então voltei para a cozinha e me deparei com %Sebastian% lavando as vasilhas sujas.
— Se continuar assim, vou deixar você arrumar toda a casa, que está uma bagunça. — comentei brincando.
— Você quer? — ele desligou a torneira e me olhou sério.
— Era brincadeira. — disse a ele.
— Eu nunca brinco. — ele sorriu de leve e veio me dar um selinho — Descanse que eu arrumo sua casa.
— %Sebastian%, para, não precisa. — eu segurei em sua mão — Daqui a pouco vou ter que concordar com a Sophie e dizer que isso aqui virou uma fanfic.
— É surreal o que está fazendo por mim. — disse a ele.
— Esqueça o tradicional e vamos viver a nossa realidade. — ele segurou em minha cintura e me aproximou dele — Me deixe cuidar de você.
— Não diga nem mais uma palavra. — ele sorriu de canto — Agora, deite naquele sofá e deixe que seu namorado faxine sua casa.
— O que você pretende com isso, me fazer fantasiar coisas em minha cabeça? — indaguei.
— Hum… Eu não tinha pensado nesse contexto, senhorita você está me saindo muito provocante agora, depois sou eu que tenho pensamentos pecaminosos. — ele brincou.
— Eu não disse nada comprometedor. — em minha defesa.
— Mas tenho certeza que pensou. — ele se afastou de piscou de leve — Se quiser mais alguma coisa de mim além de beijos, só me chamar.
Ele saiu da cozinha me deixando mais sem reação ainda.
Estava me limitando a mão pensar no
“mais alguma coisa além de beijos”.Pele com pele
Meu coração se desarma
Você me faz bem
Acendes luzes na minha alma
- Creo en Ti / Lunafly