7 • Kiss
Era estranho acordar cedo na segunda-feira e não ter o Liberdad para ir. Já estava mais do que acostumada com a rotina de dois empregos e muita diversão ao longo do dia, apesar da correria. Viver aquela nova realidade de vida pós divórcio estava a cada dia se tornando mais empolgante. Principalmente quando a noite chegava e eu tinha vários assuntos para compartilhar com meus filhos em meio nossas maratonas de filmes da Netflix ou Amazon.
Naquela manhã, acordei com o doce som da reforma ao lado. O barulho dos instrumentos que %Sebastian% usava, não me incomodava mais, pelo contrário, me ajudavam a acordar pontualmente às seis da manhã. E isso me lembrou que eu tinha um café da manhã pendente. Troquei de roupa correndo e desci as escadas quase tropeçando, quando entrei na cozinha, meu corpo gelou ao deparar com %Sebastian% sentado na mesa tomando café da manhã com meus filhos.
Oi? Pensei comigo.
O que aconteceu aqui? — Bom dia mamãe. — disse Molly ao me ver paralisada da porta.
— Bom dia querida. — sussurrei não acreditando na cena.
— Vamos joaninha, não podemos atrasar, tenho prova hoje. — disse Joseph ao se levantar da cadeira.
— Até mais vizinho. — disse Molly segurando o riso.
— Bom dia mãe. — disse Joseph ao se aproximar de mim e me dar um beijo na bochecha — Ele já sabe que eu sei.
Assenti com o olhar e dei um abraço em Molly antes dela seguir o irmão.
— Bom dia. — disse a %Sebastian% que continuou comendo tranquilamente.
— Bom dia. — ele deu mais uma garfada — Ainda me deve panquecas.
— Você está comendo. — disse ao me aproximar da mesa — E com muita geléia.
— Foi o seu filho que fez, não você. — retrucou ele sorrindo de canto.
— Posso compensar depois? — perguntei.
— Não vou estar em casa amanhã, considere o jantar cancelado. — disse ele tranquilamente — Nem hoje há noite.
Eu tive uma leve vontade de perguntar onde ele iria, mas não era da minha conta.
— Você está aqui e tem barulhos do outro lado da cerca, seu primo ainda está aqui? — perguntei me sentando na cadeira em sua frente.
— Sim, mas fique tranquila, ele já tomou café.
— Não é por isso. — eu ri — Como veio parar sentado na minha cozinha?
— Seu filho me convidou para o café. — respondeu parando e me olhando.
— Sim, ele disse que sabia de tudo e me convidou para o café. — contou com um sorriso espontâneo — Ele queria fazer algumas perguntas sobre aquela noite.
— Contei minha versão e assumi a culpa, afinal foi minha mesmo. — ele manteve seu olhar fixo em mim — Fiz errado?
— Não, não fez, eu não gosto de mentir para meus filhos. — assegurei.
— Joseph é um bom filho, gostei dele. — ele deu um sorriso disfarçado — Obrigado pelo café, mas tenho uma obra para terminar.
— Você conseguiu chegar na metade? — perguntei — A casa é grande.
— Mais ou menos. — ele se levantou da cadeira — Mas acho que consigo terminar a tempo.
— Tempo de que? — fiquei curiosa.
— De você terminar comigo. — seu olhar ficou um pouco caído — Bom dia.
Ele se afastou da mesa e saiu para o quintal. Permaneci por um tempo pensativa em suas palavras finais. Será que ele só ficaria na casa ao lado até o final da obra? Terminei de tomar o café da manhã e arrumei a cozinha, a cada vez que eu passava na frente da janela, não me continha em olhar para fora. Foram raros os momentos que vi ele dando instruções ao seu primo. Eu tinha que chegar antes do almoço na redação, então deixei a comida congelada no congelador e um recado para Joseph na geladeira. Corri para o quarto e me aprontei para o trabalho, peguei minha bolsa jogando tudo que precisava dentro e saí em direção a mais um dia de luta.
— Bom dia meninas. — disse ao chegar na minha mesa na redação e ir sentando.
— Olha só quem chegou pontualmente. — comentou Lizzy.
— Genevieve disse que nos queria aqui antes do almoço. — retruquei — Onde está a Beth, não a vi no caminho para cá.
— Ela ligou falando que foi hospitalizada. — respondeu Sunny.
— O que aconteceu com ela? — olhei preocupada.
Beth não era de se machucar, e mesmo gripada ia para o trabalho.
— Ela disse que era alguma coisa envolvendo a apêndice dela. — explicou Sunny — A Hill foi até lá ver como ela está e pegar seu atestado para entregar no Rh.
— Espero que ela se recupere rápido. — disse voltando minha atenção para o computador e o ligando — Genevieve já chegou?
— Não sei porque ela pede pra gente chegar cedo, se ela mesma não chega. — reclamou Lizzy se debruçando na sua mesa — Que dor, que ressaca.
— Eu disse que não era uma boa você ir naquela festa dos calouros. — Sunny riu.
— O que aconteceu com ela? — perguntei segurando o riso.
A situação de Lizzy me fazia querer rir, mas com respeito.
— A última festa dos calouros que fui, foi a minha há dois anos atrás, eu sempre estou aqui nessa redação me matando para ter dinheiro. — reclamou novamente Lizzy.
— Deveria gastar com sabedoria. — Sunny riu sem dó da amiga.
— Sei o que é ter o orçamento apertado, tenho dois filhos e não é fácil. — assegurei a ela.
— Você deveria ser estudada pela NASA então. — Lizzi me olhou.
— Eu tenho dois empregos, ou melhor, tinha. — argumentei.
— E como está a cafeteria? Alguma novidade? — perguntou Sunny.
— Bom, pelo que meu amigo disse, ele está tentando encontrar recursos financeiros para começar a obra, já que o projeto já está pronto. — respondi.
O que me levava a pensar. Em que hora do dia %Sebastian% trabalhava? Já que ele sempre estava envolvido com a reforma da casa. Olhei para o lado e vi Genevieve saindo do elevador acompanhada de Hill. Ela se aproximou de nós e nos convidou para ir a sua sala. Parecia importante.
— Para as mais antigas na redação, vocês sabem que aqui temos que lutar contra o sistema patriarcal que acha que mulher não lê um jornal. — disse ela ao se sentar na sua cadeira de executiva — Mais uma vez meu projeto foi negado, porém vamos continuar mostrando para eles que os números só aumentam nos dias em que nosso caderno vai às bancas.
— Babacas. — sussurrou Lizzy.
— Tem mais algo que possamos fazer? — perguntou Hill, seu olhar decepcionado igualava o da nossa chefe.
— Não Hill, só continuar trabalhando como sempre. — ela respirou fundo — Vocês poderiam me deixa a sós com a %Nalla%?
— Sim. — concordaram elas.
— Ah, Hill, como está a Beth? — perguntou Genevieve antes delas saírem.
— Ocorreu tudo bem, e ela vai se recuperar rápido, deve ganhar alta em poucos dias, já levei os papéis do hospital no Rh. — respondeu ela prontamente.
Assim que as garotas saíram. De frustração, o olhar de Genevieve se transformou em preocupação.
— Sente-se %Nalla%, o assunto é sério. — disse ela estendendo a mão para a cadeira em sua frente.
— Ok. — assenti me sentando — Qual o problema?
— Desde que entrei para a redação, algumas pessoas da diretoria não foram comigo, por causa do meu temperamento ou da minha personalidade, talvez. — começou ela num tom baixo, com um toque de recordação na voz — Quando finalmente me tornei editora chefe, as coisas pareceram ficar mais fáceis para mim, até que lançamos uma pequena coluna na última página falando sobre assunto femininos, era somente aos domingos… Aos poucos foi se tornando o caderno mulher do qual nos orgulhamos muito, mas nem tudo dura para sempre.
— Do que está falando? — perguntei apreensiva por suas palavras.
— Tenho protelado essa conversa com você e as meninas, mas a diretoria decidiu me afastar do jornal por um tempo. — ela foi direta — Segundo eles, uma mente mais jovem e cheia de energia é o que nosso jornal precisa.
— E como vai ficar? Você? A gente? — eu não sabia o que pensar, era tudo o que faltava acontecer comigo, ficar sem o meu segundo emprego.
— Vocês vão continuar sem problema algum, o caderno mulher é um sucesso e eles não podem negar os números das vendas. — assegurou ela — Por isso estamos tendo essa conversa, quero te pedir um favor.
— Sim, claro, se estiver ao meu alcance. — a olhei.
— Por favor, faça de tudo para manter a qualidade do trabalho de vocês, comigo longe, tenho certeza que eles farão de tudo para sabotar nossa equipe. — não era somente um favor, mas conseguia sentir a preocupação dela quanto ao seu projeto de anos.
— Farei sim, tudo o que puder para isso. — disse com firmeza e segurança — Mas e você?
— Vou apresentar minha carta de demissão, não vou conseguir continuar aqui sem poder fazer nada. — ela suspirou fraco — É difícil imaginar que depois de anos me dedicando a este jornal, termine assim, mas tudo bem já estou acostumada, tudo tem seu início e seu fim. Sairei em grande estilo, com o NT Post sendo um sucesso.
— Desejo sucesso para você no futuro. — disse a ela dando um sorriso singelo.
— Pois eu que desejo a você, sua redações e textos são maravilhosos e tenho certeza que já está chamando muita atenção por aí. — ela piscou de leve e sorriu também.
Assim que saí da sua sala, os olhares curiosos das minhas colegas de trabalho vieram em minha direção. Com a permissão de Genevieve, contei a elas o que estava acontecendo e o que poderia vir a seguir. Não seria fácil para nós com a saída da nossa chefe, e certamente a diretoria iria fazer de tudo para nos aniquilar ali. Porém, tínhamos uma a outra para nos apoiar e seguir em frente fazendo um bom trabalho. Depois de duas horas olhando a tela do computador, comecei a sentir uma dor de cabeça horrível, tomei um comprimido, mas não resolveu muito. Me despedi das meninas e fui para casa, sabia que não conseguiria trabalhar lá daquela forma.
Voltei de táxi, por não me senti segura ao andar de ônibus ou metrô. Assim que paguei o taxista e desci do carro, dei dois passos até a escada de três degraus da minha varanda. Senti um mal estar repentino que fez meu corpo bambear, logo fui amparada por alguém que me segurou firme, me apoiando a ele.
— Você está bem? — a voz de %Sebastian% estava baixa, mas preocupada.
— Estou. — levantei meu olhar para ele.
Só então notei que seu rosto estava bem próximo ao meu. Conseguia sentir sua respiração. Voltei rapidamente meu olhar para a rua abaixando minha face, vi as vizinhas do clube da varanda nos observando. Claro que toda a rua sabia sobre nós, Freya não tinha economizado na língua para confirmar os boatos.
— Acho melhor eu entrar. — sussurrei ficando incomodada com aqueles olhares atravessados para mim.
— Eu te ajudo. — disse me mantendo apoiada nele.
Assenti sem recusa, pois estava mesmo me sentindo estranha.
— Mãe? — disse Joseph ao terminar de descer as escadas e me ver entrando — O que aconteceu?
— Ela não está bem. — disse %Sebastian% me conduzindo até o sofá.
— Um mal estar querido. — disse com a voz mais baixa.
— Obrigado. — disse Joseph para nosso vizinho.
— Se precisarem, minha casa é ao lado. — %Sebastian% sorriu gentilmente e se voltou para porta.
— Obrigada. — disse a ele, antes de sair.
Seu olhar intenso veio em minha direção, seguido de um sorriso disfarçado. Mas notei que ele tinha ficado preocupado comigo.
— Mãe, o que aconteceu? — perguntou Joseph ao se sentar ao meu lado — Quer que te leve ao hospital?
— Não, eu só preciso descansar, acho que minha mente ainda não processou tudo que está acontecendo comigo. — brinquei — Mas vou melhorar.
— Tem certeza? — seu olhar preocupado estava ali.
— Tenho. — me levantei do sofá — Só preciso dormir.
Dei um beijo de leve em sua testa e segui para meu quarto. Foi somente um banho quente e o pijama no corpo, meu corpo se rendeu ao aconchego da cama, de fazendo dormir durante todo o dia. O dia, a noite e só me dei conta de quem era eu, quando meu celular me acordou com uma ligação de Sophie às oito da manhã do dia seguinte. E ela parecia insistir bastante em falar comigo.
—
Ah, %Nalla%, finalmente. — disse ela num tom afobado —
Estou te ligando desde ontem. —
E o que aconteceu? Eu liguei para a redação me disseram que tinha saído mais cedo, liguei para sua casa e Joseph disse que tinha se fechado no quarto, liguei para o celular e nada de me atender. Não atender Sophie era pior que não atender a minha mãe. E em momentos raros, Sophie parecia mais ser minha mãe.
— O que você quer Sophie? — perguntei.
Senti que meu corpo e minha mente ainda processavam que eu tinha acordado.
—
Está tudo bem com você? — perguntou ela.
— Sim, estou bem, minha cabeça começou a doer ontem de repente, senti mal estar quando cheguei em casa, acho que foi somente um cansaço repentino, tenho andado muito preocupada e com muito trabalho a fazer. — me espreguicei da cama, erguendo meu corpo — Mas estou bem, fique tranquila.
—
Que bom. — ela pausou por um tempo —
Você ainda está na cama? —
Nada, café da manhã no sábado? — sugeriu ela —
Para colocar as fofocas em dia. — Sim senhora. — eu ri — Acho que hoje vou trabalhar de casa, ainda estou sentindo minha cabeça pesada.
—
Não vai se forçar muito. — aconselhou ela.
— Não vou, agora vai trabalhar amiga. — ri dela e encerrei a ligação.
Me espreguicei novamente, bocejando um pouco, então me levantei. Troquei de roupa, colocando um jeans rasgado e uma regata, que encontrei no fundo da gaveta, retirei um sobretudo de crochê bege do cabide e o vesti também. Desci as escadas e encontrei Molly ensaiando no meio da sala. Com a correria da minha vida, cheia de notícias ruins e preocupações em como pagar todas as contas, tinha me esquecido que o concurso de talentos se aproximava.
— Bom dia joaninha. — disse ao sorrir para ela.
— Bom dia mamãe. — ela sorriu mantendo a concentração na sua coreografia.
— Por que a mocinha não está na aula? — perguntei, colocando a mão na cintura.
— Um cano estourou e a escola inteira ficou encharcada. — explicou ela — Tivemos que voltar para casa.
— Mas a diretora garantiu que não vai atrapalhar o concurso. — garantiu ela.
— Mãe, você se esqueceu? — ela parou e me olhou chateada.
— Não querida, eu anotei na minha agenda, só quero confirmar. — tentei contornar a situação.
— É na sexta agora. — seu olhar encheu de água.
— Ah querida. — eu a abracei forte — Eu não me esqueci joaninha, estarei lá na sexta.
— O papai também vai? — ela me olhou esperançosa.
— Eu não posso confirmar por ele, mas vou ligar o lembrando. Ok?
— Ok! — ela sorriu com alegria.
Eu me afastei dela e a deixei ensaiando, então me voltei para a cozinha. Tinha um bilhete de Joseph na geladeira, me dizendo que eu ainda devia um café ao vizinho. Eu ri automaticamente e abri a geladeira, retirei a jarra de suco e despejei um pouco no copo, então voltei para a sala. Tomei um gole pequeno e cheguei perto da janela. Notei que %Sebastian% estava trabalhando na fachada da casa, trocando o assoalho de madeira da varanda. Abri a porta e saí para fora, olhei de relance para o clube da varanda do outro lado, tinha poucas integrantes naquele dia.
Os olhares delas vieram para mim por um momento, e depois voltaram para ele. Eu dei alguns passos até ficar na ponta da minha varanda, e olhei para %Sebastian% trabalhando. Ele permanecia bastante concentrado no que fazia, até seu primo Cedric me ver e comentar minha presença. %Sebastian% parou no mesmo momento e olhou em minha direção. Um sorriso espontâneo, com traços de alívio em me ver se formou em seu rosto. Ele deixou a ferramenta que estava em sua mão no chão e seguiu em minha direção. Senti meu coração acelerar um pouco, talvez por não saber o que ele estava planejando fazer com seus movimentos inesperados.
— Está melhor hoje? — ele subiu até o terceiro degrau se colocando em minha frente, era visível sua altura mais elevada em relação a minha.
— Sim, acordei bem melhor. — assegurei — Só estava cansada.
— Hum… — ele lançou um sorriso malicioso e pegou o copo de suco da minha mão — Obrigado.
Antes que eu pudesse reivindicar, ele tomou todo o líquido em poucos goles, me deixando embasbacada. Tombei a cabeça sem notar olhando ele agir com a maior naturalidade.
— Foi você que fez? — perguntou ele me devolvendo o copo.
— Foi meu filho. — respondi ainda sem saber como reagir.
— Ele herdou seu talento para gastronomia. — ele sorriu novamente e voltou seu olhar para o outro lado da rua.
Me controlei para não fazer o mesmo, e as senhoras acharem que eu estava provocando elas.
— Acho melhor eu voltar ao trabalho. — disse ele se afastando de mim.
Assenti observando ele voltar a sua varanda. Tombei mais a cabeça e fiquei um tempo observando ele trabalhar novamente. Para um arquiteto, ele tinha muita habilidade com trabalho braçal, a considerar pela cozinha que foi o primeiro cômodo da casa a ficar pronto. Imagino o motivo: nosso acordo! Será que em algum momento de sua jovem vida ele foi algum tipo de empreiteiro? Isso me faz lembrar os comentário da Sophie sobre os Irmãos a Obra. Soltei uma risada baixa e voltei para dentro de casa, Molly não estava mais na sala, certamente em seu quarto fazendo as atividades extras da escola.
Soltei um suspiro forte e segui em direção a cozinha. Retirei o celular do bolso e mandei uma mensagem para %Sebastian% dizendo que faria o almoço dele e se seu primo. Ainda me perguntava como ele tinha conseguido meu número. Será que tinha sido com o Finn? Voltei minha atenção para a geladeira e cocei a cabeça me perguntando o que faria. Saiu um rápido macarrão a carbonara. Separei um pouco em uma vasilha e levei para eles, deixando no microondas. Ao voltar para casa segui para meu quarto novamente, não estava com fome e tinha que correr atrás do prejuízo, se trabalharia em casa aquele dia, tinha que produzir algo.
— Hum!!! — me espreguicei de leve após terminar de escrever mais uma página do meu artigo de três partes e olhei para a porta.
Joseph estava parado me olhando, com um sorriso no rosto.
— Olá querido, que sorriso é esse?
— Seu filho é o melhor aluno da escola. — ele sorriu com orgulho e piscou, entrando no quarto.
— Olha só, e como consegue essa proeza se vive jogando de madrugada? — perguntei, colocando o notebook na mesa de canto e o olhando se aproximar — Tem alguma namorada nerd que faz os trabalhos para você?
— Eu não preciso explorar uma garota para ser o melhor. — ele riu e se jogou na cama me olhando — Estava trabalhando?
— Sim, tinha que terminar a primeira parte daquele artigo que te falei. — disse a ele.
— Não exatamente como eu queria, por que tenho algumas restrições, tem coisas que não devo falar. — respondi ponderadamente — Viva o patriarcado.
Não impedi que saísse com ironia e deboche aquela última frase.
— Como a tia Sophie sempre diz, fique famosa que logo poderá falar o que realmente quer. — comentou ele.
— Verdade, e por falar em Sophie, o que não tem nada a ver com o que vou dizer agora. — e não tinha mesmo — Este final de semana vocês ficarão com seu pai.
— Sério? De novo? — ele fez uma careta estranha.
— Sim. — o olhei de forma compreensiva — Foi o acordo que fizemos, finais de semana com ele.
Eu já tinha me ausentado de saber sobre o que acontecia com eles enquanto ficavam com o pai. Carl os pegava no sábado pela manhã e os entregava domingo á tarde. Para quem olha é pouco tempo, mas sei que é significativo pois não podia deixar meus filhos se afastarem do pai. Por mais escroto que Carl tenha sido comigo, ele ainda era o pais de Molly e Joseph. E para minha surpresa tinha demonstrando muito interesse em passar os finais de semana com os filhos.
— Tudo bem. — seu olhar era de frustração, mas entendia e aceitava.
— Cuide bem da sua irmã, ok?
— Sempre. — ele sorriu e se aninhou em mim — Dela e de você.
— Olha aqui garoto, o filho aqui é você. — ri dele — Mas fico feliz que queira cuidar da sua mãe, isso me motiva bastante.
Dei um beijo em sua testa e acariciei seus cabelos. Ficamos alguns minutos ali até que Molly olhou da porta e fez bico.
— Vem joaninha, cabe você aqui também. — disse Joseph rindo dela.
— Achei que iria me excluir. — ela correu e deu um pulo em cima da cama.
Consequentemente fez um barulho.
— Só deixem minha cama inteira. — brinquei, os fazendo rir.
— Mamãe, podemos almoçar aqui? — perguntou Molly.
— Por que quer almoçar no meu quarto? — perguntei.
— Quero ficar perto de você.
Molly também não se sentia à vontade com o fato de ficar com Carl aos finais de semana. Apesar dela amar muito ele. Uma realidade nova para ela, e precisava de espaço para absorver tudo e se acostumar a ter duas casas, dois quartos e pais divorciados. Logo à noite, minha mente me fez deixar meus filhos, com nossa maratona da série Perdidos no Espaço em meu quarto. Eu só conseguia pensar no acordo, até que parei em frente sua porta e me lembrei que ele não estaria em casa e não iria precisar. Soltei um suspiro de:
como fui esquecer disso? Até que a porta se abriu e ele apareceu.
— %Sebastian%. — sussurrei.
— Oi. — seu olhar não estava surpreso ao me ver.
— O que faz em casa? — perguntei.
— O que faz na minha casa? — devolveu a pergunta.
— Eu me esqueci por um momento que não precisava fazer seu jantar hoje. — expliquei — Mas você disse que não estaria em casa.
— Sim. Já estou de saída.
— Hum… Bom passeio. — eu dei alguns passos para trás e voltei a passar pela cerca, ainda quebrada voltando para minha casa.
Que vergonha. Tudo que eu sentia naquele momento.
Peguei a garrafa de água na geladeira e despejei um pouco no copo e tomei. Por que eu fui esquecer, ele tinha mencionado ontem sobre isso. Logo o barulho da campainha soou e eu fiquei intrigada. Quem seria àquela hora da noite? Sophie não poderia ser, pois ele jantaria com seus sogros hoje. Carl já estava avisado que só poderia ir após aviso prévio. Meus pais era pouco provável. Poderia ser Marg com mais um de seus problemas conjugais. Fui para sala e gritei da escada que atenderia. Por certo naquela altura, Molly já tinha desmaiado na minha cama e Joseph estaria com fone no ouvido jogando mais um pouco. Meu filho gamer tinha tempo para ser o aluno popular e nerd da sala, isso me chocava.
— Boa noite, de novo. — disse %Sebastian% assim que abri a porta.
Me peguei paralisada pela surpresa, que nem minha voz saiu no momento.
— Me desculpe, se te assustei.
— Não… É que, só não esperava ser você.
— Imaginei. — ele sorriu meio sem graça.
— Aconteceu alguma coisa?
— Não, só vim te convidar para sair. — respondeu ele com tranquilidade no olhar.
— Me convidar? — olhei discretamente para aquela roupa que estava em meu corpo desde de manhã, fechei o casaco de crochê meio envergonhada — Assim, tão de repente?
— Quando eu disse que sairia, bem, não disse tudo. — ele manteve aquele olhar de sempre em mim.
— Eu… — olhei novamente para minha roupa.
— Você está linda, ou melhor você é linda, se é isso que te preocupa, suas roupas estão perfeitas. — disse com firmeza e segurança.
Sim. Minhas roupas me preocupavam.
— Então? — ele estendeu a mão para mim — É só uma volta no quarteirão.
— O que está planejando senhor vizinho arquiteto? — perguntei desconfiada.
— Não posso convidar minha namorada para um passeio noturno? — argumentou ele.
Minha namorada! Aquela expressão ainda paralisava minha mente de uma forma inexplicável. Será que ele queria que as pessoas nos vissem juntos? Mordi meu lábio inferior pensando se deveria ou não aceitar. E logo a voz de Sophie invadiu a minha mente. Eu sabia que se deixasse passar isso, minha amiga me internaria por que me chamaria de louca.
— Tudo bem. — assenti, com certa timidez, ao pegar em sua mão.
— Sua mão está fria. — comentou ele — Não precisa ficar nervosa, só vamos caminhar um pouco.
E eu tinha certeza que em cada passo, meu coração iria acelerar ainda mais. Como prometido, %Sebastian% me guiou pelo quarteirão, mantendo sua mão segurando a minha e em silêncio olhando para o céu. Mesmo com a rua estreita e as árvores nas calçadas, o céu estrelado ainda podia ser visto por nós. Foi um momento bom, eu nunca tinha feito aquilo, andar pela rua à noite somente olhando para as estrelas, sentindo a brisa do luar. Até que minha barriga demonstrou estar viva e fez um barulho. Isso me lembrou que eu não tinha almoçado, somente comigo umas barras de cereal que encontrei na bolsa, enquanto escrevia meu artigo.
— Você está com fome. — afirmou ele segurando o riso.
Mais vergonha. Seria possível abrir um buraco e me jogar nele?
— Conheço um lugar bem legal. — disse ele — Posso te levar lá?
— Não, podemos ir caminhando. — assegurou ele.
—Tudo bem então. — assenti.
O lugar era uma barraquinha de comida de rua. O vendedor era um senhor bastante sorridente e brincalhão, seu bom humor parecia atrair muitas pessoas para a esquina onde seu carrinho ficava.
— Olha só quem está aqui… Nosso arquiteto prodígio, e com uma garota bonita. — disse o senhor com um largo sorriso — Onde encontraste essa chica?
Garota? Este senhor precisa de óculos. Pensei comigo.
— Esta chica es mi novia. — respondeu %Sebastian% causando animação no senhor.
Eu percebi que ele tinha dito algo em espanhol, uma matérias que eu sempre fugia na escola.
— O que disse a ele? — perguntei.
— Disse que é minha namorada. — respondeu — Estou errado?
Não. Né?! Fiquei sem resposta, e ele riu de mim, voltando seu olhar para o senhor.
— Este é o senhor Juan Ramillo. — me apresentou %Sebastian% — E esta é %Nalla%.
— Ah, mui prazer. — o homem sorriu mais — Me chame de Juan por favor, o Senhor está no céu.
— O que vão querer hoje? — perguntou Juan.
— Hum… — %Sebastian% me olhou — Você já comeu burrito?
— Uma vez, no ensino médio. — respondi sem graça por isso.
As comidas mexicanas são tão gostosas e de todas eu só sabia fazer nachos e guacamole. Vergonhoso para alguém que um dia quis fazer gastronomia.
— Então não tem muito tempo. — disse Juan.
Eu soltei uma gargalhada espontânea. Inocente aquele homem.
— Juan, dois burritos tradicionais por favor. — disse %Sebastian%, enquanto eu controlava meu riso.
— Solta dois burritos no capricho. — Juan começou a preparar todo animado e concentrado no que fazia.
— Me desculpe. — sussurrei para ele.
— Tudo bem. — %Sebastian% sorriu e manteve sua atenção em mim.
Eu me esforcei ao máximo para continuar olhando Juan preparar nosso pedido. Assim que nos entregou, %Sebastian% pagou ele e nos despedimos.
— Não deveria ficar envergonhada. — comentou ele após a primeira mordida.
— Quando alguém te elogia, não deveria ficar envergonhada. — ele parou e me olhou.
— É complicado para mim. — disse desviando meu olhar dele.
— Só porque sou mais novo que você? — perguntou.
— Aquele senhor achou que eu tivesse sua idade, ou menos. — disse voltando meu olhar para ele.
— E o que tem?! — ele manteve seu olhar em mim, sério porém sereno também.
— Tenho 33 anos e dois filhos. — argumentei.
— É o que a torna ainda mais interessante. — uma certa intensidade veio em seu olhar.
Me encolhi um pouco e voltei a caminhar, mantendo a atenção no burrito. %Sebastian% segurou em minha mão me fazendo voltar a atenção para ele.
— Estou sendo sincero quando digo isso. — disse ele com mais entonação na voz — A cada dia que a vejo, me sinto ainda mais atraído para conhecer a mulher incrível que mora na casa ao lado.
Fiquei sem reação. Sem ar talvez. Com o coração acelerado e um frio na barriga. Ele se aproximou ainda mais de mim, de forma lenta e intensa. Não sabia o que poderia acontecer, nem como eu reagiria se algo acontecesse. Por um piscar de olhos, meu celular começou a tocar, quebrando o momento e fazendo-o se afastar de mim. Tirei o celular do bolso respirando fundo e olhei o visor, era uma ligação de Carl. O que ele fazia me ligando aquela hora?
— Alô, Carl. — ponderei o volume da minha voz.
—
%Nalla%. Me desculpe ligar essa hora, só queria confirmar que dia é a apresentação da Molly. Ela me deixou um bilhete na minha carteira e só vi agora. — disse ele.
—
Carl. — ouvi uma voz feminina ao fundo de onde ele estava.
— Sexta feira às 16 horas, esteja lá, sua filha conta com sua presença. — respondi rapidamente — Mais alguma coisa?
—
Era somente isso. — disse ele.
Encerrei a ligação e guardei o celular no bolso. Olhei para %Sebastian% que saboreava seu burrito, não perdi tempo e fiz o mesmo. Comemos enquanto caminhávamos pela rua.
— Posso te fazer uma pergunta? — disse.
— Conhece o Juan a muito tempo?
— Mais ou menos. — respondeu ele — Foi um dos meus primeiros clientes em New York.
— Sério? — me deixou surpresa — Você reformou a casa dele?
— Não, eu construí o restaurante dele em Manhattan. — ele riu baixo — Foi difícil chegar no projeto certo para o que ele queria.
— Se ele tem um restaurante, porque fica ali na esquina com um carrinho? — fiquei curiosa pela história.
— Por que foi ali que ele ganhou a vida, juntou dinheiro montou seu restaurante, mandou os filhos para a universidade, naquela esquina ele fez amigos no lugar de clientes. — explicou %Sebastian% com um ar emotivo — É bem mais que só uma esquina para ele, é uma parte da história da sua vida.
— Bonito isso. — disse ao sorrir — Agora que sei o caminho, irei sempre lá.
— Ele vai gostar disso, Juan é bom em fazer amizades com chicas bonitas. — brincou ele num tom de sinceridade.
— Vou levar como um elogio. — eu ri um pouco — Obrigada pela noite.
— Eu que agradeço por ter aceitado. — ele manteve seu olhar para frente, mas pude ver um brilho nele, assim como um sorriso de conquista disfarçado em seu rosto.
Voltamos para casa e nos despedimos na varanda. Eu notei que a luz da sala da senhora Philips estava ligada. Será que ela nos viu sair e estava esperando pelo nosso retorno? Era demais saber que meus vizinhos faziam da minha vida uma interatividade para eles.
Na manhã de quinta-feira recebemos uma notícia chata, o concurso havia sido adiado para a próxima semana. Segundo a diretora, o auditório tinha sido muito comprometido pelo vazamento do cano. Molly sabia se ficava triste ou feliz por ter mais uma semana de ensaios. Assim que soube, mandei uma mensagem a Carl avisando o ocorrido e a nova data. Sábado pela manhã, pontualmente meu ex marido estava na frente de casa com seu carro esperando nossos filhos. Dei um beijo na testa de Joseph e um abraço apertado na minha joaninha. Foi de relance, mas consegui ver que no banco ao lado de Carl, estava Solar. Meu coração se apertava mais ao ver isso.
Virei meu olhar para o lado e vi Cedric terminando de lixar o assoalho de madeira. A fachada estava ficando muito bonita. %Sebastian% tinha pintado de branco com detalhes e estruturas em metal. Seu gosto por decoração industrial era visível em tudo naquela reforma. Desde a cozinha até a fachada da casa.
— Ele tem talento mesmo para isso. — sussurrei ao olhar para o regador e me lembrar que meu girassol precisava de água.
Não demorou muito até que Sophie chegou para o café da manhã. Claro que ela ficou umas meia hora observando Cedric com seu trabalho no assoalho. Eu abri a porta e a peguei no flagra.
— Que isso %Nalla%, não precisa me recriminar. — reclamou ela assim que entrou — Eu é que deveria te bater, por não me contar que o Universo Marvel, tinha um primo selo Chris Marvel.
Seu olhar indignado parecia ser relevante, mas não era.
— Por favor, Sophie. — eu ri dela — Já me basta o clube da varanda.
Segui rindo para a cozinha.
— Venha, antes que eu te deixe com fome. — assegurei.
—Você é má. — ela continuou emburrada e se sentou na cadeira — Não conta as novidades para mim.
— Eu disse que ele estava trabalhando na reforma com um parente. — retruquei não entendendo a queixa dela.
— Mas não disse o grau da categoria desse parente. — replicou ela.
— Vou ligar para seu marido. — fiz de séria.
— O Will não vai te atender. — ela deu de ombros.
— Estou falando do Tony Stark. — brinquei rindo dela.
— Ah querida, liga agora, por favor. — ela riu junto.
Eu voltei meu olhar para a janela espontânea e vi %Sebastian% encostado na bancada da ilha, com uma xícara na mão me olhando. Não me contive em parar no tempo e esquecer de minha amiga.
— O que foi %Nalla%? Ele está aí? — perguntou a curiosidade em forma de amiga.
— Sim. — assenti me forçando a olhar para ela — Mas não importa.
— Como assim não importa? — ela olhou para mim — Senta aqui e me conta o que rolou no passeio noturno.
— Não foi nada de mais. — disse me sentando.
— Tá, se não fosse, seus olhos não tinham brilhado quando mencionou. — seu sorriso malicioso estava ali — Por favor, vai me dizer que não rolou nada.
— Como você é lenta. — ela bufou um pouco — Desse jeito acaba com a minha fanfic.
— Entra pro clube da varanda. — a olhei séria e indignada agora.
— Amiga, a vida te da uma chance dessa, e você desperdiça?
— Eu passei muito tempo em um relacionamento que não me fez bem, Sophie, preciso de espaço e de um tempo só para mim. — expliquei a ela.
Ela ficou em silêncio sem argumento.
— Ok… Eu esperava mais. — ela cruzou os braços e olhou frustrada para o prato de panquecas.
— Esperava mais o que? — perguntei.
— Eu esperava… — ela levantou o olhar e parou — Vizinho.
Eu virei para trás e vi %Sebastian% na porta da cozinha. Tinha deixado ela aberta, pois iria varrer o quintal após o café.
— Bom dia. — disse a ele.
— Bom dia. — ele sorriu e manteve o olhar em mim, aparentemente ignorando a presença de Sophie.
— Bom dia. — disse Sophie, mostrando sua presença ali.
— Precisa de alguma coisa?
— Preciso falar com você sobre hoje à noite. — disse ele.
— Ah, pode falar, a Sophie é a única além do Joseph que sabe a verdade. — disse a ele.
— O Joseph sabe da verdade? — perguntou Sophie.
— Sim. — me virei para ela — Contei a ele depois do jantar nos meus pais.
— Ah sim, o barraco da sua mãe, deve ter sido constrangedor. — comentou ela.
— Não precisa lembrar Sophie. — disse a fazendo ligar o desconfiômetro.
— Ah, claro. — ela deu um sorriso disfarçado de desculpas.
— O que quer falar?! — voltei meu olhar para ele.
— Não estarei em casa este final de semana. — disse ele — Vou viajar até quarta.
— Olha, eu sei que não é da minha conta, mas… — Sophie começou a dizer.
— Se não é da sua conta Sophie… — eu a olhei.
Minha amiga tinha a mente mais fértil e maliciosa que eu conhecia. Estava com medo do que ela fosse dizer.
— Bem, você já falou com ele sobre nossa reunião de amigos? — perguntou ela.
— Não, eu ainda… — pausei por um tempo.
Estava com vergonha de pedir a ele para ir comigo. Mas ao mesmo tempo, sabia que seria estranho ir sozinha.
— Eu vou com você. — disse ele sem preocupações — Só me diz quando é.
— Esse é o ponto, vocês dois não parecem estar namorando. — questionou ela — Falta romance em vocês, tá certo que tem um ar de mistério aí que deixa tudo mais intrigante, mas falta algo.
— Do que você está falando Sophie? — mantive meu olhar nela.
— Imagina comigo... Lá vai ter casais, que se beijam o tempo todo. E vocês vão agir assim, como agora? — perguntou ela.
— Sophie, só porque estamos namorando não significa que temos que fazer o que todos fazem. — argumentei.
— Se esse é o problema... — %Sebastian% se afastou da porta e veio até mim.
Senti sua mão se apoiar em minha cintura, me virando para ele e aproximando nossos corpos com precisão. Então logo seus lábios se aproximaram dos meus lentamente, iniciando um beijo doce e intenso ao mesmo tempo. Se eu fiquei desnorteada? Sim. Não esperava aquela reação dele e nem do meu corpo em acompanhar seus movimentos, sem nenhum esforço para relutar. Ele beija bem? Oh, nem me fale. Tanto que me fez esquecer que não estávamos sozinhos. %Sebastian% se afastou um pouco, porém mantendo sua face próxima a minha. Respirei fundo, para que minha sanidade mental não fosse afetada.
— Agora você pode dizer que nos viu se beijando. — disse ele, se afastando de mim e olhando para minha amiga — Esse namoro é real, até quando ela quiser.
Oi? Foi isso mesmo que eu ouvi? Real? Até quando eu quiser? %Sebastian% se retirou deixando tanto eu como minha amiga sem palavras para descrever ou ações para reagir aquilo.
No momento em que vi seus olhos (é você)
Você capturou meu coração (é você)
Sem arrependimentos eu escolhi só você (é você).
- It's You / Super Junior