14 • Proposta do Ano
Eu passei o dia lendo fanfics, é impressionante como isso vicia as pessoas. Pouco depois do anoitecer, saí do quarto e segui para cozinha. Minha barriga roncava de fome. Assim que cheguei em frente a pia e movi meu olhar para a janela proibida, lá estava %Sebastian% em sua cozinha, com um avental, encostado na ilha me olhando de braços cruzados.
Oh não! Eu havia me esquecido do nosso jantar a dois. Ele queria aproveitar ao máximo de tempo sozinho comigo, antes dos meus filhos voltarem das férias. Voltei no quarto e vesti meu casaco de tricô, então fui para sua casa, passando pela cerca ainda quebrada. Acho que a demora do seu concerto era mesmo proposital.
— Boa noite. — disse ao entrar — Me desculpa, fiquei tão concentrada em minhas leituras que acabei esquecendo.
— Tudo bem. — ele sorriu de leve e desamarrou o avental o retirando.
Assim, o abdômen dele ficou à mostra. O abusado vizinho estava sem camisa.
Proposital? Com certeza.
— Você não tem roupa? — indaguei segurando o riso.
Ele sorriu de canto, e deixando o avental em cima da ilha, se aproximou de mim para me dar um beijo rápido.
— Não. — respondeu ele — Não tenho roupas.
— Abusado. — sussurrei — O que temos para o jantar?
Me forcei a ignorar seu corpo a mostra e segui até o fogão.
— O cheiro está convidativo. — confessei.
— Isso é bom. — assegurou ele, ao segurar em minha cintura e beijar de leve meu pescoço — E adivinha o que será de sobremesa?!
— Não sei se quero descobrir. — quase sussurrei, sentindo o coração acelerar.
Ele riu de mim e se afastou um pouco, então montou os pratos e nos serviu. Estava mesmo delicioso. %Sebastian% me convidou para terminar nossa maratona. Foi tentador confesso, mas tinha um compromisso com meu artigo sobre Fanfic. Voltei para casa e sentei na frente do notebook. Coloquei meu bloco de notas ao lado e comecei a digitar o esboço inicial. Eu só tinha mais dois dias e um artigo não era um texto tão fácil assim de produzir, ainda mais quando não se conhece o assunto e é perfeccionista como eu.
Passei a noite em claro digitando, pesquisando, anotando, lendo e digitando mais um pouco. Na alta madrugada me senti tão cansada que acabei adormecendo em cima do meu trabalho.
Na manhã seguinte, senti meu corpo confortável, o calor de minhas cobertas e achei estranho. Não me lembrava de ter ido para cama. A não ser que… Abri meus olhos e vi %Sebastian% sentado na janela do meu quarto.
— Como entrou aqui? — foi a única coisa que consegui dizer no susto.
— Bom dia para você também. — ele riu.
Estava tão charmoso com as roupas leves do verão.
— Bom dia. — disse envergonhada por ele ter me repreendido — Como entrou aqui?
— Antes de viajar, Joseph me deu sua cópia da chave de casa. — explicou — Ele disse que você sempre se esquece de trancar as portas.
— E você tem verificado? — perguntei abismada.
— Sim, todos os dias, prometi a ele. — respondeu serenamente.
Eu não sabia quem era mais fofo, meu filho ou ele.
— Obrigada por cuidar de mim. — estava mesmo muito agradecida.
— Acredite, o prazer é todo meu. — ele se afastou da janela e caminhou até a porta — Hoje não teremos café na cama.
— Hum… Não disse que eu ia ser mimada? — cruzei os braços me fazendo de série.
— Na minha casa sim, eu disse. — ele sorriu e se aproximou da porta — Tenho outros planos para nossa manhã, te espero lá embaixo.
— %Sebastian% eu tenho um artigo para terminar. — o lembrei.
— E uma saúde para cuidar. — ele se colocou entre a porta e meu quarto — Te espero lá embaixo.
Frisou minha necessidade de me trocar. Ele segui para as escadas e eu não tive escolha. Levantei da cama e caminhei até o guarda-roupas. Escolhi um vestido floral de tecido leve, peguei minha bolsa, joguei o celular e documentos dentro e segui para sala. Ele se manteve encostado na porta de saída me esperando com as mãos nos bolsos da bermuda que vestia. Céus, suas pernas eram grossas e chamativas. Meu coração acelerou só de olhar a pose que fazia para mim.
— Acho melhor irmos. — disse ao passar por ele e abrir a porta — Antes que eu relute e desista.
Estava evitando olhá-lo um pouco. Havia tido sonhos provocativos com ele na noite anterior.
— Não. — ele fechou a porta e me puxou para perto — O que você tem?!
— O que? — tentei não olhá-lo nos olhos, mantendo a inocência — Nada.
Mas meus pensamentos não me ajudavam.
— Então olhe para mim. — insistiu ele.
— O que? — eu o olhei com toda a minha coragem.
— Você é linda. — declarou ele.
E como não se derreter com isso?! Desta vez foi mais forte que eu, tomei impulso e o beijei. Senti que ele gostou da minha investida, assim que começou a retribuir com malícia. Fui salva do pecado com quando meu celular começou a tocar. Me afastei dele e olhei para o visor. Era uma mensagem de Sophie perguntando das fanfics. Se ela soubesse o que havia atrapalhado, nunca se perdoaria. Ri discretamente do meu pensamento e abri a porta. Empurrei %Sebastian% para fora e seguimos em direção a sua moto.
Nossa primeira parada foi em uma barraca de comida de uma rua próxima ao centro da cidade. Depois %Sebastian% me levou a um lugar inesperado: Escola de direção. Eu já havia comentado sobre a minha vontade em aprender a dirigir e tirar minha carteira, mas o dinheiro era contado e não tinha cabeça para pensar nisso. Mais uma vez me surpreendi, ao descobrir que %Sebastian% conhecia algumas pessoas dali que lhe deviam favores. Eu teria minhas aulas de direção e legislação gratuitas. Quanto ao exame de direção, segundo meu namorado era um presente de aniversário desde ano.
Se eu consegui reagir aquilo? Não. Fiquei estática por um tempo, até voltar ao normal e preencher a ficha de cadastro para iniciar as aulas. Realmente foi uma surpresa muito bem preparada. Nosso passeio foi esticado no Central Park, caminhamos um pouco pelo lugar sentindo o frescor da manhã. Finalizamos com um almoço rápido no Starbucks. Então ele me levou de volta para casa, depois seguiu para uma reunião com o Rodnei.
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Sexta-feira chegou, e com ela o finalização do meu artigo. Se eu não bati o recorde da Sophie de mais fics lidas em quatro dias, eu desistiria. Terminei a formatação e revisão gramatical, então enviei para Genevieve por email em pdf. A noite foi em claro, mas desta vez venci o sono e terminei meu trabalho. Depois disso, apenas mandei uma mensagem a %Sebastian% dizendo que apagaria e me deitei na cama.
Minha joaninha retornou da casa dos pais de Carl, assim como Joseph da casa dos avós do amigo. Início do outono, início das aulas, e foi em grande estilo com a inauguração do novo Liberdad Café. Finn estava tão emocionado, seu olhar orgulhoso para a fachada do novo prédio. Ele juntamente com a Mia, cortaram o grande laço vermelho abriram as portas da cafeteria.
— Parabéns Finn. — disse o abraçando de leve — Estou muito feliz com este recomeço para o Liberdad Café.
— Eu que agradeço pelo apoio sempre. — seu olhar emocionado e orgulhoso não desaparecia dos olhos — E pensou na minha proposta.
— Pensei sim, e aceito ela, mas com a condição de me darem os devidos créditos ok?! — disse a ele.
— Claro que sim, suas panquecas serão as estrelas daqui e seu nome estará lá como criadora. — ele me assegurou — Venha, quero que conheça a Mia pessoalmente.
Ele me levou até a sua nova investidora, agora sócia. A jovem aparentava ter a mesma idade de %Sebastian%, mas segundo Finn, tinha um olhar muito afiado para os negócios. Eu me lembrava de tê-la visto em algum lugar, mas não sabia qual. Mas era filha de pessoas importantes da elite de Manhattan.
— Mia Baker. — disse ele ao me apresentar ela — Esta é %Nalla%, minha amiga que te falei.
Simpática e educada a primeira vista. Fiquei feliz ao saber que meu amigo trabalharia com uma pessoa dedicada e responsável, mesmo com pouca idade.
— É um prazer %Nalla%. — disse a jovem — %Sebastian% também me falou sobre você, estou feliz pelo namoro dos dois.
— Ah, agradeço e o prazer é meu. — sorri para ela em cumprimento.
Começamos a conversar um pouco sobre minha receita especial de panquecas e como nasceu. Trocamos algumas figurinhas gastronômicas e descobri que ela havia trabalhado como estagiária no restaurante da mãe de %Sebastian%. Meu corpo tremeu ao saber que a senhora Bridget Lewis era um tanto quanto séria e severa com seus funcionários, exigindo o máximo de perfeição deles. Começo a imaginar seu nível de exigência para a mulher que se relaciona com seu filho.
Tudo estava lindo na inauguração.
O final de semana passou rápido novamente. Na segunda, recebi uma mensagem de Genevieve no whatsapp, me convidando para um café após o almoço. Quando cheguei no Starbucks próximo a Estação Central, fiquei surpresa ao vê-la em uma mesa com as meninas do jornal. Me aproximei delas e as cumprimentei. Todas me deram um abraço caloroso e nos sentamos. Genevieve fez o pedido para nós e esperamos até sermos servidas, então ela se pronunciou.
— Bem, eu fiquei sabendo sobre o ocorrido no NT Post, e estou envergonhada por você ter passado por isso %Nalla%. — iniciou Genevieve.
— Não se preocupe, aquilo não me afetou, só fico preocupada por ele não arcar com sua falta de carácter. — disse com chateação.
— Sim, infelizmente a sociedade ainda é bastante machista, nós mulheres temos que lutar sempre e arduamente para termos o respeito que é nosso por direito. — concordou ela — Mas, virando esta páginas, estou aqui reunida com a melhor equipe de redação que já trabalhei, e quero fazer uma proposta para vocês.
— Hum… Já ficou interessante. — brincou Lizzi.
— E o que seria? — perguntei curiosa.
— Depois que saí do NT Post e viajei a Paris, comecei a pensar no que poderia fazer profissionalmente, e algumas ideias vieram em minha mente. — Genevieve começou a explicar — Então estou com um projeto de lançar um jornal online voltado somente para o público feminino…
— Um jornal? Não seria revista? — Sunny a olhou confusa.
— Sim, um jornal, revistas femininas têm aos montes, e eu quero diferencial. — assegurou Genevieve sua ideia — Um jornal online falando de todos os assuntos corriqueiros de um jornal tradicional, mas com a linguagem feminina, e meu desejo é vocês sejam minha equipe nessa empreitada. O que acham?
Nós nos olhamos, demonstrando certa animação.
— Eu nunca vi, mas gostei da proposta. — disse como porta voz de todas — E pelo olhar das meninas, nós aceitamos.
— Era isso que eu queria ouvir. — disse ela ao abrir um largo sorriso para nós — Inicialmente será um pouco trabalhoso, vamos estruturar tudo em nosso jornal, cada sessão.
— Genevieve, a ideia é maravilhosa, mas quero realidades, teremos dinheiro para isso? Servidor, marketing, tudo? — perguntei um pouco insegura, eu sabia de minhas condições financeiras.
— Não se preocupem com o dinheiro, eu tenho algumas economias que serão nosso suporte, sempre tive vontade de ter meu próprio jornal. — garantiu ela — E quanto ao restante da equipe, estou reunindo outras mulheres tão habilidosas quanto vocês para trabalhar conosco. Teremos uma equipe técnica para cuidar da hospedagem e programação do site, uma equipe de marketing e design gráfico para diagramação online e artes que serão feitas para os artigos e notícias. Fiquem tranquilas que em breve teremos uma grande reunião para que eu explique melhor tudo.
— Já estou ansiosa por isso. — disse Lizzi quase eufórica.
— Genevieve, eu não sei se já pensou nisso, mas mulheres também gostam de esportes e se tivermos esse caderno, gostaria de indicar uma amiga que estuda comigo, ela é muito ligada nesses assuntos e no colegial foi até capitã de líderes de torcida. — disse Beth.
— Me passe o contato dela. — pediu Genevieve.
— Que tal um brinde à base de café? — propôs Sunny ao levantar seu copo.
— Sim. — concordamos todas.
Nós brindamos em meio aos sorrisos de alegria e animação para nosso novo projeto.
E lá no fundo eu sentia que era o início de mais uma nova fase em minha vida.
É isso
Ligue o motor e pise no acelerador
Tudo é especial
Nós ficamos bem juntos
O que você quiser
Eu vou fazer dar certo.
- Love Me Right / EXO