16 • A sogra
Dois dias para o natal e dentro de mim um nervosismo se instalou. Confesso que havia medo em mim, conhecer a mãe de %Sebastian% seria um marco importante em nosso inesperado relacionamento. Pela manhã após acordar, me espreguicei na cama e senti não estar sozinha. Abri os olhos e me deparei com minha joaninha embrulhada em minha coberta toda encolhida e apagada. Certamente havia invadido o meu quarto no meio da noite. Molly não tinha o costume de dormir em minha cama, apenas em ocasiões extremas de pesadelo.
— Bom dia joaninha. — disse em sussurro, beijando de leve sua bochecha.
— Bom dia mamãe. — disse ela se espreguiçando.
— Teve algum pesadelo? — perguntei.
— Eu sonhei que o %Sebastian% tinha ido embora e a senhora estava chorando. — contou ela — Ele vai embora mamãe.
— Não querida. — %Nalla% sorriu de leve para tranquilizar a filha.
Até quando eu quiser. Pensou ela, na frase que estremecia seu corpo. Ela abraçou sua filha com carinho.
— Você gosta do %Sebastian% por perto? — perguntei.
— Eu sempre vejo um sorriso no seu rosto quando ele está perto. — explicou ela com um olhar brilhoso — E gosto mais dele que do papai.
Isso me pegou de surpresa. Mantive o sorriso no rosto e me levantei da cama. Troquei de roupa no banheiro e desci as escadas, seguindo para a cozinha. Joseph já se encontrava acordado e preparando nosso café. Me aproximei dele e o abracei.
— Bom dia querido. — disse o observando preparar suas panquecas.
— Bom dia mãe. — ele sorriu para mim — Molly teve pesadelo?
— Sim, mas está tudo bem agora. — respondi.
— Vamos mesmo passar o natal com o %Sebastian%? — ele desligou a trempe e me olhou.
— Sim, mas somente se você e sua irmã estiverem confortáveis para ir. — expliquei.
Não deixaria meus filhos sozinhos no natal.
— Molly não para de falar sobre isso. Claro que estamos animados para ir. — Joseph sorriu ao colocar o prato de panquecas na mesa — Está pensando em desistir?
— Não. — respondi com certeza - Mas claro que a opinião de vocês é importante.
— Eu quero conhecer a família do %Sebastian%. — disse Molly ao entrar na cozinha.
Nós rimos dela e nos sentamos nas cadeiras. Saboreamos o nosso café da manhã com tranquilidade e muitos risos. As horas passaram e após o almoço, ajudei Molly a arrumar sua mala, então conferi a minha. O inverno estava mais rigoroso esse ano, então tratei de colocar as roupas mais quentes nas malas. Ao entardecer, %Sebastian% veio nos buscar, e assim seguimos de avião para Los Angeles, com o destino final em Malibu. Foi lindo ver meus filhos encantados com a paisagem, mesmo noturna. Era a segunda vez deles longe de Manhattan. A primeira vez foi para a Disney quando Molly tinha dois anos.
— Chegamos. — disse %Sebastian% assim que entramos na casa de sua mãe que ficava em frente a praia.
— Uau. — Molly correu para varanda — Dá pra ver a praia daqui. Olha Joe.
Meu filho seguiu a irmã. Assim que %Sebastian% colocou as malas ao lado da escada, se aproximou de mim e me pegando pela cintura me deu um selinho rápido.
— Está tudo bem? — perguntou ele ao me olhar preocupado — Se quiser, podemos ficar em um hotel.
— Não, não quero te afastar da sua mãe, ela foi tão solícita em nos convidar a ficar aqui. — sorri de leve para ele.
— Ainda está com medo de conhecê-la? — perguntou ele.
— Quem disse que estava com medo? — o olhei séria, porém suavizei o rosto — Estou tentando permanecer tranquila.
— Que bom. — ele beijou meu pescoço — Pois você vai dormir comigo.
Ele deu um sorriso malicioso e piscou de leve. Nem mesmo pude reagir e protestar, pois as crianças retornavam para sala. Seguimos para o andar de cima, a fim de conhecer os quartos. A casa não era tão grande assim, mas confortável e ampla. Tinham quatro quartos e três banheiros, contando com a suíte de sua mãe. Aproveitamos para acomodar algumas coisas no quarto e %Sebastian% me deixou à vontade para me trocar, se retirando primeiro e descendo para a cozinha. Eu troquei de roupa, colocando um conjunto de moletom e também retornei para o andar debaixo.
— Molly está tão empolgada com a praia, mas como posso deixá-la ir, não em meio a neve. — comentei ao vê-lo já com um avental no corpo, preparando algo para comermos.
— Deixe que ela caminhe na praia pelo menos. — ele me olhou com carinho — Quem sabe no próximo verão…
Seu olhar sugestivo me estremeceu um pouco. Sorri de leve e me sentei na banqueta para observá-lo.
— Estou me lembrando de quando cozinhou para mim pela primeira vez… — comentei — O restaurante da sua mãe já ficou pronto?
— Estamos na fase final. — respondeu ele voltando o olhar para o lanche que preparava — Talvez no próximo mês seja inaugurado.
Não demorou muito até que lanchamos os sanduíches de presunto defumado que ele preparou com chocolate quente. Eu já estava me preocupando com a ausência de sua mãe. Porém, pouco depois das dez, ela adentrou sua casa, com suas sacolas nas mãos e falando ao celular. Meu corpo gelou assim que seu olhar intimidador chegou em mim. Bridget Lewis, a maior chef de cozinha da Califórnia estava em minha frente, e o mais louco é que já havia visto uma reportagem do NT Post sobre ela. Ela me olhou de cima para baixo discretamente e depois desviou o olhar para meus filhos.
— %Sebastian%. — ela seguiu para ele e o abraçou — Que saudade querido.
— Eu também mãe. — ele sorriu retribuindo o abraço dela — Quero que conheça %Nalla% e seus filhos Molly e Joseph.
— Prazer, senhora Lewis. — disse estendendo a mão em cumprimento.
— Prazer. — ela apertou a minha mão e sorriu para meus filhos — Já comeram? Trouxe alguns pratos do restaurante.
— Já comemos sim. — respondeu ele — Vamos nos recolher agora.
— Eu preparei os três quartos para vocês, deixei o de %Nalla% ao lado do seu, já que sua irmã não virá. — disse ela num tom firme.
— %Nalla% ficará comigo. — disse ele ao segurar em minha mão.
— Ah querido, não queremos que ela se sinta desconfortável não é, acho que seria mais prudente ela ficar no quarto ao lado. — o olhar de sua mãe se voltou para mim numa forma de ameaça.
— Claro, e também não quero tirar a privacidade dele. — eu soltei a minha mão da dele e o olhei com carinho — Será melhor assim, vou me sentir mais confortável.
— Se é o que você quer, eu respeito. — disse ele ao me olhar com seriedade.
— Tudo resolvido então. — ela abriu um largo sorriso de satisfação e seguiu para a cozinha.
Nesta altura, eu já estava me sentindo mais do que intimidada. Seguimos para os quartos, e enquanto %Sebastian% deixava minha mala no quarto ao lado, fui dar boa noite aos meus filhos.
— Está tudo bem mãe? — perguntou Joseph.
— Sim, porque? — o olhei confusa.
— A mãe do %Sebastian% pareceu não gostar da gente. — disse Molly.
— Pequena, não é isso, ela só ficou preocupada com o nosso bem estar aqui. — forcei um sorriso para eles — Durmam bem, amanhã vamos passear na praia.
— Eba! — Molly deu um pulo da cama.
— Vamos joaninha, dormir. — ri de leve e beijei sua testa — Fique tranquilo Joseph, está tudo bem.
Dei um abraço nele e me retirei do quarto deles. Segui para o meu, me deparando com %Sebastian% ainda lá.
— Não me olhei assim, é a casa da sua mãe, vamos respeitar a vontade dela. — disse ao me aproximar dele.
— Não quero que se sinta coagida, não me importo de ir para um hotel. — disse ele com firmeza.
— Não me senti coagida, é minha primeira vez aqui, acho que será melhor assim, preciso conquistar a confiança dela primeiro. — expliquei a ele.
— Então… Quer dizer que no verão… — ele me puxou pela cintura — O verão está muito longe, meu desejo é derreter a neve com o nosso amor.
Fui interrompida por um beijo apaixonado e intenso dele, como sempre. Senti que ele realmente queria esquentar as coisas entre nós, mas sempre sendo respeitoso e pedindo permissão a cada carícia mais maliciosa. Me afastei um pouco dele e desejei boa noite, ao perceber a sombra de sua mãe passando pela porta.
Na manhã seguinte, Molly me acordou primeiro. E sem mais delongas, trocamos de roupa e seguimos eu e meus dois filhos para uma caminhada na praia. %Sebastian% pediu para ir na frente, pois precisava resolver alguns assuntos do escritório de última hora. Foi lindo ver Molly brincando com a neve, juntamente com Joseph, fazendo um boneco Olaf, versão joaninha. Fiquei parada observando eles se divertindo. Não conseguia me lembrar qual o último natal que passamos assim, tão felizes e em sorrisos o tempo todo. A triste lembrança de Carl quebrando a árvore enfeitada no último natal, fez meu coração se apertar. Porém, o brilho nos olhos de Molly foi o suficiente para espantar as más lembranças.
Passamos um bom tempo ali, porém o céu foi fechando e dando sinais de nevasca se aproximando. Voltamos para a casa da senhora Lewis, na porta ouvi vozes alteradas vindo de dentro e assim que entramos, ambos se calaram no mesmo momento.
— Voltamos. — disse meio sem graça, porém forçando um sorriso de quem não ouviu nada — Sentimos sua falta lá, você disse que iria.
— Me desculpe, imprevistos no trabalho, tive que resolver. — explicou %Sebastian% — Como foi?
— Divertido. — disse Molly empolgada.
— Porém, o céu está estranho, parece que vem uma nevasca. — completei.
— Eu vou jogar no quarto mãe. — disse Joseph num tom baixo.
Meu filho era bastante transparente em suas expressões. E já havia percebido que ele não tinha gostado da mãe de %Sebastian%. Tentei disfarçar as coisas, mas parecia que até %Sebastian% não estava satisfeito com as ações da senhora Lewis. As horas se passaram, como
véspera de natal e com uma tempestade de neve do lado de fora, nossa única opção era maratona Pixar sugerido por Molly. Joseph permaneceu no quarto jogando e a senhora Lewis na cozinha testando algumas receitas. Minha joaninha acabou dormindo no terceiro filme e %Sebastian% a levou em seus braços para o quarto.
— %Nalla%. — a senhora Lewis entrou na sala ao perceber que estava sozinha.
— Sim? — eu me levantei do sofá e a olhei — Precisa de alguma coisa?
— Sim, mas infelizmente não pode me ajudar. — disse ela com aspereza na voz — Se é que me entende.
— Me desculpe, mas não a entendo. — disse inocente — Por que não posso ajudá-la?
— %Nalla%, serei direta e honesta com você, meu sonho nunca foi que meu %Sebastian% se relacionasse com uma mulher divorciada e com dois filhos na bagagem. — ela foi mais do que direta e honesta — Não acho que seja a mulher ideal para ele, nem que possa fazê-lo feliz.
— Somente eu sei quem pode ou não me fazer feliz mãe. — a voz de %Sebastian% soou atrás de mim, arrepiando meu corpo.
— Querido, não foi o que eu quis dizer. — sua mãe tentou contornar a situação.
— Foi sim, exatamente o que quis dizer. — ele parou ao meu lado e segurou firme em minha mão, certamente para que dessa vez eu não soltasse — A %Nalla% é a mulher que eu escolhi amar, não me importo com o que pensa sobre isso, tenho certeza que serei feliz com ela.
— %Sebastian%. — sussurrei tentando acalmá-lo.
Ele realmente parecia nervoso com sua mãe, mesmo mantendo o tom de voz tranquilo.
— Nós vamos para outro lugar. — anunciou ele.
— Mas filho, está uma tempestade lá fora e amanhã é natal. — questionou ela.
— Não vou ficar em um lugar onde esta mulher ao meu lado não é bem-vinda, e menos ainda vou permitir que continue coagindo ela. — disse ele com segurança — Eu a conheço mãe, e sei que é assim que faz.
Oh eu não me importo
Mesmo que eu tenha que ir para longe
Eu serei o único homem
Que estará ao seu lado.
- Call Me Baby / EXO